{"id":31645,"date":"2024-05-06T22:22:30","date_gmt":"2024-05-07T01:22:30","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31645"},"modified":"2024-05-06T22:22:30","modified_gmt":"2024-05-07T01:22:30","slug":"o-apartheid-nao-acabou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31645","title":{"rendered":"O Apartheid n\u00e3o acabou!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31646\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31645\/apartheid\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/apartheid.webp?fit=1140%2C1140&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1140,1140\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"apartheid\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/apartheid.webp?fit=747%2C747&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-31646\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/apartheid.webp?resize=747%2C747&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"747\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/apartheid.webp?resize=900%2C900&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/apartheid.webp?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/apartheid.webp?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/apartheid.webp?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/apartheid.webp?w=1140&amp;ssl=1 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Imagem: Victor Farias\/Marco Zero Conte\u00fado<\/p>\n<p><strong>Por Adelmo Felipe, Militante do PCB e do CNMO em Pernambuco<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 30 anos, em 1994, Nelson Mandela foi eleito presidente da \u00c1frica do Sul, representando um marco para a supera\u00e7\u00e3o do Apartheid naquele pa\u00eds que existia, de maneira oficial, desde 1948. J\u00e1 repleta de san\u00e7\u00f5es e boicotes internacionais, o regime sul-africano cedeu \u00e0 press\u00e3o ao libertar Mandela, permitindo que ele se candidatasse \u00e0s elei\u00e7\u00f5es seguintes. Pela primeira vez, n\u00e3o-brancos poderiam votar no pa\u00eds majoritariamente n\u00e3o-branco. Um dos regimes mais cru\u00e9is e desprez\u00edveis do S\u00e9culo XX estava derrotado. Mas essa n\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria completa.<\/p>\n<p>O Ocidente, dito democr\u00e1tico e livre, aceitou de bom grado o Apartheid! Como exclamou Thomas Sankara, nos anos 80, em um discurso ao lado do presidente \u201csocialista\u201d franc\u00eas: \u201cUm assassino como Pieter Botha andou livremente pela bel\u00edssima Fran\u00e7a\u201d. Esta fala denota o qu\u00e3o tolerantes foram os l\u00edderes ocidentais frente aos crimes cometidos pelo regime racista.<\/p>\n<p>Pieter Botha foi um dos sanguin\u00e1rios l\u00edderes do regime de segrega\u00e7\u00e3o racial que estava em vigor na \u00c1frica do Sul. Regime este que servia muito bem aos interesses imperialistas, pois atuava como \u201cponta de lan\u00e7a\u201d para dificultar a luta pela liberta\u00e7\u00e3o nacional em antigas col\u00f4nias como Angola, Mo\u00e7ambique e Zimbabu\u00e9. Inclusive, a \u00c1frica do Sul teria alguma rela\u00e7\u00e3o com a morte de Samora Machel, l\u00edder mo\u00e7ambicano que morreu quando seu avi\u00e3o caiu em 1986.<\/p>\n<p>Apesar da m\u00e1 fama, o Apartheid n\u00e3o era um \u201ccaso isolado\u201d quando se trata de segrega\u00e7\u00e3o. Seus principais mantenedores internacionais estavam bem acostumados a esse tipo de coisa. A hist\u00f3ria do ocidente capitalista \u00e9 repleta de regimes pol\u00edticos envoltos no racismo, seja na forma mais aberta at\u00e9 nas formas mais veladas. Todos lembram da Segrega\u00e7\u00e3o Racial nos Estados Unidos, que durou por d\u00e9cadas, mas esquecem que todas as grandes pot\u00eancias imperialistas usaram e abusaram de m\u00e9todos genocidas contra os povos colonizados. A Europa n\u00e3o inventou a escravid\u00e3o, limpeza \u00e9tnica ou segrega\u00e7\u00e3o, mas usou esses mecanismos como ferramentas de domina\u00e7\u00e3o, com consequ\u00eancias que duram at\u00e9 hoje, seja em aspectos econ\u00f4micos, sociais e na identidade desses povos, inclusive para al\u00e9m de \u00c1frica.<\/p>\n<p>De fato, n\u00e3o podemos dizer que esses \u201cresqu\u00edcios do passado\u201d realmente est\u00e3o no passado. N\u00e3o podemos permitir que a burguesia nos conven\u00e7a de que toda essa trajet\u00f3ria cruel \u00e9 algo de \u201ctempos mais violentos\u201d. O Imperialismo n\u00e3o est\u00e1 morto, este ainda gera guerras, fome, destrui\u00e7\u00e3o da natureza, conflitos territoriais, fundamentalismos e mis\u00e9ria. E s\u00e3o sempre os povos do \u201cterceiro mundo\u201d, em sua maioria aqueles que sofreram com o colonialismo no s\u00e9culo passado, que s\u00e3o os mais acometidos pela chamada \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d, em outras palavras, mais uma tentativa de hegemonizar os valores ocidentais. \u00c9 o imperialismo com novas armas, mas as antigas ainda s\u00e3o usadas.<\/p>\n<p>Hoje, no Brasil, a maioria da popula\u00e7\u00e3o nas periferias \u00e9 negra, mesmo nosso pa\u00eds n\u00e3o possuindo leis abertamente racistas. O racismo se mostra mesmo quando n\u00e3o \u00e9 declarado. Desde a casta pol\u00edtica branca e privilegiada que quer fazer com que os trabalhadores sejam praticamente reduzidos a escravos, totalmente dependentes de um sal\u00e1rio de fome, at\u00e9 as pris\u00f5es lotadas de pessoas, \u201cpor coincid\u00eancia\u201d, racializadas. Importante destacar a permanente milit\u00e2ncia desses senhores de terno e gravata em prol dos interesses burgueses no campo e na cidade, tendo como consequ\u00eancia a morte de camponeses, ind\u00edgenas e da juventude negra com o objetivo de expandir um imp\u00e9rio latifundi\u00e1rio e nos manter nas ruas atrav\u00e9s de alugu\u00e9is car\u00edssimos.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos falar em Apartheid sem citar o Estado de Israel e sua pol\u00edtica permanente de genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe-palestina. Desde limita\u00e7\u00e3o de direitos pol\u00edticos at\u00e9 o impedimento de acesso a recursos m\u00ednimos para a sobreviv\u00eancia de homens, mulheres, crian\u00e7as e idosos. Na guerra colonial, n\u00e3o h\u00e1 direitos humanos.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas semelhan\u00e7as entre o Brasil nas periferias, Israel na Faixa de Gaza e a \u00c1frica do Sul do Apartheid. Em todos os casos, as armas midi\u00e1ticas foram\/s\u00e3o usadas com a mesma precis\u00e3o certeira que as armas de chumbo.<\/p>\n<p>O Apartheid n\u00e3o acabou! Ele \u00e9 parte do funcionamento normal do capitalismo! S\u00f3 haver\u00e1 sua supera\u00e7\u00e3o completa com o socialismo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31645\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[66,382,10],"tags":[226],"class_list":["post-31645","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c79-nacional","category-negro","category-s19-opiniao","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8ep","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31645"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31645\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31647,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31645\/revisions\/31647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}