{"id":31229,"date":"2024-01-10T19:54:49","date_gmt":"2024-01-10T22:54:49","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31229"},"modified":"2024-02-02T15:10:58","modified_gmt":"2024-02-02T18:10:58","slug":"o-genocidio-em-gaza-e-a-questao-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31229","title":{"rendered":"O genoc\u00eddio em Gaza e a quest\u00e3o palestina"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31230\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31229\/5c3d8f956c0a8-780x470\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/5c3d8f956c0a8-780x470-1.jpg?fit=780%2C470&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"780,470\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"5c3d8f956c0a8-780&amp;#215;470\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/5c3d8f956c0a8-780x470-1.jpg?fit=747%2C450&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-31230\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/5c3d8f956c0a8-780x470-1.jpg?resize=747%2C450&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/5c3d8f956c0a8-780x470-1.jpg?w=780&amp;ssl=1 780w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/5c3d8f956c0a8-780x470-1.jpg?resize=300%2C181&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/5c3d8f956c0a8-780x470-1.jpg?resize=768%2C463&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Edmilson Costa &#8211; Secret\u00e1rio-Geral do PCB<\/p>\n<p><strong>O come\u00e7o do fim do sionismo<\/strong><\/p>\n<p>A invas\u00e3o e o massacre de Gaza, uma esp\u00e9cie de campo de concentra\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto, pelas for\u00e7as sionistas de Israel, j\u00e1 dura mais de cem dias e, ao contr\u00e1rio das velhas guerras do passado, o genoc\u00eddio do povo palestino de Gaza est\u00e1 sendo transmitido e visto por milhares de milh\u00f5es de pessoas, em tempo real, pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o e m\u00eddias digitais. A justificativa para essa barb\u00e1rie foi o ataque da resist\u00eancia palestina, liderada pelo Hamas, no dia 7 de outubro, a bases militares e agrupamentos de colonos sionistas, quando centenas deles foram mortos e sequestrados durante o ataque. Acostumados a realizar arbitrariedades contra os palestinos, h\u00e1 cerca de 75 anos, como a segrega\u00e7\u00e3o racial, o cerco militar de suas regi\u00f5es, assassinatos coletivos, pris\u00f5es, tortura, morte de prisioneiros pol\u00edticos e humilha\u00e7\u00f5es de todo tipo, o ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o sionista foi pego de surpresa em 7 de outubro e sofreu uma derrota hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>A arrog\u00e2ncia e a impunidade eram t\u00e3o grandes que, mesmo com informa\u00e7\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os de intelig\u00eancia, de que haveria a possibilidade de um ataque da resist\u00eancia palestina, os dirigentes sionistas n\u00e3o levaram a s\u00e9rio as informa\u00e7\u00f5es porque imaginavam que os palestinos jamais seriam capazes de enfrentar em campo aberto o ex\u00e9rcito de Israel, afinal os sionistas os consideram cidad\u00e3os de segunda classe. Subestimaram a resist\u00eancia e sofreram uma derrota que ficar\u00e1 marcada na hist\u00f3ria como o come\u00e7o do fim da pol\u00edtica sionista e a retomada do processo de liberta\u00e7\u00e3o da Palestina em outro patamar. Os sionistas esqueceram que aqueles garotos que enfrentavam tanques e metralhadoras com pedras e estilingues cresceram, aprenderam a manejar armas, se tornaram guerrilheiros e defensores de seu povo e colocaram em xeque o mito do maior, mais poderoso e bem equipado ex\u00e9rcito do Oriente M\u00e9dio e do melhor e mais eficiente servi\u00e7o de informa\u00e7\u00f5es do planeta. Tudo isso virou p\u00f3 em menos de 24 horas.<\/p>\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o, quase todos alinhados com a propaganda sionista, procuram vender uma imagem de que o governo de Israel \u00e9 v\u00edtima do terrorismo e de que os palestinos e suas organiza\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia s\u00e3o um bando de b\u00e1rbaros que matam civis inocentes e querem jogar Israel ao mar. Essa vitimiza\u00e7\u00e3o permanente do povo judeu tem sido a t\u00f4nica, desde o final da Segunda Guerra, para ganhar a simpatia mundial, mas pouco se fala do que realmente significam para os palestinos as atrocidades do Estado de Israel. \u00c9 verdade que o nazismo matou cerca de seis milh\u00f5es de judeus nos campos de concentra\u00e7\u00e3o e c\u00e2maras de g\u00e1s, mas isso n\u00e3o justifica as brutalidades que os colonialistas de Israel cometem diariamente contra o povo palestino, especialmente neste momento. A prop\u00f3sito, \u00e9 bom lembrar que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, mesmo perdendo 26 milh\u00f5es de seus habitantes para livrar a humanidade do nazismo, mais de quatro vezes as mortes dos judeus, n\u00e3o se vitimizava permanentemente nem disso fez <em>marketing<\/em> para justificar suas a\u00e7\u00f5es. Inclusive \u00e9 bom lembrar que foi o Ex\u00e9rcito Vermelho quem libertou a maioria dos campos de concentra\u00e7\u00e3o e dos judeus que sobreviveram \u00e0 barb\u00e1rie nazista.<\/p>\n<p>Que ningu\u00e9m se engane: os sionistas consideram os palestinos \u201canimais humanos\u201d e seu projeto sionista, desde os prim\u00f3rdios, \u00e9 ocupar toda a regi\u00e3o e expulsar os palestinos de suas terras, o que vem sendo operado meticulosamente desde antes da funda\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. Se observarmos o mapa da Palestina antes de 1948, e o que resta hoje, poderemos ver claramente o avan\u00e7o do sionismo sobre os territ\u00f3rios da regi\u00e3o e, consequentemente, a brutalidade, as normas e restri\u00e7\u00f5es cada vez mais duras contra a popula\u00e7\u00e3o palestina, como o controle da eletricidade, da internet, do tr\u00e2nsito de pessoas, da \u00e1gua, da comida, as restri\u00e7\u00f5es contra os camponeses, a destrui\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas, das oliveiras centen\u00e1rias e, principalmente, a repress\u00e3o permanente e cada vez mais brutal contra a popula\u00e7\u00e3o civil, que pratica pris\u00f5es arbitr\u00e1rias, inclusive de crian\u00e7as e adolescentes, invas\u00f5es de bairros e acampamentos e assassinatos em massa de civis, al\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o de resid\u00eancias daqueles que os sionistas consideram simpatizantes da resist\u00eancia. Tudo isso transformou Israel num Estado tipicamente colonial, racista, que opera uma esp\u00e9cie de apartheid muito semelhante ao que os racistas da antiga \u00c1frica do Sul realizavam contra a popula\u00e7\u00e3o negra daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Do romantismo ao colonialismo<\/strong><\/p>\n<p>Para compreendermos o conflito atual, \u00e9 importante rememorar rapidamente um pouco da hist\u00f3ria daquela regi\u00e3o. A hist\u00f3ria do povo judeu \u00e9 muito romantizada e seus l\u00edderes, numa grande jogada de marketing, transformaram os relatos do antigo testamento b\u00edblico num livro de hist\u00f3ria para tornar verdade uma s\u00e9rie de epis\u00f3dios pouco cr\u00edveis relacionados \u00e0 trajet\u00f3ria dos judeus, bem como justificar as atuais medidas tomadas pelo Estado sionista contra os palestinos[1]. O certo \u00e9 que os palestinos vivem na regi\u00e3o h\u00e1 mais de dois mil anos e, ao longo desse per\u00edodo, palestinos e os judeus que continuaram na regi\u00e3o (algo em torno de 10%) conviveram pacificamente. Historicamente, ao longo de v\u00e1rios s\u00e9culos, a Palestina esteve sob o dom\u00ednio do Imp\u00e9rio Otomano. Com o final da Primeira Grande Guerra e a divis\u00e3o do Oriente M\u00e9dio entre ingleses e franceses, a Palestina ficou sob o dom\u00ednio do Reino Unido.<\/p>\n<p>No per\u00edodo que vai do mandato brit\u00e2nico at\u00e9 a Segunda Guerra Mundial, as fam\u00edlias endinheiradas judias, influenciadas pela prega\u00e7\u00e3o sionista de cria\u00e7\u00e3o de um Estado judeu na Palestina e com o apoio brit\u00e2nico, come\u00e7aram a financiar a compra de terras e estimular a imigra\u00e7\u00e3o de judeus para a regi\u00e3o, o que foi facilitado pelo fato de que estavam sendo perseguidos por Hitler. Com as barbaridades cometidas pelos nazistas nos campos de concentra\u00e7\u00e3o, a necessidade de constru\u00e7\u00e3o de um Estado judeu ganhou simpatia mundial. Enquanto se discutiam os tr\u00e2mites para a cria\u00e7\u00e3o desse Estado na ONU, os sionistas mais radicais, que depois se tornaram dirigentes do Estado de Israel, como Menachem Begin e Yitzhak Shamir, criaram organiza\u00e7\u00f5es terroristas que semearam o p\u00e2nico e massacraram popula\u00e7\u00f5es palestinas visando expuls\u00e1-las de suas terras.[2]<\/p>\n<p>Em 1947, a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas decidiu criar o Estado de Israel nas terras palestinas, nas quais os judeus ficaram com 53% e os palestinos com 47%. Cerca de quatro meses depois foi fundado o Estado de Israel, inclusive com apoio de Brasil e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, que viam naquele novo Estado um aliado contra as monarquias semifeudais \u00e1rabes e, politicamente, porque suas lideran\u00e7as estimulavam a cria\u00e7\u00e3o de kibutz, que eram fazendas coletivas com meios de produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3prios, com igualdade social entre seus membros e com prioridade na educa\u00e7\u00e3o de seus membros. Mas logo depois os \u00e1rabes (Egito, S\u00edria, Jord\u00e2nia, L\u00edbano e Iraque) declararam guerra ao novo Estado. Apoiado pelas pot\u00eancias vitoriosas na Segunda Guerra, Israel derrotou os \u00e1rabes e aproveitou a vit\u00f3ria para ampliar seu espa\u00e7o no territ\u00f3rio palestino para 79% das terras.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa oportunidade que ocorre aquilo que ficou conhecido na hist\u00f3ria como nakba, ou a cat\u00e1strofe, na qual cerca de 750 mil palestinos foram obrigados a fugir das terras em fun\u00e7\u00e3o do terror sionista, deixando para tr\u00e1s suas casas, propriedades e a pr\u00f3pria na\u00e7\u00e3o em que viviam historicamente. At\u00e9 hoje continuam no ex\u00edlio em acampamentos ou vilas prec\u00e1rias em v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o e nunca mais puderam voltar \u00e0s suas terras de origem. A pol\u00edtica expansionista do Estado sionista continuaria, especialmente com a nova guerra \u00e1rabe-israelense de 1967, que envolveu S\u00edria, Egito e Jord\u00e2nia, na qual novamente os \u00e1rabes foram derrotados e Israel passou a controlar Jerusal\u00e9m Oriental, Cisjord\u00e2nia, Sinai e Colinas de Gol\u00e3, ampliando ainda mais a expans\u00e3o colonial. Os \u00e1rabes tentaram reconquistar as terras perdidas em 1973, mas foram novamente derrotados.<\/p>\n<p><strong>Cria\u00e7\u00e3o e decl\u00ednio da OLP<\/strong><\/p>\n<p>Alguns anos antes os palestinos criaram a Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP), uma frente pol\u00edtico-militar que na \u00e9poca reunia todas as fac\u00e7\u00f5es palestinas e que passaria a comandar a luta interna contra Israel, tanto do ponto de vista pol\u00edtico quanto da luta armada. A cria\u00e7\u00e3o da OLP representou um salto de qualidade na luta dos palestinos contra a ocupa\u00e7\u00e3o israelense, uma vez que os palestinos passaram ent\u00e3o a contar com uma organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para combater o sionismo e a ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, a luta dos palestinos contava com o apoio dos sovi\u00e9ticos e dos pa\u00edses do Leste, al\u00e9m de v\u00e1rios pa\u00edses \u00e1rabes, e a OLP conseguiu realizar um conjunto de a\u00e7\u00f5es, tanto internamente quanto no exterior, que chamaram a aten\u00e7\u00e3o do mundo para a causa palestina e contribu\u00edram para organizar o povo palestino contra a ocupa\u00e7\u00e3o. Mas a luta da OLP sofreria uma s\u00e9rie de percal\u00e7os ap\u00f3s a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, que era uma \u00e2ncora importante na luta dos palestinos.<\/p>\n<p>Esse processo come\u00e7ou a partir da assinatura dos Acordos de Oslo, quando pela primeira vez os palestinos, atrav\u00e9s da OLP, reconheceram o Estado de Israel, o que gerou forte oposi\u00e7\u00e3o interna e, consequentemente, a forma\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o mais reconheciam a OLP, como o Hamas e a Jihad Isl\u00e2mica[3]. Realmente, a assinatura dos Acordos de Oslo representou uma mudan\u00e7a pol\u00edtica radical, pois anteriormente a OLP n\u00e3o reconhecia o Estado israelense e propunha um \u00fanico Estado na regi\u00e3o, onde palestinos e judeus poderiam viver pacificamente.<\/p>\n<p>Os Acordos de Oslo foram firmados entre o governo israelense, chefiado por Yitzhak Rabin, e pela OLP, dirigida por Yasser Arafat, em 1993. Por esse acordo os palestinos reconheciam o Estado de Israel e, em troca, os israelenses reconheceriam a OLP como leg\u00edtima representante do povo palestino. Em consequ\u00eancia dos acordos, Rabin e Arafat ganharam o Pr\u00eamio Nobel da Paz. Os acordos previam a retirada dos israelenses da Faixa de Gaza e o desmantelamento dos assentamentos na Cisjord\u00e2nia, al\u00e9m de que os territ\u00f3rios passariam a ser administrados parcialmente pela Autoridade Nacional Palestina, entidade constitu\u00edda ap\u00f3s a assinatura dos termos.<\/p>\n<p>No entanto, a entidade sionista continuaria controlando setores chaves do territ\u00f3rio palestino, como \u00e1gua, eletricidade, com\u00e9rcio internacional, impostos, etc., al\u00e9m do fato de que os palestinos n\u00e3o poderiam ter seu pr\u00f3prio ex\u00e9rcito nem uma moeda nacional. Em termos concretos, continuaram tamb\u00e9m os postos de controle israelense, as pris\u00f5es arbitr\u00e1rias e a depend\u00eancia econ\u00f4mica, o que praticamente deixou a Autoridade Palestina ref\u00e9m do sionismo e da ajuda internacional, enfraquecendo politicamente a OLP junto a v\u00e1rios setores da popula\u00e7\u00e3o palestina.<\/p>\n<p>Na verdade, os acordos n\u00e3o atendiam as demandas hist\u00f3ricas do povo palestino, como o retorno dos refugiados expulsos no per\u00edodo da nakba, nem a defini\u00e7\u00e3o do status de Jerusal\u00e9m e muito menos a liberta\u00e7\u00e3o dos prisioneiros palestinos. Por isso, a autoridade da OLP come\u00e7ou a ser contestada, principalmente pela juventude. Um ano depois dos acordos, ap\u00f3s ganhar o pr\u00eamio Nobel da Paz, Rabin foi assassinado por um radical sionista. Nas elei\u00e7\u00f5es seguintes, a extrema-direita, o Likud, fus\u00e3o de antigos grupos terroristas de Israel, ganhou as elei\u00e7\u00f5es e Benjamin Netanyahu enterrou definitivamente os Acordos de Oslo.<\/p>\n<p>No ano 2000, com Netanyahu fora do governo, ocorreu novamente uma tentativa de acordo, na chamada C\u00fapula de Camp David, mas n\u00e3o se chegou a nenhum resultado porque Arafat, j\u00e1 muito contestado internamente, n\u00e3o cedeu \u00e0s novas press\u00f5es de Israel. Ainda em 2008 buscou-se nova tentativa de di\u00e1logo, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se obteve qualquer resultado. Posteriormente, em 2009, Netanyahu ganhou novamente as elei\u00e7\u00f5es e encerrou qualquer tipo de negocia\u00e7\u00e3o com a OLP.<\/p>\n<p><strong>As novas organiza\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que deve ser entendido o crescimento de grupos fora da OLP, como o Hamas, Jihad Isl\u00e2mica, entre outros, grupos pol\u00edtico-militares-religiosos que nunca reconheceram Israel. Nessa mesma conjuntura surgiram ainda dissid\u00eancias internas na pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o do Fatah, principal grupo da OLP, os Comit\u00eas de Resist\u00eancia Popular e a entidade comandada por Marwan Barghouti, a Al Mustaqui (O Futuro). Mas outros fatores tamb\u00e9m contribu\u00edram para a mudan\u00e7a de perfil da resist\u00eancia palestina: n\u00e3o se pode esquecer que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica apoiava firmemente os palestinos e, com sua desagrega\u00e7\u00e3o, os palestinos perderam uma de suas principais \u00e2ncoras militares e diplom\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o fracasso dos Acordos de Oslo, Camp David e outros contribu\u00edram para desmoralizar a Autoridade Nacional Palestina (ANP), que passou a ser vista, principalmente pela juventude, como muito moderada e vacilante, enquanto os sionistas continuavam tomando terras, aumentando as arbitrariedades, persegui\u00e7\u00f5es e pris\u00f5es, al\u00e9m do fato de que existiam muitas den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o contra a lideran\u00e7a do Fatah, al\u00e9m da percep\u00e7\u00e3o de que esta representava muito mais os interesses da burguesia palestina do que o conjunto dos palestinos.<\/p>\n<p>Mas o desprest\u00edgio da OLP ficaria mais claro quando o Hamas ganhou as elei\u00e7\u00f5es legislativas em Gaza em 2006, o que significou um duro golpe \u00e0s posi\u00e7\u00f5es moderadas em rela\u00e7\u00e3o a Israel, uma vez que o Hamas nunca reconheceu o Estado sionista e sempre teve entre as suas t\u00e1ticas a luta armada contra o ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o. As contradi\u00e7\u00f5es foram se acirrando, porque tanto os Estados Unidos quanto Israel exigiam que a Autoridade Palestina combatesse o Hamas, mas internamente isso se tornara invi\u00e1vel em fun\u00e7\u00e3o da sua popularidade junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Gaza.<\/p>\n<p>Esse processo culminou com a tentativa da OLP de dissolver o governo do Hamas em Gaza, mas essa medida foi ignorada pelo Hamas que, al\u00e9m de denunciar o fato como uma tentativa de golpe militar, em contrapartida, expulsou os integrantes do Fatah de Gaza, ocupou suas sedes, confiscou suas armas e formou um governo independente da ANP em Gaza. Israel ent\u00e3o bloqueou a Faixa de Gaza, passando a controlar a entrada e a sa\u00edda das pessoas, o que transformou a regi\u00e3o no maior campo de concentra\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto no mundo.<\/p>\n<p>Mesmo n\u00e3o reconhecido pela maioria dos pa\u00edses, o governo do Hamas continuou sua estrat\u00e9gia de se contrapor \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o israelense mediante a combina\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos pol\u00edticos e militares para expulsar o ex\u00e9rcito israelense da regi\u00e3o. Agora com o 7 de Outubro todos ficamos sabendo que a estrat\u00e9gia do Hamas de resistir \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o e \u00e0 brutalidade sionista tinham enraizamento muito maior do que se imaginava. Basta constatar o enorme trabalho de organiza\u00e7\u00e3o militar que o Hamas realizou com a constru\u00e7\u00e3o de milhares de quil\u00f4metros de t\u00faneis por toda a regi\u00e3o de Gaza, onde montou sua infraestrutura e onde seus militantes, treinados dentro e fora de Gaza, realizam o enfrentamento com Israel.<\/p>\n<p>Os relatos informam que \u00e9 uma rede constru\u00edda com as mais modernas t\u00e9cnicas de edifica\u00e7\u00e3o, com capacidade para estocar todo tipo de armamento, inclusive m\u00edsseis, alimenta\u00e7\u00e3o, combust\u00edvel, alojamentos para os militantes, calefa\u00e7\u00e3o, log\u00edstica de comunica\u00e7\u00e3o e pontos de sa\u00edda camuflados para que os guerrilheiros possam atacar o inimigo em qualquer das regi\u00f5es do territ\u00f3rio. \u00c9 evidente que tudo isso foi constru\u00eddo com o financiamento de na\u00e7\u00f5es que t\u00eam simpatias com esse grupo pol\u00edtico-militar, mas n\u00e3o se pode deixar de reconhecer que foi um trabalho muito bem elaborado ou, como se diz popularmente, feito nas barbas de Israel e sua famosa intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>A Frente de Resist\u00eancia Palestina, que atualmente enfrenta o Ex\u00e9rcito invasor, n\u00e3o \u00e9 composta apenas pelo Hamas, como tenta fazer crer a propaganda sionista, mas por um conjunto de organiza\u00e7\u00f5es dos mais diversos perfis ideol\u00f3gicos, desde aquelas de car\u00e1ter marxista-leninista at\u00e9 os grupos fundamentalistas religiosos como o Hamas e a Jihad Isl\u00e2mica. Para entendermos os meandros do conflito atual, \u00e9 importante conhecer as principais for\u00e7as que organizaram o 7 de Outubro e que est\u00e3o em luta contra o ex\u00e9rcito sionista, de forma a que n\u00e3o caiamos no conto da propaganda burguesa de que a guerra \u00e9 para derrotar os \u201cterroristas do Hamas\u201d.<\/p>\n<p>A Frente de Resist\u00eancia Palestina, que organizou o 7 de Outubro, \u00e9 formada pelas seguintes organiza\u00e7\u00f5es: Hamas, a maior de todas em Gaza, Jihad Isl\u00e2mica, a segunda maior na mesma regi\u00e3o, Frente Popular para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, a maior de todas as organiza\u00e7\u00f5es marxistas, Frente Democr\u00e1tica Para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina e Frente Popular para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina \u2013 Comando Geral. Mas existem ainda organiza\u00e7\u00f5es que apoiam ativamente a luta palestina desde fora do pa\u00eds e constituem o chamado Eixo da Resist\u00eancia, constitu\u00eddo pelo Hezbollah, que atua desde o L\u00edbano, guerrilhas na S\u00edria, Iraque e os houthis, no I\u00eamen, que abriram outras frentes de luta visando impedir que os sionistas concentrem todo seu fogo contra Gaza.<\/p>\n<p>Vejamos as principais caracter\u00edsticas pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas das organiza\u00e7\u00f5es envolvidas diretamente na luta armada contra a ocupa\u00e7\u00e3o sionista:<\/p>\n<p><strong>Hamas<\/strong> \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar de car\u00e1ter fundamentalista religioso, apoiada por alguns pa\u00edses \u00e1rabes como o Qatar e o Ir\u00e3. O Hamas controla a Faixa de Gaza desde 2006 quando expulsou o Fatah da regi\u00e3o. Seu poderio pode ser explicado tanto por quest\u00f5es pol\u00edticas quanto militares e calcula-se que tenha entre 20 mil e 40 mil militantes armados. O Hamas recebe financiamento e treinamento militar de pa\u00edses \u00e1rabes e at\u00e9 o in\u00edcio da guerra centralizava o governo em Gaza, bem como toda parte administrativa e financeira da regi\u00e3o. Nesse momento \u00e9 a maior das organiza\u00e7\u00f5es em luta contra os sionistas. N\u00e3o faz parte da OLP e seu bra\u00e7o armado s\u00e3o as <strong>Brigadas Al Qassam.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frente Popular Para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (FPLP)<\/strong> &#8211; organiza\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter marxista-leninista, fundada em 1967 por Georges Habash e outros l\u00edderes palestinos, combina atividades pol\u00edticas com a\u00e7\u00f5es militares e tem como bra\u00e7o armado as <strong>Brigadas Abu Ali Mustafa.<\/strong> Realizou v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es no exterior e internamente contra alvos sionistas e ocidentais nas d\u00e9cadas de 70 e 80, mas diminuiu sua influ\u00eancia com a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, muito embora continue sendo a maior das organiza\u00e7\u00f5es marxistas palestinas. Faz parte da OLP e defende o socialismo e a forma\u00e7\u00e3o de um \u00fanico Estado na Palestina, democr\u00e1tico e laico, onde judeus e palestinos possam viver pacificamente.<\/p>\n<p><strong>Jihad Isl\u00e2mica<\/strong> \u2013 Fundada em 1981 na Faixa de Gaza, inicialmente como um bra\u00e7o militar da Irmandade Mu\u00e7ulmana. A Jihad tamb\u00e9m \u00e9 um grupo fundamentalista religioso, inspirado pelos princ\u00edpios do Isl\u00e3 Pol\u00edtico e tornou-se conhecido pelos atentados a alvos sionistas no interior de Israel. Igualmente ao Hamas, a Jihad n\u00e3o est\u00e1 vinculada \u00e0 OLP e se contrap\u00f5e aos acordos de paz com Israel, acreditando que a luta armada \u00e9 o \u00fanico caminho para a liberta\u00e7\u00e3o da Palestina. \u00c9 a segunda maior organiza\u00e7\u00e3o em Gaza e recebe apoio log\u00edstico e financeiro de v\u00e1rios pa\u00edses \u00e1rabes. Reivindica a cria\u00e7\u00e3o de um Estado Palestino independente em toda a regi\u00e3o da Palestina hist\u00f3rica. Seu bra\u00e7o armado \u00e9 constitu\u00eddo pelas <strong>Brigadas Al-Quds.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frente Democr\u00e1tica para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (FDLP)<\/strong> \u2013 Dissid\u00eancia da FPLP fundada em 1969 por Hayef Hawatmeth, a FDLP tamb\u00e9m se declara marxista-leninista, defende o socialismo, mas j\u00e1 flertou com o mao\u00edsmo no passado, buscando se diferenciar da FPLP. Realizou v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es contra alvos israelenses, tanto internamente quanto no exterior, e faz parte da OLP. Tamb\u00e9m combina a\u00e7\u00f5es militares com atividades pol\u00edticas. Defende a solu\u00e7\u00e3o de um \u00fanico Estado na regi\u00e3o onde palestinos e judeus possam viver conjuntamente. Seu bra\u00e7o armado s\u00e3o as <strong>Brigadas de Resist\u00eancia Nacional.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frente Popular para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina \u2013 Comando Geral.<\/strong> Dissid\u00eancia da FPLP, essa organiza\u00e7\u00e3o foi fundada em 1968 por Ahmed Jibril, sendo uma das organiza\u00e7\u00f5es mais militaristas da regi\u00e3o. Nas d\u00e9cadas de 70 e 80 tamb\u00e9m realizou v\u00e1rios ataques contra soldados sionistas e cooperou com o Hezbollah no Sul do L\u00edbano e com a S\u00edria na luta contra o Isis. Essa organiza\u00e7\u00e3o se desligou da OLP em 1974, por consider\u00e1-la conciliat\u00f3ria. \u00c9 considerada a mais esquerdista das organiza\u00e7\u00f5es da resist\u00eancia palestina. Seu bra\u00e7o armado s\u00e3o as <strong>Brigadas Jihad Jibril.<\/strong><\/p>\n<p>Existem ainda outras organiza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o fazem parte da atual Frente de Resist\u00eancia, como a <strong>Al Fatah<\/strong>, a maior e mais antiga das organiza\u00e7\u00f5es palestinas, fundada em 1959 por Yasser Arafat. Desenvolveu no passado v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es guerrilheiras contra Israel, mas envolveu-se em acordos de paz que desprestigiaram sua lideran\u00e7a junto aos palestinos, o que resultou em dissid\u00eancia internas, com l\u00edderes mais populares que o atual presidente da ANP. Sua atual lideran\u00e7a \u00e9 Mahmoud Abbas, que tamb\u00e9m \u00e9 o presidente da Autoridade Nacional Palestina. O Fatah aceitou os acordos de Oslo, que reconhecia Israel e atualmente defende a cria\u00e7\u00e3o de dois Estados \u2013 um palestino e outro israelense. Seu bra\u00e7o armado s\u00e3o as <strong>Brigadas dos M\u00e1rtires Al-Aqsa.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma dissid\u00eancia do Fatah muito forte e com enorme prest\u00edgio entre os palestinos, mas que n\u00e3o est\u00e1 na Frente de Resist\u00eancia atual, a <strong>Al Mustaqui (O Futuro).<\/strong> Fundada em 2005, \u00e9 liderada pelo hist\u00f3rico dirigente Marwan Bargouthi, preso em Israel desde 2002 e condenado a cinco pris\u00f5es perp\u00e9tuas. Marwan foi secret\u00e1rio-geral do Fatah, fundador do seu bra\u00e7o militar e um dos principais l\u00edderes das duas Intifadas contra Israel. A pris\u00e3o e as condena\u00e7\u00f5es s\u00f3 aumentaram seu prest\u00edgio junto aos palestinos e dizem que hoje, se houvesse elei\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o, ele ganharia, inclusive do Hamas e de Abbas. A Al Mustaqui \u00e9 composta em grande parte por membros da jovem guarda do Fatah que estavam em desacordo com sua linha pol\u00edtica e com a corrup\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a de seu prest\u00edgio pode ser medida pelo fato de que o Documento de Concilia\u00e7\u00e3o Nacional, inspirado por Marwan, foi aceito por todas as organiza\u00e7\u00f5es palestinas como base para um futuro governo de unidade nacional a ser alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p>Existem ainda os <strong>Comit\u00eas de Resist\u00eancia Popular (CRP)<\/strong>, dissidentes do Fatah, fundados em 2000, cujo l\u00edder \u00e9 Ayman Shashniya. Os dados indicam que os CRP s\u00e3o a terceira organiza\u00e7\u00e3o mais forte em Gaza. Seu bra\u00e7o militar \u00e9 conhecido como Brigadas Al Nasser Salah Al-Deen. H\u00e1 ainda uma organiza\u00e7\u00e3o dirigida por Mustafa Barghouti (m\u00e9dico formado em Moscou), criada em 2002, com a participa\u00e7\u00e3o do conhecido intelectual Edward Said, denominada <strong>Al Mubadara (Iniciativa Nacional Palestina).<\/strong> Mustaf\u00e1 foi candidato a presidente na Palestina em 2006 e obteve um ter\u00e7o dos votos. Sua organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 filiada \u00e0 Internacional Socialista e prop\u00f5e uma resist\u00eancia de massas n\u00e3o violenta a Israel, semelhante ao modelo de Ghandi na \u00cdndia, e tem apoio entre os grupos laicos palestinos e junto ao movimento pacifista israelense.[4]<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessas organiza\u00e7\u00f5es, existem ainda dois partidos comunistas. O<strong> Partido Comunista Palestino, PCP,<\/strong> fundado em 1919, hist\u00f3rico partido comunista da regi\u00e3o, reunia \u00e1rabes e judeus que atuavam no territ\u00f3rio da Palestina. Quando foi aprovado o Estado de Israel, os comunistas apoiaram a cria\u00e7\u00e3o do Estado israelense e os comunistas do novo Estado fundaram o Partido Comunista de Israel, que tamb\u00e9m reivindica sua funda\u00e7\u00e3o em 1919. O PCP se define como marxista-leninista e afirma lutar para ser a vanguarda dos trabalhadores palestinos. Passou por grande turbul\u00eancia interna ap\u00f3s a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, com a divis\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o, mas se manteve fiel aos princ\u00edpios marxistas. O <strong>PCP<\/strong> defende o estabelecimento de um \u00fanico Estado na Palestina onde todos os povos possam viver democr\u00e1tica e pacificamente. Suas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais voltadas para a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o. Aparentemente, n\u00e3o possui um bra\u00e7o armado.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m o <strong>Partido Popular Palestino (PPP)<\/strong>, fundado em 1982, dissid\u00eancia do PCP. Mesmo sendo dissidente, o PPP n\u00e3o se tornou um partido de direita. Participou da primeira Intifada e da delega\u00e7\u00e3o para os Acordos de Oslo, em 1993. Nas elei\u00e7\u00f5es para o Conselho Legislativo Palestino, de 2006, o PPP formou uma alian\u00e7a com a Frente Democr\u00e1tica para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina e a Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Palestina (a Al Badil, A Alternativa) e essa alian\u00e7a conquistou dois lugares no Conselho. Tem boas rela\u00e7\u00f5es com o Partido Comunista de Israel. Em 1997 o PPP tamb\u00e9m se dividiu com a sa\u00edda de Mustafa Barghouti para fundar a Iniciativa Palestina.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as principais organiza\u00e7\u00f5es que atuam na Palestina. Existem muitas outras organiza\u00e7\u00f5es menores, mas sem a influ\u00eancia destas aqui citadas.[5]<\/p>\n<p><strong>O cotidiano de brutalidades e humilha\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>As brutalidades contra o povo palestino pelos sionistas ocorrem desde antes da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, mas foram se intensificando \u00e0 medida em que os sionistas ampliavam o confisco de terras na Palestina, ap\u00f3s as vit\u00f3rias de Israel nas guerras contra os pa\u00edses \u00e1rabes (1967\/1973), a partir das quais passaram a controlar cerca de 77% do territ\u00f3rio da regi\u00e3o, incluindo Sinai, Cisjord\u00e2nia, Jerusal\u00e9m Oriental e Colinas de Gol\u00e3. Ap\u00f3s o Acordo de Oslo e o reconhecimento de Israel pelo Egito e a Jord\u00e2nia, Israel devolveu o Sinai, a Faixa de Gaza e a Cisjord\u00e2nia, onde est\u00e1 a sede da Autoridade Palestina em Ramallah. A prop\u00f3sito, a Cisjord\u00e2nia n\u00e3o \u00e9 inteiramente dos palestinos, pois segundo os acordos 18% do territ\u00f3rio ficou sob o controle da ANP, 22% sob administra\u00e7\u00e3o conjunta de Israel-Palestina e 60% sob o dom\u00ednio de Israel. O car\u00e1ter racista de Israel foi aprovado pelo Parlamento israelense, quando foi definido o car\u00e1ter judaico do Estado de Israel, medida que institucionaliza a supremacia da etnia de um povo sobre outro.<\/p>\n<p>Mesmo com os acordos, Israel continuou a sua pol\u00edtica de assentamentos em Jerusal\u00e9m Oriental e Cisjord\u00e2nia, proporcionando aos colonos, que hoje j\u00e1 somam mais de 700 mil pessoas, uma s\u00e9rie de benef\u00edcios, como subs\u00eddios financeiros, sistema de \u00e1gua e eletricidade, al\u00e9m de prote\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito e entrega de armamentos, sob o pretexto de que s\u00e3o medidas necess\u00e1rias para sua defesa. Sob a prote\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito sionista, os colonos cometem cotidianamente as maiores atrocidades contra a popula\u00e7\u00e3o local, como a expuls\u00e3o de suas terras, derrubada das oliveiras e destrui\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da viol\u00eancia e assassinatos de palestinos. Mesmo sendo considerados ilegais pela ONU e pela comunidade internacional, Israel continua estimulando a constru\u00e7\u00e3o de assentamentos, pois sua pol\u00edtica estrat\u00e9gica \u00e9 expulsar os palestinos dos territ\u00f3rios e ocupar toda a regi\u00e3o, j\u00e1 que os sionistas se consideram o povo escolhido e consideram a Palestina Terra Prometida pelo deus b\u00edblico.<\/p>\n<p>Numa regi\u00e3o com grande tens\u00e3o h\u00eddrica, Israel controla mais de 90% da \u00e1gua do rio Jord\u00e3o, a eletricidade, as costas mar\u00edtimas, as fronteiras, as telecomunica\u00e7\u00f5es, a entrada e sa\u00edda de pessoas e alimentos nos chamados postos militares de controle, al\u00e9m da economia palestina. Para garantir seu poderio, Israel gasta anualmente cerca de R$ 120 bilh\u00f5es com as for\u00e7as militares e de intelig\u00eancia, o que lhe permitiu formar um dos mais poderosos ex\u00e9rcitos do mundo, com uma vantagem especial que todos sabem, mas poucos denunciam: Israel tem um significativo estoque de armas nucleares. Enquanto o imperialismo estadunidense, com sua dupla moral, fica esbravejando e impondo san\u00e7\u00f5es contra pa\u00edses que buscam o desenvolvimento da energia nuclear ou de armas at\u00f4micas, como Ir\u00e3 e Cor\u00e9ia Popular, fecha os olhos para proteger o imenso arsenal nuclear sionista, finge que n\u00e3o sabe e busca de todas as formas evitar uma investiga\u00e7\u00e3o internacional sobre o problema.<\/p>\n<p>Esse imenso poder militar e econ\u00f4mico \u00e9 o que possibilita aos sionistas realizarem cotidianamente todo tipo de barbaridade contra os palestinos. Trata-se de um dos governos mais repressivos do mundo contra um povo em regime de ocupa\u00e7\u00e3o. Sob o pretexto de combater o terrorismo, destr\u00f3i a infraestrutura agr\u00edcola dos camponeses palestinos, queima suas planta\u00e7\u00f5es e colheitas, derruba com escavadeiras resid\u00eancias e instala\u00e7\u00f5es pecu\u00e1rias para cria\u00e7\u00e3o de animais daqueles que consideram suspeitos, imp\u00f5e restri\u00e7\u00f5es rigorosas ao movimento dos palestinos, incluindo o fechamento da entrada de vilarejos e estradas. O ex\u00e9rcito sionista promove permanentemente a viol\u00eancia e o assassinato seletivo de todos aqueles que considera terroristas, imp\u00f5e puni\u00e7\u00e3o coletiva a bairros inteiros, com a destrui\u00e7\u00e3o de encanamentos de \u00e1gua e esgoto onde a resist\u00eancia palestina realiza atos contra as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o, e realiza pris\u00f5es em massa, especialmente de jovens e crian\u00e7as quando h\u00e1 protestos contra as arbitrariedades do ex\u00e9rcito sionista.<\/p>\n<p>Um dos elementos mais odiosos da pol\u00edtica sionista na regi\u00e3o s\u00e3o as chamadas pris\u00f5es administrativas, medidas utilizadas largamente nos territ\u00f3rios ocupados para conter os protestos populares contra a ocupa\u00e7\u00e3o, desde 1967. Essas pris\u00f5es s\u00e3o inspiradas nas medidas realizadas pelo imp\u00e9rio brit\u00e2nico quando este tinha mandato colonial sobre a Palestina. S\u00e3o realizadas da maneira mais arbitr\u00e1ria poss\u00edvel, uma vez que, por esse mecanismo, qualquer pessoa pode ser detida sem culpa formada, sem provas, sem defesa, bastando apenas Israel alegar raz\u00f5es de seguran\u00e7a. Como n\u00e3o existe nenhum procedimento que permita que o detido possa se defender, os presos s\u00e3o encarcerados por anos a fio, ressaltando-se que h\u00e1 presos que passaram mais de 15 anos nas chamadas pris\u00f5es administrativas. Antes do in\u00edcio do genoc\u00eddio contra Gaza existiam mais de sete mil e quinhentos presos pol\u00edticos palestinos nas masmorras de Israel. Com a guerra, at\u00e9 agora j\u00e1 foram detidos mais de 4.500 palestinos. Muitos s\u00e3o torturados da maneira mais selvagem, humilhados e outros mortos e desaparecidos durante a pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Em outras palavras, essa opress\u00e3o cotidiana sobre o povo palestino, que se tornou mais dura ap\u00f3s a emerg\u00eancia da extrema-direita no governo de Israel, nos permite definir que Estado sionista \u00e9 um Estado colonial que rouba as terras palestinas, considera os palestinos cidad\u00e3os de segunda classe (&#8220;animais humanos&#8221;, como diz o atual governo), realiza uma pol\u00edtica de apartheid semelhante \u00e0 que os racistas faziam na \u00c1frica do Sul, visando a limpeza \u00e9tica, se utiliza da repress\u00e3o militar para prender e assassinar os que s\u00e3o suspeitos ou se contrap\u00f5em \u00e0 ordem ileg\u00edtima, portanto, um governo imoral que pratica o terrorismo de Estado e que deve ser desmantelado para que um dia palestinos e judeus possam viver pacificamente na regi\u00e3o. Dessa forma, torna-se claro que a origem da viol\u00eancia na Palestina \u00e9 de responsabilidade dos sionistas e que todas as formas de resist\u00eancia contra essa opress\u00e3o s\u00e3o leg\u00edtimas.<\/p>\n<p><strong>A opera\u00e7\u00e3o Inunda\u00e7\u00e3o de Al Aqsa<\/strong><\/p>\n<p>Foi diante dessa conjuntura que a resist\u00eancia palestina decidiu enfrentar a opress\u00e3o sionista e realizar a opera\u00e7\u00e3o Inunda\u00e7\u00e3o de Al Aqsa. Esta foi uma opera\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar hist\u00f3rica que pegou de surpresa os sionistas, seu ex\u00e9rcito e seu servi\u00e7o de informa\u00e7\u00f5es, que at\u00e9 ent\u00e3o era considerado o melhor do mundo. \u00c9 importante explicarmos que o Ex\u00e9rcito sionista \u00e9 um dos mais bem equipados do mundo, com as armas mais sofisticadas, tanto fabricadas internamente quanto fornecidas largamente pelos Estados Unidos, cujo governo \u00e9 respons\u00e1vel pelo apoio ao sionismo no poder e pelos massacres contra os palestinos, tendo tamb\u00e9m as m\u00e3os sujas de sangue nessa guerra. Enquanto isso, a resist\u00eancia palestina, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o da alta mortal de seus combatentes e da convic\u00e7\u00e3o da causa pela qual est\u00e3o lutando, atua com armas quase artesanais. N\u00e3o tem armas at\u00f4micas, nem tanques nem avi\u00f5es, nem navios de guerra, submarinos e muito menos artilharia pesada. Muitas de suas armas s\u00e3o fabricadas artesanalmente e outras s\u00e3o adquiridas nos pa\u00edses \u00e1rabes, mas n\u00e3o existe paralelo de compara\u00e7\u00e3o com o armamento do ex\u00e9rcito sionista.<\/p>\n<p>Como em todas as lutas de liberta\u00e7\u00e3o nacional, a moral, a convic\u00e7\u00e3o, a criatividade, o sacrif\u00edcio e o conhecimento do terreno das tropas insurgentes s\u00e3o fatores fundamentais para se realizar uma guerra de guerrilha contra o inimigo invasor. Como se p\u00f4de conhecer posteriormente, o 7 de Outubro foi uma opera\u00e7\u00e3o que levou cerca de dois anos de planejamento pelas organiza\u00e7\u00f5es da Frente de Resist\u00eancia[6] e tinha elementos estrat\u00e9gicos que posteriormente se tornaram p\u00fablicos, tais como: a) infligir uma derrota moral, pol\u00edtica e militar ao regime sionista; b) colocar a quest\u00e3o palestina de volta ao debate internacional ap\u00f3s o fracasso dos diversos acordos realizados pela OLP; c) libertar o maior n\u00famero de prisioneiros palestinos em troca de ref\u00e9ns caso a opera\u00e7\u00e3o fosse vitoriosa; d) obrigar Israel a lutar corpo a corpo nos escombros e vielas da Palestina, onde a resist\u00eancia conhece o terreno, e realizar uma guerra de guerrilha para a qual o inimigo sionista n\u00e3o estava preparado; d) como Israel reagiria de maneira irracional, a guerra exporia ao mundo a brutalidade sionista contra os palestinos e isso poderia mudar a percep\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica sobre o regime sionista e obter simpatia para a causa palestina.<\/p>\n<p>Pelo visto, muitos desses objetivos est\u00e3o sendo alcan\u00e7ados, mesmo com o terr\u00edvel sacrif\u00edcio da popula\u00e7\u00e3o civil que diariamente \u00e9 bombardeada e massacrada pelo ex\u00e9rcito sionista.<\/p>\n<p>O primeiro dos objetivos foi plenamente alcan\u00e7ado: surpreendido pelas a\u00e7\u00f5es da resist\u00eancia, governo, militares e servi\u00e7o de intelig\u00eancia foram pegos de surpresa no dia 7 de outubro e os guerrilheiros, utilizando inclusive de tratores para derrubar o muro em torno de Gaza e parapentes improvisados com metralhadoras, destru\u00edram bases militares sionistas, mataram e sequestraram v\u00e1rios soldados, oficiais e colonos e sequestraram ainda mais de duas centenas de israelenses. Essa opera\u00e7\u00e3o desmoralizou o mito de invencibilidade do ex\u00e9rcito sionista, especialmente do seu servi\u00e7o de informa\u00e7\u00f5es, que era considerado o melhor do mundo. Tudo isso em menos de 24 horas, com poucas perdas para a guerrilha, sendo que ap\u00f3s a incurs\u00e3o a grande maioria dos guerrilheiros voltou para suas bases com os ref\u00e9ns, nos subterr\u00e2neos de Gaza.<\/p>\n<p>O segundo grande objetivo tamb\u00e9m foi alcan\u00e7ado porque a causa palestina voltou \u00e0 ordem do dia nas rela\u00e7\u00f5es internacionais e muitas pessoas que estavam envolvidas pela propaganda sionista no sentido de que quem criticava Israel era antissemita, come\u00e7aram a perceber a verdadeira natureza do Estado israelense, sua brutalidade e a opress\u00e3o com que trata os palestinos nos territ\u00f3rios ocupados, fatos agora refor\u00e7ados com as cenas dantescas das atrocidades em Gaza. Al\u00e9m disso, demonstrou o fracasso da pol\u00edtica desenvolvida pela OLP, cuja vacila\u00e7\u00e3o e concilia\u00e7\u00e3o s\u00f3 trouxeram preju\u00edzos e humilha\u00e7\u00f5es para os palestinos, deixando evidente que a liberta\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o n\u00e3o pode ser realizada a partir de acordos com o inimigo sionista que hoje dirige o Estado de Israel, cujos governos de extrema-direita est\u00e3o a servi\u00e7o da expuls\u00e3o e da da limpeza \u00e9tica palestina, al\u00e9m de serem os gendarmes do imperialismo naquela \u00e1rea. Isso \u00e9 t\u00e3o verdade que autoridades dos Estados Unidos j\u00e1 afirmaram que se Israel n\u00e3o existisse seria necess\u00e1rio criar um Estado semelhante.<\/p>\n<p>O terceiro objetivo at\u00e9 agora n\u00e3o foi ainda alcan\u00e7ado, muito embora j\u00e1 tenha havido troca de prisioneiros entre ref\u00e9ns e palestinos. Mas uma das promessas da Resist\u00eancia \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o de todos os prisioneiros palestinos em troca de todos os ref\u00e9ns em seu poder. At\u00e9 agora as tentativas de libertar os ref\u00e9ns atrav\u00e9s das armas por parte de Israel tem sido um rotundo fracasso militar e um desastre pol\u00edtico. Na \u00faltima tentativa, os soldados sionistas terminaram matando por engano e desespero tr\u00eas de seus compatriotas ref\u00e9ns, o que representou uma derrota moral e pol\u00edtica para o ex\u00e9rcito e governo sionista porque o movimento interno em favor de uma troca de prisioneiros por ref\u00e9ns tem aumentado de maneira acentuada, uma vez que quase diariamente h\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es de milhares de pessoas em Israel em defesa dessa reivindica\u00e7\u00e3o. Se a arrog\u00e2ncia sionista n\u00e3o levar em conta a capacidade da resist\u00eancia de reter bem guardados os ref\u00e9ns e insistir em libert\u00e1-los pela for\u00e7a das armas poderemos ter um desastre humanit\u00e1rio de grandes propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O quarto objetivo est\u00e1 em desenvolvimento, pois, se Israel destruiu mais de 70% das resid\u00eancias de Gaza e transformou aquela regi\u00e3o em um monte escombros, em contrapartida o ex\u00e9rcito sionista est\u00e1 sofrendo perdas militares muito maiores do que seus dirigentes imaginavam. Uma coisa \u00e9 bombardear a popula\u00e7\u00e3o civil numa regi\u00e3o onde n\u00e3o h\u00e1 defesa antia\u00e9rea ou artilharia pesada para responder \u00e0 ofensiva do inimigo, outra \u00e9 ocupar o terreno onde uma resist\u00eancia atua como uma esp\u00e9cie de fantasma: aparece nos locais mais inusitados, ataca o inimigo e depois desaparece. Com o apoio de informa\u00e7\u00f5es vindas da popula\u00e7\u00e3o, volta a atacar tanques, escavadeiras e soldados sionistas realizando uma guerra de desgaste que j\u00e1 imp\u00f4s severas baixas materiais e f\u00edsicas ao inimigo. A retirada de v\u00e1rias brigadas militares da regi\u00e3o, inclusive a famosa brigada Golani, al\u00e9m do grande n\u00famero de mortos e feridos que chegam a Israel, \u00e9 uma prova de que os sionistas s\u00e3o muito valentes para bombardear e matar a popula\u00e7\u00e3o civil, mas no campo de batalha, no corpo a corpo a hist\u00f3ria \u00e9 outra.<\/p>\n<p>O quinto objetivo tamb\u00e9m est\u00e1 sendo alcan\u00e7ado. O mundo inteiro acompanha chocado o genoc\u00eddio e as cenas de destrui\u00e7\u00e3o que o ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o vem realizando na Faixa de Gaza e na Cisjord\u00e2nia, com a matan\u00e7a indiscriminada de civis, mulheres e crian\u00e7as. J\u00e1 foram mortos mais de 25 mil civis, entre eles mais de 10 mil crian\u00e7as, foram destru\u00eddos ou invadidos praticamente todos os hospitais, onde muitas vezes as opera\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o ferida est\u00e3o sendo realizadas sem anestesia porque o ex\u00e9rcito sionista impede a entrada de medicamentos. Bairros inteiros foram destru\u00eddos, com milhares de pessoas soterradas e apodrecendo debaixo dos escombros, centenas de jornalistas mortos para n\u00e3o divulgarem as atrocidades. Enfim, h\u00e1 um banho de sangue contra o povo palestino, provando que o objetivo dos sionistas \u00e9 punir toda a popula\u00e7\u00e3o e ocupar suas terras. Esse genoc\u00eddio tem levado ao isolamento cada vez maior do Estado de Israel, tanto na ONU quanto em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo onde as manifesta\u00e7\u00f5es contra o genoc\u00eddio s\u00e3o realizadas diariamente, o que tem mudado a percep\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica mundial em rela\u00e7\u00e3o ao sionismo, com milh\u00f5es em todas as partes do planeta se manifestando em defesa da causa palestina.<\/p>\n<p><strong>Israel pode ser derrotado?<\/strong><\/p>\n<p>Para compreendermos um poss\u00edvel desenvolvimento da guerra em Gaza, \u00e9 fundamental olharmos para a hist\u00f3ria mais recente de todos os povos que realizaram lutas vitoriosas de liberta\u00e7\u00e3o nacional, apesar das for\u00e7as do inimigo serem muito mais fortes e bem mais equipadas que as for\u00e7as guerrilheiras. A propaganda sionista tem procurado apresentar Israel como um Estado que tem o direito absoluto de se defender do terrorismo do Hamas, tudo isso para esconder que h\u00e1 uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional na Palestina, organizada por v\u00e1rios grupos guerrilheiros, com amplo apoio junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, cujas a\u00e7\u00f5es ocorrem em resposta a d\u00e9cadas de opress\u00e3o contra o povo palestino. Como toda guerrilha, seus dirigentes sabem que n\u00e3o podem enfrentar um ex\u00e9rcito muito mais poderoso num encontro for\u00e7a contra for\u00e7a, mas numa guerra de guerrilha, com apoio das massas, num terreno em que o advers\u00e1rio n\u00e3o tem a vantagem que teria numa guerra cl\u00e1ssica, essa luta pode desgastar o inimigo a ponto de derrot\u00e1-lo, como j\u00e1 aconteceu em outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer que uma guerra n\u00e3o \u00e9 somente a disputa militar entre duas for\u00e7as opostas, mas, como ensinou Clausewitz, a guerra \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica por outros meios. Portanto, n\u00e3o se pode analisar uma guerra apenas do ponto de vista militar ou da magnitude de um ex\u00e9rcito em rela\u00e7\u00e3o a outro. No caso das guerras irregulares, que s\u00e3o a forma cl\u00e1ssica dos oprimidos se contraporem aos opressores muito mais poderosos, as regras da guerra s\u00e3o de outra qualidade, t\u00eam outras normas e outras din\u00e2micas. Por isso, nessas guerras, as for\u00e7as irregulares ampliam suas chances de derrotar um inimigo mais forte. Os exemplos da guerra de liberta\u00e7\u00e3o da Arg\u00e9lia contra os colonialistas franceses, dos guerrilheiros cubanos contra o ex\u00e9rcito de Batista, dos vietnamitas contra os franceses e, posteriormente, contra os Estados Unidos, s\u00e3o exemplos cl\u00e1ssicos de como uma for\u00e7a guerrilheira com apoio popular \u00e9 capaz de derrotar um inimigo muito mais poderoso.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que Israel ter\u00e1 o mesmo destino desses ex\u00e9rcitos, mas existe uma possibilidade real de que as tropas sionistas sejam derrotadas tanto do ponto de vista pol\u00edtico quanto militar. O que at\u00e9 agora podemos constatar \u00e9 que as for\u00e7as de Israel s\u00e3o muito valentes para bombardear bairros inteiros e matar e humilhar civis, atacar hospitais, afinal os palestinos n\u00e3o contam com defesa a\u00e9rea para se contrapor \u00e0 avia\u00e7\u00e3o sionista. No entanto, para derrotar a resist\u00eancia palestina n\u00e3o basta destruir pr\u00e9dios, resid\u00eancias e levar o terror \u00e0 popula\u00e7\u00e3o civil, \u00e9 preciso conquistar o terreno. A\u00ed ent\u00e3o \u00e9 que come\u00e7am as dificuldades da for\u00e7a invasora, porque a resist\u00eancia palestina, ao atrair o ex\u00e9rcito sionista para um ambiente no qual n\u00e3o est\u00e1 acostumado a lutar, melhora a sua capacidade de enfrentar o inimigo e pode golpe\u00e1-lo onde ele menos espera, uma vez que os guerrilheiros conhecem melhor o terreno, podem se movimentar sem que os drones e avi\u00f5es espi\u00f5es os vejam, al\u00e9m do fato de que podem escolher o melhor momento para alvejar o inimigo levando inseguran\u00e7a e p\u00e2nico para suas tropas.<\/p>\n<p>O que se tem observado \u00e9 uma enorme capacidade da guerrilha de resistir \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o. Suas a\u00e7\u00f5es realizadas de rua em rua, de casa em casa, em meio aos escombros, atacando e desaparecendo entre t\u00faneis e vielas, t\u00eam golpeado fortemente o invasor com resultados militares significativos. Apesar da propaganda israelense afirmar a morte apenas de cerca de tr\u00eas centenas de soldados em Gaza, outros meios indicam que at\u00e9 agora j\u00e1 morreram mais de cinco mil soldados sionistas e mais de 10 mil foram feridos e agora lotam os hospitais de Israel. Outro indicador das dificuldades dos sionistas \u00e9 o fato de que Israel retirou do teatro de opera\u00e7\u00f5es v\u00e1rias brigadas militares, inclusive a brigada Golani, tida como uma das mais preparadas do ex\u00e9rcito israelense. H\u00e1 relatos na internet de problemas entre as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o, como estresse, p\u00e2nico diante de um inimigo invis\u00edvel e at\u00e9 mesmo de fogo amigo no enfrentamento \u00e0 guerrilha.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora nenhum dos objetivos militares de Israel foi atingido: nem a destrui\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia (que eles sintetizam no terrorismo do Hamas para efeito de propaganda), nem a liberta\u00e7\u00e3o dos ref\u00e9ns. A guerrilha continua praticamente intacta, operando normalmente e assestando golpes cada vez mais duros contra as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que v\u00e3o ganhando experi\u00eancia no terreno. Ali\u00e1s, quanto mais o tempo passa mais dif\u00edcil se torna a justificativa para o banho de sangue em Gaza, principalmente porque o discurso das autoridades israelenses de que \u00e9 necess\u00e1rio destruir a Resist\u00eancia e libertar os ref\u00e9ns j\u00e1 n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade. Est\u00e1 claro que o objetivo \u00e9 transformar Gaza num espa\u00e7o inabit\u00e1vel para que possa ser ocupada pelos sionistas. Ali\u00e1s, os parentes dos ref\u00e9ns sequestrados comentam abertamente que os israelenses capturados est\u00e3o mais seguros nos t\u00faneis da guerrilha do que expostos aos bombardeios aleat\u00f3rios que Israel realiza diariamente para espalhar o terror entre a popula\u00e7\u00e3o palestina. Al\u00e9m disso, a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o de Israel, que j\u00e1 vinha realizando grandes manifesta\u00e7\u00f5es contra o governo de Netanyahu por suas tentativas de emplacar leis autorit\u00e1rias no pa\u00eds, j\u00e1 come\u00e7a a demonstrar cansa\u00e7o com a guerra e os resultados desastrosos para sua imagem internacional.<\/p>\n<p>H\u00e1 por fim outros fatores que est\u00e3o aumentando as dificuldades da ocupa\u00e7\u00e3o, como as a\u00e7\u00f5es realizadas pelo Eixo da Resist\u00eancia, no Sul do L\u00edbano, em regi\u00f5es como a S\u00edria, Iraque e I\u00eamen. A partir do L\u00edbano, o Hezbollah continua fustigando as for\u00e7as israelenses, o que resultou na retirada de dezenas de milhares de israelenses que moravam perto da fronteira com esse pa\u00eds e tamb\u00e9m fez com que Israel fosse obrigado a manter parte do ex\u00e9rcito na regi\u00e3o para se precaver de uma poss\u00edvel invas\u00e3o por parte do Hezbollah. Outras for\u00e7as guerrilheiras tamb\u00e9m est\u00e3o atacando bases dos Estados Unidos na regi\u00e3o, de onde prov\u00e9m a ajuda militar a Israel. Mas a maior dor de cabe\u00e7a para os sionistas e o imperialismo dos Estados Unidos \u00e9 a a\u00e7\u00e3o dos houthis, do I\u00eamen, que est\u00e3o atacando todos os navios que se dirigem a Israel, fato que tem contribu\u00eddo para reduzir o com\u00e9rcio israelense com o mundo. Isso se tornou t\u00e3o grave que os Estados Unidos formaram uma coaliz\u00e3o para garantir a navega\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, muito embora at\u00e9 agora sem \u00eaxito.<\/p>\n<p>O tempo tamb\u00e9m tem um papel fundamental no desenvolvimento da guerra em Gaza, pois os assassinatos em massa, as pr\u00e1ticas genocidas diariamente veiculadas pela televis\u00e3o, o corte de energia, eletricidade, o impedimento da entrada de caminh\u00f5es com alimentos \u00e0s popula\u00e7\u00f5es atingidas, as humilha\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de centenas de palestinos presos e enfileirados apenas com roupas \u00edntimas em campos de deten\u00e7\u00e3o, em meio ao frio e humilha\u00e7\u00f5es, as mortes de milhares de mulheres, crian\u00e7as e beb\u00eas e a destrui\u00e7\u00e3o em massa de bairros inteiros s\u00e3o cenas que chocam o mundo inteiro e provocam manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade em todos os continentes. Esses acontecimentos significam um desastre para as autoridades sionistas, que sempre buscaram construir uma imagem de pa\u00eds democr\u00e1tico, com o ex\u00e9rcito mais moral do mundo, enquanto as organiza\u00e7\u00f5es palestinas seriam terroristas b\u00e1rbaros que assassinam a sangue frio civis israelense. Tudo isso est\u00e1 sendo desmentido pela realidade da guerra. Quem est\u00e1 sendo b\u00e1rbaro, quem bombardeia civis e mata mulheres e crian\u00e7as e comete todo tipo de atrocidades contra a popula\u00e7\u00e3o civil \u00e9 o chamado ex\u00e9rcito mais moral do mundo. Esse processo tem isolado internacionalmente Israel, mudado a percep\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica sobre o sionismo, aumentando a solidariedade aos palestinos em todos os continentes e colocado na ordem do dia a necessidade de resolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o palestina.<\/p>\n<p>Uma das iniciativas que demonstram o isolamento de Israel \u00e9 a den\u00fancia do genoc\u00eddio em Gaza por parte da \u00c1frica do Sul junto \u00e0 Corte Internacional da Justi\u00e7a, em Haia, onde se demonstra com provas concretas a magnitude da matan\u00e7a que os sionistas est\u00e3o realizando contra a popula\u00e7\u00e3o de Gaza. Nesses mais de tr\u00eas meses de invas\u00e3o j\u00e1 foi lan\u00e7ada em Gaza uma quantidade de bombas 3,25 vezes maior que as bombas nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki. O documento denuncia o fato de Israel obrigar ao cont\u00ednuo deslocamento de milhares de pessoas de uma regi\u00e3o para outra e de bombarde\u00e1-las quando chegam aos locais definidos, acusa a pol\u00edtica genocida de matar de fome a popula\u00e7\u00e3o ao impedir a entrada de caminh\u00f5es de alimentos, denuncia ainda a destrui\u00e7\u00e3o de bairros inteiros, universidades, mesquitas, o bombardeio de geradores que fornecem energia para os hospitais, o encarceramento de m\u00e9dicos e pessoal de sa\u00fade visando dificultar o atendimento aos feridos, a morte de dezenas de jornalistas, entre outras atrocidades. Evidentemente que essa den\u00fancia pode resultar em nada, at\u00e9 mesmo porque os Estados Unidos j\u00e1 sa\u00edram em defesa dos sionistas, mas demonstra um isolamento de Israel que at\u00e9 agora n\u00e3o se tinha observado.<\/p>\n<p>Quanto mais o Ex\u00e9rcito sionista intensifica as barbaridades na regi\u00e3o palestina, mais aumenta o apoio popular \u00e0 resist\u00eancia. Uma carta recente encontrada numa casa destru\u00edda tinha um bilhete na qual os antigos propriet\u00e1rios escreveram que estavam deixando alimentos no arm\u00e1rio e dinheiro para os guerrilheiros, pedindo que tomassem cuidado e se mantivessem vivos. Esse n\u00e3o \u00e9 um fato isolado, pois o \u00f3dio ao invasor s\u00f3 vai aumentar as fileiras da resist\u00eancia. Afinal, depois de tudo o que est\u00e1 acontecendo, para a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe nenhuma alternativa a n\u00e3o ser resistir \u00e0 brutalidade sionista e lutar, principalmente entre a juventude. Se os sionistas imaginavam que a fome e o terror seriam capazes de levar a popula\u00e7\u00e3o a se revoltar contra a Resist\u00eancia, erraram completamente. Do ponto de vista da pol\u00edtica em geral, o sionismo est\u00e1 muito mais fr\u00e1gil agora do que no in\u00edcio da guerra. E se o conflito continuar sem os resultados esperados, esse governo pode cair. Dependendo da evolu\u00e7\u00e3o dos acontecimentos, esses dirigentes sionistas poder\u00e3o at\u00e9 ser julgados e presos por tribunais internacionais.<\/p>\n<p>Em resumo, ap\u00f3s o 7 de Outubro a quest\u00e3o palestina ganha uma nova dimens\u00e3o. Politicamente, o Estado sionista est\u00e1 derrotado e ter\u00e1 cada vez mais dificuldades para continuar essa guerra de terror contra os palestinos, tanto porque n\u00e3o atingiu os objetivos propostos, quanto porque a opini\u00e3o p\u00fablica poder\u00e1 colocar Israel na mesma condi\u00e7\u00e3o em que colocou o apartheid sul-africano. Do ponto de vista militar, a situa\u00e7\u00e3o se torna cada vez mais dif\u00edcil, pois vencer uma guerra n\u00e3o \u00e9 matar milhares de civis ou destruir cidades inteiras, mas derrotar o advers\u00e1rio armado e ocupar o terreno, o que n\u00e3o est\u00e1 acontecendo. A situa\u00e7\u00e3o pode evoluir para uma conjuntura na qual o ex\u00e9rcito, diante da falta de resultados militares concretos no terreno militar, pode ser obrigado a se retirar de Gaza, o que representaria uma derrota humilhante para aquilo que se gabava de ser o mais poderoso ex\u00e9rcito do Oriente M\u00e9dio, com o melhor servi\u00e7o de intelig\u00eancia do mundo.<\/p>\n<p>[1] Entre esses epis\u00f3dios b\u00edblicos est\u00e1 aquele em que Mois\u00e9s, ao voltar com seu povo do ex\u00edlio no Egito, pediu a Deus que separasse as \u00e1guas do mar para que todos pudessem passar. As \u00e1guas se abriram e os judeus passaram, mas todos os soldados eg\u00edpcios que vinham em seu encal\u00e7o morreram afogados porque o mar milagrosamente se fechou. J\u00e1 a chamada di\u00e1spora judaica, a partir dos anos 70 depois de Cristo, quando os romanos derrotaram Jerusal\u00e9m, \u00e9 tamb\u00e9m um fato pouco cr\u00edvel, uma vez que os romanos nunca exilaram nenhum povo naquela regi\u00e3o. Eles dominavam o povo, escravizavam os prisioneiros de guerra, e o resto da popula\u00e7\u00e3o continuava no local vivendo e pagando impostos para os romanos. Realmente, parece um conto de fadas esses epis\u00f3dios do povo hebreu. Somente uma mente pouco informada pode acreditar que o mar se abriu e fechou por ordem de Deus para favorecer o povo hebreu. Al\u00e9m disso, naquela \u00e9poca a regi\u00e3o era dominada pelos eg\u00edpcios e n\u00e3o teria sentido os judeus sa\u00edrem do Egito, onde supostamente estavam escravizados, para voltar a uma regi\u00e3o dominada &#8230; pelos eg\u00edpcios. (In Shlomo Sand. Como surgiu o povo judeu. Le Monde Diplomatique, dez. 2023)<\/p>\n<p>[2] Altman, Contra o sionismo. Retrato de uma doutrina colonial e racista. S\u00e3o Paulo: Alameda, 2023.<\/p>\n<p>[3] Os acordos de Oslo foram firmados na capital da Noruega, em 1993, entre Yitzhak Rabin, por Israel, e Yasser Arafat, pela Palestina.<\/p>\n<p>[4] Por uma nova Palestina. Entrevista de Mustafa Barghouti a Ignacio Ramonet para o Le Monde Diplomatique. Maio de 2008.<\/p>\n<p>[5] As informa\u00e7\u00f5es sobre o Partido Comunista da Palestina e o Partido Popular Palestino foram obtidas na Wikipedia, tendo em vista que os dados sobre essas duas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram encontradas em outras fontes, nem mesmo na Solidnet, p\u00e1gina que re\u00fane os Partidos Comunistas do mundo inteiro.<\/p>\n<p>[6] As organiza\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em a Frente de Resist\u00eancia e que organizaram o 7 de Outubro s\u00e3o as seguintes: Hamas, Jihad Isl\u00e2mica, Frente Popular para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, Frente Democr\u00e1tica para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina e Frente Popular para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina \u2013 Comando Geral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31229\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[73,181,37,242,38,9,146,255,26,383,78],"tags":[219,246],"class_list":["post-31229","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c86-anti-imperialismo","category-asia","category-c42-comunistas","category-eipco","category-c43-imperialismo","category-s10-internacional","category-internacionalismo","category-israel","category-c25-notas-politicas-do-pcb","category-pronunciamentos-da-secretaria-geral","category-c91-solidariedade-a-palestina","tag-manchete","tag-np"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-87H","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31229"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31229\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31232,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31229\/revisions\/31232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}