{"id":31844,"date":"2024-07-07T22:06:49","date_gmt":"2024-07-08T01:06:49","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31844"},"modified":"2024-07-07T22:06:49","modified_gmt":"2024-07-08T01:06:49","slug":"g7-brincando-de-paz-num-ritual-de-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31844","title":{"rendered":"G7: brincando de paz num ritual de morte"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31845\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31844\/52910901557_505ab05d8e_o-1\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/52910901557_505ab05d8e_o-1.webp?fit=770%2C513&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"770,513\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"52910901557_505ab05d8e_o-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/52910901557_505ab05d8e_o-1.webp?fit=747%2C498&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-31845\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/52910901557_505ab05d8e_o-1.webp?resize=747%2C498&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"498\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/52910901557_505ab05d8e_o-1.webp?w=770&amp;ssl=1 770w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/52910901557_505ab05d8e_o-1.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/52910901557_505ab05d8e_o-1.webp?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Por Jos\u00e9 Goul\u00e3o &#8211; ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>A recente C\u00fapula do G7, complementada com a chamada \u00abconfer\u00eancia de paz\u00bb sobre a Ucr\u00e2nia, realizada na Su\u00ed\u00e7a, confirmaram a decad\u00eancia do imp\u00e9rio estadunidense, o fracasso do chamado Ocidente coletivo perante a maioria global e avan\u00e7aram para a prepara\u00e7\u00e3o do vel\u00f3rio da Uni\u00e3o Europeia, por enquanto apenas um cad\u00e1ver adiado.<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia, onde a primeira-ministra, a neo-mussoliniana Giorgia Meloni, teve de correr atr\u00e1s do zumbi Biden e dar-lhe a m\u00e3o quando o presidente dos EUA, em modo de son\u00e2mbulo, se dirigia para parte nenhuma, o Grupo dos Sete \u00abmais ricos do mundo\u00bb (G7) entreteve-se a encontrar a melhor maneira de \u00abemprestar\u00bb mais umas dezenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares ao regime ditatorial da Ucr\u00e2nia para prosseguir a guerra e o processo de suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Decidiu ir buscar o dinheiro, supostamente a juros, dos 300 bilh\u00f5es de d\u00f3lares roubados em ativos da Federa\u00e7\u00e3o Russa congelados na Europa, dando mais um exemplo da estrat\u00e9gia cleptoman\u00edaca que tem servido de base ao colonialismo ocidental e \u00abcivilizat\u00f3rio\u00bb dos \u00faltimos 500 anos. A Uni\u00e3o Europeia, em estado ag\u00f4nico e com o seu eixo franco-alem\u00e3o a dar sinais de quebra a qualquer momento, aceitou mais essa incumb\u00eancia dos Estados Unidos, em cima das muitas com que Washington vai se desfazendo dos encargos mais pesados da guerra na Ucr\u00e2nia \u00e0 medida que se aproximam as elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Que n\u00e3o se confunda este alijamento de carga sobre os sat\u00e9lites europeus com uma desist\u00eancia da guerra que op\u00f5e, na realidade, o regime dos Estados Unidos da Am\u00e9rica \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p>Washington dirige o processo atrav\u00e9s do seu instrumento OTAN, obrigando os Estados-membros a assumir o \u00f4nus militar e econ\u00f4mico da guerra, garantindo tamb\u00e9m que o conflito permane\u00e7a em solo europeu, e abre m\u00e3o das vantagens que dele pode extrair: um neg\u00f3cio armamentista como houve poucos ou mesmo nenhum outro; desenvolver um desgaste continuado da R\u00fassia, enquanto intensifica as amea\u00e7as \u00e0 China, tentando perturbar a consolida\u00e7\u00e3o de uma arquitetura institucional da maioria global no sentido de instaurar uma nova ordem internacional; prolongar o mais poss\u00edvel o estado de guerra para que toda a Europa, exangue, se submeta ao seu diktat sem quaisquer restri\u00e7\u00f5es \u2013 tentando assim encontrar um novo f\u00f4lego para um imp\u00e9rio a abrir rombos por todos os lados.<\/p>\n<p>Na Ucr\u00e2nia trava-se, na realidade, uma chamada proxy war, uma guerra por procura\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos contra a R\u00fassia atrav\u00e9s do regime nazi-banderista imposto desde 2014 em Kiev. Sabemos que no campo de batalha n\u00e3o \u00e9 bem assim, porque toda a OTAN est\u00e1 envolvida atrav\u00e9s do financiamento, da doa\u00e7\u00e3o ininterrupta de armamento, do recrutamento de mercen\u00e1rios, do apoio \u00e0s tropas no terreno, da entrega de toda uma pan\u00f3plia de avan\u00e7ados meios tecnol\u00f3gicos militares de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o que as for\u00e7as armadas ucranianas n\u00e3o est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de usar e manusear isoladamente. Pelo que as principais pot\u00eancias militares da OTAN, com os Estados Unidos \u00e0 frente, est\u00e3o efetivamente em guerra contra a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Sendo, de fato, uma guerra por procura\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 correto atribuir o papel de procurador apenas \u00e0 ditadura ucraniana; \u00e9 desempenhado em conjunto com a Europa (Uni\u00e3o Europeia e membros europeus da OTAN), \u00e0 qual cabe desenvolver a parte mais onerosa e desgastante do esfor\u00e7o militar \u2013 exceto a carne para canh\u00e3o fornecida por Kiev \u2013 e acarretar com as duras consequ\u00eancias econ\u00f4micas e sociais impostas aos seus povos.<\/p>\n<p>Um singelo exemplo: a Rep\u00fablica Federal da Alemanha, outrora o \u00abmotor\u00bb da Uni\u00e3o Europeia, o \u00fanico pa\u00eds exportador da agremia\u00e7\u00e3o, caiu para o 24.\u00ba lugar (entre 67 pa\u00edses) em termos de competitividade econ\u00f4mica, situando-se entre o Luxemburgo e a Tail\u00e2ndia e ainda atr\u00e1s de na\u00e7\u00f5es como a Isl\u00e2ndia e o Bahrein. Os dados est\u00e3o contidos no ranking de competitividade econ\u00f4mica elaborado pelo Swiss Business Institute. Nessa escala, a Alemanha est\u00e1 em 49.\u00ba lugar nos custos de energia el\u00e9trica para os clientes industriais; e tamb\u00e9m em infraestruturas de energia. O governo alem\u00e3o de Olaf Scholz, por\u00e9m, n\u00e3o soltou um pio quando os Estados Unidos, em conluio comprovado com a Noruega \u2013 produtor e exportador de g\u00e1s natural \u2013, fizeram explodir o gasoduto Nord Stream 2, entre a R\u00fassia e o territ\u00f3rio alem\u00e3o, atrav\u00e9s do qual a Europa consumia g\u00e1s natural a pre\u00e7os pelo menos cinco vezes mais baixos que os atuais. Mais do que masoquista perante os seus patronos estadunidenses, a Europa tem voca\u00e7\u00e3o suicida. Quem sofre s\u00e3o os povos, nunca a classe dominante, at\u00e9 o dia em que a paci\u00eancia dos povos se esgote e se inicie o inevit\u00e1vel ajuste de contas com o regime federalista e sociopata pan-europeu.<\/p>\n<p>Nessa altura poder\u00e1 ent\u00e3o desbravar-se o caminho para a reconquista da soberania dos Estados do continente e para uma democracia que deixe de ser adjetivada como \u00abliberal\u00bb e da qual a recente reuni\u00e3o do G7 foi um esclarecedor exemplo.<\/p>\n<p>Saiba como \u00e9 a \u00abdemocracia avan\u00e7ada\u00bb<\/p>\n<p>O Wall Street Journal, peri\u00f3dico da oligarquia transnacional governante, qualificou a reuni\u00e3o do Grupo dos Sete como a \u00abc\u00fapula das democracias avan\u00e7adas\u00bb.<\/p>\n<p>Avaliemos ent\u00e3o o \u00abavan\u00e7o\u00bb da sua qualidade democr\u00e1tica, relembrando a representatividade pol\u00edtica dos participantes na reuni\u00e3o realizada na It\u00e1lia: Joseph Biden, em estado percept\u00edvel de insufici\u00eancia intelectual \u2013 como ficou claro no primeiro debate com o inomin\u00e1vel Trump \u2013, mas ainda assim candidato a um novo mandato de quatro anos, age sob o controle de neoconservadores psicopatas que ningu\u00e9m elegeu; a anfitri\u00e3 italiana, Giorgia Meloni, herdeira em linha reta do fascismo italiano, tem uma representatividade relativa, que as recentes elei\u00e7\u00f5es europeias ainda n\u00e3o puseram em causa, ao mesmo tempo que ilustra os avan\u00e7os do extremismo de direita na Europa; o fascista Justin Trudeau, chefe do governo do Canad\u00e1 que, ainda recentemente, homenageou no parlamento um criminoso de guerra banderista ucraniano respons\u00e1vel por centenas de assassinatos sob cobertura hitleriana, tem as inten\u00e7\u00f5es de voto em queda; Emmanuel Macron, presidente franc\u00eas, ficou pelos 15% nas elei\u00e7\u00f5es europeias e sentiu-se for\u00e7ado a convocar elei\u00e7\u00f5es antecipadas; pior ainda est\u00e1 o chanceler social-democrata alem\u00e3o, Olaf Scholz, no n\u00edvel dos 14%, enquanto os seus parceiros governamentais, os belicistas Verdes, n\u00e3o chegaram aos 13%; Rishi Sunak, oligarca, pe\u00e3o do Goldman Sachs e primeiro-ministro brit\u00e2nico, vai ser demitido pelos eleitores (que nunca o elegeram porque nunca se submeteu a sufr\u00e1gio popular) nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es gerais, eventualmente ultrapassado at\u00e9 pelo outsider populista Neil Farage; o primeiro-ministro do Jap\u00e3o, Fumio Kishida, tem a popularidade pelas ruas da amargura e caindo em cada consulta de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0 moda dos mosqueteiros, onde tr\u00eas eram quatro, no G7 onde s\u00e3o sete contam-se oito com a inclus\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, ali\u00e1s representada duplamente em It\u00e1lia: pela presidente da Comiss\u00e3o, Ursula Von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, ent\u00e3o ainda no posto que hoje \u00e9 do contorcionista Ant\u00f3nio Costa. Em mat\u00e9ria de democracia pode-se dizer que estes federalistas autorit\u00e1rios s\u00e3o ainda mais \u00abavan\u00e7ados\u00bb que todos os outros parceiros de conspira\u00e7\u00e3o, porque nenhum deles foi eleito nem concorreu a coisa alguma.<br \/>\nC\u00fapula para a guerra<\/p>\n<p>O G7 desdobrou-se a seguir na chamada \u00abc\u00fapula para a paz\u00bb, convocada pelo ditador ucraniano Volodymyr Zelensky, presidente fora do prazo de validade, e acolhida pela Su\u00ed\u00e7a, pa\u00eds t\u00e3o neutro como o mais ferrenho adepto de um clube de futebol.<\/p>\n<p>Evento realizado por convite, pretendendo afirmar-se de maneira exuberante como ber\u00e7o m\u00e1gico de uma solu\u00e7\u00e3o para a guerra na Ucr\u00e2nia, mas sem a presen\u00e7a de uma das partes em conflito \u2013 a Federa\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p>Ora, \u00abfazer a paz\u00bb numa suposta c\u00fapula de negocia\u00e7\u00f5es para a qual n\u00e3o foi convidada a parte que est\u00e1 ganhando a guerra n\u00e3o pode passar de um ritual, uma oportunidade para cada orador se ouvir a si pr\u00f3prio nas instala\u00e7\u00f5es bem requintadas do Burgenstock Resort, com o bom gosto e o luxo espalhafatosos pensados \u00e0 medida do mart\u00edrio que est\u00e3o passando os soldados ucranianos nas trincheiras, morrendo diariamente \u00e0s centenas.<\/p>\n<p>Depois de dormir em quartos de 2.000 d\u00f3lares por noite e por pessoa e alimentados com refei\u00e7\u00f5es de 400 d\u00f3lares, os convidados de Zelensky entretiveram-se a \u00abdebater\u00bb um documento com recomenda\u00e7\u00f5es t\u00e3o sonantes como falsas porque os praticantes da \u00abordem internacional baseada em regras\u00bb ignoram o respeito pelo direito internacional, que aconselham. E muitos deles s\u00e3o conhecidos por n\u00e3o respeitarem os direitos leg\u00edtimos dos Estados e muito menos a sua integridade territorial, que tamb\u00e9m apregoam no panfleto sa\u00eddo do conclave.<\/p>\n<p>\u00c9 desconhecido na Hist\u00f3ria qualquer processo de negocia\u00e7\u00f5es de paz sem a representa\u00e7\u00e3o de uma das partes. Qualquer outra vers\u00e3o n\u00e3o significa negociar, mas sim impor. E impor \u00e0 R\u00fassia como tem de fazer a \u00abpaz\u00bb, que deve de facto render-se quando est\u00e1 em vantagem na guerra, aguardando apenas que a insist\u00eancia de Washington e Bruxelas no confronto liquide de vez o ex\u00e9rcito ucraniano, \u00e9 um acto gratuito que, no contexto actual, equivale a brincar \u00e0 paz ao mesmo tempo que se cumpre um ritual de guerra.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera da \u00abcimeira\u00bb na Su\u00ed\u00e7a o presidente da R\u00fassia, Vladimir Putin, revelou os contornos da posi\u00e7\u00e3o russa para resolu\u00e7\u00e3o do conflito, como quem a transmite antecipadamente aos participantes e informando-os de que quaisquer das suas decis\u00f5es estariam condenadas ao lixo se n\u00e3o tivessem em conta, como n\u00e3o tiveram, a situa\u00e7\u00e3o atual no terreno. Putin prop\u00f4s, como elementos determinantes para uma negocia\u00e7\u00e3o com algum futuro, a sa\u00edda das tropas ucranianas, com total garantia de seguran\u00e7a, das prov\u00edncias russ\u00f3fonas de Donetsk, Lugansk, Kharkiv e Zaporizhia; a declara\u00e7\u00e3o do regime de Kiev de que n\u00e3o pedir\u00e1 a ades\u00e3o \u00e0 OTAN; o fim das san\u00e7\u00f5es internacionais contra a R\u00fassia e o descongelamento dos ativos russos na Europa.<\/p>\n<p>A c\u00fapula ignorou olimpicamente estes pontos, apesar de o presidente russo afirmar que as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o duram eternamente e as pr\u00f3ximas ser\u00e3o certamente mais graves e ditadas numa situa\u00e7\u00e3o militar mais comprometedora para Kiev.<\/p>\n<p>Numa primeira rea\u00e7\u00e3o, que poder\u00e1 n\u00e3o ser uma resposta direta a Moscou, mas funciona como tal, a Uni\u00e3o Europeia decidiu assumir o roubo de 1,4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de lucros dos ativos russos para os despejar no buraco negro em que o golpe dos EUA de 2014 e os dez anos de regime nazi-banderista transformaram a Ucr\u00e2nia, assegurando assim a continua\u00e7\u00e3o da guerra. A \u00abpaz\u00bb europeia e liberal no seu melhor n\u00edvel.<\/p>\n<p>O ditador e usurpador do poder na Ucr\u00e2nia convidou 160 pa\u00edses dos 192 Estados da ONU para a \u00abcimeira\u00bb na Su\u00ed\u00e7a, afirmando garbosamente que se tratava de \u00abtodo o mundo\u00bb. Desses, compareceram apenas 91, a maioria deles com delega\u00e7\u00f5es de baixo n\u00edvel, sobretudo os da maioria global. A esmagadora maioria dos pa\u00edses africanos n\u00e3o estiveram presentes e, por outro lado, entre os participantes avultaram entidades de ineg\u00e1vel representatividade pol\u00edtico-militar como a Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Boxe, o ministro do Sistema Nacional de Seguros de Invalidez da Austr\u00e1lia e o ministro dos Servi\u00e7os Correcionais da Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Dirigentes de grandes pot\u00eancias como Macron e Scholz assistiram aos trabalhos apenas durante algumas horas e Joseph Biden preferiu substituir o encontro por uma viagem a Los Angeles, onde os seus servi\u00e7os montaram um pedit\u00f3rio de campanha junto \u00e0s estrelas de Hollywood. Foi substitu\u00eddo pela vice-presidente Kamala Harris que, ciente de que se tratava de uma campanha de angaria\u00e7\u00e3o de fundos para alimentar o conflito da Ucr\u00e2nia como uma guerra sem fim, prometeu uma d\u00e1diva de 500 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, dez vezes mais do que o \u00abempr\u00e9stimo\u00bb acordado poucas horas antes na cimeira do G7, o que revela o profundo conhecimento dos dossi\u00eas que lhe depositaram nas m\u00e3os e um perfeito alinhamento com as performances disfuncionais de Biden.<\/p>\n<p>Alguns enviados especiais de meios de comunica\u00e7\u00e3o social citaram dirigentes participantes assegurando que \u00abo mais importante da c\u00fapula foi o banquete\u00bb. E talvez sejam realidades como esta as que ficar\u00e3o para o futuro em rela\u00e7\u00e3o a t\u00e3o mundano e caritativo encontro, para l\u00e1 da sua consequ\u00eancia imediata: a continua\u00e7\u00e3o e previs\u00edvel agravamento da componente terrorista da guerra na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Afinal \u00e9 preciso \u00abacompanhamento\u00bb<\/p>\n<p>Dos 91 pa\u00edses representados, 12 n\u00e3o assinaram o comunicado final \u2013 Arm\u00eania, Bahrein, Brasil, Santa S\u00e9, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, L\u00edbia, M\u00e9xico, Ar\u00e1bia Saudita, \u00c1frica do Sul e Emirados \u00c1rabes Unidos \u2013 a esmagadora maioria deles membros ou candidatos aos BRICS. Jord\u00e2nia e Iraque assinaram e arrependeram-se, invalidando pouco depois as subscri\u00e7\u00f5es. A chamada \u00abf\u00f3rmula Zelensky para a paz\u00bb foi rubricada por 40% dos pa\u00edses da ONU, entre os quais n\u00e3o figura qualquer dos mais populosos; os ausentes e os que n\u00e3o assinaram representam a imensa maioria global que n\u00e3o se rev\u00ea no colonialismo ocidental e no imperialismo estadunidense. Mesmo alguns dos subscritores foram muito cr\u00edticos quanto ao formato e conte\u00fado da reuni\u00e3o. O Qu\u00eania, regime subserviente aos Estados Unidos, abordou a \u00abilegalidade da apropria\u00e7\u00e3o dos ativos russos\u00bb e Timor-Leste repudiou a \u00abordem internacional baseada em regras\u00bb.<\/p>\n<p>A cita\u00e7\u00e3o do nome de um \u00fanico participante e subscritor do documento final bastaria para definir o car\u00e1ter provocat\u00f3rio e meramente propagand\u00edstico da c\u00fapula Zelensky como um ritual de guerra e morte: a do Estado de Israel. A entidade terrorista e sionista, como vem demonstrando ao longo dos \u00faltimos 75 anos, tem toda a legitimidade para subscrever um texto final onde se fala de respeito pela integridade dos Estados, pelos direitos dos povos e tamb\u00e9m pelo direito internacional. O sionismo cumpre, como poucos, todos estes atributos, pelo que os consignat\u00e1rios do panfleto, entre eles o presidente e o primeiro-ministro de Portugal, devem sentir-se orgulhosos de t\u00e3o prestigiante companhia.<\/p>\n<p>A c\u00fapula ainda n\u00e3o tinha acabado quando a presidente do pa\u00eds anfitri\u00e3o \u2013 onde o maior partido se op\u00f4s ao happening \u2013, Viola Amherd, sentiu a necessidade de falar numa pr\u00f3xima \u00abconfer\u00eancia de acompanhamento com a participa\u00e7\u00e3o da R\u00fassia\u00bb. Numerosos jornalistas que cobriram o acontecimento tiveram a ousadia de fustigar Zelensky com perguntas sobre a aus\u00eancia de representantes de Moscou, \u00e0s quais este respondeu que \u00aba R\u00fassia n\u00e3o est\u00e1 aqui porque se estivesse interessada na paz n\u00e3o haveria guerra\u00bb. Esta frase, dita por quem fez os convites para a reuni\u00e3o, provocou alguns sorrisos na sala, certamente nas faces de incorrig\u00edveis aven\u00e7ados de Putin.<\/p>\n<p>Contradizendo-se pouco depois, o ditador ucraniano repetiu aquele que parece ter sido o roteiro acertado para o final da c\u00fapula, admitindo \u00aba presen\u00e7a da R\u00fassia numa reuni\u00e3o de acompanhamento a realizar at\u00e9 ao final do ano\u00bb. O diplomata su\u00ed\u00e7o Gabriel Luechinger disse que \u00aba pr\u00f3xima c\u00fapula de paz n\u00e3o ser\u00e1 na Europa e n\u00e3o ter\u00e1 lugar no Ocidente, devendo a R\u00fassia ser integrada de alguma forma no processo de paz\u00bb.<\/p>\n<p>Em torno destas declara\u00e7\u00f5es surgiram especula\u00e7\u00f5es sobre a possibilidade de uma abordagem verdadeiramente negocial da paz na Ucr\u00e2nia \u00e0 margem da reuni\u00e3o do G20 a realizar em novembro, no Rio de Janeiro, e na qual o ponto de partida seria o projeto sino-brasileiro apresentado h\u00e1 mais de um ano e logo rejeitado pelo regime de Kiev, alegando que era \u00abvago\u00bb. Muito mais \u00abvago\u00bb \u00e9 o documento adotado na Su\u00ed\u00e7a, al\u00e9m de ter removido todos os pontos do plano chin\u00eas de encontrar \u00abum caminho para uma paz sustent\u00e1vel\u00bb. A posi\u00e7\u00e3o de Pequim sugere a realiza\u00e7\u00e3o de \u00abuma verdadeira confer\u00eancia de paz em termos aceit\u00e1veis pela Ucr\u00e2nia e pela R\u00fassia\u00bb.<\/p>\n<p>Na verdade, nenhuma abordagem unilateral de uma poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o para o conflito na Ucr\u00e2nia, como a montada no resort de Burgenstock, tem qualquer viabilidade.<\/p>\n<p>O ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da Ar\u00e1bia Saudita, Faisal bin Farhan Al Saud, por exemplo, foi um dos que n\u00e3o assinou o documento sa\u00eddo da reuni\u00e3o su\u00ed\u00e7a. Representando um pa\u00eds afeto aos BRICS e, simultaneamente, um dos principais aliados dos Estados Unidos no Oriente M\u00e9dio, defendeu que \u00abqualquer processo numa dire\u00e7\u00e3o pac\u00edfica exige a presen\u00e7a da R\u00fassia\u00bb.<\/p>\n<p>Apesar de os comportamentos habituais e a arrogante mentalidade ocidental serem bem conhecidos e indutores das maiores aberra\u00e7\u00f5es no panorama internacional, h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o deixam de surpreender pela desfa\u00e7atez. Ditar as ocasi\u00f5es e as condi\u00e7\u00f5es em que a R\u00fassia tem permiss\u00e3o para participar numa iniciativa de paz relacionada com a Ucr\u00e2nia \u00e9 pr\u00f3prio de quem acha que o mundo n\u00e3o mudou, a \u00abordem internacional baseada em regras\u00bb \u00e9 inamov\u00edvel; e o regime nazi-banderista de Kiev cr\u00ea que tem a capacidade, outorgada pelo Ocidente colectivo como dono e senhor do mundo, de p\u00f4r e dispor dos comportamentos da Federa\u00e7\u00e3o Russa como se vivesse ainda nos anos de 2014 a 2022, durante os quais se entreteve a massacrar metodicamente as popula\u00e7\u00f5es de russos \u00e9tnicos da regi\u00e3o do Donbass com a coniv\u00eancia e o apoio da OTAN, designadamente treinando grupos nazistas atrav\u00e9s dos seus \u00abconselheiros\u00bb no terreno.<\/p>\n<p>No meio do luxo do resort de Burgenstock brindou-se \u00e0 paz enquanto se organizavam mais arrecada\u00e7\u00f5es de recursos para os nazistas com o intuito de prolongar a guerra. Entre os principais organizadores e frequentadores da encena\u00e7\u00e3o destacaram-se, precisamente, os pa\u00edses que est\u00e3o por detr\u00e1s do lan\u00e7amento e eterniza\u00e7\u00e3o do conflito: os Estados Unidos, que financiaram com cinco bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 Victoria Nuland dixit \u2013 o golpe de 2014 e a entroniza\u00e7\u00e3o da junta nazi-banderista em Kiev; a Alemanha e a Fran\u00e7a que, dando cobertura ao regime ucraniano, assinaram de m\u00e1-f\u00e9 os acordos de Minsk, em 2015, reconhecendo posteriormente que nunca tentaram cumpri-los e serviram apenas para ganhar tempo e montar a m\u00e1quina de guerra ucraniana; e esteve igualmente o Reino Unido, que em abril de 2022 despachou o seu primeiro-ministro, na \u00e9poca o descompensado Boris Johnson, para obrigar Zelensky e os seus banderistas a dar o dito por n\u00e3o dito em rela\u00e7\u00e3o ao acordo de Istambul, praticamente conclu\u00eddo. Minsk e Istambul teriam poupado a vida a pelo menos meio milh\u00e3o de seres humanos, teriam salvaguardado condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para que a Ucr\u00e2nia n\u00e3o fosse, como \u00e9 agora, um pa\u00eds falido, com as regi\u00f5es e estruturas ainda relativamente saud\u00e1veis vendidas em saldo aos grandes extorsion\u00e1rios e cleptoman\u00edacos elegantemente chamados \u00abfundos de investimentos\u00bb, com imensas regi\u00f5es e incont\u00e1veis agregados populacionais devastados.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a obra dos \u00abcampe\u00f5es da paz\u00bb congregados na Su\u00ed\u00e7a, os mesmos que aplaudiram com sil\u00eancio c\u00famplice os atentados terroristas contra civis e edif\u00edcios religiosos no Daguest\u00e3o russo e nas praias de Sebastopol. Como reagiriam esses \u00abpacifistas\u00bb se uma pot\u00eancia estrangeira atacasse com m\u00edsseis as praias de New Jersey repletas de veranistas num dia de feriado? Ou assaltasse uma sinagoga de Brooklyn em pleno sabat? O criativo e afascistado socialista Borrell, agora de malas aviadas do \u00abMinist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros\u00bb da Uni\u00e3o Europeia \u2013 a sucessora Kallas garante-nos que para pior j\u00e1 bastava ele \u2013 explicou aos alunos da Universidade de Cambridge que \u00aba diplomacia \u00e9 a arte de gerir uma pol\u00edtica de dois pesos e duas medidas\u00bb. O que nos diz muito, quase tudo, sobre o esp\u00edrito com que o Ocidente coletivo, manifestando sintomas graves de decad\u00eancia, confunde ostensivamente a paz e a guerra, a vida e a morte, para tentar atingir ainda os seus objetivos de dom\u00ednio global do planeta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31844\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10],"tags":[223],"class_list":["post-31844","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8hC","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31844","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31844"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31844\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31846,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31844\/revisions\/31846"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}