{"id":31486,"date":"2024-03-21T14:20:16","date_gmt":"2024-03-21T17:20:16","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31486"},"modified":"2024-03-21T14:20:16","modified_gmt":"2024-03-21T17:20:16","slug":"sionismo-doutrina-racista-e-de-limpeza-etnica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31486","title":{"rendered":"Sionismo: doutrina racista e de limpeza \u00e9tnica"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31487\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31486\/unnamed-30\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/unnamed-1.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"705,470\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/unnamed-1.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-31487\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/unnamed-1.jpg?resize=705%2C470&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"705\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/unnamed-1.jpg?w=705&amp;ssl=1 705w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/unnamed-1.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos da imagem: Vermelho<br \/>\n\u00abEste pa\u00eds existe para cumprimento de uma promessa feita pelo pr\u00f3prio Deus. Seria rid\u00edculo pedir-lhe que prestasse contas da sua legitimidade\u00bb<\/p>\n<p>[Golda Meir, primeira-ministra de Israel (1969-1974)]<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o &#8211; ABRILABRIL<\/p>\n<p>O sionismo n\u00e3o tem legitimidade para se apropriar da dor, morte e mem\u00f3ria de todas as v\u00edtimas do Holocausto, muito menos de todos os seres humanos que pereceram sob a m\u00e1quina de morte nazifascista.<\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conhecer com autenticidade o Estado de Israel nem identificar o que permite a este pa\u00eds artificial e colonial continuar impune, apesar de praticar h\u00e1 75 anos o genoc\u00eddio de um povo e os mais atrozes crimes contra a humanidade, sem aprofundar o conhecimento sobre a doutrina sionista, a ideologia confessional, racista e supremacista que lhe deu origem e o sustenta.<\/p>\n<p>O sionismo n\u00e3o representa os judeus de todo o mundo; n\u00e3o representa o semitismo; n\u00e3o representa sequer a globalidade dos cidad\u00e3os de Israel. O sionismo n\u00e3o tem legitimidade para se apropriar da dor, morte e mem\u00f3ria de todas as v\u00edtimas do Holocausto, muito menos de todos os seres humanos que pereceram sob a m\u00e1quina de morte nazifascista. No entanto, o sionismo, uma ideologia antissemita, consegue manter o mundo de m\u00e3os amarradas apesar de a sua obra com maior impacto ser um Estado com pouco mais de meia d\u00fazia de milh\u00f5es de habitantes \u2013 uma percentagem significativa dos quais n\u00e3o s\u00e3o judeus, israelitas e muito menos sionistas, embora sejam semitas.<\/p>\n<p>O sionismo \u00e9 uma doutrina com quase 150 anos que se assenta no expansionismo, na limpeza \u00e9tnica e substitui\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es em territ\u00f3rios distribu\u00eddos por uma \u00e1rea indefinida do Oriente M\u00e9dio, que h\u00e1 tr\u00eas mil\u00eanios um \u00abdeus\u00bb solit\u00e1rio reservou para o povo por si \u00abescolhido\u00bb com o objetivo de o instalar depois de uma fuga do Egito, onde supostamente era tratado como escravo por um fara\u00f3 n\u00e3o identificado, e de vaguear 40 anos pelo deserto. Nada disto tem comprova\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica fatual, emana apenas do Antigo Testamento b\u00edblico e da Torah hebraica.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a base m\u00edstica e m\u00edtica do sionismo, dogmatizada segundo fic\u00e7\u00f5es de um confessionalismo que, embora semi-escondido taticamente nos tempos de cria\u00e7\u00e3o da doutrina, fundamenta hoje, quase por inteiro, o regime terrorista de Israel.<\/p>\n<p>Existe, por\u00e9m, outro lado da moeda; nos finais do s\u00e9c. XIX o fundador do sionismo, o jornalista judeu austr\u00edaco Theodor Herzl, j\u00e1 considerava essencial construir \u00abum muro de defesa da Europa na \u00c1sia, um posto avan\u00e7ado da civiliza\u00e7\u00e3o contra a barb\u00e1rie\u00bb. Ou, como diria o atual presidente dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, Joseph Biden, nos anos oitenta do s\u00e9culo passado, \u00abse Israel n\u00e3o existisse teria de ser inventado\u00bb.<\/p>\n<p>O sionismo \u00e9, portanto, uma doutrina criada com base em fic\u00e7\u00f5es religiosas para aplicar uma estrat\u00e9gia de coloniza\u00e7\u00e3o, de limpeza \u00e9tnica e de genoc\u00eddio dos \u00abb\u00e1rbaros\u00bb, tamb\u00e9m eles semitas; al\u00e9m disso, cumpre uma miss\u00e3o civilizacional a realizar por um povo \u00abescolhido por Deus\u00bb, superior a todos os outros \u2013 que \u00abexistem para o servir\u00bb. Povo esse que se guia apenas pelas leis divinas e s\u00f3 presta contas ao Senhor.<\/p>\n<p>Quando atualmente algum pol\u00edtico ou diplomata deseja a sa\u00edda de Benjamin Netanyahu da chefia do governo israelense como via para terminar a carnificina em Gaza n\u00e3o expressa mais do que um voto piedoso. Israel rege-se atualmente, talvez como nunca, pelo fundamentalismo religioso sionista, que determina a expuls\u00e3o dos \u00e1rabes da \u00abTerra de Israel\u00bb \u2013 um territ\u00f3rio sem fronteiras estabelecidas onde os governantes n\u00e3o t\u00eam de obedecer \u00e0s leis terrenas. \u00abSou contra o direito, o direito internacional, o direito em geral\u00bb, explica a ex-ministra da Justi\u00e7a israelense, a jurista Tzipi Livni.<\/p>\n<p>Netanyahu \u00e9, como se percebe, uma pe\u00e7a de uma engrenagem monstruosa que em nada depende dele para funcionar.<\/p>\n<p>Vamos ent\u00e3o conhecer um pouco melhor esta doutrina, o sionismo, que mant\u00e9m o mundo de m\u00e3os amarradas, apesar de lhe passarem \u00e0 frente dos olhos as imagens do exterm\u00ednio sistem\u00e1tico de um povo, e cujo papel na tr\u00e1gica realidade montada em Israel \u00e9 frequentemente subvalorizado.<\/p>\n<p>\u00abOs palestinos n\u00e3o existem\u00bb<\/p>\n<p>A frase que se reproduz no in\u00edcio deste texto foi proferida pela antiga primeira-ministra de Israel e uma figura de culto do sionismo, Golda Meir, numa entrevista ao jornal Le Monde.<\/p>\n<p>Golda Meir n\u00e3o era religiosa, ou pelo menos assim se definia; foi fundadora da central sindical Histadrut em 1928 e chefiou durante anos o partido Mapai, depois Partido Trabalhista, a fac\u00e7\u00e3o dita socialista do sionismo. Considerada a primeira \u00abdama de ferro\u00bb da pol\u00edtica internacional, pois saiu de cena em Israel quando Margaret Thatcher entrou a servi\u00e7o no Reino Unido, Golda Meir foi transformada em mito pelo aparelho de propaganda sionista funcionando a partir de Hollywood atrav\u00e9s de um filme \u00e9pico produzido em 2023, ano em que Israel iniciou em Gaza a maior express\u00e3o da selvageria humana desde as carnificinas de Hitler. \u00abTalvez possamos perdoar os \u00e1rabes por terem matado os nossos filhos, mas para n\u00f3s ser\u00e1 mais dif\u00edcil perdoar-lhes por nos terem obrigado a matar os seus filhos\u00bb, outra frase lapidar da antiga primeira-ministra de Israel que muito nos ajuda a entender a ess\u00eancia desumana e hip\u00f3crita do esp\u00edrito sionista e, desde logo, permite estabelecer uma dissocia\u00e7\u00e3o absoluta entre essa doutrina racista e genocida e o juda\u00edsmo enquanto povo, cultura e religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Dizia ainda Golda Meir que \u00abos palestinos n\u00e3o existem\u00bb, porque \u00abexistem apenas \u00e1rabes\u00bb e que, por isso, \u00abcomo \u00e9 que podemos devolver os territ\u00f3rios ocupados se n\u00e3o existe ningu\u00e9m para receb\u00ea-los?\u00bb<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias, o Knesset (Parlamento de Israel) aprovou por larga maioria uma decis\u00e3o segundo a qual Israel nunca permitir\u00e1 a exist\u00eancia de um Estado palestino, desafiando assim o mundo e o direito internacional. Ontem como hoje, com a trabalhista Golda Meir ou o direitista (partido Likud) Netanyahu, o Estado de Israel, a imagem viva do sionismo, coloca-se numa plataforma acima das coisas terrestres, na qual vive \u00abo povo eleito\u00bb, ao qual compete interpretar e cumprir as ordens dos poderes divinos.<\/p>\n<p>\u00ab\u00c9 verdade, h\u00e1 a justi\u00e7a, mas depois existe a justi\u00e7a hebraica\u00bb, proclamava Golda Meir nos anos setenta do s\u00e9culo passado. Uma formula\u00e7\u00e3o que, cinco d\u00e9cadas depois, foi retomada, usando outras palavras, por uma ex-ministra da Justi\u00e7a de Ariel Sharon e Netanyahu, Tzipi Livni, muito querida de brilhantes palradores da nossa pra\u00e7a: \u00abSou jurista mas sou contra o direito, o direito internacional em particular, o direito em geral\u00bb. Sobra, deste modo, o direito divino, \u00aba lei de Deus\u00bb, aquela segundo a qual se rege o Estado de Israel e que, em perfeita sintonia com a crueldade do Antigo Testamento \u2013 como acontece sob os nossos olhos \u2013 permite as limpezas \u00e9tnicas, o exterm\u00ednio e o genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Teia de mistifica\u00e7\u00f5es<br \/>\nOs sionistas s\u00e3o quem melhor explica o sionismo. N\u00e3o \u00e9 uma aprendizagem f\u00e1cil, porque a doutrina, sendo coerente nas suas finalidades e aplica\u00e7\u00e3o, est\u00e1 longe de ser linear devido \u00e0s suas cambalhotas ideol\u00f3gicas; muitas vezes perdemo-nos entre a mistifica\u00e7\u00e3o e a realidade, os princ\u00edpios e o oportunismo, na deriva entre o determinismo religioso, a escatologia e a subst\u00e2ncia geoestrat\u00e9gica, mais prosaicamente, entre a verdade e a mentira. \u00abPode mentir-se no interesse de Israel\u00bb, m\u00e1xima proclamada por Isaac Shamir, agente terrorista com responsabilidade em assassinatos seletivos &#8211; designadamente do conde Folke Bernardotte, mediador entre \u00e1rabes e israelenses em nome da ONU, nos anos 1947\/48 \u2013 e que chegou a primeiro-ministro na segunda metade dos anos oitenta.<\/p>\n<p>Tr\u00eas das mistifica\u00e7\u00f5es fundadoras do sionismo desenvolveram-se, e entranharam-se, ao longo do s\u00e9culo XX e repercutem-se de forma agravada e intencionalmente irrevers\u00edvel nos dias de hoje, em que Israel est\u00e1 contra o mundo e o mundo tudo lhe permite.<\/p>\n<p>\u00c9 falso que o sionismo seja uma doutrina secular que tenha como princ\u00edpio fundador promover o \u00abregresso\u00bb do povo judaico \u00e0 \u00abterra prometida\u00bb e que represente o juda\u00edsmo, a religi\u00e3o judaica, a etnia e cultura hebraicas.<\/p>\n<p>Essas tr\u00eas falsidades s\u00e3o, por sua vez, os pilares do monstruoso sistema de propaganda sionista manobrando nos principais centros de comunica\u00e7\u00e3o globalista e nas centrais de entretenimento, muito especialmente no imp\u00e9rio de Hollywood.<\/p>\n<p>Ainda que o trabalho te\u00f3rico do jornalista judeu austro-h\u00fangaro Theodor Herzl (1860-1904), considerado o fundador do sionismo pol\u00edtico, n\u00e3o admita abertamente o car\u00e1ter religioso da doutrina, o mito b\u00edblico da \u00abterra prometida\u00bb alimentou a sua fundamenta\u00e7\u00e3o desde os primeiros passos, pelo menos logo que em 1908 se iniciaram as compras de terras \u00e1rabes no territ\u00f3rio da Palestina sob controle otomano, designadamente para criar os t\u00e3o \u00abrom\u00e2nticos\u00bb, bem como expansionistas e colonizadores kibutz \u00absocialistas\u00bb. Os embri\u00f5es das legi\u00f5es e dos grupos terroristas que estiveram, posteriormente, na origem do Estado de Israel surgiram nessa altura, para for\u00e7ar os \u00e1rabes mais renitentes a \u00abvender\u00bb as suas terras.<\/p>\n<p>O artif\u00edcio propagand\u00edstico proclamando o objetivo de \u00abregresso \u00e0 terra prometida\u00bb foi idealizado na reuni\u00e3o sionista de Basileia em 1897, frequentada pelas elites judaicas endinheiradas da Europa \u2013 interligando ent\u00e3o esse conceito com o da g\u00eanese sionista, conferindo \u00e0 doutrina um inquestion\u00e1vel conte\u00fado religioso.<\/p>\n<p>Na realidade n\u00e3o havia qualquer laivo de inoc\u00eancia ou de consci\u00eancia progressista neste movimento. Theodor Herzl fora claro quanto \u00e0s inten\u00e7\u00f5es de ocupa\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o quando em 1900 recomendou que se \u00abincitasse a popula\u00e7\u00e3o desfavorecida (da Palestina) a passar a fronteira, privando-a de trabalhar na nossa p\u00e1tria\u00bb. Herzl fez quest\u00e3o de identificar como uma das suas fontes de inspira\u00e7\u00e3o a figura de Cecil Rhodes, o criador das doutrinas de \u00abdesenvolvimento independente\u00bb, eufemismo de apartheid, na \u00c1frica Austral, que ele qualificou como \u00abum vision\u00e1rio\u00bb. A associa\u00e7\u00e3o entre sionismo e racismo vem, portanto, dos prim\u00f3rdios da doutrina e do edif\u00edcio te\u00f3rico-pr\u00e1tico montado pelo seu fundador.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX estava em campo, de maneira particularmente ativa, a fam\u00edlia de banqueiros Rothschild, de origem judaica alem\u00e3, que patrocinou a compra direta ou por interpostas pessoas e entidades, driblando as autoridades otomanas, de grandes \u00e1reas das terras palestinas. Cerca de 20 mil hectares passaram para as m\u00e3os de imigrantes sionistas entre 1908 e 1914; algumas fontes afirmam que cerca de 20% das terras f\u00e9rteis da Palestina estavam em m\u00e3os dos colonizadores j\u00e1 em 1918.<\/p>\n<p>Em 1917, entretanto, o governo brit\u00e2nico, a quem a elite sionista pedira apoio para o processo de coloniza\u00e7\u00e3o, formulou a famosa Declara\u00e7\u00e3o de Balfour (do nome do ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, Arthur Balfour) prometendo o apoio de Londres \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um \u00abLar Nacional\u00bb judaico na Palestina. Lord Balfour era um assumido antissemita; n\u00e3o estamos, por\u00e9m, perante uma ironia hist\u00f3rica: esse foi mais um passo da longa e entranhada coopera\u00e7\u00e3o entre o sionismo e o antissemitismo que contribuiu para moldar a funda\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do Estado de Israel; e que teve um marco fundamental na colabora\u00e7\u00e3o comprovada entre organiza\u00e7\u00f5es e dirigentes sionistas e estruturas no mais alto n\u00edvel do fascismo mussoliniano e do nazismo hitleriano, como iremos perceber.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O racismo como marca gen\u00e9tica<br \/>\nTheodor Herzl levantara o v\u00e9u ao qualificar Cecil Rhodes, pai do apartheid, como um vision\u00e1rio.<\/p>\n<p>A pegada racista ficou registada na g\u00eanese e desenvolvimento do sionismo e n\u00e3o mais se extinguiu, antes se foi refor\u00e7ando ao longo das d\u00e9cadas pr\u00e9 e p\u00f3s-Israel at\u00e9 chegarmos aos dias de hoje, afirmando-se como pilar fundamental do regime terrorista de Benjamin Netanyahu.<\/p>\n<p>Menahem Begin foi um dos mais renomados chefes de grupos terroristas como o Irgun e de mil\u00edcias sionistas como a Betar \u2013 em seu tempo um batalh\u00e3o da marinha fascista de Mussolini \u2013 que em 1977 chegou a primeiro-ministro do Estado de Israel. Uma vez no cargo, onde se distinguiu pela sangrenta invas\u00e3o do L\u00edbano, o cerco de Beirute e os massacres de Sabra e Chatila no Ver\u00e3o de 1982, apoiando-se no criminoso de guerra Ariel Sharon como chefe das for\u00e7as armadas, foi agraciado com o Pr\u00eamio Nobel da Paz. A distin\u00e7\u00e3o deveu-se, oficialmente, \u00e0 assinatura de um tratado com o Egito de Anwar Sadat, em 1977, celebrado \u00e0 custa dos interesses e direitos do povo palestino.<\/p>\n<p>\u00abOs palestinos s\u00e3o animais que caminham sobre duas patas\u00bb, definiu o Nobel Menahem Begin, um dos mais hist\u00f3ricos dirigentes do Estado sionista, esse nosso imprescind\u00edvel \u00abaliado\u00bb, uma ilha do Ocidente entre os b\u00e1rbaros do Oriente M\u00e9dio, ali\u00e1s a \u00ab\u00fanica democracia\u00bb na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Um sucessor de Menahem Begin, Naftali Bennet, primeiro-ministro nos anos de 2021 e 2022, cumprimentou os participantes palestinos numa sess\u00e3o de \u00abnegocia\u00e7\u00f5es\u00bb informando-os de que \u00abenquanto voc\u00eas ainda trepavam em \u00e1rvores n\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos um Estado\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abOs nazistas n\u00e3o eram arruaceiros\u00bb<\/p>\n<p>O sionismo \u00e9 uma forma de racismo.<\/p>\n<p>N\u00e3o, esta assertiva n\u00e3o \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de antissemitismo. O racismo do sionismo come\u00e7a dentro do pr\u00f3prio \u00absemitismo\u00bb, ao apropriar-se do conceito de semita em detrimento de todos os outros povos da mesma condi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, designadamente os \u00e1rabes.<\/p>\n<p>O sionismo \u00e9 racista e segregacionista dentro do pr\u00f3prio universo hebraico. A sociedade israelita est\u00e1 estratificada consoante a \u00abpureza\u00bb das origens judaicas. \u00c0 cabe\u00e7a est\u00e3o os asquenaze, oriundos da Europa Central e do Leste, os europeus inventores do sionismo e que o conduzem desde os prim\u00f3rdios, com repercuss\u00f5es praticamente totalit\u00e1rias nos \u00f3rg\u00e3os de decis\u00e3o do Estado de Israel.<\/p>\n<p>Os sefarditas s\u00e3o os judeus origin\u00e1rios do Oriente M\u00e9dio \u2013 designados \u00absabra\u00bb em Israel \u2013 do Norte de \u00c1frica e da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Seguem-se os iemenitas, muito abaixo na escala; e os et\u00edopes, os falacha, que s\u00e3o muito \u00fateis, por\u00e9m, quando integrados em setores avan\u00e7ados das tropas e pol\u00edcias de choque, encarregados dos \u00abtrabalhos\u00bb mais selvagens.<\/p>\n<p>Arthur Rupin, um eminente sionista que dirigiu a coloniza\u00e7\u00e3o da Palestina entre 1908 e os anos trinta do s\u00e9culo passado, elaborou a estratifica\u00e7\u00e3o social e \u00e9tnica entre os judeus que ainda hoje \u00e9 uma caracter\u00edstica da sociedade israelense.<\/p>\n<p>Escreveu Rupin: \u00abComo queremos desenvolver o que \u00e9 judeu na Palestina \u00e9 desej\u00e1vel que os judeus de ra\u00e7a venham para a Palestina\u00bb. Nesse esp\u00edrito, definiu a hierarquia da ra\u00e7a: \u00abEuropa Oriental, ra\u00e7a pura; iemenitas (na \u00e9poca tamb\u00e9m chamados de piolhosos) \u2013 para empregos subalternos; et\u00edopes \u2013 a excluir\u00bb.<\/p>\n<p>Arthur Rupin n\u00e3o \u00e9 um marginal. A gest\u00e3o da coloniza\u00e7\u00e3o da Palestina durante quase 30 anos n\u00e3o \u00e9 tarefa que se entregue a um arrivista. Este te\u00f3rico racista d\u00e1 nome a ruas em v\u00e1rias cidades de Israel e a sua ef\u00edgie foi estampada em selos postais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as suas ideias segregacionistas foram cotejadas com as de outros credenciados te\u00f3ricos insuspeitos quanto \u00e0 genuinidade das teses. Em plenos anos trinta, Arthur Rupin deslocou-se para a cidade alem\u00e3 de Iena a fim de se encontrar com Hans Gunther, o te\u00f3rico nazista dos temas raciais, e ambos conclu\u00edram que tinham identidade de pontos de vista.<\/p>\n<p>Pode argumentar-se que a \u00e9poca era outra, os conceitos sobre \u00abra\u00e7as\u00bb foram evoluindo e dissolvendo-se ao ritmo de princ\u00edpios e causas que os tornaram anacr\u00f4nicos, principalmente depois da trag\u00e9dia da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Puro engano quando se trata do sionismo e do Estado de Israel. Em 2019, o rabino Giora Redler, dignit\u00e1rio religioso de uma academia militar na Cisjord\u00e2nia ocupada, afirmou que \u00aba ideologia de Hitler estava cem por cento correta, mas incidiu sobre o lado errado\u00bb. Sem d\u00favida, uma maneira interessante de refletir sobre o Holocausto, longe de ser um caso isolado.<\/p>\n<p>Moshe Feiglin, dirigente do Partido Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e dos atr\u00e1s citados ex-primeiros-ministros Menahem Begin e Isaac Shamir, e vice-presidente do Parlamento entre 2013 e 2015, \u00e9 um homem com \u00eddolos no m\u00ednimo invulgares tratando-se de um judeu sionista e, certamente, a par da barb\u00e1rie do Holocausto. Na opini\u00e3o deste dirigente do partido no poder no Estado de Israel, \u00abHitler era um chefe militar inigual\u00e1vel, e o nazismo fez passar a Alemanha de um n\u00edvel baixo a um n\u00edvel econ\u00f4mico e ideol\u00f3gico fant\u00e1stico. A Alemanha disp\u00f4s de um regime exemplar, de um sistema de justi\u00e7a adequado e de ordem p\u00fablica. Hitler gostava de boa m\u00fasica, os nazistas n\u00e3o eram um bando de arruaceiros\u00bb.<\/p>\n<p>Algumas d\u00e9cadas antes, Isaac Tabenkin, considerado o pai espiritual do movimento de ocupa\u00e7\u00e3o de terras palestinas atrav\u00e9s dos kibutz e quadro das mil\u00edcias terroristas Hashemer, enumerara \u00abos ideais de Hitler\u00bb de que dizia gostar: \u00abhomogeneidade \u00e9tnica, possibilidade de troca de minorias \u00e9tnicas, transfer\u00eancia de grupos \u00e9tnicos em benef\u00edcio de uma ordem internacional.\u00bb<\/p>\n<p>N\u00e3o houve esfor\u00e7os pol\u00edticos e midi\u00e1ticos nos setores afetos ao governo para desautorizar os conceitos de Feiglin. O pr\u00f3prio primeiro-ministro Netanyahu, em plenas fun\u00e7\u00f5es, teve o cuidado de ilibar Hitler de grande parte do terror do Holocausto, pondo em causa a sua responsabilidade na ado\u00e7\u00e3o da \u00absolu\u00e7\u00e3o final\u00bb. Segundo Netanyahu, ponta de lan\u00e7a do racismo sionista na carnificina e limpeza \u00e9tnica que h\u00e1 mais de 150 dias ocorre em Gaza, \u00abHitler n\u00e3o queria exterminar os judeus. Foi o mufti de Jerusal\u00e9m (dignit\u00e1rio pol\u00edtico-religioso isl\u00e2mico) quem soprou a Hitler a ideia de exterminar os judeus em vez de os expulsar da Alemanha porque eles viriam para a Palestina\u00bb. Ainda de acordo com a narrativa de Netanyahu, Hitler, at\u00f4nito, \u00abperguntou o que fazer. Queime-os\u00bb, respondeu o mufti. Foi ent\u00e3o que o f\u00fchrer, conhecido pela sua disponibilidade para ouvir opini\u00f5es e sugest\u00f5es de outros, decidiu-se pela matan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00abO sionismo explicado pelos sionistas\u00bb \u00e9 uma s\u00e9rie de quatro artigos, da autoria de Jos\u00e9 Goul\u00e3o, que publicaremos ao longo do m\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31486\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,75,146,255,10,78],"tags":[234],"class_list":["post-31486","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-c88-internacionalismo","category-internacionalismo","category-israel","category-s19-opiniao","category-c91-solidariedade-a-palestina","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8bQ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31486"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31486\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31488,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31486\/revisions\/31488"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}