{"id":31049,"date":"2023-11-06T23:02:47","date_gmt":"2023-11-07T02:02:47","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31049"},"modified":"2023-11-06T23:02:47","modified_gmt":"2023-11-07T02:02:47","slug":"por-um-feriado-no-dia-da-consciencia-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31049","title":{"rendered":"Por um feriado no Dia da Consci\u00eancia Negra"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31050\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31049\/image-3-21\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image-3-1.png?fit=1229%2C1600&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1229,1600\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (3)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image-3-1.png?fit=691%2C900&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-31050\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image-3-1.png?resize=691%2C900&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"691\" height=\"900\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image-3-1.png?resize=691%2C900&amp;ssl=1 691w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image-3-1.png?resize=230%2C300&amp;ssl=1 230w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image-3-1.png?resize=768%2C1000&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image-3-1.png?resize=1180%2C1536&amp;ssl=1 1180w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image-3-1.png?w=1229&amp;ssl=1 1229w\" sizes=\"auto, (max-width: 691px) 100vw, 691px\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Partido Comunista Brasileiro &#8211; Curitiba e Regi\u00e3o Metropolitana<\/strong><\/p>\n<p>A cidade de Curitiba \u00e9 a capital mais negra de todo o sul do pa\u00eds. De acordo com o IBGE, 24% da popula\u00e7\u00e3o curitibana se autodeclara negra, enquanto no estado do Paran\u00e1 s\u00e3o 34% da popula\u00e7\u00e3o. Partindo desses n\u00fameros e a realidade vivenciada, nos deparamos com todos os esfor\u00e7os de apagamento e exclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra, que remontam desde os prim\u00f3rdios de nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Foram negras e negros que constru\u00edram essa cidade e seus arredores, atrav\u00e9s do trabalho escravo a que foram for\u00e7ados pelos colonizadores portugueses, desde o porto de Paranagu\u00e1 at\u00e9 a cidade de Curitiba, passando por aquela que foi, durante muitas d\u00e9cadas o seu \u00fanico acesso para escoar a produ\u00e7\u00e3o de mate e caf\u00e9, a estrada da Graciosa, na constru\u00e7\u00e3o de igrejas, como a inacabada Igreja de S\u00e3o Francisco de Paula (atuais Ru\u00ednas de S\u00e3o Francisco, a Igreja Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos de S\u00e3o Benedito, e, tamb\u00e9m a Rua das Flores (hoje o Cal\u00e7ad\u00e3o da XV) importante rua comercial de Curitiba. A autoria dessas e diversas outras obras realizadas pela popula\u00e7\u00e3o negra de Curitiba foram sistematicamente apagadas de nossa hist\u00f3ria, atrav\u00e9s de pol\u00edticas e discursos eugenistas que negam at\u00e9 hoje a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra na forma\u00e7\u00e3o sociocultural de Curitiba.<\/p>\n<p>A sistematiza\u00e7\u00e3o eugenista pode ser constatada em documentos oficiais, como o primeiro e segundo C\u00f3digo de Posturas de Curitiba (1895 e 1919) em que se dividia a cidade em zonas habitacionais, onde o centro era exclusivamente destinado \u00e0s fam\u00edlias mais nobres e residenciais mais simples, de madeira, eram proibidas. Ou seja, a popula\u00e7\u00e3o negra, ex-escrava e rec\u00e9m liberta sem qualquer reparo pelos s\u00e9culos de servid\u00e3o a que foram for\u00e7ados, eram empurrados para as margens da cidade, os \u00fanicos locais onde poderiam habitar com as condi\u00e7\u00f5es em que se encontravam. E estas zonas marginalizadas eram ignoradas pelo poder p\u00fablico, enquanto as \u00e1reas centrais, habitadas por fam\u00edlias de alta renda, recebiam os maiores investimentos p\u00fablicos em sa\u00fade, cultura, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e infra estruturas, o que aumentou ainda mais seu valor e as tornou inacess\u00edveis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o preta e pobre. Muito parecido com o que vivemos atualmente, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Passam-se os anos e n\u00f3s temos, ainda hoje, um prefeito que tem nojo de pobre, que enfeita muito o centro da cidade e seus pontos tur\u00edsticos, mas que encarece os custos de vida, principalmente do transporte p\u00fablico (com o qual tem \u00edntimas rela\u00e7\u00f5es com os donos das empresas de transporte) e que, nos atos de resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o jovem (pobre e, em grande parte, negra) ao ocuparem os locais negados \u00e0 eles para seu lazer respondem com a persegui\u00e7\u00e3o e a repress\u00e3o da juventude negra e perif\u00e9rica.<\/p>\n<p>Ainda tra\u00e7ando esse paralelo temporal, que na verdade pode ser lido como uma linha hist\u00f3rica cont\u00ednua, foi na cidade de Curitiba que, em fevereiro de 2022, ao pedir justi\u00e7a e lamentar a morte de mais um irm\u00e3o negro, Mo\u00efse Kabagambe, no Rio de Janeiro, diversos militantes do movimento negro, das diversas organiza\u00e7\u00f5es, coletivos e partidos, se uniram no Largo da Ordem em protesto, pedindo justi\u00e7a e o fim das mortes e agress\u00f5es a popula\u00e7\u00e3o negra brasileira. Durante o ato, que ocorria em frente a um local hist\u00f3rico citado anteriormente nesse texto, a Igreja Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos, n\u00f3s fomos hostilizados por alguns fi\u00e9is que l\u00e1 estavam e, na sequ\u00eancia pudemos adentrar nessa igreja, com a permiss\u00e3o do padre presente, para falar com o restante dos fi\u00e9is que ali permaneciam e os eclesi\u00e1sticos sobre a nossa dor e a nossa luta. Este epis\u00f3dio, que ocorreu de maneira ordeira, pac\u00edfica e permitida pelo pr\u00f3prio reverendo, foi imediatamente condenado pela m\u00eddia, direita, extrema direita e at\u00e9 setores da esquerda (como o pr\u00f3prio presidente Lula) como uma invas\u00e3o! Uma grande mentira foi espalhada e, a partir dela, de forma odiosa o movimento negro de Curitiba foi duramente atacado, principalmente na persegui\u00e7\u00e3o a um ex-vereador (hoje deputado estadual) que estava presente, Renato Freitas, bem como todes demais presentes.<\/p>\n<p>Feitas estas constata\u00e7\u00f5es, em um breve apanhado hist\u00f3rico, \u00e9 que fundamentamos nossa compreens\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de fortalecer e unificar o movimento negro e a luta antirracista em nossa cidade. E, como pauta unificadora de todo movimento negro comprometido com a supera\u00e7\u00e3o do racismo \u00e9 que conclamamos a imediata luta pelo decreto do feriado no Dia da Consci\u00eancia Negra, em 20 de novembro.<\/p>\n<p>N\u00f3s, Comunistas Brasileiros(as), fazemos a leitura de que o racismo \u00e9 parte da estrutura capitalista vigente em nosso pa\u00eds, e essa compreens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma mera palavra agitativa. Trata-se da compreens\u00e3o de que o capitalismo, atrav\u00e9s de sua fase colonialista, s\u00f3 p\u00f4de ser implementado no Brasil atrav\u00e9s do recorte racial que condicionou pessoas negras e popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias a condi\u00e7\u00e3o de \u201cn\u00e3o-humanos\u201d, com \u201cembasamentos cient\u00edficos\u201d, como o Darwinismo Social, utilizando a ci\u00eancia para tentarem justificar as barb\u00e1ries do regime escravagista. Afinal, para conciliar a profunda contradi\u00e7\u00e3o entre a luta na Europa, por direitos a liberdade, igualdade e fraternidade entre todos os homens e a subjuga\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es inteiras \u00e0 escravid\u00e3o, s\u00f3 mesmo convencendo o mundo de que estes escravizados n\u00e3o eram humanos. Dessa forma\u00e7\u00e3o social brasileira para a atual constitui\u00e7\u00e3o que temos hoje, \u00e9 n\u00edtido como o racismo continua a ser pe\u00e7a fundamental para a manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo e as exig\u00eancias da burguesia. Pois, \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o negra e perif\u00e9rica que segue sendo a mais pobre em nosso pa\u00eds, o maior n\u00famero de v\u00edtimas dos assassinatos por parte dos Aparelhos de Repress\u00e3o do Estado, a maioria esmagadora de encarcerados(as) e, ainda, o maior n\u00famero de v\u00edtimas durante a pandemia, o que explicita a grande desigualdade social, denunciada h\u00e1 anos pelo movimento negro.<\/p>\n<p>E como a institui\u00e7\u00e3o de um feriado no Dia da Consci\u00eancia Negra pode contribuir no fortalecimento e unifica\u00e7\u00e3o da luta antirracista? O dia 20 de novembro marca o Dia da Consci\u00eancia Negra, uma ocasi\u00e3o que relembra o falecimento de Zumbi dos Palmares, grande l\u00edder e s\u00edmbolo das resist\u00eancias quilombolas no Brasil. Esse dia simboliza o resultado de d\u00e9cadas de intensa luta promovida pelos Movimentos Negros que, ao contr\u00e1rio da celebra\u00e7\u00e3o do 13 de Maio, historicamente promovida pelos governos burgueses, que erroneamente retrataram a princesa Isabel como redentora da popula\u00e7\u00e3o negra, a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no Brasil n\u00e3o foi um presente da monarquia em decl\u00ednio, mas o resultado de in\u00fameras batalhas e revoltas populares que, ao long da nossa hist\u00f3ria, contribu\u00edram para o fim do sistema escravocrata.<\/p>\n<p>E essa hist\u00f3ria de resist\u00eancia negra \u00e9 repleta de experi\u00eancias valiosas que devem ser constantemente lembradas. Isso \u00e9 essencial para que as atuais e futuras gera\u00e7\u00f5es possam se apropriar dos ac\u00famulos dessas lutas e n\u00e3o caiam nas falsifica\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas impostas pela classe dominante. O desconhecimento ou a distor\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do povo negro \u00e9 um instrumento ideol\u00f3gico \u00fatil para a perpetua\u00e7\u00e3o da estrutura racista e para confundir aqueles que lutam contra o racismo e o capitalismo. Se a hist\u00f3ria de negras e negros est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 hist\u00f3ria das lutas sociais no Brasil, ent\u00e3o ,colocar a quest\u00e3o racial no centro dos debates e das estrat\u00e9gias de luta \u00e9 dever de todas as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, revolucion\u00e1rias e mesmo do campo progressista e democr\u00e1tico, compreendendo essa luta como parte fundamental das lutas da classe trabalhadora como um todo.<br \/>\nE \u00e9, nesse sentido, que defendemos a reivindica\u00e7\u00e3o de um Feriado do Dia da Consci\u00eancia Negra como pauta imediata central, capaz de unificar nossos esfor\u00e7os e catalisar a luta pela real emancipa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra trabalhadora brasileira.<\/p>\n<p>Pelo Poder Popular, no rumo do Socialismo.<br \/>\nPretos e Vermelhos, venceremos!<\/p>\n<p>Partido Comunista Brasileiro &#8211; Curitiba e RMC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31049\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26],"tags":[225],"class_list":["post-31049","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-84N","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31049"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31049\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31051,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31049\/revisions\/31051"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}