{"id":3152,"date":"2012-07-11T13:10:13","date_gmt":"2012-07-11T13:10:13","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3152"},"modified":"2012-07-11T13:10:13","modified_gmt":"2012-07-11T13:10:13","slug":"governo-prepara-corte-da-previsao-para-o-pib-do-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3152","title":{"rendered":"Governo prepara corte da previs\u00e3o para o PIB do ano"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo se prepara para cortar fortemente a previs\u00e3o de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano nos c\u00e1lculos dos minist\u00e9rios da Fazenda e do Planejamento que balizam as proje\u00e7\u00f5es de arrecada\u00e7\u00e3o e ditam o ritmo de gastos federais. Atualmente, a estimativa est\u00e1 em otimistas 4,5%, e ela dever\u00e1 ser reduzida para algo como 2,7% a 3%.<\/p>\n<p>Ainda assim, ser\u00e1 algo superior ao previsto pelo Banco Central, que trabalha com 2,5%, e pelo mercado financeiro, que aposta em 2,01%, com tend\u00eancia de novas quedas. Os n\u00fameros usados pela Fazenda e Planejamento normalmente s\u00e3o mais altos que os do Banco Central porque eles t\u00eam um componente pol\u00edtico, servem para sinalizar a inten\u00e7\u00e3o do governo.<\/p>\n<p>O ajuste na estimativa de crescimento, considerado inevit\u00e1vel no meio t\u00e9cnico, dever\u00e1 ser oficializado no pr\u00f3ximo dia 20, quando est\u00e1 prevista a divulga\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o de Receitas e Despesas Prim\u00e1rias referente ao terceiro bimestre de 2012. \u00c9 com base nesses c\u00e1lculos que o governo decide se libera mais dinheiro, corta mais despesas ou deixa tudo como o programado.<\/p>\n<p>Com o PIB menor, a proje\u00e7\u00e3o de arrecada\u00e7\u00e3o com impostos e contribui\u00e7\u00f5es para 2012 tamb\u00e9m dever\u00e1 encolher. O Estado publicou em sua edi\u00e7\u00e3o de domingo que a chamada receita administrada, exatamente a composta por impostos e contribui\u00e7\u00f5es recolhidos pelo Fisco, j\u00e1 est\u00e1 cerca de R$ 20 bilh\u00f5es abaixo do previsto, como reflexo da retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Para evitar cortes de gastos, que afundariam ainda mais a economia, \u00e9 poss\u00edvel que o governo recorra a outras fontes de receitas, como dividendos das empresas estatais e a chamada receita n\u00e3o administrada, formada por taxas espec\u00edficas recolhidas por \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, por exemplo. O pr\u00f3prio secret\u00e1rio do Tesouro Nacional, Arno Augustin, adiantou que poderia lan\u00e7ar m\u00e3o dessa estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>&#8220;V\u00e3o tirar mais coelhos da cartola&#8221;, aposta o economista-chefe da corretora Conven\u00e7\u00e3o Tullett Prebon, Fernando Montero. Ele acha que isso ser\u00e1 necess\u00e1rio porque n\u00e3o faria sentido o governo anunciar restri\u00e7\u00e3o a despesas poucos dias ap\u00f3s haver anunciado um pacote que aumenta as compras dos minist\u00e9rios em R$ 6,6 bilh\u00f5es este ano, como forma de estimular a ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Outra op\u00e7\u00e3o diante do cobertor curto seria reduzir a meta de super\u00e1vit prim\u00e1rio (diferen\u00e7a entre receitas e despesas sem considerar pagamento de juros), fixada em R$ 139,8 bilh\u00f5es este ano, dos quais R$ 97 bilh\u00f5es devem ser poupados pelo governo federal e R$ 42,8 bilh\u00f5es por Estados e munic\u00edpios. H\u00e1 um grupo dentro do governo pressionando pela redu\u00e7\u00e3o da meta prim\u00e1ria, como forma de abrir mais espa\u00e7o para a\u00e7\u00f5es de est\u00edmulo \u00e0 economia, mas no momento a balan\u00e7a parece pender mais para o outro lado.<\/p>\n<p>Esfor\u00e7o maior. A meta fiscal de R$ 139,8 bilh\u00f5es representa 3,1% do PIB pelas contas do governo, que pressup\u00f5e um crescimento de 4,5%. Como as previs\u00f5es de expans\u00e3o do Produto est\u00e3o em baixa, inclusive dentro do governo, o esfor\u00e7o fiscal ficar\u00e1 maior, quando medido como propor\u00e7\u00e3o do PIB.<\/p>\n<p>Nas contas do economista Mansueto Almeida, o governo persegue um resultado de 3,2% do PIB e n\u00e3o de 3,1%, supondo que o crescimento seja de 1,5% este ano.<\/p>\n<p>Montero chega a um resultado parecido. Ele calcula que, antes da mudan\u00e7a de cen\u00e1rio para o crescimento econ\u00f4mico, o governo tentava chegar a um prim\u00e1rio de 3% do PIB e agora est\u00e1 em 3,1% do PIB. \u00c9 a mesma conta feita pelo Banco Central. &#8220;Se o ano for realmente ruim, ent\u00e3o podemos arredondar para 3,2%.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ministra anuncia novas concess\u00f5es<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O governo pretende tirar da gaveta um pacote de novas concess\u00f5es na \u00e1rea de infraestrutura, depois de meses de discuss\u00f5es sobre como melhorar editais e garantir a participa\u00e7\u00e3o de grandes empresas nas licita\u00e7\u00f5es. Segundo a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, um grande an\u00fancio deve ser feito no pr\u00f3ximo m\u00eas com a lista de obras e projetos que passar\u00e3o para a iniciativa privada.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o lan\u00e7amento, \u00e9 necess\u00e1rio cumprir uma s\u00e9rie de tr\u00e2mites burocr\u00e1ticos at\u00e9 que a licita\u00e7\u00e3o, de fato, seja feita. A ministra evitou dar detalhes sobre as \u00e1reas que ser\u00e3o atendidas e citou de forma gen\u00e9rica que envolvem rodovias, ferrovias, aeroportos e o setor de energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Contratos de licita\u00e7\u00f5es antigas, como na \u00e1rea de portos, come\u00e7am a vencer este ano. O governo, por\u00e9m, est\u00e1 mais preocupado em garantir novos investimentos, principalmente em um cen\u00e1rio de crise internacional. &#8220;Nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 continuar com o processo de concess\u00f5es&#8221;, disse Miriam.<\/p>\n<p>Dois dos projetos que devem passar para iniciativa privada j\u00e1 foram antecipados ontem pelo ministro dos Transportes, Paulo S\u00e9rgio Passos.<\/p>\n<p>Segundo ele, as minutas dos editais para a concess\u00e3o das rodovias BR-116 (trecho da estrada em Minas Gerais) e BR-040 (trecho que liga o Distrito Federal \u00e0 fronteira de Minas com o Rio de Janeiro) devem ir para consulta p\u00fablica nas pr\u00f3ximas semanas. &#8220;Queremos fazer o leil\u00e3o em novembro para assinarmos os contratos no in\u00edcio de 2013.&#8221;<\/p>\n<p>Miriam disse que as estradas ter\u00e3o um papel coadjuvante no processo. &#8220;Estamos aumentando a malha ferrovi\u00e1ria em mais de 30% e iniciando empreendimentos em hidrovias. Nosso foco \u00e9 ter amplia\u00e7\u00e3o de poucas estradas. Estamos melhorando as estradas, n\u00e3o aumentando.&#8221;<\/p>\n<p>Ferrovias. O objetivo principal \u00e9 deslanchar as licita\u00e7\u00f5es de ferrovias, aeroportos e da \u00e1rea de energia el\u00e9trica. O resultado do leil\u00e3o dos aeroportos em fevereiro desagradou \u00e0 presidente Dilma Rousseff, que queria ver companhias experientes administrando Guarulhos, Campinas e Bras\u00edlia. Passando por uma reformula\u00e7\u00e3o, o edital da segunda rodada de concess\u00e3o do setor deve exigir mais dos concorrentes que quiserem disputar os aeroportos de Confins (Minas Gerais), Gale\u00e3o (Rio de Janeiro) e um terceiro, que ainda n\u00e3o foi definido.<\/p>\n<p>No caso de ferrovias, o governo estuda um novo modelo de concess\u00e3o &#8211; chamado de open access (acesso aberto) &#8211; que prev\u00ea a manuten\u00e7\u00e3o da via por uma s\u00f3 empresa, mas seu uso por outros clientes. Esse formato de opera\u00e7\u00e3o acaba com o &#8220;direito de passagem&#8221;, um problema vivido hoje pelas empresas.<\/p>\n<p>Energia. O setor de energia el\u00e9trica \u00e9 o mais urgente para o governo, mas a solu\u00e7\u00e3o definitiva para a redu\u00e7\u00e3o de custos e o futuro das concess\u00f5es que vencer\u00e3o a partir de 2015 esbarra em c\u00e1lculos t\u00e9cnicos considerados insuficientes pela presidente Dilma.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 reduzir o custo do servi\u00e7o para a ind\u00fastria e os consumidores. Mas por enquanto o modelo de renova\u00e7\u00e3o das concess\u00f5es e o pacote de desonera\u00e7\u00e3o de tributos e encargos das contas de luz ainda n\u00e3o chegaram no desconto desejado.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Desemprego nos polos industriais<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Em diferentes polos industriais do pa\u00eds, a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o demitiu mais do que contratou entre janeiro e maio. Em Manaus, o saldo \u00e9 de 4,2 mil vagas fechadas. Na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, s\u00e3o 6,6 mil empregos a menos e em Sobral, que concentra a ind\u00fastria cal\u00e7adista do Cear\u00e1, 1,6 mil demiss\u00f5es ocorreram no per\u00edodo, entre outros exemplos espalhados pelo pa\u00eds, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).<\/p>\n<p>No Brasil como um todo, a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o ainda criou 117 mil empregos formais at\u00e9 maio, mas o saldo \u00e9 bem inferior aos 236 mil novos empregos do come\u00e7o do ano passado.<\/p>\n<p>O desemprego industrial \u00e9 pulverizado, marcado pela n\u00e3o reposi\u00e7\u00e3o da rotatividade inerente ao mercado de trabalho (como aposentadorias, demiss\u00e3o por iniciativa do empregado e desligamento por justa causa) e pelo in\u00edcio de demiss\u00f5es em pequenas e m\u00e9dias empresas, especialmente, segundo informa\u00e7\u00f5es de dirigentes dos sindicatos que concentram as demiss\u00f5es. Entre as cidades do ABC paulista, a ind\u00fastria fechou 2,5 mil vagas em S\u00e3o Bernardo e Diadema entre janeiro e maio, enquanto o saldo positivo de Santo Andr\u00e9 e S\u00e3o Caetano \u00e9 de 160 empregos.<\/p>\n<p>Para S\u00e9rgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC, as demiss\u00f5es ainda n\u00e3o ocorrem em grande volume porque as grandes empresas do setor, como montadoras e sistemistas, t\u00eam f\u00f4lego financeiro para administrar a situa\u00e7\u00e3o de paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o com f\u00e9rias coletivas e uso do banco de horas dos funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Por enquanto, s\u00e3o as pequenas fornecedoras de partes e pe\u00e7as que mais sofrem com a retra\u00e7\u00e3o das encomendas na cadeia automobil\u00edstica. &#8220;Quando a crise se instala, essas empresas n\u00e3o conseguem sustentar o emprego e, em alguns casos, precisam demitir at\u00e9 10% do seu quadro de funcion\u00e1rios&#8221;, diz Nobre. Como s\u00e3o de pequeno porte, as demiss\u00f5es podem variar de 10 a 15 funcion\u00e1rios por empresa.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Pereira dos Santos, presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos de Guarulhos, ressalta que ainda n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de desemprego em massa, mas empresas que j\u00e1 recorreram a f\u00e9rias coletivas e licen\u00e7a remunerada, por exemplo, est\u00e3o deixando de repor parte das vagas deixadas em aberto pela rotatividade normal do setor. A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o na cidade fechou 1,1 mil postos de trabalho entre janeiro e maio.<\/p>\n<p>Pereira relata que algumas companhias instaladas em Guarulhos j\u00e1 procuraram o sindicato para negociar redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e dos sal\u00e1rios e diz que, se o setor n\u00e3o responder aos est\u00edmulos j\u00e1 concedidos pelo governo, como redu\u00e7\u00e3o do IPI para itens da linha branca e ve\u00edculos, por exemplo, as demiss\u00f5es podem ocorrer em escala maior a partir de agosto.<\/p>\n<p>Em Manaus, onde os desligamentos superaram admiss\u00f5es em 4,2 mil, o problema se concentra na ind\u00fastria de motos, que tamb\u00e9m vem realizando cortes. S\u00f3 na Honda &#8211; maior do setor, com quase 80% do mercado &#8211; 886 funcion\u00e1rios deixaram a f\u00e1brica. Na Yamaha, 423 foram desligados.<\/p>\n<p>As montadoras de motos j\u00e1 come\u00e7aram a conceder as f\u00e9rias coletivas que estavam programadas para este m\u00eas, o que deve ajudar o setor a adequar a produ\u00e7\u00e3o a um mercado retra\u00eddo. Na Honda, a maior parte dos funcion\u00e1rios volta hoje, ap\u00f3s dez dias de f\u00e9rias. Mas, em duas de suas cinco linhas de produ\u00e7\u00e3o, a montadora estendeu a parada por mais uma semana.<\/p>\n<p>Para Henrique Nora, presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Rio de Janeiro (Firjan) no Sul do Estado, as grandes empresas tentaram evitar demiss\u00f5es no fim de 2011, apesar da produ\u00e7\u00e3o estagnada, mas como o ambiente que se instalou foi de crise, as ind\u00fastrias come\u00e7aram a demitir. Em Resende, foram fechadas 360 vagas.<\/p>\n<p>Em Pernambuco, segundo Renato Cunha, presidente do Sindicato da Ind\u00fastria do A\u00e7\u00facar de Pernambuco (Sinda\u00e7\u00facar-PE), o forte volume de demiss\u00f5es nos cinco primeiros meses do ano ocorreu por fatores sazonais, j\u00e1 que o per\u00edodo entre fevereiro e maio \u00e9 marcado pela entressafra da cana-de-a\u00e7\u00facar. No Estado, foram fechadas 25 mil vagas nos cinco primeiros meses do ano, mas boa parte delas (23,9 mil) ocorreu na ind\u00fastria de alimentos, bebidas e \u00e1lcool et\u00edlico.<\/p>\n<p>Segundo Cunha, quest\u00f5es clim\u00e1ticas, como a forte seca na regi\u00e3o, devem resultar em uma safra cerca de 20% menor neste ano do que em 2011. Com menos toneladas de cana para colher, o setor deve reduzir as contrata\u00e7\u00f5es neste ano para 85 mil &#8211; no ano passado, foram cerca de 100 mil.<\/p>\n<p>Em Betim, onde est\u00e1 a Fiat e v\u00e1rias empresas de autope\u00e7as, o quadro, segundo o presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos, Jo\u00e3o Alves de Almeida, \u00e9 de aumento no ritmo da produ\u00e7\u00e3o desde junho em fun\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos do governo para a venda de ve\u00edculos. Como resultado, oper\u00e1rios est\u00e3o sendo convocados para trabalhar aos s\u00e1bados ou mais horas ao longo da semana, diz ele. Mesmo assim, mais de 600 empregos foram fechados na cidade at\u00e9 maio.<\/p>\n<p>Em Contagem, outro polo importante da ind\u00fastria, e Belo Horizonte a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito diferente, segundo Geraldo Valgas, presidente do sindicato dos metal\u00fargicos das duas cidades. &#8220;No setor de autope\u00e7as, estamos fechando mais acordos de PLR este ano do que no ano passado. As empresas come\u00e7aram a fazer os acordos mais ou menos em maio&#8221;, disse. A queixa \u00e9 que na movimenta\u00e7\u00e3o de demiss\u00f5es e contrata\u00e7\u00f5es, a regra passou a ser demitir funcion\u00e1rios com mais experi\u00eancia e maiores sal\u00e1rios por m\u00e3o de obra mais jovem e mais barata.<\/p>\n<hr \/>\n<p>China j\u00e1 olha para o setor de servi\u00e7os, diz confedera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Uma das pol\u00edticas da China para continuar com crescimento elevado e mudar o perfil da economia \u00e0 medida que ela se aproxima dos n\u00edveis dos pa\u00edses desenvolvidos \u00e9 aumentar a participa\u00e7\u00e3o do setor de servi\u00e7os no Produto Interno Bruto (PIB) dos atuais 45% para at\u00e9 60% nos pr\u00f3ximos cinco anos. O planejamento foi revelado em junho pelo primeiro-ministro chin\u00eas, Wen Jiabao, na abertura da 1\u00ba Feira Internacional de Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os de Pequim. Presente quando o premi\u00ea chin\u00eas discursou, Luigi Nese, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Servi\u00e7os (CNS), n\u00e3o duvidou do que ouviu.<\/p>\n<p>A mesma entrada agressiva de produtos industriais chineses no mercado brasileiro verificada nos \u00faltimos anos deve acontecer no setor de servi\u00e7os at\u00e9 o fim da d\u00e9cada, na perspectiva da confedera\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que uma das condi\u00e7\u00f5es para a expans\u00e3o chinesa \u00e9 o investimento maior em exporta\u00e7\u00e3o. Em 2009, \u00faltimo ano com dados dispon\u00edveis para consulta por pa\u00eds, o montante da troca brasileira de servi\u00e7os com a China foi quase inexpressivo em rela\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio: US$ 463 milh\u00f5es. Naquele ano, segundo o Banco Central, o Brasil importou do mundo quase US$ 47 bilh\u00f5es em servi\u00e7os. Em 2011, a cifra subiu para US$ 76 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio futuro faz com que os empres\u00e1rios do setor tenham duas op\u00e7\u00f5es daqui para frente, na vis\u00e3o da confedera\u00e7\u00e3o: aproveitar as oportunidades que est\u00e3o sendo oferecidas para tamb\u00e9m entrar no mercado asi\u00e1tico e assim ampliar os neg\u00f3cios, ou perder espa\u00e7o no mercado dom\u00e9stico em fun\u00e7\u00e3o das dificuldades em competir com o que vem da China.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a dos servi\u00e7os chineses no Brasil de forma mais ostensiva \u00e9 restrita ao setor banc\u00e1rio, mas vem crescendo. Atualmente, o \u00fanico banco que opera no pa\u00eds \u00e9 o Bank of China. Em negocia\u00e7\u00f5es com o governo desde o ano passado, o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) espera poder atuar at\u00e9 o fim do ano em territ\u00f3rio brasileiro, assim como o China Construction Bank.<\/p>\n<p>Organizados e \u00e1geis nos neg\u00f3cios, na vis\u00e3o de Nese, os empres\u00e1rios chineses lotaram a palestra feita por ele na feira buscando informa\u00e7\u00f5es sobre como entrar no Brasil. Por outro lado, os brasileiros ligados ao setor de servi\u00e7os n\u00e3o se entusiasmaram quando a confedera\u00e7\u00e3o chamou parte deles para a viagem ao pa\u00eds asi\u00e1tico. &#8220;Quer\u00edamos ir com uma delega\u00e7\u00e3o de 30 pessoas, mas fomos em seis. O brasileiro ainda precisa aprender a fazer neg\u00f3cios na China.&#8221;<\/p>\n<p>Com o apoio de \u00f3rg\u00e3os governamentais, a confedera\u00e7\u00e3o prospectou \u00e1reas em que o Brasil tem servi\u00e7os competitivos, como automa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, engenharia e arquitetura e desenvolvimento de sistemas. At\u00e9 o momento foram assinados tr\u00eas acordos de inten\u00e7\u00f5es com institui\u00e7\u00f5es chinesas para a troca de experi\u00eancias, um primeiro passo para o in\u00edcio de rela\u00e7\u00f5es comerciais. &#8220;Para entrar l\u00e1 voc\u00ea precisa chegar com refer\u00eancia. Aquele que for sozinho vai perder tempo e dinheiro, pois eles s\u00f3 negociam quando confiam&#8221;, diz Nesse. Ele acredita que as parcerias s\u00e3o uma oportunidade para os brasileiros participarem daquele mercado.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o fraca derruba n\u00edvel de emprego e reduz sal\u00e1rio no setor<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A queda na produ\u00e7\u00e3o industrial est\u00e1 acentuando seu efeito sobre o mercado de trabalho. O emprego do setor recuou 0,3% sobre abril, o terceiro m\u00eas consecutivo na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas anterior, j\u00e1 descontados os efeitos sazonais, segundo a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Sal\u00e1rio (Pimes), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Na mesma compara\u00e7\u00e3o, o custo da folha real de sal\u00e1rios caiu fortemente &#8211; 2,5% em rela\u00e7\u00e3o a abril, tamb\u00e9m a terceira queda na compara\u00e7\u00e3o mensal com ajuste sazonal.<\/p>\n<p>Os dados do IBGE mostram que o emprego come\u00e7a a seguir mais de perto o comportamento negativo da atividade industrial. Enquanto a ocupa\u00e7\u00e3o acumula queda de 1,1% na compara\u00e7\u00e3o com os primeiros cinco meses de 2011, a produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria caiu 3,4%. Nesse per\u00edodo, o setor ainda n\u00e3o sentiu o al\u00edvio do custo salarial, pois a folha de pagamentos ficou 3,8% superior ao in\u00edcio de 2011.<\/p>\n<p>O reflexo da produ\u00e7\u00e3o, que cai desde o ano passado, demorou a chegar ao n\u00edvel de emprego devido a uma defasagem natural dessa vari\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m porque os setores seguraram as demiss\u00f5es, considerando os gastos e a dificuldade de contratar e treinar pessoal. Agora, com a produ\u00e7\u00e3o em queda, empres\u00e1rios veem a necessidade de retomar ganhos de produtividade &#8211; ou diminuir as perdas &#8211; fazendo ajustes no quadro de funcion\u00e1rios, avaliam economistas.<\/p>\n<p>Para Fabio Silveira, s\u00f3cio-diretor da RC Consultores, os empres\u00e1rios passaram a concentrar preocupa\u00e7\u00f5es na retomada da produtividade uma vez que a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 sinais de uma recupera\u00e7\u00e3o vigorosa ainda em 2013. &#8220;O emprego vai continuar caindo, at\u00e9 porque houve essa queda da produtividade nos \u00faltimos meses. A ind\u00fastria contratou durante um bom tempo, enquanto a produ\u00e7\u00e3o diminu\u00eda&#8221;, diz Silveira. &#8220;Os empres\u00e1rios n\u00e3o acreditam mais em uma retomada t\u00e3o forte no segundo semestre e come\u00e7aram a ajustar o quadro de funcion\u00e1rios \u00e0 expectativa de produ\u00e7\u00e3o futura.&#8221;<\/p>\n<p>A produtividade da ind\u00fastria caiu 0,3% em maio, frente a abril deste ano. Segundo a Pimes, o pessoal ocupado na ind\u00fastria caiu 0,3% em maio, ante abril, com ajuste sazonal, e o n\u00famero de horas pagas caiu 0,6% na mesma compara\u00e7\u00e3o. Na semana passada, o IBGE divulgou que a produ\u00e7\u00e3o de maio recuou 0,9% ante abril, tamb\u00e9m com ajuste sazonal.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria apresenta um quadro &#8220;predominantemente negativo&#8221; tanto na atividade quanto no emprego, segundo o economista da coordena\u00e7\u00e3o de ind\u00fastria do IBGE, Andr\u00e9 Macedo. Para ele, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel o emprego industrial se recuperar enquanto n\u00e3o houver retomada no n\u00edvel de atividade. O obst\u00e1culo para esta retomada continua a ser uma s\u00e9rie de fatores que n\u00e3o foram equalizados em maio, como o alto n\u00edvel de estoques, a concorr\u00eancia acirrada com importados e os n\u00edveis elevados de inadimpl\u00eancia e endividamento por parte dos consumidores &#8211; o que prejudica a demanda interna.<\/p>\n<p>A continuidade da trajet\u00f3ria de queda no emprego industrial se refletiu tamb\u00e9m na queda de 2,5% no valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da ind\u00fastria em maio ante abril, a mais intensa nesta compara\u00e7\u00e3o desde dezembro de 2010 (-3,0%).<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o do emprego industrial n\u00e3o vir\u00e1 antes do quarto trimestre, segundo Julio S\u00e9rgio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Ele explica que a vari\u00e1vel emprego reage com defasagem \u00e0 produ\u00e7\u00e3o industrial, e uma retomada da atividade s\u00f3 deve ser verificada em julho. &#8220;O emprego industrial vai continuar caindo, ou, se crescer, ser\u00e1 muito pouco nos pr\u00f3ximos quatro meses. Os empres\u00e1rios precisam interpretar que o aumento da produ\u00e7\u00e3o, quando vier, ser\u00e1 sustent\u00e1vel. O setor automotivo j\u00e1 deu algum sinal de melhoria&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Almeida observa que a queda do emprego poderia ser bem maior n\u00e3o fosse a contrapartida pedida pelo governo para que setores beneficiados por medidas de est\u00edmulo n\u00e3o demitam. Ele lembra que falta m\u00e3o de obra qualificada ainda influi na decis\u00e3o dos empres\u00e1rios de manter ao menos parte dos empregados. &#8220;As empresas se recusavam a demitir, porque tiveram um custo alto para treinar seus funcion\u00e1rios&#8221;, explica. Para Silveira, da RC Consultores, os empres\u00e1rios da ind\u00fastria adiam desde o in\u00edcio do ano suas perspectivas para a retomada do setor.<\/p>\n<p>Caio Machado, da LCA Consultores, aponta para a defici\u00eancia de alguns setores mais expostos \u00e0 concorr\u00eancia com os importados, como t\u00eaxtil, cal\u00e7ados e automotivo. Neles, o emprego recua mais fortemente. Na ind\u00fastria t\u00eaxtil, o n\u00edvel de emprego em maio caiu 5,7% na compara\u00e7\u00e3o com maio de 2011. Em cal\u00e7ados, recuou 7,1% ante maio do ano passado. Na ind\u00fastria de fabrica\u00e7\u00e3o de meios de transporte, a queda foi de 1,9%.<\/p>\n<hr \/>\n<p>BCE abre as portas a bancos espanh\u00f3is<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, afirmou que os bancos do pa\u00eds v\u00e3o receber b\u00f4nus do fundo de resgate europeu, pass\u00edveis de serem transformados em dinheiro no Banco Central Europeu (BCE), em meio ao processo de socorro destinado ao setor financeiro.<\/p>\n<p>O &#8220;Fondo de Reestructuraci\u00f3n Ordenada Bancaria&#8221; (FROB) da Espanha vai repassar b\u00f4nus emitidos pelo Fundo Europeu de Estabiliza\u00e7\u00e3o Financeira (EFSF, na sigla em ingl\u00eas) para os bancos, que &#8220;poder\u00e3o us\u00e1-los no BCE se precisarem de liquidez&#8221;, disse de Guindos a jornalistas ap\u00f3s o encontro que teve com ministros das finan\u00e7as da zona do euro em Bruxelas, no qual foram discutidos detalhes do pacote de socorro banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>Como parte do acordo de ajuda de 100 bilh\u00f5es para a Espanha, um ou mais ve\u00edculos ser\u00e3o criados para comprar ativos dos bancos a pre\u00e7os &#8220;razo\u00e1veis&#8221;, disse de Guindos. Esses ve\u00edculos v\u00e3o emitir b\u00f4nus que tamb\u00e9m ser\u00e3o aceitos pelo BCE.<\/p>\n<p>Uma primeira parcela de 30 bilh\u00f5es do socorro financeiro dever\u00e1 estar dispon\u00edvel \u00e0s institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds no fim do m\u00eas.<\/p>\n<p>De Guindos disse que as condi\u00e7\u00f5es setoriais para a ajuda financeira incluem uma exig\u00eancia de capital de m\u00e1xima qualidade de 9%, que a maioria dos bancos j\u00e1 alcan\u00e7ou. Os detalhes restantes ser\u00e3o revelados no memorando de entendimento que dever\u00e1 ser assinado em 20 de julho.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, a Espanha recuou de declara\u00e7\u00f5es anteriores de que seu setor banc\u00e1rio n\u00e3o precisava de ajuda externa. O primeiro-ministro do pa\u00eds, Mariano Rajoy, tamb\u00e9m desistiu de uma promessa de campanha de que n\u00e3o iria criar um &#8220;banco ruim&#8221; (&#8220;bad bank&#8221;) com dinheiro p\u00fablico, como fez a Irlanda para limpar os ativos podres da contabilidade de seus bancos.<\/p>\n<p>De Guindos disse que o processo de recapitaliza\u00e7\u00e3o dever\u00e1 durar 18 meses. &#8220;Os b\u00f4nus do fundo de resgate vencem em 12,5 anos em m\u00e9dia, enquanto que as taxas de juros do pacote de ajuda ainda n\u00e3o s\u00e3o conhecidas, mas dever\u00e3o ser baixas&#8221;, disse ele. Os bancos espanh\u00f3is poder\u00e3o precisar de 62 bilh\u00f5es para suportar o pior cen\u00e1rio previsto, segundo os resultados dos testes de estresse realizados por consultorias internacionais.<\/p>\n<p>O governo j\u00e1 disse que a necessidade exata de recapitaliza\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 clara ap\u00f3s uma auditoria cujos resultados dever\u00e3o ser publicados em 31 de julho, e que o teto de 100 bilh\u00f5es inclui uma &#8220;margem enorme&#8221; al\u00e9m do que os bancos precisam.<\/p>\n<p>O memorando de inten\u00e7\u00f5es do socorro financeiro, a que a Dow Jones teve acesso, mostrou que o acordo para recapitaliza\u00e7\u00e3o dos bancos espanh\u00f3is tamb\u00e9m impor\u00e1 perdas aos portadores de a\u00e7\u00f5es e d\u00edvida subordinada das institui\u00e7\u00f5es que receberem ajuda oficial.<\/p>\n<p>&#8220;Os bancos que receberem ajuda do Estado v\u00e3o contribuir com o custo da reestrutura\u00e7\u00e3o, tanto quanto poss\u00edvel, com recursos pr\u00f3prios&#8221;, diz o documento.<\/p>\n<p>O texto afirma que os atuais propriet\u00e1rios de a\u00e7\u00f5es de qualquer banco que receber ajuda, assim como os portadores de certos t\u00edtulos que tenham caracter\u00edsticas em comum com esses pap\u00e9is, ser\u00e3o os primeiros a terem seus investimentos considerados como perda completa.<\/p>\n<p>&#8220;Os bancos e seus acionistas assumir\u00e3o perdas antes que as medidas de ajuda do Estado sejam concedidas, e v\u00e3o garantir a absor\u00e7\u00e3o das perdas das a\u00e7\u00f5es e dos instrumentos h\u00edbridos de capital em toda a extens\u00e3o poss\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ap\u00f3s a distribui\u00e7\u00e3o das perdas aos acionistas, as autoridades espanholas v\u00e3o exigir medidas para dividir os encargos dos portadores de capital h\u00edbrido e de d\u00edvida subordinada nos bancos que receberem capital p\u00fablico&#8221;, diz o documento.<\/p>\n<p>O memorando tamb\u00e9m exige que a Espanha aprove uma nova lei que permita a imposi\u00e7\u00e3o de perdas aos portadores de d\u00edvida subordinada e outros pap\u00e9is at\u00e9 o fim do terceiro trimestre. Segundo o memorando, as autoridades espanholas adotar\u00e3o as emendas legislativas necess\u00e1rias para impor perdas aos portadores de d\u00edvida subordinada, caso a exigida partilha dos encargos n\u00e3o seja alcan\u00e7ada de forma volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p>Isso poder\u00e1 ser uma quest\u00e3o politicamente complicada para o governo central da Espanha, uma vez que muitos portadores de d\u00edvida subordinada s\u00e3o correntistas comuns que ver\u00e3o seus investimentos desaparecerem, disse um analista de um grande banco de investimentos.<\/p>\n<p>O memorando de entendimento para o resgate do sistema financeiro espanhol imp\u00f5e ao menos 32 condi\u00e7\u00f5es e coloca o Banco da Espanha, de fato, sob a tutela do Banco Central Europeu (BCE). Al\u00e9m disso, certas atribui\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Economia espanhol ser\u00e3o transferidas para o BC do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em um sinal de como a supervis\u00e3o do setor banc\u00e1rio da Espanha ficar\u00e1 mais rigorosa como parte do programa de ajuda, o memorando do acordo diz que o pa\u00eds ter\u00e1 de proporcionar \u00e0 zona do euro e ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), que vai desempenhar um papel de supervis\u00e3o no resgate, dados sobre os dep\u00f3sitos em uma base semanal. A Espanha tamb\u00e9m precisar\u00e1 enviar semanalmente dados sobre as posi\u00e7\u00f5es de liquidez dos bancos e suas previs\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre outras medidas, a Uni\u00e3o Europeia imp\u00f5e uma reforma das chamadas &#8220;cajas&#8221; (institui\u00e7\u00f5es de poupan\u00e7a). O sistema banc\u00e1rio espanhol ser\u00e1 dividido em quatro grupos, de acordo com suas necessidades de recapitaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Espanha continuar\u00e1 se esfor\u00e7ando para assegurar que os seus bancos recebam inje\u00e7\u00e3o de capital direta do fundo de resgate da Uni\u00e3o Europeia no futuro, sem o dinheiro ter de passar pelo fundo pr\u00f3prio do pa\u00eds, disse ontem o ministro Guindos.<\/p>\n<p>O diretor do grupo de trabalho respons\u00e1vel pela defini\u00e7\u00e3o dos detalhes t\u00e9cnicos do plano, Thomas Wieser, explicou que cerca de 40 bancos espanh\u00f3is ser\u00e3o submetidos a testes de estresse por uma consultoria independente.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Cr\u00e9dito consignado vira jogo para gente grande<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o fechada ontem entre BMG e Ita\u00fa Unibanco \u00e9 um marco no mercado de cr\u00e9dito consignado. Representa a mudan\u00e7a do modelo de neg\u00f3cios, que passa a ser, definitivamente, coisa para gente grande. O BMG era a principal refer\u00eancia em cr\u00e9dito consignado entre os bancos de menor porte, porque possu\u00eda a maior for\u00e7a de venda e tamb\u00e9m um bom acesso a funding. Se at\u00e9 o BMG teve que se render \u00e0 realidade do mercado, o que se pode dizer de bancos ainda menores e sem os mesmos predicados?<\/p>\n<p>Quando o governo criou o empr\u00e9stimo que podia ter as presta\u00e7\u00f5es descontadas diretamente na folha de pagamento (o consignado), em 2004, os grandes bancos n\u00e3o demonstraram interesse. Foram os pequenos e m\u00e9dios que desbravaram a novidade e, por muito tempo, dominaram o segmento. Mas com um grau de seguran\u00e7a de pagamento jamais visto em outra modalidade de cr\u00e9dito pessoal no pa\u00eds, em menos de uma d\u00e9cada o consignado se imp\u00f4s. Hoje tem um saldo de R$ 172,3 bilh\u00f5es (dados de maio) e \u00e9 uma das principais formas de cr\u00e9dito no pa\u00eds. Os grandes n\u00e3o puderam ficar \u00e0 margem. Muitos come\u00e7aram comprando carteiras dos menores, outros partiram diretamente para montar suas pr\u00f3prias opera\u00e7\u00f5es. O fato \u00e9 que nos \u00faltimos anos as grandes institui\u00e7\u00f5es avan\u00e7aram nesse nicho, aproveitando-se das fragilidades dos menores. Quem saiu na frente foi o Banco do Brasil, que se valeu das in\u00fameras folhas de pagamento de Estados e munic\u00edpios que det\u00e9m para liderar o segmento.<\/p>\n<p>Os bancos pequenos e m\u00e9dios enfrentaram duas grandes dificuldades: a falta de capital para reter em seus balan\u00e7o todos os empr\u00e9stimos que conseguiam gerar e o alto custo do funding na compara\u00e7\u00e3o com bancos de primeira linha. Os dois fatores incentivaram a pr\u00e1tica de cess\u00e3o (venda) de carteiras aos bancos maiores. Mas a disposi\u00e7\u00e3o dos grandes em comprar esses ativos minguou conforme cresceu o interesse deles de ganhar esse mercado diretamente. O golpe final veio com a descoberta de fraudes no PanAmericano, no Schahin, no Morada e no Cruzeiro do Sul, que jogou d\u00favidas quanto \u00e0 exist\u00eancia dos cr\u00e9ditos vendidos.<\/p>\n<p>Uma mudan\u00e7a cont\u00e1bil h\u00e1 muito adiada pelo Banco Central, e finalmente implementada em janeiro deste ano, terminou de inviabilizar a forma de operar dos bancos menores. Antes, quando cediam suas carteiras de cr\u00e9dito, podiam contabilizar as receitas no ato da venda. A partir deste ano, as receitas t\u00eam que ser apropriadas ao longo da dura\u00e7\u00e3o do contrato de empr\u00e9stimo, que chega a ser de 60 meses. Com a pr\u00e1tica anterior, os bancos menores viviam de pedalar uma bicicleta em que originavam cr\u00e9ditos e vendiam. Engordavam a receita, o resultado e, por fim, o patrim\u00f4nio l\u00edquido. Tudo isso foi interrompido e culminou com a sa\u00edda do Cruzeiro do Sul e, agora, do BMG de cena.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nO Estado de S. 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