{"id":316,"date":"2010-03-06T15:16:53","date_gmt":"2010-03-06T15:16:53","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=316"},"modified":"2010-03-06T15:16:53","modified_gmt":"2010-03-06T15:16:53","slug":"qe-triste-estarmos-falando-em-lulismoq","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/316","title":{"rendered":"&#8220;\u00c9 triste estarmos falando em lulismo&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Como o PT conseguiu tornar-se hegem\u00f4nico eleitoralmente entre os mais pobres?<\/strong> <\/p>\n<p>Sempre foi um objetivo do PT organizar e representar politicamente os trabalhadores, que inclui a grande maioria dos setores mais pobres e mesmo os chamados setores m\u00e9dios. A inflex\u00e3o pol\u00edtica do PT em dire\u00e7\u00e3o aos setores m\u00e9dios coincide com sua op\u00e7\u00e3o institucional e eleitoral nos limites da ordem burguesa. Hoje, o PT \u00e9 um partido de centro-esquerda com um programa e uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que podemos considerar pequeno-burguesa. Seu respaldo em amplos setores dos trabalhadores representa mais uma hegemonia passiva do que de fato uma organiza\u00e7\u00e3o independente que colocaria os trabalhadores na cena pol\u00edtica na defesa de seus interesses de classe. O apoio, eleitoral e midi\u00e1tico, dos setores mais empobrecidos deve-se a uma mescla de assistencialismo e caracter\u00edsticas carism\u00e1ticas que emanam da lideran\u00e7a de Lula, acima do partido e muitas vezes contra ele. O PT esperava colocar a classe trabalhadora com independ\u00eancia e autonomia no cen\u00e1rio pol\u00edtico e de fato n\u00e3o \u00e9 isso que vemos.<\/p>\n<p><strong>O eventual governo Dilma Rousseff pode postar-se \u00e0 esquerda da gest\u00e3o Lula?<\/strong> <\/p>\n<p>N\u00e3o creio que Dilma represente nenhum movimento mais \u00e0 esquerda do que o perfil de centro-direita que caracteriza o governo Lula, de fato fundado em uma governabilidade conservadora que inclui alian\u00e7as com empresariado, agroneg\u00f3cio e interesses financeiros. As alian\u00e7as anunciadas na candidatura Dilma aprofundam a depend\u00eancia de legendas conservadoras como o PMDB e a necessidade de manter pactos com os setores empresariais. <\/p>\n<p>Em nenhum momento a pr\u00e9-candidata acenou com alian\u00e7as e propostas aos movimentos sociais e aos setores de esquerda. Como participante de destaque no atual governo, a ministra nunca se posicionou mais \u00e0 esquerda, em nenhuma das quest\u00f5es de destaque, na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica, no car\u00e1ter do chamado PAC [Plano de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento], na rela\u00e7\u00e3o com os movimentos sociais ou, que seja, na mera explicita\u00e7\u00e3o de qualquer diverg\u00eancia com os rumos do governo Lula. Pelo contr\u00e1rio, ela tem sido um porta-voz fiel da atual linha e nada indica que ir\u00e1 ser diferente em um poss\u00edvel governo seu.<\/p>\n<p><strong>O senhor acredita na tese de que o Brasil pode viver nos pr\u00f3ximos anos um &#8220;lulismo sem Lula&#8221;?<\/strong> <\/p>\n<p>\u00c9 muito triste que a experi\u00eancia pol\u00edtica do PT tenha chegado ao ponto de estarmos falando em &#8220;lulismo&#8221;. Um partido que surgiu para inovar o fazer pol\u00edtico e colocar em cena os trabalhadores n\u00e3o apenas n\u00e3o rompeu com a forma conservadora de fazer pol\u00edtica &#8211; com o presidencialismo de coaliz\u00e3o e a rela\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica com o Congresso e suas legendas de aluguel &#8211; como reapresenta o que h\u00e1 de mais retr\u00f3grado na hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira: a lideran\u00e7a pessoal que age sobre as massas sem a media\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de partidos e propostas fundadas nos reais interesses da classe que se diz representar. <\/p>\n<p>Essa forma pol\u00edtica foi a que permitiu a Get\u00falio Vargas impor com o apoio dos trabalhadores uma pol\u00edtico contr\u00e1ria aos trabalhadores. Infelizmente, \u00e9 o que vemos hoje. O projeto de Lula \u00e9 um projeto pessoal &#8211; voltar em 2014. Para ele, \u00e9 melhor um governo como de Dilma, que n\u00e3o fa\u00e7a sombra e apenas prepare sua volta, do que uma altern\u00e2ncia com a oposi\u00e7\u00e3o tucana. Mas isso nada tem a ver com projetos societ\u00e1rios e rumos para o Brasil. Vivemos uma hegemonia conservadora que se caracteriza pela concord\u00e2ncia sobre o que \u00e9 essencial aos interesses do grande capital e da acumula\u00e7\u00e3o capitalista em nosso pa\u00eds. O &#8220;lulismo&#8221; ou o &#8220;popululismo&#8221;, se preferirem, \u00e9 apenas um meio para manter esses interesses conservadores com menos custos e evitar mudan\u00e7as estruturais mais profundas que viessem atender aos reais interesses dos trabalhadores. (RGT)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nEntrevista com Mauro Iasi\n(de Renato Godoy de Toledo)\nBrasil de Fato &#8211; edi\u00e7\u00e3o 365 &#8211; de 25 de fevereiro a 3 de mar\u00e7o de 2010 \nMauro Iasi, historiador, \u00e9 fundador do PT \u00e9, atualmente, membro da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB)\nEm 1980, o senhor acreditava que o partido tornaria-se o mais importante do pa\u00eds em 30 anos? Se sim, imaginava que seria dessa forma?\nMauro Iasi &#8211; No contexto de 1980, nos preocup\u00e1vamos menos com a &#8220;import\u00e2ncia&#8221; do partido que estava nascendo e mais com a necessidade de express\u00e3o pol\u00edtica dos setores explorados pelo capitalismo, como dizia o manifesto de funda\u00e7\u00e3o do PT. O PT, hoje, \u00e9 um dos principais e um dos maiores partidos do cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro, no entanto, o pre\u00e7o pago para atingir tal dimens\u00e3o foi, em grande medida, o abandono dos princ\u00edpios e metas pol\u00edticas que estavam presentes em sua origem.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/316\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-316","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c65-lulismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-56","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=316"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=316"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=316"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}