{"id":3123,"date":"2012-07-04T14:42:02","date_gmt":"2012-07-04T14:42:02","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3123"},"modified":"2012-07-04T14:42:02","modified_gmt":"2012-07-04T14:42:02","slug":"brasil-quer-compensar-uruguai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3123","title":{"rendered":"Brasil quer compensar Uruguai"},"content":{"rendered":"\n<p>A pol\u00eamica sobre a entrada da Venezuela no Mercosul ganhou mais um cap\u00edtulo ontem com uma entrevista do vice-presidente uruguaio, Danilo Astori, na qual diz ser contra a mudan\u00e7a e chama o caso de agress\u00e3o institucional. Enquanto isso, diante da crise entre os integrantes da uni\u00e3o aduaneira, o governo brasileiro acena com a possibilidade de elevar investimentos no Uruguai para acalmar \u00e2nimos e aposta que os sinais de descontentamento n\u00e3o afetar\u00e3o o bloco.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma ferida institucional muito importante, talvez a mais grave nos 21 anos do Mercosul&#8221;, disse Astori ao &#8220;El Observador&#8221;.<\/p>\n<p>De outro lado, o secret\u00e1rio da Presid\u00eancia uruguaia, Diego C\u00e1nepa, minimizou diverg\u00eancias e disse que houve consenso sobre a entrada da Venezuela e que a vers\u00e3o do governo brasileiro sobre o epis\u00f3dio \u00e9 &#8220;correta&#8221;. Segundo ele, a discuss\u00e3o girou em torno da oportunidade e do alcance da Cl\u00e1usula de Ushuaia e, por isso, o presidente Jos\u00e9 &#8220;Pepe&#8221; Mujica pediu que se esperasse at\u00e9 31 de julho para a ades\u00e3o oficial ao bloco.<\/p>\n<p>Mas a discuss\u00e3o sobre o assunto est\u00e1 longe de acabar no Uruguai. Ontem, o Senado aprovou com votos de 13 dos 27 senadores a convoca\u00e7\u00e3o do chanceler Luis Almagro, que disse que o pa\u00eds teve de aceitar o novo s\u00f3cio por press\u00e3o da presidente Dilma Rousseff. Segundo a Constitui\u00e7\u00e3o uruguaia, para aprovar a interpela\u00e7\u00e3o de um ministro \u00e9 necess\u00e1rio contar com um ter\u00e7o dos votos. A oposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 fala em pedir a ren\u00fancia do chanceler por considerar que ele mentiu.<\/p>\n<p>No Brasil, o governo estuda formas de compensar o Uruguai com mais com\u00e9rcio e investimentos. A avalia\u00e7\u00e3o interna \u00e9 de que, apesar do descontentamento demonstrado nesta semana, n\u00e3o h\u00e1 risco de as autoridades uruguaias cumprirem a amea\u00e7a de fecharem, sozinhas, acordos bilaterais de livre com\u00e9rcio com parceiros que n\u00e3o s\u00e3o do Mercosul, como havia sugerido o presidente. Esta hip\u00f3tese significaria o rompimento com um princ\u00edpio b\u00e1sico do Mercosul, o de negocia\u00e7\u00e3o dos integrantes em conjunto. A equipe do presidente Jos\u00e9 Mujica tamb\u00e9m assegurou ao Brasil que n\u00e3o pretende rever o ingresso dos venezuelanos na uni\u00e3o aduaneira.<\/p>\n<p>As arestas foram acertadas entre Bras\u00edlia e Montevid\u00e9u em contatos telef\u00f4nicos. Mesmo porque, jur\u00eddica e tecnicamente, n\u00e3o h\u00e1 como rever a entrada da Venezuela no bloco, como explicou o advogado-geral da Uni\u00e3o, Lu\u00eds In\u00e1cio Adams.<\/p>\n<p>&#8211; A decis\u00e3o de suspender o Paraguai n\u00e3o afeta apenas o Executivo, mas tamb\u00e9m o Legislativo &#8211; disse. &#8211; N\u00e3o houve debate ou obje\u00e7\u00e3o ao entendimento, seja jur\u00eddico ou pol\u00edtico. O pr\u00f3prio chanceler do Uruguai estava presente e nada falou.<\/p>\n<p>Para o presidente do Centro Brasileiro de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (Cebri), embaixador Jos\u00e9 Botafogo Gon\u00e7alves, o Brasil \u00e9 respons\u00e1vel pelo enfraquecimento do Mercosul.<\/p>\n<p>&#8211; A Argentina n\u00e3o pode ser condutora do bloco, nem no plano comercial nem no pol\u00edtico. \u00c9 o Brasil que tem de decidir para que lado vai o Mercosul<\/p>\n<hr \/>\n<p>Nem incentivos de R$ 102 bi seguram queda da ind\u00fastria<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>Mais de R$ 102 bilh\u00f5es foram destinados a incentivos \u00e0 ind\u00fastria desde o in\u00edcio do governo de Dilma Rousseff, em sete pacotes de medidas que tiveram por objetivo estimular o crescimento do pa\u00eds por meio do setor. Quatro deles foram lan\u00e7ados este ano. O montante equivale a mais de um m\u00eas de arrecada\u00e7\u00e3o de todos os impostos e contribui\u00e7\u00f5es do governo federal. Tamb\u00e9m \u00e9 superior ao or\u00e7amento anual da Sa\u00fade, que, em 2012, ficou em R$ 72,1 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, a situa\u00e7\u00e3o vem se deteriorando: a ind\u00fastria teve, em maio, recuo de 4,3% na produ\u00e7\u00e3o frente ao mesmo m\u00eas do ano anterior, o maior recuo desde setembro de 2009, que tinha sido de 7,6%. No ano, a queda j\u00e1 est\u00e1 em 3,4%. E, para conseguir encerrar o ano pelo menos no zero a zero, o setor precisa de uma expans\u00e3o m\u00e9dia mensal de 1,5% at\u00e9 dezembro, segundo estimativa da LCA Consultores. J\u00e1 h\u00e1 quem estime recuo de 1% em 2012, caso da Tend\u00eancias Consultoria. Mas at\u00e9 para chegar a esse resultado ser\u00e1 preciso crescer 1,15% ao m\u00eas at\u00e9 o fim do ano, o que n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil.<\/p>\n<p>A queda em maio foi a nona seguida, espalhada por 17 das 27 atividades pesquisadas, 46 dos 76 subsetores e 57% dos 755 produtos investigados. As quatro categorias de uso \u2014 bens de capital, bens intermedi\u00e1rios, bens de consumo dur\u00e1veis e bens de consumo semi e n\u00e3o dur\u00e1veis \u2014 registraram perda. Os n\u00fameros tamb\u00e9m foram negativos frente a abril. A produ\u00e7\u00e3o caiu 0,9%, acumulando queda de 2% nos \u00faltimos tr\u00eas meses. Das quatro categorias de uso, apenas os bens de intermedi\u00e1rios escaparam do territ\u00f3rio negativo, com alta de 0,2%, ap\u00f3s dois recuos seguidos. Em 12 meses, a queda \u00e9 de 1,8%, pior taxa desde fevereiro de 2010.<\/p>\n<p>\u2014 O quadro geral mostra um predom\u00ednio de resultados negativos, em qualquer compara\u00e7\u00e3o que se utilize \u2014 afirmou o coordenador de Ind\u00fastria do IBGE, Andr\u00e9 Luiz Macedo.<\/p>\n<p>Peso maior da falta de competitividade l At\u00e9 mesmo a produ\u00e7\u00e3o de bens de capital \u2014 identificada com investimentos por estar ligada a moderniza\u00e7\u00f5es e amplia\u00e7\u00f5es de parque industrial \u2014, que vinha se sustentando em alta, deixou a desejar. O segmento recuou 1,5% no bimestre abril-maio, ap\u00f3s avan\u00e7ar 2,5% no quarto trimestre de 2011 e 1,3% no primeiro bimestre de 2012.<\/p>\n<p>A principal influ\u00eancia negativa foi o setor de ve\u00edculos automotores. Ap\u00f3s reagir nos \u00faltimos tr\u00eas meses, a produ\u00e7\u00e3o caiu 4,5% em maio, frente a abril, e 16,8% em rela\u00e7\u00e3o a maio de 2011. Considerando s\u00f3 autom\u00f3veis, a queda foi de 5,3%, ap\u00f3s recuo de 2,7% em abril.<\/p>\n<p>Em nota, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores (Anfavea) argumentou que os dados ainda n\u00e3o refletem a redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) anunciada em maio para reduzir o pre\u00e7o dos autom\u00f3veis em at\u00e9 10%. De acordo com a associa\u00e7\u00e3o, no per\u00edodo, foram comercializados 353,2 mil ve\u00edculos, o que representa crescimento de 22,8% com rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior.<\/p>\n<p>O desempenho de maio mostra o impacto da redu\u00e7\u00e3o do IPI para eletrodom\u00e9sticos e m\u00f3veis, mas alguns economistas acreditam que este efeito pode ser limitado nos pr\u00f3ximos meses. A produ\u00e7\u00e3o de eletrodom\u00e9sticos da linha branca (geladeira, fog\u00e3o e refrigerador) avan\u00e7ou 8,5% em maio e 9% em abril, frente a igual m\u00eas do ano anterior.<\/p>\n<p>J\u00e1 o setor de m\u00f3veis teve alta de 22,3% em maio e 14,7% em abril. Setores que n\u00e3o receberam o incentivo tribut\u00e1rio, no entanto, n\u00e3o tiveram o mesmo desempenho. A produ\u00e7\u00e3o de outros eletrodom\u00e9sticos \u2014 que inclui micro- ondas e liquidificadores, por exemplo \u2014 teve queda de 25,5% da produ\u00e7\u00e3o em maio e 13,6% em abril.<\/p>\n<p>O segmento de Alimentos tamb\u00e9m mostrou retra\u00e7\u00e3o em maio, de 3,4%, acumulando perdas de 7,1% em dois meses seguidos de recuo.<\/p>\n<p>\u2014 O primeiro semestre j\u00e1 est\u00e1 perdido \u2014 disse o economista da LCA Consultores Rodrigo Nishida.<\/p>\n<p>Para o economista-chefe da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), Fl\u00e1vio Castelo Branco, as medidas do governo nos \u00faltimos12 meses criaram benef\u00edcios pontuais, que n\u00e3o resolvem a situa\u00e7\u00e3o do setor como um todo.<\/p>\n<p>\u2014 O impacto da crise mundial e da falta de competitividade \u00e9 muito maior \u2014 afirmou ele.<\/p>\n<p>Os empres\u00e1rios se queixam do c\u00e2mbio e dos custos crescentes de produ\u00e7\u00e3o, o que inclui os juros ainda altos para investimentos. Tudo isso agravado pelo cen\u00e1rio mundial ruim. Para o vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas (Abimaq), Jos\u00e9 Velloso, os n\u00fameros do IBGE n\u00e3o s\u00e3o surpresa. Segundo ele, est\u00e1 havendo um desinvestimento: \u2014 Se, de 2009 para c\u00e1, o governo tivesse investido em competitividade, o brasileiro estaria comprando produtos nacionais por pre\u00e7os mais baixos sem a necessidade de desonera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Indefini\u00e7\u00f5es atrasam investimentos em portos<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os investimentos em portos no Brasil, entre projetos em curso e em perspectiva, somam R$ 19 bilh\u00f5es entre 2012 e 2015, segundo proje\u00e7\u00e3o do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). Desse total, 75% correspondem a investimentos privados e 25% a recursos p\u00fablicos para infraestrutura. Para sair do papel. por\u00e9m, grande parte desses projetos depende de defini\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias em discuss\u00e3o no governo. No setor privado existe a impress\u00e3o de que o tema, centralizado na Casa Civil, n\u00e3o est\u00e1 na lista de prioridades.<\/p>\n<p>Entre empresas privadas que operam portos, existe o entendimento de que faltou converg\u00eancia entre os diferentes \u00f3rg\u00e3os do governo envolvidos na discuss\u00e3o, incluindo a Ag\u00eancia Nacional de Transportes Aquavi\u00e1rios (Antaq) e a Secretaria Especial de Portos (SEP). &#8220;N\u00e3o h\u00e1 consenso&#8221;, disse um executivo. Para outro empres\u00e1rio, h\u00e1 interven\u00e7\u00f5es pontuais nos portos, ligadas ao Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), mas falta uma pol\u00edtica de desenvolvimento para o setor.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda quem entenda que as medidas n\u00e3o saem por dificuldades na modelagem jur\u00eddica. O advogado Osvaldo Agripino considera que concentrar na Casa Civil discuss\u00f5es regulat\u00f3rias sobre os portos \u00e9 uma &#8220;usurpa\u00e7\u00e3o&#8221; de compet\u00eancias da Antaq. Apesar da demora, existe a expectativa de que algo possa ocorrer ainda em 2012. As medidas em an\u00e1lise, entre as quais a concess\u00e3o de novos portos p\u00fablicos e o arrendamento de terminais existentes, podem estimular investimentos depois de um longo per\u00edodo sem licita\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias relevantes.<\/p>\n<p>O mapeamento feito pelo BNDES considera quatro grandes oportunidades. Os R$ 19 bilh\u00f5es levam em conta projetos que podem ou n\u00e3o chegar ao banco. Mesmo assim, o n\u00famero \u00e9 ambicioso se for analisado que s\u00f3 em 2011 os desembolsos do Departamento de Log\u00edstica (Delog) do BNDES para os portos somaram R$ 1,2 bilh\u00e3o. O n\u00famero representou 26% do total liberado pelo Delog no ano passado e incluiu financiamentos a projetos portu\u00e1rios de gran\u00e9is agr\u00edcolas, cont\u00eaineres e min\u00e9rio de ferro em Santos (SP), Pec\u00e9m (CE), Aratu (BA), Paranagu\u00e1 (PR) e Rio Grande (RS).<\/p>\n<p>A principal oportunidade identificada pelo BNDES e que deve absorver R$ 5,7 bilh\u00f5es ou 30% do total de recursos previstos pelo banco \u00e9 a concess\u00e3o de novos portos p\u00fablicos, iniciativa que tende a come\u00e7ar por Manaus (AM) e Ilh\u00e9us (BA). O BNDES tamb\u00e9m lista novos investimentos em terminais de cont\u00eaineres privativos que movimentam carga pr\u00f3pria e de terceiros, como o projeto da Embraport, em Santos. O BNDES concedeu financiamento de R$ 633 milh\u00f5es para a Embraport, tendo a Caixa Econ\u00f4mica Federal como agente financeiro. Os projetos de cont\u00eaineres podem responder por 25% dos R$ 19 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O restante do investimento previsto pelo banco seria divido entre recursos aportados diretamente pelo governo federal via PAC, como \u00e9 o caso do programa nacional de dragagem, e a moderniza\u00e7\u00e3o de terminais existentes. Os investimentos p\u00fablicos via PAC ficariam com 23% do total investido, enquanto a moderniza\u00e7\u00e3o dos terminais responderia pelos restantes 22%.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um tema que depende, em grande medida, da licita\u00e7\u00e3o de contratos de arrendamento vencidos ou a vencer que foram assinados antes da lei dos portos, em 1993. Wilen Manteli, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Terminais Portu\u00e1rios (ABTP), disse que o governo ganharia mais se adaptasse os contratos ao inv\u00e9s de licit\u00e1-los. Parte dos associados da entidade sinalizou estar disposta a investir R$ 10,3 bilh\u00f5es de forma imediata na melhoria e expans\u00e3o da capacidade operacional se a adapta\u00e7\u00e3o dos contratos fosse aprovada. O governo j\u00e1 disse, por\u00e9m, que a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 licitar esse terminais.<\/p>\n<p>Dalmo Marchetti, gerente do Delog do BNDES, avaliou que houve melhorias no setor portu\u00e1rio brasileiro, mas disse que o modelo atual chegou perto do limite com portos p\u00fablicos com demanda pr\u00f3xima e, em alguns casos, at\u00e9 superior \u00e0 capacidade. Ele tem a expectativa que as licita\u00e7\u00f5es de portos p\u00fablicos atraiam o interesse do setor privado. O banco poder\u00e1 apoiar os projetos com foco maior na superestrutura (edifica\u00e7\u00f5es, cais e compra de equipamentos).<\/p>\n<p>Carlos Campos, coordenador de infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA), disse que os investimentos nos portos v\u00eam caindo. O pico, a valores constantes de 2011, foi em 2009 com R$ 3,4 bilh\u00f5es. No ano passado, o n\u00famero ficou em R$ 2,3 bilh\u00f5es. Em 2012, foram empenhados at\u00e9 31 de maio pouco mais de 10% dos recursos autorizados no or\u00e7amento da Uni\u00e3o para os portos, de R$ 821 milh\u00f5es, disse Campos. H\u00e1 dois anos o IPEA mostrou que a necessidade de investimentos nos portos do pa\u00eds era de R$ 43 bilh\u00f5es. &#8220;As necessidades indicadas [no trabalho] continuam v\u00e1lidas&#8221;, disse Campos.<\/p>\n<hr \/>\n<p>BC pode intervir no c\u00e2mbio para ajudar ind\u00fastria<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O d\u00f3lar abaixo de R$ 2 n\u00e3o agrada a equipe econ\u00f4mica e o Banco Central pode voltar a agir. O recado foi dado ontem pelo diretor de pol\u00edtica monet\u00e1ria da institui\u00e7\u00e3o, Aldo Luiz Mendes. &#8220;Minha percep\u00e7\u00e3o \u00e9 que o d\u00f3lar abaixo desse n\u00edvel de R$ 2 pode n\u00e3o ser bom para a ind\u00fastria&#8221;, disse no fim da manh\u00e3.<\/p>\n<p>O aviso mudou os ventos do mercado e a moeda, que recuava, passou a subir, voltou ao n\u00edvel considerado adequado e terminou a R$ 2,0150, maior valor do dia, em alta de 1,31%.<\/p>\n<p>Em entrevista ao Estado, Mendes deixou clara a insatisfa\u00e7\u00e3o e a preocupa\u00e7\u00e3o do governo com o tema. Mais que isso: mostrou que o BC est\u00e1 alinhado com o restante da equipe econ\u00f4mica no esfor\u00e7o de manter o d\u00f3lar em um patamar favor\u00e1vel \u00e0s empresas brasileiras.<\/p>\n<p>&#8220;O desempenho industrial mais fraco at\u00e9 aumenta a possibilidade de o governo querer um d\u00f3lar mais alto que a cota\u00e7\u00e3o de hoje (ontem)&#8221;, disse o diretor do Banco Central.<\/p>\n<p>Minutos antes da entrevista, o d\u00f3lar chegou a ser trocado de m\u00e3os por R$ 1,9770. O governo entende que o d\u00f3lar mais alto \u00e9 importante para os exportadores, j\u00e1 que torna produtos e servi\u00e7os brasileiros mais competitivos.<\/p>\n<p>Liquidez. Oficialmente, o BC n\u00e3o tem um objetivo para o pre\u00e7o da moeda e a institui\u00e7\u00e3o s\u00f3 interv\u00e9m para resolver problemas de liquidez. &#8220;N\u00e3o temos uma meta de c\u00e2mbio, atuamos no ajuste da liquidez&#8221;, argumentou o diretor. Apesar do discurso, Aldo avisou que o banco pode voltar a comprar d\u00f3lares, o que evidentemente aumentaria o pre\u00e7o da moeda. &#8220;O BC tem atuado numa ponta (a vendedora) e pode atuar na outra (como comprador). Sempre estamos de olho&#8221;, afirmou o diretor.<\/p>\n<p>A chance de voltar \u00e0s compras tem at\u00e9 endere\u00e7o: o mercado futuro. &#8220;A din\u00e2mica atual tem sido concentrada no segmento futuro. Se a gente tivesse de voltar a intervir, seria no futuro&#8221;, disse. Essa simples amea\u00e7a foi suficiente para a moeda, em poucos minutos, retornar ao patamar indicado.<\/p>\n<p>O mesmo BC que agora amea\u00e7a comprar d\u00f3lares teve, na semana passada, forte atua\u00e7\u00e3o como vendedor da moeda americana. Em tr\u00eas dias seguidos &#8211; entre quarta-feira e sexta-feira -, realizou leil\u00f5es no mercado futuro que corresponderam \u00e0 venda de cerca de US$ 9 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Crise externa. Mesmo com tais interven\u00e7\u00f5es, o diretor do Banco Central afirma que a recente queda do d\u00f3lar para abaixo de R$ 2 n\u00e3o \u00e9 responsabilidade do banco. Para ele, a queda \u00e9 resultado de uma percep\u00e7\u00e3o positiva dos investidores sobre a crise externa. &#8220;Os an\u00fancios ap\u00f3s o encontro da c\u00fapula europeia na semana passada t\u00eam consist\u00eancia um pouco maior do que havia sido divulgado antes. Por isso, houve o recuo do d\u00f3lar&#8221;, argumenta Mendes. &#8220;Houve al\u00edvio para a tomada de risco.&#8221;<\/p>\n<p>Em Bruxelas, l\u00edderes europeus acertaram diretrizes para uma a\u00e7\u00e3o conjunta em favor do crescimento e para enfrentar a crise da d\u00edvida de v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A sinaliza\u00e7\u00e3o dada pelo diretor do Banco Central mostra como a autoridade monet\u00e1ria compartilha ideias com o Minist\u00e9rio da Fazenda e o Pal\u00e1cio do Planalto. No esfor\u00e7o de tentar manter a ind\u00fastria e o restante da economia aquecida, in\u00fameras medidas t\u00eam sido tomadas nas \u00e1reas tribut\u00e1ria, fiscal e de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Sob a responsabilidade do Banco Central, o juro cai desde agosto do ano passado e houve libera\u00e7\u00e3o de recursos dos bancos &#8211; o compuls\u00f3rio &#8211; para cr\u00e9dito de ve\u00edculos e rural.<\/p>\n<hr \/>\n<p>BNDES v\u00ea gargalo de financiamento no Brasil<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O aumento do ritmo de crescimento do Brasil pode provocar um gargalo no financiamento, segundo o assessor econ\u00f4mico da presid\u00eancia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), Jorge Arbache. A uma plateia formada por empres\u00e1rios do Brasil e da Alemanha e representantes de bancos da Europa, ele prop\u00f4s a entrada de novos formatos de financiamento com participa\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es estrangeiras.<\/p>\n<p>&#8220;O BNDES n\u00e3o ser\u00e1 capaz de bancar o crescimento de demanda por linhas de financiamento sozinho&#8221;, disse. Ap\u00f3s sua apresenta\u00e7\u00e3o, num dos pain\u00e9is do 30\u00ba encontro econ\u00f4mico Brasil-Alemanha, em Frankfurt, Arbache explicou que seu progn\u00f3stico se refere ao m\u00e9dio prazo. Segundo ele, os recursos dispon\u00edveis hoje, que giram em torno de R$ 150 bilh\u00f5es por ano, s\u00e3o suficientes para atender aos pedidos atuais. &#8220;Mas o problema \u00e9 que no m\u00e9dio prazo n\u00e3o sabemos qual ser\u00e1 o comportamento do poupador, ao mesmo tempo em que tamb\u00e9m desconhecemos como se dar\u00e1 a disposi\u00e7\u00e3o do investidor em buscar recursos para financiamento&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Ele lembrou que novos instrumentos de poupan\u00e7a, como o da previd\u00eancia do setor p\u00fablico engrossar\u00e3o os recursos para financiamento, dando mais f\u00f4lego na oferta de cr\u00e9dito para os empreendimentos. &#8220;Mas esse fundo, por exemplo, levar\u00e1 ainda um tempo para come\u00e7ar a crescer&#8221;, destacou. At\u00e9 l\u00e1, ele espera um aumento de demanda por conta de obras do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), al\u00e9m de necessidades de setores como a ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Para o assessor do BNDES, se a tend\u00eancia de queda da Selic se mantiver haver\u00e1 menos especula\u00e7\u00e3o na taxa de c\u00e2mbio, o que, no m\u00e9dio prazo, trar\u00e1 uma estabilidade no c\u00e2mbio e consequente aumento de novos projetos. &#8220;A partir disso, a roda gira&#8221;, disse. &#8220;N\u00e3o se trata de um crescimento a altas taxas, mas com base numa economia mais previs\u00edvel&#8221;, destacou. Segundo ele, a redu\u00e7\u00e3o da TJLP ocorreu para seguir a tend\u00eancia da Selic e compensar o custo financeiro e de risco dos bancos na intermedia\u00e7\u00e3o das linhas do BNDES. De qualquer forma, \u00e9 um sinal da disposi\u00e7\u00e3o em continuar a estimular o financiamento produtivo.<\/p>\n<p>Arbache n\u00e3o mencionou que tipo de institui\u00e7\u00e3o poderia engrossar a oferta de linhas de longo prazo. O potencial econ\u00f4mico do Brasil foi tema constante nos dois dias de discuss\u00f5es em Frankfurt. &#8220;O Brasil tem uma grande riqueza, notadamente de mat\u00e9rias-primas. Esse mercado poderia ser ampliado se o pa\u00eds pudesse dar um passo mais acelerado na infraestrutura&#8221;, disse Stefan B\u00f6hlich, chefe de financiamento de com\u00e9rcio e exporta\u00e7\u00f5es do Commerzbank AG. O executivo alem\u00e3o lembrou que se na Europa a crise de 2008 &#8220;se converteu numa d\u00edvida de bancos&#8221;, no Brasil o setor banc\u00e1rio n\u00e3o foi atingido. &#8220;Por outro lado, percebe-se uma estagna\u00e7\u00e3o no crescimento do pa\u00eds. A redu\u00e7\u00e3o dos juros poder\u00e1 servir para mudar a tend\u00eancia; mas o pa\u00eds n\u00e3o pode descuidar do controle de infla\u00e7\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n<hr \/>\n<p>EUA precisam de ajustes leves, diz FMI<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) advertiu ontem o governo e o Congresso dos Estados Unidos para tra\u00e7ar um plano mais leve de ajuste nas contas p\u00fablicas a ser aplicado a partir de outubro, in\u00edcio do ano fiscal de 2013, e tamb\u00e9m a elevar o teto do endividamento do pa\u00eds em dezembro.<\/p>\n<p>Em recupera\u00e7\u00e3o &#8220;morna&#8221; e sujeita a &#8220;elevados riscos&#8221; vindos da Europa, a economia americana tende a afundar em nova crise se tais medidas n\u00e3o surgirem. &#8220;N\u00f3s acreditamos que a consolida\u00e7\u00e3o fiscal \u00e9 necess\u00e1ria. Mas n\u00e3o qualquer consolida\u00e7\u00e3o fiscal. Ela tem de ser sens\u00edvel e, certamente, n\u00e3o excessiva&#8221;, recomendou Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, na divulga\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio da revis\u00e3o peri\u00f3dica da economia dos EUA.<\/p>\n<p>Para 2012, o FMI projetou crescimento de 2,0% do Produto Interno Bruto (PIB), apenas 0,3 ponto porcentual acima do registrado em 2011, e taxa de desemprego de 8,2%. Com a economia no centro das aten\u00e7\u00f5es do eleitorado, o cen\u00e1rio tra\u00e7ado pelo FMI traz imensos desafios para a reelei\u00e7\u00e3o do presidente americano, Barack Obama, em novembro. Para 2013, o FMI prev\u00ea expans\u00e3o de 2,25% na atividade econ\u00f4mica e taxa de desocupa\u00e7\u00e3o ligeiramente menor, de 7,9%.<\/p>\n<p>Essas proje\u00e7\u00f5es podem dar lugar a piores n\u00fameros se a calibragem do ajuste fiscal for pesada demais, preveniu o FMI. A proposta de or\u00e7amento para o ano fiscal de 2013 enviada pela Casa Branca ao Congresso prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit federal de 8,5% para 5,5% do PIB, uma meta considerada t\u00edmida demais pela oposi\u00e7\u00e3o republicana no Congresso.<\/p>\n<p>Ritmo brando. Mas, nas contas do FMI, o ajuste proposto por Obama ser\u00e1 suficiente para impedir crescimento econ\u00f4mico al\u00e9m de 1,0%. O Fundo recomenda ritmo mais brando, com a diminui\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit fiscal do ano que vem para 6,5% e a apresenta\u00e7\u00e3o de um plano fact\u00edvel de longo prazo para a redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica e de consolida\u00e7\u00e3o fiscal. &#8220;At\u00e9 mesmo uma pequena redu\u00e7\u00e3o seria r\u00e1pida demais&#8221;, conclu\u00edram os t\u00e9cnicos da institui\u00e7\u00e3o, ao avaliar as perspectivas de curto prazo.<\/p>\n<p>O Fundo igualmente alertou o governo e o Congresso americanos a fechar um novo acordo sobre o aumento do teto de endividamento federal at\u00e9 31 de dezembro. A aus\u00eancia desse acerto vai disparar um corte autom\u00e1tico de US$ 600 bilh\u00f5es em despesas p\u00fablicas em 2013 e empurrar a economia americana para uma nova recess\u00e3o. Em julho do ano passado, a dificuldade de o Executivo e o Legislativo chegarem a um consenso sobre o tema provocou o primeiro rebaixamento da avalia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito da hist\u00f3ria dos EUA, pela ag\u00eancia Standard &amp; Poor&#8221;s.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica monet\u00e1ria americana de juros baixos e de inje\u00e7\u00e3o de liquidez na economia foi considerada &#8220;adequada&#8221; pelo Fundo. O FMI apoiou, sobretudo, o fato de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano)manter aberta uma janela para adotar novas medidas de amplia\u00e7\u00e3o da liquidez, em caso de contra\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nO Globo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3123\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3123","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-On","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3123"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3123\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}