{"id":31533,"date":"2024-04-03T19:56:30","date_gmt":"2024-04-03T22:56:30","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31533"},"modified":"2024-04-03T19:56:30","modified_gmt":"2024-04-03T22:56:30","slug":"os-lacos-do-sionismo-com-o-nazifascismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31533","title":{"rendered":"Os la\u00e7os do sionismo com o nazifascismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31534\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31533\/unnamed2-2\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/unnamed2.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"705,470\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed(2)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/unnamed2.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-31534\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/unnamed2.jpg?resize=705%2C470&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"705\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/unnamed2.jpg?w=705&amp;ssl=1 705w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/unnamed2.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos da imagem\/ Mosaic Magazine<\/p>\n<p>\u00abHitler era um chefe militar inigual\u00e1vel; o nazismo fez passar a Alemanha de um n\u00edvel baixo a um n\u00edvel econ\u00f4mico e ideol\u00f3gico fant\u00e1stico\u00bb (Moshe Feiglin, dirigente do partido de Netanyahu e ex-vice-presidente do Parlamento de Israel)<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/www.abrilabril.pt\/autor\/jose-goulao\">Jos\u00e9 Goul\u00e3o &#8211; ABRILABRIL<\/a><\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria nos ensina, com exemplos abundantes, a cumplicidade do sionismo com o nazifascismo no doutrinamento e prepara\u00e7\u00e3o operacional dos grupos paramilitares perpetradores da limpeza \u00e9tnica que tornou poss\u00edvel a instaura\u00e7\u00e3o do Estado de Israel.<\/p>\n<p>Tal como monopolizou o juda\u00edsmo e o semitismo, o sionismo f\u00ea-lo tamb\u00e9m com as v\u00edtimas das atrocidades nazistas ao tentar assumir, pelo menos propagandisticamente, o Holocausto de judeus como a \u00fanica e grande hecatombe originada pelo regime terrorista de Hitler.<\/p>\n<p>A \u00absolu\u00e7\u00e3o final\u00bb de Hitler foi adotada com o objetivo declarado de exterminar \u00aba ra\u00e7a judaica\u00bb. Pelos campos da morte e de batalha e pelas c\u00e2maras de g\u00e1s passaram, por\u00e9m, milh\u00f5es de n\u00e3o-judeus e tamb\u00e9m muitos e muitos judeus que n\u00e3o foram v\u00edtimas diretas das suas caracter\u00edsticas etnico-religiosas mas perderam a vida porque combateram o nazismo como trabalhadores, como cidad\u00e3os, como democratas. O nazismo nasceu com objetivos muito mais amplos do que o exterm\u00ednio dos judeus e provavelmente a maioria dos seres humanos que pereceram ante a m\u00e1quina de morte nazista na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, nos pa\u00edses do Leste da Europa, na Fran\u00e7a, It\u00e1lia, na Gr\u00e3-Bretanha, na B\u00e9lgica, em Espanha, na \u00c1ustria, na Alemanha, enfim, n\u00e3o eram judeus. E a maioria destes, certamente, n\u00e3o eram sionistas, provavelmente nunca tinham ouvido falar em tal doutrina. Quando a \u00absolu\u00e7\u00e3o final\u00bb foi decidida, no fim de julho de 1941, milh\u00f5es de pessoas j\u00e1 tinham perecido em consequ\u00eancia dos instrumentos de assassinato em massa desenvolvidos pelo regime de Hitler.<\/p>\n<p>O sionismo n\u00e3o pode, portanto, reclamar o monop\u00f3lio das v\u00edtimas do nazifascismo e n\u00e3o tem igualmente legitimidade para se apropriar da mem\u00f3ria dos muitos judeus n\u00e3o-sionistas sacrificados no Holocausto. Do mesmo modo, o Estado de Israel, como obra do sionismo, n\u00e3o tem o direito de representar em bloco as v\u00edtimas do Holocausto porque est\u00e1 muito longe de ter soberania sobre os judeus de todo o mundo.<\/p>\n<p>A apropria\u00e7\u00e3o do Holocausto pelo sionismo \u00e9 uma hipocrisia de grande insensibilidade, no m\u00ednimo, e uma express\u00e3o do seu esp\u00edrito totalit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Tanto mais que a Hist\u00f3ria nos ensina, com exemplos abundantes, a cumplicidade do sionismo com o nazifascismo no doutrinamento e prepara\u00e7\u00e3o operacional dos grupos paramilitares perpetradores da limpeza \u00e9tnica que tornou poss\u00edvel a instaura\u00e7\u00e3o do Estado de Israel e constitu\u00edram a base das atuais For\u00e7as de Defesa de Israel, o ex\u00e9rcito israelense. A g\u00eanese de grupos terroristas como o Irgun, Betar, Haganah, Stern, Lehi esteve nas escolas e centros de treinamento de organiza\u00e7\u00f5es fascistas na It\u00e1lia de Mussolini e o ex\u00e9rcito de Israel tem demonstrado, como agora acontece em Gaza, que a heran\u00e7a dessa escola n\u00e3o se perdeu ao longo das d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Quando implantou o \u00abrevisionismo\u00bb sionista a partir de 1925, Vladimir Jabotinsky dotou o movimento com um grupo militante subordinado a uma hierarquia militar, o Betar ou Beitar, designa\u00e7\u00e3o hoje assumida por um clube de futebol de Jerusal\u00e9m, com participa\u00e7\u00e3o nas competi\u00e7\u00f5es europeias, que tem como principal adepto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e uma claque de arruaceiros que n\u00e3o esconde comportamentos fascistas. No in\u00edcio, s\u00f3 tinham acesso ao grupo Betar os militantes sionistas que fossem suficientemente anti\u00e1rabes e antibrit\u00e2nicos, considerados estes os inimigos principais, plataforma em que convergiam o revisionismo sionista e o nazifascismo.<\/p>\n<p>As hostes de Jabotinsky tinham uma cerrada orienta\u00e7\u00e3o anticomunista que j\u00e1 vinha do in\u00edcio da d\u00e9cada de vinte, quando o chefe revisionista, de origem ucraniana, se aliou com o dirigente nacionalista ucraniano Simon Petliura para atacar a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Petliura era um antissemita assumido, organizador de numerosos pogroms nos quais foram assassinados centenas de judeus. Isso n\u00e3o representou qualquer problema para Jabotinsky que, na sequ\u00eancia do entendimento com Petliura, nomeou um enviado, Maxim Slavinsky, para coordenar um \u00abataque branco\u00bb contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Esta alian\u00e7a pol\u00edtica e operacional com um militante e ativista antissemita criou para a Jabotinsky alguns problemas na dire\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Sionista Mundial, cargo que abandonou, embora por pouco tempo. E nunca renegou as suas afinidades com o antissemita e chefe terrorista ucraniano, pai ideol\u00f3gico dos nacionalistas como Stepan Bandera, que inspiram o nazismo atualmente dominante no regime de Kiev apoiado pela OTAN e pelo chamado Ocidente coletivo. Para que n\u00e3o houvesse d\u00favidas, Jabotinsky declarou em 1923: \u00abNo meu epit\u00e1fio podem escrever: Este foi o homem que fez o pacto com Petliura\u00bb.<\/p>\n<p>Na esteira do anticomunismo vinha tamb\u00e9m o antissocialismo do revisionismo sionista, afinal uma outra manifesta\u00e7\u00e3o de antissemitismo contra extratos judaicos. Jabotinsky criou a chamada Legi\u00e3o Judaica, igualmente um grupo paramilitar, que tinha entre as suas miss\u00f5es, conforme explicou, \u00abexterminar fisicamente o Histadruth (central sindical fundada por Golda Meir) porque os seus membros s\u00e3o piores que os \u00e1rabes e n\u00e3o possuem o esp\u00edrito nacionalista dominante nos alem\u00e3es porque nenhum deles \u00e9 capaz de matar da maneira como Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo foram mortos\u00bb. Afinal, o assassinato do primeiro-ministro Isaac Rabin inspirado pela direita sionista, muitas d\u00e9cadas depois, n\u00e3o foi um caso virgem de terrorismo pol\u00edtico interno. No seu livro Em tr\u00eas frentes, de agosto de 1939, Ben-Gurion manifestou, ainda muito prematuramente, a sua experi\u00eancia e ineg\u00e1vel sabedoria, dir-se-ia prof\u00e9tica, sobre as puls\u00f5es e os instintos criminosos do sionismo: \u00abDo terrorismo judaico contra os \u00e1rabes \u00e9 um pequeno passo para o terrorismo judaico contra os judeus\u00bb.<br \/>\nDe bra\u00e7o dado com Mussolini<\/p>\n<p>A Legi\u00e3o Judaica criada por Jabotinsky foi a base da funda\u00e7\u00e3o do grupo Haganah, outro que conduziu a limpeza \u00e9tnica na Palestina nos \u00faltimos anos da d\u00e9cada de quarenta \u2013 depois integrado \u00e0s for\u00e7as militares de Israel.<\/p>\n<p>O principal disc\u00edpulo de Vladimir Jabotinsky foi Menahem Begin, um judeu de Vars\u00f3via que veio a ser primeiro-ministro de Israel entre 1977 e 1983, pr\u00eamio Nobel da Paz e principal respons\u00e1vel pela carnificina do Ver\u00e3o de 1982 em Beirute, culminada com o massacre de milhares de idosos, mulheres e crian\u00e7as nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila.<\/p>\n<p>Menahem Begin foi um dos principais respons\u00e1veis do grupo Betar, que deu origem \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o terrorista Irgun, da qual assumiu a dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O revisionismo idealizado por Jabotinsky tornou-se dominante no interior da Organiza\u00e7\u00e3o Sionista Mundial \u00e0 medida que, no fim dos anos vinte e d\u00e9cada de trinta, se foi aproximando do chefe fascista italiano Benito Mussolini. Esta converg\u00eancia registrou-se tanto nos dom\u00ednios operacionais como ideol\u00f3gicos, conduzindo o topo do sionismo a enquadrar-se numa estrutura pol\u00edtica ferozmente antissemita.<\/p>\n<p>Por este caminho o sistema operacional sionista, numa \u00e9poca de grande prolifera\u00e7\u00e3o na Europa de mecanismos de militariza\u00e7\u00e3o da sociedade, acabou por se beneficiar do apoio do aparelho fascista italiano aos seus grupos paramilitares.<\/p>\n<p>No princ\u00edpio dos anos trinta, Vladimir Jabotinsky fundou uma escola do seu movimento revisionista em Roma, onde os alunos eram doutrinados segundo as orienta\u00e7\u00f5es fascistas. Os membros do Betar usavam camisas castanhas.<\/p>\n<p>Em 1934, Mussolini enquadrou militarmente o Betar no fascismo italiano, transformando-o num esquadr\u00e3o formado na Academia Naval de Civitavecchia e depois colocado sob o comando da marinha militar do duce.<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o do esquadr\u00e3o sionista Betar, antecessor do Irgun, decorreu em Roma, em mar\u00e7o de 1936. Os seus membros terminaram o juramento com \u00abViva It\u00e1lia, viva o rei, viva o duce\u00bb, seguindo-se a consagra\u00e7\u00e3o religiosa pelo rabino da capital italiana, Aldo Lattes, invocando Deus, o rei e o duce em hebraico e italiano. A cerim\u00f4nia terminou com os presentes entoando em coro a \u00abGiovinezza\u00bb, o hino fascista.<\/p>\n<p>Jabotinsky defendia, entretanto, que a Organiza\u00e7\u00e3o Sionista Mundial deveria \u00abter um \u00fanico e principal comandante do movimento, um l\u00edder, um chefe\u00bb. O ide\u00f3logo sionista revisionista manifestou o seu \u00ab\u00f3dio\u00bb por \u00abesta\u00bb palavra; no entanto, acrescentou, \u00abse tiver de haver um, ent\u00e3o que haja um chefe\u00bb. No seu romance Sans\u00e3o, cuja a\u00e7\u00e3o se passava em Gaza, territ\u00f3rio onde supostamente teria nascido a lend\u00e1ria figura b\u00edblica, descreveu um her\u00f3i \u00abque teve neste espet\u00e1culo de milhares de pessoas obedecendo a um simples desejo o vislumbre do grande segredo de multid\u00f5es politicamente mentalizadas\u00bb.<\/p>\n<p>Vladimir Jabotinsky passou a ser conhecido como duce e solicitou a Mussolini a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para organizar em 1935, em Trieste, um Congresso Mundial da Organiza\u00e7\u00e3o Sionista, reuni\u00e3o que acabou por ser transferida para Viena. Nesse Congresso, presidido por Jacob de Haas, colaborador de confian\u00e7a de Theodor Herzl e pouco antes convertido ao revisionismo, este declarou que \u00aba democracia \u00e9 um assunto morto em toda a Europa (\u2026) Os delegados n\u00e3o s\u00e3o fascistas mas, tendo perdido a f\u00e9 na democracia, n\u00e3o eram antifascistas; contudo, eram muito anticomunistas\u00bb.<\/p>\n<p>Foi nessa altura que Mussolini disse a David Prato, que veio a ser rabino de Roma: \u00abPara o sionismo ter \u00eaxito voc\u00eas necessitam de um Estado judaico, com uma bandeira judaica e uma l\u00edngua judaica; a pessoa que realmente entende isso \u00e9 o vosso fascista Jabotinsky\u00bb.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o revisionismo ficou conhecido vulgarmente por \u00abfascismo sionista\u00bb; Ben-Gurion falava muitas vezes de Jabotinsky como \u00abVladimir Hitler\u00bb e chamava os nazistas de \u00abrevisionistas alem\u00e3es\u00bb. Isso n\u00e3o impediu aquele que \u00e9 considerado o fundador do Estado de Israel de chegar a um acordo de pacifica\u00e7\u00e3o interna do sionismo com Jabotinsky.<\/p>\n<p>Os \u00abbetaris\u00bb, membros do Betar, ficaram conhecidos como \u00abos judeus fascistas\u00bb. No Betar teve origem o Irgun, do qual Menahem Begin foi chefe; e do Irgun saiu uma dissid\u00eancia que deu origem ao Gang Stern, chefiado por Avraham Stern que, tal como os outros terroristas que o acompanharam, Nathan Yalin-Mor e Abba Achimeir, eram amigos de Menahem Begin.<\/p>\n<p>J\u00e1 na Palestina, ainda no per\u00edodo do Mandato Brit\u00e2nico, Achimeir dirigiu o jornal Di\u00e1rio de um Fascista, que defendia a \u00abuni\u00e3o dos terroristas\u00bb segundo o modelo dos squadristi fascistas italianos.<\/p>\n<p>Um dos principais dirigentes operacionais do Stern foi Isaac Shamir, que teria comandado, segundo a imprensa israelense, os atentados mortais contra Lorde Mayne, ministro residente brit\u00e2nico para o Oriente M\u00e9dio, em 6 de novembro de 1944; e contra o conde Folke Bernardotte, mediador da ONU na Palestina, em 17 de setembro de 1948.<\/p>\n<p>Estes fatos regressaram \u00e0 superf\u00edcie em Israel quando em 1977 o primeiro- ministro Menahem Begin nomeou Isaac Shamir como seu ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros. Os dois principais cargos do governo de Israel ficaram, deste modo, entregues ao antigo chefe do grupo terrorista Irgun e a um dos comandantes operacionais do grupo terrorista Stern.<\/p>\n<p>Isaac Shamir foi sucessor de Begin como primeiro-ministro, cargo que exerceu de forma intermitente at\u00e9 1992 e lhe permitiu chefiar em Madrid, em outubro de 1991, as primeiras negocia\u00e7\u00f5es israelense-\u00e1rabes sobre o futuro do Oriente M\u00e9dio, designadamente a quest\u00e3o palestiniana. No \u00faltimo mandato, o porta-voz governamental de Isaac Shamir, papel onde granjeou grande popularidade, designadamente entre o aparelho internacional midi\u00e1tico corporativo, foi Benjamin Netanyahu. O filho de Benzion Netanyahu, secret\u00e1rio de Jabotinsky, chegava \u00e0 \u00e1rea governativa israelense, onde pontifica h\u00e1 30 anos, pela m\u00e3o do antigo dirigente do grupo terrorista e filofascista Stern, Isaac Shamir.<\/p>\n<p>A figura de Jabotinsky, \u00abo fascista\u00bb segundo Ben-Gurion, foi assim o pai ideol\u00f3gico e operacional da direita e extrema-direita atualmente no poder em Israel, nascidas do movimento revisionista do sionismo enquadrado, nos prim\u00f3rdios, pelo fascismo italiano nos planos doutrin\u00e1rio e militar.<\/p>\n<p>\u00abN\u00f3s, os revisionistas, temos uma grande admira\u00e7\u00e3o por Hitler\u00bb, declarou num tribunal de Jerusal\u00e9m o advogado de Abba Achimeir quando este foi acusado de conspirar para assassinar dirigentes trabalhistas. \u00abHitler salvou a Alemanha\u00bb, acrescentou. \u00abDe outra maneira teria perecido em quatro anos\u00bb.<\/p>\n<p>O revisionismo e os grupos terroristas formados no seu \u00e2mbito, designadamente os que foram treinados pelo aparelho fascista de Mussolini, s\u00e3o a g\u00eanese do movimento pol\u00edtico Herut, que na \u00e9poca da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel congregou toda a direita sionista.<\/p>\n<p>Em dezembro de 1948, v\u00e1rias figuras de elevado prest\u00edgio na comunidade judaica dos EUA e internacional como Albert Einstein, Hannah Arendt e Sidney Hook fizeram publicar, sob a \u00fanica forma que lhes foi permitida, a de an\u00fancio pago no New York Times, uma carta sobre Menahem Begin e a cria\u00e7\u00e3o do Partido da Liberdade (Herut). \u00abTrata-se de um partido estreitamente ligado, na sua organiza\u00e7\u00e3o, m\u00e9todo, filosofia pol\u00edtica e abordagem social aos partidos nazista e fascistas (\u2026) um misto de ultranacionalismo, misticismo religioso e superioridade racial\u00bb, escreveram. \u00ab\u00c9 imperioso que a verdade sobre Begin e o seu movimento seja conhecida neste pa\u00eds. (\u2026) \u00c9 tr\u00e1gico que a chefia do sionismo estadunidense tenha recusado fazer campanha contra Begin\u00bb.<\/p>\n<p>Quase 30 anos depois, Menachem Begin, primeiro-ministro de Israel e chefe do Likud, o partido que na origem se chamou Herut, recebia o Pr\u00eamio Nobel. O Likud, na linha sucess\u00f3ria direta do revisionismo de Jabotinsky, a quem chamavam \u00abo duce\u00bb e que o duce italiano Mussolini, dirigindo-se aos sionistas, qualificava como \u00abo vosso fascista\u00bb, \u00e9 agora chefiado por Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel durante a maior parte dos 30 anos transcorridos entre 1995 e 2024.<br \/>\nO esc\u00e2ndalo estende-se ao nazismo<\/p>\n<p>Esta corrente do sionismo, por\u00e9m, est\u00e1 ainda marcada pelo enorme esc\u00e2ndalo provocado pela descoberta na Embaixada alem\u00e3 na Turquia, datado de 11 de janeiro de 1941, de um documento no qual o Irgun de Begin propunha ser associado \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o judaica na Europa e participar neste processo ao lado da Alemanha.<\/p>\n<p>O documento reconhecia a exist\u00eancia de \u00abinteresses comuns entre o estabelecimento de uma nova ordem na Europa segundo o conceito alem\u00e3o e as verdadeiras aspira\u00e7\u00f5es nacionais do povo judeu, tal como s\u00e3o entendidas pelo Irgun\u00bb. E defendia o estabelecimento de um Estado judeu \u00absegundo o modelo nacional e totalit\u00e1rio assegurado por um tratado com o Reich\u00bb, que \u00abser\u00e1 no interesse da manuten\u00e7\u00e3o e refor\u00e7o futuro das posi\u00e7\u00f5es alem\u00e3s no M\u00e9dio Oriente\u00bb.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o texto, \u00aba solu\u00e7\u00e3o do problema judaico na Europa\u00bb seria \u00abpositiva e radical\u00bb, contribuiria para \u00abestabelecer a base moral da nova ordem aos olhos de toda a humanidade\u00bb, \u00e0 qual \u00abo Irgun ficar\u00e1 intimamente ligado\u00bb no quadro do \u00abmovimento totalit\u00e1rio na Europa, sua ideologia e estrutura\u00bb.<\/p>\n<p>O texto tinha como \u00abpr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o\u00bb a \u00abevacua\u00e7\u00e3o das massas judaicas da Europa para a Palestina e a cria\u00e7\u00e3o de um Estado hebreu nas suas fronteiras hist\u00f3ricas\u00bb. E o Irgun \u00abse beneficiaria da boa vontade do Reich e das autoridades alem\u00e3s para as atividades sionistas e para os planos sionistas\u00bb. Enquanto isso, as \u00abmassas judaicas\u00bb que n\u00e3o tinham posses para negociar com as autoridades nazistas a fuga para a Su\u00ed\u00e7a e outros pa\u00edses eram sacrificadas nos campos de morte hitlerianos; e seis meses depois da data deste documento o Reich aprovava a \u00absolu\u00e7\u00e3o final\u00bb.<\/p>\n<p>A cumplicidade com o nazifascismo, por\u00e9m, n\u00e3o era um exclusivo de revisionismo sionista. O sionismo \u00aboriginal\u00bb, alegadamente \u00absecular\u00bb, tamb\u00e9m teve as suas aproxima\u00e7\u00f5es a Hitler no sentido da transfer\u00eancia dos judeus da Europa para a Palestina de maneira a acelerar a coloniza\u00e7\u00e3o. A coloniza\u00e7\u00e3o era mesmo priorit\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida de judeus, como ficou provado atrav\u00e9s da frase de Ben-Gurion anteriormente citada: \u00abSe tivesse sido poss\u00edvel salvar todas as crian\u00e7as judaicas na Alemanha e transferi-las para Inglaterra ou salvar metade e transferi-las para Israel escolher\u00edamos esta hip\u00f3tese\u00bb; ou ainda, segundo Ben-Gurion: \u00abA cat\u00e1strofe dos judeus europeus n\u00e3o \u00e9 diretamente assunto meu\u00bb.<\/p>\n<p>O primeiro primeiro-ministro da hist\u00f3ria de Israel defendeu tamb\u00e9m que \u00abo sionismo tem obriga\u00e7\u00f5es de Estado, por isso n\u00e3o pode iniciar uma batalha irrespons\u00e1vel contra Hitler\u00bb. Em 1933, a Organiza\u00e7\u00e3o Sionista Mundial tinha acordado com Hitler a Haavara, um pacto para a transfer\u00eancia de 60 mil judeus alem\u00e3es em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Palestina; a instala\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o seria financiada pelo movimento sionista com o dinheiro das pessoas transferidas e a quem Hitler permitiu a sa\u00edda sem deixarem todos os seus bens na Alemanha.<\/p>\n<p>O sionismo deu sempre prioridade, de fato, ao processo de coloniza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u00e0 vida das pessoas. David Greenbaum, ent\u00e3o presidente do Comit\u00ea de Salva\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Judaica, assegurou que \u00abn\u00e3o iria pedir\u00bb \u00e0 sua organiza\u00e7\u00e3o \u00abpara reservar 100 mil ou 300 mil libras de modo a ajudar os judeus na Europa. Quem fizer tal coisa\u00bb, sublinhou, \u00abcomete um ato antissemita\u00bb. Ou, na maneira de ver de Ben-Gurion, \u00abas considera\u00e7\u00f5es sionistas prevalecem sobre os sentimentos judaicos\u00bb.<\/p>\n<p>Apesar desta insensibilidade manifesta perante o sofrimento \u00abdas massas judaicas\u00bb \u00e0s m\u00e3os de Hitler em compara\u00e7\u00e3o com os \u00abinteresses sionistas\u00bb, foram os fundadores das correntes direitistas que atualmente dominam o poder em Israel os verdadeiros colaboracionistas com o nazifascismo na Europa.<\/p>\n<p>Essa direita, recorda-se, est\u00e1 no poder h\u00e1 30 anos (com uma curta intermit\u00eancia no in\u00edcio do s\u00e9culo), per\u00edodo durante o qual adaptou a estrutura do Estado aos seus interesses e ideologia: refor\u00e7o do totalitarismo em forma de ditadura militar, militariza\u00e7\u00e3o da sociedade, ado\u00e7\u00e3o gradual da teocracia pol\u00edtica, terrorismo interno e externo, exterm\u00ednio cada vez mais acelerado do povo palestino.<\/p>\n<p>Em 1995 foi a direita, com Benjamin Netanyahu e Ariel Sharon \u00e0 cabe\u00e7a, que contribuiu para o assassinato do primeiro-ministro trabalhista Isaac Rabin atrav\u00e9s da mobiliza\u00e7\u00e3o do extremismo dos colonos e do ultra-fundamentalismo religioso. Na verdade, de nada valeu a Isaac Rabin o fato de ter alcan\u00e7ado, em plena Intifada palestina, o grande objetivo sionista de dividir os palestinos e a Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP) atrav\u00e9s da armadilha dos Acordos de Oslo e da autonomia. A estrat\u00e9gia contribuiu para isolar a dire\u00e7\u00e3o palestina; deixou-a \u00e0 deriva num processo que ficou pelo meio, minado pelo boicote ativo das negocia\u00e7\u00f5es israelense-palestinas conduzido pelo governo de Israel, os \u00abmediadores\u00bb estadunidenses e a in\u00e9rcia ostensiva do Quarteto \u2013 Estados Unidos, R\u00fassia, ONU e Uni\u00e3o Europeia \u2013 chefiado pelo vigarista profissional Anthony Blair.<\/p>\n<p>O in\u00edcio da Intifada palestina, em finais de 1988, trouxe tamb\u00e9m \u00e0 superf\u00edcie a cumplicidade sionista na cria\u00e7\u00e3o do grupo fundamentalista isl\u00e2mico Hamas, fato atualmente admitido por dirigentes e espi\u00f5es israelenses e tamb\u00e9m em declara\u00e7\u00f5es proferidas pelo pr\u00f3prio Benjamin Netanyahu. O objetivo confessado foi igualmente o de dividir a OLP e quebrar a unidade do movimento de resist\u00eancia que ficou conhecido como \u00aba revolta das pedras\u00bb.<\/p>\n<p>A direita, fiel ao esp\u00edrito sionista dominante, n\u00e3o se contentou com o boicote e o fracasso das negocia\u00e7\u00f5es com os palestinos; n\u00e3o esteve para esperar e, atrav\u00e9s de uma multiplicidade de dan\u00e7as eleitorais e uma radicaliza\u00e7\u00e3o da sociedade conseguiu retirar praticamente de cena os trabalhistas e toda a esquerda, sionista ou n\u00e3o. Afinal, o Likud e os seus diversificados aliados de extrema-direita conseguiram alcan\u00e7ar politicamente o objetivo de \u00abexterminar os trabalhistas\u00bb, o que motivou, em grande parte, o aparecimento do revisionismo sionista de Jabotinsky..<\/p>\n<p>Iludem-se os que sup\u00f5em que uma eventual demiss\u00e3o de Benjamin Netanyahu poder\u00e1, por exemplo, contribuir para conter o genoc\u00eddio em Gaza. O problema n\u00e3o \u00e9 Netanyahu; \u00e9 muito mais vasto e entranhado \u2013 o problema \u00e9 o sionismo, perante o qual nada podem, ou n\u00e3o querem poder, as organiza\u00e7\u00f5es internacionais, ridicularizadas pelo dom\u00ednio absurdo das coisas do mundo por um sistema assentado em dons e leis supremacistas sobrenaturais, como tem se constatado. Nem mesmo as ang\u00fastias eleitorais do zumbi Biden, insistindo na solu\u00e7\u00e3o de dois Estados na Palestina, implorando por um cessar-fogo e prometendo grandes proezas humanit\u00e1rias em Gaza, enquanto vai fornecendo armas a Israel para que o genoc\u00eddio prossiga, conseguem fazer comich\u00f5es no irredentismo blindado do poder sionista. Em plena insist\u00eancia internacional na solu\u00e7\u00e3o de dois Estados, uma grande maioria do Parlamento sionista aprovou uma decis\u00e3o segundo a qual Israel nunca permitir\u00e1 que essa possibilidade seja aplicada. Como sinal de desprezo total pelo direito internacional e desafiadora declara\u00e7\u00e3o de impunidade, o sionismo acertou mais uma vez em cheio.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 dizia o general Moshe Dayan h\u00e1 50 anos, e continua a estar hoje na ordem do dia a prop\u00f3sito das trag\u00e9dias conduzidas pelo sionismo em Gaza e na Cisjord\u00e2nia, \u00abat\u00e9 agora o m\u00e9todo de puni\u00e7\u00e3o coletiva tem se revelado eficaz\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abQuanto aos nossos amigos americanos\u00bb, ainda de acordo com Moshe Dayan, \u00aboferecem-nos dinheiro, armas e conselhos; ficamos com o dinheiro, pegamos as armas e recusamos os conselhos\u00bb. O general da Guerra dos Seis Dias assim afirmou, Netanyahu e a sua ditadura sionista terrorista seguem a li\u00e7\u00e3o e a adotam na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>At\u00e9 quando? A interroga\u00e7\u00e3o levanta hip\u00f3teses dram\u00e1ticas, sobretudo porque a chamada comunidade internacional permitiu que a impunidade do sionismo tenha chegado a uma situa\u00e7\u00e3o que pode se considerar limite.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos nunca a frase letal proferida por Ariel Sharon, criminoso de guerra que, tal como Benjamin Netanyahu, trabalhou diligentemente para criar o ambiente favor\u00e1vel ao assassinato do seu compatriota e primeiro-ministro Isaac Rabin. Disse Sharon numa entrevista ao Guardian conduzida pelo conceituado David Hirst: \u00abTemos capacidade para destruir o mundo e garanto que isso acontecer\u00e1 antes de Israel se afundar\u00bb.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito sionista profundo resumido por um dos mais destacados criminosos sionistas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31533\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[181,9,65,75,255,10,78],"tags":[234],"class_list":["post-31533","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-asia","category-s10-internacional","category-c78-internacional","category-c88-internacionalismo","category-israel","category-s19-opiniao","category-c91-solidariedade-a-palestina","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8cB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31533","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31533"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31533\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31535,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31533\/revisions\/31535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31533"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31533"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31533"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}