{"id":31765,"date":"2024-06-13T21:11:41","date_gmt":"2024-06-14T00:11:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31765"},"modified":"2024-06-13T21:11:41","modified_gmt":"2024-06-14T00:11:41","slug":"sobre-as-eleicoes-para-o-parlamento-europeu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31765","title":{"rendered":"Sobre as elei\u00e7\u00f5es para o Parlamento Europeu"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31766\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31765\/parlamento_europeu\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/parlamento_europeu.webp?fit=1170%2C700&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1170,700\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"parlamento_europeu\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/parlamento_europeu.webp?fit=747%2C447&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-31766\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/parlamento_europeu.webp?resize=747%2C447&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"447\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/parlamento_europeu.webp?resize=900%2C538&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/parlamento_europeu.webp?resize=300%2C179&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/parlamento_europeu.webp?resize=768%2C459&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/parlamento_europeu.webp?w=1170&amp;ssl=1 1170w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Foto: Patrick Seeger (Ag\u00eancia Lusa)<\/p>\n<p>A necessidade da luta anticapitalista<\/p>\n<p>Nota Pol\u00edtica do Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>O resultado das elei\u00e7\u00f5es para o Parlamento Europeu ocorridas no \u00faltimo dia 09 de junho chamou a aten\u00e7\u00e3o e tornou-se assunto de toda a grande m\u00eddia ocidental pelo grande desempenho eleitoral dos partidos de extrema-direita. Entretanto, para fazermos uma an\u00e1lise mais acurada dos resultados daquela elei\u00e7\u00e3o e do significado destes resultados, precisamos olh\u00e1-los com mais aten\u00e7\u00e3o, especialmente algumas de suas importantes particularidades pol\u00edticas e locais.<\/p>\n<p>Os grandes derrotados: Olaf Scholz, Manuel Macron e o social-democratizado Partido da Esquerda Europeia<\/p>\n<p>O avan\u00e7o eleitoral da extrema-direita foi mais emblem\u00e1tico e significativo nas tr\u00eas maiores economias da Europa: Alemanha, Fran\u00e7a e It\u00e1lia; tamb\u00e9m foi relevante na Espanha e em Portugal.<\/p>\n<p>Na Alemanha, as forma\u00e7\u00f5es socialdemocratas do hist\u00f3rico SPD (Partido Social Democrata Alem\u00e3o) e dos Verdes (lembrando que o PV alem\u00e3o foi a origem do movimento mundial dos verdes) sofreram derrotas hist\u00f3ricas e humilhantes: o SPD (atualmente no governo) ficou em terceiro lugar, atr\u00e1s da direita tradicional da CDU e da extrema-direita do AfD (Alternativa para a Alemanha, neonazista), perdendo duas cadeiras de eurodeputados; j\u00e1 os Verdes despencaram de 20,05% dos votos europeus em 2019 para 11,9% agora, perdendo 9 cadeiras no Parlamento Europeu. A extrema-direita do AfD passou de 9 para 15 eurodeputados.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, o liberal Macron tamb\u00e9m foi eleitoralmente humilhado pela Rassemblement National de Marie Le Pen, que teve mais votos do que a soma das duas forma\u00e7\u00f5es de centro-direita que apoiam Macron. O que quase n\u00e3o se fala \u00e9 que o outro partido de extrema-direita franc\u00eas, dirigido pela sobrinha de Marie Le Pen, alcan\u00e7ou tamb\u00e9m 5,5% dos votos e elegeu 5 eurodeputados. O impacto deste resultado eleitoral na Fran\u00e7a foi t\u00e3o forte que Macron decidiu dobrar a aposta e convocar elei\u00e7\u00f5es parlamentares internas antecipadas, o que pode consolidar ainda mais o poder de Le Pen.<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia, a Alian\u00e7a Nacional mussolinista (atualmente governo) confirmou sua for\u00e7a eleitoral e teve quase 30% dos votos, passando de dez para 24 eurodeputados. Entretanto, \u00e9 interessante observar que na It\u00e1lia os principais partidos de oposi\u00e7\u00e3o, os social-democratizados Partido Democr\u00e1tico, Movimento Cinco Estrelas e Alian\u00e7a Verde Esquerda Italiana, tamb\u00e9m cresceram eleitoralmente, se compararmos com as elei\u00e7\u00f5es europeias de 2019: quem despencou aqui foi a neofascista Liga per Salvini (sucessora da Liga do Norte), que perdeu 14 cadeiras no Parlamento Europeu. Muitos analistas creditam o decl\u00ednio da Liga ao fato de ter participado em 2021 do governo de unidade nacional encabe\u00e7ado por Mario Draghi (ex-Presidente do BCE), o que a fez perder grande parte do eleitorado mais \u00e0 direita.<\/p>\n<p>Na Espanha, o PSOE no poder teve menos votos do que a direita hist\u00f3rica do Partido Popular, perdendo uma cadeira. Por outro lado, o Vox de extrema-direita obteve 50% a mais da sua vota\u00e7\u00e3o anterior, passando de 4 para 6 eurodeputados. Em Portugal, o social-democrata PSD, que tinha sido derrotado nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares antecipadas, recuperou o primeiro lugar mas com um desempenho eleitoral inferior \u00e0 elei\u00e7\u00e3o europeia de 2019, perdendo 1 vaga de eurodeputado. O partido de extrema-direita Chega, pela primeira vez, ocupa cadeiras no Parlamento Europeu, tendo conquistado 9,8% dos votos, elegendo 2 eurodeputados.<\/p>\n<p>Nos Pa\u00edses Baixos, a alian\u00e7a dos verdes com os social-democratas foi a lista mais votada, mas obteve apenas 8 cadeiras das 31 em disputa. O partido de extrema-direita Partido Pela Liberdade (PVV), que governa atualmente o pa\u00eds com uma coliga\u00e7\u00e3o de direita, foi o segundo mais votado alcan\u00e7ando6 cadeiras; as demais 17 cadeiras foram pulverizadas por v\u00e1rios partidos de direita com colora\u00e7\u00f5es variadas.<\/p>\n<p>Os integrantes do Partido da Esquerda Europeia, a \u201cesquerda\u201d parlamentar institucionalizada e pr\u00f3 Uni\u00e3o Europeia, tamb\u00e9m sofreram importantes baixas. Na Espanha, a coliga\u00e7\u00e3o Sumar, apoiada pela Izquierda Unida e pelo Partido Comunista da Espanha, obteve 4,7% dos votos, obtendo tr\u00eas cadeiras; como o candidato IU\/PCE era o quarto da lista, a IU e o PCE perderam a sua representa\u00e7\u00e3o no Parlamento Europeu. Na Alemanha, o Die Link (Partido de Esquerda) caiu de 5,5% para 2,7%, perdendo 2 cadeiras. Na Fran\u00e7a, o PCF alcan\u00e7ou apenas 2,5% dos votos e n\u00e3o elegeu nenhum eurodeputado.<\/p>\n<p>Os comunistas radicais e a esquerda combativa tiveram bom desempenho<\/p>\n<p>Os comunistas ser\u00e3o representados por sete eurodeputados no Parlamento Europeu. Estes representantes foram eleitos por cinco partidos, sendo que nenhum destes partidos \u00e9 membro do Partido da Esquerda Europeia; todos seguem linhas pol\u00edticas program\u00e1ticas que se definem como marxistas-leninistas. O KKE grego manteve os seus dois assentos no Parlamento Europeu, mas quase dobrou a vota\u00e7\u00e3o: de 5,35% em 2019 para 9,29% agora, o que tamb\u00e9m representa um aumento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2023 (7,69%).<\/p>\n<p>O Partido Comunista Portugu\u00eas (PCP), pela CDU, esteve perto de perder a cadeira no Parlamento Europeu. Salvou-se pela expressiva vota\u00e7\u00e3o em \u00c9vora e conseguiu eleger um eurodeputado. A Coliga\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Unida (PCP\/PEV) obteve 4,12% dos votos, uma queda face \u00e0s elei\u00e7\u00f5es europeias de 2019 (6,88%), mas uma melhora em compara\u00e7\u00e3o com as elei\u00e7\u00f5es legislativas antecipadas de abril de 2024 (3,17%).<\/p>\n<p>Na Rep\u00fablica Tcheca, o Partido Comunista da Bo\u00e9mia e Mor\u00e1via (KS\u010cM) liderou a coliga\u00e7\u00e3o Sta\u010dilo! (Basta!) com grupos euroc\u00e9ticos. O KS\u010cM teve um bom desempenho nestas elei\u00e7\u00f5es ao reunir 9,56% dos votos e ganhar dois assentos; em 2019 o KS\u010cM tinha obtido 6,94% dos votos e eleito um europarlamentar.<\/p>\n<p>A melhor performance percentual comunista foi do Partido Progressista dos Trabalhadores (AKEL), que conquistou o segundo lugar nas elei\u00e7\u00f5es europeias em Chipre com 21,49% dos votos; elegeu apenas um eurodeputado, n\u00e3o alcan\u00e7ando a segunda vaga por 3% dos votos. E o Partido do Trabalho da B\u00e9lgica (PTB-PVDA) tamb\u00e9m obteve um bom desempenho eleitoral. Nas elei\u00e7\u00f5es europeias, o PTB-PVDA conquistou 2 cadeiras e 10,7% dos votos, aumentando um eurodeputado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos partidos comunistas acima listados, merece aten\u00e7\u00e3o o desempenho do franc\u00eas France Insubmisse e do alem\u00e3o BSW (Iniciativa Sarah Wagenknecht). Embora n\u00e3o se defina como comunista ou marxista-leninista e tenha status de observador no grupo Partido da Esquerda Europeia, o France Insubmisse de Jean Luc Mel\u00e9nchon tem assumido posi\u00e7\u00f5es firmes \u00e0 esquerda, inclusive recusando-se a pedir o voto em Macron para presidente contra Marie Le Pen; o France Insubmisse chegou a praticamente 10% dos votos, passando de 5 para 9 cadeiras no Parlamento Europeu.<\/p>\n<p>O BSW foi fundado a partir de um racha \u00e0 esquerda do Die Link, liderado pela carism\u00e1tica Sarah Wagenknecht. Constitu\u00eddo apenas em janeiro, o embrion\u00e1rio BSW estreou no patamar animador de 6,2% dos votos. Seus trunfos pol\u00edticos foram a cr\u00edtica ao alinhamento alem\u00e3o aos EUA na guerra da Ucr\u00e2nia e as consequ\u00eancias para a infla\u00e7\u00e3o no pa\u00eds e a defesa de pol\u00edticas de justi\u00e7a social e redistribui\u00e7\u00e3o de renda. Ressalte-se que o BSW tem posi\u00e7\u00f5es bastante question\u00e1veis no combate ao identitarismo liberal p\u00f3s-moderno e flerta com posi\u00e7\u00f5es xen\u00f3fobas quando o tema \u00e9 imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Escandin\u00e1via: a t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o da social-democracia<\/p>\n<p>Enquanto no restante da Europa os social-democratas e verdes trope\u00e7aram ou despencaram, na Escandin\u00e1via estas forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas mantiveram a hegemonia. Na Dinamarca, os social-democratas e os verdes obtiveram seis das nove cadeiras. Na Finl\u00e2ndia, o partido que mais cresceu foi a Alian\u00e7a de Esquerda, aliada \u00e0 esquerda do tradicional Partido Social Democrata, embora os liberais no governo tenham conquistado 8 das 15 cadeiras em disputa. Na Su\u00e9cia o Partido Social Democrata foi o mais votado e os Verdes chegaram em terceiro. Em nenhum pa\u00eds da Escandin\u00e1via partidos de extrema-direita tiveram desempenho eleitoral expressivo. Ressalte-se que a Noruega n\u00e3o faz parte da UE e n\u00e3o elege eurodeputados.<\/p>\n<p>O que significam os resultados das elei\u00e7\u00f5es para o Parlamento Europeu<\/p>\n<p>A primeira conclus\u00e3o geral a que chegamos, ao analisar os n\u00fameros dos resultados das elei\u00e7\u00f5es para o Parlamento Europeu, \u00e9 que os grandes derrotados foram o liberalismo e o social-liberalismo atlantista, ou seja, os partidos e governos que implementaram pol\u00edticas liberais pr\u00f3 Uni\u00e3o Europeia e encarnaram o belicismo pr\u00f3 OTAN. As acachapantes derrotas de Macron na Fran\u00e7a e Olaf Scholtz na Alemanha est\u00e3o claramente vinculadas \u00e0s suas posturas de submiss\u00e3o aos EUA na guerra na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>O governo social-liberal alem\u00e3o sucumbiu \u00e0 press\u00e3o estadunidense, abriu m\u00e3o de uma investiga\u00e7\u00e3o s\u00e9ria acerca da autoria da explos\u00e3o do gasoduto Nord Stream e curvou-se \u00e0s exig\u00eancias de boicote \u00e0 R\u00fassia, passando a adquirir g\u00e1s dos EUA muito mais caro. Os impactos inflacion\u00e1rios desta submiss\u00e3o e as consequ\u00eancias econ\u00f4micas em toda a Europa das san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia (que tiveram um efeito bumerangue, prejudicando muito mais a economia da Uni\u00e3o Europeia do que da R\u00fassia) criaram o ambiente econ\u00f4mico para profundo desgaste da alian\u00e7a governante SPD-Verdes.<\/p>\n<p>No caso franc\u00eas, pesou ainda contra Macron a imensa rejei\u00e7\u00e3o popular ao seu pacote de mudan\u00e7as na previd\u00eancia, que inviabilizou a aprova\u00e7\u00e3o no Parlamento e fez Macron lan\u00e7ar m\u00e3o de um dispositivo constitucional para promulgar a contrarreforma previdenci\u00e1ria sem a aprova\u00e7\u00e3o dos deputados. Al\u00e9m disso, Macron flertou com as teses anti-imigra\u00e7\u00e3o da extrema-direita e aprovou no Parlamento uma nova lei de imigra\u00e7\u00e3o com os votos favor\u00e1veis do partido de Marie Le Pen; ou seja, jogou ainda mais \u00e1gua no moinho do discurso xen\u00f3fobo da extrema-direita.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da extrema-direita nas elei\u00e7\u00f5es europeias reflete o crescente clima de desesperan\u00e7a, des\u00e2nimo e desespero social causados pela acelerada implanta\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas econ\u00f4micas neoliberais, cujos resultados foram agravados nos dois \u00faltimos anos pelas consequ\u00eancias da guerra na Ucr\u00e2nia. Tal ambiente social torna-se um criadouro de frustra\u00e7\u00f5es e ressentimentos, caldo de cultura perfeito para o surgimento das propostas neofascistas e neonazistas.<\/p>\n<p>O decl\u00ednio dos liberais e sociais-liberais explica-se pelo mesmo contexto. Tanto os partidos liberais como os social-democratas t\u00eam se apresentado nas \u00faltimas d\u00e9cadas como verdadeiros \u201cpartidos da ordem\u201d, defensores dos \u201cvalores europeus\u201d e da \u201cestabilidade\u201d. Numa situa\u00e7\u00e3o de profunda crise social e econ\u00f4mica, a classe trabalhadora afasta-se da \u201cnormalidade democr\u00e1tica liberal\u201d, pois tal democracia burguesa n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o resolve os problemas da sua vida como muitas vezes os agrava.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, as vozes que se apresentam como \u201cantissist\u00eamicas\u201d ganham mais espa\u00e7o e resson\u00e2ncia; e o discurso demag\u00f3gico, virulento e xen\u00f3fobo da extrema-direita se apresenta exatamente como \u201ccontra este sistema\u201d. Sabemos que a manobra neofascista consiste em ocultar a causa de fundo dos problemas das massas, que \u00e9 o capitalismo, e jogar a culpa das mazelas da classe trabalhadora em segmentos da pr\u00f3pria classe trabalhadora: na Europa, os imigrantes; no Brasil, o neofascismo bolsonarista dirige sua artilharia contra negros e negras, mulheres, ind\u00edgenas, nordestinos e nordestinas e LGBTs.<\/p>\n<p>Por outro lado, as elei\u00e7\u00f5es para o Parlamento Europeu tamb\u00e9m apontam o caminho da supera\u00e7\u00e3o desta situa\u00e7\u00e3o atual, t\u00e3o desfavor\u00e1vel \u00e0 classe trabalhadora e aos setores populares. As for\u00e7as de esquerda progressistas e os partidos comunistas que tiveram um discurso de oposi\u00e7\u00e3o ao neoliberalismo e ao belicismo tiveram um bom desempenho eleitoral. Precisamos aprender esta li\u00e7\u00e3o e lev\u00e1-la \u00e0 pr\u00e1tica, tanto na Europa quanto no Brasil e em toda a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Infelizmente, o que constatamos no Brasil \u00e9 que o PT e seus aliados mais pr\u00f3ximos no governo Lula est\u00e3o longe de aprender esta li\u00e7\u00e3o. Muito pelo contr\u00e1rio: tal qual a derrotada social-democracia europeia, o governo Lula vem, medida ap\u00f3s medida, voltando as costas \u00e0s demandas populares e implantando o programa do capital. Exemplos n\u00e3o faltam: os mais recentes foram a atitude de desprezo e mesmo com ataques \u00e0 grande greve nacional da educa\u00e7\u00e3o federal e a amea\u00e7a de retirar os pisos constitucionais de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, para manter vi\u00e1vel o ultraliberal Novo Arcabou\u00e7o Fiscal (que n\u00e3o passa de um novo \u201cteto de gastos\u201d repaginado).<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 evidente: somente sendo radicalmente anti-imperialistas, antineoliberais, antibelicistas e anticapitalistas a esquerda e os comunistas ser\u00e3o capazes de barrar a ofensiva da onda mundial neofascista e apontar para a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo, causa \u00faltima de todo o sofrimento da humanidade. A postura de concilia\u00e7\u00e3o de classes e a submiss\u00e3o ao bloco no poder aprofunda a barb\u00e1rie, terreno ideal para o crescimento da extrema-direita.<\/p>\n<p>Secretaria de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais<br \/>\nComiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional<br \/>\nPartido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31765\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[73,37,242,18,9,146],"tags":[222,246],"class_list":["post-31765","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c86-anti-imperialismo","category-c42-comunistas","category-eipco","category-s22-europa","category-s10-internacional","category-internacionalismo","tag-2b","tag-np"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8gl","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31765"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31767,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31765\/revisions\/31767"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}