{"id":315,"date":"2010-03-06T15:09:12","date_gmt":"2010-03-06T15:09:12","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=315"},"modified":"2010-03-06T15:09:12","modified_gmt":"2010-03-06T15:09:12","slug":"faleceu-o-camarada-aristelio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/315","title":{"rendered":"Faleceu o camarada Arist\u00e9lio"},"content":{"rendered":"\n<p>Trabalhou no CTA at\u00e9 final de 1956, quando voltou ao Rio para trabalhar no Tribunal de Contas da Uni\u00e3o. Nesta altura da vida, j\u00e1 estava namorando Marly, companheira admir\u00e1vel que lhe acompanhou at\u00e9 o fim da vida. Foi quando se iniciou a constru\u00e7\u00e3o da refinaria Duque de Caxias, e o Partido lhe deu como tarefa fazer o concurso para a Petrobras. Ingressou na empresa em 1958. Na Reduc, foi fundador de um amplo movimento pol\u00edtico, em defesa dos princ\u00edpios que nortearam a funda\u00e7\u00e3o da Petrobras, com destaque para a luta em prol do mon\u00f3polio estatal do Petr\u00f3leo, o Movimento 2004 (n\u00famero da lei que criou a Petrobras).<\/p>\n<p>Na batalha pela funda\u00e7\u00e3o do Sindicato da Reduc, o Movimento 2004 ganhou notoriedade. Foi eleito Secret\u00e1rio do Sindicato e atuava como elemento pol\u00edtico da organiza\u00e7\u00e3o interna, conseguindo, dentre outras conquistas, fazer com que os engenheiros ingressassem no Sindicato e participassem das assembleias junto com os oper\u00e1rios. O Sindicato da Reduc esteve presente em todos os grandes momentos da vida nacional. Desde a greve dos marinheiros, a assembleia dos sargentos e o com\u00edcio na Central do Brasil. Por isso mesmo foram violentamente perseguidos em 1964. Nenhuma unidade da Petrobras teve o n\u00famero de cassados que teve a refinaria, e o n\u00famero de demitidos passou de 300. Tal era a fama do Sindicato e dos comunistas da refinaria, que, nas palavras de Arist\u00e9lio, &#8220;foi criado um campo de concentra\u00e7\u00e3o para n\u00f3s&#8221;. Muitos foram torturados. Todos perderam seus empregos. Mesmo cassados, refundaram o Movimento 2004, que deu origem \u00e0 Comiss\u00e3o de Anistiados da Petrobras, que at\u00e9 hoje luta pelos direitos destes trabalhadores.<\/p>\n<p>Em 1964, Arist\u00e9lio ficou preso no DOPS e, depois, no Pres\u00eddio Ferreira Viana, na famosa Rua Frei Caneca. N\u00e3o conseguia mais emprego e acabou virando jornalista, transformando-se num dos mais competentes e respeitados profissionais da \u00e1rea, sempre lembrado e admirado por antigos colegas e pelos leitores, quando se tornou colunista. Trabalhou no Jornal dos Sports, no Correio da Manh\u00e3, na sucursal do Estad\u00e3o, da Folha de S\u00e3o Paulo e em O Globo. Ap\u00f3s v\u00e1rias batidas policiais, resolveu ir para S\u00e3o Paulo trabalhar na Editora Abril. Trabalhou na enciclop\u00e9dia Conhecer, na revista Realidade e fundou a revista Placar com Maur\u00edcio Az\u00eado. Voltou ao Rio como chefe da reda\u00e7\u00e3o do Placar e, quando foi demitido, com o dinheiro da indeniza\u00e7\u00e3o, comprou um chal\u00e9 em Mury, buc\u00f3lico distrito de Nova Friburgo.<\/p>\n<p>Foi trabalhar na TV Manchete e, dois anos depois, regressava \u00e0 Petrobras, dessa vez trabalhando n\u00e3o mais como t\u00e9cnico de contabilidade e sim como jornalista, assumindo a fun\u00e7\u00e3o de chefe de setor de divis\u00e3o e, depois, superintendente adjunto do Servi\u00e7o de Comunica\u00e7\u00e3o da Petrobras. Quando Collor foi eleito, pediu demiss\u00e3o e veio para Friburgo ser diretor de jornalismo da TV Serra Mar, na \u00e9poca de propriedade de Cl\u00e1udio Chagas Freitas, onde trabalhou por um ano. Bateu de frente com os maus prefeitos da regi\u00e3o, chegando a ser amea\u00e7ado, tendo sido obrigado a se afastar.<\/p>\n<p>Para sobreviver, abriu o restaurante japon\u00eas Kyori (que funcionava em uma das lojas embaixo do est\u00e1dio do Friburguense), com o s\u00f3cio Yoshiuke Ban. Como ele mesmo dizia: &#8220;Ensinamos o friburguense a comer de pauzinho&#8221;.<\/p>\n<p>Dez anos depois, voltou ao Rio para trabalhar no Tribunal de Contas do Munic\u00edpio, como assessor do Maur\u00edcio Az\u00eado, ent\u00e3o Conselheiro do TCMRJ, que desejava gente de confian\u00e7a e honesta ao seu lado. Tornou-se colunista do jornal friburguense A Voz da Serra, onde, durante v\u00e1rios anos, produziu deliciosas cr\u00f4nicas sobre a cidade, o estado e o pa\u00eds, falando de tudo: pol\u00edtica, futebol, samba e jazz, de que era grande entendedor, por isso mesmo integrante do Clube de Jazz.<\/p>\n<p>Passou a lutar para dar um melhor destino \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI), tendo sido eleito, em maio de 2004, diretor tesoureiro da entidade. Neste mesmo ano, aceitou o desafio lan\u00e7ado pelos camaradas do PCB de Nova Friburgo e foi candidato \u00e0 prefeitura, arrebanhando quase 8.000 votos (cerca de 7% da vota\u00e7\u00e3o), numa das mais significativas performances obtidas por um candidato de esquerda no munic\u00edpio, talvez a maior da hist\u00f3ria da cidade, levando-se em considera\u00e7\u00e3o ter sido candidatura pr\u00f3pria, sem coliga\u00e7\u00f5es. Dois anos depois, cumpriu de novo a tarefa de ser candidato pelo PCB, desta vez a deputado estadual, mas a sa\u00fade j\u00e1 debilitada n\u00e3o permitia mais muitas andan\u00e7as.<\/p>\n<p>Hoje, 05 de mar\u00e7o de 2010, descansou o bravo camarada Arist\u00e9lio, de tantas batalhas contra a ditadura, as desigualdades e injusti\u00e7as promovidas pelo capitalismo, de tantos belos textos em defesa da nossa cultura, da democracia e do socialismo, de 58 anos ininterruptos de milit\u00e2ncia no PCB. Deixa saudades profundas na fam\u00edlia (salve, guerreira Marly!), nos in\u00fameros amigos feitos ao longo da vida, nos militantes do PCB e da esquerda brasileira e em grande parte dos eleitores friburguenses, que ainda sonhavam na oportunidade de votar de novo em Arist\u00e9lio para Prefeito.<\/p>\n<p><strong> <\/p>\n<p>CAMARADA ARIST\u00c9LIO, PRESENTE!<\/p>\n<p> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Base Francisco de Assis Bravo &#8211; PCB de Nova Friburgo <\/p>\n<p>Comit\u00ea Central e Comit\u00ea Regional do RJ<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Faleceu o camarada Arist\u00e9lio\n\n\n\n\nDepois de uma longa batalha contra o c\u00e2ncer e os efeitos do tratamento da doen\u00e7a, que o deixaram bastante debilitado, descansou nosso querido camarada Arist\u00e9lio Travassos de Andrade.\nNasceu em 18 de mar\u00e7o de 1934, na cidade de Timba\u00faba, Estado de Pernambuco, na chamada ex-Zona da Mata, de onde seus pais sa\u00edram, para morar no Rio de Janeiro, quando ent\u00e3o tinha 3 anos de idade. Estudou no Instituto Teol\u00f3gico Adventista, onde hoje funciona o Col\u00e9gio Petropolitano de Ensino. Fez contabilidade trabalhando de dia na Casa Turuna, na Avenida Passos. Quando se formou, ficou doente dos pulm\u00f5es e foi morar em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos. Um ano depois, com a doen\u00e7a controlada, fez concurso para o Centro T\u00e9cnico de Aeron\u00e1utica. Em 1952, trabalhando no meio da nata dos golpistas da Aeron\u00e1utica, entre ele o major Burnier, famoso depois de 1964, ingressou no Partido Comunista Brasileiro, do qual nunca se afastou.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/315\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-315","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-55","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/315","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=315"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/315\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=315"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=315"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=315"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}