{"id":307,"date":"2010-03-04T04:24:48","date_gmt":"2010-03-04T04:24:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=307"},"modified":"2010-03-04T04:24:48","modified_gmt":"2010-03-04T04:24:48","slug":"para-onde-vai-a-argelia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/307","title":{"rendered":"PARA ONDE VAI A ARG\u00c9LIA?"},"content":{"rendered":"\n<p>Dessa breve visita guardava na mem\u00f3ria imagens de uma cidade onde a grande maioria dos moradores era de origem francesa. Recordo ter percorrido ent\u00e3o a Casbah, o n\u00facleo urbano anterior \u00e0 conquista onde residiam muitas dezenas de milhares de mu\u00e7ulmanos, definidos como ind\u00edgenas pela administra\u00e7\u00e3o colonial.<\/p>\n<p>Achei a Casbah actual quase irreconhec\u00edvel.<\/p>\n<p>Agora Argel \u00e9 uma cidade mu\u00e7ulmana onde os europeus s\u00e3o uma minoria insignificante. Na Casbah n\u00e3o h\u00e1 gendarmes nem bandeiras francesas, o \u00e1rabe substituiu a l\u00edngua de Voltaire como idioma nacional, mas a modernidade aparente da era da globaliza\u00e7\u00e3o imp\u00f5e-se nos ru\u00eddos das ruas, nas cores de cartazes publicit\u00e1rios, e no desaparecimento do vestu\u00e1rio tradicional.<\/p>\n<p>Declarada patrim\u00f3nio da humanidade, a cidade velha n\u00e3o se assemelha a qualquer outra do Isl\u00e3o. Nos 45 hectares que restam da antiga capital amuralhada da \u00e9poca da conquista, concentram-se 1200 casas, labirinto de ruelas, becos, escadas tortuosas, numa malha urbana onde se destacam mesquitas e pal\u00e1cios do per\u00edodo da domina\u00e7\u00e3o turca, santu\u00e1rios, museus, um medersa (universidade cor\u00e2nica) e min\u00fasculas lojas.<\/p>\n<p>Com alguma surpresa, recordando cidades asi\u00e1ticas do Isl\u00e3o como a antiga Cabul, achei a Casbah limpa.<\/p>\n<p>Percorrendo o d\u00e9dalo das suas ruas, a minha imagina\u00e7\u00e3o viajou pelo tempo. Revivi a gesta da resist\u00eancia de 18 anos do emir Abdel Kader \u00e0 invas\u00e3o francesa de 1830 e, com emo\u00e7\u00e3o, a luta travada na Casbah pelos patriotas da FLN contra os paraquedistas de Massu, imortalizada em \u00abA Batalha de Argel\u00bb, o filme de Pontecorvo.<\/p>\n<p>Pisando aquele solo milenar, com o olhar descendo para o mar azul das escarpas nuas que fecham o horizonte, subiu em mim naquela tarde fria um sentimento de respeito e admira\u00e7\u00e3o pelos povos da Arg\u00e9lia que ao longo de 20 s\u00e9culos se bateram com hero\u00edsmo contra todos os invasores desde Roma \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o francesa.<\/p>\n<p><strong>UM PA\u00cdS MILITARIZADO<\/strong><\/p>\n<p>As For\u00e7as Armadas Argelinas, avaliadas em 180 000 homens (as mulheres s\u00e3o escassas no exercito), constituem hoje talvez o corpo militar mais numeroso no Continente africano, superando as do Egipto.<\/p>\n<p>Esse gigantismo n\u00e3o resulta de qualquer amea\u00e7a externa previs\u00edvel. O ex\u00e9rcito cresceu como resposta do Estado \u00e0 onda de viol\u00eancia desencadeada na sociedade argelina pela Frente Isl\u00e2mica de Salva\u00e7\u00e3o \u2013 FIS.<\/p>\n<p>N\u00e3o cabe neste artigo comentar a situa\u00e7\u00e3o criada pelo desafio do radicalismo islamista ao Poder detido pelos herdeiros do movimento que dirigira a luta pela independ\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>Registo somente que a mensagem do FIS encontrou de in\u00edcio receptividade entre as camadas mais desfavorecidas de uma popula\u00e7\u00e3o mis\u00e9rrima, que perdera a esperan\u00e7a suscitada pela independ\u00eancia e as promessas do \u00absocialismo argelino\u00bb.<\/p>\n<p>Enquanto a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds quadruplicou desde meados do s\u00e9culo passado \u2013 hoje supera os 30 milh\u00f5es \u2013 a anunciada revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o se concretizou e o \u00eaxodo total da popula\u00e7\u00e3o europeia provocou o desmoronamento do sistema econ\u00f3mico preexistente.<\/p>\n<p>A anula\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es ganhas pelo FIS, que se beneficiava do descontentamento geral, traduziu-se numa vaga de viol\u00eancia irracional (150 000 mortos e centenas de milhares de exilados). O Grande Medo contribuiu decisivamente para a perda de popularidade da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A resposta do Estado foi a militariza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Argel \u00e9 hoje uma cidade muito mais \u00absegura\u00bb do que a maioria das capitais da Am\u00e9rica Latina. A FIS foi militarmente esmagada.<\/p>\n<p>Mas o pre\u00e7o social da derrota infligida \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o islamista foi muito alto. A densidade do policiamento e a visibilidade do dispositivo militar impressionam o forasteiro.<\/p>\n<p>\u00c0s seis da tarde n\u00e3o se encontra uma mulher nas pra\u00e7as e ruas do centro; \u00e0s oito, a cidade, deserta, parece adormecida. A vida nocturna \u00e9 praticamente inexistente.<\/p>\n<p>O contraste com o dia perturba o visitante porque a grande metr\u00f3pole (talvez uns tr\u00eas milh\u00f5es com os sub\u00farbios, mas as estat\u00edsticas argelinas n\u00e3o inspiram muita confian\u00e7a ) \u00e9 um formigueiro de gente desde a manh\u00e3 ao p\u00f4r-do-sol.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3pria Resid\u00eancia oficial onde se realizou o Col\u00f3quio Labica, reservada aos participantes e convidados, n\u00e3o se podia entrar sem passagem por um detector de metais similar ao dos aeroportos.<\/p>\n<p>Um cord\u00e3o de militares cerca a capital \u00e0 noite. Mas nas tr\u00eas vezes que sa\u00edmos para jantar em restaurantes do centro, distante meia d\u00fazia de quil\u00f3metros dos bairros altos, os carros oficiais em que segu\u00edamos foram submetidos a numerosos controlos em postos militares. Com os t\u00e1xis, a inspec\u00e7\u00e3o \u00e9 mais rigorosa.<\/p>\n<p><strong>UMA ECONOMIA FR\u00c1GIL <\/strong><\/p>\n<p>Durante a nossa breve perman\u00eancia em Argel, a minha companheira e eu tivemos a oportunidade de manter prolongados encontros com velhos combatentes da guerra de independ\u00eancia. Essas conversas proporcionaram-me uma informa\u00e7\u00e3o importante, embora superficial sobre a conjuntura argelina, tal como a sentem e vivem intelectuais revolucion\u00e1rios distanciados do Poder.<\/p>\n<p>Falei tamb\u00e9m com jornalistas que esbo\u00e7aram um panorama da comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Uma realidade indesment\u00edvel: a depend\u00eancia da Arg\u00e9lia dos combust\u00edveis \u00e9 preocupante. O petr\u00f3leo e o g\u00e1s fornecem, segundo as estat\u00edsticas oficiais, quase 98% das exporta\u00e7\u00f5es do pa\u00eds e representam 40% do Produto Interno Bruto. As reservas comprovadas garantem a extrac\u00e7\u00e3o no n\u00edvel actual at\u00e9 2030, o que suscita inquieta\u00e7\u00e3o quanto ao futuro de uma sociedade na qual o sector produtivo \u00e9 de uma insufici\u00eancia transparente.<\/p>\n<p>A agricultura atravessa uma crise profunda, agravada pela pol\u00edtica neoliberal ortodoxa imposta no in\u00edcio dos anos 90. Um punhado de multimilion\u00e1rios monopoliza as importa\u00e7\u00f5es de cereais, leite e carne, com a cumplicidade de personalidades destacadas do Ex\u00e9rcito. A consequ\u00eancia dessa estrat\u00e9gia foi desastrosa para os produtores nacionais, incapazes de suportar a concorr\u00eancia dos pre\u00e7os internacionais. Ali\u00e1s, as cooperativas estatais formadas ap\u00f3s a independ\u00eancia n\u00e3o puderam corresponder \u00e0s esperan\u00e7as nelas depositadas por falta de apoio do Poder central.<\/p>\n<p>Essa grande burguesia , que acumulou fortunas colossais, possui casas no estrangeiro, onde passa largas temporadas . N\u00e3o se conhece o n\u00edvel das suas contas em bancos su\u00ed\u00e7os, mas \u00e9 certamente elevad\u00edssimo. Num patamar inferior, formou-se uma burguesia prospera , enriquecida tamb\u00e9m atrav\u00e9s de neg\u00f3cios escuros.<\/p>\n<p>Mas muitos milh\u00f5es de argelinos vivem abaixo do n\u00edvel da pobreza.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f3mica e social assumiu tamanhas propor\u00e7\u00f5es que o governo sentiu a necessidade de reconhecer o fracasso da chamada economia de mercado cuja apologia fizera durante anos. No seu discurso de Junho de 2008, o Presidente Bouteflika anunciou uma viragem de estrat\u00e9gia. Mas a condena\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica neoliberal n\u00e3o foi acompanhada da formula\u00e7\u00e3o de uma alternativa. N\u00e3o basta reconhecer que as transnacionais que tinham prometido realizar investimentos grandiosos trataram de saquear o pa\u00eds, tripudiando sobre os compromissos assumidos. A nova lei de finan\u00e7as suprimiu os privil\u00e9gios de que gozava o capital estrangeiro; mas o Poder n\u00e3o elaborou um projecto nacional.<\/p>\n<p>O Presidente Boumedienne, ap\u00f3s o golpe que derrubou Ben Bella, ainda utilizou durante algum tempo a express\u00e3o \u00absocialismo argelino\u00bb. Mas a f\u00f3rmula, ret\u00f3rica, n\u00e3o travou a marcha do pa\u00eds rumo a um capitalismo dependente.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria metal\u00fargica, que gerou esperan\u00e7as gra\u00e7as a uma siderurgia nacional que viabilizou a produ\u00e7\u00e3o de tractores e a montagem de ve\u00edculos de transporte, \u00e9 hoje pouco mais do que uma recorda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O PIB per capita n\u00e3o excede 2300 d\u00f3lares.<\/p>\n<p>A Arg\u00e9lia \u00e9 territorialmente um gigante com mais de 2.350.000 quil\u00f3metros quadrados (grande parte no Deserto do Sahara, onde se concentram o petr\u00f3leo e o g\u00e1s). Mas enormes extens\u00f5es de terras f\u00e9rteis permanecem incultas.<\/p>\n<p><strong>TEMOR DO FUTURO <\/strong><\/p>\n<p>Uma implanta\u00e7\u00e3o d\u00e9bil da Internet facilita a compreens\u00e3o de um absurdo aparente: as grandes tiragens dos jornais argelinos num Continente onde se l\u00ea pouqu\u00edssimo.<\/p>\n<p>O maior di\u00e1rio do pa\u00eds, em l\u00edngua \u00e1rabe, tem uma tiragem que ronda os 400.000 exemplares. O principal dos di\u00e1rios de l\u00edngua francesa atinge os 80.000.<\/p>\n<p>Oficialmente n\u00e3o existe censura. Mas jornalistas com quem falei disseram-me que a auto-censura \u00e9 rotineira na maioria das redac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada um flagelo nacional, os editoriais e reportagens sobre grandes esc\u00e2ndalos s\u00e3o tolerados e por vezes incentivados. Mas desde que neles n\u00e3o seja transparente o envolvimento de altas personalidades das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>Oficialmente ,estas apresentam-se unidas no apoio ao regime. Mas a realidade desmente a imagem difundida . No corpo de oficiais , mesmo nos escal\u00f5es superiores, manifestam-se tend\u00eancias contradit\u00f3rias quanto ao rumo do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea internacional a imprensa \u00e9 anti sionista e, com o apoio oficial, solid\u00e1ria com a luta dos povos da Palestina e do L\u00edbano. O Hamas e o Hezbollah n\u00e3o s\u00e3o satanizados, ao contr\u00e1rio do que ocorre noutros pa\u00edses mu\u00e7ulmanos. As cr\u00edticas \u00e0s guerras de agress\u00e3o dos EUA no Iraque e no Afeganist\u00e3o e \u00e0s campanhas contra o Ir\u00e3o s\u00e3o ali\u00e1s frequentes.<\/p>\n<p>Mas no tocante \u00e0s rela\u00e7\u00f5es internacionais do governo Bouteflika as surpresas s\u00e3o muitas para o visitante desconhecedor dos meandros sinuosos da estrat\u00e9gia do Poder.<\/p>\n<p>A economia est\u00e1 orientada para a Uni\u00e3o Europeia (aproximadamente 60 % do comercio externo), mas o alto comando do Ex\u00e9rcito aprofunda a coopera\u00e7\u00e3o militar com a China e mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es cordiais com Washington. \u00c9 inquietante que a CIA tenha sido autorizada a funcionar discretamente em Argel. O governo Obama, invocando a necessidade de \u00abcombater o terrorismo\u00bb no Continente iniciou negocia\u00e7\u00f5es \u2013segundo a revista web de Michel Collon- tendentes \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o pelos EUA da nova base militar instalada em Tamanrasset, no extremo sul.<\/p>\n<p>Com o governo de Sarkozy as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o hoje marcadas por uma tens\u00e3o inocult\u00e1vel. A Fran\u00e7a foi for\u00e7ada pela luta do povo argelino a aceitar a independ\u00eancia do pa\u00eds. Mas os seus sucessivos governos nunca assumiram uma atitude respons\u00e1vel no relacionamento com a Republica da Arg\u00e9lia. N\u00e3o somente recusaram sempre debater a legitimidade de repara\u00e7\u00f5es materiais ao povo da sua antiga col\u00f3nia ( centenas de milhares de argelinos foram mortos durante os oito anos da guerra que provocou enormes destrui\u00e7\u00f5es materiais) como , sobretudo desde que Sarkozy chegou \u00e0 Presid\u00eancia , insistem em reescrever a Historia, apresentando a coloniza\u00e7\u00e3o como globalmente positiva.<\/p>\n<p>UM GOVERNO DESPRESTIGIADO<\/p>\n<p>A FLN, o partido do governo, \u00e9 hoje uma caricatura do movimento de liberta\u00e7\u00e3o que dirigiu a luta pela independ\u00eancia numa guerra de oito anos. Como n\u00e3o disp\u00f5e de uma base eleitoral que lhe garanta maioria no Parlamento montou uma heterog\u00e9nea coliga\u00e7\u00e3o, a Alian\u00e7a Presidencial. Os seus parceiros s\u00e3o a Uni\u00e3o Nacional Democr\u00e1tica (RND), um partido de tecnocratas cuja bandeira \u00e9 a moderniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, e o Movimento Social Popular (ex-Hamas), organiza\u00e7\u00e3o populista.<\/p>\n<p>A ideologia est\u00e1 ausente da teoria e da pr\u00e1tica da Alian\u00e7a e do governo por ela apoiado.<\/p>\n<p>O Presidente Bouteflika mantem-se no poder pela inexist\u00eancia de uma alternativa a curto prazo. Mas perdeu o escasso prest\u00edgio que tinha ao ser eleito em 1999. Na opini\u00e3o de observadores internacionais o FIS, n\u00e3o obstante inspirar hoje mais temor e repulsa do que simpatia, venceria as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es se elas fossem normais. Seria essa uma forma de castigar Bouteflika e os seus aliados.<\/p>\n<p>Para se avaliar a complexidade da reac\u00e7\u00e3o popular perante o Poder e aqueles que para o enfrentar optaram por uma orgia de viol\u00eancia \u00e9 \u00fatil esclarecer que o analfabetismo real na Arg\u00e9lia deve rondar os 50% ,o que desmente as estat\u00edsticas oficiais.<\/p>\n<p>O fosso que separa uma intelectualidade brilhante (na Universidade o franc\u00eas predomina sobre o \u00e1rabe) e as massas \u00e9 muito profundo.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 importante registar que houve un enorme progresso no campo da Educa\u00e7\u00e3o. Antes da independ\u00eancia apenas umas centenas de argelinos tinham acesso ao ensino universit\u00e1rio, reservado quase exclusivamente a europeus. Hoje, o total de estudantes nas numerosas universidades existentes ultrapassa os 250 000 . Lamentavelmente, o diploma , conclu\u00eddos os cursos, n\u00e3o assegura trabalho a dezenas de milhares, cuja frustra\u00e7\u00e3o \u00e9 legitima.<\/p>\n<p>Os sindicatos s\u00e3o hoje de pura fachada, e o desemprego, elevad\u00edssimo, dificulta a luta dos trabalhadores cuja combatividade \u00e9 escassa pela aus\u00eancia de uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria com implanta\u00e7\u00e3o entre a classe oper\u00e1ria , capaz de a mobilizar em defesa dos seus direitos , uma organiza\u00e7\u00e3o que pudesse desempenhar o papel assumido durante a guerra pelo Partido Comunista Argelino.<\/p>\n<p>Num pa\u00eds onde o sal\u00e1rio m\u00ednimo equivale a 150 euros, e o m\u00e9dio oscila entre os 250 e os 300, o custo de vida \u00e9 compar\u00e1vel ao de Portugal com a peculiaridade de os hot\u00e9is e os restaurantes serem car\u00edssimos.<\/p>\n<p>Para onde caminha a Arg\u00e9lia?<\/p>\n<p>N\u00e3o me sinto em condi\u00e7\u00f5es de esbo\u00e7ar uma resposta.<\/p>\n<p>Nos meus breves dias de Argel encontrei-me me num pa\u00eds desconhecido que perdeu a grande esperan\u00e7a que mobilizou a na\u00e7\u00e3o numa guerra de liberta\u00e7\u00e3o \u00e9pica.<\/p>\n<p>A juventude actual nasceu ap\u00f3s a guerra da independ\u00eancia , tal como a gera\u00e7\u00e3o anterior. Sente uma enorme frustra\u00e7\u00e3o pela aus\u00eancia de perspectivas. Um veterano do combate dos anos 50 dizia-me ,com tristeza: \u00ab Milhares de jovens emigram todos os anos ,principalmente para a Fran\u00e7a e o Quebec, no Canad\u00e1. Acredito que se n\u00e3o fosse a extrema dificuldade de obten\u00e7\u00e3o de vistos para entrar na Europa e na Am\u00e9rica, nove entre cada dez jovens argelinos, deixariam o pa\u00eds\u00bb.<\/p>\n<p>O futuro pr\u00f3ximo parece sombrio. Mas a hist\u00f3ria her\u00f3ica dos povos da Arg\u00e9lia demarca-me de uma atitude pessimista.<\/p>\n<p>Conheci ali neste reencontro homens cuja lucidez e firmeza refor\u00e7aram a minha confian\u00e7a no amanh\u00e3 da terra milenarmente martirizada da Arg\u00e9lia, ber\u00e7o de grandes pensadores e s\u00e1bios e de revolucion\u00e1rios que se impuseram ao respeito da humanidade.<\/p>\n<p>Serpa, Fevereiro de 2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: www.odiario.info\n\n\n\n\nMiguel Urbano Rodrigues\nO fasc\u00ednio que Argel exerce h\u00e1 s\u00e9culos sobre os estrangeiros que ali chegam \u00e9 insepar\u00e1vel do cen\u00e1rio.\nO casario, predominantemente branco, sobe pelas encostas que a encerram em gigantesca ta\u00e7a, moldura de uma ba\u00eda deslumbrante, apenas superada em grandeza pela Guanabara e N\u00e1poles.\nO Col\u00f3quio Internacional de Homenagem a Georges Labica proporcionou-me em Fevereiro o reencontro com a cidade, por onde tinha passado em 1953 quando a Arg\u00e9lia era ainda uma col\u00f3nia mascarada de parcela da Fran\u00e7a.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/307\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-307","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c84-solidariedade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4X","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/307","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=307"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/307\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=307"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=307"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=307"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}