{"id":30660,"date":"2023-07-24T15:07:50","date_gmt":"2023-07-24T18:07:50","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30660"},"modified":"2023-07-24T15:07:50","modified_gmt":"2023-07-24T18:07:50","slug":"o-outro-lado-da-acao-heroica-de-26-de-julho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30660","title":{"rendered":"O outro lado da a\u00e7\u00e3o her\u00f3ica de 26 de Julho"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30661\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30660\/unnamed-15\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-1.jpg?fit=700%2C509&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"700,509\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-1.jpg?fit=700%2C509&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-30661\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-1.jpg?resize=700%2C509&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"509\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-1.jpg?w=700&amp;ssl=1 700w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-1.jpg?resize=300%2C218&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Foto: Ilustra\u00e7\u00e3o: Ren\u00e9 Mederos<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de Santa Ana de 1953, em Bayamo se escreveu \u2013 na mesma hora que e Santiago de Cuba \u2013 uma p\u00e1gina c\u00e9lebre que dignificou a \u00e9pica jornada e sua posterior transcend\u00eancia hist\u00f3rica<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Autor: Mailenys Oliva Ferrales | internet@granma.cu<\/p>\n<p>\u00c9 26 de julho de 1953 em Bayamo e exatamente \u00e0s 5:15 da manh\u00e3, um tiroteio intenso e violento, que se ouve na parte alta da cidade, sacode todas as casas. Passam-se cerca de 20 minutos, ou pouco mais, de um alarme angustiado e crescente. Ent\u00e3o ouvem-se tiros isolados, e ent\u00e3o a cidade acorda, com a primeira luz do dia, sob a f\u00faria incontrol\u00e1vel de um ex\u00e9rcito contestado, em seu pr\u00f3prio covil local, pela coragem de um punhado de jovens dispostos a honrar &#8211; se necess\u00e1rio com seu pr\u00f3prio sangue &#8211; a hist\u00f3ria do pa\u00eds. Nas m\u00e3os eles carregam armas. Em seus peitos, uma crescente rebeli\u00e3o patri\u00f3tica e, em seus pensamentos, Marti est\u00e1 pregando que \u201co povo que se submete perece\u201d.<\/p>\n<p>Mas o que aconteceu naquela manh\u00e3 de domingo em Santa Ana? A resposta n\u00e3o se faria esperar. Ap\u00f3s a confus\u00e3o inicial, soube-se naquele mesmo dia 26 que o quartel Carlos Manuel de C\u00e9spedes (quartel-general da Esquadra 13 da Guarda Rural) havia sido atacado por um grupo de revolucion\u00e1rios inexperientes.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em Santiago de Cuba, um acontecimento semelhante, ocorrido no mesmo dia e \u00e0 mesma hora, abalou os alicerces do ent\u00e3o quartel de Moncada. Ali forjou-se a a\u00e7\u00e3o principal, e no ber\u00e7o de C\u00e9spedes secundou-se a fa\u00e7anha. Era o Oriente a agir, mais uma vez, no ano do centen\u00e1rio do nascimento do Ap\u00f3stolo, com a bravura irremedi\u00e1vel de um povo determinado a enfrentar a ignom\u00ednia e a conquistar o seu direito \u00e0 liberdade.<\/p>\n<p>O PREL\u00daDIO<\/p>\n<p>A maioria dos jovens que se envolveram na a\u00e7\u00e3o arriscada veio da linha mais radical do movimento ortodoxo. Com Fidel como l\u00edder, naquela organiza\u00e7\u00e3o a discri\u00e7\u00e3o e a disciplina eram aspectos de estrita obriga\u00e7\u00e3o. &#8220;\u2026A luta n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil e o caminho pela frente ser\u00e1 longo e espinhoso. Vamos pegar em armas contra o regime\u201d, o pr\u00f3prio Fidel havia alertado aos que aderiram ao movimento em 1952. No entanto, o plano para as a\u00e7\u00f5es de 26 de julho era secreto. Apenas &#8220;Alejandro&#8221; (Fidel), Abel Santamar\u00eda (segundo em comando), Ra\u00fal Mart\u00ednez Arar\u00e1 (chefe de uma das celas) e alguns membros o conheciam, com o objetivo de impedir que a informa\u00e7\u00e3o vazasse para o ex\u00e9rcito. Os combatentes sequer conheceram os detalhes da a\u00e7\u00e3o at\u00e9 poucas horas antes de realiz\u00e1-la.<\/p>\n<p>Em Bayamo, a a\u00e7\u00e3o foi essencial, porque o assalto ao quartel Carlos Manuel de C\u00e9spedes pretendia localizar os postos avan\u00e7ados do movimento de liberta\u00e7\u00e3o nas margens do rio Cauto e impedir, com a posterior explos\u00e3o das pontes de acesso \u00e0 regi\u00e3o (miss\u00e3o confiada aos mineiros de Charco Redondo, em Jiguan\u00ed), que tropas do ex\u00e9rcito de Holgu\u00edn e Manzanillo pudessem ajudar suas cong\u00eaneres em Santiago de Cuba.<\/p>\n<p>A cidade tamb\u00e9m tinha atributos hist\u00f3ricos que endossavam seu valor. Ber\u00e7o da Nacionalidade Cubana, do Pai da Na\u00e7\u00e3o e de v\u00e1rios her\u00f3is pr\u00f3-independ\u00eancia, sede do primeiro governo livre da Rep\u00fablica em Armas e terra onde se cantou pela primeira vez o Hino Nacional, Bayamo inspirava certeza e confian\u00e7a. nela vinte e cinco jovens voltariam a fazer hist\u00f3ria, divididos em quatro grupos liderados por Ra\u00fal Mart\u00ednez, Antonio (\u00d1ico) L\u00f3pez, Pedro Celestino e Hugo Camejo, que chegaram \u00e0 cidade nos dias que antecederam a madrugada de 26 de julho.<\/p>\n<p>O albergue escolhido pelos combatentes foi o Gran Casino, propriedade de Juan Mart\u00ednez, localizado a duas quadras do quartel, e que estava \u00e0 venda h\u00e1 dois anos. Como se sabe, Renato Guitart havia alugado para montar um suposto &#8220;neg\u00f3cio de frangos&#8221;. Apenas horas depois, ao amanhecer, o grosso do comando ficaria sabendo dos detalhes da a\u00e7\u00e3o, mas o \u00fanico morador de Bayamo que sabia da a\u00e7\u00e3o era Elio Rosette, homem de Matanzas radicado na cidade e conhecido dos guardas do enclave militar. Ele havia pedido permiss\u00e3o, na tarde anterior, para ver a fam\u00edlia e n\u00e3o voltou. Ao quebrar sua palavra de conduzir os revolucion\u00e1rios ao local do evento, obrigou-os a mudar o plano planejado. Foi assim que falhou o fator surpresa.<\/p>\n<p>DESPERTAR DA REBELDIA<\/p>\n<p>For\u00e7ados a mudar sua estrat\u00e9gia inicial, alguns dos combatentes avan\u00e7aram pelos fundos do quartel, onde trope\u00e7aram em latas vazias que provocaram o latido de um cachorro e o alarido dos cavalos, a ponto de alertar a guarda. Precisamente, o soldado Indalecio Estrada Calder\u00f3n, que foi o primeiro a ver os revolucion\u00e1rios naquela madrugada, contaria anos depois: &#8220;Eu estava de plant\u00e3o naquele dia e \u00e0s 17h15 eu estava no est\u00e1bulo, dando a volta na ronda. Olhei e vi o grupo que vinha, e como eram (supostamente) soldados, gritei: Alto a\u00ed quem vai! Eles me responderam com uma rajada de tiros autom\u00e1ticos e me disseram: Renda-se! Renda-se! Foi ent\u00e3o que eu peguei a metralhadora (\u2026) Os guardas levantaram-se e come\u00e7aram a disparar pelas janelas. Eles n\u00e3o sabiam em quem estavam atirando, e Navarro, que estava perto deles, foi baleado no bra\u00e7o. Ele foi o \u00fanico ferido entre n\u00f3s. N\u00e3o houve mortes de nenhuma das partes contr\u00e1rias\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, o revolucion\u00e1rio Ramiro S\u00e1nchez relatou: \u201cO que aconteceu \u00e9 mais conhecido, o fator surpresa foi frustrado, o grupo do fundo colidiu com uma cerca nova e latas vazias; veio o grito de Alto! de dentro e logo depois o tiroteio. Nos engalfinhamos, o que n\u00e3o durou mais que meia hora, mas disparamos todas as balas que t\u00ednhamos. N\u00e3o t\u00ednhamos experi\u00eancia suficiente. Eu, com o meu calibre 22, disparava onde via as chamas que brotavam das espingardas dos guardas&#8230; Sob o intenso tiroteio, \u00d1ico L\u00f3pez, com admir\u00e1vel serenidade, pediu uma pin\u00e7a ou alicate para cortar os fios de arame da cerca que havia entre n\u00f3s.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Os gritos de Abaixo a tirania! Viva Cuba livre! inflamavam os revolucion\u00e1rios. Por quase 15 minutos travamos um combate desigual. A metralhadora instalada pelos guardas mudou significativamente a situa\u00e7\u00e3o do encontro armado. Por cima das nossas cabe\u00e7as, para os lados e \u00e0 frente, as balas destro\u00e7avam tudo o que estava \u00e0 sua frente. Num dos meus flancos, penso que \u00e0 esquerda, ou\u00e7o um gemido de dor. Era Gerardo P\u00e9rez Puelles. Uma bala entrou em sua coxa. Conto com Ra\u00fal Mart\u00ednez e ele me diz que o assalto n\u00e3o tinha mais perspectivas. &#8220;N\u00e3o podemos ir mais longe daqui&#8221;, ele me disse enfaticamente. A metralhadora localizada a cerca de 30 metros de dist\u00e2ncia foi a que mais estragos nos causou. A retirada come\u00e7ou gradualmente.\u201d<\/p>\n<p>No entanto, poucos minutos ap\u00f3s o t\u00e9rmino do assalto ao quartel Carlos Manuel de C\u00e9spedes, perto do Parque San Juan, \u00d1ico L\u00f3pez, \u00e0 frente de um pequeno grupo e abrigado em uma est\u00e1tua de Tom\u00e1s Estrada Palma, fulminou o sargento Ger\u00f3nimo Su\u00e1rez Camejo com sua espingarda. O acontecimento desencadeou a f\u00faria do tenente Pando, chefe da guarni\u00e7\u00e3o, que indicou que todos os suspeitos fossem capturados, e logo depois foi dada a ordem de matar dez revolucion\u00e1rios para cada baixa do regime.<\/p>\n<p>O banho de sangue que se seguiu foi colossal. \u00c0 lista dos assassinados juntaram-se Mario Mart\u00ednez e Jos\u00e9 Testa (assassinado em Bayamo), Hugo Camejo e Pedro V\u00e9liz (em Veguitas), Pablo Ag\u00fcero, Luciano Gonz\u00e1lez, Rafael Freyre e L\u00e1zaro Hern\u00e1ndez (na fazenda Ceja de Limones) e Rolando San Rom\u00e1n e \u00c1ngel Guerra (que, paradoxalmente, apareceram, semanas depois, na lista de mortos dos assaltantes do quartel Moncada, em Santiago).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30660\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[14,48,9,47,77],"tags":[228],"class_list":["post-30660","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s16-caribe","category-c58-cuba","category-s10-internacional","category-c57-revolucao-cubana","category-c90-solidariedade-a-cuba","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7Yw","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30660","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30660"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30660\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30662,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30660\/revisions\/30662"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}