{"id":30666,"date":"2023-07-26T12:55:26","date_gmt":"2023-07-26T15:55:26","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30666"},"modified":"2023-07-26T12:55:26","modified_gmt":"2023-07-26T15:55:26","slug":"senhoras-e-senhores-a-otan-em-seu-esplendor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30666","title":{"rendered":"Senhoras e senhores, a OTAN em seu esplendor"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30667\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30666\/image-2-14\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-2-4.png?fit=1200%2C600&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1200,600\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (2)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-2-4.png?fit=300%2C150&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-2-4.png?fit=747%2C374&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-30667\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-2-4.png?resize=747%2C374&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"374\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-2-4.png?resize=900%2C450&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-2-4.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-2-4.png?resize=768%2C384&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-2-4.png?w=1200&amp;ssl=1 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Imagem: logotipo da c\u00fapula de julho de 2023 na Litu\u00e2nia<\/p>\n<p>Por Jos\u00e9 Goul\u00e3o &#8211; ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>Entre as novas exig\u00eancias atlantistas imp\u00f5e-se ent\u00e3o que a Ucr\u00e2nia proceda a \u00abreformas democr\u00e1ticas e do aparelho de seguran\u00e7a\u00bb. Disse \u00abreformas democr\u00e1ticas\u00bb? Tem certeza? Importa-se de repetir?<\/p>\n<p>A c\u00fapula da OTAN em Vilnius, Litu\u00e2nia, gastou dezenas de horas, toneladas de papel, milh\u00f5es de terabytes, esgotou o armaz\u00e9m de adjetivos, dilapidou o inesgot\u00e1vel estoque de fervor guerreiro de dezenas de comentadores e analistas; por\u00e9m, justi\u00e7a seja feita, conseguiu n\u00e3o se desviar da narrativa delirante, esp\u00e9cie de terrorismo intelectual com que continua a guerrear pela sobreviv\u00eancia xen\u00f3foba do \u00abnosso DNA civilizacional e cultural superior\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abA nossa narrativa vence guerras!\u00bb, proclamou o Daily Telegraph num irreprim\u00edvel grito imperial em nome de Sua Majestade. Afinal, \u00e9 a f\u00e9 na fic\u00e7\u00e3o que nos salva, porque atrav\u00e9s desse caminho foi poss\u00edvel aos atlantismos personificados pela OTAN obter her\u00f3icas vit\u00f3rias no Vietn\u00e3, no Iraque, na S\u00edria, na pr\u00f3pria L\u00edbia em decomposi\u00e7\u00e3o e em v\u00e1rias outras pelejas, com destaque para o Afeganist\u00e3o e os \u00abseus pastores de cabras equipados com Kalachnikov\u00bb, como ironizam algumas vozes nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A \u00abnarrativa\u00bb descobre sempre a vit\u00f3ria nos escombros dos desastres militares. Assim \u00e9 tamb\u00e9m na Ucr\u00e2nia, onde a OTAN est\u00e1 \u00e0s portas da derrota no terreno, e por isso alega que n\u00e3o se considera em guerra com a R\u00fassia (assim o diz o comunicado final do encontro), valendo-lhe, uma vez mais, a tal f\u00e9 inabal\u00e1vel na narrativa de vit\u00f3ria para garantir que cada ucraniano sacrificado sem d\u00f3 nem piedade \u00e9 um enorme passo em frente na triunfante defesa dos \u00abnossos interesses\u00bb e da \u00abdemocracia\u00bb.<br \/>\nDisse democracia?<\/p>\n<p>Entre o tanto que se disse e escreveu sobre a c\u00fapula da coliga\u00e7\u00e3o militar \u00abdefensiva\u00bb, mas que mant\u00e9m a conquista total do planeta sob vigil\u00e2ncia \u2013 leia-se, se houver vig\u00edlia para isso, o quilom\u00e9trico e burocr\u00e1tico comunicado final \u2013, quase escapou uma pequenina frase perdida na imensa lixeira de palavras.<\/p>\n<p>Sabemos, para desespero do mimado nazista Zelenski, que em vez das portas da OTAN alegremente franqueadas pelas promessas de 2008, a ret\u00f3rica agora \u00e9 outra. Diz a alian\u00e7a que a entrada da Ucr\u00e2nia na organiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 poder\u00e1 verificar-se a partir do momento em que \u00abos aliados estejam de acordo e existirem condi\u00e7\u00f5es para isso\u00bb. A mensagem foi logo a seguir expurgada de quaisquer equ\u00edvocos pelo secret\u00e1rio-geral Stoltenberg ao explicar que a decis\u00e3o sobre a anexa\u00e7\u00e3o de Kiev pela OTAN s\u00f3 poder\u00e1 colocar-se em cima da mesa \u00abdepois de a Ucr\u00e2nia ganhar a guerra com a R\u00fassia\u00bb. Ora, conjugando as duas senten\u00e7as n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil prever que a integra\u00e7\u00e3o ucraniana na fam\u00edlia atlantista apenas acontecer\u00e1 quando os porcos tiverem asas.<\/p>\n<p>Enquanto isso n\u00e3o acontece, os atuais membros da OTAN juram manter o empenho financeiro e o abastecimento de armas para que milhares de ucranianos \u2013 e russos \u2013 continuem a morrer diariamente numa guerra sem fim \u00e0 vista, mas na qual a vit\u00f3ria atlantista \u00e9 mais do que duvidosa \u2013 se esquecermos a narrativa. Chama-se a isto ter em conta os direitos humanos.<\/p>\n<p>O aparelho de seguran\u00e7a tem mesmo de ser reformado, ou melhor, refundado porque no termo da guerra n\u00e3o sobrar\u00e1 nada do atual. Em rela\u00e7\u00e3o a isto n\u00e3o existe surpresa.<\/p>\n<p>Agora quanto a \u00abreformas democr\u00e1ticas\u00bb?!\u2026 N\u00e3o \u00e9 a Ucr\u00e2nia de Zelensky\/Porochenko\/Biden\/Victoria Nuland\/Azov\/Stepan Bandera o suprassumo da \u00abdemocracia liberal\u00bb? N\u00e3o \u00e9 a Ucr\u00e2nia a derradeira fronteira entre o mundo democr\u00e1tico e o p\u00e2ntano da ditadura? N\u00e3o \u00e9 a Ucr\u00e2nia a \u00faltima barreira da civiliza\u00e7\u00e3o ante a barb\u00e1rie? N\u00e3o \u00e9 a Ucr\u00e2nia o baluarte dos baluartes na defesa cr\u00edtica da nossa \u00abordem internacional baseada em regras\u00bb? N\u00e3o est\u00e1 a Ucr\u00e2nia \u00abdefendendo a nossa democracia\u00bb, um mote t\u00e3o querido das classes pol\u00edtica e empresarial lusitanas?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 afinal a Ucr\u00e2nia a \u00faltima esperan\u00e7a de sobreviv\u00eancia do \u00abnosso jardim\u00bb t\u00e3o amorosamente cultivado pelo iluminado Borrell, impedindo-o de ser espezinhado pelas hordas selvagens oriundas do resto do mundo, 85% do planeta?<\/p>\n<p>OTAN e nazismo, uma irmandade<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 segredo que a exemplar democracia ucraniana nasceu do investimento estadunidense de cinco bilh\u00f5es de d\u00f3lares no golpe de Estado que derrubou um governo eleito democraticamente e imp\u00f4s em 2014 um regime de tipo nazista, sustentado na express\u00e3o pol\u00edtica e militar do culto nacionalista e xen\u00f3fobo de carniceiros assalariados de Hitler. Um regime que iniciou uma guerra civil fundamentada em \u00f3dio \u00e9tnico, xen\u00f3fobo e racista causadora de, pelo menos, 14 mil mortos, esmagadoramente civis, entre 2014 e 2022. Essa agress\u00e3o nazista de Kiev ao Leste e Sudeste do pa\u00eds suscitou ostensivamente uma rea\u00e7\u00e3o igualmente violadora do direito internacional, a invas\u00e3o russa, prolongando o conflito at\u00e9 hoje sobretudo devido ao envolvimento direto da OTAN, em socorro desesperado da junta chefiada nominalmente por Zelenski.<\/p>\n<p>Bem, isto \u00e9 hist\u00f3ria destes tempos, nos quais, afinal, a democracia nasce de golpes de Estado contra a democracia. Por\u00e9m, como estabelece a \u00abnossa narrativa que vence guerras\u00bb, o que interessa \u00e9 preservar o dogma ditando o car\u00e1ter verdadeiramente democr\u00e1tico do regime ucraniano, o \u00abseguro\u00bb \u2013 car\u00edssimo \u2013 do nosso celebrado \u00abmodo de vida\u00bb, ainda que estejamos hipotecados at\u00e9 ao pesco\u00e7o e tenhamos de enfrentar o cotidiano sobrecarregados com pre\u00e7os inacess\u00edveis dos bens vitais.<\/p>\n<p>Na Ucr\u00e2nia \u00e9 certo que est\u00e3o proibidos os partidos da oposi\u00e7\u00e3o; os livros considerados inconvenientes continuam a ser destru\u00eddos e lan\u00e7ados no lixo; as pessoas que discordam do regime s\u00e3o perseguidas, presas ou mesmo executadas; existe uma \u00fanica programa\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio e televis\u00e3o, determinada pelo presidente e a pol\u00edcia pol\u00edtica; meios de comunica\u00e7\u00e3o de lealdade duvidosa para com o sistema s\u00e3o proibidos; as leis do Estado estipulam institucionalmente, atrav\u00e9s de um parlamento onde s\u00f3 existem vozes do regime, a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, cultural e lingu\u00edstica em rela\u00e7\u00e3o a comunidades nacionais cujas origens n\u00e3o s\u00e3o ucranianas puras.<\/p>\n<p>Costuma-se dizer que, se um animal grasna como um pato, tem bico, patas e andar de pato, ent\u00e3o \u00e9 um pato. A \u00abnossa narrativa\u00bb, se quiserem, a \u00abordem internacional baseada em regras\u00bb, guia-se por outros conceitos, talvez seja esse o grande segredo do liberalismo: se um regime tem pr\u00e1ticas de ditadura, imp\u00f5e leis ditatoriais, venera colaboradores do III Reich, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma ditadura, \u00e9 uma democracia. Pelo menos no caso da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Quem tramou os ucranianos<\/p>\n<p>Da\u00ed que seja absurda a condi\u00e7\u00e3o imposta pela OTAN a Kiev segundo a qual o regime deve promover \u00abreformas democr\u00e1ticas\u00bb. Zelenski tem raz\u00e3o: o regime sempre cultivou a perfei\u00e7\u00e3o do ponto de vista democr\u00e1tico; como recompensa, foi financiado, treinado e armado em perman\u00eancia, as garantias de entrada na OTAN multiplicaram-se ao longo dos anos. E agora, chegada a c\u00fapula da grande confus\u00e3o chefiada por um ente incapaz de esconder insufici\u00eancias de ordem f\u00edsica e mental, dizem-lhe que n\u00e3o h\u00e1 data para a admiss\u00e3o.<\/p>\n<p>O mimado e chor\u00e3o nazista Zelenski, formatado pela cultura ocidental como uma verdadeira estrela de Hollywood, tolo comediante transformado em imagem de m\u00e1rtir por centena e meia de ag\u00eancias de comunica\u00e7\u00e3o, teve um faniquito e amea\u00e7ou p\u00f4r tudo em pratos limpos perante os 31 da c\u00fapula da OTAN. \u00abAbsurdo\u00bb, clamou bravamente antes de viajar para Vilnius. Depois percebeu que o ambiente entre os amigos, protetores e padrinhos tinha esfriado. Chegaram at\u00e9 a lhe chamar de \u00abingrato\u00bb e a lhe dizer que os governos apoiantes \u00abn\u00e3o s\u00e3o a Amazon, a quem se apresenta uma lista de encomendas\u00bb, segundo palavras do ministro brit\u00e2nico da Defesa. Por isso moderou o discurso, mas o pacote de exig\u00eancias que lhe foi apresentado j\u00e1 \u00e9 diferente, a m\u00fasica recomenda outra dan\u00e7a e, enquanto a R\u00fassia n\u00e3o for derrotada, a integra\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia na nobre fam\u00edlia atlantista est\u00e1 t\u00e3o congelada como a grande e triunfante contra-ofensiva para esmagar os sub-humanos russos.<\/p>\n<p>Inconfund\u00edvel nos seus trejeitos mafiosos, a OTAN enviou, e continua a mandar, centenas de milhares de ucranianos para a morte prometendo integrar a Ucr\u00e2nia; e agora, como as coisas n\u00e3o correm como garante a \u00abnarrativa vencedora\u00bb, h\u00e1 que dar tempo ao tempo, reduzir ao infinito aquilo que era j\u00e1 para amanh\u00e3. Enquanto isso, afinal s\u00f3 est\u00e3o sendo chacinados ucranianos\u2026<\/p>\n<p>Generais apavorados<\/p>\n<p>O que est\u00e1 verdadeiramente por detr\u00e1s da mudan\u00e7a de ambiente no Olimpo da OTAN? Em primeiro lugar, em casa onde n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o, neste caso, onde as armas est\u00e3o se esgotando, todos ralham e s\u00f3 alguns podem ter mais raz\u00e3o do que o resto \u2013 os fabricantes de armamentos, os vendilh\u00f5es da morte. A OTAN transformou-se num saco de gatos onde os gatinhos est\u00e3o \u00e0 merc\u00ea dos le\u00f5es, abdicando cada vez mais das suas ra\u00e7\u00f5es. Chegou o tempo em que o Pent\u00e1gono vai exigir mais do que 2% do PIB de cada membro para as insistentes exig\u00eancias da OTAN. Costa j\u00e1 est\u00e1 fazendo contas para poder obedecer: caro concidad\u00e3o, \u00e9 previdente abrir mais um orif\u00edcio no cinto.<\/p>\n<p>Depois h\u00e1 inconfess\u00e1veis atribula\u00e7\u00f5es militares. O comunicado da cimeira explicita que a OTAN n\u00e3o est\u00e1 em guerra com a R\u00fassia, n\u00e3o enviar\u00e1 tropas para o territ\u00f3rio (ou seja, mais do que j\u00e1 l\u00e1 est\u00e3o sob mil e um disfarces) e, al\u00e9m disso, s\u00e3o muito escassas as possibilidades de uso de armas nucleares. Temos experi\u00eancia suficiente para saber \u2013 tal como o pr\u00f3prio Zelenski agora aprendeu \u2013 que o que a OTAN diz n\u00e3o se escreve e, regra geral, o que escreve n\u00e3o pratica.<\/p>\n<p>Ainda assim, enquanto v\u00e3o narrando as enormes insufici\u00eancias, os conceitos medievais, a \u00ednfima capacidade operacional, a moral rasteira e a coragem nula do aparelho militar russo, os grandes chefes da OTAN confrontam-se com uma realidade que os apavora. Afinal os russos n\u00e3o s\u00e3o a limitada Guarda Nacional de Saddam, ou os pastores de cabras afeg\u00e3os munidos com as suas tem\u00edveis kalachnikov dos prim\u00f3rdios do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>Os russos, afinal, s\u00e3o capazes de driblar os gloriosos Patriot, que disparam m\u00edsseis de um milh\u00e3o de d\u00f3lares, com meia d\u00fazia de drones kamikaze, j\u00e1 batizados como \u00abciclomotores voadores\u00bb, ao valor unit\u00e1rio de poucos milhares de rublos; os russos t\u00eam armas hipers\u00f4nicas que os g\u00eanios da morte do complexo militar e industrial dos EUA ainda n\u00e3o conseguiram copiar; os russos trocam as voltas \u00e0s \u00abarmas maravilha\u00bb enviadas por atacado para terras ucranianas \u2013 os invenc\u00edveis Leopard 2 tamb\u00e9m se abatem, os inatac\u00e1veis tanques estadunidenses Bradley, orgulho da BAE Systems que os vende a 3,2 milh\u00f5es de d\u00f3lares por cabe\u00e7a, t\u00eam uma esperan\u00e7a de vida de duas semanas desde que arribaram \u00e0 Ucr\u00e2nia, os sistemas de artilharia M777, tamb\u00e9m da BAE Systems, ao pre\u00e7o de dois milh\u00f5es de d\u00f3lares cada, n\u00e3o t\u00eam a pontaria afinada e muito menos uma invulnerabilidade que lhes garanta a vida eterna.<\/p>\n<p>\u00abPaz sim, OTAN n\u00e3o\u00bb!<\/p>\n<p>As esburacadas pistas de avia\u00e7\u00e3o ucranianas tamb\u00e9m n\u00e3o parecem ser muito do agrado dos delicados ca\u00e7as F-16, conhecidos como \u00abaspiradores de pistas\u00bb pela sua descolagem exigindo infraestruturas irrepreensivelmente limpas e lisas.<\/p>\n<p>Tanto mais que, segundo fontes militares autorizadas, a for\u00e7a a\u00e9rea russa encara a possibilidade de esburacar um pouco mais as bases ucranianas no caso de a OTAN recorrer a essa nova variante de \u00abarma maravilhosa\u00bb. O que, ali\u00e1s, deixou de parecer prov\u00e1vel, segundo parecer recentemente emitido pelo chefe do Pent\u00e1gono aconselhando os ucranianos a concentrar-se na artilharia e a deixar de pensar em altos voos. Nova mudan\u00e7a de discurso.<\/p>\n<p>Em suma, os altos comandos da OTAN percebem que as suas estrelas de guerra nunca foram testadas frente a um ex\u00e9rcito equipado como o russo e os resultados n\u00e3o s\u00e3o animadores. At\u00e9 agora s\u00f3 tinham jogado contra equipes da terceira divis\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta realidade tamb\u00e9m n\u00e3o cabe na prof\u00e9tica narrativa vitoriosa e conduz \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o de um fato admitido cada vez com maior frequ\u00eancia nos \u00faltimos anos: a capacidade da R\u00fassia em guerra convencional pode ter ultrapassado a da OTAN. E quando se passa ao dom\u00ednio nuclear \u00e9 do conhecimento geral, embora seja um fato muitas vezes escondido da opini\u00e3o p\u00fablica com uma insensibilidade criminosa, que n\u00e3o haver\u00e1 vencedores, todos seremos vencidos.<\/p>\n<p>Da\u00ed que seja poss\u00edvel perceber o temor da OTAN em p\u00f4r diretamente as botas no campo de batalha ucraniano, sobretudo sabendo que a R\u00fassia recorreu at\u00e9 agora a uma fra\u00e7\u00e3o muito limitada das suas capacidades militares \u2013 precisamente precavendo-se de um alargamento operacional do campo inimigo.<\/p>\n<p>Dir-se-\u00e1 que as circunst\u00e2ncias da c\u00fapula da OTAN, as tais divis\u00f5es e incertezas a que Zelenski, em tom provocat\u00f3rio e insultuoso chamou \u00abfraqueza\u00bb, correspondem a um dito portugu\u00eas muito popular segundo o qual \u00abquem tem\u2026, tem medo\u00bb. Quanto a isso n\u00e3o h\u00e1 \u00abnarrativa vencedora\u00bb que valha. Alguns dirigentes ocidentais, na sua mediocridade, indig\u00eancia cultural e pequenez intelectual t\u00eam deixado escapar sinais de pavor perante a realidade que percebem no campo de batalha ucraniano \u2013 e que negam por imposi\u00e7\u00e3o do discurso oficial, o \u00fanico admitido seja l\u00e1 o que for isso do \u00abliberalismo\u00bb.<\/p>\n<p>Em boa verdade, os sintomas de tens\u00e3o vividos na c\u00fapula da OTAN, e descarregados em cima de Zelenski, n\u00e3o por ser competente na chacina do seu povo mas por ser incompetente no aproveitamento dos fant\u00e1sticos meios prodigalizados pelo atlantismo, devem-se tamb\u00e9m a aspectos mais gerais e de \u00edndole, digamos, empresarial.<\/p>\n<p>A OTAN \u00e9, principalmente, um clube de compradores de armas fabricadas nos Estados Unidos, uma feira dos instrumentos de morte produzidos por entidades como a Boeing, a j\u00e1 citada BAE Systems, a General Dynamics, a Northrop, a Raytheon e poucos mais com envergadura semelhante. S\u00e3o estes os verdadeiros patr\u00f5es da OTAN e, por iner\u00eancia, de todos n\u00f3s. Por exemplo, percebe-se o desespero de Lloyd Austin, rodando entre a chefia do Pent\u00e1gono e o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Raytheon, perante as baixas presta\u00e7\u00f5es dos m\u00edsseis e outras armas que a empresa fabrica e comercializa. Para Austin e comparsas de tantas na\u00e7\u00f5es da OTAN, \u00e9 muito mais doloroso perder as generosas comiss\u00f5es dos neg\u00f3cios do que as vidas de milhares e milhares de seres humanos, neste caso no territ\u00f3rio da Ucr\u00e2nia. Humanismo, enfim\u2026<\/p>\n<p>Queimar o Cor\u00e3o \u00e9 maneiro<\/p>\n<p>A cimeira da OTAN tamb\u00e9m teve o seu momento pat\u00e9tico, o de conveniente uni\u00e3o solene, mesmo de l\u00e1grima no canto do olho, celebrando a anexa\u00e7\u00e3o da Su\u00e9cia \u2013 que antes de o ser j\u00e1 o era.<\/p>\n<p>Quem navegar pelo Youtube, sem perder muito tempo, verificar\u00e1 que os russos parodiam h\u00e1 mais de dez anos a poss\u00edvel entrada da Su\u00e9cia na alian\u00e7a, dando-a como certa tal o grau de russofobia da gangue pol\u00edtica de Estocolmo, dentro da qual o antigo primeiro-ministro Olof Palme foi assassinado quando preparava uma viagem a Moscou e uma melhoria da coopera\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Para que o esperado desfecho em Vilnius parecesse uma conquista e fizesse soar os clarins, montou-se uma encena\u00e7\u00e3o \u00e9pico-c\u00f4mica fazendo crer na exist\u00eancia de insan\u00e1veis diverg\u00eancias entre a Su\u00e9cia e a Turquia que, afinal, s\u00e1bias media\u00e7\u00f5es atlantistas transformaram em conto de fadas.<\/p>\n<p>Uma vez que o presidente turco Recip Tayyep Erdogan, ao sabor do seu neo-otomanismo como fuga para a frente de um regime falido, tenta farejar sempre o melhor de dois mundos, decidiu apostar forte no regateio exigindo a admiss\u00e3o da Turquia na Uni\u00e3o Europeia em troca da entrada da Su\u00e9cia da OTAN. A barganha de feira mensal n\u00e3o passou de um blefe canhestro de Erdogan que saiu muito barato \u00e0 OTAN. Biden, suspenso dos seus fones de ouvido, ordenou ao FMI que emprestasse 11 a 13 bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao regime turco, apertando ainda mais o garrote de um pa\u00eds que navega \u00e0 vista, sem rumo certo \u2013 e ainda como se fosse um grande favor; e a Su\u00e9cia, valendo pouco mais do que zero em Bruxelas, prometeu \u00e0 Turquia que far\u00e1 todos os esfor\u00e7os para que Ancara entre na Uni\u00e3o Europeia, \u00e0 qual se candidatou h\u00e1 umas dezenas de anos. Esta integra\u00e7\u00e3o tem, sem d\u00favida, um destino tra\u00e7ado igual ao da entrada da Ucr\u00e2nia na OTAN.<\/p>\n<p>No fim, Erdogan acabou abra\u00e7ado ao primeiro ministro sueco, em comovente comunh\u00e3o entre liberalismo e \u00abantiliberalismo\u00bb, que afinal n\u00e3o d\u00f3i nada. Assim como o presidente turco, emin\u00eancia da Irmandade Mu\u00e7ulmana, n\u00e3o se sente minimamente beliscado em confraternizar alegremente com o chefe de governo de um pa\u00eds onde se organizam festas da queima do Cor\u00e3o em ambiente de confraterniza\u00e7\u00e3o entre terroristas e a pol\u00edcia; sem esquecer que a sua pr\u00f3pria imagem de estadista foi humilhada atrav\u00e9s de uma gigantesca caricatura pendurada de cabe\u00e7a para baixo num poste anexo \u00e0 C\u00e2mara Municipal de Estocolmo. Como diz Zelenski em rela\u00e7\u00e3o ao culto do carniceiro Bandera, para Erdogan, afinal, queimar o Cor\u00e3o \u00e9 maneiro. E o que l\u00e1 vai, l\u00e1 vai.<\/p>\n<p>Estas op\u00e7\u00f5es oportunistas e mal sucedidas t\u00eam consequ\u00eancias. O presidente turco escolheu d\u00favidas \u2013 a promessa de dilig\u00eancias sem data para aceita\u00e7\u00e3o plena no mundo \u00abocidental\u00bb \u2013 em vez de certezas \u2013 a sua integra\u00e7\u00e3o natural nas estruturas multinacionais e igualit\u00e1rias na Eur\u00e1sia, que s\u00e3o a g\u00eanese da nova ordem mundial multipolar. A R\u00fassia torceu o nariz, a China tomou nota e, logo a seguir, vemos Erdogan pronto a receber Putin e a tentar estabelecer um novo acordo s\u00f3 com Moscou para exporta\u00e7\u00e3o de cereais russos em dire\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses menos desenvolvidos. Ao mesmo tempo que, no auge do ver\u00e3o, o presidente turco apoia o corte de abastecimento de \u00e1gua a grandes cidades s\u00edrias em conluio com os terroristas isl\u00e2micos sustentados pela OTAN e em conjuga\u00e7\u00e3o com os bombardeios a\u00e9reos cometidos por Israel, uma demonstra\u00e7\u00e3o de como a ordem internacional baseada em regras, sob a qual ainda vivemos, arrasa o direito internacional, por acaso com a b\u00ean\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio-geral da ONU.<\/p>\n<p>Ainda quanto \u00e0 OTAN, assinale-se uma outra nota relevante e que, essa sim, passou despercebida. Os pr\u00f3ceres atlantistas asseguram que n\u00e3o est\u00e3o em guerra com a R\u00fassia e que este pa\u00eds nada tem a temer por estar cercado por uma alian\u00e7a militar em expans\u00e3o permanente, com ambi\u00e7\u00f5es de dom\u00ednio global e que tem na guerra o \u00fanico instrumento de rela\u00e7\u00f5es internacionais. No entanto, organizaram provocativamente a c\u00fapula na Litu\u00e2nia, em territ\u00f3rio da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, depois de terem prometido, h\u00e1 30 anos, que a OTAN n\u00e3o se deslocaria \u00abuma polegada para leste\u00bb em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fronteiras do fim da guerra fria. A Litu\u00e2nia, pa\u00eds que foi v\u00edtima de algumas das maiores chacinas de Hitler, mas no qual os herdeiros e saudosos do nazismo est\u00e3o ativos na esfera do poder, reescrevendo a Hist\u00f3ria de acordo com a opini\u00e3o \u00fanica ditada pelo \u00abOcidente\u00bb.<\/p>\n<p>Senhoras e senhores, \u00e9 a OTAN no seu esplendor, explicando o que valem as suas palavras, garantias e declara\u00e7\u00f5es. No entanto, uma OTAN rom\u00e2ntica, humanit\u00e1ria \u2013 tal como as guerras que promove \u2013, democr\u00e1tica \u2013 tal como o regime de Zelenski \u2013, uma refer\u00eancia de seriedade \u2013 ao estilo do comportamento de Erdogan. Uma entidade do bem absoluto e inquestion\u00e1vel, merecedora destas palavras comoventes proferidas por Angelina Jolie, atriz e \u00abembaixadora\u00bb da caridadezinha para os pobrezinhos de quem a sorte se esqueceu em todo o mundo: \u00abA OTAN pode proteger as mulheres da viol\u00eancia sexual na guerra; existe pouca diferen\u00e7a entre os trabalhadores da ajuda humanit\u00e1ria e os soldados da OTAN: esfor\u00e7am-se todos pelo mesmo objetivo: a Paz\u00bb.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Eis um retrato perfeito do \u00abOcidente\u00bb, ungido com a superioridade cultural de Hollywood e a grandeza hip\u00f3crita da sua bem-aventurada civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"gs\">\n<div class=\"\">\n<div id=\":kp\" class=\"ii gt\">\n<div id=\":ko\" class=\"a3s aiL \">\n<div dir=\"ltr\">\n<div><span style=\"font-size: large;\">Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abrilabril.pt\/internacional\/senhoras-e-senhores-nato-no-seu-esplendor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.abrilabril.pt\/internacional\/senhoras-e-senhores-nato-no-seu-esplendor&amp;source=gmail&amp;ust=1690469701193000&amp;usg=AOvVaw16n9DSBxbcVyZU0ZCIppdG\">https:\/\/www.abrilabril.pt\/<wbr \/>internacional\/senhoras-e-<wbr \/>senhores-nato-no-seu-esplendor<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"yj6qo\"><\/div>\n<div class=\"adL\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"hi\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30666\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[73,9,65,75,10],"tags":[227],"class_list":["post-30666","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c86-anti-imperialismo","category-s10-internacional","category-c78-internacional","category-c88-internacionalismo","category-s19-opiniao","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7YC","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30666"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30666\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30668,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30666\/revisions\/30668"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}