{"id":31214,"date":"2024-01-03T14:07:21","date_gmt":"2024-01-03T17:07:21","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31214"},"modified":"2024-01-03T14:07:21","modified_gmt":"2024-01-03T17:07:21","slug":"a-praxis-revolucionaria-de-frantz-fanon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31214","title":{"rendered":"A pr\u00e1xis revolucion\u00e1ria de Frantz Fanon"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31215\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31214\/fanon1\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fanon1.png?fit=1080%2C1080&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1080,1080\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"fanon1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fanon1.png?fit=747%2C747&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-31215\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fanon1.png?resize=747%2C747&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"747\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fanon1.png?resize=900%2C900&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fanon1.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fanon1.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fanon1.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fanon1.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Por Adelmo Felipe, Militante do PCB e do CNMO em Pernambuco<\/p>\n<p>Coletivo Negro Minervino de Oliveira<\/p>\n<p>Frantz Fanon nos deixou cedo demais. Aos 36 anos de idade, a Leucemia nos tirou um dos grandes pensadores e militantes anti-coloniais que os povos oprimidos tiveram a honra de forjar. Apesar da tenra idade, sua obra ecoa pelas d\u00e9cadas que sucederam seu falecimento, pois os objetos de sua cr\u00edtica e combate, infelizmente, ainda nos rodeiam e nos matam.<\/p>\n<p>Assim como todo grande e influente autor, sua obra \u00e9 reivindicada por uma s\u00e9rie de agrupamentos pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos. Muitas vezes recortando aspectos convenientes de sua vida, mas Fanon era um todo que precisa ser estudado, compreendido e divulgado como tal. Acima de tudo, ele foi um revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Aqui vamos evitar cair em dois tipos de v\u00edcios diferentes. Alguns valorizam mais o car\u00e1ter guerrilheiro, outros o car\u00e1ter te\u00f3rico. Ao nosso ver, n\u00e3o faz sentido separar essas duas caracter\u00edsticas da pr\u00e1xis de Fanon, pois ambas contribuem para os dilemas que temos que lidar no presente.<\/p>\n<p>Enquanto psiquiatra, bastante influenciado pela psican\u00e1lise, percebeu as contradi\u00e7\u00f5es dos m\u00e9todos de \u201ctratamento\u201d dos considerados loucos pelas sociedades coloniais e metropolitanas. Ao ler \u201cAliena\u00e7\u00e3o e Liberdade\u201d, podemos acompanhar o andamento das conclus\u00f5es do martinicano. Para ele, n\u00e3o basta apenas questionar os m\u00e9todos inumanos impostos pelo colonizador, mas tamb\u00e9m questionar os supostos \u201cm\u00e9todos humanizados\u201d que n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o os aspectos singulares de cada povo. Ser\u00e1 que um \u201ctratamento\u201d comumente oferecido a europeus franceses servir\u00e1 para \u00e1rabes do Magreb? Fanon vai muito al\u00e9m disso. Ser\u00e1 que aquilo que \u00e9 considerado loucura para o colonizador de fato deve ser tratado como tal? A \u201cloucura\u201d nada mais \u00e9 do que a estigmatiza\u00e7\u00e3o de comportamentos, consequentemente de povos e culturas, tachados como anormais e fora do padr\u00e3o. Qual seria esse padr\u00e3o? A Europa, \u00e9 claro. Todos os debates em torno da Luta Antimanicomial passam por um questionamento e combate \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es subjetivas (senso comum) e objetivas (institui\u00e7\u00f5es) a respeito do \u201cbom\u201d comportamento em sociedade.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um grande ensinamento que precisa permear os revolucion\u00e1rios organizados em v\u00e1rias tend\u00eancias, especialmente os comunistas: superar o capitalismo n\u00e3o \u00e9 apenas mudar a forma econ\u00f4mica de apropria\u00e7\u00e3o da riqueza, mas superar tamb\u00e9m a subjetividade colonial manicomial e carcer\u00e1ria. Se a classe burguesa det\u00e9m o poder material e espiritual, logo, ao tomar os meios de produ\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m devemos lidar com a mentalidade burguesa com o objetivo de super\u00e1-la. Exemplos terr\u00edveis temos diariamente quando governos de \u201cesquerda\u201d, mesmo eleitos com plataformas populares, n\u00e3o se diferem em nada da Direita no que tange aos manic\u00f4mios e aos pres\u00eddios. \u00c9 preciso ser radicalmente contra os manic\u00f4mios e ao encarceramento em massa.<\/p>\n<p>\u00c9 importante pontuar que nosso martinicano combateu todas as perspectivas essencialistas e estereotipadas impostas aos povos colonizados. Um empreendimento colonial n\u00e3o obt\u00eam \u201csucesso\u201d se n\u00e3o buscar naturalizar a condi\u00e7\u00e3o subalterna da popula\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctone dominada. Em outras palavras, o colonizado \u00e9 colocado como naturalmente inferior ao colonizador, assim como o negro seria inferior ao branco. Em \u201cRacismo e Cultura\u201d, Fanon faz quest\u00e3o de nos lembrar que a \u201cci\u00eancia\u201d, mesmo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, ainda se firmava em pressupostos eugenistas. O essencialismo n\u00e3o para por aqui. Muitos, inclusive setores vastos do movimento negro, acabam tratando a racializa\u00e7\u00e3o que nos foi imposta como uma esp\u00e9cie de identidade perene, que nos definiria acima de tudo. Um tipo de essencialismo \u201cpositivo\u201d. Uma posi\u00e7\u00e3o verdadeiramente radical pressup\u00f5e a supera\u00e7\u00e3o da racializa\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que a emancipa\u00e7\u00e3o do povo trabalhador, em suas particularidades, avance.<\/p>\n<p>Fanon presenciou as contradi\u00e7\u00f5es da realidade colonial no Norte da \u00c1frica e percebeu que havia um limite em seu trabalho enquanto psiquiatra, por mais cr\u00edtico que fosse. Tudo isso pode ser resumido em uma frase: \u201cComo podemos tratar o ser humano numa sociedade que adoece?\u201d. \u00c9 poss\u00edvel manter uma Sa\u00fade Mental minimamente s\u00e3 tendo que se desdobrar em estudos, trabalho, fam\u00edlia, transporte p\u00fablico ruim, moradia prec\u00e1ria, quedas de energia, falta de \u00e1gua e calor intenso? De forma alguma h\u00e1 aqui um descr\u00e9dito aos profissionais da psicologia, muito menos um desest\u00edmulo \u00e0 busca por ajuda, mas uma constata\u00e7\u00e3o deve ser feita: Para \u201ccurar\u201d essa sociedade, de uma vez por todas, s\u00f3 a revolu\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Fanon se associou \u00e0 guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional argelina. N\u00e3o se limitou a teorizar em uma c\u00e1tedra muito bem remunerada na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>O imperialismo n\u00e3o abre espa\u00e7o para os \u201cn\u00e3o-humanos\u201d. Colonialismo \u00e9 genoc\u00eddio, destrui\u00e7\u00e3o, epistemic\u00eddio, racismo, exclus\u00e3o. Tal qual os Sionistas, os franceses se viam no direito de ocupar, anexar e \u201ccivilizar\u201d aquele povo \u201cb\u00e1rbaro\u201d. Nada mais justo que reagir com armas em m\u00e3os. Fanon n\u00e3o viu a independ\u00eancia da Arg\u00e9lia, mas os frutos de sua vida em defesa dos povos colonizados e pela supera\u00e7\u00e3o do racismo permanecem bem vivos.<\/p>\n<p>No Brasil, importantes te\u00f3ricos como Deivison Faustino e Walter Lippold trabalham com a obra de Fanon e divulgam seu pensamento, incorporando sua teoria \u00e0 quest\u00f5es da atualidade como o \u201cColonialismo Digital\u201d, fundamental para pensar como as Big Techs conquistam, mant\u00e9m e expandem sua influ\u00eancia pelo mundo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante saudar os esfor\u00e7os do Grupo de Estudos Frantz Fanon, criado no in\u00edcio de 2023 na UFPE, cujo objetivo \u00e9 ler, estudar, divulgar e promover a obra do martinicano, sempre demandando que seu car\u00e1ter revolucion\u00e1rio nunca seja esquecido! Gra\u00e7as ao GEFF esse texto foi poss\u00edvel. Os v\u00e1rios encontros, permeados por descontra\u00e7\u00e3o, nos permitem pensar a realidade brasileira usando o arcabou\u00e7o vasto legado por Fanon.<\/p>\n<p>Enquanto Coletivo Negro Minervino de Oliveira, classista e revolucion\u00e1rio, \u00e9 nossa responsabilidade assimilar essa obra e criar uma pr\u00e1xis que combata os essencialismos dentro do movimento negro, al\u00e9m das pretens\u00f5es reformistas insuficientes do Campo Democr\u00e1tico-Popular.<\/p>\n<p>Viva Frantz Fanon!<\/p>\n<p>Viva a Luta Antimanicomial!<\/p>\n<p>Viva a Revolu\u00e7\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31214\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[124,33,4,382],"tags":[227],"class_list":["post-31214","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c137-coletivo-minervino-de-oliveira","category-c34-marxismo","category-s6-movimentos","category-negro","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-87s","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31214"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31214\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31216,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31214\/revisions\/31216"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}