{"id":318,"date":"2010-03-09T05:05:59","date_gmt":"2010-03-09T05:05:59","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=318"},"modified":"2010-03-09T05:05:59","modified_gmt":"2010-03-09T05:05:59","slug":"8-de-marco-dia-internacional-de-luta-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/318","title":{"rendered":"8 DE MAR\u00c7O: DIA INTERNACIONAL DE LUTA DAS MULHERES"},"content":{"rendered":"\n<p>Assim \u00e9 necess\u00e1rio esclarecer o terreno sob o qual se coloca a quest\u00e3o de g\u00eanero, ou seja, as rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres que na nossa perspectiva s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es sociais. A domina\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o sobre as mulheres \u00e9 um processo que assumiu diferentes formas ao longo da hist\u00f3ria da humanidade. Se na Gr\u00e9cia Antiga, por exemplo, em Atenas as mulheres n\u00e3o eram consideradas cidad\u00e3s dignas de participar da vida pol\u00edtica da polis e serviam simplesmente \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica da vida, em Esparta as mulheres tinham uma participa\u00e7\u00e3o diferenciada, pois eram fundamentais na educa\u00e7\u00e3o e, portanto na reprodu\u00e7\u00e3o social da vida at\u00e9 os sete anos da crian\u00e7a, j\u00e1 que a cidade priorizava a educa\u00e7\u00e3o militar. J\u00e1 na Idade M\u00e9dia as mulheres v\u00e3o aparecer na cena hist\u00f3rica como bem e pass\u00edvel de negocia\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas; aparecem tamb\u00e9m como bruxas e ser\u00e3o ca\u00e7adas pela Igreja durante a Inquisi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que detinham conhecimentos adquiridos por conta de sua fun\u00e7\u00e3o social que desafiavam a ideologia dominante naquele momento.<\/p>\n<p>De fato ent\u00e3o temos sim a domina\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o das mulheres como algo muito al\u00e9m do capitalismo, porque a primeira divis\u00e3o do trabalho teve base na divis\u00e3o sexual do trabalho, entre o homem direcionado \u00e0 ca\u00e7a e a mulher restrita \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o da vida e aos cuidados da \u201ccasa\u201d. Entretanto, o capitalismo vai se apropriar de maneira particular desse processo e assimil\u00e1-lo como um dos pilares da domina\u00e7\u00e3o de classe. O trip\u00e9 Estado, Igreja e Fam\u00edlia d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o particular \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas de produ\u00e7\u00e3o no sentido de garantir a propriedade privada e a acumula\u00e7\u00e3o de capital, restringindo \u00e0s mulheres a uma condi\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o ainda maior atualmente sob o v\u00e9u da igualdade de direitos conquistada com a luta das mulheres durante o s\u00e9culo XX. As mulheres agora inseridas do mercado de trabalho reproduzem antigas fun\u00e7\u00f5es sociais como trabalho (dom\u00e9stica, profiss\u00f5es ligadas \u00e0 ind\u00fastria t\u00eaxtil e de alimenta\u00e7\u00e3o) colaborando para a acumula\u00e7\u00e3o direta de capital ou ainda indireta nos casos em que ainda restrita ao lar s\u00e3o respons\u00e1veis pela reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho masculina. Em casos em que houve a feminiza\u00e7\u00e3o de profiss\u00f5es, como com professores e banc\u00e1rios no Brasil, serviu \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios j\u00e1 que ela participa do mercado de trabalho como Mao de obra barata. Portanto, se por um lado ser inserida no mercado de trabalho foi uma conquista, por outro foi uma forma de intensificar a explora\u00e7\u00e3o, articulando, portanto, a dimens\u00e3o de classe com a dimens\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Nesse sentido \u00e9 importante lembrar que o dia 08 de mar\u00e7o foi uma data sugerida por Clara Zetkin, uma comunista Alem\u00e3, durante a II Confer\u00eancia Internacional das Mulheres Socialistas em 1910 em decorr\u00eancia das in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es que ocorriam no mundo inteiro propunha marcar a luta das mulheres por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, fim da opress\u00e3o e direito ao voto feminino. Por considerar o contexto hist\u00f3rico de sua cria\u00e7\u00e3o e de seu desenvolvimento ao longo do s\u00e9culo XX, devemos encarar o 08 de mar\u00e7o como uma constru\u00e7\u00e3o da luta das mulheres e n\u00e3o apenas como data comemorativa, bem como n\u00e3o pens\u00e1-lo somente como um dia, mas como resultado de um processo que deve ser permanentemente reavaliado entre seus progressos e retrocessos pelas feministas com objetivo de avan\u00e7ar nessa luta.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 preciso lembrar que a luta feminista tem suas vertentes e aqui vamos defender n\u00e3o o feminismo burgu\u00eas. A democracia burguesa promete e diz garantir a igualdade e a liberdade das mulheres, mas o que vemos na pr\u00e1tica \u00e9 que as mulheres ainda s\u00e3o escravas do trabalho dom\u00e9stico, seja ele um dever de casa imposto socialmente ou uma profiss\u00e3o de fato; preenchem cada vez mais as fileiras do trabalho precarizado, com poucos ou quase nada de direito por conta dos mecanismos que o capitalismo encontra para explorar a classe trabalhadora (cooperativas, trabalho informal, etc.), se submetendo a sal\u00e1rios inferiores aos dos homens nos mesmos cargos e sofrendo constantemente no ambiente de trabalho e nos espa\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ass\u00e9dio sexual e discrimina\u00e7\u00e3o; s\u00e3o levadas a reproduzir ideologicamente a educa\u00e7\u00e3o machista e homof\u00f3bica que o Estado e as demais institui\u00e7\u00f5es sociais difundem por conta de que o processo de socializa\u00e7\u00e3o \u00e9 sutil, ao mesmo tempo em que violento; n\u00e3o t\u00eam garantido os direitos de reprodu\u00e7\u00e3o sexual em termos de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, seja em casos de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 concep\u00e7\u00e3o como em casos de interrup\u00e7\u00e3o de gravidez, se submetendo a situa\u00e7\u00f5es constrangedoras do ponto de vista psicol\u00f3gico e colocando sua vida em risco; s\u00e3o alvo constante de explora\u00e7\u00e3o sexual e viol\u00eancia dom\u00e9stica, bem como est\u00e3o constantemente expostas \u00e0 mercantiliza\u00e7\u00e3o de seu corpo.<\/p>\n<p>Enquanto comunistas, n\u00e3o queremos somente a igualdade de direitos. N\u00e3o queremos que as nossas conquistas se reduzam \u00e0 quest\u00e3o meramente jur\u00eddica, legal. Porque o capitalismo \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem e, portanto, as quest\u00f5es pertinentes \u00e0s mulheres se potencializam por conta da domina\u00e7\u00e3o de classe. Lutamos pela liberta\u00e7\u00e3o das mulheres e homens de toda e qualquer forma de domina\u00e7\u00e3o, subordina\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o, seja ela de g\u00eanero, etnia ou op\u00e7\u00e3o sexual, porque a nossa luta, guardada sua particularidade, \u00e9 acima de tudo de classe, \u00e9 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista. Nossa conquista deve ser no sentido de transforma\u00e7\u00f5es objetivas e subjetivas que garantam a todos e todas as diferen\u00e7as, sem que estas se traduzam em domina\u00e7\u00e3o e subordina\u00e7\u00e3o de um pelo outro.<\/p>\n<p>N\u00e3o compartilhamos tamb\u00e9m de um feminismo sexista porque n\u00e3o identificamos nosso inimigo no homem, mas sim o queremos nas fileiras n\u00e3o s\u00f3 das lutas de classes, como na luta pelo fim do machismo, da viol\u00eancia e opress\u00e3o \u00e0 mulher. Por tudo isso, n\u00e3o defendemos a organiza\u00e7\u00e3o independente de mulheres, sem vincula\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria ou ideol\u00f3gica: a luta das mulheres \u00e9 a parte integrante da luta de classes e, portanto, para que seja extinta a explora\u00e7\u00e3o sobre seu corpo e sua alma, deve ser uma luta revolucion\u00e1ria: OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!<\/p>\n<p>A luta das mulheres no s\u00e9culo XXI ainda est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o. Carrega todo o peso da hist\u00f3ria de luta das mulheres do mundo inteiro. Ainda traz no bojo da luta feminista socialista as mesmas bandeiras t\u00e1ticas protagonizadas pela Segunda Internacional, tais como direito a creche, sal\u00e1rios iguais, direito ao aborto legal e seguro, fim da viol\u00eancia dom\u00e9stica e da explora\u00e7\u00e3o sexual, luta pela paz dos povos oprimidos, entre outras. Bandeiras que ainda pertinentes devem ser enquadradas de acordo com o avan\u00e7o da nossa luta, com a nossa conjuntura atual e com as demandas hist\u00f3ricas que se imp\u00f5em para a classe trabalhadora, ou seja, devem estar no escopo das lutas de classes, pois somente a extin\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o de classes promove a emancipa\u00e7\u00e3o plena da mulher. Essa \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o inicial e necess\u00e1ria para que possamos garantir que a plena subvers\u00e3o da ordem e a constru\u00e7\u00e3o de outra sociedade livre da explora\u00e7\u00e3o do trabalho pelo Capital, leve no bojo das lutas de classes a luta das mulheres: muito mais do que uma luta de g\u00eanero, por demandas espec\u00edficas perfeitamente poss\u00edveis de serem apropriadas como bandeira do Capital, queremos uma luta de classes que supere as desigualdades de g\u00eanero imbricadas nas desigualdades de classes. Que se mantenham as diferen\u00e7as, porque somos diferentes, mas que elas jamais se reproduzam nas nossas lutas em termos de domina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma luta contra o sectarismo, contra a tentativa de guetizar o espec\u00edfico que \u00e9 uma luta geral de nossa classe. Uma luta das mulheres e dos homens que devem lutar pela Revolu\u00e7\u00e3o socialista e feminista.<\/p>\n<p>PCB \u2013 Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional do CC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n(Nota Pol\u00edtica do PCB)\nOUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!\n\u00c9 muito comum encontrarmos pessoas explicando a viol\u00eancia e a opress\u00e3o \u00e0s mulheres ou como algo que ocorre desde o princ\u00edpio da humanidade, sendo natural em todas as sociedades e buscando para isso argumentos dos mais diferentes poss\u00edveis, desde religiosos (a mulher \u00e9 o fruto do pecado) at\u00e9 cient\u00edficos (existem diferen\u00e7as biol\u00f3gicas que explicam as atitudes de mulheres e homens); ou que esse processo \u00e9 produto do capitalismo e aqui, tanto para aqueles que se posicionam \u00e0 esquerda quanto para a direita, prop\u00f5em-se solu\u00e7\u00f5es reducionistas para a quest\u00e3o de g\u00eanero. Mas \u00e9 preciso dizer ainda que essas formas de encarar a quest\u00e3o podem aparecer muitas vezes compartilhadas e gerar uma confus\u00e3o ainda maior que tem em si um conte\u00fado ideol\u00f3gico que n\u00e3o avan\u00e7a em nada a nossa luta. Pelo contr\u00e1rio reproduzem de forma mais intensa e sutil a explora\u00e7\u00e3o e a domina\u00e7\u00e3o das mulheres.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/318\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-318","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-58","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=318"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}