{"id":3186,"date":"2012-07-20T01:11:11","date_gmt":"2012-07-20T01:11:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3186"},"modified":"2012-07-20T01:11:11","modified_gmt":"2012-07-20T01:11:11","slug":"o-crime-organizado-pelos-banqueiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3186","title":{"rendered":"O crime organizado pelos banqueiros"},"content":{"rendered":"\n<p>A inven\u00e7\u00e3o da moeda, contempor\u00e2nea \u00e0 do Estado, foi um dos maiores lampejos da intelig\u00eancia humana. A primeira raiz indoeurop\u00e9ia de moeda \u00e9 \u201cmen\u201d, associada aos movimentos da alma na mente, que chegou \u00e0s l\u00ednguas modernas pelo verbo s\u00e2nscrito m\u00e1nyate (ele pensa). Sem essa inven\u00e7\u00e3o, que permite a troca de bens de natureza e valores diferentes, n\u00e3o teria havido a civiliza\u00e7\u00e3o que conhecemos.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o das sociedades e sua organiza\u00e7\u00e3o em estados se fizeram sobre essa conven\u00e7\u00e3o, que se funda estritamente na boa f\u00e9 de todos\u00a0 que dela se servem. Os estados, sempre foram os principais emissores de moeda. A moeda, em si mesma, \u00e9 neutra, mas, desde que surgiu, passou a ser tamb\u00e9m servidora dos maiores v\u00edcios humanos. Com a moeda, vale repetir o lugar comum, cresceram a cobi\u00e7a, a lux\u00faria, a avareza \u2013 e os banqueiros.<\/p>\n<p>A moeda, ou os valores monet\u00e1rios, mal ou bem, estavam sob o controle dos Estados emitentes, que se responsabilizavam pelo seu valor de face, mediante metais nobres ou estoques de gr\u00e3os. Nos tempos modernos, no entanto, a sua garantia \u00e9 apenas virtual. Os conv\u00eanios internacionais se amarram a um pacto j\u00e1 desfeito, o Acordo de Bretton Woods, de 1944. A ruptura do contrato foi ato unilateral dos Estados Unidos, sob a presid\u00eancia Nixon, ao negar a conversibilidade em ouro do d\u00f3lar, moeda de refer\u00eancia internacional pelo Acordo.<\/p>\n<p>Essa decis\u00e3o marca o surgimento de uma nova era, em que o valor\u00a0 da moeda n\u00e3o se relaciona com nada de s\u00f3lido. Os bancos, ao administr\u00e1-la, deveriam conduzir-se de forma a merecer a confian\u00e7a absoluta dos depositantes e dos acionistas, e assegurar essa mesma confiabilidade \u00e0s suas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito. O papel social dos bancos \u00e9 o de afastar os usur\u00e1rios e\u00a0 agiotas do mercado do dinheiro. Mas n\u00e3o \u00e9 desta forma que t\u00eam agido, sobretudo nestes nossos tempos de desmantelamento dos estados.Hoje, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre um Shylock shakespereano e qualquer dirigente dos grandes bancos.<\/p>\n<p>Na Inglaterra, o esc\u00e2ndalo do Barclays, que se confessou o primeiro banco respons\u00e1vel pela manipula\u00e7\u00e3o da taxa Libor, provocou o espanto da opini\u00e3o p\u00fablica, mas n\u00e3o dos meios financeiros que n\u00e3o s\u00f3 conheciam o deslize, como dele se beneficiavam.<\/p>\n<p>Segundo noticiou ontem El Pais, os dois grandes executivos da Novagal\u00edcia, surgida da incorpora\u00e7\u00e3o de duas institui\u00e7\u00f5es oficiais da prov\u00edncia galega \u2013 a NovaCaixa e a Caixa Gal\u00edcia \u2013 e colocada sob o controle de Madri em setembro do ano passado, pediram desculpas aos seus clientes, por ter a institui\u00e7\u00e3o agido mal. Entre outros de seus malfeitos, esteve o de enganar pequenos investidores mal informados, entre eles alguns analfabetos, com aplica\u00e7\u00f5es de alto risco, ou seja, ancoradas em d\u00e9bitos podres, as famosas subprimes, adquiridas dos bancos maiores que operam no mercado imobili\u00e1rio do mundo inteiro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os antigos respons\u00e1veis por esses desvios,\u00a0 deixaram\u00a0 seus cargos percebendo indeniza\u00e7\u00f5es alt\u00edssimas. E os novos administradores tiveram sua remunera\u00e7\u00e3o reduzida, por serem as antigas absolutamente irracionais. Com todas essas desculpas, a Novagal\u00edcia quer uma inje\u00e7\u00e3o de seis bilh\u00f5es de euros, a fim de regularizar a sua situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este jornal reproduziu, ontem, artigo de The Economist, a prop\u00f3sito da manipula\u00e7\u00e3o da taxa Libor, por parte do Barclays, e disse, com a autoridade de uma revista que sempre esteve associada \u00e0 City, que n\u00e3o h\u00e1 mais confian\u00e7a nos maiores\u00a0 bancos, do mundo, como o Citigroup, o J.P.Morgan, a Uni\u00e3o de Bancos Su\u00ed\u00e7os, o Deutschebank e o HSBC. Executivos desses bancos, de Wall Street a T\u00f3quio, est\u00e3o envolvidos na grande manipula\u00e7\u00e3o sobre uma movimenta\u00e7\u00e3o financeira\u00a0 total\u00a0 de 800 trilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Para entender a extens\u00e3o da falcatrua, o PIB mundial do ano passado foi calculado em cerca de 70 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, menos de dez por cento do dinheiro que circulou escorado na taxa manipulada pelos grandes bancos. A Libor, sendo\u00a0 a taxa usada nas opera\u00e7\u00f5es interbanc\u00e1rias, serve de refer\u00eancia para todas as opera\u00e7\u00f5es do mercado financeiro.<\/p>\n<p>O mundo se tornou propriedade dos banqueiros. Os trabalhadores produzem para os banqueiros, que controlam os governos. E quando, no desvario de sua car\u00eancia de \u00e9tica, e falta de intelig\u00eancia, os bancos investem na gan\u00e2ncia dos derivativos e outras opera\u00e7\u00f5es de saqueio,\u00a0 s\u00e3o os que trabalham, como empregados ou empreendedores honrados, que pagam. \u00c9 assim que est\u00e3o pagando os povos da Gr\u00e9cia, da Espanha, de Portugal, da Gr\u00e3 Bretanha, e do mundo inteiro,\u00a0 mediante o arrocho e o corte das despesas sociais, pelos governos vassalos, alem do desemprego, dos despejos inesperados, das doen\u00e7as e do desespero, a fim de que os bancos e os banqueiros se safem.<\/p>\n<p>Se os governantes do mundo inteiro fossem realmente honrados, seria a hora de decidirem, sumariamente, pela estatiza\u00e7\u00e3o dos bancos e o indiciamento dos principais executivos da banca mundial. Eles s\u00e3o os grandes terroristas de nosso tempo. \u00c9 de se esperar que venham a conhecer a cadeia, como a est\u00e1 conhecendo Bernard Madoff. Entre o criador do \u00edndice Nasdaq e os dirigentes do Goldman Sachs e seus pares, n\u00e3o h\u00e1 qualquer diferen\u00e7a moral.<\/p>\n<p>Os terroristas comuns matam dezenas ou centenas de cada vez. Os banqueiros s\u00e3o respons\u00e1veis pela morte de milh\u00f5es de seres humanos, todos os anos, sem correr qualquer risco pessoal. E ainda recebem\u00a0 b\u00f4nus milion\u00e1rios.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.desenvolvimentistas.com.br\/\" target=\"_blank\">www.desenvolvimentistas.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: akamaihd.net\n\n\n\n\n\n\n\n\nMauro Santayana\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3186\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-3186","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c65-lulismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Po","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3186","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3186"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3186\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}