{"id":31479,"date":"2024-03-20T11:33:24","date_gmt":"2024-03-20T14:33:24","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31479"},"modified":"2024-03-20T11:33:24","modified_gmt":"2024-03-20T14:33:24","slug":"batalha-das-ideias-no-capitalismo-senil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31479","title":{"rendered":"Batalha das ideias no capitalismo senil"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31480\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31479\/unnamed-29\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/unnamed.jpg?fit=1400%2C933&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1400,933\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/unnamed.jpg?fit=747%2C498&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-31480\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/unnamed.jpg?resize=747%2C498&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"498\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/unnamed.jpg?resize=900%2C600&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/unnamed.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/unnamed.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/unnamed.jpg?w=1400&amp;ssl=1 1400w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Por Alhel\u00ed Gonz\u00e1lez C\u00e1ceres[i]<\/p>\n<p>Jornal ADELANTE! &#8211; Partido Comunista Paraguaio<\/p>\n<p><strong>\u00abN\u00e3o h\u00e1 alternativa, a sociedade n\u00e3o existe, s\u00f3 existem os indiv\u00edduos. Somente os que querem ser pobres s\u00e3o pobres.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Margaret Thatcher<\/p>\n<p>Disputa ideol\u00f3gica em tempos de barb\u00e1rie capitalista<\/p>\n<p>O decl\u00ednio e eventual implos\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica no s\u00e9culo XX e o efeito domin\u00f3 gerado no movimento oper\u00e1rio internacional e, particularmente nas experi\u00eancias de constru\u00e7\u00e3o socialista, abriram caminho para a consolida\u00e7\u00e3o e prolifera\u00e7\u00e3o do mantra popularizado pela ex-primeira-ministra brit\u00e2nica Margaret Thatcher &#8211; \u201cN\u00e3o h\u00e1 alternativa\u201d -, para justificar as desigualdades que derivam da pr\u00f3pria estrutura de classes da sociedade capitalista e, com elas, as pol\u00edticas de ajuste numa clara recomposi\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no campo da luta de classes, com uma burguesia internacional pronta para a ofensiva.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 alternativa&#8221;, juntamente com a ideia de &#8220;o fim da hist\u00f3ria&#8221; de Francis Fukuyama, defendida no seu ensaio de 1988 e, mais tarde, no seu livro com o hom\u00f4nimo em 1992, constitu\u00edram dois pilares centrais sobre os quais se construiu a configura\u00e7\u00e3o da cosmovis\u00e3o burguesa nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ganhando espa\u00e7o com a queda do Muro de Berlim no final de 1989, acontecimento que contribuiu para a sua legitima\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 alternativa\u201d e \u201co fim da hist\u00f3ria\u201d n\u00e3o s\u00e3o apenas meras express\u00f5es de uma burguesia internacional que emergiu vitoriosa da Guerra Fria e de um movimento oper\u00e1rio internacional derrotado, mas sim implicou o in\u00edcio da hegemonia das formas de ver e compreender o mundo e a nossa intera\u00e7\u00e3o com ele a partir das lentes da ideologia pol\u00edtica liberal, estruturada a partir do individualismo metodol\u00f3gico e da naturaliza\u00e7\u00e3o do capitalismo como \u00fanica forma de organizar as rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>A naturaliza\u00e7\u00e3o do capitalismo como rela\u00e7\u00e3o social n\u00e3o \u00e9 uma novidade t\u00edpica dos tempos que vivemos; pelo contr\u00e1rio, sempre foi uma das grandes discuss\u00f5es entre os cl\u00e1ssicos da Economia Pol\u00edtica. Uma das contribui\u00e7\u00f5es do marxismo foi, precisamente, dar conta do car\u00e1ter hist\u00f3rico do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista e, como fator hist\u00f3rico, n\u00e3o \u00e9 e n\u00e3o poderia ser natural e permanente. A ideologia liberal n\u00e3o parte de qualquer indiv\u00edduo, mas daquele que det\u00e9m a propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o e fundamentalmente da natureza, como fonte prim\u00e1ria de riqueza. A legitima\u00e7\u00e3o da propriedade como direito natural foi necess\u00e1ria num determinado momento hist\u00f3rico, em que surgiu uma nova classe social que disputava com o absolutismo mon\u00e1rquico.<\/p>\n<p>O triunfo da burguesia sobre a aristocracia ficou evidenciado num novo contrato social baseado na defesa das liberdades individuais e, particularmente, na defesa dos direitos de propriedade. Assim, o liberalismo e, atualmente, o libertarianismo, quando falam de \u201cliberdade\u201d em abstrato, referem-se exclusiva e simplesmente \u00e0 liberdade n\u00e3o apenas do mercado, mas \u00e0 liberdade individual daqueles que dominam as condi\u00e7\u00f5es materiais de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A liberdade em abstrato n\u00e3o existe e, enquanto existe, o faz sob determina\u00e7\u00f5es sociais e hist\u00f3ricas. O que isto significa? Isto n\u00e3o significa mais do que o seguinte: a liberdade individual s\u00f3 pode ser realizada na sociedade e, enquanto a sociedade for constitu\u00edda por indiv\u00edduos formalmente \u201clivres\u201d, estas \u201cliberdades\u201d confrontam-se entre si, mas n\u00e3o em termos iguais. Pois de um lado est\u00e1 o capitalista, que det\u00e9m o poder sobre as condi\u00e7\u00f5es materiais em que o trabalho \u00e9 realizado e, do outro, est\u00e1 o proletariado, aquela massa de indiv\u00edduos que, embora juridicamente livres, tamb\u00e9m o s\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o possuem outra propriedade sen\u00e3o a sua pr\u00f3pria capacidade de trabalhar.<\/p>\n<p>Da\u00ed que n\u00e3o podemos falar de \u201cliberdade\u201d em abstrato, igualando-se as condi\u00e7\u00f5es materiais concretas que contribuem para definir, em \u00faltima an\u00e1lise, o grau de liberdade dispon\u00edvel em sociedades historicamente determinadas. Por acaso \u00e9 livre aquele indiv\u00edduo que n\u00e3o consegue sobreviver? Aquele que n\u00e3o tem acesso \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 habita\u00e7\u00e3o? Aqueles que n\u00e3o vivem com dignidade? O que entendemos ent\u00e3o por liberdade? Ou, talvez, estejamos apenas falando da liberdade de nos vendermos como mercadoria e da liberdade que o capital tem para nos comprar, explorar o nosso trabalho, acumular e enriquecer \u00e0s nossas custas?<\/p>\n<p>Disputar o significado da categoria liberdade \u00e9 hoje, mais do que nunca, uma necessidade inevit\u00e1vel, sobretudo, para a classe trabalhadora como um todo. No entanto, nesta edi\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos concentraremos em contestar o significado da categoria liberdade, mas sim compreender o papel da batalha das ideias em tempos de capitalismo senil, um capitalismo que visa a guerra, mais barb\u00e1rie e mais destrui\u00e7\u00e3o, perseguindo a utopia da supera\u00e7\u00e3o da sua crise. Travar a batalha das ideias num contexto de ressurgimento do fascismo[1] \u00e9 ainda mais relevante do que nunca, uma vez que a humanidade nunca esteve t\u00e3o perto da aniquila\u00e7\u00e3o massiva como est\u00e1 hoje. Recuperar a capacidade de imaginar que outra sociedade n\u00e3o apenas \u00e9 poss\u00edvel, mas sim necess\u00e1ria, \u00e9 uma ferramenta fundamental para o impulso da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para continuar, primeiro definiremos o que chamamos de capitalismo senil e o significado da disson\u00e2ncia cognitiva como mecanismo de sobreviv\u00eancia daquela massa populacional que dissocia os fatos dos discursos na tentativa de recompor as contradi\u00e7\u00f5es entre o que se acredita e defende e aquilo que de fato existe.<\/p>\n<p>Esta disson\u00e2ncia cognitiva tem servido para legitimar a\u00e7\u00f5es irracionais, belicistas, nacionalistas e discursos de \u00f3dio e deslegitima\u00e7\u00e3o do outro, sendo funcional para a consolida\u00e7\u00e3o de regimes pr\u00f3-fascistas. Como temos visto ultimamente naquela grande massa da popula\u00e7\u00e3o que validou, atrav\u00e9s do voto, as propostas de uma classe capitalista que procura varrer a institucionalidade burguesa do p\u00f3s-guerra e as conquistas sociais e oper\u00e1rias, para impor uma nova ordem mundial baseada na liberdade irrestrita do capital sobre o trabalho e a natureza, da guerra como mecanismo para superar crises e aumentar a barb\u00e1rie para a humanidade como um todo. Elementos que v\u00eam ganhando espa\u00e7o e reduzindo ao m\u00ednimo a empatia e a solidariedade da humanidade.<\/p>\n<p><strong>Capitalismo senil? A degrada\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o burguesa<\/strong><\/p>\n<p>O conceito &#8220;senil&#8221;, proveniente da \u00e1rea m\u00e9dica, tem sido frequentemente utilizado para se referir a sintomas de doen\u00e7as neurodegenerativas associadas ao avan\u00e7o da idade e que se expressam em altera\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e cognitivas que afetam o funcionamento do organismo e cuja evolu\u00e7\u00e3o pode levar \u00e0 morte de quem a sofre. Extrapolado para o campo da Economia Pol\u00edtica, este conceito tem sido utilizado para dar conta das mudan\u00e7as vividas pelo capitalismo e cuja l\u00f3gica de funcionamento aprofunda as contradi\u00e7\u00f5es inerentes a este modo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro a usar este conceito para descrever o capitalismo do s\u00e9culo XXI foi o economista eg\u00edpcio Samir Amin, para quem o capitalismo nada mais \u00e9 do que um \u201cpar\u00eanteses na hist\u00f3ria da humanidade\u201d (Amin, 2009:7). Samir Amin, no seu livro intitulado Para Al\u00e9m do Capitalismo Senil. Por um S\u00e9culo XXI N\u00e3o Estadunidense, publicado em 2003, prop\u00f5e-se a analisar o futuro do capitalismo \u00e0 luz das sucessivas crises que sofreu e como estas influenciaram o seu metabolismo. \u00c9 por isso que Amin se pergunta se as crises envolvem apenas fen\u00f4menos transit\u00f3rios ou se, pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o a express\u00e3o da senilidade do capitalismo nesta fase do seu desenvolvimento. Para o autor, a coincid\u00eancia de crises sucessivas \u00e9 uma express\u00e3o da senilidade do capitalismo e, ao mesmo tempo, manifesta-se como evid\u00eancia emp\u00edrica da necessidade de super\u00e1-la para garantir a sobreviv\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o humana, pois, \u201c(\u2026) se Isto n\u00e3o a supera atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o de um sistema que acabe com a polariza\u00e7\u00e3o global e a aliena\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, s\u00f3 pode levar \u00e0 autodestrui\u00e7\u00e3o da humanidade\u201d (Amin, 2003:13).<\/p>\n<p>A crescente militariza\u00e7\u00e3o, as sucessivas crises, as persistentes amea\u00e7as \u00e0 democracia liberal \u2013 face a uma ofensiva do capital e das classes hegem\u00f4nicas cada vez mais autorit\u00e1rias, regressivas e retardat\u00e1rias \u2013 e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es burguesas, bem como a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es sociais dos maioria da popula\u00e7\u00e3o, entre outros, s\u00e3o os elementos que Amin contempla ao se perguntar sobre o car\u00e1ter transit\u00f3rio dos problemas que se expressam nas sociedades contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>Para Beinstein (2010), a crise financeira de 2008 &#8211; 2009 foi uma continua\u00e7\u00e3o da grande recess\u00e3o e a subsequente crise do modelo de acumula\u00e7\u00e3o promovida pelo keynesianismo no p\u00f3s-guerra. No entanto, teve a particularidade de, ao contr\u00e1rio das anteriores, ter ocorrido num cen\u00e1rio de recess\u00e3o global marcado por baixos n\u00edveis de consumo e de investimentos produtivos que se conjugaram com um elevado n\u00edvel de desemprego.<\/p>\n<p>Neste contexto, os capitais excedentes que seriam bloqueados por uma economia produtiva, em cen\u00e1rios recessivos, obteriam lucros elevados derivados da especula\u00e7\u00e3o financeira. Assim, os resgates financeiros levados a cabo pelos governos conduziram a um c\u00edrculo vicioso que se baseia na especula\u00e7\u00e3o financeira e no desempenho negativo da economia global, ou seja, a predomin\u00e2ncia do capital fict\u00edcio[2] e a consequente especula\u00e7\u00e3o ou fraude financeira \u00e9 n\u00e3o a causa da crise, mas antes uma express\u00e3o dela. Entretanto, os baixos n\u00edveis de rentabilidade do capital produtivo fazem com que o circuito financeiro seja a v\u00e1lvula de escape para problemas de rentabilidade, contribuindo para o aprofundamento da crise face \u00e0 crescente acumula\u00e7\u00e3o de capital excedent\u00e1rio e \u00e0 crescente dificuldade em garantir a continuidade do ciclo de acumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Beinstein junta-se \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o inaugurada por Samir Amin de caracterizar o capitalismo do nosso tempo como um modo de produ\u00e7\u00e3o senil com potencial para levar o mundo adiante ou, como diria Beinstein, \u201ccolapsar\u201d. A ideia de colapso ou daquele \u201csalto para o vazio\u201d, como aponta Beinstein, n\u00e3o se refere apenas \u00e0s express\u00f5es econ\u00f4micas, financeiras e socioambientais, mas tamb\u00e9m ao decl\u00ednio da economia dos EUA como l\u00edder hegem\u00f4nica do capital mais concentrado em uma escala global. No artigo O Come\u00e7o do Inverno Global, publicado em 2011, Beinstein alertou que a economia mundial entrou num momento de \u201ccrescimento an\u00eamico, estagna\u00e7\u00e3o e recess\u00f5es\u201d que se desenvolvem de forma heterog\u00eanea tanto nos pa\u00edses centrais como nas economias emergentes.<\/p>\n<p>Um dos aportes mais relevantes realizados pela escola fisiocr\u00e1tica foi compreender o sistema econ\u00f4mico como um organismo social no qual as vari\u00e1veis est\u00e3o interligadas em um todo metab\u00f3lico. Tomando isto como refer\u00eancia, a tese do capitalismo senil n\u00e3o se refere \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es em que ocorre a produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o do sistema e das rela\u00e7\u00f5es sociais que ele encarna; mas sim, na impossibilidade de o capital operar de outra forma que n\u00e3o coloque em risco a sua pr\u00f3pria acumula\u00e7\u00e3o e, com ela, o futuro da humanidade.<\/p>\n<p>Beinstein sustenta que \u201co sistema financeiro acabou por cair na sua pr\u00f3pria armadilha&#8221;. Dado o seu arranque com a derrocada do modelo keynesiano entre as d\u00e9cadas de 70 e 80 e a crise de estagfla\u00e7\u00e3o que teve como epicentro &#8211; mais uma vez &#8211; a economia dos EUA, isso tornou poss\u00edvel ao sistema financeiro funcionar como uma v\u00e1lvula de escape ou, como Beinstein o chamaria, \u201cum pulm\u00e3o adicional\u201d para a acumula\u00e7\u00e3o. Ao permitir que o capital excedente fosse direcionado para atividades que, pela sua natureza, compensavam os lucros insuficientes provenientes do setor produtivo. Precisamente, uma das express\u00f5es da import\u00e2ncia do circuito financeiro na acumula\u00e7\u00e3o de capital foi a possibilidade concedida aos Estados nacionais de se endividarem e assim sustentarem as exig\u00eancias internas, promovendo a \u201ceuforia do consumo com uma chuva de cr\u00e9ditos\u201d (Beinstein, 2011: 65).<\/p>\n<p>Uma ideia que est\u00e1 em ascens\u00e3o com o desenvolvimento da Econof\u00edsica e que disputa com a ideia do capitalismo senil tem sido incorporar o conceito Entropia para caracterizar um sistema econ\u00f4mico que est\u00e1 \u201cdesordenado\u201d porque n\u00e3o \u00e9 \u201cregulado\u201d. Por\u00e9m, a rigor, a entropia na F\u00edsica n\u00e3o leva em conta a desordem, mas sim a irreversibilidade dos processos no tempo, conforme entendido pela segunda lei da termodin\u00e2mica. Tomando as notas de Mc-Mahon &amp; Mrozek (1997), os autores mencionam, num estudo sobre a sustentabilidade do crescimento econ\u00f4mico, que embora a teoria neocl\u00e1ssica j\u00e1 inclu\u00edsse a primeira lei da termodin\u00e2mica referente \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria e da energia num sistema fechado, \u00e9 necess\u00e1rio complement\u00e1-la com a segunda lei da termodin\u00e2mica: a entropia. E ver como esta lei interage com a mat\u00e9ria e a energia em sistemas fechados.<\/p>\n<p>Os autores sustentam que, embora a mat\u00e9ria e a energia sejam conservadas em sistemas fechados, a qualidade e o tipo de insumos necess\u00e1rios n\u00e3o podem ser recuperados do produto, mas sim degradados gradualmente. Ou seja, a incorpora\u00e7\u00e3o do conceito de Entropia na an\u00e1lise econ\u00f4mica permite-nos compreender que o sistema capitalista tende a degradar os recursos dispon\u00edveis tanto em qualidade como em quantidade. Embora para a Econof\u00edsica esta degrada\u00e7\u00e3o pudesse ser controlada atrav\u00e9s da regula\u00e7\u00e3o, a verdade \u00e9 que as experi\u00eancias de aplica\u00e7\u00e3o de instrumentos neocl\u00e1ssicos em mat\u00e9ria ambiental n\u00e3o conseguiram reverter nem conter os impactos da atividade econ\u00f4mica sobre a natureza e, consequentemente, n\u00e3o apresentam respostas ou alternativas \u00e0 crise clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O exposto permite-nos manter a relev\u00e2ncia do capitalismo senil como categoria para compreender a era atual e as implica\u00e7\u00f5es de uma l\u00f3gica de acumula\u00e7\u00e3o que se reproduz em larga escala, indo at\u00e9 mesmo contra o pr\u00f3prio sistema. Da\u00ed a relev\u00e2ncia do conceito de senilidade do capitalismo para dar conta da incapacidade de operar de outra forma, de apresentar solu\u00e7\u00f5es para a crise que passem necessariamente pelo ajuste criminoso contra toda a classe trabalhadora num cen\u00e1rio global de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e baixa rentabilidade.<\/p>\n<p>A disputa no campo das ideias. Uma batalha inadi\u00e1vel<\/p>\n<p>&#8220;(\u2026) batalha das ideias n\u00e3o significa apenas princ\u00edpios, teoria, conhecimento, cultura, argumentos, resposta e contrarresposta, destruindo mentiras e semeando verdades. Significam fatos e conquistas concretas\u201d<br \/>\nFidel Castro, 2002<\/p>\n<p>Em O Fim da Hist\u00f3ria, Fukuyama argumentou que o liberalismo econ\u00f4mico e pol\u00edtico ou \u201ca ideia\u201d do Ocidente se imp\u00f4s ao mundo, evidenciando \u201co colapso e o esgotamento das ideologias alternativas\u201d. Para Fukuyama, o \u00fanico \u201cgrande desafio\u201d que a ideologia liberal enfrentou foi o comunismo como uma ideologia pol\u00edtica e econ\u00f4mica alternativa ao capitalismo. E neste sentido, argumenta o autor, a alternativa marxista baseada na cr\u00edtica ao liberalismo a partir da contradi\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho, como uma contradi\u00e7\u00e3o insol\u00favel nos quadros do sistema, tornou-se desde ent\u00e3o a principal acusa\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada contra o liberalismo.<\/p>\n<p>As posi\u00e7\u00f5es defensivas da burguesia internacional no final do segundo p\u00f3s-guerra, que a obrigariam a ceder \u00e0s exig\u00eancias do movimento oper\u00e1rio organizado, juntamente com a configura\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de novo contrato social expresso no modelo keynesiano, levou Fukuyama a sustentar que \u201cas contradi\u00e7\u00f5es de classe foram resolvidas com \u00eaxito no Ocidente\u201d (Fukuyama, 1988:16). Contudo, assim que a experi\u00eancia sovi\u00e9tica come\u00e7ou a atingir o fundo do po\u00e7o e, com ela, o movimento oper\u00e1rio internacional, a burguesia compreendeu que j\u00e1 n\u00e3o existia um paradigma pol\u00edtico e econ\u00f4mico que pudesse competir n\u00e3o apenas no campo econ\u00f4mico e pol\u00edtico, mas tamb\u00e9m ideologicamente e culturalmente.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de um Estado oper\u00e1rio-campon\u00eas havia terminado e, junto com ela, a burguesia retornou a pr\u00e1ticas pol\u00edticas e econ\u00f4micas ofensivas. Isto pode ser visto desde a d\u00e9cada de 1970 com a imposi\u00e7\u00e3o do ajuste estrutural pela ditadura de Pinochet no Chile e a sua subsequente expans\u00e3o global sob Thatcher e Reagan. Desde ent\u00e3o, as contradi\u00e7\u00f5es entre capital e trabalho n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se dissiparam como se agravaram, sendo o terreno ideol\u00f3gico uma das express\u00f5es mais virulentas da legitima\u00e7\u00e3o da ordem social burguesa.<\/p>\n<p>A classe oper\u00e1ria teve extirpada a sua pr\u00f3pria cultura, e uma forma de ver e viver baseada no consumo infinito foi imposta a um planeta com recursos finitos, esgot\u00e1veis e degrad\u00e1veis. O grande triunfo do capitalismo n\u00e3o veio da economia, da resolu\u00e7\u00e3o da materialidade das pessoas, mas da venda do sonho da possibilidade do consumo de massa. A ind\u00fastria cultural desempenhou um papel central na dissemina\u00e7\u00e3o do \u201cAmerican way of life\u201d e na venda do \u201csonho americano\u201d.<\/p>\n<p>Na introdu\u00e7\u00e3o do livro A rebeli\u00e3o virou para a direita?, publicado em 2021, Pablo Stefanoni destacou:<br \/>\n\u201c(\u2026) na medida em que se tornou defensiva e se trancou na normatividade do que era politicamente correto, a esquerda, especialmente em sua vers\u00e3o \u201cprogressista\u201d, se deslocou em grande parte da imagem hist\u00f3rica de rebeli\u00e3o, desobedi\u00eancia e transgress\u00e3o que expressava. Parte do terreno perdido na sua capacidade de capitalizar a indigna\u00e7\u00e3o social foi conquistado pela direita, que \u00e9 cada vez mais eficaz no questionamento do \u201csistema\u201d. (\u2026) Este n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno completamente novo. Um clima semelhante foi vivido nas d\u00e9cadas de 1920 e 1930 (\u2026) O historiador Zeev Sternhell interpretou o fascismo n\u00e3o como uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o simples e pura, mas como uma esp\u00e9cie de revolu\u00e7\u00e3o alternativa \u00e0quela promovida pelo marxismo (\u2026) N\u00e3o era ent\u00e3o um jogo \u201cum batalha entre o futuro e o passado (\u2026) foi uma disputa pela capacidade de construir futuros poss\u00edveis e desej\u00e1veis\u201d (Stefanoni, 2021:15-16).<\/p>\n<p>A realidade \u00e9 que a esquerda teve extirpada a sua pr\u00f3pria identidade disruptiva, irreverente, propositiva de futuros melhores, tem sido apagada, dilu\u00edda numa infinidade de demandas setoriais, fragment\u00e1rias e incapazes de analisar a totalidade das causas dos problemas que, como sociedade, enfrentamos. E que, portanto, parecem impotentes na luta contra o capitalismo.<\/p>\n<p>Em entrevista concedida a Jorge Fontevecchia em setembro de 2018, Slavoj Zizek sustentou que \u201c(\u2026) o grande problema para a esquerda \u00e9 que o capitalismo se aproxima de grandes problemas, mas hoje a esquerda n\u00e3o tem respostas coerentes para dizer o que devemos fazer\u201d e, quando questionado sobre a tese de Fukuyama, n\u00e3o hesitou em responder: \u201cNa pr\u00e1tica, \u00e9ramos todos fukuyamistas.\u201d Ser\u00e1 que a esquerda perdeu o potencial de sequer imaginar que outra sociedade n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel como necess\u00e1ria? Estaremos perante uma \u201cesquerda progressista\u201d ossificada na defesa de uma institucionalidade que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1ria para os capitais que hegemonizam a acumula\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Parte da batalha das ideias de que falou Fidel no in\u00edcio desta d\u00e9cada \u00e9 precisamente a capacidade que deveriam ter as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que se dizem revolucion\u00e1rias para imaginar uma sociedade diferente daquela em que vivemos. Diferente em todos os termos, em toda a sua estrutura, incluindo o Estado. Esta capacidade tamb\u00e9m deve ser encontrada com intelig\u00eancia suficiente para despertar a consci\u00eancia de toda a classe trabalhadora e para que ela descubra que tem todo o potencial t\u00e9cnico e emp\u00edrico para dirigir os nossos destinos e reconstruir a sua cultura.<\/p>\n<p>No pr\u00f3logo da primeira edi\u00e7\u00e3o da obra Ideologia e Cultura de H\u00e9ctor Agosti, publicada em 2005, Azcoaga destacou que \u201ca ideologia aparece como uma forma\u00e7\u00e3o alojada na cultura. (\u2026) Existiu uma cultura, autoproclamada \u201cneoliberal\u201d, aceite, mesmo que apenas para critic\u00e1-la, como tal. (\u2026) E o que podemos dizer sobre a ideologia desta d\u00e9cada? N\u00e3o ser\u00e1 a ideologia da recupera\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es? (\u2026) Sim. Mas, sem tocar no capitalismo, sem afugentar os investidores, sem \u201ctirar os p\u00e9s do prato\u201d da ordem financeira internacional. E esta tamb\u00e9m \u00e9 uma ideologia que se prega a partir do poder.\u201d<\/p>\n<p>Agosti (2005) destaca que tudo o que \u00e9 feito pelo ser humano \u00e9 cultura, ou seja, a cultura \u00e9 uma express\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es em que reproduzimos a nossa materialidade. \u201c(\u2026) portanto, entendida na sua globalidade totalizante, a cultura n\u00e3o pode ser olhada independentemente da hist\u00f3ria e da evolu\u00e7\u00e3o dos meios produtivos.\u201d Assim, seguindo Agosti (2005) e Marx ([1846] 1974), se o primeiro fato hist\u00f3rico \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o dos meios indispens\u00e1veis \u00e0 vida, ou seja, a pr\u00f3pria vida material, podemos compreender os n\u00edveis de degrada\u00e7\u00e3o cultural da sociedade em geral e da classe trabalhadora em particular, cujas condi\u00e7\u00f5es materiais de exist\u00eancia s\u00e3o t\u00e3o prec\u00e1rias e o desempenho do trabalho consumido pela explora\u00e7\u00e3o mais brutal que, como disse Marx, o trabalhador foi degradado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de m\u00e1quina, um \u201cescravo do capital\u201d (Marx, 1844). Portanto, a sua cultura, a nossa cultura, n\u00e3o pode deixar de ser o resultado da degrada\u00e7\u00e3o da nossa materialidade.<\/p>\n<p>No quadro de um modo de produ\u00e7\u00e3o cada vez mais degradado e senil, a recupera\u00e7\u00e3o do engenho para pensar numa solu\u00e7\u00e3o coletiva para os problemas que s\u00e3o coletivos, ao imaginar uma sociedade constru\u00edda e dirigida pela classe trabalhadora, fazem parte da batalha estrat\u00e9gica de ideias que \u00e9 uma necessidade urgente.<\/p>\n<p>FOTO DO ALTO DA P\u00c1GINA: Interven\u00e7\u00e3o durante o &#8220;Museu Vivo&#8221; realizado na Pra\u00e7a dos Desaparecidos em 2 de dezembro de 2024, sobre o 35\u00ba anivers\u00e1rio do golpe militar que derrubou Alfredo Stroessner. Por Elisa Marecos.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<br \/>\nAgosti, H. (2005). Ideolog\u00eda y Cultura. Buenos Aires: Associa\u00e7\u00e3o H\u00e9ctor P. Agosti.<\/p>\n<p>Amin, S. (2003). M\u00e1s all\u00e1 del Capitalismo Senil. Por un siglo XXI No norteamericano. Buenos Aires: Paid\u00f3s.<\/p>\n<p>Beinstein, J. (2010). Crep\u00fasculo del capitalismo, nostalgias, herencias, barbaries y esperanzas a comienzos del siglo XXI.<\/p>\n<p>Beinstein, J. (2011). El comienzo del invierno global. Revista Mercado.<\/p>\n<p>Fukuyama, F. (1988). \u00bfEl fin de la historia? The National Interest.<\/p>\n<p>Marx, K. (1844). Manuscritos econ\u00f3micos y filos\u00f3ficos.<\/p>\n<p>Marx, K. (1846). La Ideolog\u00eda Alemana (1974 ed.). Barcelona: Ediciones Grijalbo.<\/p>\n<p>McMahon, G., &amp; Mrozek, J. (1997). Economics, entropy and sustantability. Hydrological Sciencies Journal, 4, 501-512.<\/p>\n<p>Montenegro, \u00c1. (2011). Informaci\u00f3n y Entrop\u00eda en Econom\u00eda. Revista de Econom\u00eda Institucional, 13(25).<\/p>\n<p>Stefanoni, P. (2021). \u00bfLa Rebeld\u00eda se volvi\u00f3 de derecha? Buenos Aires: Siglo XXI Editores.<\/p>\n<p>[1] Ou poder\u00edamos cham\u00e1-lo p\u00f3s-fascismo, tal como o apresenta Enzo Traverso, atendendo a que o Estado gigante e corporativo do fascismo n\u00e3o s\u00f3 deixou de ser pregado, mas \u00e9 virulentamente questionado pela extrema direita que prega, isto sim, um fascismo cultural, discriminador, supremacista, com um neoliberalismo econ\u00f4mico salvador, como express\u00e3o potencialmente dominante do capitalismo poss\u00edvel na proje\u00e7\u00e3o e como consequ\u00eancia de seu diagn\u00f3stico atual.<\/p>\n<p>[2] Quando falamos de capitais fict\u00edcios, nos referimos a t\u00edtulos, valores, obriga\u00e7\u00f5es financeiras e outros componentes do sistema financeiro que n\u00e3o s\u00e3o o resultado da produ\u00e7\u00e3o real de mercadorias.<\/p>\n<p>[i] Candidata a Doutora em Economia pelo Instituto de Ind\u00fastria, Universidade Nacional de General Sarmiento, Buenos Aires, Argentina. Possui Mestrado em Ci\u00eancias Sociais com especializa\u00e7\u00e3o em Desenvolvimento Social e Investiga\u00e7\u00e3o, FLACSO Paraguai. Economista, Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, Universidade de Pinar del R\u00edo, Cuba. Presidente da Sociedade de Economia Pol\u00edtica do Paraguai e diretora da Sociedade de Economia Pol\u00edtica e Pensamento Cr\u00edtico na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. Membra do Comit\u00ea Central do Partido Comunista Paraguaio, respons\u00e1vel pela Comiss\u00e3o Nacional de Ideologia e Forma\u00e7\u00e3o. Contato: alhelicaceres@seppy.org.py<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/adelantenoticias.com\/2024\/03\/12\/batalla-ideas-capitalismo-senil\/\">https:\/\/adelantenoticias.com\/2024\/03\/12\/batalla-ideas-capitalismo-senil\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31479\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8,242,9,65,146,10,35],"tags":[227],"class_list":["post-31479","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-eipco","category-s10-internacional","category-c78-internacional","category-internacionalismo","category-s19-opiniao","category-c40-paraguai","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8bJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31479","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31479"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31479\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31481,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31479\/revisions\/31481"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}