{"id":30768,"date":"2023-08-20T19:52:04","date_gmt":"2023-08-20T22:52:04","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30768"},"modified":"2023-08-22T11:58:58","modified_gmt":"2023-08-22T14:58:58","slug":"o-hiv-sob-uma-otica-marxista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30768","title":{"rendered":"O HIV sob uma \u00f3tica marxista"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30769\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30768\/screenshot_20230819_192510_facebook\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Screenshot_20230819_192510_Facebook.jpg?fit=904%2C917&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"904,917\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Screenshot_20230819_192510_Facebook\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Screenshot_20230819_192510_Facebook.jpg?fit=747%2C758&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-30769\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Screenshot_20230819_192510_Facebook.jpg?resize=747%2C758&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"758\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Screenshot_20230819_192510_Facebook.jpg?resize=887%2C900&amp;ssl=1 887w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Screenshot_20230819_192510_Facebook.jpg?resize=296%2C300&amp;ssl=1 296w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Screenshot_20230819_192510_Facebook.jpg?resize=768%2C779&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Screenshot_20230819_192510_Facebook.jpg?w=904&amp;ssl=1 904w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Coletivo LGBT Comunista \u2013 RJ<\/p>\n<p>O m\u00eas de dezembro \u00e9 conhecido por ser o m\u00eas de preven\u00e7\u00e3o ao HIV\/AIDS. Muito da mem\u00f3ria do que foi a epidemia nos anos 80 e 90 se perdeu para as gera\u00e7\u00f5es mais novas, em parte por conta dos avan\u00e7os obtidos atrav\u00e9s da luta da sociedade civil j\u00e1 no final do mil\u00eanio, em parte pelo avan\u00e7o dos rem\u00e9dios e do tratamento, mas tamb\u00e9m por n\u00e3o se falar do v\u00edrus que ainda agrava a marginaliza\u00e7\u00e3o de diversas pessoas e grupos sociais. N\u00f3s, enquanto comunistas, temos o dever de nos debru\u00e7ar sobre este tema, principalmente a partir de tr\u00eas grandes eixos:<\/p>\n<p>Grande parte dos males do HIV s\u00e3o causados pelo estigma socialmente constru\u00eddo. A quest\u00e3o do HIV\/AIDS deve ser tratada de um ponto de vista interseccional entre classe, g\u00eanero, ra\u00e7a e sexualidade. O neoliberalismo agrava e muito a epidemia.<\/p>\n<p>Primeiramente, \u00e9 necess\u00e1rio considerar como se construiu a vis\u00e3o sobre quem porta o HIV. Enquanto uma infec\u00e7\u00e3o sexualmente transmiss\u00edvel (IST), o HIV surgiu em uma \u00e9poca onde estouravam movimentos por maior liberdade sexual que desafiavam algumas no\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia que se constru\u00edram na sociedade capitalista ocidental ao longo da modernidade. Assim, como disse Cazuza\u201d, \u201ca AIDS caiu como uma luva para ser o modelinho perfeito da direita e da Igreja\u201d, e foi logo associada \u00e0 promiscuidade; mais do que isso, a doen\u00e7a foi utilizada como uma ferramenta de controle social atrav\u00e9s do medo, buscando diminuir comportamentos tidos como \u201cdesviantes\u201d ou \u201cimorais\u201d, justamente aqueles de popula\u00e7\u00f5es j\u00e1 marginalizadas. Em certo ponto, as\/os pacientes da AIDS eram separadas discursivamente entre as merecedoras (pessoas LGBT) e as v\u00edtimas (crian\u00e7as e hemof\u00edlicos, principalmente).<\/p>\n<p>Vale lembrar que o HIV nunca foi um v\u00edrus associado apenas a pessoas LGBT. Um dos grupos que mais o contra\u00edram, por exemplo, foi o de mulheres heterossexuais religiosas casadas. Mas a\u00ed que entra a constru\u00e7\u00e3o do estigma, que n\u00e3o vem da condi\u00e7\u00e3o em si, mas \u00e9 imposta para as pessoas que tenham tal condi\u00e7\u00e3o. E nisso \u00e9 ineg\u00e1vel que o estigma, enquanto ferramenta discursiva, surge como forma de potencializar os diversos mecanismos de exclus\u00e3o da sociedade capitalista, como o racismo, misoginia, LGBTfobia, etc., mecanismos sem os quais o capitalismo n\u00e3o se sustenta.<\/p>\n<p>A dial\u00e9tica desta quest\u00e3o leva a compreender o movimento de vai e vem das for\u00e7as sociais. Assim, enquanto o HIV potencializou a exclus\u00e3o das pessoas LGBT, tamb\u00e9m refor\u00e7ou a centralidade dos homens gays (brancos) dentro do movimento justamente por eles estarem mais bem posicionados na sociedade patriarcal e racista. Da\u00ed, isso gerou tamb\u00e9m a midiatiza\u00e7\u00e3o da epidemia como \u201cdoen\u00e7a gay\u201d, inclusive apagando os diversos movimentos de pessoas trans, l\u00e9sbicas e bissexuais para combater a AIDS, como as casas de acolhimento.<\/p>\n<p>Esse movimento de apagamento, dentro de uma sociedade em que j\u00e1 relega as mulheres para uma posi\u00e7\u00e3o subalterna, atrasou as pesquisas dos efeitos da AIDS em corpos femininos (cis e trans) em mais de uma d\u00e9cada \u2013 uma das reivindica\u00e7\u00f5es de mulheres portadoras, por exemplo, era que as pesquisas determinassem se o v\u00edrus era transmiss\u00edvel pela amamenta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel compreender a epidemia sem compreender as rela\u00e7\u00f5es de tens\u00e3o estabelecidas em todos estes diversos movimentos e como eles se relacionam no contexto mais abrangente da luta de classes.<\/p>\n<p>Outros exemplos desta profunda intersec\u00e7\u00e3o s\u00e3o os efeitos da perda de emprego, ainda comum para quem se descobre portador, ou mesmo o \u00edndice de desenvolvimento do HIV em AIDS ter aumentado para pessoas negras e pardas e diminu\u00eddo para pessoas brancas. Mesmo nas ONGs \u00e9 poss\u00edvel perceber como a classe social, por exemplo, \u00e9 um dos principais fatores de atua\u00e7\u00e3o da milit\u00e2ncia, uma vez que pessoas mais pobres n\u00e3o ter\u00e3o tempo de fazer as diversas tarefas por conta do ac\u00famulo de empregos. O impacto do HIV depende do lugar social que o portador ou a portadora ocupa, especialmente em um ambiente onde o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 escasso.<\/p>\n<p>Todos estes efeitos, terr\u00edveis por si s\u00f3, s\u00e3o agravados pelo neoliberalismo, de duas formas diferentes. Primeiramente, por conta do individualismo extremo que \u00e9 vendido, uma no\u00e7\u00e3o de \u201ceu\u201d que leva invariavelmente \u00e0 solid\u00e3o para pessoas que sofrem com o estigma social. Enquanto portadoras, se sentem sozinhas. Pelo contr\u00e1rio, diversos relatos apontam que s\u00f3 passaram a ressignifica\u00e7\u00e3o a sua condi\u00e7\u00e3o de forma coletiva, de forma coletivamente humana, via organiza\u00e7\u00e3o social, via troca de experi\u00eancias, via a luta pol\u00edtica pela sociedade civil.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o que n\u00f3s, comunistas, conhecemos bem, e sabemos que nossa for\u00e7a reside justamente no coletivo que abriga uma ampla diversidade de formas de estar no mundo diferentes \u2013 vale lembrar que mesmo o chamado \u201ccoletivo\u201d neoliberal, as \u201ctribos\u201d, n\u00e3o passam de agrupamentos pela semelhan\u00e7a, perdendo de vista a principal caracter\u00edstica coletiva: a possibilidade de encontrar converg\u00eancias atrav\u00e9s da diferen\u00e7a, de construir la\u00e7os de camaradagem com pessoas diferentes de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos efeitos ps\u00edquicos, o neoliberalismo tamb\u00e9m aumenta a desigualdade social, e prega a austeridade que leva \u00e0 falta de tratamento, de campanhas de preven\u00e7\u00e3o, de qualquer financiamento para se combater de forma real a AIDS. Por isso dizemos que:<\/p>\n<p>N\u00c3O \u00c9 POSS\u00cdVEL FALAR DE PREVEN\u00c7\u00c3O AO HIV SEM FALAR DE FIM DO TETO DE GASTOS!<\/p>\n<p>N\u00c3O \u00c9 POSS\u00cdVEL FALAR DE PREVEN\u00c7\u00c3O AO HIV SEM DEFENDER O SUS!<\/p>\n<p>Uma das primeiras medidas de Lu\u00eds Mandetta ao assumir o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade foi apagar da plataforma todas as informa\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 AIDS, embora depois ele tenha se vendido falsamente como um t\u00e9cnico \u201cpr\u00f3-ci\u00eancia\u201d posteriormente. O governo Bolsonaro praticamente zerou todos os investimentos \u00e0 preven\u00e7\u00e3o do HIV nos quatro anos que ele durou, e j\u00e1 faltam rem\u00e9dios para diversos pacientes que s\u00e3o apenas portadores, rem\u00e9dios estes que impedem o desenvolvimento da AIDS. O atual governo de Lula e Alckmin, at\u00e9 o momento, n\u00e3o disse uma s\u00f3 palavra sobre reverter este quadro.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental que n\u00f3s transformemos a quest\u00e3o do HIV em uma quest\u00e3o de sa\u00fade, e nesse sentido esta pauta tamb\u00e9m \u00e9 uma pauta que permite avan\u00e7os em todas lutas pelo direito \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica. \u00c9 necess\u00e1rio que fa\u00e7amos a informa\u00e7\u00e3o chegar de forma cada vez mais capilar. \u00c9 importante que defendamos a ci\u00eancia, uma vez que momentos de maior fragilidade ao tecido social permitem o fortalecimento de discursos anticient\u00edficos e reacion\u00e1rios que j\u00e1 est\u00e3o na surdina o tempo todo. Como uma epidemia que j\u00e1 dura d\u00e9cadas, \u00e9 fundamental que ao menos n\u00f3s, comunistas, politizemos esta quest\u00e3o, trazendo a mem\u00f3ria do que foram as d\u00e9cadas anteriores e de como todo avan\u00e7o ocorreu por muita organiza\u00e7\u00e3o social. E que n\u00f3s lembremos que enquanto durar o capitalismo, nenhum destes avan\u00e7os \u00e9 garantido.<\/p>\n<div dir=\"auto\">Fonte:<\/div>\n<div dir=\"auto\"><a href=\"https:\/\/lgbtcomunista.org\/2023\/08\/17\/o-hiv-sob-uma-otica-marxista\/?fbclid=IwAR3ZpKP27zREjhOv8f5QM0s4KIStVWa9GPe1wqE69ztpqeQOdCSes4nOtcQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/lgbtcomunista.org\/2023\/08\/17\/o-hiv-sob-uma-otica-marxista\/?fbclid%3DIwAR3ZpKP27zREjhOv8f5QM0s4KIStVWa9GPe1wqE69ztpqeQOdCSes4nOtcQ&amp;source=gmail&amp;ust=1692657253662000&amp;usg=AOvVaw3jXrUpvWwS2cd-V1R87mBu\">https:\/\/lgbtcomunista.org\/<wbr \/>2023\/08\/17\/o-hiv-sob-uma-<wbr \/>otica-marxista\/?fbclid=<wbr \/>IwAR3ZpKP27zREjhOv8f5QM0s4KISt<wbr \/>VWa9GPe1wqE69ztpqeQOdCSes4nOtc<wbr \/>Q<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30768\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[182,33,10,104,197],"tags":[227],"class_list":["post-30768","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lgbt","category-c34-marxismo","category-s19-opiniao","category-c117-outras-opinioes","category-saude","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-80g","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30768","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30768"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30768\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30770,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30768\/revisions\/30770"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}