{"id":30879,"date":"2023-09-22T12:03:31","date_gmt":"2023-09-22T15:03:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30879"},"modified":"2023-09-22T12:03:31","modified_gmt":"2023-09-22T15:03:31","slug":"as-jornadas-de-junho-dez-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30879","title":{"rendered":"As jornadas de junho, dez anos depois"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30880\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30879\/19052023-pzb_7880_1\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/19052023-pzb_7880_1.jpg?fit=1170%2C700&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1170,700\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Fabio Rodrigues-Pozzebom\/ Ag\\u00eancia Brasil&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Bras\\u00edlia (DF) - Protestos de Junho de 2013, dez anos depois. Manifesta\\u00e7\\u00f5es em Bras\\u00edlia (DF). - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom\/Ag\\u00eancia Brasil&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;Ag\\u00eancia Brasil\/EBC&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"19052023-pzb_7880_1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Bras\u00edlia (DF) &amp;#8211; Protestos de Junho de 2013, dez anos depois. 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Manifesta\u00e7\u00f5es em Bras\u00edlia (DF). &#8211; Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p><strong>A esfinge de 2013 e as perspectivas da luta social no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Edmilson Costa &#8211; Secret\u00e1rio Geral do PCB.<\/p>\n<p>Os acontecimentos de junho de 2013 continuam sendo um fen\u00f4meno paradigm\u00e1tico na sociedade brasileira e tanto os estudiosos, analistas pol\u00edticos em geral quanto as for\u00e7as de esquerda em particular at\u00e9 agora n\u00e3o encontraram um denominador comum para explicar a emerg\u00eancia das manifesta\u00e7\u00f5es populares e o desfecho dram\u00e1tico desse processo alguns anos depois. Como todas as revoltas espont\u00e2neas, muitas vezes emergem por motivos aparentemente simpl\u00f3rios, muito embora os elementos factuais sejam apenas a fagulha que veio detonar o processo de queima da pradaria. Geralmente, essas rebeli\u00f5es populares liberam uma enorme intensidade de energia que se desdobra no curso da conjuntura da luta de classes e cujo desfecho tanto pode ser canalizado pelas for\u00e7as progressistas ou revolucion\u00e1rias quanto pela direita.<\/p>\n<p>A primeira constata\u00e7\u00e3o que podemos fazer \u00e9 o fato de que as grandes manifesta\u00e7\u00f5es, que envolveram cerca de 600 cidades no Brasil e milh\u00f5es de manifestantes, representaram uma enorme surpresa para todas as for\u00e7as pol\u00edticas do Pa\u00eds. A segunda constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de que foi um movimento que emergiu com elevado car\u00e1ter de espontaneidade, sem que nenhuma for\u00e7a pol\u00edtica pudesse reivindicar sua constru\u00e7\u00e3o ou dire\u00e7\u00e3o. Terceiro, as pautas oriundas das manifesta\u00e7\u00f5es visavam claramente a melhoria dos servi\u00e7os p\u00fablicos e das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o, especialmente a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica. Quarto, os protestos condensavam um processo de insatisfa\u00e7\u00e3o que vinha se gestando h\u00e1 bastante tempo contra o sistema econ\u00f4mico e pol\u00edtico brasileiro. Quinto, o desfecho desse movimento, alguns anos depois, que resultou no fortalecimento da extrema-direita, no golpe e na elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro, n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com o \u00edmpeto inicial das manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como elemento mais de fundo n\u00e3o podemos esquecer que as manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013 ocorreram em meio a tr\u00eas fen\u00f4menos b\u00e1sicos: a) ap\u00f3s a crise sist\u00eamica global de 2008, que abalou todas as estruturas do sistema de domina\u00e7\u00e3o capitalista e que at\u00e9 hoje os gestores do capital n\u00e3o encontraram uma f\u00f3rmula para retomar o crescimento econ\u00f4mico e a estabilidade da conjuntura anterior; b) as manifesta\u00e7\u00f5es ocorreram ao final de um longo ciclo de luta sociais a partir de 1978, processo dirigido fundamentalmente pelo Partido dos Trabalhadores (PT), e cujo desfecho ocorreu com o impeachment da presidente Dilma Rousseff; c) o transformismo do PT, de um partido combativo, que liderou grandes jornadas de luta dos trabalhadores e que aos poucos foi se amoldando \u00e0 ordem at\u00e9 se transformar em partido da ordem mediante a busca da institucionaliza\u00e7\u00e3o da luta de classes, coopta\u00e7\u00e3o dos movimentos populares e sociais, apassivamento e despolitiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em geral, especialmente da juventude.<\/p>\n<p><strong>O quadro anterior a 2013<\/strong><\/p>\n<p>S\u00f3 poderemos compreender 2013 se verificarmos qual era o quadro da conjuntura nesse per\u00edodo, de forma a que possamos avaliar a origem, o desenvolvimento e o desfecho dessa extraordin\u00e1ria jornada de lutas. Qual era exatamente a conjuntura do per\u00edodo das jornadas de junho? Para o governo e sua poderosa m\u00e1quina de propaganda o Pa\u00eds vivia uma esp\u00e9cie de conto de fadas com a elei\u00e7\u00e3o de Lula. O Bolsa Fam\u00edlia, programa de distribui\u00e7\u00e3o direta de recursos para os mais pobres, retirara 40 milh\u00f5es da pobreza absoluta e se mantinha como exemplo internacional de pol\u00edtica social; outros tantos milh\u00f5es, dizia-se, eram incorporados \u00e0s camadas m\u00e9dias, resultado do crescimento econ\u00f4mico e do aumento extraordin\u00e1rio do emprego; o sal\u00e1rio m\u00ednimo vinha obtendo ganhos crescentes, acima da infla\u00e7\u00e3o, pela primeira vez em muitos anos; al\u00e9m do fato de que o Brasil se destacava no cen\u00e1rio internacional, livrando o Pa\u00eds das garras do Fundo Monet\u00e1rio Internacional e se posicionando como um player global ao participar dos BRICs.<\/p>\n<p>Como se poderiam explicar as manifesta\u00e7\u00f5es daquela ordem e com tamanha radicaliza\u00e7\u00e3o no momento em que o Pa\u00eds estava em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o excepcionais? Isso s\u00f3 pode ser explicado se verificarmos que essa conjuntura otimista representava apenas a apar\u00eancia da realidade. As v\u00e1rias d\u00e9cadas de pol\u00edticas neoliberais, n\u00e3o revogadas pelo governo petista, (que continuou mantendo o trip\u00e9 macroecon\u00f4mico dessa pol\u00edtica) representaram uma ofensiva brutal contra os direitos, sal\u00e1rios e garantias sociais dos trabalhadores, redu\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia e apropria\u00e7\u00e3o cada vez maior de parcelas do fundo p\u00fablico, cujo resultado se refletiu de maneira dram\u00e1tica na piora das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>Essas d\u00e9cadas neoliberais deterioraram praticamente todos os servi\u00e7os p\u00fablicos, que j\u00e1 possu\u00edam elevado grau de precariedade. Por exemplo, a mobilidade urbana nas grandes metr\u00f3poles, representada especialmente pelos transportes coletivos superlotados (\u00f4nibus, trens e metr\u00f4s) se transformou num caos cotidiano com os trabalhadores levando cerca de tr\u00eas\/quatro horas para ir e voltar do trabalho; a sa\u00fade p\u00fablica, cada vez mais privatizada por dentro do SUS, se tornou ainda mais prec\u00e1ria, com filas intermin\u00e1veis e pacientes postos em macas no ch\u00e3o nos hospitais p\u00fablicos; a educa\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o da falta de verbas, relegara aos filhos dos trabalhadores um ensino cada vez mais de baixa qualidade, cuja repercuss\u00e3o se expressava no mercado de trabalho; a falta de moradia, que levou vastos contingentes da popula\u00e7\u00e3o a viver em favelas e habita\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias nas periferias das grandes cidades; e a viol\u00eancia policial exercida diariamente contra a juventude pobre e preta das periferias.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o grande capital nacional e internacional e o agroneg\u00f3cio nadavam em dinheiro e obtinham lucros cada vez maiores, fato que era enfatizado pelo pr\u00f3prio presidente, que \u00e0s vezes se queixava em rela\u00e7\u00e3o ao fato de que esses setores o criticavam mesmo ganhando tanto. As pol\u00edticas governamentais fortaleciam, atrav\u00e9s do BNDEs, processos de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es de grandes grupos econ\u00f4micos a juros reais pr\u00f3ximos a zero, buscando construir as chamadas \u201ccampe\u00e3s nacionais\u201d; os banqueiros nunca ganharam tanto dinheiro com as taxas de juros elevadas e a cobran\u00e7a de tarifas de seus clientes; al\u00e9m disso, o agroneg\u00f3cio se transformou na menina dos olhos do governo, mediante tamb\u00e9m vasto financiamento governamental, mesmo sem produzir preferencialmente para o mercado interno, enquanto a reforma agr\u00e1ria era esquecida e l\u00edderes camponeses, religiosos e ind\u00edgenas assassinados. Al\u00e9m disso, as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o corro\u00edam a administra\u00e7\u00e3o governamental.<\/p>\n<p>Ainda dentro dessa aparente realidade paralela, \u00e9 fundamental constatar que os milh\u00f5es de empregos criados pelo governo Lula n\u00e3o poderiam ser caracterizados como bons empregos, em fun\u00e7\u00e3o dos baixos sal\u00e1rios. Estudos realizados por Pochmann revelam o seguinte: \u201cDo total l\u00edquido de 21 milh\u00f5es de postos de trabalho criados na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, 94,8% foram (contratados, EC) com rendimentos de at\u00e9 um 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal.\u201d Um sal\u00e1rio m\u00ednimo e meio para quem vive nas grandes metr\u00f3poles do Pa\u00eds pode ser considerado um sal\u00e1rio muito baixo, uma vez que um trabalhador com essa remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigado a levar uma vida prec\u00e1ria. Ou seja, na vitrine mais expressiva exposta pelo governo petista, a realidade era muito diferente da fantasia vendida pelo governo.<\/p>\n<p>Em outras palavras, enquanto o governo difundia um mundo cor de rosa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conjuntura brasileira, a realidade sentida na pr\u00e1tica pela grande maioria da popula\u00e7\u00e3o, especialmente pela juventude estudantil e trabalhadora, era outra muito diferente. Ora, num ambiente de caos da mobilidade urbana, na indignidade da sa\u00fade p\u00fablica, na falta de moradia e nos baixos sal\u00e1rios, apesar do aumento do emprego, e na viol\u00eancia cotidiana contra a juventude preta e pobre das periferias, a explos\u00e3o de indigna\u00e7\u00e3o desse caldeir\u00e3o social escandalosamente desigual mais dia menos dia iria se manifestar com a radicalidade pr\u00f3pria dos explorados e oprimidos, afinal as classes dominantes ainda n\u00e3o conseguiram nenhuma receita para abolir a luta de classes.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que todas as for\u00e7as sociais e pol\u00edticas brasileiras foram pegas de surpresa pelas manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013. Mas alguns sinais de insatisfa\u00e7\u00e3o j\u00e1 eram emitidos pela popula\u00e7\u00e3o e mesmo pelos trabalhadores. Quando o governo anunciou que o Brasil iria sediar a Copa do Mundo em 2014 e que seriam constru\u00eddos 12 est\u00e1dios suntuosos em v\u00e1rios Estados, com gastos de bilh\u00f5es de reais, come\u00e7ou um movimento de protesto, especialmente nos Estados que sediariam a Copa. Mesmo considerado o pa\u00eds do futebol, os manifestantes realizaram v\u00e1rios protestos de ruas sob o argumento de que, se o governo tinha dinheiro para construir grandes est\u00e1dios, porque negava verbas para a melhoria dos servi\u00e7os p\u00fablicos?<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos protestos contra a Copa do Mundo, os movimentos sociais tamb\u00e9m intensificavam a luta pela moradia, ocupando pr\u00e9dios e terrenos para constru\u00e7\u00e3o de casas populares. Um dos epis\u00f3dios marcantes da luta pela moradia foi o epis\u00f3dio conhecido como \u201cmassacre de Pinheirinho\u201d, quando dois mil soldados da Pol\u00edcia Militar, auxiliados pela Guarda Municipal de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, invadiram a ocupa\u00e7\u00e3o e, com enorme trucul\u00eancia, desalojaram 1.800 fam\u00edlias que viviam pacificamente no local h\u00e1 mais de oito anos. Esse epis\u00f3dio ganhou repercuss\u00e3o nacional e internacional em fun\u00e7\u00e3o da brutalidade com que as for\u00e7as da repress\u00e3o atuaram contra a popula\u00e7\u00e3o que vivia naquele bairro. No Norte do Pa\u00eds os trabalhadores dos canteiros de obras da usina hidrel\u00e9trica de Jirau, Santo Ant\u00f4nio e Belo Monte se levantaram, quebraram as instala\u00e7\u00f5es e queimaram \u00f4nibus protestando contra as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Mesmo entre os trabalhadores com carteira assinada, desenvolvia-se tamb\u00e9m um aumento acentuado do movimento grevista. Por exemplo, em 2003, quando Lula assumiu, ocorreram 340 greves, com 15.805 horas paradas. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos antes de 2013, as greves aumentaram de maneira acentuada. Em 2010 ocorreram 446 greves, com 44.910 horas paradas; em 2011, 554 greves, com 63.331 horas paradas; e em 2012 ocorreu um aumento acentuado: 873 greves (300 delas no setor industrial), com 86.858 horas paradas. Vale ressaltar que essas greves envolviam categorias de peso como metal\u00fargicos, banc\u00e1rios, professores, funcion\u00e1rios p\u00fablicos (tabela 1). Ou seja, sinais n\u00e3o faltaram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<div dir=\"auto\"><span style=\"font-size: large;\">Tabela &#8211; Balan\u00e7o das greves e horas paradas (2003-2012)<\/span><\/div>\n<div dir=\"auto\"><span style=\"font-size: large;\">Ano\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00famero de greves\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Horas paradas<\/span><\/div>\n<div dir=\"auto\"><span style=\"font-size: large;\">2003\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 340\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 15.805<\/span><\/div>\n<div dir=\"auto\"><span style=\"font-size: large;\">2004\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 302\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 23.851<\/span><\/div>\n<div dir=\"auto\"><span style=\"font-size: large;\">2005\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 299\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 19.738<\/span><\/div>\n<div dir=\"auto\"><span style=\"font-size: large;\">2006\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 320\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 24.703<\/span><\/div>\n<div dir=\"auto\"><span style=\"font-size: large;\">2007\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 316\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 30.632<\/span><\/div>\n<div dir=\"auto\"><span style=\"font-size: large;\">2008\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 411\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 24.681<\/span><\/div>\n<div dir=\"auto\"><span style=\"font-size: large;\">2009\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 518\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 34.730<\/span><\/div>\n<div dir=\"auto\"><span style=\"font-size: large;\">2010\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 446\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 44.910<\/span><\/div>\n<div dir=\"auto\"><span style=\"font-size: large;\">2011\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 554\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 63.331<\/span><\/div>\n<div dir=\"auto\"><span style=\"font-size: large;\">2012\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 873\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<wbr \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 86.858<\/span><\/div>\n<div dir=\"auto\"><span style=\"font-size: large;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Fonte: Dieese. Balan\u00e7o das greves.<\/span><\/div>\n<p><strong>As consequ\u00eancias do transformismo do PT<\/strong><\/p>\n<p>Do ponto de vista pol\u00edtico h\u00e1 um aspecto muito relevante para ser analisado. As manifesta\u00e7\u00f5es surpreenderam a todos, especialmente ao PT, que at\u00e9 ent\u00e3o se imaginava o propriet\u00e1rio das lutas sociais pelo seu passado, mas naquele momento j\u00e1 n\u00e3o possu\u00eda mais nem a lideran\u00e7a nem a disposi\u00e7\u00e3o para a luta porque foi se amoldando \u00e0 ordem num processo cont\u00ednuo que levou essa organiza\u00e7\u00e3o a desfigurar-se completamente e contribuir para o apassivamento e despolitiza\u00e7\u00e3o de vastas parcelas dos lutadores sociais que emergiram no final dos 70 e in\u00edcio dos anos 80, bem como daqueles que se incorporaram ao partido nos anos posteriores. Rever essa trajet\u00f3ria pode contribuir para aclarar muitas das quest\u00f5es sobre as manifesta\u00e7\u00f5es de 2013 e porque aquele movimento n\u00e3o se transformou num poderoso instrumento para mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre a esquerda e as classes dominantes no Brasil.<\/p>\n<p>O processo de transformismo do PT tem sua origem na pr\u00f3pria trajet\u00f3ria do partido. Formado por lideran\u00e7as oper\u00e1rias emergentes no processo de ascens\u00e3o das lutas grevistas no final dos anos 70 e in\u00edcio dos anos 80, esses l\u00edderes nunca buscaram a forma\u00e7\u00e3o na ideologia do proletariado e Lula costumava dizer que nunca tinha lido um livro inteiro. Enquanto o movimento social estava em ascens\u00e3o, o PT parecia realmente um instrumento de defesa dos trabalhadores, mas com o refluxo das lutas sociais, buscaram outras formas de atuar na conjuntura, privilegiando a luta institucional, particularmente as elei\u00e7\u00f5es. \u00c0 medida em que foi galgando cargos nas administra\u00e7\u00f5es municipais e estaduais e no Parlamento, foi se adaptando \u00e0 ordem e \u00e0s formas de vida nos gabinetes institucionais e na burocracia sindical e adaptando o discurso pol\u00edtico visando aumentar de qualquer forma sua influ\u00eancia institucional.<\/p>\n<p>Dessa maneira, passaram a reproduzir na a\u00e7\u00e3o institucional os mesmos v\u00edcios das classes dominantes, buscando construir uma m\u00e1quina eleitoral para se contrapor aos partidos tradicionais. Nessa marcha, valia tudo para alcan\u00e7ar o poder, mesmo que se envolvesse com a corrup\u00e7\u00e3o para comprar partidos e parlamentares conservadores para garantir a governabilidade. Isso se tornou norma geral com a elei\u00e7\u00e3o do presidente Lula \u00e0 presidente da Rep\u00fablica e, posteriormente, com o esc\u00e2ndalo do mensal\u00e3o. Imaginavam-se espertos o suficiente para tramar com a direita na lama e sair limpo desse processo. Foi um erro grave, pois ao longo da hist\u00f3ria a esquerda sempre construiu uma aura de honestidade, reconhecida pelos pr\u00f3prios inimigos. Mas essa crise roubou da esquerda em geral, e n\u00e3o somente do PT, um patrim\u00f4nio de retid\u00e3o \u00e9tico constru\u00eddo h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas. Em outras palavras, o transformismo do PT passou a se expressar no abandono de suas bandeiras hist\u00f3ricas iniciais, na troca do trabalho militante pelo dinheiro f\u00e1cil das grandes empresas, pelo marketing eleitoral e as alian\u00e7as com a burguesia.<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, o PT no poder procurou ainda institucionalizar a luta de classes e buscar a paz social para n\u00e3o assustar seus novos aliados burgueses. Desenvolveu um processo de coopta\u00e7\u00e3o, apassivamento e despolitiza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais e populares e de vastos setores da juventude e suas entidades, buscando como eixo estrat\u00e9gico de sua pol\u00edtica transferir as manifesta\u00e7\u00f5es populares nas ruas e as greves nos locais de trabalho para as estruturas institucionais. Renderam-se \u00e0 boa vida e aos encantos da burguesia, desligaram-se das bases e, por isso mesmo, quando as massas se levantaram em 2013 j\u00e1 n\u00e3o reconheciam o PT como sua lideran\u00e7a e nem o PT tinha legitimidade para liderar qualquer levante social.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, o longo per\u00edodo de apassivamento e despolitiza\u00e7\u00e3o cobrou um pre\u00e7o alto n\u00e3o s\u00f3 para o pr\u00f3prio PT mas tamb\u00e9m para toda a esquerda. A prova disso \u00e9 que a direita e seus meios de comunica\u00e7\u00e3o se aproveitaram habilmente dessa insatisfa\u00e7\u00e3o contra o governo e passaram a estimular os manifestantes a condenar as bandeiras vermelhas e os partidos pol\u00edticos em geral nas manifesta\u00e7\u00f5es como se todos fossem farinha do mesmo saco. Em outros termos, o PT teve grande responsabilidade no processo de hostiliza\u00e7\u00e3o dos manifestantes aos partidos pol\u00edticos e \u00e0s bandeiras vermelhas durante as jornadas de junho, pois se n\u00e3o existisse base real para a insatisfa\u00e7\u00e3o popular a direita n\u00e3o teria tido for\u00e7a para disputar as ruas com a esquerda, que ao longo da hist\u00f3ria sempre tiveram as ruas como um dos seus locais preferidos para exercer o direito de manifestar seus protestos.<\/p>\n<p><strong>As jornadas de junho<\/strong><\/p>\n<p>Foi nessa conjuntura que governos em v\u00e1rios Estados anunciaram o aumento de R$ 0,20 centavos nas passagens dos transportes p\u00fablicos. Em tempos normais um aumento dessa ordem passaria quase despercebido pela popula\u00e7\u00e3o, mas em conjunturas como a do Brasil daquela \u00e9poca provocaram fen\u00f4menos sociais pouco esperados pela maioria das pessoas. Os vinte centavos na verdade foram apenas a fagulha que incendiou uma pradaria j\u00e1 cheia de indigna\u00e7\u00e3o contra as prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o. Poderia ter sido qualquer outro motivo, afinal as revoltas espont\u00e2neas emergem sem pedir licen\u00e7a para ningu\u00e9m e representam a insatisfa\u00e7\u00e3o popular acumulada ao longo de um extenso per\u00edodo da vida de um Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Como nenhuma for\u00e7a pol\u00edtica tinha papel ativo na prepara\u00e7\u00e3o desse levante social, as massas se manifestaram da maneira que puderam, com seus m\u00e9todos improvisados, suas contradi\u00e7\u00f5es, suas formas e bandeiras de luta. Como todas as lutas espont\u00e2neas, resultantes da indigna\u00e7\u00e3o popular, ningu\u00e9m tem o direito de cobrar daqueles milh\u00f5es de manifestantes a\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s realizadas pela esquerda organizada e muito menos imaginar que aqueles manifestantes serviram de massa de manobra para os fascistas. Lutas sociais, levantes populares espont\u00e2neos ocorrem em fun\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es objetivas gestadas no interior da sociedade e o curso dessas lutas e o seu desfecho \u00e9 disputado tanto pela esquerda quanto pela direita.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es de junho (especialmente em S\u00e3o Paulo) seguiram o padr\u00e3o hist\u00f3rico das revoltas populares. As manifesta\u00e7\u00f5es iniciais, realizadas no dia seis de junho, chamadas pelo Movimento Passe Livre, de S\u00e3o Paulo, reuniram apenas cinco mil manifestantes, com forte presen\u00e7a da juventude e de for\u00e7as de esquerda. A segunda manifesta\u00e7\u00e3o, dois dias depois, reuniu o mesmo n\u00famero de militantes com a mesma composi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. J\u00e1 na terceira manifesta\u00e7\u00e3o, dia 11 de junho, o n\u00famero de manifestantes saltou para 12 mil. Houve repress\u00e3o e cerca de 20 manifestantes foram presos. A manifesta\u00e7\u00e3o seguinte, dia 13, reuniu 20 mil manifestantes, e o governo resolveu acabar com o movimento autorizando uma repress\u00e3o brutal, com milhares policiais, carros blindados, tropa de choque, balas de borracha, bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo e a pris\u00e3o de cerca de 230 manifestantes.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que o governo imaginava, a repress\u00e3o gerou uma grande indigna\u00e7\u00e3o na sociedade e os meios de comunica\u00e7\u00e3o passaram a divulgar a manifesta\u00e7\u00e3o e condenar a repress\u00e3o, mesmo porque muitos jornalistas foram atingidos pela pol\u00edcia. Diante da repercuss\u00e3o negativa, o governo resolveu recuar e permitir uma nova manifesta\u00e7\u00e3o, realizada em 17 de junho. Essa manifesta\u00e7\u00e3o reuniu mais de 250 mil pessoas em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro um milh\u00e3o de manifestantes ocuparam v\u00e1rias ruas da cidade, assim como em cerca de 600 cidades de v\u00e1rias regi\u00f5es do Pa\u00eds, transformando-se num gigantesco movimento de car\u00e1ter nacional envolvendo muitos milh\u00f5es de pessoas e assustando as classes dominantes.<\/p>\n<p>Dois dias depois, os governos estaduais e municipais, diante da incapacidade de derrotar o movimento, resolveram ceder e cancelar o aumento dos transportes. Mas a partir da\u00ed as manifesta\u00e7\u00f5es j\u00e1 tinham ganhado outro car\u00e1ter, com a incorpora\u00e7\u00e3o de pautas nacionais, com palavras de ordem como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o padr\u00e3o Fifa, protestos contra a corrup\u00e7\u00e3o, contra os gastos da Copa do Mundo e uma infinidade de temas que estavam represados e que emergiram nos protestos como sempre acontece no curso desse tipo de manifesta\u00e7\u00e3o. Ou seja, aquelas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es com pouca gente serviram de elemento catalisador de uma enorme insatisfa\u00e7\u00e3o popular que vinha ardendo no interior da sociedade e que explodiu em junho.<\/p>\n<p>\u00c9 importante verificarmos a composi\u00e7\u00e3o social dos manifestantes. No in\u00edcio, as manifesta\u00e7\u00f5es eram compostas por jovens das camadas m\u00e9dias urbanas, mas essa composi\u00e7\u00e3o social foi mudando substancialmente \u00e0 medida em que aumentavam os protestos. Quando as manifesta\u00e7\u00f5es ganharam o car\u00e1ter de massa, a maioria absoluta de seus participantes, conforme as pesquisas captaram, era composta de jovens oriundos da periferia, filhos de trabalhadores e assalariados precarizados da Grande S\u00e3o Paulo. Esses manifestantes poderiam n\u00e3o ter muita clareza dos objetivos que queriam alcan\u00e7ar, mas sua f\u00faria se voltava contra o sistema em geral e as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida em que viviam. Por isso, muitos depredaram os s\u00edmbolos do capitalismo, como lojas, bancos, grandes empresas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o se observava hostilidade contra partidos pol\u00edticos e bandeiras vermelhas. Isso come\u00e7ou a acontecer quando as classes dominantes e seus meios de comunica\u00e7\u00e3o resolveram entrar na disputa pelos rumos do movimento, temendo que a esquerda passasse a comandar as manifesta\u00e7\u00f5es. Para tanto, buscaram inverter as pautas iniciais e privilegiar a quest\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, estimulando sub-repticiamente os manifestantes a hostilizarem os partidos pol\u00edticos e a usarem bandeiras do Brasil e pintarem o rosto de verde e amarelo. Tamb\u00e9m deixaram de caracterizar os manifestantes como v\u00e2ndalos, baderneiros e marginais e passaram a legitimar as manifesta\u00e7\u00f5es e condenar apenas uma minoria como arruaceiros. Era uma t\u00e1tica muito h\u00e1bil. At\u00e9 a Fiesp, a maior institui\u00e7\u00e3o empresarial do Pa\u00eds, vestiu digitalmente seu imponente pr\u00e9dio de verde e amarelo na avenida Paulista, palco das manifesta\u00e7\u00f5es. Para completar o processo, grupos fascistas foram mobilizados como uma esp\u00e9cie de tropa de choque das classes dominantes nas ruas.<\/p>\n<p>A t\u00e1tica das classes dominantes deu resultado porque a partir de determinado momento os manifestantes, estimulados pelos fascistas e pela propaganda da direita, come\u00e7aram efetivamente a hostilizar os manifestantes de esquerda, partidos pol\u00edticos e quem estava com bandeiras vermelhas. Houve confrontos em v\u00e1rias regi\u00f5es do Pa\u00eds porque a esquerda tamb\u00e9m se organizou e continuou participando das manifesta\u00e7\u00f5es, mas era minorit\u00e1ria entre os manifestantes e n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de dirigir a insatisfa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Mas esses epis\u00f3dios merecem duas constata\u00e7\u00f5es: primeiro, n\u00e3o se poderia exigir daqueles manifestantes a organiza\u00e7\u00e3o e as palavras de ordem semelhante aos militantes experimentados da esquerda; segundo, o processo de apassivamento e despolitiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica implementado pelos governos do PT tamb\u00e9m contribuiu para essa conjuntura. Para aqueles manifestantes com pouca clareza pol\u00edtica, os partidos pol\u00edticos e as bandeiras vermelhas eram sin\u00f4nimo de PT, todos eram iguais. Ou seja, \u00e9 incorreto cobrar daqueles manifestantes rec\u00e9m chegados \u00e0 luta social a diferencia\u00e7\u00e3o entre o partido no governo e os revolucion\u00e1rios que mantinham uma postura cr\u00edtica ao pr\u00f3prio governo do PT.<\/p>\n<p>Inicialmente, os governos estadual e municipal de S\u00e3o Paulo, mesmo com as manifesta\u00e7\u00f5es crescentes, se recusavam a revogar o aumento das passagens e diziam que n\u00e3o dialogariam com quem praticava a viol\u00eancia. No governo federal, dia 18 de junho, a presidente Dilma disse que escutou a voz das ruas e prop\u00f4s cinco pontos para enfrentar a conjuntura, entre os quais investimentos em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e mobilidade urbana, incluindo o direcionamento de parte da renda do petr\u00f3leo para esses programas e a convoca\u00e7\u00e3o de uma constituinte para reformar o sistema pol\u00edtico eleitoral, al\u00e9m do compromisso de manter os gastos do governo sob controle. Em termos pr\u00e1ticos, nenhuma dessas medidas foram efetivamente implementadas. Com o aumento das manifesta\u00e7\u00f5es, os governos cederam e revogaram o aumento, mas as manifesta\u00e7\u00f5es continuaram com bandeiras muito mais abrangentes.<\/p>\n<p><strong>2013, dez anos depois: quais as perspectivas?<\/strong><\/p>\n<p>A primeira reflex\u00e3o a se fazer pode ser considerada cl\u00e1ssica: os levantes populares espont\u00e2neos n\u00e3o t\u00eam donos e n\u00e3o s\u00e3o propriedade de nenhuma for\u00e7a pol\u00edtica. Ocorrem quando as condi\u00e7\u00f5es de vida das massas chegam a um ponto de insatisfa\u00e7\u00e3o que explodem nas ruas. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante tamb\u00e9m enfatizar que os levantes sociais espont\u00e2neos n\u00e3o obedecem a um manual ou figurino preestabelecido, da mesma forma que n\u00e3o pedem licen\u00e7a para emergir no cen\u00e1rio pol\u00edtico com toda sua f\u00faria, problemas e contradi\u00e7\u00f5es. Como essas manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram constru\u00eddas por ningu\u00e9m, mas resultado de ac\u00famulo de problemas s\u00f3cio-econ\u00f4micos e pol\u00edticos, emergiram da forma que puderam e tornaram dif\u00edcil sua condu\u00e7\u00e3o pela esquerda, afinal quem n\u00e3o ajuda a construir um movimento desse porte n\u00e3o \u00e9 reconhecido nem tem legitimidade para comandar o levante.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es de junho tamb\u00e9m n\u00e3o podem ser consideradas o ovo da serpente que gerou o fascismo. Argumenta\u00e7\u00f5es desse tipo s\u00e3o equivocadas e buscam justificar os erros e desvios do projeto de concilia\u00e7\u00e3o de classes, da coopta\u00e7\u00e3o dos dirigentes do movimento social e popular, da institucionaliza\u00e7\u00e3o da luta de classe, do apassivamento e despolitiza\u00e7\u00e3o da sociedade do per\u00edodo petista. Levantes sociais dessa ordem s\u00f3 ocorrem porque existiam condi\u00e7\u00f5es objetivas para sua emerg\u00eancia, da mesma forma que n\u00e3o necessitam de aviso pr\u00e9vio para se colocar na conjuntura. N\u00e3o se pode esquecer que a luta de classe n\u00e3o tira f\u00e9rias. Al\u00e9m disso, esses argumentos escondem tanto um temor em rela\u00e7\u00e3o ao movimento de massas quanto a possibilidade de perder o controle desse movimento no curso das manifesta\u00e7\u00f5es. Preferem que tudo se resolva dentro da institucionalidade. Essas teorias da conspira\u00e7\u00e3o querem transferir os erros da pol\u00edtica interna para um inimigo externo fantasmag\u00f3rico com poder sobrenatural para provocar levantes como se tivesse uma varinha m\u00e1gica para controlar a realidade.<\/p>\n<p>O inimigo realmente existe, mas n\u00e3o teve o papel determinante no levante de junho. A serpente cresceu e se fortaleceu com os erros do governo, principalmente ap\u00f3s a segunda vit\u00f3ria de Dilma. Sen\u00e3o vejamos: em 2013 as greves continuaram aumentando. De acordo com o Dieese, nesse ano ocorreram 2.050 greves, 54% das quais no setor privado, com 111.342 horas paradas, n\u00famero muito maior que em 2012. Al\u00e9m disso, n\u00e3o podemos esquecer que Dilma venceu as elei\u00e7\u00f5es em 2014 com um programa que procurava se diferenciar claramente das propostas do candidato da direita. Portanto, se a teoria da conspira\u00e7\u00e3o estivesse correta essa vit\u00f3ria n\u00e3o teria acontecido. O que mudou a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as a favor da direita foi o estelionato eleitoral de Dilma Rousseff, ao levar o banqueiro Joaquim Levy para o minist\u00e9rio da Fazenda e realizar um brutal ajuste fiscal, que jogou o Pa\u00eds na recess\u00e3o e duplicou o desemprego. Com essa medida, a presidente desmoralizou seus eleitores, que esperavam um governo diferente, e criou as condi\u00e7\u00f5es para a direita dar o golpe de 2016.<\/p>\n<p>As jornadas de junho demonstraram tamb\u00e9m a crise de representatividade do Pa\u00eds, uma vez que a maioria da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o se sentia mais representada pelo aparato institucional (Executivo, Legislativo, Judici\u00e1rio, Pol\u00edcia, a maioria dos partidos pol\u00edticos), fato que posteriormente abriu espa\u00e7o para entrada em cena de aventureiros de extrema-direita fantasiados de lutadores anti-sist\u00eamicos. A crise de representatividade \u00e9 perfeitamente compreens\u00edvel, n\u00e3o s\u00f3 em fun\u00e7\u00e3o de que esse aparato representa as classes dominantes, respons\u00e1vel pelas dram\u00e1ticas condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o, mas principalmente por que esses aparelhos s\u00e3o executores das pol\u00edticas antipopulares, da repress\u00e3o contra os trabalhadores, contra os protestos de rua e as greves, pela viol\u00eancia generalizada, especialmente contra a juventude pobre e preta das periferias, pela corrup\u00e7\u00e3o e pelo descaso com que tratam o dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p>A grande maioria dos que se manifestaram em junho contra os partidos e suas bandeiras vermelhas n\u00e3o eram fascistas. Tratava-se de uma massa enfurecida que estava nas ruas em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Como a direita percebeu a incapacidade da esquerda em dirigir o movimento, colocou todo o seu aparato para disputar aquelas manifesta\u00e7\u00f5es mediante uma intensa campanha nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e com sua tropa de choque fascista nas ruas incentivando a hostilidade contra a esquerda. Isso tamb\u00e9m pode ser explicado: como o PT era considerado de esquerda, n\u00e3o resolveu os problemas da popula\u00e7\u00e3o, praticou a corrup\u00e7\u00e3o e utilizava tamb\u00e9m a bandeira vermelha, no imagin\u00e1rio popular todos que estavam com esses s\u00edmbolos eram iguais. Essa era a consci\u00eancia poss\u00edvel daqueles manifestantes indignados com o desleixo com que foram tratados ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Um elemento da conjuntura daquele per\u00edodo pouco observado \u00e9 o fato de que, enquanto os milh\u00f5es estavam protestando nas ruas, o proletariado das f\u00e1bricas, que vinha num ascenso de lutas nos locais de trabalho, n\u00e3o se levantou em solidariedade aos manifestantes nas ruas. Embora empregados, estavam tamb\u00e9m sofrendo a ofensiva das classes dominantes contra seus direitos, sal\u00e1rios e garantias sociais. Mas isso \u00e9 compreens\u00edvel, tanto pelo fato de que seus principais organismos de dire\u00e7\u00e3o estavam apassivados ou cooptados no interior da institucionalidade, como tamb\u00e9m porque o tempo das ruas e o tempo das f\u00e1bricas s\u00e3o diferentes. Nas ruas, a juventude e a popula\u00e7\u00e3o em geral t\u00eam mais mobilidade e mais liberdade para se manifestar, enquanto nas f\u00e1bricas as imposi\u00e7\u00f5es e vigil\u00e2ncia do capital, associados \u00e0 amea\u00e7a de desemprego, retardam a possibilidade de entrada em a\u00e7\u00e3o do proletariado. No entanto, quando amadurecem as condi\u00e7\u00f5es no ch\u00e3o das f\u00e1bricas, n\u00e3o h\u00e1 for\u00e7a capaz de deter o proletariado, como ocorreu no ascenso das lutas grevistas no final da d\u00e9cada de 70 em plena ditadura.<\/p>\n<p><strong>Que fazer para n\u00e3o ser surpreendido novamente<\/strong><\/p>\n<p>Dez anos ap\u00f3s as manifesta\u00e7\u00f5es de junho, do ponto de vista social, a constata\u00e7\u00e3o que poderemos fazer \u00e9 a de que nenhuma das quest\u00f5es levantadas pelo movimento de 2013 foram resolvidas. Pelo contr\u00e1rio, as pol\u00edticas desenvolvidas pelos governos ap\u00f3s o golpe de 2016 aumentaram exponencialmente o estoque de problemas sociais. Em algum momento da conjuntura essa insatisfa\u00e7\u00e3o voltar\u00e1 \u00e0 tona com uma radicalidade possivelmente muito maior que em 2013 porque continua latente entre a popula\u00e7\u00e3o um sentimento antissist\u00eamico difuso e as condi\u00e7\u00f5es de vida s\u00f3 pioraram na \u00faltima d\u00e9cada. As manifesta\u00e7\u00f5es de 2013 tamb\u00e9m demonstraram que o mito de que o povo brasileiro \u00e9 ordeiro e pac\u00edfico e que afoga suas insatisfa\u00e7\u00f5es no carnaval, no samba e no futebol n\u00e3o passa realmente de um mito vendido pelas classes dominantes para anestesiar o movimento popular. A nossa hist\u00f3ria \u00e9 feita de muita resist\u00eancia popular em todos os momentos de nossa hist\u00f3ria, mas infelizmente apagada da hist\u00f3ria oficial.<\/p>\n<p>Com o golpe de 2016 as classes dominantes implementaram um programa puro sangue e uma ofensiva brutal contra os sal\u00e1rios, os direitos dos trabalhadores e o saque ao fundo p\u00fablico, processo que se aprofundou perigosamente com o governo Bolsonaro, cujo governo transformou o fascismo, o obscurantismo, as pautas comportamentais reacion\u00e1rias como pol\u00edtica do governo. Depois de quatro anos dram\u00e1ticos, o povo brasileiro encontrou for\u00e7as suficientes para derrotar eleitoralmente Bolsonaro e abrir espa\u00e7o para que os trabalhadores possam lutar num ambiente de liberdades democr\u00e1ticas, muito embora o atual governo continue praticando a mesma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes que fracassou no passado e que teve imensa responsabilidade pela emerg\u00eancia dos anos terr\u00edveis ap\u00f3s o golpe de 2016. Espero que os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o possam se colocar novamente em movimento para evitar o pacto das elites e derrotar a pol\u00edtica antipopular que a d\u00e9cadas vem sendo implantada no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Passado o per\u00edodo mais dif\u00edcil do governo de extrema-direita, a hist\u00f3ria est\u00e1 generosamente proporcionando uma nova oportunidade \u00e0s for\u00e7as da esquerda classista e revolucion\u00e1ria de se preparar de maneira mais efetiva para as novas lutas que vir\u00e3o, at\u00e9 porque a crise org\u00e2nica do capitalismo brasileiro, aliado ao estoque de insatisfa\u00e7\u00e3o aumentado ap\u00f3s junho de 2013, v\u00e3o exigir das for\u00e7as revolucion\u00e1rias uma imensa capacidade de se voltar para o trabalho de base visando estreitar os la\u00e7os com as massas insatisfeitas. Porque s\u00f3 assim ser\u00e3o capazes de captar os momentos hist\u00f3ricos em que as massas emergir\u00e3o para a luta e, dessa forma, n\u00e3o ser\u00e3o pegos de surpresa como foi em junho de 2013. As classes dominantes est\u00e3o buscando fortalecer o poder burgu\u00eas, com a ajuda da pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes, mas a nossa tarefa \u00e9 colocar de maneira clara que s\u00f3 o poder popular e o socialismo ser\u00e3o capazes de construir um novo rumo para o Pa\u00eds. Essa \u00e9 a nossa tarefa nesse ciclo que se abriu com a elei\u00e7\u00e3o de Lula!<\/p>\n<p>Edmilson Costa \u00e9 Secret\u00e1rio Geral do PCB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30879\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[66,10,20,383],"tags":[221],"class_list":["post-30879","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c79-nacional","category-s19-opiniao","category-c1-popular","category-pronunciamentos-da-secretaria-geral","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-823","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30879"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30879\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30881,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30879\/revisions\/30881"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}