{"id":31671,"date":"2024-05-14T19:24:45","date_gmt":"2024-05-14T22:24:45","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31671"},"modified":"2024-05-14T19:24:45","modified_gmt":"2024-05-14T22:24:45","slug":"poesia-contra-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31671","title":{"rendered":"Poesia contra a Ditadura"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31672\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31671\/poesia\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/poesia.webp?fit=1140%2C1069&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1140,1069\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"poesia\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/poesia.webp?fit=747%2C701&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-31672\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/poesia.webp?resize=747%2C701&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"701\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/poesia.webp?resize=900%2C844&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/poesia.webp?resize=300%2C281&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/poesia.webp?resize=768%2C720&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/poesia.webp?w=1140&amp;ssl=1 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Jeferson Garcia 1<br \/>\nThiago Cervan 2<\/p>\n<p>Companheira,<br \/>\nvir\u00e3o perguntar por mim.<br \/>\nRecorda o primeiro poema<br \/>\nque lhe deixei entre os dedos<br \/>\ne diz a eles<br \/>\ncomo quem acende fogueiras<br \/>\nnum pa\u00eds ainda em sombras:<br \/>\nmeu of\u00edcio sobre a terra<br \/>\n\u00e9 ressuscitar os mortos<br \/>\ne apontar a cara dos assassinos<br \/>\nporque a noite n\u00e3o anoitece sozinha<br \/>\nh\u00e1 m\u00e3os armadas de a\u00e7oite<br \/>\n[Pedro Tierra]<\/p>\n<p>Pode a poesia ser contra algo? Puristas e liberais dir\u00e3o que a poesia, a \u201caut\u00eantica poesia\u201d, n\u00e3o deve ser pol\u00edtica, engajada ou social. Ent\u00e3o, quando colocamos a poesia em oposi\u00e7\u00e3o a algo, devemos primeiramente explicar a sua fun\u00e7\u00e3o social para entendermos se realmente existem as grades que prendem a poesia sob o c\u00e1rcere da palavra neutra.<\/p>\n<p>Todo novo poeta se inspira em uma fonte, da qual se orienta. Em plena ditadura empresarial-militar no Brasil (1964-1985), o c\u00e1rcere marcou a poesia de muitos nomes, como o de Pedro Tierra. Aqueles tempos, aquelas barras de ferro, aqueles instrumentos de tortura, deram o rosto de sua obra e, por isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dissociar seus poemas dessa realidade. Nenhum poema pode, portanto, ser lido de forma dissociada das condi\u00e7\u00f5es de vida de seu poeta.<\/p>\n<p>Toda poesia nasce de um ch\u00e3o hist\u00f3rico, independentemente do seu tema, dos seus versos, da sua forma e conte\u00fado ou de seus poetas. A constru\u00e7\u00e3o de imagens, movimentos, as rimas, a cad\u00eancia, o som, o encantamento, a constru\u00e7\u00e3o de ideias e sentidos, todos estes elementos, est\u00e3o diretamente relacionados com a cria\u00e7\u00e3o do poeta, que tenta fazer naquilo que rabisca o ritual proferido por Concei\u00e7\u00e3o Evaristo: \u201cQuando eu morder\/a palavra, \/ por favor, \/ n\u00e3o me apressem, \/ quero mascar, \/ rasgar entre os dentes, \/ a pele, os ossos, o tutano\/ do verbo, \/ para assim versejar\/ o \u00e2mago das coisas.\u201d<\/p>\n<p>A poesia \u00e9 express\u00e3o po\u00e9tica de um tempo e de uma subjetividade. A obra po\u00e9tica \u00e9 marcada decisivamente pelo cotidiano em que o poeta vive e como vivencia esse per\u00edodo hist\u00f3rico. Por\u00e9m, n\u00e3o experimentamos o cotidiano da mesma maneira. Alguns poetas falam dos amores cercados de vinho num restaurante em Paris, outros falam do amor que sobrevive a falta de saneamento b\u00e1sico, trazendo met\u00e1foras das flores que nascem nos esgotos a c\u00e9u aberto. O mar que representa transitoriedade da vida para alguns poetas \u00e9 o mesmo mar que \u00e9 cemit\u00e9rio de negros africanos jogados aos tubar\u00f5es no Atl\u00e2ntico. Afinal, se \u00e9 verdadeiro que a cabe\u00e7a pensa conforme os p\u00e9s pisam, em um mundo cada vez mais destro\u00e7ado \u00e9 tendencioso que o ch\u00e3o repleto de sangue e ossos de mortos tamb\u00e9m surja na poesia. Como tamb\u00e9m \u00e9 comum que determinada classe busque uma suposta neutralidade po\u00e9tica, a fim de tirar toda a pot\u00eancia de mobilizar afetos em prol de um projeto de emancipa\u00e7\u00e3o humana. A defesa da \u201carte neutra\u201d nunca foi neutra.<\/p>\n<p>E \u00e9 claro, esses temas s\u00e3o comuns tanto a prosa quanto a poesia. Todavia, como dizia Ariano Suassuna, na poesia \u00e9 a predomin\u00e2ncia da imagem, do ritmo e da met\u00e1fora que a caracteriza, no trabalho de versejar esse mundo doloroso. Um poema \u00e9 imagem, som e significado. Na prosa, o que predomina \u00e9 a precis\u00e3o e a clareza. A linguagem muda, na dial\u00e9tica da predomin\u00e2ncia entre objetividade e subjetividade. Na poesia segue-se o que disse Jorge Lu\u00eds Borges: usa-se palavras comuns e, de algum modo, as torna incomuns.<\/p>\n<p>A poesia ent\u00e3o nasce da imagem, da palavra, da lembran\u00e7a, da mem\u00f3ria, daquilo que diz respeito ao que o poeta d\u00e1 significados em seu cotidiano. O poeta, diz Mauro Iasi, atravessa o mundo com uma subjetividade que lhe \u00e9, via de regra, um carma. Um poeta que vive uma vida farta, pode vir a falar da fartura da vida. Um poeta que vive no ex\u00edlio, pode vir a falar das dores da separa\u00e7\u00e3o. Toda poesia \u00e9, portanto, fruto de um modo de ser, de viver a vida, mas tamb\u00e9m uma decis\u00e3o, ela tamb\u00e9m surge de uma escolha entre alternativas.<\/p>\n<p>O poeta pode escolher representar a identidade do outro, como um poeta de Cabo Verde que prefere falar das mulheres de Paris, da linda vegeta\u00e7\u00e3o europeia e, assim, se esquece da seca de sua terra, como denunciava Am\u00edlcar Cabral. \u00c9, assim, uma escolha, uma op\u00e7\u00e3o frente \u00e0 realidade, estando o poeta mais ou menos esclarecido daquilo que faz. Ambas as posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o pol\u00edticas. Isso n\u00e3o significa que um poeta oriundo da burguesia n\u00e3o possa vir a ter sensibilidade para versar sobre o mundo caduco capitalista e tentar captar o movimento da vida. Na poesia mundial h\u00e1 exemplos de poetas que tra\u00edram sua classe de origem e conseguiram produzir grandes obras. No caso brasileiro, Oswald de Andrade e Manoel de Barros s\u00e3o poetas emblem\u00e1ticos neste sentido. Ambos eram filhos de fazendeiros. Mas isso n\u00e3o impediu que o poeta das \u201cinsignific\u00e2ncias\u201d, das \u201cmem\u00f3rias inventadas\u201d, dissesse que \u201co ser que na sociedade \u00e9 chutado como uma Barata \u2013 cresce de import\u00e2ncia para o meu Olho\u201d.<\/p>\n<p>O contr\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro: n\u00e3o \u00e9 porque a tend\u00eancia pol\u00edtica de um poeta seja considerada a mais acertada, que ele necessariamente produzir\u00e1 poesia de boa qualidade. Ferreira Gullar morreu maldizendo o socialismo ao final da vida, teceu coment\u00e1rios preconceituosos e racistas, mas seus posicionamentos n\u00e3o afetaram a boa qualidade de sua poesia. Isto demonstra que n\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica entre tend\u00eancia pol\u00edtica avan\u00e7ada e po\u00e9tica avan\u00e7ada.<\/p>\n<p>Pois, tanto a poesia que fala quanto a que usa do sil\u00eancio seletivo s\u00e3o comprometidas com algo. Porque a vida \u00e9 pol\u00edtica e fugir dela \u00e9 infrut\u00edfero, como nos ensinou Bertolt Brecht:<\/p>\n<p>O pior analfabeto \u00e9 o analfabeto pol\u00edtico. Ele n\u00e3o ouve, n\u00e3o fala, nem participa dos acontecimentos pol\u00edticos.<br \/>\nEle n\u00e3o sabe que o custo de vida, o pre\u00e7o do feij\u00e3o, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do rem\u00e9dio<br \/>\ndepende das decis\u00f5es pol\u00edticas. O analfabeto pol\u00edtico \u00e9 t\u00e3o burro que se orgulha e estufa o peito dizendo<br \/>\nque odeia a pol\u00edtica. N\u00e3o sabe o imbecil que da sua ignor\u00e2ncia pol\u00edtica nasce a prostituta, o menor abandonado,<br \/>\ne o pior de todos os bandidos que \u00e9 o pol\u00edtico vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.<\/p>\n<p>B. Brecht<\/p>\n<p>O poeta muitas vezes se veste com as roupas do analfabeto pol\u00edtico e tenta, munido da espada da justi\u00e7a, dizer o que se pode ou n\u00e3o escrever, sob a pena de ser declarada a poesia de menor valor est\u00e9tico. Ou nem mesmo considerada como poesia. O poema nasce com essa rela\u00e7\u00e3o direta com a realidade em que se vive. \u00c0s vezes, busca fugir dela. \u00c0s vezes, escancar\u00e1-la.<\/p>\n<p>\u00c9 muito comum o uso da r\u00e9gua de \u201cpoesia engajada\u201d para tentar desqualificar a qualidade po\u00e9tica de versos que n\u00e3o fogem da realidade, das dores do mundo nas costas daqueles que o sustentam. Quando n\u00e3o se falava das mulheres negras brasileiras, a poesia era aut\u00eantica. Quando Solano Trindade passou a poetizar mulheres negras, chamaram seus versos de poesia engajada. Um poema que narra as belas \u00e1rvores e flores do outono \u00e9 visto como um poema da mais alta qualidade. Todavia, um poema que narra o morma\u00e7o na floresta, a destrui\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, em prol do monop\u00f3lio capitalista da madeira, \u00e9 vista como uma poesia pol\u00edtica. As duas express\u00f5es, na verdade, s\u00e3o express\u00f5es da realidade. Mas muitos poetas ainda n\u00e3o entenderam que a realidade \u00e9 teimosa. Desta forma, toda poesia \u00e9 engajada. A quest\u00e3o que fica \u00e9 o tipo de engajamento. Para quem o poeta escreve? Quais sensa\u00e7\u00f5es quer despertar? Qual a forma usada para seus fins? Quais os seus meios de difus\u00e3o? As preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o distintas e o poeta expressa muitas vezes sua posi\u00e7\u00e3o de classe no mundo em seus versos. O poema fala muito, inclusive quando n\u00e3o diz nada.<\/p>\n<p>Durante e ap\u00f3s a ditadura que corroeu o Brasil por 21 anos (1964-1985), a cultura (e a arte em geral) foi uma das formas de oposi\u00e7\u00e3o aos militares e a tudo que eles representam em nossa hist\u00f3ria: tortura, c\u00e1rcere, pris\u00f5es, atraso pol\u00edtico, depend\u00eancia, apagamento e muito mais. A resist\u00eancia ao golpe de 64 foi prec\u00e1ria, comparada ao potencial do inimigo e seus aliados. Mas ela se deu pela luta armada, pol\u00edtica e cultural, no teatro, na f\u00e1brica, na universidade, na guerrilha, pelo fuzil e por meio do poema. \u00c9 a m\u00e1xima do que j\u00e1 nos disse Leminski: na luta de classes, todas as armas s\u00e3o boas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 estranho que no campo da m\u00fasica, do teatro e da literatura, tenham surgido tantos testemunhos desse tempo, quanto den\u00fancias, a exemplo de m\u00fasicas como \u201cC\u00e1lice\u201d de Chico Buarque, ou de livros como \u201cO poema sujo\u201d de Ferreira Gullar. Mais uma vez, a op\u00e7\u00e3o de escrever quando tudo \u00e9 proibido \u00e9 uma decis\u00e3o do poeta. \u00c0s vezes, \u00e9 seguir \u00e0 risca o aviso, ou amea\u00e7a, de Golondrina Ferreira: \u201cPro\u00edbam e eu escreverei\/ com as unhas\/ na lataria das m\u00e1quinas\u201d. N\u00e3o \u00e9 essa escolha que faz a poesia ser panflet\u00e1ria ou n\u00e3o. Panfleto \u00e9 entregue para se vender uma ideia, buscando que algu\u00e9m compre. Para isso j\u00e1 existe a publicidade.<\/p>\n<p>A poesia que fala da realidade n\u00e3o \u00e9 panflet\u00e1ria, ela \u00e9, no entanto, a poesia que nasce com os olhos no espelho do mundo e se v\u00ea nele, fala dele e dele decide n\u00e3o se esconder. \u00c9 o poema que ergue barricadas como um argelino, destruindo m\u00e1scaras brancas e revelando seu o rosto negro. Vale pontuar que a pecha de panflet\u00e1rio caminha de m\u00e3os dadas com o anticomunismo que cada vez floresce mais em nossas terras. A poesia, dentre outras coisas, \u00e9 um objeto art\u00edstico que interfere no mundo. Isto \u00e9 um fato. A quest\u00e3o \u00e9 qual tipo de interven\u00e7\u00e3o o poeta se prop\u00f5e a fazer. Nos parece que a falta de perspectiva organizativa dos artistas \u00e9 um empecilho para pensarem suas produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As derrotas hist\u00f3ricas da classe trabalhadora, o descr\u00e9dito de formas organizativas tradicionais (como partidos e sindicatos), levaram o poeta a um isolamento maior. Por\u00e9m, tamb\u00e9m h\u00e1 respostas para esse isolamento. Na \u00faltima d\u00e9cada, o boom do surgimento de saraus e slams nas periferias das cidades brasileiras \u00e9 uma tentativa de organiza\u00e7\u00e3o de poetas e artistas que est\u00e3o pensando a arte para al\u00e9m do fazer art\u00edstico. Ao criar um sarau n\u00e3o atrelado a estruturas estatais ou empresariais, os poetas est\u00e3o questionando a circula\u00e7\u00e3o das obras de arte e, desta forma, adubando o terreno para outras formas de sociabilidade que tamb\u00e9m questionam a viol\u00eancia estatal herdada do aparato repressor da ditadura, por exemplo.<\/p>\n<p>Neste ponto entra Pedro Tierra, um dos maiores poetas brasileiros e, tamb\u00e9m, um ilustre desconhecido. Pedro escreveu parte de seus poemas dentro da pris\u00e3o, dos andares do DOPS. A sua poesia foi a voz de muitos que foram calados, ou daqueles que tiveram medo de sair \u00e0s ruas. Se fez em Tierra aquilo que aponta Mauro Iasi:<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 poetas que navegam pelo mundo em embarca\u00e7\u00f5es coletivas, gal\u00eas ou caravelas, jangadas ou canoas, em que remam junto com seus camaradas, i\u00e7am velas contra ventos assombrosos. Estes n\u00e3o t\u00eam muito tempo para autolamenta\u00e7\u00f5es, veem sua dor nas costas cansadas de seus camaradas, juntos puxam a rede na dura labuta do mar, dividem seu alimento, bebem juntos o vinho e sorvem o fumo. Quando cantam, n\u00e3o \u00e9 somente sua voz, mas a voz dos afogados, daqueles que tiveram suas l\u00ednguas arrancadas pelo sil\u00eancio, daqueles que queriam gritar, mas n\u00e3o sabiam como\u201d<\/p>\n<p>Mauro Iasi<\/p>\n<p>Assim como outros poetas do per\u00edodo e alguns de hoje, seus poemas percorreram os temas de repress\u00e3o, resist\u00eancia e esperan\u00e7a. Al\u00e9m de Tierra, Ana Montenegro, Pedro Casald\u00e1liga, Ferreira Gullar, Alex Polari, Thiago de Mello, Cida Pedrosa, Al\u00edpio Freire tamb\u00e9m n\u00e3o se esquivaram da realidade do c\u00e1rcere em seus versos. Na literatura mais geral, os escritos de Lygia Fagundes Telles, N\u00e9lida Pi\u00f1on, Ana Maria Machado e Carmen Fische tamb\u00e9m fizeram cr\u00edticas ao mundo militar(3).<\/p>\n<p>A poesia p\u00f4de, assim, denunciar a vida sem sentido, como fez Ferreira Gullar: \u201cIntroduzo na poesia\/ A palavra diarreia\/N\u00e3o pela palavra fria\/Mas pelo que ela semeia.\/ Quem fala em flor n\u00e3o diz tudo.\/Quem me fala em dor diz demais [\u2026] Mais que palavra, diarreia\/ \u00e9 arma que fere e mata.\/Que mata mais do que faca,\/mais que bala de fuzil,\/homem, mulher e crian\u00e7a\/no interior do Brasil.\u201d Da mesma maneira que Gullar introduziu a palavra \u201cDiarreia\u201d na poesia, nomes como Alex Polari e Pedro Tierra introduziram a palavra \u201cpau-de-arara\u201d, trazendo ao verso toda a brutalidade da vida, dura e sanguin\u00e1ria, de um preso torturado.<\/p>\n<p>E n\u00e3o foi a \u00fanica palavra. Nos poemas foram costurados versos, como quem dava ponto nas pr\u00f3prias feridas e cicatrizes abertas, sobre os m\u00e9todos de tortura, dos choques el\u00e9tricos, da cadeira-do-drag\u00e3o, das t\u00e9cnicas de afogamento, da desesperan\u00e7a, medo, pris\u00e3o, censura, ex\u00edlio, desaparecimento, tributos a militantes, das t\u00e9cnicas de assassinatos de pessoas e ideias, da vida em clandestinidade, da sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia, dos por\u00f5es, das guerrilhas, como tamb\u00e9m foram escritas s\u00e1tiras ao patriotismo subordinado, men\u00e7\u00f5es ao povo nas ruas em atos, movimentos pol\u00edticos, cr\u00edticas ao cultivo ao sil\u00eancio, ao plantio do medo, bem como foram testemunhadas as convoca\u00e7\u00f5es \u00e0 luta. Muitas dessas palavras e destes sentimentos apareceram pela primeira vez na poesia brasileira.<\/p>\n<p>Tais aspectos representam muito bem a \u201cpoesia de testemunho\u201d que Pedro Tierra definia em sua escrita. Podemos unificar essa caracter\u00edstica desses poemas ao peso amargo do lema que Thiago de Mello trouxe para a sua escrita: \u201cpara quem n\u00e3o viveu, conv\u00e9m contar\/ a quem j\u00e1 se esqueceu, quero lembrar\u201d(4).<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Tierra tem rela\u00e7\u00e3o direta com as marcas da viol\u00eancia. O escritor, diz ele, \u201c\u00e9 chamado a dizer por meio da fic\u00e7\u00e3o a verdade que o relat\u00f3rio, o boletim, o depoimento n\u00e3o capturam. Por isso a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria adquire uma dimens\u00e3o de testemunho hist\u00f3rico que os memorandos burocr\u00e1ticos n\u00e3o alcan\u00e7am\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, outros poetas e artistas das palavras, durante o mesmo per\u00edodo, cantaram para os ditadores can\u00e7\u00f5es de amor, enquanto os por\u00f5es dos c\u00e1rceres estavam cheios de sonhos e torturas. A poesia, sobretudo atrelada \u00e0 m\u00fasica, foi uma arma de domina\u00e7\u00e3o cultural poderosa durante o per\u00edodo no Brasil. N\u00e3o \u00e9 por acaso que at\u00e9 hoje o cantor Roberto Carlos \u00e9 chamado de rei pela Rede Globo de Televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Se \u00e9 correto dizer que diversos poetas (a maioria ligada \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora) sofreram com a ditadura e produziram uma tradi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da poesia latino-americana, outros passaram sem ser incomodados. H\u00e1 ainda os poetas do samba (ligados a outras formas organizativas como, por exemplo, as escolas de sambas), que tamb\u00e9m foram censurados durante o per\u00edodo ditatorial. Artistas como Paulinho da Viola, Candeia, Leci Brand\u00e3o, Bezerra da Silva, Elton Medeiros, Nei Lopes, dentre outros, deixaram de gravar ou tiveram m\u00fasicas alteradas pelos censores(5). Todos negros, oriundos das camadas populares.<\/p>\n<p>Voltando a Tierra, podemos dizer que suas palavras comprovam que a arte \u00e9 um complexo capaz de elevar a capacidade humana de sentir, de transformar a subjetividade pela eleva\u00e7\u00e3o da sensibilidade. \u00c9 pelos sentidos que o mundo chega \u00e0 consci\u00eancia de quem l\u00ea ou ouve uma poesia. O poema atua na emo\u00e7\u00e3o, na subjetividade e na individualidade. A poesia altera a nossa forma de ver a vida cotidiana \u2013 tarefa de toda arte.<\/p>\n<p>Enquanto os militares usavam a tortura como ferramenta, alguns poetas usaram, al\u00e9m do fuzil, a poesia. Pois como disse Lila Ripoll: \u201cSou poeta. \/ Obrigat\u00f3rio \/ \u00e9 para mim o sonho\u201d. E os\/as poetas prepararam a p\u00f3lvora e o sonho(6). Mas \u00e0s vezes a realidade era o pesadelo. Pedro Tierra conta que, em uma sess\u00e3o de tortura, um dos objetivos do torturador \u00e9 fazer com que o torturado perca a no\u00e7\u00e3o do tempo, para que n\u00e3o saiba o dia, a hora, nem onde est\u00e1(7). A comida \u00e9 entregue em hor\u00e1rios sem sentido, as luzes sempre acesas fazem perder a sensa\u00e7\u00e3o de dia e noite. Atordoar \u00e9 uma t\u00e9cnica do massacre. \u00c0s vezes, a poesia era uma forma de resistir \u00e0 brutalidade dos fardados.<\/p>\n<p>Certa vez, o poeta comentou que foi a poesia que o ajudou a olhar no espelho e continuar se vendo. Ela salvaguardava sua humanidade, t\u00e3o destru\u00edda nos momentos de tortura. Essa \u00e9 a palavra que nasce contra o esquecimento e pela mem\u00f3ria, \u00e9 ela quem salva vidas e aponta o caminho quando se faz escuro e se acabaram as velas, pois h\u00e1 quem diga que essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o dos poetas: \u201cacender as fogueiras dos acampamentos\u201d(8). Revelar, em hist\u00f3rias de horror, os verdadeiros monstros e fantasmas, os diversos setores ligados \u00e0 ditadura, como as associa\u00e7\u00f5es industriais, os grupos financeiros, propriet\u00e1rios da terra e os religiosos. \u00c9 a poesia que mostra, por meio de sua linguagem pr\u00f3pria, a serpente que nasceu no subterr\u00e2neo das igrejas e que ainda hoje envenena os descal\u00e7os.<\/p>\n<p>Por mais que a censura tenha garantido o poder do discurso dominante, a resist\u00eancia no campo da literatura permitiu que o proibido fosse escrito, seja em pap\u00e9is de ma\u00e7o de cigarro ou nas paredes do c\u00e1rcere. Os l\u00e1pis roubados dos algozes ou o sangue na ponta dos dedos anotavam o nome dos amores nas paredes. Alguns poemas, duros e diretos, foram guardados na mem\u00f3ria, sob o risco de causarem o apagamento definitivo do poeta. \u00c9 verdade, em alguns casos s\u00f3 as palavras sobreviveram. Em outros, anos depois, a m\u00e3o esmagada deitou a mem\u00f3ria sobre o papel, para revelar que \u201ch\u00e1 mundos\/ submersos,\/ que s\u00f3 o sil\u00eancio\/ da poesia penetra\u201d, como nos disse Concei\u00e7\u00e3o Evaristo.<\/p>\n<p>Para Tierra, \u00e9 esse o papel da palavra: \u201cvenho falar\/ pela boca dos mortos\/ sou poeta-testemunho\u201d. E isso \u00e9 fundamental, ainda mais nesse pa\u00eds, onde lidamos mal com nosso passado e o presente \u00e9 carregado de manchas de outros tempos. Mas bem sabem os poetas: nada do que \u00e9 escrito sobre a ditadura \u00e9 suficiente. A cr\u00edtica da palavra nunca substituiu a cr\u00edtica das armas. A met\u00e1fora, sozinha, n\u00e3o d\u00e1 conta da barb\u00e1rie. Mas \u00e9 papel da poesia, diz Tierra, resistir \u00e0s tiranias.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma caracter\u00edstica da poesia latino-americana. As ditaduras que percorreram toda a Am\u00e9rica Latina [Bol\u00edvia (1964\u20131982), Brasil (1964-1985), Peru (1968-1980), Chile (1973\u20131990), Uruguai (1973-1985) e Argentina (1966-1973 e 1976-1983)] trouxeram aos poetas comprometidos com a classe trabalhadora uma vida em comum, sofrimentos em comum, dores em comum, que o poeta assumiu para si: \u201ceu quero um poema-dor\/ arrancado aos peda\u00e7os\/da carne da vida\u201d(9).<\/p>\n<p>Nasce desse ch\u00e3o hist\u00f3rico uma poesia que contesta todo esse mundo militar. Segundo Vasques \u201co poema vem ao mundo n\u00e3o s\u00f3 pelas m\u00e3os do poeta, mas tamb\u00e9m pelas m\u00e3os da hist\u00f3ria\u201d. \u00c9 o caso de Pablo Neruda, Otto Ren\u00e9 Castillo, Lila Ripoll, Jacinta Passos, Roque Dalton e muitos outros nomes fizeram seus poemas florescerem sob o adubo mais doloroso, os ossos de seus camaradas. Ajudaram a resguardar a mem\u00f3ria, a deixar seu testemunho, a denunciar o mundo, mas tamb\u00e9m deixaram mapas, constru\u00eddos com versos, mostrando os caminhos que devemos evitar, pois quando percorridos levam ao fascismo.<\/p>\n<p>Pedro \u00e9 um destes poetas: um p\u00e1ssaro que, mesmo engaiolado, canta. Sua voz \u00e9 uma voz coletiva. Seu poema \u00e9 um hino, uma bandeira. Os materiais de onde brotam seu canto s\u00e3o os mais diversos, como a tristeza e a alegria, o c\u00e1rcere e o amor: \u201cguardo teu nome nas paredes da cela\u201d. A alegria do encontro, a dor que fere, a esperan\u00e7a que nos move, a ferida que nos lembra. Se Eduardo Galeano estiver certo \u2013 e \u00e9 bem prov\u00e1vel que esteja \u2013 essa tradi\u00e7\u00e3o de poetas, da qual Pedro Tierra faz parte, escreveram (e ainda o fazem) para denunciar o que d\u00f3i e para compartilhar a alegria. Por isso, a poesia \u00e0s vezes \u00e9 t\u00e3o machucada, uma pedra rachada. Mas, entendam, como diz Iasi, \u201cn\u00e3o culpem o mensageiro, s\u00e3o os tempos que anoiteceram\u201d(10).<\/p>\n<p>Pedro foi preso de 1972-1977, sob a m\u00e3o pesada de M\u00e9dici. Ele foi um dos poetas que a tortura n\u00e3o dobrou: \u201cprometi nunca render-me\/ao verso f\u00e1cil\u201d(11). Se os versos nascem de imagens, palavras, lembran\u00e7as e frases, as suas nascem regadas pelas l\u00e1grimas de seu peito e das m\u00e3os de seus camaradas. Ele escreveu como quem planta uma flor no esgoto, como quem deixa migalhas de p\u00e3o no caminho, aos que vir\u00e3o depois. Alimentou seus versos com \u00f3dio, mas tamb\u00e9m com paix\u00e3o e os colocou para dormir nos pap\u00e9is velhos que conseguia na pris\u00e3o, pois ele sabia: \u201cpela palavra, lidam os poetas, com a mem\u00f3ria e a paix\u00e3o\u201d(12).<\/p>\n<p>A poesia contra a ditadura \u00e9, portanto, essa poesia que n\u00e3o foge da realidade, que se op\u00f5e \u00e0s tiranias, que testemunha e denuncia. N\u00e3o teme os r\u00f3tulos de \u201cpol\u00edtica\u201d, \u201csocial\u201d, \u201cengajada\u201d, se preocupa mais com a mis\u00e9ria. \u00c9 poesia escrita por lutadores e lutadoras de toda a Am\u00e9rica Latina. Ela contribui alimentando a consci\u00eancia de quem a l\u00ea e, em muitos casos, revelando um mundo desconhecido. Ela acende o f\u00f3sforo da den\u00fancia, mas tamb\u00e9m da esperan\u00e7a. Carrega em seu peito a semente de um mundo novo, uma realidade diferente e poss\u00edvel. Em um pa\u00eds de senzalas, \u00e9 normal que a poesia tamb\u00e9m seja rebeli\u00e3o.<\/p>\n<p>Os poetas comprometidos com a classe trabalhadora oferecem o depoimento de seu momento hist\u00f3rico, a exemplo de toda uma tradi\u00e7\u00e3o da literatura latino-americana e da poesia de luta. Escrevendo, dizia Galeano, \u00e9 poss\u00edvel oferecer o testemunho de nosso tempo e da nossa gente, a nossa condi\u00e7\u00e3o. Por isso, v\u00e1rios poetas advogam a poesia de nega\u00e7\u00e3o, de den\u00fancia, de testemunho, a que canta nossos m\u00e1rtires e nossos mortos, a que nega o que nos causa dor(13). Buscam a poesia que questiona a realidade, que a reflete e que provoca quem a encontra. Descobrem sentido nessa poesia que ergue bandeiras e barricadas, que se faz canivete ou pedra no peito de algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o of\u00edcio do poeta, alargar os horizontes da l\u00edngua. Abrir consci\u00eancias com um machado feito de palavras. O compromisso do poeta \u00e9 assumir seu of\u00edcio, em uma tentativa de encontro com quem deita os olhos no poema. \u00c9 um di\u00e1logo. Se a fun\u00e7\u00e3o do torturador trazia consigo a necessidade de fazer o torturado perder a no\u00e7\u00e3o do tempo, o trabalho do poeta \u00e9 recuper\u00e1-la. Pedro acredita que per\u00edodos de tirania trazem, inevitavelmente, uma literatura de resist\u00eancia(14). Pois os poetas do povo recusam a paz sempre que ela significa aceitar a l\u00f3gica da escravid\u00e3o, ou a certeza do genoc\u00eddio \u2013 como denunciou a poeta palestina Heba Abu Nada. Como denunciou, tamb\u00e9m, Castro Alves. Os quilombos s\u00e3o exemplos dessa nega\u00e7\u00e3o. A poesia \u00e9 um p\u00e9 negro jogando capoeira com o pesco\u00e7o de um senhor do engenho, mas tamb\u00e9m uma pedra que voa sem parada at\u00e9 a janela de Benjamim Netanyahu.<\/p>\n<p>Por fim, n\u00e3o se enganem com o discurso da palavra neutra. Como nos ensina Jeff Vasques, toda arte, toda literatura \u00e9 comprometida. At\u00e9 mesmo aquela que diz n\u00e3o ser.<\/p>\n<p>1. Jeferson Garcia \u00e9 poeta, autor da obra te\u00f3rica Racismo, capital e emancipa\u00e7\u00e3o humana, publicada pelo Instituto Caio Prado J\u00fanior (ICP) (2022), dos livros de poemas Dialeto das Senzalas, publicado pela editora Pedregulho, Nossas l\u00e1grimas s\u00e3o insubmissas, publicado pela Mondru Editora, ambos em 2023, e de \u201cO fogo queima diferente abaixo da linha do Equador\u201d, no prelo, pela Editora Folheando (2024).<\/p>\n<p>2. Thiago Cervan \u00e9 poeta, realizador audiovisual e educador popular. Publicou \u201cN\u00e3o existem rotas conciliat\u00f3rias de fuga\u201d (Ed. Urutau, 2016) e junto ao Coletivo Trunca a \u201cAntologia de Poesia de Luta da Am\u00e9rica Latina\u201d (2022).<\/p>\n<hr \/>\n<p>Notas<\/p>\n<p>3. Eur\u00eddice Figueiredo em \u201cMulheres contra a ditadura\u201d: <a href=\"https:\/\/blogbvps.com\/2024\/03\/31\/mulheres-contra-a-ditadura-por-euridice-figueiredo\/\">https:\/\/blogbvps.com\/2024\/03\/31\/mulheres-contra-a-ditadura-por-euridice-figueiredo\/<\/a><\/p>\n<p>4. Thiago de Mello, em Morma\u00e7o na Floresta, 2023.<\/p>\n<p>5. <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/musica\/letras-originais-censuradas-de-candeia-paulinho-da-viola-outros-bambas-sao-reveladas-21115187#:~:text=Inspirado%20na%20sua%20indument%C3%A1ria%2C%20Paulinho,%2F%20inoxid%C3%A1vel%20(\u2026)\">https:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/musica\/letras-originais-censuradas-de-candeia-paulinho-da-viola-outros-bambas-sao-reveladas-21115187#:~:text=Inspirado%20na%20sua%20indument%C3%A1ria%2C%20Paulinho,%2F%20inoxid%C3%A1vel%20(\u2026)<\/a><\/p>\n<p>6. Do poema \u201cinventar o fogo\u201d, de Pedro Tierra.<\/p>\n<p>7. Pedro Tierra, \u201cpoemas do povo da noite\u201d, 2009.<\/p>\n<p>8. Pedro Tierra em \u201cA estrela imperfeita\u201d, 2014.<\/p>\n<p>9. Pedro Tierra, \u201cA raz\u00e3o do poema\u201d em A palavra contra o muro, 2013.<\/p>\n<p>10. Em Outros tempos e Flora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>11. Pedro Tierra, \u201cA raz\u00e3o do poema\u201d, em A palavra contra o muro, 2013.<\/p>\n<p>12. Pedro Tierra em \u201cA estrela imperfeita\u201d, 2014.<\/p>\n<p>13. Ver a entrevista de Golondrina Ferreira: <a href=\"http:\/\/centrovictormeyer.org.br\/entrevista-com-a-operaria-poeta-e-militante-golondrina-ferreira\/\">http:\/\/centrovictormeyer.org.br\/entrevista-com-a-operaria-poeta-e-militante-golondrina-ferreira\/<\/a><\/p>\n<p>14. Pedro Tierra, \u201cpoemas do povo da noite\u201d, 2009.<\/p>\n<p>15. Jeff Vasques, em Poesia de luta da Am\u00e9rica Latina, 2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31671\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[13,50],"tags":[225],"class_list":["post-31671","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s14-cultura","category-c61-cultura-revolucionaria","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8eP","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31671"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31671\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31673,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31671\/revisions\/31673"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}