{"id":31801,"date":"2024-06-22T21:22:00","date_gmt":"2024-06-23T00:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31801"},"modified":"2024-06-22T21:22:00","modified_gmt":"2024-06-23T00:22:00","slug":"o-fascismo-e-a-tropa-de-choque-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31801","title":{"rendered":"O fascismo \u00e9 a tropa de choque do capitalismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31802\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31801\/309158656_3063298370467608_5414981898088490589_n\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/309158656_3063298370467608_5414981898088490589_n.jpg?fit=2048%2C1921&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"2048,1921\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"309158656_3063298370467608_5414981898088490589_n\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/309158656_3063298370467608_5414981898088490589_n.jpg?fit=747%2C701&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-31802\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/309158656_3063298370467608_5414981898088490589_n.jpg?resize=747%2C701&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"701\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/309158656_3063298370467608_5414981898088490589_n.jpg?resize=900%2C844&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/309158656_3063298370467608_5414981898088490589_n.jpg?resize=300%2C281&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/309158656_3063298370467608_5414981898088490589_n.jpg?resize=768%2C720&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/309158656_3063298370467608_5414981898088490589_n.jpg?resize=1536%2C1441&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/309158656_3063298370467608_5414981898088490589_n.jpg?w=2048&amp;ssl=1 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Charge: Mauro Iasi<\/p>\n<p>Por Edmilson Costa*<\/p>\n<p>A emerg\u00eancia do fascismo em v\u00e1rias regi\u00f5es do planeta, especialmente nas principais economias da Europa e nos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m na Am\u00e9rica Latina, \u00e9 um fato que est\u00e1 levando muitos observadores ao espanto e \u00e0 surpresa, mas n\u00e3o deveria haver espanto nem surpresa. A hist\u00f3ria tem nos ensinado que o sistema capitalista, toda vez que enfrenta uma crise grave, como ocorre atualmente, recorre \u00e0 sua tropa de choque \u2013 os fascistas, tanto reunidos nas falanges violentas quanto liderados por personagens pol\u00edticas, como aconteceu na d\u00e9cada de 20 e 30 na Europa. Como os meios tradicionais de manuten\u00e7\u00e3o da hegemonia burguesa, mediante aparato institucional e repressor, j\u00e1 n\u00e3o conseguem garantir a estabilidade social para administrar a acumula\u00e7\u00e3o do capital, e o pr\u00f3prio sistema econ\u00f4mico est\u00e1 em crise global, os capitalistas est\u00e3o voltando a recorrer ao velho m\u00e9todo de alcan\u00e7ar a disciplina social e a retomada das taxas de lucro mediante uma nova institucionalidade, na qual os fascistas cumprem o papel essencial de operar o jogo sujo para salvar as apar\u00eancias das classes dominantes.<\/p>\n<p>Isso significa que a burguesia j\u00e1 n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar seus objetivos com a institucionalidade que ela pr\u00f3pria criou ao final da Segunda Guerra Mundial. As restri\u00e7\u00f5es \u00e0s liberdades p\u00fablicas que est\u00e3o ocorrendo nos principais pa\u00edses centrais, que antes se auto-intitulavam campe\u00f5es da democracia e dos direitos humanos, como a censura expl\u00edcita ou velada e a manipula\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, a repress\u00e3o violenta contra a popula\u00e7\u00e3o em temas que nos per\u00edodos de calma n\u00e3o aconteceria, como a solidariedade \u00e0 Palestina ou o fim do envio de armas \u00e0 Ucr\u00e2nia, s\u00e3o medidas implementadas tanto na Europa quanto nos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, um sintoma da mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia dos governantes imperiais. Al\u00e9m disso, a propaganda de que os imigrantes, a grande maioria deles for\u00e7ados a sair de seus territ\u00f3rios em decorr\u00eancia das guerras imperialistas, seriam respons\u00e1veis pelas crises nos pa\u00edses centrais, tamb\u00e9m se ajusta como uma luva ao figurino dos fascistas para manipular a opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>A crise socioecon\u00f4mica atual na Europa e nos Estados Unidos \u00e9 resultado das contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo, mas se agravou com as san\u00e7\u00f5es que o bloco ocidental tomou contra a R\u00fassia e que provocaram um efeito bumerangue nas economias dessas regi\u00f5es. Nessa conjuntura, o aumento dos or\u00e7amentos militares e a pol\u00edtica belicista contra inimigos reais e imagin\u00e1rios como solu\u00e7\u00e3o para os problemas internacionais s\u00e3o maneiras de preparar a popula\u00e7\u00e3o para aceitar que os imperialistas resolvam sua crise mediante a guerra. Criar um clima fict\u00edcio da imin\u00eancia de uma invas\u00e3o de pa\u00edses e regi\u00f5es ajuda a justificar a retirada das verbas or\u00e7ament\u00e1rias das \u00e1reas sociais para volt\u00e1-las em favor da guerra, ao mesmo tempo em que desvia a aten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crise econ\u00f4mica e social, como a infla\u00e7\u00e3o, a recess\u00e3o, o desemprego e a queda na qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a burguesia imperial aprofunda a ofensiva contra os direitos e garantias sociais e promove a redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios que j\u00e1 vinha realizando ao longo das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas. As conquistas do velho Estado do Bem Estar Social est\u00e3o sendo destru\u00eddas em todos os pa\u00edses, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, pa\u00edses onde a classe oper\u00e1ria conquistou v\u00e1rios direitos ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. A velha propaganda de que o capitalismo teria condi\u00e7\u00f5es de manter o bem estar da popula\u00e7\u00e3o ficou para tr\u00e1s: a palavra de ordem \u00e9 a retirada do Estado da economia, a desregulamenta\u00e7\u00e3o dos direitos sociais, o rebaixamento dos sal\u00e1rios e a transfer\u00eancia das empresas p\u00fablicas para o setor privado, tudo isso sob o surrado argumento de que o mercado \u00e9 capaz de regular melhor as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais e que a iniciativa privada \u00e9 mais racional e eficiente que o Estado.<\/p>\n<p>Ressalte-se ainda que essa conjuntura de emerg\u00eancia do fascismo, ao contr\u00e1rio do que se possa imaginar, n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno espont\u00e2neo, mas uma estrat\u00e9gia desenvolvida pelo n\u00facleo duro das classes dominantes imperialistas, que j\u00e1 chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que o velho aparato institucional da ordem econ\u00f4mica de Bretton Woods n\u00e3o \u00e9 mais capaz de manter a hegemonia diante das novas necessidades do capital, principalmente porque as medidas tomadas pelos sucessivos governos nas \u00faltimas d\u00e9cadas n\u00e3o se mostraram suficientes para alcan\u00e7ar a estabilidade do sistema, especialmente ap\u00f3s a crise de 2007\/2008. Continuar falando de democracia e direitos humanos \u00e9 apenas um jogo de cena, porque o que est\u00e3o preparando s\u00e3o novos ataques e a implanta\u00e7\u00e3o de medidas ainda mais duras contra os trabalhadores. Como todos podem imaginar, isso certamente ir\u00e1 provocar rea\u00e7\u00f5es dos movimentos sociais e oper\u00e1rios. Ent\u00e3o, as classes dominantes j\u00e1 ensaiam as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s liberdades p\u00fablicas, a repress\u00e3o policial e a deslegitima\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Em outras palavras, o que se pode observar dessa conjuntura \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o cada vez maior entre o neoliberalismo e as liberdades democr\u00e1ticas em todo o mundo. O sistema imperialista em crise est\u00e1 com enorme dificuldade para atingir seus objetivos com as velhas institui\u00e7\u00f5es e valores constru\u00eddos no p\u00f3s-guerra. As terapias de choque, a pol\u00edtica de austeridade, a maior parte delas operadas atrav\u00e9s do FMI, a destrui\u00e7\u00e3o de direitos e garantias dos trabalhadores, redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, desregulamenta\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica e as privatiza\u00e7\u00f5es, em suma, o fascismo de mercado, n\u00e3o s\u00e3o suficientes para reverter a crise, estabilizar a economia e retomar as taxas de lucro. Isso ocorre porque a crise \u00e9 do pr\u00f3prio sistema em sua fase senil, cuja express\u00e3o maior foi a crise sist\u00eamica global, que at\u00e9 hoje continua castigando as economias capitalistas.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o ter ilus\u00f5es com a burguesia<\/p>\n<p>Relembrar a hist\u00f3ria \u00e9 importante porque assim aprendemos a conhecer melhor os inimigos, podemos evitar novos erros ou ter ilus\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conjuntura, sempre levando em conta que a burguesia n\u00e3o tem escr\u00fapulos quando seus interesses est\u00e3o em jogo. L\u00edderes pol\u00edticos, grandes empres\u00e1rios, personalidades influentes no poder imperialista, grandes monop\u00f3lios da Europa e dos Estados Unidos, al\u00e9m de v\u00e1rios te\u00f3ricos neocl\u00e1ssicos, apoiaram abertamente o fascismo e o nazismo no per\u00edodo da Segunda Grande Guerra. \u00c9 sempre bom lembrar que Mussolini foi capa da Time em 1923, Hitler em 1938 e Milton Friedman recebeu o Pr\u00eamio Nobel de Economia em 1976 pelos servi\u00e7os prestados ao grande capital. Vejamos alguns exemplos.<\/p>\n<p>Vilfredo Pareto, economista e soci\u00f3logo italiano, muito aclamado pelos economistas, foi uma esp\u00e9cie de te\u00f3rico daquilo que veio posteriormente se configurar como fascismo. Ele morreu em 1923 pouco depois de Mussolini chegar ao poder, mas suas ideias foram especialmente \u00fateis na implanta\u00e7\u00e3o do fascismo. Pareto expressou simpatia pelo regime de Mussolini, especialmente no que se refere \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o ao socialismo e sua \u00eanfase na manuten\u00e7\u00e3o da ordem social. Ele era contra a interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia, argumentava que a democracia era uma ilus\u00e3o e acreditava que as elites sempre dominariam a sociedade, independentemente da forma de governo, e que as desigualdades sociais faziam parte de uma ordem natural.<\/p>\n<p>Outros dos defensores do fascismo, este muito mais fervoroso, foi Von Mises, economista austr\u00edaco, muito citado pelos neoliberais brasileiros atualmente. Ele atuou como conselheiro do governo fascista de Engelbert Dollfuss, na \u00c1ustria. Em seu livro Liberalismo, segundo a tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, Mises defendeu abertamente o uso de armas para deter os comunistas: \u201cContra as armas dos bolcheviques devem-se utilizar, em repres\u00e1lia, as mesmas armas, e seria um erro mostrar fraqueza ante os assassinos. Jamais um liberal colocou isso em quest\u00e3o &#8230;. N\u00e3o se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes, visando o estabelecimento de ditaduras, est\u00e3o cheios das melhores inten\u00e7\u00f5es e que sua interven\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o momento, salvou a civiliza\u00e7\u00e3o europeia. O m\u00e9rito que, por isso, o fascismo obteve para si estar\u00e1 inscrito na hist\u00f3ria. Por\u00e9m, embora sua pol\u00edtica tenha propiciado salva\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea, n\u00e3o \u00e9 o tipo que possa prometer sucesso continuado. O fascismo constitui um expediente de emerg\u00eancia\u201d.[1] Mises n\u00e3o poderia ser mais claro.<\/p>\n<p>Milton Friedman, expoente da Escola de Chicago, proporcionou um exemplo mais contempor\u00e2neo da rela\u00e7\u00e3o entre os chamados liberais e o fascismo. A Escola de Chicago \u00e9 a principal representante do que denominamos de fascismo de mercado, porque nunca teve dificuldade em apoiar todo tipo de ditadura para impor suas ideias. Maior representante dessa escola, Friedman, em seu livro Capitalismo e Liberdade, exp\u00f5e as principais teorias que foram implementadas pelas ditaduras mais sanguin\u00e1rias e por governos chamados democr\u00e1ticos nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, tanto nos pa\u00edses centrais quanto na periferia. Com o golpe militar em 1973, o Chile se transformou no laborat\u00f3rio do neoliberalismo que posteriormente se transformou em receita para a grande maioria das ditaduras na Am\u00e9rica Latina, de cuja pol\u00edtica os Chicago Boys foram os principais operadores.<\/p>\n<p>Ferrenho defensor da liberdade irrestrita do mercado, Friedman foi o principal te\u00f3rico da pol\u00edtica neoliberal moderna. Defendia a austeridade fiscal, na qual o Estado s\u00f3 poderia gastar aquilo que arrecadava; a redu\u00e7\u00e3o dos impostos e gastos governamentais, pois acreditava que o mercado \u00e9 mais eficiente para alocar os recursos e promover o crescimento; a desregulamenta\u00e7\u00e3o tanto da economia quanto da legisla\u00e7\u00e3o social, para aumentar a competi\u00e7\u00e3o e a liberdade individual; defendia ainda uma radical pol\u00edtica de privatiza\u00e7\u00f5es de todos os setores da economia, entre as quais a educa\u00e7\u00e3o, para a qual propunha um voucher para os setores mais carentes.[2] Essas pol\u00edticas, implementadas na d\u00e9cada de 70 no Chile e a partir dos anos 80 no restante do planeta, at\u00e9 hoje devastaram os direitos sociais, reduziram os sal\u00e1rios, tendo como contrapartida uma brutal concentra\u00e7\u00e3o de renda nas m\u00e3os de uma \u00ednfima minoria da sociedade.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o apenas os te\u00f3ricos do neoliberalismo que mantiveram ou mant\u00eam simpatias com o fascismo. Grandes industriais, banqueiros, grandes monop\u00f3lios e entidades representantes das classes dominantes deram apoio a Hitler ou Mussolini. Henry Ford, por exemplo, al\u00e9m de outros grandes capitalistas dos Estados Unidos, apoiou abertamente o nazismo, tanto que em 1938 recebeu a Grande Cruz da Ordem da \u00c1guia Alem\u00e3, a mais alta condecora\u00e7\u00e3o nazista a um estrangeiro. De igual modo, a grande maioria da burguesia europeia apoiou o fascismo e o nazismo. A IBM forneceu tecnologia para que os nazistas realizassem censos e recolhessem dados dos prisioneiros dos campos de concentra\u00e7\u00e3o. A General Motors e a Ford, que tinham subsidi\u00e1rias na Alemanha, continuaram a operar naquele pa\u00eds e h\u00e1 suspeitas de que produziram ve\u00edculos para o ex\u00e9rcito alem\u00e3o. O av\u00f4 de Bush filho, Prescott Bush, atrav\u00e9s da firma Brown Brothers Harriman, contribuiu com empresas que financiaram o esfor\u00e7o b\u00e9lico dos nazistas, rela\u00e7\u00e3o que fez com que as autoridades dos Estados Unidos confiscassem sua empresa em 1942.[3]<\/p>\n<p>Assim como o velho Bush, muitos em Wall Street simpatizavam igualmente com o nazismo, como a fam\u00edlia Rockefeller, propriet\u00e1ria do Chase Manhattan Bank. Tamb\u00e9m a burguesia europeia, especialmente a burguesia alem\u00e3, apoiou entusiasticamente o nazifascismo. Empresas de fabrica\u00e7\u00e3o de a\u00e7o como a Krupp, automobil\u00edsticas como a Volks e BMW (esta \u00faltima tamb\u00e9m fabricava avi\u00f5es para os nazistas); IG Farben, que fornecia o g\u00e1s para os campos de concentra\u00e7\u00e3o; Hugo Boss, produtora os uniformes para as tropas nazistas; Siemens, que se utilizou do trabalho for\u00e7ado para produzir equipamentos para os nazistas; Renault, voltada a produzir ve\u00edculos para os alem\u00e3es durante a ocupa\u00e7\u00e3o; Fiat, que produziu ve\u00edculos para os fascistas de Mussolini; Nestl\u00e9, acusada de se utilizar de trabalhos for\u00e7ados dos prisioneiros; Bertelsmann, que publicava as obras de propaganda dos nazistas; Deutsche Bank, dentre outras, s\u00e3o algumas das empresas europeias que colaboraram com o nazismo.[4]<\/p>\n<p>A propaganda fascista ontem e hoje<\/p>\n<p>Enquanto os capitalistas financiavam a m\u00e1quina hitleriana para destruir a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e as liberdades democr\u00e1ticas em seus pa\u00edses, a propaganda nazista cumpria o papel de ganhar cora\u00e7\u00f5es e mentes tanto para o apoio ao regime quanto para as teses racistas e autorit\u00e1rias, a fim de justificar a persegui\u00e7\u00e3o aos judeus, ciganos, comunistas e todos que se contrapunham ao regime. O mais dram\u00e1tico desse processo \u00e9 o fato de que a propaganda daquele per\u00edodo \u00e9 muito semelhante ao que os novos fascistas divulgam nos seus pronunciamentos atualmente. A xenofobia, o racismo, o preconceito contra as minorias e a ideologia da superioridade racial, a pol\u00edtica do \u00f3dio contra aqueles que consideram seus inimigos, as mentiras repetidas mil vezes s\u00e3o os pontos chaves da propaganda dos fascistas atuais e praticamente se igualam ao que os nazifascistas pregavam naquele per\u00edodo. Se observarmos a atual propaganda dos fascistas em ascens\u00e3o tanto nos Estados Unidos, na Europa ou Am\u00e9rica Latina poderemos ver que a propaganda \u00e9 praticamente a mesma entre o velho e o novo fascismo.<\/p>\n<p>Vejamos quais os dez pontos que o Ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels, utilizava para consolidar o poder de Hitler: a) reduzir as quest\u00f5es complexas a slogans simples; identificar um \u00fanico inimigo para culp\u00e1-lo por todos os males; b) repetir as mensagens at\u00e9 que elas se tornem aceitas como verdade; c) usar a emo\u00e7\u00e3o em vez da raz\u00e3o na propaganda para atrair as pessoas; d) promover a unidade do grupo nacional e a exclusividade racial dos alem\u00e3es, criando um sentimento de superioridade e destino comum entre os arianos; e) controlar e utilizar todas as formas de m\u00eddia para disseminar a propaganda nazista; f) censurar toda a m\u00eddia que contradiga a propaganda nazista e controlar as fontes de informa\u00e7\u00e3o para garantir uma narrativa unificada; g) criar mitos, s\u00edmbolos e rituais para fortalecer a identidade nacional e a lealdade ao partido nazista; h) destacar a propaganda positiva do regime e suas realiza\u00e7\u00f5es e enfatizar a propaganda negativa dos inimigos, demonizando e desumanizando esses grupos; i) disseminar a desinforma\u00e7\u00e3o e mentira misturadas com verdades para torn\u00e1-las plaus\u00edveis, confundir o inimigo e manter a moral da popula\u00e7\u00e3o; j) manter a popula\u00e7\u00e3o constantemente mobilizada e vigilante, promovendo um clima de emerg\u00eancia cont\u00ednua para justificar as medidas tomadas pelo regime e manter o controle autorit\u00e1rio.[5]<\/p>\n<p>As orienta\u00e7\u00f5es do ministro nazista foram implementadas de maneira plena na Alemanha nazista e hoje continuam sendo uma refer\u00eancia para todos os grupos fascistas no mundo inteiro, o que atualmente os meios de comunica\u00e7\u00e3o envergonhadamente qualificam de extrema-direita para evitar o adjetivo pejorativo. N\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia que os fascistas atuais tenham nas fake news uma das principais estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o, de forma a disseminar desinforma\u00e7\u00e3o para confundir o inimigo e manter alta a moral e a mobiliza\u00e7\u00e3o de seu p\u00fablico; tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia eleger grupos e personagens como inimigos, buscar demoniz\u00e1-los e desumaniz\u00e1-los para desgastar e atingir objetivos espec\u00edficos; criar mitos e s\u00edmbolos para fortalecer a lealdade ao l\u00edder (vejam o caso de Bolsonaro, que \u00e9 chamado de mito por seus apoiadores); controlar a m\u00eddia para evitar que os advers\u00e1rios possam se comunicar com a popula\u00e7\u00e3o; criar slogan simples e populares para atacar os inimigos (vide o caso do kit gay e mamadeira de piroca na campanha de Bolsonaro); manter os apoiadores pol\u00edticos constantemente mobilizados, tanto atrav\u00e9s de informa\u00e7\u00f5es falsas, mas tamb\u00e9m criando inimigos imagin\u00e1rios para combat\u00ea-los.<\/p>\n<p>Se avaliarmos outros elementos da propaganda fascistas n\u00e3o constantes dos mandamentos de Goebbels, poderemos ver tamb\u00e9m que os fascistas de agora praticamente copiam o que fascistas e nazistas faziam naquele per\u00edodo. Por exemplo, a propaganda nazista tinha como lema &#8220;Alemanha acima de tudo, Deus acima de todos&#8221;. A variante brasileira s\u00f3 muda o nome do pa\u00eds: &#8220;Brasil acima de tudo, Deus acima de todos&#8221;. Os regimes nazifascistas procuravam minar a confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es, apresentando-as como corruptas e ineficazes. Os fascistas atuais fazem o mesmo, berrando contra a corrup\u00e7\u00e3o e deslegitimando as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. No Brasil, Bolsonaro procura se apresentar como antissistema e deslegitimar as institui\u00e7\u00f5es, como na den\u00fancia das urnas eleitorais, nos ataques ao judici\u00e1rio etc.<\/p>\n<p>Os nazifascistas tamb\u00e9m procuram exaltar o militarismo e evocar um passado glorioso. No Brasil, Bolsonaro frequentemente faz elogios ao Ex\u00e9rcito e costuma dizer que a ditadura foi um per\u00edodo de ordem e prosperidade. Al\u00e9m disso, como a generaliza\u00e7\u00e3o das m\u00eddias sociais, os fascistas se especializaram em utilizar esses meios de comunica\u00e7\u00e3o para todos os fins, especialmente para fins pol\u00edticos. Prova disso foi a elei\u00e7\u00e3o de Trump, nos Estados Unidos, onde Steve Banon teve um papel preponderante na estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o e, no Brasil, a propaganda nas redes sociais, comandada por Carlos Bolsonaro, teve tamb\u00e9m um papel fundamental na elei\u00e7\u00e3o do genocida. Tamb\u00e9m no Brasil, os fascistas buscam mobilizar a popula\u00e7\u00e3o pobre estimulando preconceitos, valores conservadores, o senso comum, o negacionismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia, buscando engajar as massas em seus projetos.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a manipula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica tem sido a principal estrat\u00e9gia dos fascistas, particularmente no Brasil. Vale lembrar que no governo Bolsonaro constru\u00edram uma m\u00e1quina de comunica\u00e7\u00e3o profissional (o gabinete do \u00f3dio) com especializa\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o do trabalho financiadas pelos empres\u00e1rios apoiadores do fascismo. \u201cEles se apropriam das mais modernas t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o dos algoritmos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, possuem ainda milhares de rob\u00f4s telem\u00e1ticos para potencializar e impulsionar suas mensagens. Contam ainda com grupos permanentes e especializados de produtores de conte\u00fado, regiamente remunerados, para produzir diariamente informa\u00e7\u00e3o, v\u00eddeos, memes, e fake news. Escolhem diariamente os temas e os alvos preferidos e produzem as mat\u00e9rias tanto favor\u00e1veis \u00e0s suas causas e aos governos que dirigem ou apoiam, quanto para atacar inimigos especialmente selecionados. Outra equipe se encarrega da organiza\u00e7\u00e3o da rede de militantes, que enviam as mensagens para os grupos de simpatizantes espalhados por todo o pa\u00eds\u201d.[6]<\/p>\n<p>Com esses m\u00e9todos, os fascistas procuram destruir a raz\u00e3o e incentivar a irracionalidade para manipular as massas, sendo a campanha contra as vacinas tanto no Brasil quanto em outros pa\u00edses do mundo um dos principais exemplos dessa irracionalidade. Os fascistas tamb\u00e9m buscam naturalizar todo tipo de aberra\u00e7\u00e3o e mentira para fanatizar as massas, atrav\u00e9s da pol\u00edtica de \u00f3dio, visando desmoralizar os inimigos meticulosamente escolhidos, principalmente os comunistas, l\u00edderes sindicais e pol\u00edticos e integrantes das institui\u00e7\u00f5es que se op\u00f5em \u00e0s manobras fascistas. No Brasil, os fascistas ganharam um aliado especial: a maioria das igrejas pentecostais, que cresceram e se desenvolveram no v\u00e1cuo da crise brasileira pregando a teoria da prosperidade, pela qual o esfor\u00e7o individual e a f\u00e9 levam ao sucesso individual. Essas igrejas s\u00e3o dirigidas por pastores inescrupulosos, que prometem n\u00e3o s\u00f3 curas milagrosas, mas tamb\u00e9m buscam interferir na vida pol\u00edtica com pautas t\u00e3o conservadoras quanto as dos fascistas.<\/p>\n<p>Natureza da emerg\u00eancia do fascismo<\/p>\n<p>Para compreendermos a conjuntura atual do sistema capitalista e a natureza da emerg\u00eancia do fascismo, \u00e9 importante refletirmos sobre as caracter\u00edsticas dessas for\u00e7as emergentes, especialmente ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es desse m\u00eas de junho na Europa, bem como os elementos cruciais que possibilitaram esse fen\u00f4meno, al\u00e9m de suas origens mais profundas. Duas vari\u00e1veis explicam a emerg\u00eancia do fascismo nos \u00faltimos anos: uma de car\u00e1ter sist\u00eamico e outra de car\u00e1ter pol\u00edtico. A primeira se expressa na queda da taxa de lucro desde a segunda metade dos anos 70, cujo transbordamento foi a crise sist\u00eamica de 2007\/2088, que aprofundou a crise capitalista; a segunda, de car\u00e1ter pol\u00edtico, decorre do fracasso da social-democracia e das pol\u00edticas reformistas em todo o mundo. Vejamos cada um desses fen\u00f4menos.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio dos anos 80 o sistema capitalista realizou uma inflex\u00e3o radical nas pol\u00edticas do chamado Estado do Bem Estar Social. Anteriormente, os objetivos da pol\u00edtica econ\u00f4mica estavam centrados no crescimento do produto e do emprego, que foi a t\u00f4nica nos chamados trinta anos gloriosos nos pa\u00edses centrais. Essa pol\u00edtica foi substitu\u00edda, a partir dos governos de Margareth Thatcher e Ronald Reagan, pelo monetarismo, que tinha como foco a austeridade fiscal, a pol\u00edtica monet\u00e1ria restritiva, a desregulamenta\u00e7\u00e3o da economia e das leis trabalhistas, a redu\u00e7\u00e3o do papel do Estado na economia, as privatiza\u00e7\u00f5es, tudo isso para combater a infla\u00e7\u00e3o e colocar o mercado como regulador da vida social e econ\u00f4mica. Consolidada nos governos da Inglaterra e dos Estados Unidos, essa pol\u00edtica rapidamente envolveu a grande maioria dos pa\u00edses capitalistas, especialmente aqueles ligados \u00e0 economia l\u00edder, e tinha como objetivo reverter a crise econ\u00f4mica e retomar as taxas de lucros.<\/p>\n<p>Mesmo tendo provocado uma devasta\u00e7\u00e3o nos direitos, garantias e sal\u00e1rios do mundo do trabalho, desestrutura\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, queda na qualidade dos servi\u00e7os essenciais promovidos pelo Estado, concentra\u00e7\u00e3o de renda e transfer\u00eancia da maioria das empresas p\u00fablicas para o setor privado, o capitalismo n\u00e3o se recuperou da crise. Pelo contr\u00e1rio, mesmo com essas a\u00e7\u00f5es, inclusive com o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a partir do qual o imperialismo estadunidense transformou o planeta num mundo unipolar, o sistema continuou em crise e obtendo baixas taxas de crescimento. Em contrapartida, ampliaram-se as tens\u00f5es e lutas sociais em todo o mundo. A condensa\u00e7\u00e3o dessa conjuntura explodiu em 2007\/2008 com a crise sist\u00eamica global, cujo desenlace abalou todos os fundamentos do capitalismo e que continua at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>Um dos elementos mais determinantes para compreendermos a crise mundial do capital \u00e9 examinarmos a performance da taxa de lucro de longo prazo. Devemos lembrar que Marx considerava a queda da taxa de lucro a lei mais importante da economia pol\u00edtica, bem como uma das causas que levaria \u00e0s crises. \u201cPode-se dizer que essa lei constitui o mist\u00e9rio de toda a economia pol\u00edtica desde Adam Smith, e que a diferen\u00e7a entre as diversas escolas (econ\u00f4micas, E.C.) consiste nas tentativas de lhe dar uma solu\u00e7\u00e3o\u201d.[7] Como a maximiza\u00e7\u00e3o dos lucros \u00e9 o objetivo central dos capitalistas, a queda na taxa de lucro representa um empecilho para o desenvolvimento dos neg\u00f3cios. E essa taxa cai exatamente porque, na concorr\u00eancia entre capitalistas, cada capitalista procura superar o outro com a introdu\u00e7\u00e3o de novos equipamentos na produ\u00e7\u00e3o para gerar maior produtividade e melhorar sua posi\u00e7\u00e3o no mercado. Nesse processo, quando o capital constante vai se tornando maior que o capital vari\u00e1vel, h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o da taxa de lucro, ou seja, quando o investimento cresce num ritmo maior que a taxa de mais-valor por um longo per\u00edodo, o sistema tende a entrar em crise.<\/p>\n<p>Tomando em conta que a queda na taxa de lucro \u00e9 um dos fatores fundamentais das crises capitalistas e observando o Gr\u00e1fico 1, podemos dizer que a taxa de lucro dos pa\u00edses do G20, que representam as maiores economias do mundo, vem caindo desde a segunda metade dos anos 60 e que o sistema capitalista vive uma crise econ\u00f4mica de longo prazo. E mesmo que em alguns momentos haja espasmos de crescimento econ\u00f4mico, o que importa avaliar no gr\u00e1fico \u00e9 que esses pequenos surtos positivos ocorrem diante de uma conjuntura maior de queda da taxa de lucro e, portanto, de crise. Para n\u00e3o ficarmos apenas na quest\u00e3o econ\u00f4mica (e para n\u00e3o sermos acusados de economicista), vale lembrar que o capitalismo, al\u00e9m da crise sist\u00eamica, atualmente vive uma grave crise pol\u00edtica, social, monet\u00e1ria e militar.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31803\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31801\/image-4-5\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-4.png?fit=514%2C349&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"514,349\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (4)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-4.png?fit=514%2C349&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-31803\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-4.png?resize=514%2C349&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"514\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-4.png?w=514&amp;ssl=1 514w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-4.png?resize=300%2C204&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 514px) 100vw, 514px\" \/><\/p>\n<p>Fonte: Michael Roberts.<\/p>\n<p>Essa crise multifacetada tem levado o sistema a buscar revert\u00ea-la mediante uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es desesperadas, a maioria sem \u00eaxito, e algumas delas se voltando contra o pr\u00f3prio sistema. Basta lembrar as pol\u00edticas de guerra dos Estados Unidos e da OTAN, que invadiram o Iraque, a L\u00edbia, o Afeganist\u00e3o e provocaram a guerra na Ucr\u00e2nia. Em nenhuma dessas guerras o imperialismo obteve \u00eaxito pleno e em v\u00e1rias delas foi ou est\u00e1 sendo derrotado. As san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia tiveram um efeito bumerangue, resultando em crise econ\u00f4mica, com queda no ritmo de crescimento, desemprego e aumento da infla\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a ordem imperialista montada no p\u00f3s guerra est\u00e1 em decl\u00ednio em fun\u00e7\u00e3o da emerg\u00eancia de novos atores econ\u00f4micos, das contesta\u00e7\u00f5es ao d\u00f3lar como moeda mundial e da constru\u00e7\u00e3o de novos blocos de poder em contraponto aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Assustadas diante de uma mudan\u00e7a da conjuntura, as classes dominantes agora apelam abertamente aos fascistas para resolver os seus problemas, porque os fascistas representam a tropa de choque dos capitalistas nos momentos de crise. Nos momentos de calmaria e elevadas taxas de lucro isso n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, mas diante de incertezas e turbul\u00eancias sociais, da descren\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o na velha pol\u00edtica, da corrup\u00e7\u00e3o, dos desmandos governamentais, da popula\u00e7\u00e3o empobrecida, do desemprego, a velha ordem est\u00e1 em questionamento. Por isso a necessidade de apelar \u00e0s for\u00e7as fascistas para restabelecer a lei e a ordem e impor a disciplina social aos trabalhadores, mesmo que na apar\u00eancia essas velhas classes dominantes continuem falando em democracia e direitos humanos.<\/p>\n<p>Vale lembrar ainda que nesses momentos de crise as for\u00e7as da direita cl\u00e1ssica, que durante d\u00e9cadas representaram os interesses do capital, terminam sendo superadas pelas for\u00e7as fascistas. Posando de for\u00e7a antissist\u00eamicas, de paladinos da moral e dos bons costumes, de cr\u00edticos da corrup\u00e7\u00e3o e das velhas institui\u00e7\u00f5es governamentais, os fascistas procuram enganar a todos com palavras de ordem que parecem ser de oposi\u00e7\u00e3o, mas que na verdade fazem parte apenas de uma cortina de fuma\u00e7a para ludibriar a popula\u00e7\u00e3o e atingir os objetivos de seus patr\u00f5es, os capitalistas. Quando afirmo que o n\u00facleo duro da maioria das classes dominantes constitui o eixo central dos apoiadores do fascismo, isso tem raz\u00e3o de ser, uma vez que, se essas classes estivessem efetivamente contra os movimentos fascistas, essas for\u00e7as n\u00e3o estariam crescendo aceleradamente e ganhando elei\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo. Por tr\u00e1s desse crescimento est\u00e1 o dedo da burguesia.<\/p>\n<p>O segundo dos grandes fatores da crise \u00e9 a fal\u00eancia da social-democracia e dos reformistas em geral. Ao longo da hist\u00f3ria, a social-democracia sempre foi a m\u00e3o esquerda dos capitalistas, apesar da sua fraseologia socialista. Especialmente anticomunista, n\u00e3o podemos esquecer que foi o governo social-democrata de Friedrich Ebert o respons\u00e1vel pelo assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht. Tamb\u00e9m a social-democracia sempre se mostrou como boa administradora do capitalismo, tanto que os governos sociais-democratas que dirigiram e dirigem v\u00e1rios governos no mundo n\u00e3o foram incomodados pelas classes dominantes imperialistas. E desde a implanta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica neoliberal, sempre se mostraram como apoiadores e operadores dessa pol\u00edtica.<\/p>\n<p>H\u00e1 um outro componente na a\u00e7\u00e3o dos governos sociais-democratas e reformistas em geral: esses governos preparam o terreno para a emerg\u00eancia do fascismo, fato que j\u00e1 ocorreu tanto na Alemanha no per\u00edodo anterior \u00e0 Segunda Guerra, quanto ocorre atualmente. Isso acontece porque essas for\u00e7as, que geralmente levam o nome de socialistas para enganar as massas, participam das campanhas eleitorais prometendo um conjunto de mudan\u00e7as e, quando chegam ao governo, n\u00e3o aplicam aquilo que prometeram \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Isso leva \u00e0s massas \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o e ao desencanto, o que se possibilita um campo f\u00e9rtil para a emerg\u00eancia dos fascistas, especialmente agora nesse per\u00edodo de crise do capitalismo.<\/p>\n<p>Exemplo desse processo tamb\u00e9m pode ser observado nas \u00faltimas d\u00e9cadas na Am\u00e9rica Latina. Todos devem lembrar que, ap\u00f3s as desastrosas pol\u00edticas neoliberais na regi\u00e3o, v\u00e1rios governos considerados de esquerda foram eleitos com duras cr\u00edticas ao neoliberalismo e com um programa de mudan\u00e7as. No entanto, ap\u00f3s eleitos, esses governos alteraram o discurso e implementaram uma pol\u00edtica de continuidade do neoliberalismo, com apenas mudan\u00e7as cosm\u00e9ticas para salvar as apar\u00eancias. O resultado \u00e9 que a frustra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o abriu espa\u00e7os para a volta de governos fascistas, que a m\u00eddia denomina de extrema-direita, a exemplo de Milei na Argentina ou Bukele em El Salvador. Esses governos aprofundam ainda mais a pol\u00edtica neoliberal e reprimem brutalmente a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Onde esse processo se expressou de maneira mais expl\u00edcita foi no Brasil, ap\u00f3s sucessivos mandatos do governo do Partido dos Trabalhadores. No per\u00edodo de 13 anos de governo de concilia\u00e7\u00e3o de classes desenvolveu-se uma pol\u00edtica, na ess\u00eancia, voltada a atender os interesses do grande capital, deixando para os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o em geral apenas as migalhas das compensa\u00e7\u00f5es sociais. Como esses governos estimularam a passividade social e a despolitiza\u00e7\u00e3o das massas, tornou-se mais f\u00e1cil a emerg\u00eancia das for\u00e7as retr\u00f3gradas. E assim o governo Dilma foi afastado do poder num golpe jur\u00eddico-parlamentar apoiado por seus pr\u00f3prios aliados da burguesia. Em seu lugar foi colocado um governo que implementou uma pol\u00edtica de desastre social, seguida de um desastre ainda maior pelo governo de Jair Bolsonaro, um fascista caricato que realizou o pior governo da hist\u00f3ria do pa\u00eds, em todos os sentidos.<\/p>\n<p>Uma agenda para combater o fascismo<\/p>\n<p>Diante de uma conjuntura complexa e dif\u00edcil como essa, as for\u00e7as progressistas e revolucion\u00e1rias n\u00e3o podem perder a esperan\u00e7a de que uma alternativa \u00e9 poss\u00edvel. Se os reformistas se acovardaram e abandonaram o proletariado, nossas for\u00e7as ter\u00e3o que assumir uma pol\u00edtica alternativa tanto contra o fascismo quanto contra o capital. Devemos nos apresentar como os mais consequentes no combate ao capitalismo, aqueles que n\u00e3o se rendem e n\u00e3o se vendem aos capitalistas; os que t\u00eam a maior coer\u00eancia na luta contra o sistema. A bandeira das mudan\u00e7as deve ser nossa, a bandeira da ruptura deve ser nossa, e n\u00e3o dos fascistas. Nessa perspectiva, \u00e9 preciso dizer claramente que somos a for\u00e7a que luta pelo poder popular e o socialismo na perspectiva da sociedade da abund\u00e2ncia e da felicidade humana, que \u00e9 a sociedade comunista.<\/p>\n<p>Devemos levar em conta que o apelo das classes dominantes ao fascismo, \u00e0s fake news e \u00e0 pol\u00edtica de guerra n\u00e3o significa que os capitalistas estejam mais fortes. Pelo contr\u00e1rio, isso \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de desespero diante de uma situa\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o podem mais ditar as regras do jogo, nem podem oferecer mais nada \u00e0 humanidade. Quando o capitalismo estava bem de vida e exercia sua hegemonia pelo consenso majorit\u00e1rio da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinha necessidade de apelar aos fascistas nem romper com as regras que eles mesmos estabeleceram. Na verdade, as classes dominantes, diante da crise e do decl\u00ednio de sua hegemonia, est\u00e3o temendo mesmo \u00e9 a possibilidade dos levantes sociais que possam colocar em xeque o pr\u00f3prio sistema capitalista.<\/p>\n<p>Como o Brasil n\u00e3o \u00e9 um compartimento estanque e faz parte do sistema capitalista mundial, dever\u00e1 tamb\u00e9m ser envolvido nesse processo de crise, afinal dificilmente o imperialismo vai olhar de bra\u00e7os cruzados um pa\u00eds com as dimens\u00f5es continentais como o Brasil, a oitava economia do mundo, realizar pol\u00edticas que contrariem os interesses dos Estados Unidos. Se o governo continuar a aproxima\u00e7\u00e3o com a China, que \u00e9 o principal inimigo dos Estados Unidos, al\u00e9m da R\u00fassia e dos BRICs, com certeza o imperialismo vai realizar todos os esfor\u00e7os para enquadrar o Brasil nos seus interesses geopol\u00edticos. E todos sabemos os m\u00e9todos que os imperialistas utilizam para impor as suas regras. Dessa forma, \u00e9 importante ficarmos atentos para uma conjuntura mais adversa num futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio alertar: n\u00e3o podemos subestimar o fascismo, mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos tem\u00ea-lo. Os fascistas costumam aparentar ser mais fortes do que realmente s\u00e3o e mostrar agressividade bem maior do que podem realizar. Mas em nenhum momento podemos trat\u00e1-los com bons modos ou luvas de pelica, dado que tamb\u00e9m n\u00e3o devemos esquecer a sua dimens\u00e3o paramilitar. Neste sentido, as for\u00e7as revolucion\u00e1rias n\u00e3o devem se restringir apenas aos espa\u00e7os institucionais, que s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o determinam o curso da luta de classes. O que realmente tem condi\u00e7\u00f5es de deter os fascistas \u00e9 a luta organizada nas ruas, as paralisa\u00e7\u00f5es nos locais de trabalho, estudo e moradia. De igual forma \u00e9 necess\u00e1rio desenvolver um trabalho paciente, de longo prazo, capaz de construir a autodefesa das massas contra o fascismo a partir dos sindicatos, das organiza\u00e7\u00f5es populares nos bairros, no movimento de juventude e no movimento popular em geral.<\/p>\n<p>Do ponto de vista pol\u00edtico, as for\u00e7as revolucion\u00e1rias devem desenvolver a luta em quatro dimens\u00f5es: a) de um lado, deve ser feita a unidade de a\u00e7\u00e3o com todas as for\u00e7as que estejam objetivamente dispostas a combater o fascismo; b) de outro, estaremos em oposi\u00e7\u00e3o ao bloco burgu\u00eas e manteremos nossa independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao governo Lula, realizando a cr\u00edtica severa a todas as medidas que sejam contr\u00e1rias aos interesses populares; c) nesse processo devemos construir um bloco de for\u00e7as anticapitalistas e anti-imperialistas com base de massas para enfrentar nossos inimigos de classe; d) buscar a reconstru\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio e popular, al\u00e9m de elaborar um programa que seja uma alternativa clara contra a crise, de forma a que responda \u00e0s quest\u00f5es concretas da vida cotidiana da classe trabalhadora e que aponte na dire\u00e7\u00e3o do poder popular e o socialismo.<br \/>\nEssa \u00e9 a tarefa que devemos empreender nesse momento.<\/p>\n<p>Edmilson Costa \u00e9 secret\u00e1rio geral do PCB<\/p>\n<p>1 Von Mises, L. Liberalismo segundo a tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica. Citado por Luan Toja. S\u00e3o Paulo: Instituto Ludwig Von Mises, 2010.<\/p>\n<p>2 Trata-se de uma s\u00edntese das ideias de Friedman encontradas no livro Capitalismo e Liberdade. S\u00e3o Paulo, Abril Cultural, 1984<\/p>\n<p>3 As revela\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao av\u00f4 de Bush foram divulgadas por The Guardian e publicadas no Pravda, em artigo Gisele Dexter, em junho de 2008.<\/p>\n<p>4 Chatgpt.com<\/p>\n<p>5 Chatgpt, op. cit.<\/p>\n<p>6 Costa, E. Bolsonaro e a nova face do fascismo. In O fogo da Conjuntura. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es ICP, 2021.<\/p>\n<p>7 Marx, K. O Capital, Vol. III, pg. 251. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31801\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[65,10,383],"tags":[221],"class_list":["post-31801","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","category-pronunciamentos-da-secretaria-geral","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8gV","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31801","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31801"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31801\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31804,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31801\/revisions\/31804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31801"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31801"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}