{"id":3165,"date":"2012-07-15T10:53:32","date_gmt":"2012-07-15T10:53:32","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3165"},"modified":"2012-07-15T10:53:32","modified_gmt":"2012-07-15T10:53:32","slug":"os-telegramas-do-wikileaks-sobre-o-programa-espacial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3165","title":{"rendered":"Os telegramas do Wikileaks sobre o programa espacial"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Marco Antonio L.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Do Opensante <\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/opensanti.blogspot.com.br\/2012\/07\/wikileaks-revela-gravissima-sabotagem.html\" target=\"_blank\">Wikileaks: Revela grav\u00edssima sabotagem dos EUA contra Brasil com aval de FHC e morte de um Brasileiro<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Por\u00a0<a href=\"http:\/\/brasilumpaisdetodos.blogspot.com.br\/2012\/04\/revelada-gravissima-sabotagem-dos-eua.html\" target=\"_blank\">Brasil um Pais de Todos <\/a><\/p>\n<p>Telegramas revelam inten\u00e7\u00f5es de veto e a\u00e7\u00f5es dos EUA contra o desenvolvimento tecnol\u00f3gico brasileiro com interesses de diversos agentes que ocupam ou ocuparam o poder em ambos os pa\u00edses<\/p>\n<p>Os telegramas da diplomacia dos EUA revelados pelo Wikileaks revelaram que a Casa Branca toma a\u00e7\u00f5es concretas para impedir, dificultar e sabotar o desenvolvimento tecnol\u00f3gico brasileiro em duas \u00e1reas estrat\u00e9gicas: energia nuclear e tecnologia espacial. Em ambos os casos, observa-se o papel anti-nacional da\u00a0<strong>grande m\u00eddia brasileira<\/strong>, bem como escancara-se, tamb\u00e9m sem surpresa, a fun\u00e7\u00e3o desempenhada pelo ex-presidente\u00a0<strong>Fernando Henrique Cardoso<\/strong>, colhido em uma exuberante sintonia com os interesses estrat\u00e9gicos do Departamento de Estado dos EUA, ao tempo em que exibe problem\u00e1tica posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 independ\u00eancia tecnol\u00f3gica brasileira. Segue o artigo do jornalista Beto Almeida.<\/p>\n<p>O primeiro dos telegramas divulgados, datado de 2009, conta que o governo dos EUA pressionou autoridades ucranianas para emperrar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucr\u00e2nia de implanta\u00e7\u00e3o da plataforma de lan\u00e7amento dos foguetes Cyclone-4 \u2013 de fabrica\u00e7\u00e3o ucraniana \u2013 no Centro de Lan\u00e7amentos de Alc\u00e2ntara , no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Veto imperial<\/p>\n<p>O telegrama do diplomata americano no Brasil, Clifford Sobel, enviado aos EUA em fevereiro daquele ano, relata que os representantes ucranianos, atrav\u00e9s de sua embaixada no Brasil, fizeram gest\u00f5es para que o governo americano revisse a posi\u00e7\u00e3o de boicote ao uso de Alc\u00e2ntara para o lan\u00e7amento de qualquer sat\u00e9lite fabricado nos EUA. A resposta americana foi clara. A miss\u00e3o em Bras\u00edlia deveria comunicar ao embaixador ucraniano, Volodymyr Lakomov, que os EUA \u201cn\u00e3o quer\u201d nenhuma transfer\u00eancia de tecnologia espacial para o Brasil.<\/p>\n<p>\u201cQueremos lembrar \u00e0s autoridades ucranianas que os EUA n\u00e3o se op\u00f5em ao estabelecimento de uma plataforma de lan\u00e7amentos em Alc\u00e2ntara, contanto que tal atividade n\u00e3o resulte na transfer\u00eancia de tecnologias de foguetes ao Brasil\u201d, diz um trecho do telegrama.<\/p>\n<p>Em outra parte do documento, o representante americano \u00e9 ainda mais expl\u00edcito com Lokomov: \u201cEmbora os EUA estejam preparados para apoiar o projeto conjunto ucraniano-brasileiro, uma vez que o TSA (acordo de salvaguardas Brasil-EUA) entre em vigor, n\u00e3o apoiamos o programa nativo dos ve\u00edculos de lan\u00e7amento espacial do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Guinada na pol\u00edtica externa<\/p>\n<p>O Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA (TSA) foi firmado em 2000 por Fernando Henrique Cardoso, mas foi rejeitado pelo Senado Brasileiro ap\u00f3s a chegada de Lula ao Planalto e a guinada registrada na pol\u00edtica externa brasileira, a mesma que muito contribuiu para enterrar a ALCA. Na sua rejei\u00e7\u00e3o o parlamento brasileiro considerou que seus termos constitu\u00edam uma \u201cafronta \u00e0 Soberania Nacional\u201d. Pelo documento, o Brasil cederia \u00e1reas de Alc\u00e2ntara para uso exclusivo dos EUA sem permitir nenhum acesso de brasileiros. Al\u00e9m da ocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea e da proibi\u00e7\u00e3o de qualquer engenheiro ou t\u00e9cnico brasileiro nas \u00e1reas de lan\u00e7amento, o tratado previa inspe\u00e7\u00f5es americanas \u00e0 base sem aviso pr\u00e9vio.<\/p>\n<p>Os telegramas diplom\u00e1ticos divulgados pelo Wikileaks falam do veto norte-americano ao desenvolvimento de tecnologia brasileira para foguetes, bem como indicam a c\u00e2ndida esperan\u00e7a mantida ainda pela Casa Branca, de que o TSA seja, finalmente, implementado como pretendia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas, n\u00e3o apenas a Casa Branca e o antigo mandat\u00e1rio esfor\u00e7aram-se pela grave limita\u00e7\u00e3o do Programa Espacial Brasileiro, pois neste esfor\u00e7o algumas ONGs, normalmente financiadas por programas internacionais dirigidos por mentalidade colonizadora, atuaram para travar o indispens\u00e1vel salto tecnol\u00f3gico brasileiro para entrar no seleto e fechad\u00edssimo clube dos pa\u00edses com capacidade para a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do espa\u00e7o sideral e para o lan\u00e7amento de sat\u00e9lites. Junte-se a eles, a m\u00eddia nacional que n\u00e3o destacou a grav\u00edssima confiss\u00e3o de sabotagem norte-americana contra o Brasil, provavelmente porque tal atitude contraria sua linha editorial historicamente refrat\u00e1ria aos esfor\u00e7os nacionais para a conquista de independ\u00eancia tecnol\u00f3gica, em qualquer \u00e1rea que seja. Especialmente naquelas em que mais desagradam as metr\u00f3poles.<\/p>\n<p>Bomba! Bomba!<\/p>\n<p>O outro telegrama da diplomacia norte-americana divulgado pelo Wikileaks e que tamb\u00e9m revela inten\u00e7\u00f5es de veto e a\u00e7\u00f5es contra o desenvolvimento tecnol\u00f3gico brasileiro veio a tona de forma torta pela\u00a0<strong>Revista Veja<\/strong>, e fala da preocupa\u00e7\u00e3o gringa sobre o trabalho de um f\u00edsico brasileiro, o cearense<strong> Dalton Gir\u00e3o Barroso<\/strong>, do Instituto Militar de Engenharia, do Ex\u00e9rcito. Gir\u00e1o publicou um livro com simula\u00e7\u00f5es por ele mesmo desenvolvidas, que teriam decifrado os mecanismos da mais potente bomba nuclear dos EUA, a W87, cuja tecnologia \u00e9 guardada a 7 chaves.<\/p>\n<p>A primeira suspeita revelada nos telegramas diplom\u00e1ticos era de espionagem. E tamb\u00e9m, face \u00e0 precis\u00e3o dos c\u00e1lculos de Gir\u00e3o, de que haveria no Brasil um programa nuclear secreto, contrariando, segundo a \u00f3tica dos EUA, endossada pela revista, o Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares, firmado pelo Brasil em 1998, Tal como o Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA, sobre o uso da Base de Alc\u00e2ntara, o TNP foi firmado por Fernando Henrique. Baseado apenas em uma imperial desconfian\u00e7a de que as f\u00f3rmulas usadas pelo cientista brasileiro poderiam ser utilizadas por terroristas , os EUA, pressionaram a Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA) que exigiu explica\u00e7\u00f5es do governo Brasil , chegando mesmo a propor o recolhimento-censura do livro \u201cA f\u00edsica dos explosivos nucleares\u201d. Exig\u00eancia considerada pelas autoridades militares brasileiras como \u201cintromiss\u00e3o indevida da AIEA em atividades acad\u00eamicas de uma institui\u00e7\u00e3o subordinada ao Ex\u00e9rcito Brasileiro\u201d.<\/p>\n<p>Como \u00e9 conhecido, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, vocalizando posi\u00e7\u00e3o do setor militar contr\u00e1ria a inger\u00eancias indevidas, op\u00f5e-se a assinatura do protocolo adicional do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares, que daria \u00e0 AIEA, controlada pelas pot\u00eancias nucleares, o direito de acesso irrestrito \u00e0s instala\u00e7\u00f5es nucleares brasileiras. Acesso que n\u00e3o permitem \u00e0s suas pr\u00f3prias instala\u00e7\u00f5es, mesmo sendo claro o descumprimento, h\u00e1 anos, de uma meta central do TNP, que n\u00e3o determina apenas a n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m o desarmamento nuclear dos pa\u00edses que est\u00e3o armados, o que n\u00e3o est\u00e1 ocorrendo.<\/p>\n<p>Desarmamento unilateral<\/p>\n<p>A revista publica providencial declara\u00e7\u00e3o do f\u00edsico Jos\u00e9 Goldemberg, obviamente, em sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 sua linha editorial de desarmamento unilateral e de ren\u00fancia ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico nuclear soberano, tal como vem sendo alcan\u00e7ado por outros pa\u00edses, entre eles Israel, jamais alvo de san\u00e7\u00f5es por parte da AIEA ou da ONU, como se faz contra o Ir\u00e3. Segundo Goldemberg, que j\u00e1 foi secret\u00e1rio de ci\u00eancia e tecnologia, \u00e9 quase imposs\u00edvel que o Brasil n\u00e3o tenha em andamento algum projeto que poderia ser facilmente direcionado para a produ\u00e7\u00e3o de uma bomba at\u00f4mica. Tudo o que os EUA querem ouvir para refor\u00e7ar a linha de vetos e constrangimentos tecnol\u00f3gicos ao Brasil, como mostram os telegramas divulgados pelo Wikileaks. Por outro lado, tudo o que os EUA querem esconder do mundo \u00e9 a proposta que Mahmud Ajmadinejad , presidente do Ir\u00e0, apresentou \u00e0 Assembl\u00e9ia Geral da ONU, para que fosse levada a debate e implementa\u00e7\u00e3o: \u201cEnergia nuclear para todos, armas nucleares para ningu\u00e9m\u201d. At\u00e9 agora, rigorosamente sonegada \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica mundial.<\/p>\n<p>Intervencionismo crescente<\/p>\n<p>O seman\u00e1rio tamb\u00e9m publica franca e reveladora declara\u00e7\u00e3o do ex-presidente Cardoso : \u201cN\u00e3o havendo inimigos externos nuclearizados, nem o Brasil pretendendo assumir uma pol\u00edtica regional belicosa, para que a bomba?\u201d Com o tesouro energ\u00e9tico que possui no fundo do mar, ou na biodiversidade, com os minerais estrat\u00e9gicos abundantes que possui no subsolo e diante do crescimento dos or\u00e7amentos b\u00e9licos das grandes pot\u00eancias, seguido do intervencionismo imperial em v\u00e1rias partes do mundo, desconhecendo leis ou fronteiras, a declara\u00e7\u00e3o do ex-presidente \u00e9, digamos, de um candura formid\u00e1vel.<\/p>\n<p>S\u00e3o conhecidas as sintonias entre a pol\u00edtica externa da d\u00e9cada anterior e a linha editorial da grande m\u00eddia em sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0s diretrizes emanadas pela Casa Branca. Por isso esses p\u00f3los midi\u00e1ticos do unilateralismo em processo de desencanto e crise se encontram t\u00e3o embara\u00e7ados diante da nova pol\u00edtica externa brasileira que adquire, a cada dia, forte dose de justeza e razoabilidade quanto mais telegramas da diplomacia imperial como os acima mencionados s\u00e3o divulgados pelo Wikileaks.<\/p>\n<p><strong>NOTA <\/strong><\/p>\n<p><strong>Abaixo segue uma nota comentada pelo amigo Vladimir G. que tamb\u00e9m \u00e9 muito interessante tratando se de poss\u00edveis sabotagens EUAxBrasil: <\/strong><\/p>\n<p>Em setembro de 2006, esse acidente se tornou a maior trag\u00e9dia da hist\u00f3ria da avia\u00e7\u00e3o no Brasil, com 154 mortos. Aparentemente, uma colis\u00e3o entre a ponta da asa de um jatinho Embraer com a fuselagem do 737 da Gol causou a queda do avi\u00e3o maior. Al\u00e9m de todas as not\u00edcias especulando as causas do acidente, a procura por corpos e destro\u00e7os na floresta, os erros dos pilotos, as falhas dos radares&#8230; circulou na \u00e9poca um e-mail muito curioso, pra dizer o m\u00ednimo&#8230;<\/p>\n<p>O autor do texto falava sobre uma equipe de cientistas brasileiros a bordo do avi\u00e3o. Segundo o texto, esses cientistas realizavam pesquisas sobre o uso de microorganismos em baterias el\u00e9tricas, uma tecnologia revolucion\u00e1ria que permitiria a produ\u00e7\u00e3o de baterias mais eficientes que as modernas baterias de l\u00edtio usadas em notebooks e celulares. Essa bateria de v\u00edrus seria mais potente, produzindo mais energia, em uma bateria menor e mais leve que as de l\u00edtio. Existem outras pesquisas sobre esse tipo de bateria, especialmente nos Estados Unidos, onde h\u00e1 um grande projeto sobre essas baterias. Por\u00e9m, segundo o texto, o projeto brasileiro era ainda mais avan\u00e7ado e superava o americano. Infelizmente, a equipe de cientistas que trabalhava nesse projeto morreu no acidente.<\/p>\n<p>Postado por\u00a0<a href=\"https:\/\/profiles.google.com\/106487122657023782513\" target=\"_blank\" title=\"author profile\">Celio Roseno <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: lh5.ggpht\n\n\n\n\n\n\n\n\nEnviado por luisnassif, qui, 12\/07\/2012 &#8211; 14:43\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3165\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-3165","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-P3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3165"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3165\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}