{"id":31887,"date":"2024-07-23T21:21:38","date_gmt":"2024-07-24T00:21:38","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31887"},"modified":"2024-07-25T19:57:18","modified_gmt":"2024-07-25T22:57:18","slug":"a-luta-da-mulher-negra-latino-americana-e-caribenha-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31887","title":{"rendered":"A luta da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31888\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31887\/image-3-26\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/image-3.png?fit=642%2C643&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"642,643\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (3)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/image-3.png?fit=642%2C643&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-31888\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/image-3.png?resize=642%2C643&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"642\" height=\"643\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/image-3.png?w=642&amp;ssl=1 642w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/image-3.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/image-3.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 642px) 100vw, 642px\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>25 DE JULHO: DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA LATINO-AMERICANA E CARIBENHA<\/strong><\/p>\n<p>Jornal O Poder Popular 86 (julho\/agosto de 2024)<\/p>\n<p>A data nasceu com o fim de estimular a reflex\u00e3o sobre o papel das mulheres negras da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, em julho de 1992, no Primeiro Encontro de Mulheres Negras da Am\u00e9rica Latina e Caribe, em Santo Domingo, na Rep\u00fablica Dominicana, que contou com a presen\u00e7a de representantes de cerca de 70 pa\u00edses. A partir desse encontro, nasceu a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-Caribenhas.<\/p>\n<p>Esse complexo e extenso territ\u00f3rio possui caracter\u00edsticas hist\u00f3ricas, econ\u00f4micas e culturais marcadas por invas\u00f5es, explora\u00e7\u00e3o das riquezas naturais, profundo exterm\u00ednio de nativos ind\u00edgenas e tr\u00e1fico de africanos que foram coisificados. \u00c9 importante enfatizar as condi\u00e7\u00f5es em que negras e negros escravizados sobreviviam. Tinham uma carga de trabalho compuls\u00f3ria e desumanizante, alimenta\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, fam\u00edlias separadas, viola\u00e7\u00e3o sexual dos corpos das mulheres, que al\u00e9m de produzir eram obrigadas a reproduzir vidas com frequ\u00eancia que futuramente seriam tomadas como for\u00e7a de trabalho escravizada e o tr\u00e1fico de escravizados serviu como ac\u00famulo de riquezas para desenvolvimento do capitalismo. A hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina est\u00e1 marcada intensamente pela luta contra a escraviza\u00e7\u00e3o, contra a coloniza\u00e7\u00e3o e \u00e9 tamb\u00e9m permeada de lutas contra o imperialismo.<\/p>\n<p>\u00c9 v\u00e1lido pontuar tamb\u00e9m parte da hist\u00f3ria caribenha relembrando fatos ocorridos em algumas das suas ilhas n\u00e3o t\u00e3o conhecidas, como a de S\u00e3o Domingos, que fez sua revolu\u00e7\u00e3o pelas m\u00e3os de negras e negros que lutavam contra a escraviza\u00e7\u00e3o. O Oeste da Ilha de S\u00e3o Domingos, posteriormente independente como Haiti, era uma col\u00f4nia francesa. Tinha meio milh\u00e3o de africanos escravizados, estes, assim como os africanos traficados para outros territ\u00f3rios americanos, n\u00e3o foram sujeitos passivos. Suas hist\u00f3rias foram marcadas pelas rebeli\u00f5es, destrui\u00e7\u00e3o de engenhos, envenenamento de propriet\u00e1rios, cria\u00e7\u00e3o de comunidades independentes como as que conhecemos como quilombos, que eram os chamados maroons. Ao todo foram doze anos de embates intensos que durante seu processo de liberta\u00e7\u00e3o tiveram lideran\u00e7as pouco conhecidas na hist\u00f3ria oficial.<\/p>\n<p>Se raramente ouvimos falar sobre Vicent Og\u00e9 e Toussaint Louverture, lideran\u00e7as expressivas no que culminou na revolu\u00e7\u00e3o do Haiti, o silenciamento fica mais gritante quando pensamos sobre as mulheres na articula\u00e7\u00e3o desse processo. Elas existiram, desempenharam pap\u00e9is fundamentais para a liberta\u00e7\u00e3o do colonialismo e s\u00e3o ainda menos recordadas que as lideran\u00e7as masculinas. Alguns nomes de destaque foram: C\u00e9cile Fatiman, Suzanne Sanit\u00e9 B\u00e9lair, Marie Jeanne Lamartiniere, Marie Sainte D\u00e9d\u00e9e Bazile, Henriette Saint Marc, Marie Claire Heureuse Felicit\u00e9 Bonheur e Catherine Flon.<\/p>\n<p>A mulher negra, comumente secundarizada e por vezes at\u00e9 apagada dos processos de liberta\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria, ocupa a base da pir\u00e2mide social na opress\u00e3o estrutural que tem a origem no patriarcado, na propriedade privada e no Estado que legitima as desigualdades, a divis\u00e3o de classes sociais e as opress\u00f5es. O patriarcado foi base da cria\u00e7\u00e3o da propriedade privada e do Estado e essa foi a base para a sociedade dividida em classes. Os estudos sobre o desenvolvimento humano nas sociedades primitivas comprovaram que existiram comunidades que tinham outro tipo de sociabilidade na qual a mulher n\u00e3o ocupava papel inferior. Com o desenvolvimento dessas comunidades, o maior dom\u00ednio da agricultura, o ac\u00famulo de bens e as modifica\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es que estabeleciam normas entre o novo modelo de fam\u00edlia, a mulher foi relegada ao espa\u00e7o dom\u00e9stico, privado, \u00e0 monogamia que s\u00f3 era v\u00e1lida para ela e o homem passou a ser o patriarca, dono da fam\u00edlia e da propriedade, assumindo o poder pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social.<\/p>\n<p>O <strong>25 de julho<\/strong> \u00e9 uma data em que as mulheres negras, ind\u00edgenas e de comunidades tradicionais refletem e fortalecem as organiza\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0s mulheres negras e suas diversas lutas. No Brasil, em 2014, foi institu\u00eddo, na mesma data, o <strong>Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra<\/strong>, homenageando um s\u00edmbolo da resist\u00eancia, destacada lideran\u00e7a na luta contra a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil corresponde a mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o. De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o de Mujeres Afro, na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, 200 milh\u00f5es de pessoas se identificam como afrodescendentes. Por\u00e9m, essa parcela populacional \u00e9 a que mais sofre com a pobreza em nosso pa\u00eds: tr\u00eas em cada quatro s\u00e3o pessoas negras.<\/p>\n<p>\u00c9 muito maior o impacto do machismo sobre as mulheres negras, que t\u00eam suas vidas e corpos mercantilizados, os sal\u00e1rios mais rebaixados e suas vidas tornadas invis\u00edveis ao longo dos processos hist\u00f3ricos. \u00c9 muito mais dif\u00edcil ser mulher negra trabalhadora numa sociedade capitalista constru\u00edda a partir do patriarcado, do racismo e da opress\u00e3o da classe burguesa sobre o proletariado.<\/p>\n<p><strong>Queremos uma sociedade na qual a nossa identidade est\u00e9tica e ancestral seja fortalecida pelo orgulho de sermos descendentes de mulheres que constru\u00edram quilombos, levantes, guerras de independ\u00eancia nacional, revolu\u00e7\u00f5es, greves e protestos reafirmando que somos protagonistas de nossa hist\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31887\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[22,180,4,382,26,20],"tags":[224],"class_list":["post-31887","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","category-feminista","category-s6-movimentos","category-negro","category-c25-notas-politicas-do-pcb","category-c1-popular","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8ij","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31887","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31887"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31887\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31889,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31887\/revisions\/31889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}