{"id":31294,"date":"2024-01-26T22:49:11","date_gmt":"2024-01-27T01:49:11","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31294"},"modified":"2024-01-26T22:49:11","modified_gmt":"2024-01-27T01:49:11","slug":"zapatismo-conciliacao-e-neofascismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31294","title":{"rendered":"Zapatismo, concilia\u00e7\u00e3o e neofascismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31295\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31294\/design-sem-nome-1\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/zapa.jpg?fit=938%2C510&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"938,510\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;LEONARDO SILVA ANDRADA&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Design sem nome - 1&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Design sem nome &amp;#8211; 1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/zapa.jpg?fit=747%2C406&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-31295\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/zapa.jpg?resize=747%2C406&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/zapa.jpg?resize=900%2C489&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/zapa.jpg?resize=300%2C163&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/zapa.jpg?resize=768%2C418&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/zapa.jpg?w=938&amp;ssl=1 938w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Por Leonardo Silva Andrada<\/strong><\/p>\n<p>O neoliberalismo nasceu como t\u00e1tica do capital para a contraofensiva que deveria superar a crise do final da d\u00e9cada de 1960. A sua era de ouro do p\u00f3s-guerra rendeu os Cadillacs, tv&#8217;s espalhadas pela casa, baldes de frango frito e coca-cola pra assistir a produ\u00e7\u00e3o triunfalista de Hollywood, no centro do Imp\u00e9rio. A engenharia financeira de Bretton Woods, para garantir que o resto do mundo sustentasse esse padr\u00e3o de vida, impulsionou din\u00e2micas locais nas pot\u00eancias de segundo escal\u00e3o, que constitu\u00edram a \u00f3rbita necess\u00e1ria para que o circuito do capital cumprisse sua fun\u00e7\u00e3o de reciclagem em Wall Street. Cumprindo essa rota, financiava a economia deficit\u00e1ria norte-americana, seu consumo predat\u00f3rio em massa e o militarismo em larga escala, garantia do controle de metade do globo, financiando os grandes grupos do complexo industrial militar.<\/p>\n<p>Na periferia, promoveu \u201cmoderniza\u00e7\u00f5es\u201d com tra\u00e7os pr\u00f3prios, muitas delas de car\u00e1ter autocr\u00e1tico conservador, para garantir que regimes concentradores n\u00e3o sofressem indesej\u00e1veis interven\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas de for\u00e7as populares organizadas. Na vers\u00e3o brasileira, os desenvolvimentos dessa l\u00f3gica nos proporcionaram o golpe de 64 e a ditadura burgo-militar, que deveria tratar de estrangular a floresc\u00eancia de nossas pr\u00f3prias rea\u00e7\u00f5es dial\u00e9ticas \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o acelerada por substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es. Sob o guarda-chuva ideol\u00f3gico do nacionalismo, comunistas, trabalhistas, cat\u00f3licos de esquerda organizavam bases populares para a Revolu\u00e7\u00e3o Brasileira que realizaria a tarefa hist\u00f3rica que nossa morosa revolu\u00e7\u00e3o burguesa insistia em adiar: a verdadeira independ\u00eancia e a verdadeira democracia, querendo dizer ruptura com o imperialismo e inclus\u00e3o pol\u00edtica das classes populares.<\/p>\n<p>A burguesia precisava derrotar esse ator pol\u00edtico para se desfazer do Estado nacional desenvolvimentista que a tinha anabolizado. Com o golpe e o regime subsequente, vimos os estertores dessa vitalidade pol\u00edtica social. Tivemos nossas vers\u00f5es de movimentos que pretendiam radicalidade, quando expressavam leituras equivocadas da conjuntura e da pr\u00f3pria estrutura de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica; mas tamb\u00e9m tivemos a preserva\u00e7\u00e3o da linha de constru\u00e7\u00e3o do movimento de massas. E igualmente tivemos nossa manifesta\u00e7\u00e3o regional de contracultura, cuja express\u00e3o mais marcante foi a Tropic\u00e1lia. A hegemonia da linha dura encaminhou, como tratamento para esse \u00faltimo suspiro, o recrudescimento da repress\u00e3o, a censura e o arb\u00edtrio, atrav\u00e9s do AI-5. Aniquilou os grupos de car\u00e1ter pol\u00edtico, sufocou a express\u00e3o art\u00edstica, neutralizada ao ser incorporada \u00e0 sociedade de consumo via ind\u00fastria cultural.<\/p>\n<p>Uma t\u00e1tica para a neutraliza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da mem\u00f3ria desse per\u00edodo foi a cristaliza\u00e7\u00e3o das imagens do m\u00edtico ano de 68, em seus aspectos mais espetacularizados. A contracultura, por um lado, e por outro, a rebeli\u00e3o estudantil em sua vers\u00e3o francesa (\u00e9 relevante lembrar que o 68 estudantil no Brasil e no M\u00e9xico, entre tantos outros, teve outro car\u00e1ter), no que ela tinha de mais inovador: os aspectos perform\u00e1ticos, emotivos e individuais. Foi o pren\u00fancio do p\u00f3s-modernismo, que seria seu rebento teoricamente mais bem acabado.<\/p>\n<p>A resposta burguesa entra em cena na d\u00e9cada seguinte e se dissemina pelo mundo durante os anos 1980, mas nesta d\u00e9cada a Am\u00e9rica Latina ainda precisava reorganizar a sua estrutura institucional. O Estado criado para gerenciar as ditaduras que executaram a moderniza\u00e7\u00e3o de forma acelerada, conservadora e violenta, sufocando a resist\u00eancia popular, n\u00e3o era compat\u00edvel com as necessidades do capital financeiro para o papel a ser cumprido pela periferia, particularmente nos gerentes regionais, como no caso brasileiro. O processo, mais uma vez, d\u00e1 mostras de como opera a dial\u00e9tica hist\u00f3rica do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>As formas de rearticula\u00e7\u00e3o do interesse popular, ap\u00f3s a derrota acachapante que significaram o golpe, a ditadura e a repress\u00e3o subsequente, sustentaram uma din\u00e2mica pol\u00edtica que deteve o experimento neoliberal at\u00e9 Fernando Henrique Cardoso. Da\u00ed em diante, sua hegemonia n\u00e3o foi mais deslocada; em alguns momentos, foi amortecida, em virtude, outra vez mais, da dial\u00e9tica da hist\u00f3ria, que teima em apresentar respostas populares \u00e0s tentativas burguesas de naturalizar e pacificar sua domina\u00e7\u00e3o. Se a via institucional de canalizar essa express\u00e3o, atrav\u00e9s do PT, \u00e9 incorporada \u00e0 ordem e se contenta com a ger\u00eancia do capitalismo em crise, explorando brechas para incorporar os trabalhadores ao mercado de consumo, esse \u00e9 um problema pol\u00edtico a que pretendemos chegar mais adiante.<\/p>\n<p>Nas economias centrais, a dissemina\u00e7\u00e3o do capitalismo financeiro, em um diversificado processo que se embalou sob o r\u00f3tulo de \u201cneoliberalismo\u201d, avan\u00e7ou sem maiores obstru\u00e7\u00f5es, contando com a louva\u00e7\u00e3o \u201cglorificante\u201d da propaganda ideol\u00f3gica do fim da hist\u00f3ria. O desmantelamento da URSS e das experi\u00eancias socialistas associadas n\u00e3o apenas foi refer\u00eancia a essa apologia de que n\u00e3o h\u00e1 alternativa, mas tamb\u00e9m impactou decisivamente no p\u00f3lo das lutas populares. Um n\u00famero expressivo de quadros e organiza\u00e7\u00f5es levou essa derrota conjuntural a extremos de reinterpreta\u00e7\u00e3o de toda forma de referencial, seja te\u00f3rica, seja de concep\u00e7\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, de estrutura organizacional, de propostas de sociedade futura, de formas de dar encaminhamento \u00e0s quest\u00f5es centrais \u2013 a rigor, a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de centralidade e de organiza\u00e7\u00e3o coletiva foram postas \u00e0 prova.<\/p>\n<p>A d\u00e9cada de 1990, ao mesmo tempo em que testemunha a marcha inapel\u00e1vel da institucionaliza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do neoliberalismo, serve de palco para as tentativas de rearticula\u00e7\u00e3o da luta popular sob novas bases. Uma express\u00e3o da novidade, ainda muito tribut\u00e1ria das experi\u00eancias do s\u00e9culo XX, \u00e9 o movimento zapatista, no sul do M\u00e9xico. Paralelamente, herdeiros da contracultura dos 60, tratando de representar a contesta\u00e7\u00e3o vanguardista, agora se valendo de mais de duas d\u00e9cadas de aprofundamento te\u00f3rico e pr\u00e1tico do p\u00f3s-modernismo gerido em 68, raiam no horizonte do s\u00e9culo XXI sob a forma da Gera\u00e7\u00e3o Seattle.<\/p>\n<p>\u00c9 sintom\u00e1tico que o encontro dessas variadas vertentes das tentativas de reorganiza\u00e7\u00e3o da luta nos 90 tenha buscado uma s\u00edntese para um outro mundo poss\u00edvel na Am\u00e9rica Latina, mais precisamente em Porto Alegre, no I F\u00f3rum Social Mundial de 2001. Da mar\u00e9 montante para os movimentos populares no per\u00edodo, emerge a for\u00e7a eleitoral que resulta na onda rosa da primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo. Foram governos que se elegeram com plataformas de centro-esquerda, mais ou menos moderadas a depender da trajet\u00f3ria hist\u00f3rica do movimento popular e da estrutura da luta de classes em cada pa\u00eds. Ao final dessas experi\u00eancias, a incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem, administrando o capitalismo em crise, n\u00e3o se apresentou como a alternativa que atenderia aos interesses populares. H\u00e1 algum tempo, a desesperan\u00e7a, a frustra\u00e7\u00e3o, o ressentimento t\u00eam buscado nas express\u00f5es do neofascismo a t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o, em um mundo que se apresenta cada vez mais condenado.<\/p>\n<p>Acabamos de superar o bolsonarismo por muito pouco, o que deixa no ar o temor de que, se a sua ignor\u00e2ncia ol\u00edmpica n\u00e3o o tivesse impedido de atuar de forma menos irrespons\u00e1vel na pandemia, provavelmente o agitador neofascista seria reeleito. A Argentina elegeu Javier Milei, que em menos de tr\u00eas semanas, editou quase 1000 normativas, contando com o benepl\u00e1cito da imprensa corporativa e a disposi\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora de n\u00e3o aceitar passivamente ser submetida a um feudalismo financeiro, ainda que submetida a uma repress\u00e3o desmedida. Se o presidente da rep\u00fablica que se aconselha com esp\u00edritos de cachorros aglutinar for\u00e7a pol\u00edtica o suficiente para garantir a implementa\u00e7\u00e3o de seu projeto, podemos estar testemunhando o nascimento da nova t\u00e1tica de exerc\u00edcio da domina\u00e7\u00e3o pelas fra\u00e7\u00f5es financeiras. Trata-se de um Estado neofascista mais abertamente ditatorial, como caminho para o aprofundamento do modelo neoliberal nos espa\u00e7os inacess\u00edveis com a vig\u00eancia da democracia burguesa constru\u00edda na segunda metade do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>Outro \u00edcone do neofascismo que viceja pelo mundo h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, Devendra Modi suspendeu 140 parlamentares de oposi\u00e7\u00e3o no final de 2023, atestando o car\u00e1ter da vers\u00e3o indiana desse processo. Antes que se completassem 30 dias desses movimentos da ofensiva reacion\u00e1ria do capital, ainda em dezembro desse mesmo ano, o Ex\u00e9rcito Zapatista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional anunciou a dissolu\u00e7\u00e3o do modelo de munic\u00edpios aut\u00f4nomos, forma organizativa de sua resist\u00eancia ao Estado mexicano. A vizinhan\u00e7a com a Guatemala exp\u00f5e os zapatistas ao avan\u00e7o das m\u00e1fias que entrela\u00e7am narcotr\u00e1fico e controle institucional, conquistando for\u00e7a o suficiente para se impor a um movimento que j\u00e1 n\u00e3o tem mais o vigor necess\u00e1rio para se garantir, como foi em seu auge.<\/p>\n<p>O ascenso de formas ainda mais brutas de exerc\u00edcio da domina\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o financeira, atrav\u00e9s de regimes neofascistas truculentos, concomitante \u00e0 desarticula\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de contesta\u00e7\u00e3o, deve ser tratado com a gravidade que o t\u00f3pico exige. As vit\u00f3rias eleitorais de chapas de concilia\u00e7\u00e3o nacional devem ser corretamente creditadas ao movimento de massas, mas sem que se perca do horizonte suas apertadas limita\u00e7\u00f5es. Essas pequenas conquistas circunscritas n\u00e3o garantem a dissipa\u00e7\u00e3o da amea\u00e7a de retorno do neofascismo. Do que apresentam esses governos na Am\u00e9rica Latina em anos recentes, n\u00e3o garantem nem mesmo a preponder\u00e2ncia das for\u00e7as populares na coaliz\u00e3o que os sustenta. Por um lado, a hegemonia burguesa \u00e9 constru\u00edda institucionalmente com lawfare, golpes parlamentares, uso massivo do poder econ\u00f4mico para campanhas ideol\u00f3gicas modernas e recurso aos nov\u00edssimos canais de comunica\u00e7\u00e3o, importantes ferramentas para construir maiorias eleitorais; por outro, o apelo da propaganda de extrema direita oferece a falsa ruptura com um sistema que n\u00e3o atende as demandas subalternas.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso dar \u00e0 classe trabalhadora a proposta revolucion\u00e1ria que efetivamente atende seus interesses. A assimila\u00e7\u00e3o de governos de centro esquerda, eleitos a partir da expectativa de real transforma\u00e7\u00e3o, mas executando uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o incapaz de contornar a submiss\u00e3o do p\u00f3lo dominado \u00e9 fonte da frustra\u00e7\u00e3o e combust\u00edvel do ressentimento que se traduz em voto neofascista. A insist\u00eancia na subordina\u00e7\u00e3o dos interesses populares a uma pol\u00edtica de austeridade, que penaliza a classe trabalhadora financiando os grandes grupos do capital, fragiliza o governo Lula muito mais do que as cr\u00edticas que seus defensores n\u00e3o admitem que sejam feitas. N\u00e3o h\u00e1 propaganda que resista ao confronto com uma realidade em que este governo realiza a concilia\u00e7\u00e3o com setores retr\u00f3grados, para a execu\u00e7\u00e3o de uma plataforma de austeridade, incluindo cortes no or\u00e7amento para servi\u00e7os p\u00fablicos, reforma administrativa e uma pequena cole\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que favorecem o interesse privatista. A vit\u00f3ria apertada de chapas de frente ampla n\u00e3o deve ofuscar a amea\u00e7a de retorno neofascista, ainda muito viva. E \u00e9 preciso ter claro que as elei\u00e7\u00f5es de Bolsonaro, Milei e demais figuras t\u00e9tricas com programas de extrema direita manifestam descren\u00e7a e rancor.<\/p>\n<p>A frustra\u00e7\u00e3o das esperan\u00e7as depositadas em chapas de centro-esquerda cada vez mais assimiladas e pasteurizadas alimenta esse rancor. Sem oferecer \u00e0 classe trabalhadora uma alternativa clara de ruptura e supera\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o que n\u00e3o atende minimamente a seus interesses, o risco de derrota eleitoral \u00e9 enorme. Ainda que este cen\u00e1rio n\u00e3o se confirme, sem uma base social muito ampla e s\u00f3lida, lawfare e golpes parlamentares t\u00eam sido recorrentes no continente. E essa op\u00e7\u00e3o tem que ser tomada logo, pois o trabalho pol\u00edtico leva tempo. O pessimismo da raz\u00e3o indica que o ocaso da experi\u00eancia zapatista e a assimila\u00e7\u00e3o plena da centro-esquerda sinalizam o esgotamento das respostas ao neoliberalismo gestadas a partir de meados da d\u00e9cada de 90; o otimismo da vontade nos impele \u00e0 rearticula\u00e7\u00e3o das lutas, para seguir resistindo e defendendo uma outra ordena\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>As li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria s\u00f3 podem ser apreendidas se delas extrairmos s\u00ednteses, e \u00e9 nesse sentido que se torna relevante interpretar o significado do esgotamento das respostas gestadas nos \u00faltimos anos como formas de organizar a luta popular. Uma das possibilidades \u00e9 que o \u00edmpeto \u201cnovidadeiro\u201d, sempre muito forte em per\u00edodos de crise, ceda o passo para a inspira\u00e7\u00e3o em formas organizativas que j\u00e1 comprovaram sua capacidade para articular a luta popular de forma vitoriosa. Evidentemente, n\u00e3o uma r\u00e9plica cimentada de express\u00f5es passadas, mas adaptada ao momento presente da luta de classes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31294\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10],"tags":[226],"class_list":["post-31294","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-88K","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31294","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31294"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31294\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31296,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31294\/revisions\/31296"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}