{"id":3068,"date":"2012-06-25T18:51:36","date_gmt":"2012-06-25T18:51:36","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3068"},"modified":"2012-06-25T18:51:36","modified_gmt":"2012-06-25T18:51:36","slug":"bis-aponta-risco-em-excessiva-dependencia-das-exportacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3068","title":{"rendered":"BIS aponta risco em excessiva depend\u00eancia das exporta\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p>O Banco Internacional de Compensa\u00e7\u00f5es (BIS) aponta uma relativa degrada\u00e7\u00e3o de crescimento dos mercados de exporta\u00e7\u00e3o do Brasil e de outros pa\u00edses para os pr\u00f3ximos anos, se as previs\u00f5es de expans\u00e3o med\u00edocre se confirmarem.<\/p>\n<p>O banco dos bancos centrais estima que dois ter\u00e7os das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras est\u00e3o direcionadas para mercados nos quais o PIB poder\u00e1 cair entre um e dois pontos percentuais entre 2011 e 2015. O outro ter\u00e7o das vendas estariam destinadas a pa\u00edses com queda de 3% do PIB, comparado com o per\u00edodo 2003-2007.<\/p>\n<p>O BIS fez essas estimativas para alertar os pa\u00edses sobre a excessiva depend\u00eancia de exporta\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a mercados cujo crescimento dever\u00e1 se desacelerar nos pr\u00f3ximos anos. A conclus\u00e3o \u00e9 que apenas o M\u00e9xico e o Canad\u00e1, entre 28 economias emergentes e desenvolvidas, podem contar com o crescimento mais r\u00e1pido de seus parceiros comerciais nos pr\u00f3ximos quatro anos.<\/p>\n<p>Todas as outras economias dever\u00e3o sofrer degrada\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes sens\u00edvel, no crescimento de seus mercados de exporta\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos, se as previs\u00f5es de expans\u00e3o econ\u00f4mica fraca se confirmarem.<\/p>\n<p>Pa\u00edses como o Brasil, Estados Unidos e Jap\u00e3o est\u00e3o no grupo dos menos sens\u00edveis \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o externa, porque s\u00e3o grandes economias, nas quais as exporta\u00e7\u00f5es representam uma pequena parte do PIB. Em particular, Canad\u00e1, M\u00e9xico e EUA poder\u00e3o escapar em grande parte dos efeitos nefastos de um crescimento med\u00edocre em seus parceiros, porque t\u00eam importantes trocas comerciais entre eles e esperam uma expans\u00e3o vigorosa.<\/p>\n<p>A China e a Alemanha est\u00e3o entre os mais vulner\u00e1veis entre os principais exportadores, diante das consequ\u00eancias negativas da queda de demanda de v\u00e1rios parceiros. O ritmo de crescimento das exporta\u00e7\u00f5es chinesas tende a diminuir, mas as importa\u00e7\u00f5es devem aumentar diante do foco na demanda dom\u00e9stica, segundo as autoridades de Pequim.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Pa\u00eds eleva vendas para vizinhos que est\u00e3o fora do Mercosul<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A queda das exporta\u00e7\u00f5es \u00e0 Argentina, em fun\u00e7\u00e3o das medidas protecionistas adotadas pelo governo de Cristina Kirchner, fez com que o Mercosul diminu\u00edsse as compras de produtos brasileiros entre janeiro e maio. Por outro lado, o Brasil aumentou as vendas a parceiros n\u00e3o t\u00e3o tradicionais, como Col\u00f4mbia e Venezuela, fazendo com que os pa\u00edses fora do bloco ganhassem import\u00e2ncia na pauta de exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>De janeiro a maio, as exporta\u00e7\u00f5es para Argentina, Paraguai e Uruguai encolheram 10,3% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, segundo estat\u00edsticas do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento (Mdic). Dos US$ 9,4 bilh\u00f5es gerados com as vendas ao bloco, US$ 7,5 bilh\u00f5es vieram da Argentina, maior parceiro sul-americana &#8211; a Venezuela aparece em segundo lugar, com US$ 1,9 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos cinco primeiros meses de 2011, os argentinos compraram US$ 8,4 bilh\u00f5es do Brasil. Essa queda em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior praticamente corresponde \u00e0 perda de US$ 1 bilh\u00e3o nas vendas para todo o bloco, porque o Paraguai manteve US$ 1 bilh\u00e3o em compras, e o Uruguai recuou de US$ 932 milh\u00f5es para US$ 838 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O restante do continente apresentou tend\u00eancia inversa, com as exporta\u00e7\u00f5es crescendo 9% e alcan\u00e7ando um total de US$ 6,9 bilh\u00f5es. A diferen\u00e7a pode ser explicada como uma forma de os exportadores buscarem mercados alternativos, na vis\u00e3o de Jos\u00e9 Augusto de Castro, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB).<\/p>\n<p>&#8220;As empresas est\u00e3o procurando novos compradores, pois todos os cen\u00e1rios s\u00e3o p\u00e9ssimos, j\u00e1 que a economia argentina est\u00e1 em desacelera\u00e7\u00e3o e n\u00e3o h\u00e1 perspectivas de incremento nas trocas com Paraguai e Uruguai&#8221;, explica Castro. &#8220;Sabendo disso, elas n\u00e3o v\u00e3o esperar piorar o com\u00e9rcio para se mexer, sendo que h\u00e1 espa\u00e7o em outros mercados, que tamb\u00e9m s\u00e3o pr\u00f3ximos e contam com relativa facilidade de acesso.&#8221;<\/p>\n<p>O principal salto neste in\u00edcio de ano foi dado pelos venezuelanos, que compraram US$ 557 milh\u00f5es a mais, impulsionados pela maior demanda por carne e m\u00e1quinas e aparelhos mec\u00e2nicos brasileiros. Os colombianos, por sua vez, importaram US$ 1,1 bilh\u00e3o, soma 11,5% maior em rela\u00e7\u00e3o a 2011. As importa\u00e7\u00f5es brasileiras de toda a Am\u00e9rica do Sul mantiveram-se est\u00e1veis ao redor de US$ 12 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para Fabio Silveira, s\u00f3cio-diretor da RC Consultores, o desaquecimento das economias mais desenvolvidas impede um crescimento mais expressivo do com\u00e9rcio entre o Brasil e seus vizinhos. Segundo ele, o continente depende da flutua\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o das commodities e da demanda de outros parceiros para gerar receitas, que por sua vez possibilitam mais importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma evolu\u00e7\u00e3o positiva nos mercados fora do Mercosul, mas em valores n\u00e3o \u00e9 muito significativa. O resultado de agora acontece mais pelo enfraquecimento do mercado dom\u00e9stico argentino, que est\u00e1 gerando esse protecionismo. A ado\u00e7\u00e3o de barreiras faz parte da cultura deles. Sempre quando o cen\u00e1rio muda, eles dificultam&#8221;, diz Silveira.<\/p>\n<p>O momento econ\u00f4mico da Am\u00e9rica do Sul favorece as vendas brasileiras. &#8220;O continente est\u00e1 com m\u00e9dia de crescimento maior do que outras regi\u00f5es. Por ser um polo, o Brasil se beneficia desse aumento de demanda. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a Argentina&#8221;, afirma Rafael Bistafa, economista da Rosenberg &amp; Associados.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o de eleva\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) da Col\u00f4mbia e da Venezuela para este ano \u00e9 maior que o da Argentina. Dados da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal) apontam crescimento de 4,5% para os colombianos e 5% para os venezuelanos, enquanto os argentinos est\u00e3o com estimativa de 3,5%.<\/p>\n<p>A maior demanda desses pa\u00edses \u00e9 movida principalmente por dois setores, na vis\u00e3o de Sandra Manuelito, economista da divis\u00e3o de desenvolvimento econ\u00f4mico da Cepal: petr\u00f3leo e constru\u00e7\u00e3o civil. &#8220;Al\u00e9m de ser ano eleitoral na Venezuela, a commodity ainda est\u00e1 sendo vendida a um patamar alto. A Col\u00f4mbia est\u00e1 exportando volume maior do produto e tem expans\u00e3o puxada pela habita\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a economista.<\/p>\n<p>O ritmo mais intenso aumenta a capacidade de consumo desses mercados internos. &#8220;H\u00e1 um redirecionamento tamb\u00e9m por causa do cen\u00e1rio externo. Mas ainda enfrentamos s\u00e9rios problemas de infraestrutura e integra\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Isso tira competitividade dos produtos em rela\u00e7\u00e3o aos asi\u00e1ticos, o que dificulta uma expans\u00e3o maior ou mais sustentada&#8221;, afirma Sandra.<\/p>\n<p>O primeiro trimestre do ano mostrou a diferen\u00e7a na estimativa da Cepal. Na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2011, o PIB venezuelano cresceu 5,6%, enquanto o argentino teve expans\u00e3o de 4,8%. A Col\u00f4mbia ainda n\u00e3o divulgou os dados dos primeiros meses de 2012.<\/p>\n<p>O &#8220;fator Argentina&#8221;, como define Castro, deve fazer com que, para o resto do ano, a tend\u00eancia seja de encolhimento do Mercosul e aumento ou estabiliza\u00e7\u00e3o do patamar de crescimento dos outros pa\u00edses. Desde 1\u00ba de fevereiro, encabe\u00e7ada pelo secret\u00e1rio de Com\u00e9rcio Interior, Guilhermo Moreno, A Argentina refor\u00e7ou pol\u00edticas de controle \u00e0s importa\u00e7\u00f5es. A equipe econ\u00f4mica de Cristina Kirchner deseja manter o super\u00e1vit de cerca US$ 10 bilh\u00f5es alcan\u00e7ado na balan\u00e7a comercial do ano passado. N\u00e3o fosse o Brasil, o resultado poderia ser melhor. Em 2011, a rela\u00e7\u00e3o foi superavit\u00e1ria para os brasileiros em US$ 5,8 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Aproveitando o alto pre\u00e7o da soja no mercado internacional, os argentinos venderam boa parte da safra nos primeiros meses de 2012, segundo Castro. De agora em diante, as exporta\u00e7\u00f5es argentinas devem ter desempenho pior, afetando o n\u00edvel de importa\u00e7\u00e3o. &#8220;De janeiro a maio, as vendas brasileiras para eles ca\u00edram 11%. Como eles est\u00e3o fazendo o poss\u00edvel para zerar o d\u00e9ficit com o Brasil, a queda deve se acentuar e fechar o ano em torno de 20%.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Queda de commodities afetar\u00e1 Brasil<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os das commodities no mercado internacional cair\u00e3o consideravelmente, afetando toda a Am\u00e9rica Latina, inclusive o Brasil. Esse ser\u00e1 o principal impacto da desacelera\u00e7\u00e3o da economia chinesa na regi\u00e3o avalia o economista-chefe do South Centre (\u00f3rg\u00e3o internacional de pa\u00edses em desenvolvimento com sede em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a), o turco Yilmaz Aky\u00fcz. Ele, que veio ao Brasil para a Rio+20, lembrou que, num momento em que os pa\u00edses da zona do euro est\u00e3o em crise e os Estados Unidos, com baixo crescimento torna o cen\u00e1rio mais grave.<\/p>\n<p>Ele falou com exclusividade ao Valor e disse que a redu\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o dos produtos b\u00e1sicos mostrar\u00e1 que o Brasil viveu, durante os \u00faltimos anos, duas bolhas: uma relacionada \u00e0 pr\u00f3pria valoriza\u00e7\u00e3o das commodities, que garantiu o saldo positivo na balan\u00e7a comercial, e outra que sobrevalorizou o real, com a forte entrada de d\u00f3lares no pa\u00eds. Na vis\u00e3o do economista, o Brasil se caracterizou como um grande produtor de commodities, bens que atra\u00edram recursos estrangeiros ao pa\u00eds, inflando o real. Com o fim do ciclo de alta das commodities, ele diz que o fluxo de capitais para o pa\u00eds poder\u00e1 ficar comprometido.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil precisa ter cuidado com o balan\u00e7o de pagamentos. O problema \u00e9 que o fluxo de capitais e as commodities est\u00e3o al\u00e9m do poder do governo. Ou seja, o Brasil n\u00e3o pode adotar medidas para os pre\u00e7os das commodities subirem e n\u00e3o pode, facilmente, adotar medidas para atrair capitais para o pa\u00eds&#8221;, diz ele, acrescentando que o processo de queda das commodities foi iniciado h\u00e1 dois meses. &#8220;Com isso, h\u00e1 um deslocamento r\u00e1pido de recursos dos pa\u00edses emergentes e suas moedas se desvalorizam&#8221;.&#8221;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do economista, o governo deveria praticar a\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas. Entre elas, destaca, deveria preparar-se para fazer controle de capitais e ser mais &#8220;seletivo na importa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Meu conselho \u00e9: n\u00e3o usem as reservas cambiais, a n\u00e3o ser para investimentos, produ\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o de bens essenciais&#8221;, afirma ele, para quem o real ficou valorizado por muito tempo, situa\u00e7\u00e3o que imp\u00f4s ao pa\u00eds a desindustrializa\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca em que o real se valorizou, Aky\u00fcz diz que o governo deveria ter elevado o Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras (IOF) de maneira menos &#8220;t\u00edmida&#8221;. &#8220;Aumentar 3%, 4% \u00e9 ineficiente. Quando se aumenta imposto cambial, tem de se aumentar 10%, 12% para ajudar a ind\u00fastria&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Aky\u00fcz conta que, em 2008, quando a crise financeira estourou, a China manteve o patamar de pre\u00e7os das commodities e funcionou como &#8220;a f\u00e1brica do mundo&#8221;. Ele diz que, agora, isso acabou, porque as exporta\u00e7\u00f5es chinesas est\u00e3o perdendo mercado na Europa e nos Estados Unidos. Em raz\u00e3o disso, avalia, a China dever\u00e1 mudar seu padr\u00e3o de crescimento. Al\u00e9m de investimentos em infraestrutura, algo que o pa\u00eds j\u00e1 faz, seu governo ter\u00e1 de aumentar os esfor\u00e7os para promover a eleva\u00e7\u00e3o do consumo da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A China n\u00e3o voltar\u00e1 a crescer 9,5%. Acho que o pa\u00eds crescer\u00e1 algo em torno de 7,8% em 2012 e sustentar\u00e1 esse patamar nos pr\u00f3ximos anos&#8221;, diz. &#8220;\u00c9 um crescimento bastante decente. Muitos pa\u00edses adorariam ter uma taxa de crescimento dessa, inclusive, o Brasil.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&#8216;Uni\u00e3o banc\u00e1ria na Europa poderia restabelecer confian\u00e7a na moeda \u00fanica&#8217;<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Banco Internacional de Compensa\u00e7\u00f5es (BIS) avalia que para superar a crise, a Europa precisa recapitalizar os bancos, fazer a uni\u00e3o banc\u00e1ria e o reequil\u00edbrio fiscal.<\/p>\n<p>Embora a tarefa seja considerada por analistas quase imposs\u00edvel no momento, diante da falta de vontade pol\u00edtica, o BIS diz que isso &#8220;frearia a intera\u00e7\u00e3o nefasta entre o setor banc\u00e1rio e o risco soberano e suprimiria outras interdepend\u00eancias respons\u00e1veis pela gravidade dessa crise&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Os bancos da Europa precisam se tornar bancos europeus&#8221;, diz o BIS, estimando que uni\u00e3o banc\u00e1ria &#8220;restauraria a confian\u00e7a na moeda \u00fanica&#8221;.<\/p>\n<p>Em relat\u00f3rio para sua assembleia anual, que reuniu at\u00e9 ontem bancos centrais de boa parte do mundo, o BIS avalia que economias desenvolvidas e emergentes se encontram espremidas &#8220;em c\u00edrculos viciosos, geradores de distor\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Aponta tr\u00eas grupos que devem fazer ajustes: o setor financeiro deve reconhecer suas perdas e se recapitalizar; os governos devem enquadrar as finan\u00e7as p\u00fablicas &#8220;em trajet\u00f3rias sustent\u00e1veis&#8221;; e as fam\u00edlias e empresas devem reduzir seu endividamento. O problema \u00e9 que sem uma desalavancagem sincronizada, o que um grupo faz agrava o problemas dos outros dois.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio de crise, e sem os governos fazerem o dever de casa, o BIS adverte que os bancos centrais est\u00e3o excessivamente expostos a riscos, com programas de aquisi\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos para sustentar a liquidez banc\u00e1ria. Os BCs s\u00e3o praticamente obrigados a prolongar os est\u00edmulos monet\u00e1rios face \u00e0 demora dos governos, o que retarda o ajuste. Os balan\u00e7os dos bancos centrais chegam a US$ 18 trilh\u00f5es, equivalente a 30% do PIB mundial, duas vezes mais que h\u00e1 dez anos.<\/p>\n<p>Para o BIS, taxas de juros nominais pr\u00f3ximas de zero conjugadas a um apoio de liquidez maci\u00e7o e quase incondicional &#8220;n\u00e3o incitam muito o setor privado a limpar seus balan\u00e7os nem as autoridades fiscais a limitar seus financiamentos&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Alta dos im\u00f3veis \u00e9 foco de preocupa\u00e7\u00e3o, na avalia\u00e7\u00e3o do BIS<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A expans\u00e3o do cr\u00e9dito no Brasil tem levado a um boom imobili\u00e1rio que, segundo o BIS, amea\u00e7a repetir o cen\u00e1rio de colapso registrado nos \u00faltimos anos nos EUA, Irlanda ou Espanha.<\/p>\n<p>A entidade constata que os pre\u00e7os de im\u00f3veis no Brasil quase dobraram desde a crise do subprime. Casos como o do Rio de Janeiro, com mais de 100% de aumento, e de S\u00e3o Paulo com incremento de 80% s\u00e3o destacados pelo BIS, al\u00e9m da situa\u00e7\u00e3o em Pequim e Xangai. Para a entidade, esses valores bateram recordes hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Um dos impactos seria a expans\u00e3o desproporcional do setor da constru\u00e7\u00e3o. &#8220;O aumento de pre\u00e7os das propriedades leva ao aumento r\u00e1pido da constru\u00e7\u00e3o. Esses desequil\u00edbrios precisam ser resolvidos se essas economias querem ter um crescimento sustent\u00e1vel&#8221;, alertou.<\/p>\n<p>O BIS lembra que, na Europa, o colapso do setor imobili\u00e1rio escancarou fraquezas estruturais de pa\u00edses. O banco lembra que, na Irlanda, o colapso do setor imobili\u00e1rio elevou o desemprego de 8,6% em 1997 para 13% em 2007. Na Espanha, passou de 10% para 24%.<\/p>\n<p>D\u00edvida. Outra preocupa\u00e7\u00e3o decorrente desse cen\u00e1rio de expans\u00e3o turbinada por cr\u00e9dito \u00e9 o tamanho d\u00edvida dom\u00e9stica de emergentes. &#8220;A por\u00e7\u00e3o do PIB que fam\u00edlias e empresas no Brasil, China e \u00cdndia est\u00e3o alocando para o servi\u00e7o da d\u00edvida est\u00e1 em seu n\u00edvel mais alto desde o fim dos anos 90&#8221;, apontou.<\/p>\n<p>&#8220;Medidas do custo do servi\u00e7o da d\u00edvida sugerem que n\u00edveis altos de d\u00edvidas podem ser um problema&#8221;, indicou o banco. &#8220;Nesses mercados emergentes, desequil\u00edbrios parecem estar se construindo&#8221;, diz. &#8220;Em v\u00e1rios casos, pre\u00e7os de im\u00f3veis e de outros ativos aumentaram, enquanto o endividamento privado e custos do servi\u00e7o da d\u00edvida aumentaram bem acima da tend\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>A d\u00edvida p\u00fablica dos emergentes \u00e9 outra fonte de preocupa\u00e7\u00e3o. &#8220;Na superf\u00edcie, a situa\u00e7\u00e3o fiscal das economias emergentes parece bem melhor que as economias avan\u00e7adas&#8221;, indicou.<\/p>\n<p>&#8220;Mas a posi\u00e7\u00e3o fiscal dos emergentes pode n\u00e3o ser uniformemente saud\u00e1vel como aparenta&#8221;, alertou o BIS. Um dos motivos \u00e9 a press\u00e3o cada vez maior para aumentar gastos com aposentadorias e sa\u00fade.<\/p>\n<p>Mais uma vez, a expans\u00e3o de cr\u00e9ditos est\u00e1 camuflando problemas. Segundo o BIS, as contas de v\u00e1rios pa\u00edses emergentes est\u00e3o sendo falsamente fortalecidas por booms potencialmente insustent\u00e1veis de cr\u00e9dito e ativos.<\/p>\n<p>O BIS n\u00e3o poderia ser mais claro: se a economia dos emergentes perder ainda mais f\u00f4lego, esses problemas se transformar\u00e3o em crise. &#8220;Se os recentes sinais de desacelera\u00e7\u00e3o da economia persistiram, o horizonte fiscal para as economias emergentes poderia rapidamente escurecer.&#8221;<\/p>\n<p>Bancos. O BIS ressaltou tamb\u00e9m que o boom de cr\u00e9ditos e de ativos pode estar inflacionando o real valor dos bancos de pa\u00edses emergentes, considerados at\u00e9 agora como imunes \u00e0 crise.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar do bom desempenho de bancos nos mercados emergentes, existem d\u00favidas sobre a base dessa for\u00e7a&#8221;, alertou o BIS. Assim como ocorreu na Espanha, o temor \u00e9 de que os bancos tenham um crescimento forte gra\u00e7as aos pre\u00e7os de ativos e de cr\u00e9ditos que sofreram um boom.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Grandes bancos voltam a apostar na alavancagem<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Depois de ter cortado US$ 5 trilh\u00f5es em cr\u00e9ditos internacionais desde o come\u00e7o da crise, os bancos est\u00e3o voltando a ter o perfil de alto risco que tinham antes da pior crise econ\u00f4mica dos \u00faltimos tempos, alerta o Banco Internacional de Compensa\u00e7\u00f5es (BIS).<\/p>\n<p>Em seu relat\u00f3rio anual, alerta que os grandes bancos seguem interessados em aumentar sua alavancagem sem se preocupar suficientemente com as consequ\u00eancias de um colapso. Pelo seu peso sist\u00eamico, as institui\u00e7\u00f5es aparentemente continuam a confiar no socorro vindo do dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p>Outro sinal preocupante, segundo o BIS, \u00e9 que a atividade de tesouraria, ap\u00f3s uma breve pausa, est\u00e1 voltando a ser uma das principais fontes de renda para os grandes bancos.<\/p>\n<p>Numerosas institui\u00e7\u00f5es financeiras continuam fortemente alavancadas. Mesmo as que s\u00e3o, \u00e0 primeira vista, suficientemente capitalizadas mostram exposi\u00e7\u00e3o &#8220;desproporcional&#8221; em derivativos, que j\u00e1 resultaram em perdas colossais.<\/p>\n<p>O BIS estima que algumas iniciativas v\u00e3o alinhar os interesses do mercado ao interesse geral. O banco cita a reforma nos sistemas de remunera\u00e7\u00e3o dos bancos, al\u00e9m da obriga\u00e7\u00e3o para que investidores (acionistas) paguem a fatura quando o patrim\u00f4nio l\u00edquido de um intermedi\u00e1rio financeiro se tornar negativo.<\/p>\n<p>&#8220;As autoridades devem levar os bancos a adotarem modelos operacionais menos arriscados, mais vi\u00e1veis e mais em conformidade com o interesse geral&#8221;, diz o BIS.<\/p>\n<p>O BIS adverte que a exig\u00eancia de ajustes \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es, como recapitaliza\u00e7\u00e3o ou regula\u00e7\u00f5es adicionais, est\u00e1 longe de ter chegado ao fim. O BIS considera que, no momento, a prioridade \u00e9 assegurar que bancos cheios de ativos depreciados limpem seus balan\u00e7os, contabilizem as perdas e se recapitalizem.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em breve os bancos v\u00e3o ser obrigados a melhorar sua liquidez. Um estudo de impacto do Comit\u00ea de Basileia mostrou que metade de 205 estabelecimentos examinados deve rever suas estrat\u00e9gias. Esses bancos apresentaram insufici\u00eancia de \u20ac1,760 trilh\u00e3o em termos de ativos l\u00edquidos (3% do total dos ativos examinados) e de \u20ac 2,780 trilh\u00f5es em termos de recursos est\u00e1veis.<\/p>\n<p>Pressionados a refor\u00e7ar os fundos pr\u00f3prios, bancos reduziram em US$ 5 trilh\u00f5es seus cr\u00e9ditos internacionais desde o come\u00e7o da crise em 2008. A contra\u00e7\u00e3o foi particularmente severa por parte de bancos europeus. Institui\u00e7\u00f5es alem\u00e3s, belgas, francesas, italianas e holandeses reduziram suas posi\u00e7\u00f5es no exterior em mais de US$ 6 trilh\u00f5es, ou 43% do total. Desse montante, a redu\u00e7\u00e3o de US$ 1,3 trilh\u00e3o ocorreu no segundo semestre de 2011, quando a crise da d\u00edvida soberana na Europa se intensificou.<\/p>\n<p>No entanto, foram parcialmente substitu\u00eddos por grupos australianos, espanh\u00f3is, japoneses e suecos, que aumentaram sua exposi\u00e7\u00e3o externa em mais de US$ 850 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Bancos de emergentes tamb\u00e9m aproveitaram o recuo de europeus em crise. Embora sua parte no bolo do cr\u00e9dito mundial seja de apenas 1,4%, essa fatia vem aumentando. Entre 2009-2011, bancos de emergentes concederam empr\u00e9stimos a cons\u00f3rcios internacionais estimados em US$ 1,1 trilh\u00e3o, 10% do total de novas opera\u00e7\u00f5es, em compara\u00e7\u00e3o a parcela de menos de 25% dos bancos da zona do euro.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Real figura entre &#8220;piores&#8221; moedas<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Gra\u00e7as ao salto de 21% no pre\u00e7o do d\u00f3lar em rela\u00e7\u00e3o ao real desde a cota\u00e7\u00e3o m\u00ednima registrada em fevereiro at\u00e9 o preg\u00e3o de sexta-feira, no acumulado de 2012 a moeda brasileira figura como destaque mundial de baixa em diversas linhas de compara\u00e7\u00e3o. \u00c9 a pior moeda entre os pa\u00edses dos Brics, entre os principais vizinhos da Am\u00e9rica Latina e outros emergentes compar\u00e1veis, como Austr\u00e1lia, M\u00e9xico, Pol\u00f4nia e Hungria.<\/p>\n<p>No ano, o real cai 9,66%, segundo dados da &#8220;Bloomberg&#8221;, enquanto o iene, segundo pior em uma cesta com 16 moedas, recua 4,38%. Em 12 meses, o quadro \u00e9 ainda menos favor\u00e1vel, o real tem queda de 23%.<\/p>\n<p>Como nada \u00e9 simples no mercado de c\u00e2mbio, n\u00e3o h\u00e1 apenas um fator que explica como o real saiu de destaque mundial de alta at\u00e9 o fim de fevereiro para destaque de baixa. Entre eles, certamente \u00e9 preciso mencionar a forte queda da taxa de juros b\u00e1sica no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para o professor da PUC-RJ, M\u00e1rcio Garcia, o pa\u00eds estava supervalorizado no mercado internacional. O crescimento forte de 2010, as perspectivas de investimento, bem como o calend\u00e1rio esportivo al\u00e7aram o pa\u00eds \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de &#8220;queridinho&#8221; do capital internacional.<\/p>\n<p>No entanto, diz Garcia, parece que os investidores se deram conta de que h\u00e1 aspectos negativos a considerar. Apesar de fazer parte dos Brics, o Brasil, assim com o a R\u00fassia, est\u00e1 longe de apresentar a din\u00e2mica de crescimento de \u00cdndia e China. Agora em 2012, as revis\u00f5es para baixo nas previs\u00f5es de crescimento foram quase que constantes, e a chance de o PIB crescer ainda menos que os 2,7% de 2011 \u00e9 cada vez mais real.<\/p>\n<p>A deteriora\u00e7\u00e3o nas perspectivas de crescimento se alia a um ativismo do governo no &#8220;front&#8221; cambial. Algo que faz diferen\u00e7a, na vis\u00e3o de Garcia. &#8220;Quando voc\u00ea trata o estrangeiro mal, e tem pa\u00edses tratando bem, \u00e9 natural que voc\u00ea seja deixado de lado&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Segundo o professor, mesmo que o governo retire todos os controles cambiais, pode ser que seja observado um fen\u00f4meno de &#8220;fadiga&#8221;, de quebra de confian\u00e7a, pois o investidor fica desconfiado com as constantes mudan\u00e7as nas regras.<\/p>\n<p>Isso ocorre mesmo com as restri\u00e7\u00f5es sendo impostas aos ingressos, algo que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o agressivo quanto o controle de sa\u00eddas.<\/p>\n<p>&#8220;A maioria dos investidores n\u00e3o gasta muito tempo estudando o Brasil. Se tem dificuldades e muita burocracia, ele pode desistir.&#8221;<\/p>\n<p>Se o governo quer crescer a taxas de 4% a 5% ao ano, precisa de poupan\u00e7a externa, pois essas taxas de crescimento n\u00e3o se sustentam com a poupan\u00e7a interna de no m\u00e1ximo 18% do PIB. &#8220;Entre n\u00e3o crescer e crescer com a poupan\u00e7a externa, o melhor \u00e9 crescer&#8221;, diz o especialista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do fator crescimento e da recente piora da crise externa, que tira atratividade dos ativos de risco, Garcia aponta as &#8220;barbeiragens&#8221; do governo como mais um fator a pesar na taxa de c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>Para Garcia, existe uma ignor\u00e2ncia do governo com rela\u00e7\u00e3o ao mercado de derivativos. Ao manter o Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras (IOF) de 1% sobre a amplia\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00e3o vendida, o governo mant\u00e9m os agentes privados fora da ponta de venda, ou seja, ele n\u00e3o tem &#8220;parceiro&#8221; para conter a valoriza\u00e7\u00e3o acentuada do d\u00f3lar. &#8220;Quanto se quer evitar a aprecia\u00e7\u00e3o, a medida \u00e9 boa, mas, quando se est\u00e1 na ponta contr\u00e1ria, ela \u00e9 p\u00e9ssima. E essa \u00e9 uma possibilidade para a qual o governo n\u00e3o estava preparado&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para Garcia, a equipe econ\u00f4mica parece desconhecer a import\u00e2ncia do mercado de derivativos no Brasil. \u00c9 l\u00e1 que o pre\u00e7o \u00e9 formado, particularidade inerente ao mercado brasileiro. N\u00e3o adianta olhar o fluxo de d\u00f3lar \u00e0 vista.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com Garcia, o Brasil est\u00e1 migrando para uma pol\u00edtica de banda informal no c\u00e2mbio. O modelo de pisos e tetos para o d\u00f3lar parece funcionar bem enquanto a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o representa um problema. Mas, quando o mundo voltar a crescer e as commodities tomarem f\u00f4lego, s\u00e3o outros os problemas que v\u00e3o aparecer, avalia ele.<\/p>\n<p>&#8220;Tem de se come\u00e7ar a pensar nesses cen\u00e1rios para se montar uma estrat\u00e9gia. Mas a estrat\u00e9gia por aqui parece ser a seguinte: pe\u00e7a para frente que xadrez \u00e9 sorte&#8221;, conclui Garcia.<\/p>\n<p>De vis\u00e3o semelhante, o professor da FEA-USP, Carlos Eduardo Gon\u00e7alves, acredita que a lua de mel do investidor externo com o Brasil est\u00e1 acabando. Para ele, o grau de interven\u00e7\u00e3o do governo Dilma Rousseff na economia \u00e9 bem maior do que nos mandatos de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. H\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de inger\u00eancia em grandes empresas como Petrobras e Vale e a &#8220;pirotecnia&#8221; foi longe demais no mercado de c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>No curto prazo, diz Gon\u00e7alves, o c\u00e2mbio \u00e9 a vari\u00e1vel mais dif\u00edcil de se explicar com qualquer tipo de modelo. Feita essa pondera\u00e7\u00e3o, o professor aponta que, considerando o diferencial de juros do mercado local e externo, a volatilidade do mercado e o comportamento das commodities, a taxa de c\u00e2mbio est\u00e1 acima do que seria considerado justo. A taxa de c\u00e2mbio seria mais para R$ 1,95 do que para os atuais R$ 2,05. &#8220;Pode ser erro estat\u00edstico, mas minha interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 que essa diferen\u00e7a reflete a m\u00e3o do governo no mercado cambial.&#8221;<\/p>\n<p>Para o professor, mesmo com uma forte melhora de quadro externo, o d\u00f3lar n\u00e3o deve voltar \u00e0 linha de R$ 1,90 no curto prazo.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Brasiguaios pedem que Dilma apoie novo l\u00edder<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os &#8220;brasiguaios&#8221; &#8211; agricultores brasileiros que vivem no Paraguai &#8211; comemoraram a deposi\u00e7\u00e3o de Fernando Lugo, apoiam o novo governo, mas est\u00e3o preocupados com a rea\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, principalmente no caso de se confirmar a j\u00e1 cogitada suspens\u00e3o do pa\u00eds vizinho do Mercosul.<\/p>\n<p>Ontem, cerca de 200 agricultores estiveram no consulado do Brasil em Ciudad del Este e entregaram um documento ao c\u00f4nsul-geral, embaixador Flavio Bonzanini, manifestando apoio ao presidente Federico Franco.<\/p>\n<p>&#8220;Solicitamos que o governo do Brasil reconhe\u00e7a o novo governo paraguaio e restabele\u00e7a a fraterna rela\u00e7\u00e3o que sempre existiu entre Brasil e Paraguai. Essa decis\u00e3o \u00e9 sumamente necess\u00e1ria para dar tranquilidade ao povo paraguaio e a esta grande comunidade brasileira&#8221;, diz o documento, que Bonzanini se comprometeu a encaminhar hoje ao Itamaraty.<\/p>\n<p>Marilene Sguarizi, que representa a comunidade brasileira no Paraguai, disse ao Valor que &#8220;\u00e9 un\u00e2nime o apoio dos imigrantes brasileiros ao novo governo&#8221;. E que interlocutores de Bonzanini j\u00e1 entraram em contato para manifestar o desejo de Franco de se reunir com lideran\u00e7as brasiguaias, o que deve ocorrer nesta semana.<\/p>\n<p>Lugo era tido pelos brasiguaios como algu\u00e9m que levou instabilidade ao campo, incentivando ou fazendo vistas grossas \u00e0 invas\u00f5es e aumentando a instabilidade jur\u00eddica. Nos \u00faltimos meses, a tens\u00e3o com grupos camponeses locais &#8211; conhecidos como &#8220;carpeiros&#8221; &#8211; se acirrou, com uma onda de invas\u00f5es \u00e0s terras de brasiguaios.<\/p>\n<p>Produtores ouvidos pelo Valor dizem que a primeira rea\u00e7\u00e3o da comunidade foi de &#8220;al\u00edvio&#8221; e &#8220;felicidade&#8221;, com a not\u00edcia da queda do ex-presidente, e de &#8220;esperan\u00e7a&#8221; com rela\u00e7\u00e3o ao novo governo. &#8220;O povo [brasiguaios] est\u00e1 um pouco aliviado. A tens\u00e3o no campo era grande. N\u00e3o se sabia o que iria acontecer&#8221;, afirmou Jair Graeff, que planta 1.500 hectares de soja em Mbaracayu, a 65 km da fronteira com o Brasil.<\/p>\n<p>Graeff, que est\u00e1 no Paraguai desde 1987, \u00e9 um dos muitos brasileiros &#8211; respons\u00e1veis por 70% da produ\u00e7\u00e3o de soja do pa\u00eds &#8211; que tiveram o t\u00edtulo de suas propriedades contestado nos \u00faltimos anos. Segundo ele, somente em Mbaracayu, 30 fam\u00edlias passam pelo mesmo problema. A disputa, contra a empresa Benita S.A. &#8211; que se diz a verdadeira dona das terras &#8211; est\u00e1 na Suprema Corte paraguaia.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que uma suspens\u00e3o do Paraguai do Mercosul seria um gol contra do Brasil. H\u00e1 mais de 300 mil brasileiros produzindo no Paraguai, e eles seriam os maiores prejudicados&#8221;, disse ele. &#8220;Grande parte da nossa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 escoada pelo Brasil e pela Argentina. Os insumos, como fertilizantes e outras mat\u00e9rias-primas, tamb\u00e9m v\u00eam de l\u00e1&#8221;, disse Graeff, que espera um di\u00e1logo entre os dois governos.<\/p>\n<p>&#8220;Espero que a presidente Dilma Rousseff possa interagir com o governo paraguaio. Os dois t\u00eam que se sentar \u00e0 mesa e ver qual \u00e9 a melhor sa\u00edda&#8221;, disse Graeff. &#8220;Acredito que o novo governo consiga demonstrar para os pa\u00edses vizinhos que o que aconteceu foi para o bem do Paraguai.&#8221;<\/p>\n<p>Para Abel Sim\u00f5es Filho, filho de um brasiguaio e que trabalha como engenheiro agr\u00f4nomo no Paraguai, a queda de Fernando Lugo foi uma boa not\u00edcia para o setor. &#8220;Se voc\u00ea perguntar, 99,9% dos brasiguaios eram contra o Lugo. Sempre houve disputa pelas terras, mas os governos anteriores sempre apoiava os imigrantes&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Para ele, a deposi\u00e7\u00e3o do presidente trouxe aos produtores &#8220;uma sensa\u00e7\u00e3o de felicidade, mas tamb\u00e9m de inseguran\u00e7a, pois ningu\u00e9m sabe o que vai acontecer&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos na expectativa de ver como o governo brasileiro vai se posicionar. E sobre como esse novo governo vai agir com rela\u00e7\u00e3o aos brasiguaios&#8221;, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nValor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3068\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3068","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Nu","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3068","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3068"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3068\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3068"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}