{"id":31071,"date":"2023-11-14T12:21:19","date_gmt":"2023-11-14T15:21:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31071"},"modified":"2023-11-14T12:21:19","modified_gmt":"2023-11-14T15:21:19","slug":"joan-jara-amor-cultura-e-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31071","title":{"rendered":"Joan Jara: amor, cultura e revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31072\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31071\/screenshot_20231114_084326_instagram\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Screenshot_20231114_084326_Instagram.jpg?fit=1080%2C1054&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1080,1054\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Screenshot_20231114_084326_Instagram\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Screenshot_20231114_084326_Instagram.jpg?fit=747%2C729&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-31072\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Screenshot_20231114_084326_Instagram.jpg?resize=747%2C729&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"729\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Screenshot_20231114_084326_Instagram.jpg?resize=900%2C878&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Screenshot_20231114_084326_Instagram.jpg?resize=300%2C293&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Screenshot_20231114_084326_Instagram.jpg?resize=768%2C750&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Screenshot_20231114_084326_Instagram.jpg?w=1080&amp;ssl=1 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Morre Joan Jara, bailarina, revolucion\u00e1ria e vi\u00fava do poeta e cantor comunista Victor Jara<\/p>\n<p>Roberto Arrais, membro do Comit\u00ea Central do PCB<\/p>\n<p>Joan Jara nasceu em 1927, em Londres, batizada como Joan Alison Turner Roberts e se encantou em 12 de novembro \u00faltimo, aos 96 anos de idade, em Santiago do Chile. Foi bailarina e casou com um dan\u00e7arino chileno, em 1953, com quem teve uma filha.<\/p>\n<p>No final dos anos 50 foi morar no Chile e logo se apaixonou pela cultura e pela Cordilheira. Nesse per\u00edodo conhece Violeta Parra e outros m\u00fasicos, artistas e poetas que produziam atividades voltadas \u00e0 cultura popular. Em 1960, separada do marido, conhece Victor Jara, com quem passa a construir uma grande amizade e depois um grande amor. Uma das primeiras can\u00e7\u00f5es composta por Victor Jara \u00e9 dedicada a Joan, \u201cPaloma quero contarte\u201d.<\/p>\n<p>Ela cria o Ballet Popular, para levar a dan\u00e7a \u00e0s periferias da cidade e do campo, para que a dan\u00e7a passasse a ser instrumento de alegria e de inspira\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios, camponeses e moradores dos bairros populares de Santiago e das cidades do interior. Ao lado dela, Victor Jara se junta com Violeta Parra e outros\/outras artistas para se integrarem ao efervescente Movimento da \u201cNueva Canci\u00f3n Chilena\u201d, que se propaga pelos bairros oper\u00e1rios, camponeses e favelas.<\/p>\n<p>Em 1964 nasce a segunda filha de Joan e primeira do casal, Amanda. Eles tinham uma vida cultural intensa, engajados nas lutas revolucion\u00e1rias do Chile, que culmina com a participa\u00e7\u00e3o na campanha vitoriosa da Unidade Popular, na qual se elege, em 1970, Salvador Allende. A partir de uma m\u00fasica instrumental de Victor Jara, Joan fez a coreografia intitulada \u201cVenceremos\u201d, que se tornaria a assinatura do Ballet Popular na campanha de Salvador Allende, com quem brindaram a vit\u00f3ria em setembro.<\/p>\n<p>No dia 11 de setembro de 1973, Victor iria cantar na Universidade T\u00e9cnica, onde tamb\u00e9m lecionava: era a estreia de uma mostra sobre os horrores do fascismo. N\u00e3o imaginavam que estavam sendo, ele e o povo chileno, v\u00edtimas, naquele dia, de um dos mais terr\u00edveis e sangrentos golpes militares fascistas da hist\u00f3ria latino-americana.<\/p>\n<p>Mesmo com todos os rumores do golpe, Victor decidiu ir para a Universidade a fim de se juntar aos professores e estudantes e lutar em defesa do governo socialista de Allende. Joan, ouvindo pelo r\u00e1dio e assistindo na tv, decide ir \u00e0 Universidade para tentar encontrar Victor. Acha o carro deles, sob o qual estavam os documentos pessoais de Victor, que, na percep\u00e7\u00e3o de Joan, tinha sido preso e por isso havia jogado os documentos fora para n\u00e3o ser identificado.<\/p>\n<p>Foram dias de agonia e de muita dor, sem not\u00edcias de Victor e assistindo pelos notici\u00e1rios a carnificina que tomava conta do Chile. Ela sai em busca de not\u00edcias, sabendo de muita gente presa ou foragida, indo para a clandestinidade e outros buscando as embaixadas para se exilarem. No dia 18 ela recebe a visita de um rapaz, membro da juventude comunista do Chile, que diz ter sido informado, por outro camarada que trabalhava na pol\u00edcia, de que o corpo de Victor Jara estava no necrot\u00e9rio j\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas dias. Ela vai at\u00e9 l\u00e1, se identifica como sua esposa, resgata seu corpo e o enterra no cemit\u00e9rio.<\/p>\n<p>Victor foi reconhecido pelos militares no Est\u00e1dio Chile, que atualmente leva seu nome em homenagem promovida ap\u00f3s o fim da ditadura. Ele foi barbaramente torturado, teve suas m\u00e3os quebradas e foi executado com 44 tiros.<\/p>\n<p>Joan saiu do Chile ap\u00f3s um m\u00eas, levando as duas filhas e duas malas com discos e fitas. Come\u00e7a a visitar pa\u00edses na Europa para denunciar os crimes que tinham cometido contra Victor Jara e contra os trabalhadores, intelectuais, artistas e estudantes. Ela assume um protagonismo fundamental na luta de solidariedade internacional ao povo chileno no exterior.<\/p>\n<p>Numa das reportagens, anos depois, quando foi ao necrot\u00e9rio fazer o reconhecimento e resgatar o corpo do companheiro, disse ela: \u201cEra Victor, meu amor. Ali morri tamb\u00e9m\u201d. Da\u00ed ela decidiu colocar todas as suas energias para cuidar das filhas, resgatar a mem\u00f3ria da bela obra de Victor e lutar contra a ditadura de Pinochet.<\/p>\n<p>Em 1982 decide retornar ao Chile, para voltar a conviver com a Cordilheira, com Santiago, com a cultura chilena, com a resist\u00eancia para da\u00ed se inspirar e escrever o livro que pudesse resgatar a figura e a obra de Victor Jara e o processo de conviv\u00eancia que tiveram de 1960 a 1973. Em 1983 publica o livro \u201cVictor Jara: Can\u00e7\u00e3o Inacabada\u201d.<\/p>\n<p>Em 1993, criou a Funda\u00e7\u00e3o Victor Jara para resgatar o legado do m\u00fasico.<br \/>\nTamb\u00e9m participa da luta pelos direitos humanos no Chile e dos processos contra a ditadura de Pinochet e contra os assassinos de Victor Jara, que foram sendo identificados e denunciados pela justi\u00e7a chilena. Denunciados, alguns foram presos: o general Heman Chacon, que antes de ser preso se suicidou, em agosto passado, e agora um dos principais atiradores, que morava nos EUA desde 1989, foi processado neste pa\u00eds e, por ter omitido as informa\u00e7\u00f5es sobre suas atividades durante a ditadura chilena, teve cassada sua cidadania, foi detido e deve ser extraditado ao Chile, ainda no final deste m\u00eas de novembro.<\/p>\n<p>Joan Jara deixa um importante legado para as gera\u00e7\u00f5es presentes e futuras, de uma mulher que amou profundamente seu companheiro, o artista, o poeta, o m\u00fasico, o comunista, o revolucion\u00e1rio, assim como ela, que juntos constru\u00edram uma obra de amor, solidariedade e compromisso com um novo mundo socialista.<\/p>\n<p>Numa das reportagens, em 2013, Joan estava em frente \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Victor Jara e, olhando no horizonte, enquanto as crian\u00e7as e jovens dan\u00e7avam e se confraternizavam na \u201cPlaza Brazil\u201d, disse ela: \u201cSempre estive apaixonada. N\u00e3o sou religiosa, n\u00e3o \u00e9 isso. Mas Victor est\u00e1 sempre comigo. \u00c9 o maior amor da minha vida. E, agora, sinto que minha miss\u00e3o est\u00e1 quase no fim\u201d.<\/p>\n<p>O resgate da extraordin\u00e1ria obra inspiradora de Victor Jara foi realizado de forma heroica e amorosa por essa mulher e hero\u00edna, Joan Jara, que se eterniza na luta da classe trabalhadora chilena e do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31071\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[87,13,50,66,10],"tags":[224],"class_list":["post-31071","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c100-chile","category-s14-cultura","category-c61-cultura-revolucionaria","category-c79-nacional","category-s19-opiniao","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-859","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31071"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31071\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31073,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31071\/revisions\/31073"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}