{"id":30963,"date":"2023-10-13T21:12:14","date_gmt":"2023-10-14T00:12:14","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30963"},"modified":"2023-10-13T21:12:14","modified_gmt":"2023-10-14T00:12:14","slug":"levante-na-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30963","title":{"rendered":"Levante na Palestina"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/manchetometro.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/merlin_138133551_883d61f6-bf88-4250-b8f9-8b2c6cc59a50-superJumbo.jpg?resize=1536%2C958\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Contrapoder<\/p>\n<p>Por Tariq Ali<\/p>\n<p>Os palestinos t\u00eam o direito de resistir \u00e0 agress\u00e3o ininterrupta a que est\u00e3o sujeitos. N\u00e3o h\u00e1 equival\u00eancia moral, pol\u00edtica ou militar no que diz respeito aos dois lados<\/p>\n<p>Em dezembro de 1987, uma nova intifada irrompeu na Palestina, abalando Israel e as elites do mundo \u00e1rabe. Algumas semanas depois, o grande poeta s\u00edrio Nizar Qabbani escreveu \u201cA trilogia das crian\u00e7as das pedras\u201d, em que denunciava a gera\u00e7\u00e3o mais velha de l\u00edderes palestinos \u2013 hoje representada pela corrupta e colaboracionista (N\u00e3o-) Autoridade Palestina. Ela foi cantada e recitada em muitos caf\u00e9s palestinos:<\/p>\n<p>As crian\u00e7as das pedras<br \/>\ndisseminaram nossos pap\u00e9is<br \/>\nverteram tinta em nossas roupas<br \/>\nzombaram da banalidade de textos antigos\u2026<br \/>\n\u00d3 crian\u00e7as de Gaza<br \/>\nN\u00e3o se importem com nossas transmiss\u00f5es<br \/>\nN\u00e3o nos ou\u00e7am<br \/>\nSomos povo de frio c\u00e1lculo<br \/>\nDe adi\u00e7\u00e3o, de subtra\u00e7\u00e3o<br \/>\nTravem suas guerras e nos deixem em paz<br \/>\nEstamos mortos e sem t\u00famulos<br \/>\n\u00d3rf\u00e3os sem olhos.<br \/>\nCrian\u00e7as de Gaza<br \/>\nN\u00e3o se refiram a nossos escritos<br \/>\nN\u00e3o sejam como n\u00f3s.<br \/>\nSomos seus \u00eddolos<br \/>\nN\u00e3o nos adorem.<br \/>\n\u00d3 povo louco de Gaza,<br \/>\nMil sauda\u00e7\u00f5es aos loucos<br \/>\nA era da raz\u00e3o pol\u00edtica j\u00e1 se foi h\u00e1 muito tempo<br \/>\nEnt\u00e3o nos ensine a loucura\u2026<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o povo palestino tem tentado todos os m\u00e9todos para conseguir alguma forma de autodetermina\u00e7\u00e3o significativa. \u201cRenunciem \u00e0 viol\u00eancia\u201d, disseram-lhes. E foi o que fizeram, com exce\u00e7\u00e3o da retalia\u00e7\u00e3o singular ap\u00f3s uma atrocidade israelense. Entre os palestinos do pa\u00eds e da di\u00e1spora, houve apoio em massa ao Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es (BDS): um movimento pac\u00edfico por excel\u00eancia, que come\u00e7ou a ganhar for\u00e7a em todo o mundo entre artistas, acad\u00eamicos, sindicatos e, eventualmente, governos.<\/p>\n<p>Os EUA e sua fam\u00edlia da OTAN reagiram tentando criminalizar o BDS na Europa e na Am\u00e9rica do Norte, alegando, com a ajuda de grupos de lobby sionistas, que boicotar Israel era \u201cantissemita\u201d. Isso se mostrou bastante eficaz. Na Gr\u00e3-Bretanha, o Partido Trabalhista de Keir Starmer proibiu qualquer men\u00e7\u00e3o ao \u201capartheid israelense\u201d em sua pr\u00f3xima confer\u00eancia nacional. A esquerda trabalhista, com medo de ser banida, ficou em sil\u00eancio sobre essa quest\u00e3o. Uma situa\u00e7\u00e3o lament\u00e1vel.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a maioria dos Estados \u00e1rabes se juntou \u00e0 Turquia e ao Egito para capitular diante de Washington. A Ar\u00e1bia Saudita est\u00e1 atualmente em negocia\u00e7\u00f5es, mediadas pela Casa Branca, para reconhecer oficialmente Israel. O isolamento internacional do povo palestino parece destinado a aumentar. A resist\u00eancia pac\u00edfica n\u00e3o levou a lugar algum.<\/p>\n<p>Durante todo esse tempo, as For\u00e7as de Defesa de Israel atacaram e mataram palestinos \u00e0 vontade, enquanto sucessivos governos israelenses trabalharam para sabotar qualquer esperan\u00e7a de cria\u00e7\u00e3o de um Estado. Recentemente, alguns generais da reserva das For\u00e7as de Defesa de Israel e agentes do Mossad admitiram que o que est\u00e1 sendo feito na Palestina equivale a \u201ccrimes de guerra\u201d. Mas eles s\u00f3 tiveram coragem de dizer isso depois de j\u00e1 terem se aposentado.<\/p>\n<p>Enquanto ainda serviam, eles apoiaram totalmente os colonos fascistas nos territ\u00f3rios ocupados, permanecendo parados enquanto queimavam casas, destru\u00edam planta\u00e7\u00f5es de oliveiras, despejavam cimento em po\u00e7os, atacavam palestinos e os expulsavam de suas casas enquanto cantavam \u201cMorte aos \u00e1rabes\u201d. O mesmo aconteceu com os l\u00edderes ocidentais, que permitiram que tudo isso acontecesse sem qualquer murm\u00fario. A era da raz\u00e3o pol\u00edtica j\u00e1 se foi h\u00e1 muito tempo, como diria Nizar Qabbani.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, um dia, a lideran\u00e7a eleita em Gaza come\u00e7a a revidar. Eles saem de sua pris\u00e3o a c\u00e9u aberto e atravessam a fronteira sul de Israel, atacando alvos militares e popula\u00e7\u00f5es de colonos. De repente, os palestinos est\u00e3o no topo das manchetes internacionais. Os jornalistas ocidentais est\u00e3o chocados e horrorizados com o fato de eles estarem realmente resistindo. Mas por que n\u00e3o deveriam? Eles sabem melhor do que ningu\u00e9m que o governo de extrema-direita de Israel retaliar\u00e1 violentamente, apoiado pelos EUA e pela Uni\u00e3o Europeia de boca fechada.<\/p>\n<p>Mas, mesmo assim, n\u00e3o est\u00e3o dispostos a ficar sentados enquanto Benyamin Netanyahu e os criminosos de seu gabinete expulsam ou matam gradualmente a maioria de seu povo. Eles sabem que os elementos fascistas do Estado israelense n\u00e3o hesitariam em sancionar o assassinato em massa de \u00e1rabes. E eles sabem que \u00e9 preciso resistir a isso por todos os meios necess\u00e1rios. No in\u00edcio deste ano, os palestinos assistiram \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es em Tel Aviv e entenderam que aqueles que marchavam para \u201cdefender os direitos civis\u201d n\u00e3o se importavam com os direitos de seus vizinhos ocupados. Eles decidiram resolver o problema com suas pr\u00f3prias m\u00e3os.<\/p>\n<p>Os palestinos t\u00eam o direito de resistir \u00e0 agress\u00e3o ininterrupta a que est\u00e3o sujeitos? Com certeza. N\u00e3o h\u00e1 equival\u00eancia moral, pol\u00edtica ou militar no que diz respeito aos dois lados. Israel \u00e9 um estado nuclear, armado at\u00e9 os dentes pelos EUA. Sua exist\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 amea\u00e7ada. S\u00e3o os palestinos, suas terras, suas vidas, que est\u00e3o. A civiliza\u00e7\u00e3o ocidental parece estar disposta a ficar parada enquanto eles s\u00e3o exterminados. Eles, por outro lado, est\u00e3o se levantando contra os colonizadores.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Fernando Lima das Neves.<\/p>\n<p>Publicado originalmente no site Sidecar da New Left Review.<\/p>\n<p>Esta tradu\u00e7\u00e3o foi publicada originalmente em A terra \u00e9 redonda<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<br \/>\nTariq Ali \u00e9 um escritor, jornalista, historiador, realizador e ativista brit\u00e2nico, de origem paquistanesa. Mais sobre Tariq: https:\/\/web.archive.org\/web\/20071001020955\/http:\/\/www.contemporarywriters.com\/authors\/?p=auth164<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30963\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[221],"class_list":["post-30963","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-83p","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30963","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30963"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30963\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30964,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30963\/revisions\/30964"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}