{"id":31781,"date":"2024-06-17T17:57:58","date_gmt":"2024-06-17T20:57:58","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31781"},"modified":"2024-06-17T17:57:58","modified_gmt":"2024-06-17T20:57:58","slug":"cuba-nunca-ficou-de-bracos-cruzados-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31781","title":{"rendered":"Cuba nunca ficou de bra\u00e7os cruzados \u2013 3"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31782\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31781\/f0044036\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/f0044036.jpg?fit=700%2C323&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"700,323\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"f0044036\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/f0044036.jpg?fit=700%2C323&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-31782\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/f0044036.jpg?resize=700%2C323&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"323\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/f0044036.jpg?w=700&amp;ssl=1 700w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/f0044036.jpg?resize=300%2C138&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Entrevista de Diaz Canel a Ignacio Ramonet &#8211; parte 3<\/strong><\/p>\n<p>Autor: Granma | internet@granma.cu<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Senhor Presidente, vamos passar \u00e0 terceira sess\u00e3o desta entrevista, que \u00e9 sobre pol\u00edtica internacional.<br \/>\nDurante anos, Cuba obteve uma grande vit\u00f3ria na Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas contra o bloqueio ilegal dos Estados Unidos contra o seu pa\u00eds, mas \u00e9 evidente que essa vit\u00f3ria n\u00e3o levou a resultados concretos, os Estados Unidos n\u00e3o cederam e n\u00e3o levantaram o bloqueio. Que novas iniciativas o senhor poderia anunciar para avan\u00e7ar no sentido de levantar o bloqueio? Pergunto-lhe, por exemplo, se j\u00e1 tentou falar diretamente com o presidente Biden?<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Ramonet, sua vis\u00e3o da quest\u00e3o \u00e9 verdadeira, o que tamb\u00e9m exige algumas reflex\u00f5es: como \u00e9 poss\u00edvel que a principal pot\u00eancia do mundo, ou a pot\u00eancia mais poderosa do mundo, n\u00e3o receba nenhum apoio, um apoio m\u00ednimo, s\u00f3 do Estado de Israel; o resto dos pa\u00edses votam a favor de Cuba em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o cubana contra o bloqueio, que \u00e9 apresentada ano ap\u00f3s ano na Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que no ano passado foi a 31\u00aa ocasi\u00e3o em que o bloqueio foi condenado por maioria, e n\u00e3o h\u00e1 resposta? Isso s\u00f3 demonstra a arrog\u00e2ncia do imp\u00e9rio e demonstra \u2013 algo que eu diria ser mais grave e com o qual todos deveriam ter aprendido uma li\u00e7\u00e3o \u2013 o desprezo pelas opini\u00f5es do resto do mundo. \u00c9 um desprezo por nossos povos, quando o mundo inteiro v\u00ea como um fato vergonhoso que um pequeno pa\u00eds seja submetido a um bloqueio criminoso e genocida, como o bloqueio do governo dos Estados Unidos contra Cuba, e faz ouvidos moucos a essa exig\u00eancia global.<\/p>\n<p>E observe que essa demanda n\u00e3o \u00e9 expressa apenas em uma vota\u00e7\u00e3o nas Na\u00e7\u00f5es Unidas; est\u00e1 se tornando cada vez mais comum que mais e mais pa\u00edses, organiza\u00e7\u00f5es de pa\u00edses, blocos regionais e institui\u00e7\u00f5es internacionais aprovem resolu\u00e7\u00f5es contra o bloqueio ou medidas condenando o bloqueio ano ap\u00f3s ano. Cada vez mais l\u00edderes de pa\u00edses na Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas est\u00e3o se manifestando contra o bloqueio com seus nomes e sobrenomes. Por exemplo, na \u00faltima Assembleia Geral da ONU, onde a quest\u00e3o do bloqueio foi debatida, 44 l\u00edderes de pa\u00edses de todo o mundo se manifestaram contra&#8230;<\/p>\n<p><strong>Ignacio Ramonet: Todos os tipos de ideologias.<\/strong><\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: De todos os tipos de ideologias, eles se manifestaram contra o bloqueio, por exemplo, a Uni\u00e3o Africana, o Grupo dos 77, a Celac, a ALBA, todos eles s\u00e3o blocos regionais. Um grupo de institui\u00e7\u00f5es, inclusive institui\u00e7\u00f5es que fizeram recomenda\u00e7\u00f5es ao Relat\u00f3rio do secret\u00e1rio-geral da ONU apoiando a posi\u00e7\u00e3o de Cuba contra o bloqueio. E h\u00e1 cada vez mais eventos, eu diria que j\u00e1 diariamente, de atividades de protesto contra o bloqueio que est\u00e3o ocorrendo dia ap\u00f3s dia, semana ap\u00f3s semana, fim de semana ap\u00f3s fim de semana, em todo o mundo. S\u00f3 no ano passado, registramos mais de 2.000 manifesta\u00e7\u00f5es de apoio a Cuba nesse sentido, e nos meses que se passaram neste ano houve in\u00fameros momentos de apoio contra o bloqueio.<br \/>\nFizemos saber, por meio de canais diretos e indiretos, \u00e0 atual administra\u00e7\u00e3o do Governo dos Estados Unidos que estamos dispostos a sentar-nos \u00e0 mesa em igualdade de condi\u00e7\u00f5es, sem imposi\u00e7\u00f5es e sem condi\u00e7\u00f5es, para falar sobre todos os temas que tenham a ver com o relacionamento entre Cuba e os Estados Unidos, todos os temas que queiram discutir, mas sem condi\u00e7\u00f5es e em igualdade de condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Porque, no final das contas, o bloqueio \u00e9, digamos, uma rela\u00e7\u00e3o unilateral: Cuba n\u00e3o afetou os Estados Unidos, Cuba n\u00e3o tomou nenhuma medida contra o governo dos Estados Unidos; foi o governo dos Estados Unidos que imp\u00f4s unilateralmente o bloqueio; portanto, \u00e9 o governo dos Estados Unidos que tem de remover unilateralmente o bloqueio. N\u00e3o estamos pedindo nenhum favor, nem temos que fazer nenhum gesto para que o bloqueio seja suspenso; \u00e9 simplesmente um direito do povo cubano. Um direito do povo cubano de poder se desenvolver em uma atmosfera de paz, de igualdade, sem medidas coercitivas, sem imposi\u00e7\u00f5es, e estamos dispostos a isso, mas o governo dos Estados Unidos nunca respondeu a isso.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Esta administra\u00e7\u00e3o atual?<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Esta administra\u00e7\u00e3o atual. Estamos convencidos de que o atual governo n\u00e3o tem vontade de mudar a situa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a Cuba, sobretudo porque priorizou sua pol\u00edtica em fun\u00e7\u00e3o dos interesses de uma minoria, que \u00e9 a m\u00e1fia cubano-norte-americana sediada na Fl\u00f3rida, e isso dificulta um relacionamento como o que queremos ter. Com diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas, que sempre teremos, mas um relacionamento civilizado entre vizinhos, onde poderia haver coopera\u00e7\u00e3o, interc\u00e2mbio econ\u00f4mico, comercial, cient\u00edfico, financeiro e cultural em todas as \u00e1reas da vida. Poderia ser um relacionamento normal, como o que os Estados Unidos t\u00eam com outro grupo de pa\u00edses que tamb\u00e9m n\u00e3o compartilham de suas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Pa\u00edses que tamb\u00e9m foram grandes advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Grandes advers\u00e1rios. Ent\u00e3o, por que com Cuba esse assanhamento? E levantamos a quest\u00e3o porque, al\u00e9m disso, fazemos a diferen\u00e7a, n\u00e3o temos nada contra o povo norte-americano, esse \u00e9 um problema com o governo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Como o senhor explica que o presidente Biden, que foi vice-presidente de Obama por dois mandatos e que Obama havia mudado a atmosfera, digamos, do relacionamento, e as rela\u00e7\u00f5es foram reatadas, tenha essa posi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: \u00c9 inexplic\u00e1vel. Obama come\u00e7ou a construir um relacionamento diferente.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: A esposa de Biden esteve em Cuba, ela teve uma rela\u00e7\u00e3o muito boa de experi\u00eancias, porque ela \u00e9 professora, como isso pode ser explicado?<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Isso s\u00f3 pode ser explicado pelo fato de que nos Estados Unidos a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 partid\u00e1ria, um democrata age da mesma forma que um republicano. H\u00e1 um complexo industrial militar, h\u00e1 outra estrutura de poder por tr\u00e1s dele, nas sombras, que determina as posi\u00e7\u00f5es do governo dos EUA, que s\u00e3o as posi\u00e7\u00f5es imperiais. E h\u00e1 essa situa\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o a um grupo de interesses, sobretudo por raz\u00f5es eleitorais, \u00e0s posi\u00e7\u00f5es da m\u00e1fia cubano-norte-americana.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: E o senhor tem alguma esperan\u00e7a de que nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es essa situa\u00e7\u00e3o vai mudar?<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Gostaria que ela mudasse e gostaria que pud\u00e9ssemos ter o espa\u00e7o para discutir todas as nossas posi\u00e7\u00f5es, cara a cara, e que houvesse outro tipo de relacionamento e que o bloqueio fosse levantado; mas minha convic\u00e7\u00e3o \u00e9 que temos de superar o bloqueio por n\u00f3s mesmos, com nossa capacidade, com nosso trabalho, com nosso talento, com nossa intelig\u00eancia e com nossos esfor\u00e7os, e essa seria a melhor resposta a essa teimosia em manter esse bloqueio genocida por tantos anos contra nosso povo.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Em particular, o que \u00e9 surpreendente \u00e9 que Biden manteve a lista de pa\u00edses que ajudam o terrorismo, que Trump adotou minutos antes de deixar a Casa Branca.<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Tudo, ele manteve tudo. Mas, al\u00e9m disso, o governo Biden teve express\u00f5es e a\u00e7\u00f5es muito perversas contra Cuba. Eu lhe falei sobre os ventiladores pulmonares durante a Covid-19. Na Covid-19, nossa usina de produ\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio medicinal foi afetada e, quando sa\u00edmos para comprar oxig\u00eanio medicinal de pa\u00edses da regi\u00e3o, onde poder\u00edamos ter o produto necess\u00e1rio no pa\u00eds em menos tempo, o governo dos Estados Unidos pressionou as empresas que poderiam nos fornecer oxig\u00eanio medicinal para impedir que esse oxig\u00eanio chegasse a Cuba; essa \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o totalmente criminosa. Imagine que, em meio a uma pandemia, com enfermarias de tratamento intensivo, com pessoas com problemas respirat\u00f3rios, essas pessoas n\u00e3o pudessem ser atendidas, estavam sendo condenadas \u00e0 morte. Tivemos que fazer um esfor\u00e7o enorme, com a ajuda de outros pa\u00edses, para superar essa situa\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 algo que n\u00e3o se esquece, Ramonet, foi uma a\u00e7\u00e3o t\u00e3o perversa. A maneira como eles manipularam a situa\u00e7\u00e3o da Covid-19 em Cuba, quando tinham uma situa\u00e7\u00e3o mais complexa do que a nossa. N\u00f3s lidamos com a resposta \u00e0 Covid-19 melhor do que o pr\u00f3prio governo dos EUA, que tem dinheiro e riqueza. Eles convocaram o SOS Cuba, toda a manipula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, todos os eventos de 11 de julho. Hoje, s\u00e3o t\u00e3o c\u00ednicos que s\u00e3o capazes de afirmar que n\u00e3o chegaram a outro ponto no relacionamento com Cuba por causa do que aconteceu em 11 de julho. Isso \u00e9 tamanho cinismo e tamanha mentira com a qual eles querem justificar sua posi\u00e7\u00e3o perante o mundo.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Especialmente o que o senhor diz sobre o oxig\u00eanio, eles afirmam que o bloqueio n\u00e3o se aplica a alimentos ou medicamentos, e isso obviamente mostra que isso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Sim, o bloqueio \u00e9 aplicado a tudo.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Pode haver alguma esperan\u00e7a nessa informa\u00e7\u00e3o que temos, que est\u00e1 circulando no momento, e que \u00e9 a de que o presidente Biden anunciar\u00e1 nas prim\u00e1rias quem ser\u00e1 seu vice-presidente, que n\u00e3o ser\u00e1 mais Kamala Harris, mas Michelle Obama. Voc\u00ea acha que se isso fosse verdade, se fosse confirmado, deixaria alguma esperan\u00e7a?<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Acho que hoje tudo \u00e9 puramente especulativo, acho que hoje, na situa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, na situa\u00e7\u00e3o interna do pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever objetivamente de que lado o voto da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel ou n\u00e3o, que, al\u00e9m disso, hoje \u00e9 muito afetado pelos acontecimentos da economia interna dos Estados Unidos; quest\u00f5es muito dom\u00e9sticas, como a quest\u00e3o do aborto; quest\u00f5es internacionais, como a Palestina, a quest\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia. Em outras palavras, h\u00e1 todo um grupo de situa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o na opini\u00e3o do povo norte-americano, na vida do povo norte-americano, e n\u00e3o acho que hoje seja poss\u00edvel dizer exatamente de que lado o voto do povo norte-americano pode estar. H\u00e1 muitas pessoas indecisas, h\u00e1 posi\u00e7\u00f5es dentro dos pr\u00f3prios partidos para se isolar da posi\u00e7\u00e3o. De qualquer forma, um an\u00fancio feito por uma pessoa como Michelle Obama poderia ter uma leitura diferente.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Senhor presidente, o senhor est\u00e1 voltando de Moscou, onde, al\u00e9m de participar da cerim\u00f4nia de comemora\u00e7\u00e3o da Vit\u00f3ria sobre o Nazismo, tamb\u00e9m participou da posse do presidente Putin e discursou na sess\u00e3o plen\u00e1ria do Conselho Econ\u00f4mico Supremo da Eur\u00e1sia. O senhor est\u00e1 em busca de novas alian\u00e7as econ\u00f4micas? Cuba est\u00e1 contando com a ades\u00e3o \u00e0 plataforma BRICS de uma forma ou de outra?<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Essa foi uma viagem muito interessante, porque foi uma viagem de anivers\u00e1rios, eu diria, de certa forma, e de eventos interessantes e importantes. Em primeiro lugar, chegamos a Moscou no momento em que o presidente Putin estava na cerim\u00f4nia de posse, n\u00e3o fomos convidados e n\u00e3o participamos, em outras palavras, foi uma cerim\u00f4nia muito interna. Muito particular para o pa\u00eds, mas est\u00e1vamos presentes nessa viagem \u00e0 R\u00fassia, a convite do presidente Putin. Portanto, participamos do Conselho Supremo da Uni\u00e3o Econ\u00f4mica Eurasi\u00e1tica, pela primeira vez, pessoalmente, porque todas as outras participa\u00e7\u00f5es que tivemos no Conselho Supremo foram nos anos da Covid-19 e fizemos isso virtualmente por meio das possibilidades de videoconfer\u00eancia. Portanto, n\u00e3o se trata de entrar em uma nova alian\u00e7a, \u00e9 uma alian\u00e7a que temos h\u00e1 muito tempo. E quando o Conselho Supremo se reuniu, era o d\u00e9cimo anivers\u00e1rio da cria\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Econ\u00f4mica Eurasi\u00e1tica. Portanto, era tamb\u00e9m o momento de fazer um balan\u00e7o dos resultados dessa integra\u00e7\u00e3o regional, na qual temos o status de pa\u00eds observador. E era a mesma data em que se comemorava o 64\u00ba anivers\u00e1rio do estabelecimento das rela\u00e7\u00f5es entre a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e Cuba, que s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es que agora continuam com a Federa\u00e7\u00e3o Russa, mas com um elemento importante: os pa\u00edses membros da Uni\u00e3o Eurasi\u00e1tica \u2013 e essa foi uma observa\u00e7\u00e3o feita a mim por Lukashenko, o presidente da Bielorr\u00fassia \u2013 eram ex-rep\u00fablicas da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, ent\u00e3o Lukashenko me disse: \u00abEste anivers\u00e1rio \u00e9 de todos, porque todos n\u00f3s tamb\u00e9m faz\u00edamos parte da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica\u00bb.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet &#8211; Membros da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Acredito que em dez anos a Uni\u00e3o Eurasi\u00e1tica demonstrou uma capacidade de dinamismo econ\u00f4mico e comercial significativa, e o Produto Interno Bruto desses pa\u00edses da regi\u00e3o cresceu muito, e ela defende princ\u00edpios muito justos em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento econ\u00f4mico e \u00e0 complementaridade entre esses pa\u00edses. Para n\u00f3s, \u00e9 um espa\u00e7o de oportunidades, pois podemos contribuir principalmente em \u00e1reas como a biotecnologia e a ind\u00fastria farmac\u00eautica, podemos aproveitar esse espa\u00e7o para ter nossos medicamentos reconhecidos pelas ag\u00eancias reguladoras desses pa\u00edses e tamb\u00e9m entrar em um mercado mais acess\u00edvel para n\u00f3s, pois eles tamb\u00e9m t\u00eam inten\u00e7\u00f5es e necessidades para esses medicamentos e para a transfer\u00eancia de tecnologias e para a realiza\u00e7\u00e3o de investimentos conjuntos. Isso tamb\u00e9m abre espa\u00e7o para que os investidores desses pa\u00edses participem de programas de desenvolvimento econ\u00f4mico e social em nosso pa\u00eds. E h\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o da soberania alimentar para compartilhar com eles, que \u00e9 um dos pontos de toda a Uni\u00e3o; a quest\u00e3o da sustentabilidade ambiental, ou seja, o desenvolvimento sustent\u00e1vel e o respeito ao meio ambiente e o desenvolvimento de uma cultura de sustentabilidade, que tamb\u00e9m \u00e9 um princ\u00edpio que levamos em conta em nosso desenvolvimento; a soberania alimentar e o desenvolvimento de fontes de energia renov\u00e1veis. Portanto, esse \u00e9 um espa\u00e7o importante para n\u00f3s. Acredito que o BRICS \u00e9 uma das alternativas no mundo de hoje, um bloco de pa\u00edses que abre uma expectativa de ruptura com a hegemonia norte-americana nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. Portanto, os BRICS se tornaram um espa\u00e7o alternativo e inclusivo; os BRICS est\u00e3o abertos aos pa\u00edses do Sul.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Eles acabaram de ser ampliados em 1\u00ba de janeiro passado.<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Os BRICS acabaram de se expandir, demonstraram disposi\u00e7\u00e3o para estabelecer rela\u00e7\u00f5es com o continente africano, com a Am\u00e9rica Latina e o Caribe; est\u00e3o estabelecendo uma rela\u00e7\u00e3o baseada em mais consenso, mais equidade, mais respeito. Por outro lado, os BRICS tamb\u00e9m est\u00e3o propondo uma alternativa ao d\u00f3lar e est\u00e3o promovendo o com\u00e9rcio com as moedas pr\u00f3prias de cada pa\u00eds ou o com\u00e9rcio compensado com base no interc\u00e2mbio de produtos e servi\u00e7os gerados por cada um dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Tamb\u00e9m t\u00eam um Banco de Desenvolvimento, presidido por Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Eles t\u00eam um Banco de Desenvolvimento presidido por Dilma, que \u00e9 uma l\u00edder reconhecida com uma vis\u00e3o pol\u00edtica dos problemas do Sul. E os cinco pa\u00edses que eles lideraram, fundadores do BRICS, s\u00e3o pa\u00edses que mant\u00eam um excelente relacionamento com Cuba. Estamos estudando, estamos observando, e tamb\u00e9m estamos comentando agora, na reuni\u00e3o com o presidente Putin, que Cuba aspira a poder se unir aos BRICS.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: A pr\u00f3xima C\u00fapula ser\u00e1 na R\u00fassia, precisamente em outubro, em Kazan, o senhor pretende participar, presidente?<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Tudo depende agora do desenrolar dos acontecimentos.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Parece que eles querem criar um novo tipo de membro, que seria um parceiro ou membro associado, e haveria espa\u00e7o para Cuba.<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Haveria espa\u00e7o para Cuba e isso tamb\u00e9m depende do consenso alcan\u00e7ado com os pa\u00edses que lideram os BRICS; mas, por exemplo, eles foram muito coerentes e permitiram que Cuba participasse da C\u00fapula da \u00c1frica do Sul, n\u00e3o apenas como pa\u00eds, mas tamb\u00e9m representando o Grupo dos 77 e a China, porque naquele momento \u00e9ramos presidente pro tempore, e \u00e9 preciso dizer que eles prestaram muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0s propostas do Grupo dos 77 e da China que Cuba apresentou em seu nome, e tamb\u00e9m \u00e0 posi\u00e7\u00e3o cubana. Acredito que este \u00e9 um ambiente muito favor\u00e1vel para as rela\u00e7\u00f5es Sul-Sul e que abre uma nova perspectiva para a Nova Ordem Econ\u00f4mica Internacional que \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Senhor presidente, estamos chegando ao fim desta entrevista, a \u00faltima pergunta \u00e9 sobre a Am\u00e9rica Latina.<br \/>\nAs crises se multiplicam na Am\u00e9rica Latina e no Caribe; houve aquele assalto \u00e0 embaixada do M\u00e9xico no Equador; o Comando Sul dos Estados Unidos est\u00e1 criando bases militares na Guiana, o que representa uma amea\u00e7a para a Venezuela e sua reivindica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da regi\u00e3o do Essequibo; na Argentina, o presidente Javier Milei est\u00e1 destruindo d\u00e9cadas de progresso social; no Haiti, as dificuldades n\u00e3o t\u00eam fim \u00e0 vista. Qual \u00e9 a sua leitura dessas situa\u00e7\u00f5es? E o que Cuba pode contribuir para promover a soberania, a paz e o progresso nesta regi\u00e3o?<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Essa \u00e9 uma express\u00e3o de todas as contradi\u00e7\u00f5es que existem em n\u00edvel global e que tamb\u00e9m se manifestam, em n\u00edvel regional, no caso da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Acho que tamb\u00e9m \u00e9 uma express\u00e3o da persist\u00eancia do imp\u00e9rio em manter a Doutrina Monroe, com esse conceito imperialista de Am\u00e9rica para os americanos, que n\u00e3o \u00e9 a Am\u00e9rica Latina e o Caribe para todos n\u00f3s que vivemos no continente; \u00e9 a Am\u00e9rica Latina e o Caribe subordinados \u00e0 Am\u00e9rica do Norte e ao poder do imp\u00e9rio. Portanto, isso tamb\u00e9m \u00e9 uma express\u00e3o da vis\u00e3o norte-americana de desprezo por nossos povos e da vis\u00e3o norte-americana da Am\u00e9rica Latina e do Caribe como seu quintal. Ora bem, uma Am\u00e9rica Latina e o Caribe que, por um lado, t\u00eam um grupo de governos que mantiveram processos revolucion\u00e1rios submetidos aos maiores reveses, press\u00f5es, san\u00e7\u00f5es, insultos, agress\u00f5es e interfer\u00eancias, como Cuba, Venezuela e Nicar\u00e1gua: Cuba, Venezuela e Nicar\u00e1gua. Todo um grupo de governos progressistas que tamb\u00e9m proporcionam uma correla\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel de for\u00e7as de esquerda na regi\u00e3o latino-americana, tais como: o Estado Plurinacional da Bol\u00edvia; Lula no Brasil; L\u00f3pez Obrador; Xiomara em Honduras; Boric no Chile; Petro na Col\u00f4mbia, que ajudam a criar estabilidade e facilidade de coopera\u00e7\u00e3o e interc\u00e2mbio. Mas os Estados Unidos n\u00e3o ficam parados com isso e est\u00e3o constantemente tentando mobilizar for\u00e7as de direita com mecanismos, eu diria, tamb\u00e9m muito sujos, para provocar instabilidade nesses pa\u00edses, para impedir que processos de esquerda ou governos de esquerda permane\u00e7am no poder e para incentivar que, onde a esquerda perdeu o poder e a direita se instalou, a direita n\u00e3o perca o poder.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Que se mantenha.<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: E que essa direita \u00e9 uma direita totalmente submissa ao governo dos Estados Unidos e aos des\u00edgnios dos Estados Unidos, e que tamb\u00e9m est\u00e1 provocando disputas em certas quest\u00f5es que t\u00eam um componente hist\u00f3rico; incentivando rupturas, difamando, alimentando divis\u00f5es para provocar a desuni\u00e3o na regi\u00e3o. O que isso explica \u00e9 que hoje existem alguns governos que facilitam toda a pol\u00edtica dos Estados Unidos no continente, incluindo governos que favorecem a presen\u00e7a de tropas da OTAN no territ\u00f3rio da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, governos que negam o direito \u00e0 soberania e \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios de seu pr\u00f3prio pa\u00eds nos quais houve guerras e onde h\u00e1 her\u00f3is e m\u00e1rtires que morreram pela independ\u00eancia desses territ\u00f3rios, pela soberania desses territ\u00f3rios, e o que est\u00e3o fazendo \u00e9 bajular as pot\u00eancias que se tornaram a metr\u00f3pole desses espa\u00e7os geogr\u00e1ficos que pertencem \u00e0 regi\u00e3o, em algo que se pode considerar totalmente absurdo, irracional e antipatri\u00f3tico. Governos que, al\u00e9m disso, t\u00eam uma proje\u00e7\u00e3o na m\u00eddia onde expressam seus princ\u00edpios, mas totalmente ofensivos e insultantes contra aqueles que pensam de forma diferente, contra aqueles que pensam em fazer as coisas de uma forma diferente ou contra aqueles que defendem outra forma de construir o mundo. Eu sempre aspiro e dedicaremos todos os nossos esfor\u00e7os a esse mundo melhor que \u00e9 poss\u00edvel e para o qual Fidel nos chamou. Quando temos que defender uma posi\u00e7\u00e3o, n\u00f3s a defendemos com firmeza e quando temos que discutir uma posi\u00e7\u00e3o, n\u00f3s a discutimos com firmeza; mas n\u00e3o somos dados ao espet\u00e1culo da m\u00eddia, aos insultos, \u00e0s ofensas, a esse tipo de, eu diria, vulgaridade pol\u00edtica a que outros no mundo se prestam.<\/p>\n<p>Como posi\u00e7\u00e3o de Cuba, sempre manteremos e defenderemos, com os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, o respeito \u00e0 soberania e \u00e0 independ\u00eancia desses pa\u00edses; o respeito \u00e0 sua autodetermina\u00e7\u00e3o sobre o sistema sociopol\u00edtico que adotam, e a disposi\u00e7\u00e3o, independentemente de sistemas e ideologias, de manter as rela\u00e7\u00f5es mais respeitosas, solid\u00e1rias e cooperativas com qualquer um desses pa\u00edses, e temos o mesmo com a maioria deles. Nunca rompemos rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses latino-americanos e tentamos resolver, por meio do di\u00e1logo, da discuss\u00e3o, da argumenta\u00e7\u00e3o, qualquer quest\u00e3o sobre a qual possamos ter alguma diferen\u00e7a, sobre a qual possamos ter posi\u00e7\u00f5es divergentes. Acredito que as express\u00f5es de solidariedade de Cuba com a Am\u00e9rica Latina e o Caribe s\u00e3o eloquentes de sua coer\u00eancia com essas convic\u00e7\u00f5es. Enviamos m\u00e9dicos e professores, colaboradores internacionalistas tamb\u00e9m em engenharia e em outros campos da economia e da sociedade para v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe.<\/p>\n<p>N\u00e3o enviamos for\u00e7as militares ou armadas ao Haiti, nem invadimos; temos brigadas m\u00e9dicas no Haiti. Hoje, em meio a essa situa\u00e7\u00e3o no Haiti, quando muitos est\u00e3o pensando em intervir no Haiti ou interferir nos assuntos internos do Haiti, temos uma brigada m\u00e9dica prestando servi\u00e7os ao povo haitiano, um povo que, na minha opini\u00e3o, merece o maior respeito por tudo o que sofreu por ter sido a primeira na\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o a desenvolver uma revolu\u00e7\u00e3o. Um povo digno, um povo que foi submetido a interven\u00e7\u00f5es durante muito tempo; um povo que teve de pagar uma d\u00edvida por sua liberdade, o que \u00e9 totalmente injusto. Em outras palavras, deve haver uma repara\u00e7\u00e3o para o Haiti, assim como deve haver uma repara\u00e7\u00e3o pela escravid\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos povos do Caribe, que est\u00e3o constantemente sujeitos \u00e0 press\u00e3o do governo dos Estados Unidos para romper a unidade com o restante da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Temos um relacionamento de gratid\u00e3o, al\u00e9m de uma enorme amizade e fraternidade com o governo de L\u00f3pez Obrador e com o M\u00e9xico. O relacionamento entre Cuba e M\u00e9xico \u00e9 \u00edntimo e hist\u00f3rico, \u00e9 um relacionamento de irm\u00e3os, \u00e9 um relacionamento familiar. O M\u00e9xico foi o \u00fanico pa\u00eds que n\u00e3o rompeu rela\u00e7\u00f5es com Cuba quando o governo dos Estados Unidos pediu a toda a OEA que rompesse rela\u00e7\u00f5es com Cuba. Defendemos a causa da Venezuela, a revolu\u00e7\u00e3o chavista, a unidade civil-militar e apoiamos o presidente Maduro, que eles at\u00e9 tentaram assassinar.<\/p>\n<p>Apoiamos a Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista; exigimos a autodetermina\u00e7\u00e3o de Porto Rico; defendemos os princ\u00edpios do Estado Plurinacional da Bol\u00edvia. Estamos muito interessados no papel desempenhado por Xiomara em Honduras, e tamb\u00e9m em seu papel \u00e0 frente da Celac; no momento, temos uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima com Lula. Com os pa\u00edses da Caricom, enfim, com toda a Am\u00e9rica Latina e o Caribe; mas sempre com base no respeito, na solidariedade, na amizade e no di\u00e1logo para resolver qualquer situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPor outro lado, pretendemos defender a Proclama\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e do Caribe como Zona de Paz, que foi aprovada, precisamente, em uma C\u00fapula da Celac, em Havana.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m defendemos a integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, que responde aos sonhos de nossos her\u00f3is, responde aos mais altos ideais da integra\u00e7\u00e3o latino-americana, e estou pensando neste momento em Jos\u00e9 Mart\u00ed e Sim\u00f3n Bol\u00edvar. Jos\u00e9 Mart\u00ed, que sempre falou com tanto respeito de Nossa Am\u00e9rica e estava definindo muito bem o que era Nossa Am\u00e9rica; e Bol\u00edvar, que lutou pela independ\u00eancia de muitos pa\u00edses latino-americanos. Acredito que liderar pelo exemplo \u00e9 o maior apoio que podemos dar \u00e0 unidade latino-americana.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Isso Fidel sempre defendeu.<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: Que Fidel sempre defendeu, ele nos ensinou a defend\u00ea-la, e Ra\u00fal tamb\u00e9m a defendeu. Ramonet, quando falamos de sonhos, de aspira\u00e7\u00f5es, temos uma hist\u00f3ria t\u00e3o comum, uma cultura t\u00e3o comum, povos t\u00e3o maravilhosos, trabalhadores, inteligentes e criativos. Eu lhe digo que as culturas pr\u00e9-colombianas da Am\u00e9rica Latina n\u00e3o t\u00eam nada a invejar das culturas da Mesopot\u00e2mia ou da Gr\u00e9cia antiga. Essas foram as primeiras a serem conhecidas, mas quando voc\u00ea volta \u00e0 hist\u00f3ria, v\u00ea que as nossas, em seu desenvolvimento, em como mediam o tempo, como canalizavam a \u00e1gua, como produziam, seu desenvolvimento, eram t\u00e3o desenvolvidas quanto aquelas, e elas fazem parte de nossas ra\u00edzes, e voc\u00ea pode v\u00ea-las em qualquer um dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Nossa riqueza cultural, o pensamento avan\u00e7ado na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, as abordagens dos pensadores latino-americanos, dos fil\u00f3sofos latino-americanos, do setor acad\u00eamico latino-americano, s\u00e3o posi\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas, de muito estudo, de muita coer\u00eancia, de muita defesa das ra\u00edzes da identidade latino-americana e caribenha e, al\u00e9m disso, \u00e9 um continente com recursos, que infelizmente hoje \u00e9 onde se manifesta o maior grau de desigualdade entre seus povos.<\/p>\n<p>Estou convencido de que, com todas essas virtudes, com toda essa riqueza \u2013 e \u00e9 com isso que eu sonho \u2013 o continente latino-americano poderia estar t\u00e3o integrado que poderia ser um exemplo para o mundo inteiro do que pode contribuir para a condi\u00e7\u00e3o humana, para o futuro, para os sonhos de emancipa\u00e7\u00e3o, para colocar o ser humano no centro de tudo o que \u00e9 feito para o mundo. Acredito que esse momento chegar\u00e1, mais cedo ou mais tarde, porque nossos povos est\u00e3o exigindo muita justi\u00e7a, pois passaram por muitas situa\u00e7\u00f5es complexas: sofreram agress\u00f5es, sofreram desprezo, sofreram interven\u00e7\u00f5es, sofreram pr\u00e1ticas de desigualdade, foram exclu\u00eddos de processos, foram exclu\u00eddos de possibilidades. Ainda h\u00e1 muito analfabetismo a ser resolvido na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, ainda h\u00e1 muito progresso a ser feito em quest\u00f5es de g\u00eanero, muito a ser alcan\u00e7ado para a emancipa\u00e7\u00e3o das maravilhosas mulheres latino-americanas e caribenhas, muito a ser conquistado em termos de igualdade para todos os nossos povos e em termos de justi\u00e7a social. Mas existe o potencial hist\u00f3rico, o potencial cultural.<\/p>\n<p>Ignacio Ramonet: Existe o desejo.<\/p>\n<p>Miguel M. D\u00edaz-Canel: O desejo de faz\u00ea-lo, e acredito que continuaremos avan\u00e7ando na integra\u00e7\u00e3o e que essa \u00e9 a mensagem, a convic\u00e7\u00e3o, o apoio e o exemplo que Cuba pode dar. Um pa\u00eds latino-americano nunca sentir\u00e1 que Cuba \u00e9 um perigo para ele; pelo contr\u00e1rio, em Cuba sempre encontrar\u00e1 apoio, compreens\u00e3o e disposi\u00e7\u00e3o para se integrar e avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/pt.granma.cu\/cuba\/2024-05-17\/cuba-nunca-ficou-de-bracos-cruzados\">https:\/\/pt.granma.cu\/cuba\/2024-05-17\/cuba-nunca-ficou-de-bracos-cruzados<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31781\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[14,48,47,77],"tags":[228],"class_list":["post-31781","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s16-caribe","category-c58-cuba","category-c57-revolucao-cubana","category-c90-solidariedade-a-cuba","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8gB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31781"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31781\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31784,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31781\/revisions\/31784"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}