{"id":31822,"date":"2024-06-30T18:58:56","date_gmt":"2024-06-30T21:58:56","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31822"},"modified":"2024-06-30T18:58:56","modified_gmt":"2024-06-30T21:58:56","slug":"as-eleicoes-a-guerra-e-o-pcp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31822","title":{"rendered":"As elei\u00e7\u00f5es, a guerra e o PCP"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31823\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31822\/unnamed-1-6\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/unnamed-1-1.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"705,470\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed (1)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/unnamed-1-1.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-31823\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/unnamed-1-1.jpg?resize=705%2C470&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"705\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/unnamed-1-1.jpg?w=705&amp;ssl=1 705w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/unnamed-1-1.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p>\n<p>ABRILABRIL<\/p>\n<p>H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es na sociedade da \u00abdemocracia liberal\u00bb capazes de atingir picos de absurdo e de falta de pudor pol\u00edtico que esgotam a paci\u00eancia do mais pacato dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00f5es que podem ser fruto do v\u00edcio pol\u00edtico-econ\u00f4mico-midi\u00e1tico de confundir o desejo com a realidade; da necessidade de praticar plenamente a ditadura econ\u00f4mica neoliberal num quadro de fascistiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica; de um costume t\u00e3o enraizado que os praticantes nem d\u00e3o por ele \u2013 um comportamento pavloviano; ou situa\u00e7\u00f5es que correspondem, nas suas vers\u00f5es mais trabalhadas, ao cumprimento estrito das orienta\u00e7\u00f5es disseminadas pela mir\u00edade de centrais de propaganda pol\u00edtica e militar imperialista, colonial e globalista.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou militante do partido comunista; circunst\u00e2ncias que n\u00e3o v\u00eam ao caso fizeram com que assim seja, enquanto sigo o meu caminho profissional de refer\u00eancia, o de ser politicamente incorreto. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o ache leg\u00edtimo e compat\u00edvel com a independ\u00eancia jornal\u00edstica a op\u00e7\u00e3o de milit\u00e2ncia de um bom n\u00famero de camaradas, por sinal os principais exemplos do bom jornalismo que ainda se pratica.<\/p>\n<p>As recentes elei\u00e7\u00f5es europeias podem ter sido a gota de \u00e1gua, a ruptura do limite pessoal de paci\u00eancia. Talvez porque no meio do aparato circense pr\u00f3prio das campanhas eleitorais do regime, formatadas para ensinar ao povo o que o povo deseja sem o saber, tenha sido poss\u00edvel, em alguns debates e no meio de tanta imbecilidade, tomar o pulso no n\u00edvel de irresponsabilidade e de repulsa pela dec\u00eancia da sociedade pol\u00edtica em que vivemos.<\/p>\n<p>Esporadicamente vieram \u00e0 tona alguns temas que t\u00eam a ver com a vida cotidiana e at\u00e9 com a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia da humanidade \u2013 embora isso n\u00e3o seja inquieta\u00e7\u00e3o maior da nossa belicosa classe pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Falou-se de guerra, mas evitou-se o perigoso tema da paz, cuja defesa pode at\u00e9 acarretar acusa\u00e7\u00f5es de trai\u00e7\u00e3o \u00e0 p\u00e1tria; prestou-se a indispens\u00e1vel vassalagem \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, fugindo como diabo da cruz da imposs\u00edvel concilia\u00e7\u00e3o entre soberania nacional e federalismo; discorreu-se sobre as amea\u00e7as da extrema-direita com a prest\u00e1vel colabora\u00e7\u00e3o da extrema-direita lusitana, que afinal nada tem a ver com a extrema-direita nem com as heran\u00e7as de Pinochet e Salazar; recitaram-se os habituais mantras das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, embora n\u00e3o tanto como os \u00abecologistas\u00bb \u00e0 moda da sueca Greta e seus patr\u00f5es Gore, Gates, Soros e o fascista Schwab do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial desejariam; e consagrou-se a OTAN, essa f\u00e1brica de her\u00f3is que, depois do engano de 25 de Abril de 1974, nos devolveu \u00e0s guerras coloniais e poder\u00e1 at\u00e9 levar jovens portugueses a \u00abdefender a p\u00e1tria\u00bb na Ucr\u00e2nia. Salazar mandava: \u00aba p\u00e1tria n\u00e3o se discute\u00bb; o regime de democracia liberal ordena: \u00aba OTAN e a Ucr\u00e2nia n\u00e3o se discutem\u00bb. E c\u00e1 vamos, cantando e rindo.<\/p>\n<p>Por vezes, nunca com prioridades, afloraram-se temas, dir-se-iam marginais, como os sal\u00e1rios \u00ednfimos dos portugueses, a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores (e n\u00e3o colaboradores), tratados pela Uni\u00e3o Europeia como potenciais escravos, a trag\u00e9dia, igualmente escravocrata, do trabalho prec\u00e1rio, de como a educa\u00e7\u00e3o vai mal, a habita\u00e7\u00e3o pior, a sa\u00fade p\u00e9ssima.<\/p>\n<p>Com a l\u00f3gica pr\u00f3pria do esp\u00edrito de campanha, esses assuntos foram sempre impertinentes, ou mesmo abusivamente levantados por uma \u00fanica for\u00e7a pol\u00edtica e abafados t\u00e3o depressa quanto poss\u00edvel pelas impaci\u00eancias de quase todos os participantes e as urg\u00eancias cronom\u00e9tricas dos moderadores.<\/p>\n<p>A \u00fanica for\u00e7a pol\u00edtica que a tal se atreveu foi o Partido Comunista Portugu\u00eas, em boa verdade a CDU \u2013 mas permitam-me os aut\u00eanticos e leg\u00edtimos Verdes e esse espelho de democracia que \u00e9 a Interven\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica que agora me foque principalmente no PCP, do alto dos seus 103 anos de luta pela liberdade, democracia e pela soberania nacional; demonstrando que o combate pela democracia \u00e9 insepar\u00e1vel da luta antifascista, correla\u00e7\u00e3o de que a classe pol\u00edtica n\u00e3o pode ouvir falar.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Oliveira, pela sua maior exposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica como cabe\u00e7a de lista, mas tamb\u00e9m os outros candidatos da CDU, levantaram os problemas reais dos portugueses, esclareceram, desmontaram a hipocrisia dominante e governante. Fizeram-no dentro de condicionalismos, muitos deles ilegais, sobretudo no que diz respeito aos comportamentos midi\u00e1ticos. Apesar disso, Jo\u00e3o Oliveira conseguiu fazer-se ouvir, n\u00e3o se deixou intimidar, meteu na ordem advers\u00e1rios que n\u00e3o sabem o que \u00e9 debater ideias e at\u00e9 moderadores treinados nos mais prim\u00e1rios cacoetes anticomunistas. Como disse lucidamente Jo\u00e3o Ferreira, na noite eleitoral na RTP, j\u00e1 \u00e9 mesmo preciso ter coragem e um indom\u00e1vel esp\u00edrito de combate para enfrentar o aparelho que montou e imp\u00f5e ferreamente uma opini\u00e3o \u00fanica cuja contesta\u00e7\u00e3o \u00e9 silenciada, caluniada e at\u00e9 perseguida segundo os c\u00e2nones autorit\u00e1rios da democracia liberal \u2013 isto \u00e9, neoliberal, o fascismo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Inimigo a abater<br \/>\nO PCP foi sempre o alvo mais cruelmente perseguido pelo salazarismo; e agora continua a ser v\u00edtima de uma sanha que Oliveira Salazar n\u00e3o desdenharia, um inimigo a abater, um problema a liquidar para que a providencial democracia liberal deixe de ser incomodada.<\/p>\n<p>Os comunistas portugueses lutaram 53 anos sob o regime fascista. Foram lan\u00e7ados nas masmorras, torturados, perseguidos, assassinados durante d\u00e9cadas negras sofridas pelo povo portugu\u00eas. O PCP ajudou a juntar for\u00e7as e a fazer avan\u00e7ar a consci\u00eancia antifascista e da paz nas entranhas da guerra colonial.<\/p>\n<p>Que me perdoem os her\u00f3icos militares revolucion\u00e1rios, mas o PCP foi determinante para o apodrecimento e queda do fascismo, foi essencial para a fulminante ades\u00e3o popular que complementou, deu alento e consolidou a vit\u00f3ria do movimento militar. Tudo fez, e faz, para que ainda se mantenham conquistas revolucion\u00e1rias, apesar do novembrismo revanchista, desde logo contribuindo para que este n\u00e3o consumasse plenamente o regresso ao passado, como desejaram os que cavalgaram o golpe guiados pela m\u00e1quina de conspira\u00e7\u00e3o norte-americana, da OTAN e seus aliados internos.<\/p>\n<p>A legaliza\u00e7\u00e3o do PCP e a liberta\u00e7\u00e3o dos presos pol\u00edticos foram, em si mesmas, vit\u00f3rias populares, conquistas de Abril. Desengane-se quem pensa que eram dados adquiridos com a queda do fascismo. Setores \u00abcontinu\u00edstas\u00bb como os spinolistas tentaram travar e anular o movimento popular na raiz, procurando estabelecer uma \u00abdemocracia\u00bb sem o PCP, que n\u00e3o deixaria de ser uma \u00abdemocracia ocidental\u00bb, uma democracia liberal como se usa agora dizer. J\u00e1 em pleno marcelismo circulara a ideia de uma hipot\u00e9tica \u00abtransi\u00e7\u00e3o\u00bb com alguns partidos, mantendo ilegal o PCP.<\/p>\n<p>Em paralelo, hoje h\u00e1 na classe pol\u00edtica quem sonhe em afastar o PCP de todos os \u00f3rg\u00e3os de poder, designadamente da Assembleia da Rep\u00fablica e do Parlamento Europeu. Na recente campanha valeu tudo, at\u00e9 fazer eco, como aconteceu com a ag\u00eancia Lusa, de uma publica\u00e7\u00e3o atlantista e imperialista, Politico, que identificou os eurodeputados comunistas entre os \u00abmaiores amigos de Putin\u00bb.<\/p>\n<p>Nos centros de decis\u00e3o da democracia liberal n\u00e3o h\u00e1 muito pudor em excluir o Partido Comunista da interven\u00e7\u00e3o direta nos mecanismos de poder. Reduzi-lo a um partido n\u00e3o parlamentar j\u00e1 seria uma grande vit\u00f3ria para o fascismo em ascens\u00e3o, sintonizado com a tradicional pol\u00edtica da OTAN. E o espectro pol\u00edtico, do Bloco de Esquerda ao Chega, que considera \u00abdemocr\u00e1tico\u00bb e \u00abcivilizado\u00bb o regime nazi-banderista da Ucr\u00e2nia, que come\u00e7ou por ilegalizar o Partido Comunista at\u00e9 suprimir mais de uma dezena de organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas opositoras, n\u00e3o manifestaria inc\u00f4modo se os comunistas portugueses desaparecessem dos parlamentos onde est\u00e3o representados.<\/p>\n<p>No entanto, a Hist\u00f3ria demonstra que o PCP lutou, implantou-se, n\u00e3o se deixou abater e cresceu durante 53 anos sem ter qualquer deputado nem poder atuar \u00e0 luz do dia.<\/p>\n<p>A OTAN, como j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 segredo, tem organiza\u00e7\u00f5es clandestinas, como a Gladio, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 impedir que os partidos comunistas da Europa intervenham nos centros governamentais de decis\u00e3o. A viola\u00e7\u00e3o dessa norma compuls\u00f3ria, por exemplo, esteve na origem do assass\u00ednio do primeiro-ministro democrata-crist\u00e3o italiano Aldo Moro, em 1977.<\/p>\n<p>Fazer sumir o PCP dos assentos parlamentares n\u00e3o \u00e9 mais do que uma aplica\u00e7\u00e3o simples da ordem atlantista. Os ferrenhos da OTAN prefeririam a ilegaliza\u00e7\u00e3o, mas v\u00ea-lo fora das institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 seria uma enorme vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Comentadores, analistas e acad\u00eamicos equipados com tapa-olhos, como as mulas e burros que puxam as carro\u00e7as, escandalizam-se com o fato de o PCP ser contra a OTAN, um pecado lesa-p\u00e1tria, lesa-civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, lesa-democracia liberal. No entanto, os comunistas n\u00e3o poderiam ter outra posi\u00e7\u00e3o, porque conhecem as li\u00e7\u00f5es do passado t\u00e3o bem como as do presente. N\u00e3o esquecem que o fascismo salazarista foi parte fundadora da Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica, distin\u00e7\u00e3o que deu g\u00e1s suplementar ao regime quando ele tremia como varas verdes depois da derrota de Hitler e no turbilh\u00e3o democr\u00e1tico do fim da Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, aplicando o velho dito popular \u00abamor com amor se paga\u00bb, se a OTAN combate o PCP, natural \u00e9 que o PCP seja contra a OTAN. Mas h\u00e1 mais: a esquerda onde o PCP se enquadra repudia a \u00abordem internacional baseada em regras\u00bb como um embuste ocidental para n\u00e3o respeitar o direito internacional; e defende a negocia\u00e7\u00e3o e a paz como os princ\u00edpios dos princ\u00edpios para buscar a solu\u00e7\u00e3o de qualquer conflito, enquanto os atlantistas d\u00e3o prioridade \u00e0 guerra para que no final seja encontrada a \u00abpaz\u00bb.<\/p>\n<p>Ao n\u00edvel de \u00abcomer criancinhas\u00bb<br \/>\nEm todas as campanhas eleitorais a estrat\u00e9gia anticomunista vai sendo apurada ao ritmo da fascistiza\u00e7\u00e3o do meio pol\u00edtico, no interior do qual foram outorgadas chancelas \u00abdemocr\u00e1ticas\u00bb anticonstitucionais a organiza\u00e7\u00f5es retintamente salazaristas. O desenvolvimento do fascismo, por\u00e9m, acelerou-se desde que se iniciou a guerra na Ucr\u00e2nia \u2013 em 2014, n\u00e3o em 2022.<\/p>\n<p>O processo gradual de imposi\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o \u00fanica neoliberal gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o conjunta do poder econ\u00f4mico, da classe pol\u00edtica e do aparelho midi\u00e1tico de propaganda criou o dogma de que os pontos de vista dissonantes da OTAN e da Uni\u00e3o Europeia representam uma ades\u00e3o \u00e0s teses do inimigo, uma identifica\u00e7\u00e3o com o diabo de estima\u00e7\u00e3o, Vladimir Putin, encarnando agora a \u00abamea\u00e7a russa\u00bb, tal como em seu tempo acontecia com o regime sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p>Ora, alguma vez pode ser levada a s\u00e9rio ou faz algum sentido a acusa\u00e7\u00e3o de que o PCP, um partido que defende o socialismo e luta pela erradica\u00e7\u00e3o do capitalismo, pode apoiar um sistema que est\u00e1 nos ant\u00edpodas dos seus princ\u00edpios de luta, um regime capitalista olig\u00e1rquico, assentado numa tradi\u00e7\u00e3o retr\u00f3grada e no fundamentalismo crist\u00e3o ortodoxo, como o chefiado por Vladimir Putin? O primarismo da manipula\u00e7\u00e3o est\u00e1 no n\u00edvel da propaganda salazarista, quando os comunistas \u00abcomiam criancinhas\u00bb e se \u00abviam livres dos velhos com inje\u00e7\u00f5es atr\u00e1s da orelha\u00bb. Mesmo assim, a manobra inspirada em Goebbels continua a fazer o seu caminho.<\/p>\n<p>O Partido Comunista \u00e9 sempre o \u00abinimigo interno\u00bb, sequela da \u00abca\u00e7a \u00e0s bruxas\u00bb praticada pelo macarthismo norte-americano, uma \u00abquinta coluna\u00bb que precisa de ser removida para que o pa\u00eds cumpra, sem estorvos maiores, a sua pol\u00edtica de guerra na Ucr\u00e2nia, a cumplicidade para com as atrocidades do sionismo na Palestina, as san\u00e7\u00f5es criminosas contra os povos de pa\u00edses indispon\u00edveis para se acomodarem \u00e0 canga colonial e imperial.<\/p>\n<p>Salazar e Marcello Caetano sentenciavam que \u00abquem n\u00e3o est\u00e1 conosco est\u00e1 contra n\u00f3s\u00bb. A democracia liberal ordena da mesma maneira: quem defende a paz e o di\u00e1logo na Ucr\u00e2nia, quem sempre se bateu, ao longo de mais de 70 anos, contra o colonialismo sionista e pela liberdade do povo palestino, est\u00e1 o lado de Putin e do Hamas, isto \u00e9, contra n\u00f3s.<\/p>\n<p>Como tal, h\u00e1 que apont\u00e1-lo a dedo na pra\u00e7a p\u00fablica, fazer tudo, at\u00e9 desprezar a Constitui\u00e7\u00e3o e as leis eleitorais, para o maltratar e vilipendiar. H\u00e1 que manipular, mentir, difamar, caluniar, silenciar ou deturpar as suas posi\u00e7\u00f5es, criar uma imagem de p\u00e1ria que est\u00e1 a mais na pol\u00edtica e que serve para perturbar a t\u00e3o id\u00edlica harmonia nacional \u2013 todos com a Uni\u00e3o Europeia, todos com a OTAN.<\/p>\n<p>O fascismo econ\u00f4mico neoliberal tem no fascismo pol\u00edtico o seu cen\u00e1rio de sonho. Um passo significativo nessa dire\u00e7\u00e3o \u00e9 o cavalheirismo com que a classe pol\u00edtica burguesa aceitou a integra\u00e7\u00e3o e os horizontes governamentais da Iniciativa Liberal e do Chega. Naturalmente, ambos vieram engrossar e refor\u00e7ar as hostes da guerra contra o PCP: no regime de Pinochet, inspirador dos bem-falantes do fascismo Armani, o Partido Comunista foi proibido e perseguido, os seus militantes e simpatizantes fuzilados no est\u00e1dio nacional e muitos continuam dados como \u00abdesaparecidos\u00bb; no salazarismo que serve de refer\u00eancia a Ventura e sequazes, o PCP estava na clandestinidade; e, mesmo j\u00e1 legalizado, n\u00e3o foi poupado \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de dezenas de centros de trabalho conduzida por grupos terroristas nos quais se destacaram criminosos que hoje s\u00e3o honrados e venturosos deputados da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que, depois da porta impudicamente aberta pelo Tribunal Constitucional, a classe pol\u00edtica acolheu fraternalmente a chegada dos grupos fascistas, a comunica\u00e7\u00e3o social e aparelho de propaganda da democracia liberal empenhou-se em passear o Chega e a Iniciativa Liberal ao colo, promovendo-os inicialmente como coisas curiosas e \u00abinteressantes\u00bb num cen\u00e1rio pol\u00edtico estagnado e mon\u00f3tono; e agora como fortalezas do regime, intr\u00e9pidos apoiantes e praticantes da opini\u00e3o \u00fanica, ju\u00edzes com direito pleno na campanha terrorista contra o PCP. Principalmente quando se trata da guerra da Ucr\u00e2nia, onde Zelensky \u00e9 um irm\u00e3o do peito que d\u00e1 asas a grupos nazistas em toda a Europa; ou da situa\u00e7\u00e3o na Palestina, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual as duas variantes do neo-salazarismo se comportam como genu\u00ednos militantes do terrorismo sionista \u2013 com toda a legitimidade, porque se trata de uma variante do fascismo.<\/p>\n<p>As esquerdas que tamb\u00e9m colaboram<br \/>\n\u00c0 esquerda, a pulveriza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica esquerdista serviu sempre o anticomunismo, porque muitos dos grupos que proliferaram a seguir ao 25 de Abril, hoje fundidos nas organiza\u00e7\u00f5es mais reacion\u00e1rias, desempenharam a preceito o papel atribu\u00eddo e claramente exposto, por exemplo, na cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias ao reviralho de 25 de Novembro de 1975.<\/p>\n<p>Ainda que hoje o panorama seja diferente \u2013 apesar de continuarem percept\u00edveis no PS algumas manifesta\u00e7\u00f5es doentiamente anticomunistas \u2013 a esquerda parlamentar, incluindo grupos que confundem a esquerda com o discurso dos chefes e se derretem com as simp\u00e1ticas palmadinhas nas costas prodigalizadas pela m\u00eddia e pela classe pol\u00edtica, cumpre a sua parte no anticomunismo.<\/p>\n<p>Uma das estrat\u00e9gias das esquerdas n\u00e3o-comunistas ou anticomunistas que mais serve aos interesses do capitalismo neoliberal \u00e9 a fragmenta\u00e7\u00e3o das causas que dizem defender, multiplicando focos de luta em vez de incidirem sobre o essencial, isto \u00e9, a defesa da paz, a den\u00fancia da guerra e de todos os neg\u00f3cios que dela tiram proveito, a verdadeira salvaguarda dos direitos humanos \u2013 de todo e qualquer ser humano \u2013 o respeito pelo trabalho e os trabalhadores, o combate sem tr\u00e9guas contra as desigualdades, em suma, o foco centrado na luta sem descanso pela transforma\u00e7\u00e3o progressista da sociedade e contra o capitalismo.<\/p>\n<p>O PCP trabalha e combate nesse sentido, porque das causas centrais derivam todas as outras, nenhuma das quais se resolve isoladamente sem alterar profundamente as estruturas sociais e desmantelar o capitalismo. Al\u00e9m disso, clarifica e defende o conceito de liberdade tal como est\u00e1 impl\u00edcito nos objetivos e conquistas do 25 de Abril: uma liberdade para as pessoas e que deve sobrep\u00f5e-se sempre \u00e0s \u00abliberdades\u00bb do mercado, das empresas, do dinheiro.<\/p>\n<p>O racismo \u00e9 uma doen\u00e7a social inerente ao capitalismo, tal como a marginaliza\u00e7\u00e3o das minorias, o desrespeito pelos direitos da mulher, apesar de inscritos nas leis; o mesmo acontece em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente e \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, \u00e0 salvaguarda dos animais e da vida selvagem, \u00e0 seguran\u00e7a alimentar, ao tratamento humanizado e igualit\u00e1rio das migra\u00e7\u00f5es e dos migrantes.<\/p>\n<p>O capitalismo, isto \u00e9, a \u00abnossa\u00bb democracia, garante que tem solu\u00e7\u00f5es ambientais m\u00e1gicas e resolver\u00e1 o drama das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, mas agrava cotidianamente a situa\u00e7\u00e3o e gera ainda mais fortunas com os \u00abnovos\u00bb neg\u00f3cios \u00abverdes\u00bb. N\u00e3o existem quaisquer sinais, no regime em que vivemos, do retrocesso de doen\u00e7as como o racismo e a xenofobia ou os preconceitos contra a comunidade LGTB+ \u2013 pelo contr\u00e1rio, avan\u00e7am a ritmo alarmante. Por muito que as leis os garantam e as cotas sejam tratadas como uma ideia genial, os exemplos de viola\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres s\u00e3o constantes. Em rela\u00e7\u00e3o aos movimentos migrat\u00f3rios, ao respeito pelos direitos e a integra\u00e7\u00e3o social dos migrantes basta olhar \u00e0 nossa volta e passar os olhos pelas not\u00edcias. O problema continuar\u00e1 a agravar-se, com consequ\u00eancias imprevis\u00edveis, porque a idolatrada OTAN cria e alimenta guerras sem fim, gerando intermin\u00e1veis vagas de refugiados em todo o mundo.<\/p>\n<p>As esquerdas das causas fracionistas n\u00e3o s\u00e3o transformadoras, n\u00e3o amea\u00e7am o capitalismo, n\u00e3o travam nem invertem os sentidos sociais mais negativos, com a agravante de embaralhar prioridades, cultivarem a confus\u00e3o, dispersarem esfor\u00e7os quando a delicadeza e profundidade dos problemas exigem uni\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e converg\u00eancia de esfor\u00e7os, n\u00e3o a mesquinhez de a \u00abnossa\u00bb causa ser mais importante do que todas as outras. E, n\u00e3o poucas vezes, essas esquerdas, sejam falsas ou fofinhas, t\u00e3o acarinhadas pela trapaceira ind\u00fastria midi\u00e1tica, servem a classe dominante nas suas campanhas contra os comunistas.<\/p>\n<p>A recente campanha eleitoral exibiu-nos um Livre cheio de ecologias e trejeitos de esquerda, ao mesmo tempo que defende o fundamentalismo federalista europeu. Ora o cotidiano da Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o deixa d\u00favidas: ou se \u00e9 de esquerda ou se \u00e9 federalista. O federalismo, ali\u00e1s, \u00e9 aplicado sub-repticiamente, com as conhecidas e desastrosas consequ\u00eancias para o povo portugu\u00eas, mas essa responsabilidade n\u00e3o tem o Livre a coragem de assumir.<\/p>\n<p>O Bloco de Esquerda mant\u00e9m um flerte com a OTAN. As simpatias com o regime de Kiev, que pro\u00edbe partidos, assumiu uma censura oficial, restringe o direito \u00e0 opini\u00e3o livre e faz circular uma lista \u00e0 merc\u00ea de buf\u00f5es com os nomes de opositores a liquidar, n\u00e3o traduzem uma escorregadela ocasional. A incapacidade para assumir que a situa\u00e7\u00e3o na Venezuela \u00e9 essencialmente uma consequ\u00eancia das asfixiantes e desumanas san\u00e7\u00f5es norte-americanas e da Uni\u00e3o Europeia; a atra\u00e7\u00e3o pelo federalismo europeu; a cumplicidade com o comportamento ocidental destruidor na S\u00edria; e a posi\u00e7\u00e3o carregada de ambiguidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 opera\u00e7\u00e3o criminosa da OTAN para destrui\u00e7\u00e3o da L\u00edbia, e que abriu as portas de sucessivas vagas de refugiados em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa, identificam um comportamento padr\u00e3o: afinal, a coer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o forte dos bloquistas.<\/p>\n<p>O PAN, que n\u00e3o sabe muito bem onde se situa no quadrante pol\u00edtico, acha meritoriamente, pela voz do seu ex-candidato europeu, que a guerra \u00e9 uma coisa m\u00e1 porque afeta o meio ambiente e os ecossistemas. A morte de centenas de milhares de pessoas parece ser um inconveniente colateral.<\/p>\n<p>Esquecer as pessoas, desprezar a sua qualidade de vida, os seus direitos humanos sociais e pol\u00edticos, a afirma\u00e7\u00e3o plena da sua dignidade atrav\u00e9s da sa\u00fade, de habita\u00e7\u00e3o condigna, de trabalho e sal\u00e1rios decentes, da educa\u00e7\u00e3o e cultura livres, abertas, sem censuras e propiciadoras de elevados \u00edndices intelectuais; a nega\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e de verdadeira frui\u00e7\u00e3o da vida durante o processo de envelhecimento \u2013 tudo isto representa a ess\u00eancia do capitalismo. A rela\u00e7\u00e3o entre o capitalismo e o ser humano \u00e9 como a da \u00e1gua com o azeite \u2013 a incompatibilidade por defini\u00e7\u00e3o. As esquerdas n\u00e3o-comunistas n\u00e3o s\u00e3o, na pr\u00e1tica, anticapitalistas.<\/p>\n<p><strong>O povo tem onde se apoiar<\/strong><\/p>\n<p>O PCP atua e luta nos ant\u00edpodas do cen\u00e1rio pr\u00f3prio da sociedade capitalista, agravado quando a vers\u00e3o fundamentalista neoliberal se expande com ambi\u00e7\u00f5es globalistas. O PCP \u00e9 o principal alvo a abater, a alavanca popular capaz de emperrar a m\u00e1quina trituradora patrocinada por todo o dinheiro dispon\u00edvel no mundo, a voz que nem o salazarismo silenciou.<\/p>\n<p>Por muito que a classe pol\u00edtica se desdobre em manobras legais e ilegais para o neutralizar; que a teia midi\u00e1tica propagand\u00edstica multiplique as mais deslavadas mentiras e as mais vergonhosas cal\u00fanias; por muito que os poderes de Estado permitam, fiquem insens\u00edveis e silenciosos quando esbirros estrangeiros em Portugal ao servi\u00e7o do nazi-banderismo de Kiev reclamam a sua ilegaliza\u00e7\u00e3o, a exemplo do que fizeram no seu pa\u00eds, o PCP n\u00e3o se intimida, resiste e n\u00e3o deixa o povo desamparado sob os ataques cerrados do autoritarismo conjugado da Uni\u00e3o Europeia, OTAN e outras centrais do imperialismo. Prossegue dia-a-dia, sem esperar pelos circos das campanhas eleitorais, o seu trabalho de formiga esclarecendo, informando, alentando, unindo, organizando, mobilizando, lutando em todas as frentes sociais e pol\u00edticas, como quem faz a\u00e7\u00e3o c\u00edvica de cidad\u00e3o a cidad\u00e3o para que a democracia liberal, corrupta e cemit\u00e9rio das esperan\u00e7as libertadas com o 25 de Abril de 1974, entregue de vez a alma ao criador; e seja substitu\u00edda por uma genu\u00edna democracia participativa, antifascista, respeitadora da Constitui\u00e7\u00e3o e das aut\u00eanticas liberdades, onde o povo, livremente informado e esclarecido, seja quem mais ordena. Pode parecer imposs\u00edvel, mas as ruas e pra\u00e7as do pa\u00eds encheram-se num \u00e1pice quando os corajosos e inesquec\u00edveis cidad\u00e3os fardados do MFA avan\u00e7aram para derrubar a besta fascista, feito hist\u00f3rico em que muitos n\u00e3o acreditavam.<\/p>\n<p>O povo que fez o 25 de Abril continua, contudo, a ser v\u00edtima das fam\u00edlias olig\u00e1rquicas, agora ainda mais poderosas, com a cumplicidade de uma classe pol\u00edtica usurpadora e que odeia as pessoas. Nada nos convence, por\u00e9m, que seja imposs\u00edvel, num mundo din\u00e2mico e em mudan\u00e7a permanente, voltarmos a viver novos dias das surpresas. O PCP, independentemente das circunst\u00e2ncias e das persegui\u00e7\u00f5es, continua a cumprir a sua tarefa; os mais desfavorecidos, apesar do poder de uma propaganda t\u00f3xica de alcance global, saber\u00e3o sempre onde apoiar-se. \u00c9 assim h\u00e1 103 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31822\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[37,242,9,98],"tags":[234],"class_list":["post-31822","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas","category-eipco","category-s10-internacional","category-c111-portugal","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8hg","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31822"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31822\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31824,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31822\/revisions\/31824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}