{"id":30708,"date":"2023-08-07T22:15:14","date_gmt":"2023-08-08T01:15:14","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30708"},"modified":"2023-08-07T22:15:14","modified_gmt":"2023-08-08T01:15:14","slug":"entrevista-do-momento-marly-vianna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30708","title":{"rendered":"Entrevista do Momento: Marly Vianna"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30709\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30708\/image10-5\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/image10.png?fit=750%2C375&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"750,375\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image(10)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/image10.png?fit=747%2C374&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-30709\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/image10.png?resize=747%2C374&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"374\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/image10.png?w=750&amp;ssl=1 750w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/image10.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Por Milton Pinheiro<\/p>\n<p>Graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Mestre em Economia Agr\u00e1ria pela Universidade Federal de Campina Grande (\u00e0 \u00e9poca Campus II da UFPB); doutora em Hist\u00f3ria Social pela USP. Professora de Hist\u00f3ria na Universidade Federal de Campina Grande e na Universidade Federal de S\u00e3o Carlos, onde se aposentou. De 2005 a 2018, junto a mais nove professores, ajudou a criar o Mestrado e depois o Doutorado, na Universidade Salgado de Oliveira, onde lecionou durante esse per\u00edodo e da qual se desligou em mar\u00e7o de 2019.<\/p>\n<p>Autora de alguns livros e de v\u00e1rios cap\u00edtulos de livros e artigos, dedica-se ao estudo de movimentos sociais e partidos pol\u00edticos, em especial o Partido Comunista Brasileiro, no qual come\u00e7ou a militar em 1961, fazendo parte de sua dire\u00e7\u00e3o de janeiro de 1976 a janeiro de 1979.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Momento \u2013 O Brasil est\u00e1 em uma quadra hist\u00f3rica profundamente complexa, como voc\u00ea avalia a presen\u00e7a da extrema direita de v\u00e1rios matizes na cena pol\u00edtica em curso.<\/p>\n<p>Marly \u2013 A sociedade brasileira sempre foi violenta e excludente, os donos do poder sentindo-se \u201cdonos de gado e de gente\u201d. Todos os conflitos e rebeli\u00f5es passadas, desde sempre em nossa hist\u00f3ria, reprimiram brutalmente os subalternos e anistiaram a maioria dos de cima, que quase sempre participavam das revoltas. Fomos o \u00faltimo pa\u00eds a acabar com a escravid\u00e3o e assim mesmo quando o escravo j\u00e1 n\u00e3o tinha mais valor no mercado. Essa classe dominante n\u00e3o d\u00e1 os an\u00e9is para n\u00e3o perder os dedos, n\u00e3o d\u00e1 nenhum anel, porque est\u00e1 segura de seu poder. Este poder a faz dominar ideologicamente a sociedade, inculcando na popula\u00e7\u00e3o sua maneira de ver o mundo: pela educa\u00e7\u00e3o, pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o e pela religi\u00e3o. Nossa sociedade excludente n\u00e3o conseguiu criar ainda cidad\u00e3os. Os pobres, sem direito a quase nada, n\u00e3o se sentem no direito de exigir, mas est\u00e3o sempre pedindo, ao governo ou a Deus. Tal sociedade, principalmente depois de 21 anos de ditadura e falta de democracia (que existiu em poucos momentos de nossa hist\u00f3ria) esgar\u00e7ou-se, perdeu v\u00ednculos de solidariedade de classe, com o enaltecimento do individualismo. E como s\u00f3 v\u00ea nos de cima, nos tr\u00eas poderes, opress\u00e3o \u2013 o que significa \u201cpol\u00edtica\u201d, \u00e9 presa f\u00e1cil dos que demagogicamente colocam-se \u201ccontra a pol\u00edtica\u201d, candidatando-se a pol\u00edticos para livrar-se dela\u2026 De certa forma assim foi com J\u00e2nio Quadros e abertamente com Collor de Mello, o \u201cca\u00e7ador de maraj\u00e1s\u201d, chegado ao paroxismo como o ex-presidente Bolsonaro, o anti -pol\u00edtico que viveu quase 40 anos da pol\u00edtica (foi eleito vereador pelo Rio em 1988), sem contar sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Viol\u00eancia, exclud\u00eancia, descrimina\u00e7\u00e3o, elitismo, racismo s\u00e3o atributos da extrema direita que, a meu ver, sempre existiu em nosso pa\u00eds. A classe oper\u00e1ria, na Primeira Rep\u00fablica, sempre foi tratada com brutalidade. Recebendo v\u00e1rias e importantes \u2013 benesses com a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista de Vargas e seu pr\u00f3prio reconhecimento como classe, a viol\u00eancia e a opress\u00e3o tornaram-se mais sofisticadas, mas nunca deixaram de existir. E o fio condutor de toda repress\u00e3o, viol\u00eancia e engano da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 o anticomunismo, que j\u00e1 existia antes de 1917, intensificou-se com a Revolu\u00e7\u00e3o Sovi\u00e9tica e chegou \u00e0 histeria depois de novembro de 1935.<\/p>\n<p>Por um lado, os subalternos, que muito lutaram e pouco conseguiram, s\u00e3o presas f\u00e1ceis da demagogia anticomunista dos de cima, hoje mais do que nunca, em especial depois do desastre do fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, do desmanche de importantes partidos comunistas, como o italiano e com isso o crescimento da direita no mundo. N\u00e3o raro vemos disputas, no campo internacional, n\u00e3o entre esquerda e direita, mas entre a direita e a extrema direita. Por outro lado, esta situa\u00e7\u00e3o internacional, a abertura capenga e conciliat\u00f3ria, como de costume, depois de 21 anos de ditadura, a dificuldade e\/ou o fracasso das pol\u00edticas de esquerda, e a absoluta impunidade do \u00faltimo governo levaram a que a m\u00e1scara hip\u00f3crita de liberalismo usada pela extrema direita ca\u00edsse de vez. As not\u00edcias falsas s\u00e3o vinculadas com a maior descara\u00e7\u00e3o e consumidas avidamente por boa parte do povo \u2013 a campanha ign\u00f3bil contra Sofia Manzano \u00e9 um exemplo disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Momento \u2013 Como pesquisadora, voc\u00ea estudou movimentos desenvolvidos por militares na hist\u00f3ria brasileira. O que teria de relevante para as transforma\u00e7\u00f5es sociais nessas lutas?<\/p>\n<p>Marly \u2013 Os militares fazem parte da sociedade brasileira e eu aceito a classifica\u00e7\u00e3o deles n\u00e3o como classe, mas como camadas m\u00e9dias urbanas que, por n\u00e3o terem uma ideologia pr\u00f3pria, mudam de posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com facilidade, muito influenciados pelo meio pol\u00edtico do momento. Entre os militares h\u00e1 os de todos os matizes, sendo que a influ\u00eancia do anticomunismo, anticomunismo que lhes \u00e9 inculcado em praticamente todos os n\u00edveis do ensino militar, \u00e9 muito grande. E nosso desconhecimento da hist\u00f3ria \u00e9 igualmente grande. Por terem se negado, no final da escravid\u00e3o, a perseguir escravos fugidos, dizendo n\u00e3o serem capit\u00e3es de mato, come\u00e7aram a ser considerados democratas. Esquecemos a violenta repress\u00e3o militar aos movimentos da reg\u00eancia, capitaneados pelo Duque de Caxias, esquecemos da Canudos, dizimado pelos militares, esquecemos da brutal repress\u00e3o militar ao Contestado, a destrui\u00e7\u00e3o da comunidade do Beato Louren\u00e7o, da repress\u00e3o aos revoltosos da Marinha. Para n\u00e3o falar da \u201cRep\u00fablica do Gale\u00e3o\u201d de 1954 e do golpe de 1964.<\/p>\n<p>N\u00e3o vamos esquecer tamb\u00e9m os movimentos progressistas levados adiante pelo militares, como a \u201cpolitica das salva\u00e7\u00f5es\u201d, do marechal Hermes da Fonseca, o movimento tenentista, a cria\u00e7\u00e3o e grande atua\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a Nacional Libertadora, em 1935, as lutas progressistas do Clube Militar dos anos 50, a campanha do Petr\u00f3leo \u00e9 Nosso ou a resist\u00eancia ao pretenso golpe contra Jo\u00e3o Goulart em 1961. Nem podemos esquecer o grande n\u00famero de militares expulsos ou afastados das FFAA depois do golpe de 1964. Isso mostra que, mesmo levando-se em conta o alto grau de corporativismo, hierarquiza\u00e7\u00e3o e disciplina (essas duas \u00faltimas muito abaladas no \u00faltimo governo) da vida militar, o que lhes d\u00e1 especificidade \u00e9 terem o poder das armas. Pol\u00edtica e ideologicamente est\u00e3o inseridos na sociedade como qualquer um de n\u00f3s. Para transformar sua mentalidade anticomunista ser\u00e1 preciso transformar essa mistifica\u00e7\u00e3o em toda a sociedade, o que permitir\u00e1 modificar os curr\u00edculos das escolas militares: basta que retirem deles as mentiras e os ensine a conferir a realidade.<\/p>\n<p>Um \u201cpequeno\u201d exemplo. Dizem que no 27 de novembro de 1935 os comunistas mataram seus colegas que dormiam. Primeiro, no 3\u00ba RI s\u00f3 havia dois comunistas \u2013 Agildo Ribeiro e Leivas Otero; segundo, e fundamental, havia oficiais dormindo em noite de rigorosa prontid\u00e3o? Sobre isso o senador Jarbas Passarinho foi ao Congresso, a pedido das fam\u00edlias dos militares ditos mortos dormindo, para negar o fato e limpar-lhes a honra militar. Terceiro, s\u00f3 dois militares morreram no levante, os outros foram assassinados pelos bombardeios do governo ao quartel, em especial ao cassino dos oficiais, onde estavam todos os que foram presos pelos revoltosos. Qualquer pessoa interessada no assunto tem acesso a tais dados, arquivados nos processos-crime do TSN . A quest\u00e3o \u00e9 que \u00e9 f\u00e1cil, ou interessa acreditar em mentiras, do mesmo modo que muita gente temeu virar jacar\u00e9 ou ter aids se tomasse a vacina contra a Covid 19. Interesse pol\u00edtico ou ignor\u00e2ncia, tais quest\u00f5es, dentro das FFAA, s\u00f3 ser\u00e3o resolvidas em conjunto com toda a sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Momento \u2013 Nos \u00faltimos anos os militares tiveram um papel ativo na pol\u00edtica, inclusive com amea\u00e7as \u00e0 democracia formal. Como examinar esse processo de interven\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Marly \u2013 Como encaminhei acima, os militares, no Brasil, sempre tiveram ativo papel na pol\u00edtica e as amea\u00e7as \u00e0 democracia formal n\u00e3o foram espor\u00e1dicas. Dois momentos marcantes de nossa hist\u00f3ria foram resultado de golpes militares: A Rep\u00fablica e a \u201cRevolu\u00e7\u00e3o\u201d de 1930. Na Primeira Rep\u00fablica, at\u00e9 o final do governo Floriano, os militares tiveram protagonismo, que os jacobinos (florianistas) pretenderam manter por muito tempo. Os tenentes, de 1922 a 1935, tentaram, pela luta armada, afastar os civis da pol\u00edtica, os chamados \u201ccamorras\u201d, em especial os pol\u00edticos paulistas. A partir da perda de hegemonia dos cafeicultores paulistas (os \u201cpol\u00edticos\u201d), um grupo importante de militares tentou derrubar Get\u00falio Vargas, em especial contr\u00e1rios \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Houve a \u201cRevolu\u00e7\u00e3o de 1932\u201d, tentativa de levante do 21 BC do Recife, cujos insurretos convidaram Prestes para assumir a dire\u00e7\u00e3o dos levantes. Depois das rebeli\u00f5es militares de 1935, o levante integralista de 1938 foi, a meu ver, essencialmente uma rebeli\u00e3o dirigida nas sombras por militares \u2013 cujos chefes nada tinham de integralistas. O Estado Novo ocorreu com imprescind\u00edvel apoio de militares, assim como a deposi\u00e7\u00e3o de Vargas em 1945. O governo do marechal Dutra nada teve de democr\u00e1tico, muito pelo contr\u00e1rio. Depois da elei\u00e7\u00e3o de Vargas em 1950, as tentativas de golpe, apoiadas por militares n\u00e3o cessaram: Jacareacanga, a tentativa de golpe tentando impedir a posse de Juscelino, impedida tamb\u00e9m por militares, com o contragolpe do marechal Lott, Aragar\u00e7as, a j\u00e1 citada \u201cRep\u00fablica do Gale\u00e3o\u201d, a tentativa de impedir a posse de Jo\u00e3o Goulart em 1961 e finalmente o golpe de 1964. Os militares SEMPRE tiveram ativo papel na pol\u00edtica nacional, quase sempre contr\u00e1rios \u00e0 democracia formal.<\/p>\n<p>As FFAA sempre consideraram ser os mais capazes, intelectual e moralmente, para dirigir o pa\u00eds. Para eles, sua obriga\u00e7\u00e3o para com a Constitui\u00e7\u00e3o do pa\u00eds s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lida enquanto eles a considerarem correta. Tr\u00eas exemplos: Na rebeli\u00e3o paulista de 1924 os tenentes propunham um governo que seria composto por dois militares e um civil (o conselheiro Paulo Prado) at\u00e9 que toda a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds fosse alfabetizada. O hino da Escola Militar tem a seguinte frase: \u201cSomos a esperan\u00e7a de um Brasil inteligente, lideran\u00e7a de um continente\u201d. E por \u00faltimo no tempo, mas absolutamente atualizada, \u00e9 a fala do ent\u00e3o presidente Floriano Peixoto, a prop\u00f3sito de problemas pol\u00edticos de sua \u00e9poca: \u201cFato \u00fanico que prova exuberantemente a podrid\u00e3o que vai por este pobre pa\u00eds e que muito necessita a ditadura militar para expurga-la. Como liberal que sou, n\u00e3o posso querer para meu pais o governo da espada; mas n\u00e3o h\u00e1 quem desconhe\u00e7a, e a\u00ed est\u00e3o os exemplos, que \u00e9 ele que sabe purificar o sangue do corpo civil que, como o nosso, est\u00e1 corrompido\u201d. E assim pensam muitos, at\u00e9 hoje, quando puderam manifestar-se abertamente, dado ao clima golpista criado pelo governo passado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Momento \u2013 A democracia formal do Estado de direito encontra-se amea\u00e7ada por setores reacion\u00e1rios das For\u00e7as Armadas?<\/p>\n<p>Marly \u2013 Creio que numa sociedade como a nossa, j\u00e1 descrita acima, o Estado de Direito est\u00e1 sempre amea\u00e7ado, n\u00e3o s\u00f3 e nem principalmente por setores de extrema direita das FFAA, mas pelos verdadeiros donos do poder: de ind\u00fastrias, de terras e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, mas, seguramente, com o imprescind\u00edvel apoio dos setores reacion\u00e1rios das FFAA.<\/p>\n<p>Falando apenas de militares, ser\u00e1 preciso diferenciar n\u00e3o s\u00f3 Ex\u00e9rcito, Marinha e Aeron\u00e1utica como tamb\u00e9m as Pol\u00edcias Militares, e n\u00e3o sou especialista no assunto. Pelo que se percebe, as pol\u00edcias e os pra\u00e7as ficaram mais sujeitos \u00e0s posi\u00e7\u00f5es da extrema direita do governo passado. \u00c9 muito dif\u00edcil fazer previs\u00f5es sem estar a par do que se passa na caserna, mas acho que podemos afirmar que as FFAA est\u00e3o divididas tanto quanto o resto da sociedade. Se \u00e9 evidente que generais, pra\u00e7as e policiais agiram no sentido de apoiar um golpe, como apoiaram os acampamentos em frente aos quart\u00e9is, a realidade \u00e9 que golpe n\u00e3o houve, e a maioria das FFAA n\u00e3o se mobilizou para acabar com o Estado de Direito.<\/p>\n<p>Um aspecto que ainda n\u00e3o consigo entender \u00e9 o da posi\u00e7\u00e3o de oficiais superiores, inclusive generais, curvando-se diante de um capit\u00e3o insubordinado. Filha de oficial do Ex\u00e9rcito, convivi muito no meio militar, de militares nacionalistas, legalistas e, em especial, com muito brio e dignidade. Quando preso, em 1961, por defender a legalidade da posse do vice-presidente Jo\u00e3o Goulart, depois da ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros, o marechal Lott recusou-se a ir fardado ao Minist\u00e9rio da Guerra, dizendo que naquelas circunst\u00e2ncias de viola\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o macularia a farda do Ex\u00e9rcito. Dif\u00edcil entender o \u201cUm manda (o capit\u00e3o) e outro (o general da Intend\u00eancia) obedece\u201d ou o comportamento de ordenan\u00e7a de quem deveria comportar-se como ajudante-de-ordens. \u00c9 verdade que um pequeno grupo recebeu alt\u00edssimas remunera\u00e7\u00f5es e\/ou acumulou fun\u00e7\u00f5es remuneradas, mas foi um pequeno grupo. A campanha de \u00f3dio hist\u00e9rico ao PT pode explicar mais, a meu ver, o comportamento de parte das FFAA, mas assim mesmo n\u00e3o tenho uma explica\u00e7\u00e3o que considere satisfat\u00f3ria. A campanha de \u00f3dio hist\u00e9rico contra o PT n\u00e3o precisa ser explicada, basta lembrarmos das grotescas declara\u00e7\u00f5es na sess\u00e3o do Congresso que cassou o mandato de Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos esquecer que hoje a amea\u00e7a ao Estado de Direito n\u00e3o \u00e9 gestada dentro das FFAA como um golpe militar. Ela vai sendo configurada na perda dos direitos trabalhistas, na precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, na quebra da solidariedade oper\u00e1ria com a incrimina\u00e7\u00e3o dos sindicatos e dos movimentos sociais, como o MST, na destrui\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o, que fica, para grande parte da popula\u00e7\u00e3o, a cargo das redes sociais e de Igrejas que pouco ou nada tem a ver com o verdadeiro esp\u00edrito do cristianismo.<\/p>\n<p>Se outro golpe da extrema direita ir\u00e1 ou n\u00e3o ocorrer, depende da unidade democr\u00e1tica dos que a ele se op\u00f5em, frente bastante ampla, que hoje ainda abarca a maioria da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Momento \u2013 O atual presidente foi eleito numa disputa dur\u00edssima contra o que tem de pior na pol\u00edtica brasileira. Diante das alian\u00e7as do governo petista e do arcabou\u00e7o fiscal que est\u00e1 sendo discutido, corremos o risco do povo pobre descolar do apoio ao governo?<\/p>\n<p>Marly \u2013 Sempre corremos tal risco. O atual governo encontrou-se com um pa\u00eds destro\u00e7ado internamente e desmoralizado no exterior. Lula tem feito o poss\u00edvel para reverter a situa\u00e7\u00e3o, dif\u00edcil com o atual Congresso. A maioria \u00e9 do chamado centr\u00e3o, o velho \u201cp\u00e2ntano\u201d, termo cunhado pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (le marais). E n\u00e3o vamos esquecer que aquele p\u00e2ntano derrotou a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lula est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e lembro-me daquela conhecida frase: \u201cSe ficar o bicho come, se correr o bicho pega\u201d. Mas, n\u00e3o devemos esquecer que na pol\u00edtica, como na vida, ali\u00e1s \u2013 h\u00e1 muitas situa\u00e7\u00f5es inesperadas que podem mudar o cen\u00e1rio pol\u00edtico de uma hora para outra, numa dire\u00e7\u00e3o progressista. A pol\u00edtica no Brasil de hoje \u00e9 uma linha muito t\u00eanue por onde caminhar, sendo dif\u00edcil n\u00e3o fazer concess\u00f5es, mas evitando a todo custo que elas sejam de princ\u00edpio.<\/p>\n<p>Foram feitas muitas promessas aos \u201cde baixo\u201d, algumas dif\u00edceis de cumprir, a come\u00e7ar pelo aumento de 18 reais no sal\u00e1rio m\u00ednimo, que tenta ser compensado por bolsas fam\u00edlia e outros suplementos salariais. Para evitar um retrocesso \u00e9 preciso dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s camadas mais pobres, mais abandonadas e mais f\u00e1ceis de serem seduzidas por fal\u00e1cias, pelas falsas not\u00edcias e falsas promessas da extrema direita e dos falsos religiosos. N\u00e3o vamos esquecer a pequena diferen\u00e7a de votos que levou Lula ao governo e nem as campanhas da extrema direita pelas chamadas m\u00eddias. Ser\u00e1 \u2013 \u00e9 \u2013 uma luta dura para conquistar a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o para a democracia, mas \u00e9 uma luta imprescind\u00edvel e que estamos perdendo: como chegar a essas camadas enganadas? E para chegar a elas temos que entend\u00ea-las: seu mundo, seus anseios, seus preconceitos, o que as mobiliza para a luta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Momento \u2013 Nesse mesmo sentido da avalia\u00e7\u00e3o do governo atual, a n\u00e3o revoga\u00e7\u00e3o das contra-reformas (ensino m\u00e9dio, teto de gasto, trabalhista e previdenci\u00e1ria) seria um passo para o fracasso de Lula em segmentos populares?<\/p>\n<p>Marly \u2013 Sobre o teto de gastos n\u00e3o estou apta a falar. Mas a n\u00e3o revoga\u00e7\u00e3o da contrarreforma do ensino m\u00e9dio, da previd\u00eancia e, em especial a trabalhista, ser\u00e1, a meu ver, uma concess\u00e3o de princ\u00edpios, muito especialmente as da Educa\u00e7\u00e3o e a Trabalhista. Temos que focar especialmente nessas duas contrarreformas, para impedir a da Educa\u00e7\u00e3o e ver o que poder-se-\u00e1 revogar na trabalhista.<\/p>\n<p>Na Educa\u00e7\u00e3o pretende-se minimizar ainda mais o ensino fundamental e m\u00e9dio, j\u00e1 extremamente precarizados. E \u00e9 importante salientar que nada poder\u00e1 ser feito sem investir na forma\u00e7\u00e3o de professores e, fundamentalmente, em seus sal\u00e1rios, para que possam dedicar-se a uma s\u00f3 escola e ter tempo para estudar. Na situa\u00e7\u00e3o salarial de hoje isso \u00e9 imposs\u00edvel. N\u00e3o falo apenas da Educa\u00e7\u00e3o formal, erradamente secundarizada. Ouvi muito professor \u201cprogressista\u201d dizer que n\u00e3o se pode sobrecarregar a mem\u00f3ria da pobre crian\u00e7a com as capitais dos estados brasileiros ou com os afluentes do Amazonas. Entretanto, meu neto de tr\u00eas anos sabia o nome de todos os pokemons e de suas transforma\u00e7\u00f5es\u2026 Trata-se n\u00e3o de \u201ccriminalizar\u201d a memoriza\u00e7\u00e3o (memorizar ajuda bastante o desenvolvimento intelectual), mas de fazer a crian\u00e7a e\/ou o adolescente entender a import\u00e2ncia do que estuda. Memorizar as capitanias heredit\u00e1rias (das quais a juventude de hoje nunca ouviu falar) era o terror de meu curso prim\u00e1rio nos anos de 1940, mas porque n\u00e3o era ensinado que elas foram \u2013 s\u00e3o \u2013 a base da propriedade latifundi\u00e1ria da terra, de seu poder e das quest\u00f5es relacionadas \u00e0 reforma agr\u00e1ria que nos atormentam at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o para mim fundamental \u00e9 o ensino da l\u00edngua portuguesa. A l\u00edngua \u00e9 um dos importantes s\u00edmbolos da nacionalidade, de nossa cultura, de nossas ra\u00edzes, e cada vez mais \u00e9 deixada de lado como coisa sup\u00e9rflua. A mim horroriza ouvir locutores da r\u00e1dio e TV desrespeitando nossa l\u00edngua: o subjuntivo desapareceu, os tempos compostos mais ainda. Um ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o (se n\u00e3o me engano de Temer) desconheceu o emprego do verbo haver e, como muitos parlamentares e at\u00e9 membros do Judici\u00e1rio, o empregam no plural quando tem o sentido de existir. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 raro ouvir uma locutora informar: \u201cS\u00e3o uma hora\u201d\u2026 Esquecendo, o que reprovava no meu curso prim\u00e1rio, que uma \u00e9 singular. A l\u00edngua \u00e9 um patrim\u00f4nio nacional e a nossa \u00e9 bel\u00edssima quando bem falada. Costumo colocar na parede de minha sala na universidade a bela estrofe de Manuel Bandeira, que inicia a Gram\u00e1tica da L\u00edngua Portuguesa do saudoso professor Rocha Lima: \u201cN\u00e3o morrer\u00e1 sem poetas nem soldados, a l\u00edngua em que cantaste rudemente, as armas e os bar\u00f5es assinalados\u201d. Quantos jovens atualmente identificariam Cam\u00f5es nos \u00faltimos versos?<\/p>\n<p>T\u00e3o grave quanto o abastardar da l\u00edngua portuguesa \u00e9 o querer acabar (ou dar-lhes um m\u00ednimo de horas) com o ensino de mat\u00e9rias e estudam o social, em primeiro lugar a Hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m a Geografia, a Sociologia, a Filosofia, a Pol\u00edtica, a Literatura. Para as classes dominantes as mat\u00e9rias que fazem pensar, que geram questionamentos, que ensinam a realidade de nosso povo s\u00e3o extremamente perigosas. Na \u00e9poca da ditadura, um documento alertava: \u201cOs cursos de Hist\u00f3ria e de Ci\u00eancias Sociais s\u00e3o o ber\u00e7o da subvers\u00e3o\u201d. Este documento, que n\u00e3o tenho mais, foi reproduzido , depois de 1988, por um jornal alternativo do Rio Grande do Sul, se n\u00e3o estou enganada, Em Tempo. Lembro-me tamb\u00e9m da frase do grande Dom Helder C\u00e2mara: \u201cQuando dei comida aos pobres me chamaram de santo. Quando perguntei por que existe a pobreza, chamaram-me de comunista\u201d.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o principal \u00e9 a da reforma trabalhista. Para a extrema direita \u2013 e tamb\u00e9m para a direita e muitos setores ditos liberais, a grande luta foi \u2013 e \u00e9 \u2013 desde 1930, contra a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Todos os movimentos de direita tiveram como foco a luta contra os direitos da classe oper\u00e1ria e o primeiro decreto do golpe de 1964 foi o \u201carrocho salarial\u201d e a luta pelo desmantelamento dos sindicatos. Mas at\u00e9 para a ditadura foi dif\u00edcil acabar com os direitos trabalhistas, a n\u00e3o ser indiretamente, reprimindo brutalmente as lutas oper\u00e1rias, penalizando os l\u00edderes oper\u00e1rios e criminalizando os sindicatos. N\u00e3o lutar para revogar a contra-reforma trabalhista \u00e9 entregar a classe oper\u00e1ria totalmente \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 o sonho da direita, que esfacela a unidade da classe, j\u00e1 bastante esgar\u00e7ada com os violentos ataques aos sindicatos e aos seus direitos trabalhistas.<\/p>\n<p>O Momento \u2013 Na sua compreens\u00e3o, como historiadora e militante comunista, quais s\u00e3o os impasses que o Brasil passa nesse momento?<\/p>\n<p>Marly \u2013 Como vencer a extrema mis\u00e9ria, uma desigualdade jamais vista, m\u00e3es de todos os males. S\u00e3o elas que geram a viol\u00eancia, a falta de perspectiva que leva \u00e0s drogas e ao banditismo, que consideram os pobres \u201ccoisas\u201d que n\u00e3o merecem considera\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o disp\u00f5em de um bom ensino prim\u00e1rio, de sa\u00fade, de educa\u00e7\u00e3o, de justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 esta situa\u00e7\u00e3o, que deixa os subalternos sem esperan\u00e7a, sem perspectiva, que os leva a acreditar em salvadores (messias, mitos) ou em entidades celestiais. Isso \u00e9 recorrente em nossa hist\u00f3ria e, a meu ver, responde pelo misticismo, pelas cren\u00e7as sebastianistas, pela cren\u00e7a em santos e monges que vir\u00e3o para salvar o povo. \u00c9 muito f\u00e1cil taxar o povo de ignorante, mas j\u00e1 fizemos um exerc\u00edcio de pensar a desesperan\u00e7a? Uma situa\u00e7\u00e3o em que todos os poderes est\u00e3o voltados contra n\u00f3s? Na viol\u00eancia de um sal\u00e1rio m\u00ednimo? R$1320,00. Fa\u00e7am-se as contas. O sal\u00e1rio m\u00ednimo foi pensado para manter com dignidade uma fam\u00edlia de quatro pessoas: aluguel, \u00e1gua, luz, g\u00e1s, alimenta\u00e7\u00e3o, material escolar, vestu\u00e1rio, algum lazer. Para quatro pessoas: R$ 1320,00.<\/p>\n<p>As dificuldades para mudar tal situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o imensas. Resta-nos fazer um trabalho de formiguinha, de pequenas organiza\u00e7\u00f5es, de educa\u00e7\u00e3o elementar e pol\u00edtica. N\u00e3o tenho resposta, a n\u00e3o ser: continuar lutando e com isso, num processo, que seguramente ser\u00e1 lento, ir mudando as desigualdades, os privil\u00e9gios, o racismo, a mis\u00e9ria. Em todo caso, n\u00e3o cabe o des\u00e2nimo. Muitas vezes pequenas situa\u00e7\u00f5es podem gerar grandes mudan\u00e7as, devemos estar preparados para elas.<\/p>\n<p>Mudar tal situa\u00e7\u00e3o pode ser considerado o 13\u00ba trabalho de H\u00e9rcules, s\u00f3 que os semideuses n\u00e3o existem, muito menos os deuses, os \u00fanicos a quem os desvalidos de toda a esperan\u00e7a se apegam para continuar a sobreviver. Devemos mostrar que temos uma perspectiva para eles.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Fonte: <a href=\"https:\/\/omomento.org\/entrevista-do-momento-marly-vianna\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/omomento.org\/entrevista-do-momento-marly-vianna\/&amp;source=gmail&amp;ust=1691512395508000&amp;usg=AOvVaw0j5LrqzGnaFc_HaXOyu0_z\">https:\/\/omomento.org\/<wbr \/>entrevista-do-momento-marly-<wbr \/>vianna\/<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30708\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[66,10],"tags":[224],"class_list":["post-30708","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c79-nacional","category-s19-opiniao","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7Zi","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30708"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30708\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30710,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30708\/revisions\/30710"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}