{"id":31046,"date":"2023-11-05T21:19:25","date_gmt":"2023-11-06T00:19:25","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31046"},"modified":"2023-11-05T21:19:25","modified_gmt":"2023-11-06T00:19:25","slug":"54-anos-sem-marighella-um-homem-chamado-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31046","title":{"rendered":"54 anos sem Marighella: um homem chamado revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31047\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31046\/carlos-marighella-quem-foi-e-o-que-defendia-o-inimigo-no-1-da-ditadura-1\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/carlos-marighella-quem-foi-e-o-que-defendia-o-inimigo-no-1-da-ditadura-1.png?fit=1000%2C632&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1000,632\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"carlos-marighella-quem-foi-e-o-que-defendia-o-inimigo-no-1-da-ditadura-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/carlos-marighella-quem-foi-e-o-que-defendia-o-inimigo-no-1-da-ditadura-1.png?fit=300%2C190&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/carlos-marighella-quem-foi-e-o-que-defendia-o-inimigo-no-1-da-ditadura-1.png?fit=747%2C472&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-31047\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/carlos-marighella-quem-foi-e-o-que-defendia-o-inimigo-no-1-da-ditadura-1.png?resize=747%2C472&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"472\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/carlos-marighella-quem-foi-e-o-que-defendia-o-inimigo-no-1-da-ditadura-1.png?resize=900%2C569&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/carlos-marighella-quem-foi-e-o-que-defendia-o-inimigo-no-1-da-ditadura-1.png?resize=300%2C190&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/carlos-marighella-quem-foi-e-o-que-defendia-o-inimigo-no-1-da-ditadura-1.png?resize=768%2C485&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/carlos-marighella-quem-foi-e-o-que-defendia-o-inimigo-no-1-da-ditadura-1.png?w=1000&amp;ssl=1 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>UJC de Maca\u00e9 &#8211; RJ<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Marighella foi talvez o maior guerrilheiro na luta contra a Ditadura Empresarial-Militar (1964-1985), sendo considerado &#8220;O inimigo n\u00b0 1 do governo&#8221; nessa \u00e9poca. \u00c9 fundamental a compreens\u00e3o a respeito de sua import\u00e2ncia n\u00e3o apenas no movimento comunista do pa\u00eds, mas tamb\u00e9m como uma hist\u00f3ria para todos os lutadores sociais se inspirarem na luta contra a classe dominante e seus agentes da ordem.<\/p>\n<p>Marighella nasceu em 5 de dezembro de 1911 em Salvador, filho de Augusto Marighella, um imigrante Italiano, e Maria Rita do Nascimento, uma baiana filha de ex-escravizados sudaneses, que sempre foi influenciado na leitura pelo pai, inscreveu-se para o primeiro ano em 1925 no col\u00e9gio Carneiro Ribeiro. Ap\u00f3s treze anos, mudou-se para o Gin\u00e1sio da Bahia, onde ficou conhecido por responder \u00e0s provas de f\u00edsica com versos.<br \/>\nEm 1930, Get\u00falio Vargas ascende ao poder a partir de um golpe articulado pelas elites ga\u00fachas e mineiras. Anos mais tarde, em 1937, o ent\u00e3o presidente d\u00e1 um novo golpe para proteger seus pr\u00f3prios interesses, alegando a exist\u00eancia de uma \u201camea\u00e7a comunista\u201d &#8211; um elemento de coes\u00e3o para obter apoio da classe dominante &#8211; e institui um governo ditatorial conhecido como \u201cEstado Novo&#8221; (1937-1945).<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, em 1932, o revolucion\u00e1rio foi preso pela primeira vez por escrever um poema contendo cr\u00edticas ao interventor do Estado da Bahia, Juracy Magalh\u00e3es. Mais adiante, em 1936, foi preso novamente, sendo torturado pela pol\u00edcia, a qual servia Filinto M\u00fcller; foi solto no mesmo ano, atrav\u00e9s da \u201cmacedada\u201d \u2013 medida tomada pelo ent\u00e3o Ministro da Justi\u00e7a, Jos\u00e9 Macedo Soares, visando a libertar os presos sem condena\u00e7\u00f5es. Em 1939, Marighella \u00e9 mais uma vez detido por agentes do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS), onde foi torturado mas se recusou a fornecer informa\u00e7\u00f5es da atua\u00e7\u00e3o dos militantes comunistas, e por isso ficou 6 anos encarcerado, tendo passado pelos pres\u00eddios de Fernando de Noronha e Ilha Grande.<\/p>\n<p>Com a queda de Vargas, em 1945, os presos pol\u00edticos obtiveram sua anistia, assim como a retomada de seus direitos pol\u00edticos. Com efeito, Marighella \u00e9 eleito Deputado Federal, representando o PCB pela Bahia, compondo a Assembleia Nacional Constituinte, em 1946, ao lado de expoentes como Lu\u00eds Carlos Prestes, Greg\u00f3rio Bezerra e Jorge Amado.<\/p>\n<p>Contudo, em 1947, o PCB \u00e9 posto novamente na ilegalidade, e, dessa forma, os parlamentares comunistas, incluindo Marighella, tem seus mandatos cassados, atentando para a emers\u00e3o do tenso contexto de polariza\u00e7\u00e3o na Guerra Fria. Nesse per\u00edodo, o revolucion\u00e1rio conheceu a China mao\u00edsta, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e, posteriormente, Cuba, possibilitando uma melhor an\u00e1lise sobre as experi\u00eancias socialistas.<\/p>\n<p>Posteriormente, na madrugada do dia 31 de mar\u00e7o para o dia 1\u00b0 de abril de 1964, o ent\u00e3o Presidente da Rep\u00fablica, Jo\u00e3o Goulart, \u00e9 deposto pelas For\u00e7as Armadas, com apoio das for\u00e7as estadunidenses na chamada &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Brother Sam&#8221;, sob a alega\u00e7\u00e3o na qual havia amea\u00e7as de institui\u00e7\u00e3o de um estado socialista no Brasil. Os militares ent\u00e3o d\u00e3o in\u00edcio \u00e0 Ditadura Empresarial-Militar (1964-1985), atendendo n\u00e3o somente aos interesses da burguesia brasileira, mas sobretudo do imperialismo estadunidense, que avan\u00e7ava em toda a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Em sequ\u00eancia ao Golpe Militar, em 9 de maio de 1964, Carlos Marighella foi detido por agentes do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS) dentro de um cinema \u2013 repleto de civis \u2013 no Rio de Janeiro. Reagiu \u00e0 pris\u00e3o e protestava gritando: \u201cabaixo a Ditadura Militar fascista\u201d e \u201cviva a democracia\u201d, recebendo, ap\u00f3s isso, um tiro \u00e0 queima-roupa no peito. Ap\u00f3s ser baleado, Marighella \u00e9 levado ao Hospital Souza Aguiar para, enfim, ser preso na Penitenci\u00e1ria Lemos Brito, onde ficou encarcerado por cerca de 3 meses, quando conseguiu um habeas corpus, em 31 de julho daquele ano.<\/p>\n<p>O revolucion\u00e1rio vinha de uma sequ\u00eancia de diverg\u00eancias com a t\u00e1tica adotada pelo PCB \u00e0 \u00e9poca, sobretudo na forma de a\u00e7\u00e3o contra a repress\u00e3o. Nesse aspecto, ap\u00f3s participar da 1\u00aa Confer\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), em agosto de 1967, sem a permiss\u00e3o do PCB, Marighella \u00e9 afastado definitivamente do Partido Comunista Brasileiro.<\/p>\n<p>Nesse contexto, publica um documento denominado \u201cPronunciamento do Agrupamento Comunista de S\u00e3o Paulo\u201d, no qual o guerrilheiro n\u00e3o apenas exp\u00f5e os fatores respons\u00e1veis por lev\u00e1-lo \u00e0 dissid\u00eancia com o Partido, como tamb\u00e9m anuncia a cria\u00e7\u00e3o de uma nova articula\u00e7\u00e3o visando \u00e0 luta armada contra os opressores. Assim, \u00e9 fundada a \u201cA\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional\u201d, em julho de 1968.<\/p>\n<p>Mais adiante, em setembro de 1969, a \u201cDissid\u00eancia Comunista da Guanabara\u201d (DI-GB) \u2013 futuro \u201cMovimento Revolucion\u00e1rio 8 de Outubro\u201d (MR-8) \u2013 idealizou e concretizou, com o apoio da ALN, um sequestro do Embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, exigindo para sua liberta\u00e7\u00e3o a soltura de 15 presos pol\u00edticos e a leitura em rede nacional de um manifesto de den\u00fancia contra a ditadura.<\/p>\n<p>Dessa forma, ap\u00f3s uma reuni\u00e3o entre os militares, os representantes diplom\u00e1ticos dos EUA e os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a, o governo resolve acatar os pedidos dos revolucion\u00e1rios, mesmo j\u00e1 sabendo seu esconderijo e, inicialmente, pretendendo mat\u00e1-los. Desse modo, logo em sequ\u00eancia ao desembarque dos presos pol\u00edticos no M\u00e9xico, o embaixador \u00e9 solto pr\u00f3ximo ao Est\u00e1dio do Maracan\u00e3, na sa\u00edda de um jogo entre o Am\u00e9rica e Fluminense, para que, camuflados na torcida, os militantes fugissem.<\/p>\n<p>Entretanto, em novembro de 1969, ap\u00f3s os freis Fernando e Ivo (ligados ao revolucion\u00e1rio) serem detidos e torturados pelo DOPS, \u00e9 programada uma emboscada visando a pris\u00e3o do guerrilheiro. Com isso, \u00e9 marcado um encontro em um fusca azul, na Alameda Lorena, em S\u00e3o Paulo, em 4 de novembro. Diante disso, Marighella chega ao local e, ao entrar no carro, \u00e9 cercado por policiais, comandados pelo delegado S\u00e9rgio Paranhos Fleury, que tiram os religiosos do ve\u00edculo e executam Carlos Marighella \u2013 que se encontrava desarmado \u2013 a tiros, alegando, posteriormente, um confronto.<\/p>\n<p>Marighella e a hist\u00f3ria de sua luta foram \u2013 permanece sendo \u2013 exemplos para milh\u00f5es de brasileiros que resistem. Ele pode ser caracterizado como um dos maiores \u2013 se n\u00e3o o maior &#8211; revolucion\u00e1rio da hist\u00f3ria do pa\u00eds, tendo sido considerado pelo governo militar como &#8220;o inimigo p\u00fablico n\u00famero um&#8221;.<\/p>\n<p><strong>MARIGHELLA VIVE PORQUE VIVEMOS! <\/strong><br \/>\n<strong>POR MEM\u00d3RIA, VERDADE E JUSTI\u00c7A!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31046\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[224],"class_list":["post-31046","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-84K","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31046","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31046"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31046\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31048,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31046\/revisions\/31048"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}