{"id":31573,"date":"2024-04-14T21:40:47","date_gmt":"2024-04-15T00:40:47","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31573"},"modified":"2024-04-14T21:40:47","modified_gmt":"2024-04-15T00:40:47","slug":"otan-75-anos-de-guerra-contra-a-humanidade-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31573","title":{"rendered":"OTAN: 75 anos de guerra contra a humanidade (II)"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31574\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31573\/unnamed4\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/unnamed4.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"705,470\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed(4)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/unnamed4.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-31574\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/unnamed4.jpg?resize=705%2C470&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"705\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/unnamed4.jpg?w=705&amp;ssl=1 705w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/unnamed4.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos \/ OTAN<\/p>\n<hr \/>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o &#8211; AbrilAbril<\/p>\n<p>A OTAN como ber\u00e7o da Uni\u00e3o Europeia<\/p>\n<p>(continua\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>Quatro dos considerados \u00abpais fundadores\u00bb do processo de integra\u00e7\u00e3o que conduziu \u00e0 Uni\u00e3o Europeia foram subscritores do Pacto do Atl\u00e2ntico, uma significativa gemina\u00e7\u00e3o essencial para concretizar a satelitiza\u00e7\u00e3o da Europa como uma estrat\u00e9gia de fundo do poder imperial dos Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Paul-Henri Spaak, ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da B\u00e9lgica, depois primeiro-ministro, ficou conhecido como \u00absenhor Europa\u00bb pelo seu envolvimento persistente na cria\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es para a integra\u00e7\u00e3o europeia, designadamente o Tratado de Roma de 1957, e pelo apego \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da OTAN, de que acabou por ser secret\u00e1rio-geral de 1957 a 1961. A sobreposi\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o da OTAN e do processo de integra\u00e7\u00e3o europeia est\u00e1 sempre presente na atua\u00e7\u00e3o deste dirigente socialista belga, que foi igualmente o primeiro presidente da Assembleia Geral da ONU.<\/p>\n<p>Em Washington, Spaak deixou a mensagem can\u00f4nica sobre as necessidades \u00abdefensivas\u00bb da inocente civiliza\u00e7\u00e3o ocidental: \u00abo novo pacto n\u00e3o \u00e9 contra ningu\u00e9m, n\u00e3o amea\u00e7a ningu\u00e9m a n\u00e3o ser, naturalmente, qualquer pessoa ou pessoas que possam fomentar a ideia criminosa de recorrer \u00e0 guerra\u00bb.<\/p>\n<p>Robert Schuman, designado \u00abpai da Europa\u00bb a par do seu compatriota Jean Monet, ambos defendendo a cria\u00e7\u00e3o de uns Estados Unidos da Europa, fazendo uso abusivo e descontextualizado da ideia expressada um s\u00e9culo antes por Victor Hugo, foi o representante da Fran\u00e7a em Washington. Proferiu uma declara\u00e7\u00e3o piedosa de que \u00aba salva\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es n\u00e3o pode basear-se num nacionalismo ego\u00edsta mas deve apoiar-se na aplica\u00e7\u00e3o progressiva da solidariedade humana\u00bb. Ou seja, tudo quanto a OTAN e a Uni\u00e3o Europeia s\u00e3o hoje, dissolvendo a soberania das na\u00e7\u00f5es em vez de as \u00absalvar\u00bb, armando e militarizando a \u00absolidariedade humana\u00bb. O seu discurso de 9 de maio de 1950, conhecido como a \u00abDeclara\u00e7\u00e3o Schuman\u00bb, \u00e9 considerado pela autarquia de Bruxelas como o acto de funda\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Dirk U. Stikker, banqueiro e industrial em fun\u00e7\u00f5es de ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da Holanda, subscreveu a funda\u00e7\u00e3o da OTAN enaltecendo que \u00abfinalmente prevalece a verdade de que o Atl\u00e2ntico Norte \u00e9 uma auto-estrada que une, n\u00e3o uma barreira que divide. Regozijemo-nos\u00bb, acrescentou, \u00abcom o pensamento de que os norte-americanos e os europeus ocidentais se encontraram num edif\u00edcio comum dedicado \u00e0 paz\u00bb. Considerado demasiado pr\u00f3-EUA, mesmo pelos padr\u00f5es da OTAN, este dedicado defensor da atua\u00e7\u00e3o conjunta da alian\u00e7a com a Comunidade Europeia do Carv\u00e3o e do A\u00e7o, um embri\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, falhou a primeira tentativa para ser nomeado secret\u00e1rio-geral atlantista, cargo que acabou por desempenhar entre 1961 e 1964.<\/p>\n<p>Joseph Bech, que como refugiado pol\u00edtico durante a Segunda Guerra Mundial escolheu o Portugal de Salazar como seu primeiro lugar de ex\u00edlio, foi o representante do Luxemburgo em Washington. \u00c9 considerado um dos \u00abpais fundadores\u00bb da integra\u00e7\u00e3o europeia, depois de ter patrocinado a constitui\u00e7\u00e3o do Benelux \u2013 B\u00e9lgica, Holanda e Luxemburgo. Segundo o ent\u00e3o ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros luxemburgu\u00eas, \u00abos Estados signat\u00e1rios do Pacto do Atl\u00e2ntico constituem ao mesmo tempo a mais formid\u00e1vel e mais sinceramente pac\u00edfica coliga\u00e7\u00e3o de for\u00e7as materiais e morais que j\u00e1 foi criada pelas na\u00e7\u00f5es para garantir a sua seguran\u00e7a e poupar o mundo aos horrores da guerra\u00bb. Perdeu-se um merit\u00f3rio escritor de fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O conde Carlo Sforza, por It\u00e1lia, qualificou a assinatura do pacto como \u00abum dos acontecimentos mais nobres e generosos da humanidade\u00bb. Halvard Lange, representante noruegu\u00eas e um dos \u00abtr\u00eas s\u00e1bios\u00bb que apresentaram um relat\u00f3rio sobre a \u00abcoopera\u00e7\u00e3o n\u00e3o-militar\u00bb no interior da OTAN, qualificou a alian\u00e7a como \u00abum pacto de paz\u00bb que se \u00abdirige unicamente contra a pr\u00f3pria agress\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>O representante do Canad\u00e1 foi o futuro primeiro-ministro Lester Pearson. O chefe da diplomacia dinamarquesa, Gustav Rasmussen, compareceu contrariado em Washington, obedecendo a ordens do primeiro-ministro Hans Hedoft, e declarou-se \u00abum signat\u00e1rio apreensivo\u00bb. J\u00e1 o representante island\u00eas, Bjorn Benediktsson, futuro primeiro-ministro de um pa\u00eds que nem sequer tem ex\u00e9rcito (mas est\u00e1 ocupado por bases militares estadunidenses), partiu para Washington entre protestos massivos e violentamente reprimidos da popula\u00e7\u00e3o contra a integra\u00e7\u00e3o na OTAN, nos quais se exigia a convoca\u00e7\u00e3o de um referendo sobre o assunto. Um simples ato democr\u00e1tico que at\u00e9 hoje n\u00e3o foi realizado em qualquer dos 32 pa\u00edses que integram a alian\u00e7a. Nestas mat\u00e9rias da guerra e de a OTAN, por exemplo, ser respons\u00e1vel por 70% dos gastos militares em todo o mundo, o povo n\u00e3o \u00e9 quem mais ordena.<br \/>\nO atlantismo salazarista<\/p>\n<p>Representando o fascismo portugu\u00eas esteve em Washington, para subscrever a funda\u00e7\u00e3o da OTAN, o ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, Jos\u00e9 Caeiro da Matta. O enviado do ditador, que come\u00e7ou por ser um truculento deputado do Partido Regenerador durante a monarquia, envolvendo-se em duelos armados com alguns advers\u00e1rios pol\u00edticos, foi depois ministro da Educa\u00e7\u00e3o de Salazar no per\u00edodo que se seguiu \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1933, cabendo-lhe a tarefa de \u00abadaptar\u00bb o sistema educativo nacional ao esp\u00edrito e letra do Estado Novo. Foi igualmente o autor de uma proposta de integra\u00e7\u00e3o de Cabo Verde no quadro das ilhas adjacentes de Portugal.<\/p>\n<p>\u00abPortugal quer afirmar que v\u00ea no Pacto do Atl\u00e2ntico Norte n\u00e3o s\u00f3 um instrumento de defesa e coopera\u00e7\u00e3o internacional mas tamb\u00e9m, pelas raz\u00f5es objectivas que o regem, um instrumento precioso para a paz\u00bb, declarou Caeiro da Matta. \u00abMais do que nunca\u00bb, acrescentou o porta-voz salazarista, \u00ab\u00e9 necess\u00e1rio defender os princ\u00edpios e posi\u00e7\u00f5es segundo os quais estes povos s\u00e3o os deposit\u00e1rios dos ideais que a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental ocupa no mundo\u00bb.<\/p>\n<p>Sejamos justos: at\u00e9 aqui, o discurso pronunciado pelo enviado de Salazar poderia ser proferido por qualquer dos ministros dos Neg\u00f3cios Estrangeiros de qualquer dos governos da dinastia novembrista, incluindo o de hoje. Caeiro da Matta, por\u00e9m, agia de acordo com o edif\u00edcio legal de ent\u00e3o; os discursos e o comportamento dos atuais dirigentes portugueses relacionados com a OTAN s\u00e3o ostensivamente contra a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Onde poderia existir alguma diferen\u00e7a, mais na forma do que no conte\u00fado dos discursos de 1949 e de hoje, \u00e9 na passagem na qual o ministro fascista afirma que \u00aba Europa (\u2026) luta contra a mais perigosa epidemia mental de todos os tempos, que amea\u00e7a destruir a flor da nossa cultura\u00bb, pelo que est\u00e1 \u00abansiosamente \u00e0 procura de uma f\u00f3rmula para a paz\u00bb. Se relermos algumas das considera\u00e7\u00f5es de ministros como Santos Silva e Cravinho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00abamea\u00e7a russa\u00bb, as diferen\u00e7as, afinal, n\u00e3o s\u00e3o assim t\u00e3o substanciais. Atlantismo, acima de tudo, tanto nos tempos salazarentos como nesta esp\u00e9cie de democracia a que chamam \u00abliberal\u00bb.<\/p>\n<p>Era o tempo em que os comunistas comiam criancinhas na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e sabe-se l\u00e1 mais onde, mas tamb\u00e9m dos grande \u00edmpetos democr\u00e1ticos do p\u00f3s-guerra, valendo ent\u00e3o ao regime de Salazar a integra\u00e7\u00e3o na OTAN que, de acordo com o site da organiza\u00e7\u00e3o, \u00abinjetou um grau de estabilidade na frente dom\u00e9stica\u00bb. De fato, assim foi: os tempos da integra\u00e7\u00e3o na OTAN, incluindo os da grande c\u00fapula de cinco dias realizada em 1952 em Lisboa, e que proclamou a entrada das ditaduras grega e turca na alian\u00e7a, ficaram marcados por violentas e massivas vagas de repress\u00e3o contra quaisquer movimenta\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Em 1952, Portugal foi agraciado com a visita da \u00abCaravana para a Paz\u00bb, um \u00f4nibus carregado de modernices tecnol\u00f3gicas de encher o olho que explicava com filmes, brindes e cartazes, a um povo analfabeto, as vantagens e o orgulho de ser da OTAN; uma esp\u00e9cie de \u00abEuropa conosco\u00bb com 30 anos de antecipa\u00e7\u00e3o. A \u00abCaravana para a Paz\u00bb regressou na d\u00e9cada de sessenta \u2013 e com toda a coer\u00eancia, porque viviam-se os tempos da guerra colonial \u2013 para \u00ablevar a OTAN\u00bb a lugares mais ermos, \u00abonde a OTAN era desconhecida\u00bb. A OTAN conseguiu a enorme proeza de chegar a esses locais muito antes da luz el\u00e9trica, da \u00e1gua pot\u00e1vel e de existirem estradas decentes.<br \/>\nDe Heusinger e Taubert a Zelenski<\/p>\n<p>A OTAN nasceu sem horror pol\u00edtico ao fascismo, como ficou provado pela presen\u00e7a do Portugal de Salazar entre os fundadores e a ades\u00e3o das ditaduras grega e turca tr\u00eas anos depois da funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nasceu tamb\u00e9m sem horror militar ao nazismo, uma afirma\u00e7\u00e3o que pode ser chocante, mas a realidade confirma. V\u00e1rios oficiais da Wehrmacht e da Luftwaffe hitlerianas altamente condecorados pelo Reich foram contemplados com a falsifica\u00e7\u00e3o dos seus passados de exterm\u00ednio e depois transplantados para elevados cargos da OTAN devido \u00e0s suas compet\u00eancias na luta anticomunista e contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>O general Adolf Heusinger foi o chefe de gabinete de Hitler e participou na planifica\u00e7\u00e3o das invas\u00f5es da Pol\u00f4nia, Noruega, Dinamarca e Fran\u00e7a. Em 1940 desempenhou fun\u00e7\u00f5es de chefe de opera\u00e7\u00f5es no ex\u00e9rcito nazista. No final da guerra n\u00e3o foi julgado em Nuremberg, assumiu a cria\u00e7\u00e3o do novo ex\u00e9rcito da Rep\u00fablica Federal da Alemanha e em 1961 passou a desempenhar a fun\u00e7\u00e3o de presidente do Comit\u00ea Militar da OTAN, esp\u00e9cie de chefe de Estado Maior da organiza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 1964. Heusinger recebeu de Hitler a mais elevada condecora\u00e7\u00e3o do Reich.<\/p>\n<p>O sturmf\u00fchrer (elevada patente paramilitar do Partido Nazista e tamb\u00e9m das SA) Eberhard Taubert, que trabalhou diretamente com Goebbels na propaganda nazista e foi mesmo o autor do distintivo amarelo para identifica\u00e7\u00e3o e humilha\u00e7\u00e3o dos judeus, foi adotado pela OTAN devido \u00e0 sua experi\u00eancia na propaganda anticomunista, naturalmente sem passar pelos julgamentos em Nuremberga.<\/p>\n<p>Konrad Adenauer, o pol\u00edtico ultraconservador que os ocupantes ocidentais colocaram \u00e0 cabe\u00e7a do seu setor alem\u00e3o, depois a Rep\u00fablica Federal da Alemanha, anistiou 800 mil criminosos de guerra nazistas.<\/p>\n<p>\u00c9 natural, portanto, que a experi\u00eancia de muitos deles na m\u00e1quina de exterm\u00ednio do Reich pudesse suprir eventuais car\u00eancias da OTAN na guerra anticomunista e tamb\u00e9m na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0s oligarquias que ficaram \u00f3rf\u00e3s de Hitler.<\/p>\n<p>Hans Speidel, chefe de gabinete do marechal de campo Erwin Rommel, foi nomeado chefe das for\u00e7as da OTAN na Europa Central em 1957 e exerceu o cargo at\u00e9 1963. Na \u00e9poca foi difundida a vers\u00e3o de que teria participado numa conspira\u00e7\u00e3o contra Hitler \u2013 na esteira da inten\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a Rommel de negociar com os aliados ocidentais, mas foi julgado ainda pelo pr\u00f3prio regime e absolvido.<\/p>\n<p>O cargo de chefe militar da OTAN na Europa Central foi sucessivamente desempenhado por antigos oficiais nazistas, regra geral condecorados pelo regime como recompensa pelos servi\u00e7os prestados: Johann von Kielmansegg, membro do alto comando da Wehrmacht, esteve naquele posto da OTAN entre 1966 e 1968; o antigo tenente-coronel das tropas nazistas Ernst Ferber desempenhou o cargo entre 1973 e 1975; Karl Schnell, antigo primeiro general da 76.\u00aa divis\u00e3o Panzer, foi encarregado das mesmas fun\u00e7\u00f5es entre 1975 e 1977; Franz Joseph Schultz, tenente s\u00eanior da Luftwaffe, sucedeu-lhe entre 1977 a 1979, deixando ent\u00e3o o cargo, at\u00e9 1983, a Ferdinand von Senger und Etterlin, anterior ajudante do Alto Comando nazista.<\/p>\n<p>Johannes Steinhoff, um piloto da Luftwaffe que ficou famoso pelos seus feitos e proezas contra os aliados, desempenhou as fun\u00e7\u00f5es de presidente do Comit\u00ea Militar da OTAN entre 1971 e 1974.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de integrar estes e outros operacionais nazistas no seu aparelho militar e de espionagem, est\u00e1 profusamente documentada a utiliza\u00e7\u00e3o da rede terrorista clandestina da OTAN stay behind, conhecida como Gladio, na conspira\u00e7\u00e3o anticomunista e mesmo antidemocr\u00e1tica em muitos pa\u00edses da Europa Ocidental, incluindo Portugal. O caso da estrat\u00e9gia de terror na It\u00e1lia nos anos setenta e oitenta, caracterizada pelos b\u00e1rbaros atentados de Mil\u00e3o e Bolonha, o assassinato do primeiro-ministro Aldo Moro, e a liquida\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes incorrupt\u00edveis em colabora\u00e7\u00e3o com a Mafia, tornou-se emblem\u00e1tico na hist\u00f3ria desta organiza\u00e7\u00e3o terrorista que, de acordo com numerosos investigadores, foi reciclada e continua a atuar.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia da ex-Iugosl\u00e1via, os bombardeios de Belgrado em 1999, o apoio aos terroristas do Kosovo, os crimes de guerra na L\u00edbia, na S\u00edria, no Iraque e no Afeganist\u00e3o, a dissemina\u00e7\u00e3o de grupos de terror no Sahel em \u00c1frica, as amea\u00e7as cada vez mais virulentas contra a China, a expans\u00e3o hegem\u00f4nica e provocat\u00f3ria at\u00e9 \u00e0s fronteiras da R\u00fassia, transformada em nova \u00abamea\u00e7a\u00bb depois de extinta a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, s\u00e3o epis\u00f3dios marcantes de 75 anos de vida da OTAN dedicados ao dom\u00ednio imperial e colonial, ao expansionismo, ao terrorismo, ao globalismo neoliberal, ao controle de opini\u00e3o e \u00e0 mentira. Como se percebe desde os discursos proferidos durante o ato fundador, a OTAN cultiva a propaganda para tornar o terror aceit\u00e1vel e desejado, desde que seja ao servi\u00e7o da cruzada permanente em que est\u00e1 empenhada \u00aba nossa civiliza\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>De modo que o apoio incondicional, dispendioso e criminoso a um regime de inspira\u00e7\u00e3o nazista, chefiado por um indiv\u00edduo desqualificado e irrespons\u00e1vel como Volodymyr Zelenski, que continua a sacrificar o seu povo e o seu pa\u00eds, a Ucr\u00e2nia, apenas seria surpreendente no caso de ignorarmos a hist\u00f3ria desde os primeiros passos de uma organiza\u00e7\u00e3o como a OTAN, nefasta e amea\u00e7adora para a exist\u00eancia da pr\u00f3pria humanidade. E que j\u00e1 deve v\u00e1rias d\u00e9cadas \u00e0 cova, pois deveria ter sido extinta quando se dissolveu o Tratado de Vars\u00f3via, em 1991.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31573\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9,65,10],"tags":[234],"class_list":["post-31573","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8df","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31573","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31573"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31573\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31575,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31573\/revisions\/31575"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}