{"id":31301,"date":"2024-02-01T22:20:19","date_gmt":"2024-02-02T01:20:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31301"},"modified":"2024-02-01T22:20:19","modified_gmt":"2024-02-02T01:20:19","slug":"a-tentacao-fascista-das-elites-europeias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31301","title":{"rendered":"A tenta\u00e7\u00e3o fascista das elites europeias"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31302\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31301\/unnamed-26\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/unnamed.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"705,470\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/unnamed.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-31302\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/unnamed.jpg?resize=705%2C470&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"705\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/unnamed.jpg?w=705&amp;ssl=1 705w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/unnamed.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos \/ Bill Kerr Flickr (CC BY-SA 2.0)<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p>\n<p>ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>Os mecanismos que regulam e garantem a gest\u00e3o pol\u00edtica pelas elites a servi\u00e7o das oligarquias afinam-se, tornam-se mais manipuladores e autorit\u00e1rios em tempos de crise da ordem internacional dominante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O comportamento dos governos dos pa\u00edses europeus, entre eles a esmagadora maioria dos que se extinguiram no interior da OTAN e da Uni\u00e3o Europeia, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia e ao exterm\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o palestina, em pr\u00e1tica h\u00e1 mais de 76 anos pela entidade que materializou o sionismo \u2013 Israel \u2013, obriga-nos a refletir seriamente sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a Europa e o fascismo. Para ser mais correto: sobre a incorrig\u00edvel tenta\u00e7\u00e3o fascista dos Estados europeus, como se o Terceiro Reich e a Segunda Guerra Mundial tivessem ficado definitivamente para tr\u00e1s depois de supostamente aprendidas todas as li\u00e7\u00f5es que nos deixaram.<\/p>\n<p>Se observarmos com objetividade, dispensando as teorias manipuladoras e belicistas que brotam do tentacular aparelho de comunica\u00e7\u00e3o\/propaganda e dos historiadores regimentais que fazem da mentira instrumento cient\u00edfico, concluiremos, por\u00e9m, que esta tenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 surpreendente. Quando muito, manifesta-se de uma forma mais aberta e descarada do que seria de esperar nesta fase em que se realizam esfor\u00e7os intensos para combater o ceticismo crescente nos povos ocidentais quanto \u00e0 democracia liberal como m\u00e3e de todas as felicidades, de todas as justi\u00e7as; uma esp\u00e9cie de antec\u00e2mara do fim da hist\u00f3ria e desse prometido para\u00edso na Terra que seria a instaura\u00e7\u00e3o do globalismo planet\u00e1rio.<\/p>\n<p>Encontramos assim, pela ordem natural das coisas, uma interliga\u00e7\u00e3o carnal entre a democracia liberal, a ordem internacional baseada em regras atrav\u00e9s da qual o imperialismo soterrou o direito internacional, e o sistema econ\u00f4mico-financeiro do neoliberalismo, que sem qualquer hesita\u00e7\u00e3o poderemos qualificar como fascismo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>No Ocidente, um conceito geoestrat\u00e9gico transcontinental que se define a si pr\u00f3prio como \u00abo mundo civilizado\u00bb, o fascismo econ\u00f4mico comanda a gest\u00e3o pol\u00edtica, que tenta manter-se nos par\u00e2metros daquilo a que chamam a \u00abdemocracia liberal\u00bb, para que a ideia popularmente repudiada de fascismo n\u00e3o pare\u00e7a presente na vida das pessoas.<\/p>\n<p>Nenhum dirigente que integre as elites pol\u00edticas europeias admite que se fale do nazifascismo que governa a Ucr\u00e2nia e tolera que se compare o comportamento sionista em rela\u00e7\u00e3o aos palestinos e, mesmo aos judeus que n\u00e3o cabem no c\u00edrculo de ra\u00e7a sem\u00edtica \u00abpura\u00bb, \u00e0s pr\u00e1ticas nazistas.<\/p>\n<p>O envolvimento direto, desde 2014, da OTAN e da Uni\u00e3o Europeia na guerra que o regime racista e de inspira\u00e7\u00e3o nazista de Kiev trava contra os povos ucranianos, sejam quais forem as suas origens \u00e9tnicas, uma vez que as hordas banderistas no governo e nas for\u00e7as armadas n\u00e3o poupam sequer as vidas dos ucranianos \u00abpuros\u00bb, significa que o atlantismo e o europe\u00edsmo federalista tornam a democracia liberal c\u00famplice e aliada do fascismo.<\/p>\n<p>O esvaziamento dos arsenais europeus de armas e o empobrecimento das popula\u00e7\u00f5es como consequ\u00eancia das san\u00e7\u00f5es e do esfor\u00e7o de guerra para sustentar Zelensky e os psicopatas que dele se servem \u2013 de forma a criar uma imensa plataforma de agress\u00e3o aos povos da Federa\u00e7\u00e3o Russa \u2013 significam que a democracia liberal est\u00e1 perante uma inc\u00f4moda encruzilhada: a componente \u00abdemocr\u00e1tica\u00bb come\u00e7a a ser posta em causa pelas popula\u00e7\u00f5es, apesar das opera\u00e7\u00f5es de lavagem cerebral cientificamente praticadas pelo universo midi\u00e1tico corporativo e da press\u00e3o das circunst\u00e2ncias, isto \u00e9, a agonia da ordem internacional baseada em regras perante a afirma\u00e7\u00e3o cada vez mais sustentada do conceito de uma nova ordem recuperando a vig\u00eancia do direito internacional, for\u00e7a-a a desvendar as suas tenta\u00e7\u00f5es fascistas na medida em que os mecanismos tradicionais de liberalidade s\u00e3o inexoravelmente substitu\u00eddos por um autoritarismo cada vez mais evidente.<\/p>\n<p>Regresso \u00e0s origens<br \/>\nA democracia liberal est\u00e1 fazendo, desta maneira, o caminho de regresso \u00e0s origens. De um ponto de vista simplista, mas que respeita o rigor hist\u00f3rico, pode dizer-se que a estrutura\u00e7\u00e3o da democracia liberal atrav\u00e9s das \u00faltimas cinco d\u00e9cadas nasceu na sequ\u00eancia do golpe fascista dos Chicago Boys no Chile, atrav\u00e9s do general Pinochet, que representou simultaneamente a vit\u00f3ria do neoliberalismo, o laissez faire, a anarquia capitalista sobre as tend\u00eancias keynesianas, no quadro das rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7as no interior do sistema imperialista. Provou-se que o capitalismo com \u00abface social\u00bb \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o aberrante. O capitalismo e o neoliberalismo s\u00e3o uma e a mesma coisa, indissoci\u00e1veis. Tamb\u00e9m ele regressou \u00e0s origens.<\/p>\n<p>O fascismo, com a sua indispens\u00e1vel componente militarista, \u00e9 o regime de sonho da selvageria capitalista, o neoliberalismo, como demonstrou o regime terrorista do Chile engendrado e montado em Washington. A democracia liberal, sucedendo \u00e0 \u00abdemocracia ocidental\u00bb, esta como cobertura do capitalismo keynesiano, \u00e9 a fachada pol\u00edtica do fascismo econ\u00f4mico, como logo explicou Margaret Thatcher, admiradora confessa de Pinochet, num pr\u00f3logo \u00e0 avalanche neoliberal que marcou as tel\u00faricas transforma\u00e7\u00f5es mundiais nos anos oitenta e noventa do s\u00e9culo passado; e que pode personificar-se nas figuras de Ronald Reagan, Mikhail Gorbatchov e do golpista pol\u00edtico polaco Woytila, mais conhecido pelo heter\u00f4nimo de papa Jo\u00e3o Paulo II, al\u00e9m da j\u00e1 citada primeira-ministra brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>As oligarquias financeiras e econ\u00f4micas, de \u00e2mbito cada vez mais global, tendem a recorrer ao fascismo quando se sentem amea\u00e7adas ou d\u00e3o vaz\u00e3o \u00e0s puls\u00f5es gananciosas que arrasam direitos sociais, pol\u00edticos e humanos para garantir lucros sem limites. Nessas condi\u00e7\u00f5es, sendo a pol\u00edtica ocidental uma alavanca do poder olig\u00e1rquico, a democracia liberal cede gradualmente ao fascismo, ainda que sem admiti-lo.<\/p>\n<p>As for\u00e7as pol\u00edticas fascistas avan\u00e7am em todas as na\u00e7\u00f5es europeias, n\u00e3o s\u00f3 na Ucr\u00e2nia, nos Estados b\u00e1lticos, na Rep\u00fablica Checa, na Pol\u00f4nia, na Bulg\u00e1ria, Rom\u00eania, Mold\u00e1via, Hungria, Espanha, Portugal, Fran\u00e7a, Alemanha, Reino Unido, \u00c1ustria, Finl\u00e2ndia. Na It\u00e1lia, nos Pa\u00edses Baixos e na Su\u00e9cia ascenderam ao poder por via eleitoral, tal como Hitler na Alemanha: o nazifascismo, como se prova, n\u00e3o se imp\u00f5e somente atrav\u00e9s de golpes militares. No entanto, nenhuma dessas organiza\u00e7\u00f5es ou partidos, nenhum dos seus dirigentes admitem ser fascistas, s\u00e3o sempre qualquer coisa \u00abdemocrata\u00bb, \u00abdireita conservadora\u00bb, \u00abdireita liberal\u00bb e outras. Como os neoconservadores estadunidenses, pais fundadores do fascismo aplicado \u00e0s circunst\u00e2ncias atuais, jamais admitiriam ser o que s\u00e3o: fascistas.<\/p>\n<p>Os membros desta constela\u00e7\u00e3o transnacional declaram-se perfeitamente integrados no \u00abquadro democr\u00e1tico\u00bb, beneficiando-se da complac\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o das Constitui\u00e7\u00f5es, mesmo que estas sejam explicitamente antifascistas, como acontece na It\u00e1lia e em Portugal. Beneficiam-se dos favores do polvo midi\u00e1tico corporativo, que come\u00e7a por exp\u00f4-los como fen\u00f4menos \u00abcuriosos\u00bb e rapidamente evoluem para o tratamento s\u00e9rio e politicamente motivado, instilando nas popula\u00e7\u00f5es indefesas, v\u00edtimas da asfixia do pluralismo informativo e de opini\u00e3o, a ideia de que organiza\u00e7\u00f5es desse tipo s\u00e3o pe\u00e7as leg\u00edtimas do \u00abjogo democr\u00e1tico\u00bb e est\u00e3o aptas a governar. A palavra \u00abfascismo\u00bb, por\u00e9m, est\u00e1 sempre ausente, e se algu\u00e9m a denuncia, como ocorre a prop\u00f3sito da Ucr\u00e2nia, \u00e9 trucidado na comunica\u00e7\u00e3o social; por outro lado, quando algu\u00e9m se confessa fascista, como aconteceu recentemente em momento de empolgante sinceridade durante o congresso da maior entidade salazarista portuguesa, o epis\u00f3dio \u00e9 considerado \u00abuma brincadeira\u00bb.<\/p>\n<p>A democracia liberal, conceito e pr\u00e1tica essenciais na formata\u00e7\u00e3o da \u00abciviliza\u00e7\u00e3o ocidental\u00bb como \u00fanica admitida no espa\u00e7o global, e cuja imposi\u00e7\u00e3o \u00e9 frequentemente exportada em forma de guerra, \u00e9 ao mesmo tempo uma pervers\u00e3o da democracia e um caminho para o fascismo.<\/p>\n<p>Numa democracia liberal quem decide o funcionamento da sociedade \u00e9 uma elite burocr\u00e1tica, de forma\u00e7\u00e3o tecnocr\u00e1tica e desumanizada, fiel aos poderes olig\u00e1rquicos sem fronteiras, servida por um aparelho de comunica\u00e7\u00e3o\/propaganda que recorre frequentemente a m\u00e9todos de terrorismo mental para censurar a diverg\u00eancia pol\u00edtica e a exposi\u00e7\u00e3o de outras realidades. Ao banir, de fato, a liberdade de opini\u00e3o e o pluralismo na informa\u00e7\u00e3o, a democracia liberal pisa j\u00e1 os terrenos do fascismo.<\/p>\n<p>Democracia, numa defini\u00e7\u00e3o simples, \u00e9 o sistema em que a vontade do povo livremente expressa se reflete depois no funcionamento dos \u00f3rg\u00e3os de poder. Estes t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de governar com o povo e n\u00e3o de governar contra o povo. Para identificar a democracia basta uma palavra, um substantivo. A experi\u00eancia diz-nos que adjetiv\u00e1-lo n\u00e3o \u00e9 um bom aug\u00fario. Se a casta pol\u00edtica que sequestrou o poder e faz dele o que muito bem entende \u2013 desde que respeite as oligarquias econ\u00f4mico-financeiras \u2013 necessitou de acrescentar \u00abliberal\u00bb \u00e0 democracia, como anteriormente recorreu ao adjetivo \u00abocidental\u00bb, \u00e9 porque, querendo afirm\u00e1-la como \u00fanica, civilizada e distinta de outras formas de poder, adotou um modelo \u2013 e principalmente um funcionamento \u2013 que acaba por falsificar o conceito aut\u00eantico de democracia. Como sabemos muito bem, pela experi\u00eancia de todos os dias, a democracia liberal n\u00e3o ecoa a voz do povo, a contraria, no fundo falta ao respeito ao povo submetendo-o a uma situa\u00e7\u00e3o de maioria inerte, desprezada e humilhada.<\/p>\n<p>A falsifica\u00e7\u00e3o eleitoral<br \/>\nQuanto ao pluralismo pol\u00edtico, \u00e9 uma farsa. Os governos e outros \u00f3rg\u00e3os de poder emergem apenas do c\u00edrculo das classes pol\u00edticas, cuidadosamente expurgadas de presen\u00e7as daninhas, repartidas em r\u00f3tulos partid\u00e1rios que, por muito diferenciados que sejam em mat\u00e9rias program\u00e1ticas, que n\u00e3o cumprem, convergem ao servi\u00e7o do essencial &#8211; o fascismo econ\u00f4mico, o neoliberalismo. Quando os interesses olig\u00e1rquicos, de voca\u00e7\u00e3o global mas tutelando, de fato, uma minoria planet\u00e1ria de 15% que corresponde ao conceito geoestrat\u00e9gico de Ocidente, se sentem amea\u00e7ados, a democracia liberal aceita reciclar-se em fascismo, num \u00e1pice ou gradualmente, conforme as circunst\u00e2ncias e as urg\u00eancias.<\/p>\n<p>Na democracia liberal o povo tem liberdade de voto, sem d\u00favida. Mas o seu voto pouco ou nada influencia a governan\u00e7a; os eleitores s\u00e3o induzidos a escolher apenas entre os r\u00f3tulos da classe pol\u00edtica, os partidos com \u00abvoca\u00e7\u00e3o para governar\u00bb, isto \u00e9, neoliberais, adoradores e servi\u00e7ais da ditadura do mercado.<\/p>\n<p>Como se constitui um rebanho eleitoral? O aparelho midi\u00e1tico \u00e9 a ferramenta mais poderosa, rejeitando, silenciando, deturpando e caluniando as organiza\u00e7\u00f5es e dirigentes dissonantes, advers\u00e1rios do capitalismo, sobretudo do neoliberalismo, em primeiro lugar reduzindo a p\u00f3 as leis eleitorais que estabelecem tratamentos igualit\u00e1rios dos candidatos e a salvaguarda do pluralismo real.<\/p>\n<p>As campanhas eleitorais s\u00e3o vazias de conte\u00fados pol\u00edticos, dominadas por fait-divers transformados em acontecimentos magnos, isentos de \u00e9tica, explorando as rea\u00e7\u00f5es mais prim\u00e1rias dos eleitores atrav\u00e9s da mentira, de cal\u00fanias lan\u00e7adas sobre os verdadeiros advers\u00e1rios e da demagogia. A pol\u00edtica transforma-se num espet\u00e1culo tacanho prop\u00edcio \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o e que, de fato, impede a reflex\u00e3o e o esclarecimento. Regra geral, o formato escolhido para os debates, estruturados como combates de boxe (como caricaturas dos combates de boxe aut\u00eanticos, que t\u00eam \u00e9tica) s\u00e3o espa\u00e7os de exibicionismo, narcisismo e fraude, incitando os eleitores a escolher em fun\u00e7\u00e3o de temas acess\u00f3rios ou mesmo j\u00e1 previamente contaminados por preconceitos, impondo decis\u00f5es mais ou menos inevit\u00e1veis. Mesmo assim, como no caso de Portugal, existem os debates da primeira divis\u00e3o, que preenchem todo o universo de acesso televisivo, e os de divis\u00f5es inferiores, s\u00f3 acess\u00edveis em canais de \u00e2mbito restrito. Uma viola\u00e7\u00e3o \u00f3bvia do direito eleitoral. A primeira divis\u00e3o, como se percebe, est\u00e1 reservada apenas aos dirigentes com \u00abvoca\u00e7\u00e3o para governar\u00bb, servidores do neoliberalismo, portanto. S\u00f3 esporadicamente, quando tem do outro lado da mesa os aut\u00eanticos candidatos a primeiro-ministro, \u00e9 que uma organiza\u00e7\u00e3o condenada \u00e0 segunda divis\u00e3o \u00e9 autorizada \u00e0 televis\u00e3o aberta e de difus\u00e3o geral.<\/p>\n<p>Estes mecanismos que regulam e garantem a gest\u00e3o pol\u00edtica pelas elites a servi\u00e7o das oligarquias afinam-se, tornam-se mais manipuladores e autorit\u00e1rios em tempos de crise da ordem internacional dominante; muito mais ainda em fases de risco existencial, como a presente. A ordem internacional baseada em regras, isto \u00e9, a base \u00ablegal\u00bb do imperialismo e do colonialismo habituados \u00e0 impunidade e ao poder inquestion\u00e1vel da for\u00e7a e dos proclamados des\u00edgnios hist\u00f3ricos e divinos, agora tamb\u00e9m globalistas, da \u00abnossa\u00bb civiliza\u00e7\u00e3o, vive o desespero de estar sendo posta em causa pelo resto esmagadoramente majorit\u00e1rio do mundo. Povos, culturas e civiliza\u00e7\u00f5es condenados \u00e0 submiss\u00e3o colonialista e imperialista durante centenas e centenas de anos est\u00e3o perdendo o medo, aprendem a desafiar tabus e regras inimigas dos seus interesses, saqueadoras dos seus bens, e come\u00e7am a rebelar-se contra a velha ordem.<\/p>\n<p>A maioria dos Estados mundiais perceberam que podem desenvencilhar-se da submiss\u00e3o e associar-se como iguais dentro de um imenso espa\u00e7o onde vigora o direito internacional, al\u00e9m de existirem condi\u00e7\u00f5es para viverem e progredirem conservando a independ\u00eancia, a liberdade de defender os seus bens e interesses, beneficiando-se ainda de uma coopera\u00e7\u00e3o mutuamente vantajosa com os seus pares.<\/p>\n<p>Em desespero, o Ocidente pretende, a todo o custo, impedir esta transcendente mudan\u00e7a recorrendo aos \u00fanicos m\u00e9todos que conhece: o poder da for\u00e7a, a guerra, a tenta\u00e7\u00e3o fascista e, em \u00faltima an\u00e1lise, se lhe for permitido, o exterm\u00ednio da humanidade. Quem pratica genoc\u00eddios em campos de concentra\u00e7\u00e3o ou em regi\u00f5es onde vivem popula\u00e7\u00f5es indefesas e abandonadas como a Faixa de Gaza e a Cisjord\u00e2nia, quem multiplica guerras sem fim para que a sua \u00abordem\u00bb e as suas \u00abregras\u00bb arbitr\u00e1rias e casuais sobrevivam, ser\u00e1 capaz da \u00absolu\u00e7\u00e3o final\u00bb extrema, n\u00e3o duvidemos.<\/p>\n<p>O fosso entre os povos ocidentais e as suas elites pol\u00edticas submissas e corruptas, por\u00e9m, est\u00e1 se alargando. O desequil\u00edbrio de meios entre os dois campos parece intranspon\u00edvel, mas ainda \u00e9 poss\u00edvel inverter o jogo, como a hist\u00f3ria milenar \u2013 onde a \u00abciviliza\u00e7\u00e3o ocidental\u00bb \u00e9 apenas mais um epis\u00f3dio entre tantos \u2013 nos ensina.<\/p>\n<p>O presente artigo foi originalmente publicado no s\u00edtio da Strategic Culture Foundation.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31301\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10],"tags":[228],"class_list":["post-31301","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-88R","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31301"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31301\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31303,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31301\/revisions\/31303"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}