{"id":31975,"date":"2024-08-14T21:11:25","date_gmt":"2024-08-15T00:11:25","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=31975"},"modified":"2024-08-14T21:11:25","modified_gmt":"2024-08-15T00:11:25","slug":"jayme-miranda-um-revolucionario-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31975","title":{"rendered":"Jayme Miranda, um revolucion\u00e1rio brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"31976\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31975\/images\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/images.jpeg?fit=429%2C715&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"429,715\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"images\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/images.jpeg?fit=429%2C715&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-31976\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/images.jpeg?resize=429%2C715&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"429\" height=\"715\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/images.jpeg?w=429&amp;ssl=1 429w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/images.jpeg?resize=180%2C300&amp;ssl=1 180w\" sizes=\"auto, (max-width: 429px) 100vw, 429px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Funda\u00e7\u00e3o Dinarco Reis<\/p>\n<p>Geraldo de Majella (1)<\/p>\n<p>Jayme Amorim de Miranda (1926-1975), jornalista, advogado e dirigente comunista, nasceu em Macei\u00f3, no bairro do Po\u00e7o, no dia 18 de julho de 1926, filho do casal Manoel Simpl\u00edcio de Miranda e Herm\u00e9 Amorim de Miranda, o segundo de uma fam\u00edlia de dez filhos. S\u00e3o eles: Haroldo (1925-1988), Jayme (1926-1975), Valter, Edvar, Zenaide, Wilton (1931-2006), Nilson (1933), Neiza, H\u00e9lio, Manoel \u2212 Manelito \u2212 Amorim de Miranda.<\/p>\n<p>Casa-se com Elza Rocha de Miranda e constituem uma fam\u00edlia de quatro filhos. Dois nasceram em Macei\u00f3 e dois no Rio de Janeiro: Olga Tatiana (1960) e Yuri Patrice (1961), s\u00e3o alagoanos; os outros dois, Jaime (1965) e Andr\u00e9 Rocha de Miranda (1970), s\u00e3o cariocas.<\/p>\n<p>Teve origem numa fam\u00edlia de classe m\u00e9dia baixa: o pai era propriet\u00e1rio de um bar e lanchonete na regi\u00e3o central de Macei\u00f3, onde os filhos mais velhos o ajudavam no balc\u00e3o. A fam\u00edlia morou por muitos anos num bairro tamb\u00e9m de classe m\u00e9dia, o Po\u00e7o. Iniciou os estudos, o antigo curso prim\u00e1rio, em escolas p\u00fablicas. Em 1937 foi matriculado no col\u00e9gio Diocesano (Marista), onde cursou o ginasial, sendo em 1941 transferido para o Liceu Alagoano e a\u00ed concluindo o curso colegial em 1944.<\/p>\n<p>No final de 1944, presta vestibular para Qu\u00edmica em Recife \u2212 numa manifesta\u00e7\u00e3o de um desejo acalentado desde a adolesc\u00eancia pelas ci\u00eancias exatas \u2212, mas n\u00e3o foi aprovado. No ano seguinte, em Macei\u00f3, presta novamente vestibular desta vez para o curso de Direito e \u00e9 aprovado para a Faculdade de Direito de Alagoas, onde se bacharelou.<\/p>\n<p>Entre 1941 e 1945 tem dupla jornada de trabalho como revisor dos jornais: Jornal de Alagoas, \u00f3rg\u00e3o dos Di\u00e1rios Associados, e A Not\u00edcia, vespertino, ali\u00e1s o \u00fanico no g\u00eanero em Alagoas. Nesse per\u00edodo o mundo vivia os horrores da II Guerra (1939- 1945). Nas reda\u00e7\u00f5es dos jornais em Macei\u00f3 trabalhavam alguns jornalistas simpatizantes e outros militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB). \u00c9 nesse ambiente de ebuli\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que Jayme Miranda aprende o of\u00edcio de jornalista e intensifica as suas rela\u00e7\u00f5es com a milit\u00e2ncia clandestina do PCB.<\/p>\n<p>Estudante de Direito e revisor, inicia a milit\u00e2ncia pol\u00edtica na Uni\u00e3o da Juventude Comunista (UJC), participando das manifesta\u00e7\u00f5es de ruas contra o nazi-fascismo, mobilizando a popula\u00e7\u00e3o para pressionar o governo Vargas a romper com o Eixo (Alemanha, It\u00e1lia e Jap\u00e3o).<\/p>\n<p>Os v\u00ednculos pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos com o PCB tiveram la\u00e7os familiares evidentes, pois dois dos seus tios paternos, Ezequiel2 e Isa\u00edas Simpl\u00edcio de Miranda, e uma tia, Tabita Miranda, haviam se ligado ao partido na d\u00e9cada de 1930. Ezequiel Miranda se filia \u00e0 Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL), entidade legal e de massas. Ap\u00f3s a proibi\u00e7\u00e3o de funcionamento da ANL, mant\u00e9m a milit\u00e2ncia comunista e participa do processo de organiza\u00e7\u00e3o da Insurrei\u00e7\u00e3o Comunista, movimento que ficou conhecido como Intentona Comunista de 1935. \u00c9 preso em Macei\u00f3, processado pelo Tribunal de Seguran\u00e7a Nacional (TSN) e condenado a cinco anos de pris\u00e3o, pena cumprida no pres\u00eddio da Ilha de Fernando de Noronha.<\/p>\n<p>Escola de Sargento das Armas<\/p>\n<p>No ano de 1946 ocorre uma mudan\u00e7a radical na vida do jovem acad\u00eamico de Direito. Ao se inscrever e prestar concurso para a Escola de Sargento das Armas (ESA), foi aprovado e segue para Realengo no Rio de Janeiro, onde inicia a carreira militar. No ano seguinte \u00e9 promovido a terceiro-sargento, indo servir em Pindamonhangaba (SP). O curso de sargento tinha dura\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de cinco anos, per\u00edodo n\u00e3o cumprido integralmente.<\/p>\n<p>A vida na caserna n\u00e3o lhe fez bem; a rigidez e outras formas de controles, incluindo a forma\u00e7\u00e3o militarista, causaram-lhe s\u00e9rios transtornos disciplinares. Tomou conhecimento, por colegas de fardas, de que seria transferido para o estado do Mato Grosso, como puni\u00e7\u00e3o. Antes que isso se efetivasse, rescindiu o contrato e regressou a Macei\u00f3, na condi\u00e7\u00e3o de terceiro-sargento.<\/p>\n<p>O amigo de inf\u00e2ncia, Rubens Jambo (1926-2010), que tamb\u00e9m havia sido aprovado no concurso da ESA e com quem Jayme mantinha contatos frequentes, se ligou ao PCB no meio militar. Naquela \u00e9poca O PCB tinha um n\u00facleo de militares de v\u00e1rias patentes e possivelmente foram esses companheiros que o informaram, levando-o a tomar a decis\u00e3o de rescindir o contrato.<\/p>\n<p>Em Macei\u00f3 e com 22 anos, no dia 15 de setembro de 1948 \u00e9 contratado e tem a carteira assinada como escritur\u00e1rio da Cooperativa dos Plantadores de Cana de Alagoas. O emprego contou com a influ\u00eancia do ent\u00e3o deputado udenista Rui Palmeira, naquela \u00e9poca aliado dos comunistas.<\/p>\n<p>O contrato de trabalho assinado pela Cooperativa dos Plantadores de Cana de Alagoas foi o primeiro e \u00fanico v\u00ednculo empregat\u00edcio na vida do jornalista e dirigente comunista. As anota\u00e7\u00f5es encontradas na carteira profissional n\u00b0 34.659 indicam que teve dura\u00e7\u00e3o de apenas um ano. A vida dupla, de trabalhador na principal organiza\u00e7\u00e3o da elite rural, as atividades como estudante de Direito e as tarefas, cada vez maiores, como membro da Uni\u00e3o da Juventude Comunista (UJC) do PCB, tornou-se impratic\u00e1vel. A op\u00e7\u00e3o entre o trabalho com carteira assinada e a atua\u00e7\u00e3o exclusivamente no movimento estudantil e na organiza\u00e7\u00e3o do PCB deu-se pela segunda das alternativas e foi definitiva at\u00e9 o \u201cdesaparecimento\u201d em 1975. Jayme Miranda n\u00e3o mais trabalhou para qualquer patr\u00e3o.<\/p>\n<p>A reabertura de A Voz do Povo<\/p>\n<p>A primeira edi\u00e7\u00e3o de A Voz do Povo saiu no dia 1\u00ba de maio de 1946. Fundado por Andr\u00e9 Papini G\u00f3es (1908-1966), diretor, e outros jornalistas como Floriano Ivo J\u00fanior, Arnoldo Jambo, George Cabral, a reda\u00e7\u00e3o contava com a colabora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de dirigentes do PCB. O jornal foi diversas vezes invadido, depredado e empastelado pela pol\u00edcia, que obedecia \u00e0s ordens do governador Silvestre P\u00e9ricles de G\u00f3is Monteiro. A pol\u00edcia em 1947 \u2212 menos de dois anos ap\u00f3s a sua funda\u00e7\u00e3o \u2212 empastelou A Voz do Povo e n\u00e3o mais permitiu que o jornal voltasse a funcionar legalmente. Os comunistas, na clandestinidade, resistiram e colocaram o jornal para circular de maneira prec\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em 1950, pouco dias antes da posse do governador Arnon de Mello (1911- 1983), A Voz do Povo \u00e9 reaberto, agora sob a dire\u00e7\u00e3o de Osvaldo Nogueira, com uma reda\u00e7\u00e3o formada essencialmente pelos jovens estudantes: Jayme Amorim de Miranda, Rubens Figueiredo \u00c2ngelo (1929), Murilo Gameleira Vaz (1930-2012), e trabalhadores como Renalvo Siqueira e Benedito Silva, que aprenderam o of\u00edcio de rep\u00f3rter numa reda\u00e7\u00e3o improvisada.<\/p>\n<p>No dia 31 de janeiro de 1950, dia em que o governador de Alagoas, Arnon de Mello, foi empossado, o jornalista Jayme Miranda foi preso quando protestava nas ruas do centro de Macei\u00f3. Os soldados do ex\u00e9rcito o levaram para o Quartel do 20\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores (20\u00ba BC) e o entregaram ao coronel M\u00e1rio de Carvalho Lima (1908- 1983), comandante da guarni\u00e7\u00e3o federal, que viria a ser padrinho de batismo do jornalista preso. Muitos anos depois do incidente o militar reformado na patente de general publicaria, no livro Sururu Apimentado, o seguinte depoimento:<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 ligeiro incidente veio ensombrar a completa normalidade da ordem p\u00fablica. Um grupo de obstinados comunistas, chefiado pelo nosso talentoso, mas fan\u00e1tico afilhado, Jayme Miranda, tentou realizar um com\u00edcio, na pra\u00e7a Rosa da Fonseca, na mesma hora da posse do governador. O saudoso e ent\u00e3o tenente Alfredo Camar\u00e3o, que chefiava o controle do policiamento do centro da cidade, conseguiu det\u00ea-los no tempo exato. Transportou-os, em uma das nossas viaturas, para o quartel do Farol onde, para maior tranquilidade, determinamos que ali pernoitassem\u201d.3<\/p>\n<p>No dia seguinte \u00e0 posse do governador, A Voz do Povo \u00e9 invadido pela pol\u00edcia, que destr\u00f3i a oficina, sendo quebrada a m\u00e1quina impressora. O jornal mais uma vez fica sem condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para circular. A den\u00fancia de que houve viol\u00eancia nas pris\u00f5es dos comunistas foi depois noticiada pelo seman\u00e1rio, que voltou a circular clandestinamente. Os gr\u00e1ficos tamb\u00e9m foram barbaramente espancados pela pol\u00edcia militar. A \u00fanica den\u00fancia poss\u00edvel na \u00e9poca partiu naturalmente do seman\u00e1rio comunista. Na edi\u00e7\u00e3o que restou depois de tantas invas\u00f5es policiais encontra-se esta nota:<\/p>\n<p>\u201cContinua em Alagoas o imp\u00e9rio da viol\u00eancia. O demagogo Arnon de Mello, cujo servilismo ao imperialismo americano \u00e9 posto em evid\u00eancia por ele pr\u00f3prio com apenas um m\u00eas de governo, n\u00e3o suporta as cr\u00edticas do povo e, enfurecido como um louco, manda intimidar primeiro e depois prender os trabalhadores de A Voz do Povo, chegando ao cinismo de mandar a sua pol\u00edcia invadir as nossas oficinas e roubar 700 exemplares do nosso jornal. \u00c9 a sequ\u00eancia do crime ocorrido no dia da investidura do mesmo Sr. Arnon de Mello no poder, quando foi a nossa reda\u00e7\u00e3o assaltada e presas 56 pessoas. Apesar das numerosas pris\u00f5es realizadas na semana passada e do verdadeiro bloqueio em que se encontra a cidade, com beleguins e soldados da pol\u00edcia militar localizados nos principais pontos, o jornal foi impresso e levado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, principalmente aos trabalhadores\u201d.4<\/p>\n<p>O jornal continuou a ser publicado em Macei\u00f3 e vendido atrav\u00e9s de comandos organizados pelos militantes nas portas das f\u00e1bricas t\u00eaxteis. A f\u00e1brica Alexandria, localizada no bairro da Cambona, era um dos locais onde os oper\u00e1rios sistematicamente eram desrespeitados. Mesmo em condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis, as den\u00fancias sa\u00edam do interior da f\u00e1brica e encontravam a \u00fanica maneira de ecoar na sociedade alagoana atrav\u00e9s das p\u00e1ginas do jornal A Voz do Povo. O jornal entrava nas f\u00e1bricas pelas m\u00e3os dos oper\u00e1rios, que organizavam a \u201cpatrulha de vigil\u00e2ncia a fim de evitar os efeitos do terror policial. Centenas de exemplares foram vendidos nessa concentra\u00e7\u00e3o\u201d.5<\/p>\n<p>Curso St\u00e1lin<\/p>\n<p>Em 1951 o Partido Comunista Brasileiro organiza nos estados um curso paramilitar, inspirado no Manifesto de Agosto de 1950. O curso era dividido em tr\u00eas fases: o b\u00e1sico ou elementar, o intermedi\u00e1rio e o superior, este ministrado em dois momentos: o primeiro realizado no Brasil, com dura\u00e7\u00e3o entre 40 e 50 dias, e o segundo, na Escola internacional de quadros, em Moscou.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea Central, em fevereiro de 1951, decidiu criar uma escola nacional de forma\u00e7\u00e3o de quadros, e a comiss\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, \u00f3rg\u00e3o auxiliar, teve a incumb\u00eancia de coordenar os trabalhos. Tamb\u00e9m foram criadas escolas em dezenas de cidades e em diversos estados. A escola que os militantes de Alagoas participaram ficava em Recife. Um professor, membro da comiss\u00e3o e que j\u00e1 havia estudado em Moscou, foi quem ministrou as aulas dessas fases do Curso St\u00e1lin.<\/p>\n<p>O dirigente comunista Rubens Cola\u00e7o participou da organiza\u00e7\u00e3o do curso St\u00e1lin em Alagoas, onde 28 militantes e dirigentes intermedi\u00e1rios de Alagoas e Pernambuco fizeram o curso, realizado numa fazenda no munic\u00edpio de Murici (AL), em absoluta clandestinidade.6<\/p>\n<p>Para o primeiro curso realizado em Recife, de Alagoas foi designado pelo Partido o oper\u00e1rio t\u00eaxtil S\u00edlvio da Rocha Lira. A comiss\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Central havia planejado tr\u00eas cursos para atender aos estados de Pernambuco, Alagoas e Para\u00edba. O encarregado pelos cursos foi o jornalista mineiro Marco Ant\u00f4nio Tavares Coelho, que naquela \u00e9poca passou a residir em Pernambuco. Os principais dirigentes desses estados participaram do curso St\u00e1lin: Hiran de Lima Pereira, Jayme Amorim de Miranda, Ivo Valen\u00e7a, Paulo Cavalcanti, Jos\u00e9 Raimundo da Silva, Djaci Magalh\u00e3es, Claudio Tavares, Clodomir Morais, entre outros.7<\/p>\n<p>O trabalho de educa\u00e7\u00e3o implantado pelo PCB naquele momento, in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950, tinha a perspectiva de formar quadros te\u00f3ricos e ideologicamente comprometidos com a linha pol\u00edtica definida no Manifesto de Agosto de 1950, na perspectiva da luta armada. Nessa conjuntura, a prepara\u00e7\u00e3o de quadros dirigentes em todos os n\u00edveis era essencial.<\/p>\n<p>Apelo de Estocolmo<\/p>\n<p>O comit\u00ea permanente do Congresso Mundial dos Partid\u00e1rios da Paz, reunido em Estocolmo, em mar\u00e7o de 1950, lan\u00e7ou um apelo pela proibi\u00e7\u00e3o da bomba at\u00f4mica atrav\u00e9s de uma campanha de assinaturas. Os comunistas brasileiros, a exemplo dos comunistas de todo o mundo, deram in\u00edcio \u00e0 campanha pela paz, contra o envio de tropas \u00e0 Coreia e a utiliza\u00e7\u00e3o de armas at\u00f4micas. A coleta de 4,2 milh\u00f5es de assinaturas realizada pelos comunistas brasileiros causou certa surpresa em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p>O coordenador do trabalho de coleta de assinaturas em Alagoas foi Jayme Miranda, mas este trabalho foi dividido com outros militantes. O foco principal do PCB eram os oper\u00e1rios fabris, os trabalhadores portu\u00e1rios, os ferrovi\u00e1rios e os estudantes. Numa das atividades de coleta de assinaturas no distrito de Fern\u00e3o Velho em Macei\u00f3, a pol\u00edcia militar, a servi\u00e7o da f\u00e1brica Carmem, empresa do grupo Othon Bezerra de Mello, proibiu a coleta e exigiu que fossem entregues as listas com as assinaturas dos oper\u00e1rios. Nesse momento estavam presentes Renalvo Siqueira, Jos\u00e9 Benedito, Antonio Carlindo, S\u00edlvio Lira e Jos\u00e9 Gomes, os dois \u00faltimos, oper\u00e1rios da f\u00e1brica Carmem.<\/p>\n<p>O resultado desse conflito por pouco n\u00e3o foi tr\u00e1gico. O jornalista Jayme Miranda foi atingido com a baioneta de um dos militares; esvaindo-se em sangue, \u00e9 levado ao hospital de Pronto-Socorro, enquanto os outros comunistas foram dominados e levados para uma delegacia de pol\u00edcia em Macei\u00f3, onde passaram a ser espancados.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o aos comunistas e ao movimento social era articulada entre patronato e governo, e muito pouco se divulgava na imprensa, a n\u00e3o ser quando a mat\u00e9ria, acrescida de sutilezas, dava como uma fonte qualquer, mas tratava de pris\u00f5es, como ocorreu em 1952: a principal manchete da Gazeta de Alagoas anuncia como manchete principal de primeira p\u00e1gina: \u201cDesmorona-se o Comit\u00ea Estadual do P.C. em Alagoas\u201d.8<\/p>\n<p>Os processos contra os militantes comunistas foram seletivamente abertos. Os principais e mais conhecidos foram atingidos: Jaime Barbosa, Jos\u00e9 Gomes, Silvio Mac\u00e1rio, Tib\u00farcio Ten\u00f3rio das Neves, Jos\u00e9 Rosa de Oliveira, J\u00falio de Almeida Braga, P\u00e9ricles de Ara\u00fajo Neves, Manoel Barnab\u00e9 de Lima, os irm\u00e3os Joaquim e Jos\u00e9 Costa, Jos\u00e9 Cavalcante, Osvaldo Nogueira. Alguns foram condenados, a saber: Benedito da Silva, Renalvo Siqueira dos Santos, Carlindo Silva e Jayme Amorim de Miranda. As penas variaram entre um e cinco anos de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Os comunistas organizaram uma campanha pela liberdade de Tib\u00farcio Ten\u00f3rio das Neves. O jornal A Voz do Povo denuncia que:<\/p>\n<p>\u201cDecorridos tr\u00eas meses e meio da a\u00e7\u00e3o popular que impediu (sic) o aumento das passagens dos transportes, continua encarcerado na masmorra da pra\u00e7a da Independ\u00eancia o bravo patriota alagoano Tib\u00farcio Ten\u00f3rio das Neves. Sequestrado na pra\u00e7a dos Mart\u00edrios, quando se colocava \u00e0 frente de centenas de alagoanos, solidarizando- se com o vitorioso movimento do nosso povo que n\u00e3o permitiu mais este assalto a sua minguada bolsa. Tib\u00farcio juntamente com seu companheiro Renalvo Siqueira foram submetidos a b\u00e1rbaros espancamentos pelos sic\u00e1rios da pol\u00edcia pol\u00edtica do Sr. Arnon de Mello. Em seguida, gra\u00e7as ao en\u00e9rgico movimento de solidariedade e protesto de todas as camadas sociais de Alagoas, Renalvo Siqueira foi arrancado do c\u00e1rcere, mas Tib\u00farcio permanece submetido a um processo de farsa, tendo os doutos ju\u00edzes desembargadores lhe negado os recursos de habeas-corpus e fian\u00e7a, \u201clegalizando\u201d desta maneira as arbitrariedades policiais\u201d.9<\/p>\n<p>As dificuldades enfrentadas pelo PCB para atuar em Alagoas nesse per\u00edodo foram t\u00e3o grandes que alguns dos seus quadros, os mais conhecidos, tiveram de viver totalmente clandestinos. Outros foram obrigados a deixar o estado de Alagoas, a exemplo dos irm\u00e3os Jayme e Nilson Miranda, que foram atuar em Pernambuco.<\/p>\n<p>Clandestinidade e pris\u00e3o em Pernambuco<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sistem\u00e1tica tem como alvo o PCB, clandestino. Sobrevivendo com dificuldades, a dire\u00e7\u00e3o estadual decide que Jayme Miranda deixe o estado de Alagoas, em 1951, para atuar em Pernambuco. Nessa \u00e9poca j\u00e1 \u00e9 o dirigente com maiores responsabilidades, ocupando o cargo de secret\u00e1rio-pol\u00edtico. Em Recife, onde se fixa, atua no trabalho de organiza\u00e7\u00e3o. Mas em meados de 1953 \u00e9 preso pelo Dops, sendo torturado e em seguida transferido para Macei\u00f3, onde fica preso na antiga Penitenci\u00e1ria por mais de um ano. O que motivou a pris\u00e3o e condena\u00e7\u00e3o \u00e0 revelia foi um editorial publicado no seman\u00e1rio A Voz do Povo, ainda em 1951, criticando o ent\u00e3o governador Arnon de Mello.<\/p>\n<p>A imprensa local silenciou quanto ao fato de que um jornalista no exerc\u00edcio da sua profiss\u00e3o fora perseguido, preso e torturado por expressar a sua opini\u00e3o atrav\u00e9s de um editorial. Mesmo os jornais onde havia trabalhado como revisor, o Jornal de Alagoas e A Not\u00edcia, n\u00e3o deram uma linha sequer sobre o fato de o jornalista ter sido preso e o que motivou a pris\u00e3o: o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o. A imprensa local estava totalmente subjugada ao governo.<\/p>\n<p>Ao sair da pris\u00e3o em 1954 deixa novamente Macei\u00f3, indo para Recife cuidar da sa\u00fade debilitada em decorr\u00eancia das torturas na pris\u00e3o. Com a sa\u00fade recuperada, \u00e9 enviado para o estado do Par\u00e1. Nessa \u00e9poca j\u00e1 \u00e9 um quadro profissionalizado pelo partido. Permanece no Par\u00e1 at\u00e9 1957, regressando a Alagoas ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es e a posse de Sebasti\u00e3o Marinho Muniz Falc\u00e3o no governo de Alagoas, reassumindo a dire\u00e7\u00e3o do jornal A Voz do Povo e o cargo de secret\u00e1rio-pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria de Muniz Falc\u00e3o<\/p>\n<p>O PCB participou do processo eleitoral apoiando as candidaturas presidenciais de Juscelino Kubistchek (1902-1976) e Jo\u00e3o Goulart (1919-1976), e de Sebasti\u00e3o Marinho Muniz Falc\u00e3o [1915-1966]10 para governador de Alagoas. Muniz Fac\u00e3o venceu as elei\u00e7\u00f5es derrotando o advogado Afr\u00e2nio Salgado Lages (1911-1990), candidato apoiado pelo governador Arnon de Mello. A disputa pela prefeitura de Macei\u00f3 se deu entre Abelardo Pontes Lima (PTB), Os\u00e9as Cardoso (UDN e Sebasti\u00e3o da Hora (PSP), antigo militante do PCB.11<\/p>\n<p>O empenho do PCB na campanha de Muniz Falc\u00e3o passou a ser uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, j\u00e1 que os comunistas vinham de uma longa jornada de repress\u00e3o nos dois per\u00edodos governamentais, o de Silvestre P\u00e9ricles e o de Arnon de Mello. A alian\u00e7a pol\u00edtica estabelecida entre o PCB e Muniz Falc\u00e3o tinha origem nas boas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas travadas desde o per\u00edodo em que o l\u00edder petebista havia exercido a fun\u00e7\u00e3o de delegado do Minist\u00e9rio do Trabalho em Alagoas.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria de Muniz Falc\u00e3o descortinou um novo cen\u00e1rio para os comunistas em Alagoas. Os movimentos sociais, o PCB e o PSB passaram a ser tratados com respeito e o aparelho policial cessou a repress\u00e3o aos comunistas e ao movimento sindical. Jayme Miranda n\u00e3o participou dessa jornada de lutas, pois se encontrava trabalhando na organiza\u00e7\u00e3o do PCB no estado do Par\u00e1. A conquista da liberdade em Alagoas \u00e9 um caminho para os comunistas rapidamente se reorganizarem em Macei\u00f3 e em muitas cidades do interior.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de A Voz do Povo, n\u00ba 38, de 29 de setembro de 1957, traz no expediente Jayme Miranda como diretor e Nelito Nunes de Carvalho como secret\u00e1rio. O jornal abriu a sede na rua do Com\u00e9rcio, 606, e realizou uma vigorosa campanha de finan\u00e7as para modernizar o seman\u00e1rio com a aquisi\u00e7\u00e3o de novas m\u00e1quinas. Os anunciantes durante o governo de Muniz Falc\u00e3o n\u00e3o foram importunados por quaisquer persegui\u00e7\u00f5es policiais ou pelo Fisco estadual. Atuando com liberdade o PCB encontrou as condi\u00e7\u00f5es essenciais para ampliar as rela\u00e7\u00f5es do jornal com o empresariado, conquistando anunciantes.<\/p>\n<p>Renalvo Siqueira e Mironildes Peixoto, vereadores comunistas<\/p>\n<p>O sapateiro Renalvo Siqueira e o funcion\u00e1rio p\u00fablico Mironildes Vieira Peixoto foram eleitos vereadores em Macei\u00f3 nas elei\u00e7\u00f5es de 1958. Ambos eram militantes do PCB. Renalvo, nessa \u00e9poca, j\u00e1 n\u00e3o trabalhava como sapateiro; era dirigente estadual do PCB. No jarg\u00e3o comunista, era um \u201crevolucion\u00e1rio profissionalizado\u201d, mas em face da precariedade da reda\u00e7\u00e3o do jornal A Voz do Povo, vinha trabalhando como rep\u00f3rter, respons\u00e1vel pela cobertura das atividades parlamentares na C\u00e2mara Municipal de Macei\u00f3.<\/p>\n<p>Esse tipo de trabalho era comum naquela \u00e9poca, e a dire\u00e7\u00e3o do jornal estimulava os militantes a serem \u201ccorrespondentes\u201d em seus locais de trabalho, moradia, estudo, no movimento sindical e tamb\u00e9m nas casas legislativas, na assembleia e nas c\u00e2maras municipais.<\/p>\n<p>A Voz do Povo, sem que tivesse essa preocupa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, serviu de escola para v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de oper\u00e1rios, estudantes, profissionais liberais e jovens intelectuais, no exerc\u00edcio di\u00e1rio de jornalistas formados na pr\u00e1tica cotidiana.<\/p>\n<p>Os mandatos parlamentares de Renalvo Siqueira e Mironildes Vieira Peixoto sinalizavam mudan\u00e7as de a\u00e7\u00f5es do PCB em Alagoas. Ambos com atua\u00e7\u00e3o parlamentar dedicada \u00e0s causas populares, \u00e0 defesa da pol\u00edtica do PCB e do aliado Muniz Falc\u00e3o. Foi, pois, numa conjuntura pol\u00edtica favor\u00e1vel, para os comunistas, trabalhistas e socialistas que esses mandatos fizeram crescer a influ\u00eancia do partido aliado ao movimento sindical em ascens\u00e3o durante o governo de Muniz Falc\u00e3o.<\/p>\n<p>O refor\u00e7o no trabalho de dire\u00e7\u00e3o do PCB foi potencializado com o retorno de Jayme Miranda, que havia passado os \u00faltimos tr\u00eas anos na regi\u00e3o Norte do pa\u00eds. Some- se a isso a vinda para Alagoas de Nelito Nunes de Carvalho, jornalista baiano e quadro com experi\u00eancia na organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria em v\u00e1rios estados, imediatamente levado para a reda\u00e7\u00e3o do A Voz do Povo como chefe de reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O crescimento do PCB \u00e0 luz da liberdade conquistada durante o governo Muniz Falc\u00e3o gerou tamb\u00e9m alguns problemas internos, e nas elei\u00e7\u00f5es seguintes o nome do radialista e jornalista Nilson Miranda foi apresentado como candidato a vereador, sendo eleito com expressiva vota\u00e7\u00e3o. Renalvo Siqueira e Mironildes Peixoto se afastam da milit\u00e2ncia comunista. O radialista Nilson Miranda passou a ser o terceiro vereador comunista na hist\u00f3ria do partido em Macei\u00f3.<\/p>\n<p>Elei\u00e7\u00e3o para o Comit\u00ea Central<\/p>\n<p>Em 1960, o PCB realizou pela primeira vez em sua hist\u00f3ria um congresso, numa situa\u00e7\u00e3o de semilegalidade. Os delegados ao congresso representavam um contingente de aproximadamente 15 mil militantes, distribu\u00eddos pelos estados da federa\u00e7\u00e3o. O V Congresso ocorreu na sede da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, no m\u00eas de setembro. O clima pol\u00edtico vivido no pa\u00eds garantia a liberdade de express\u00e3o. Aproveitando-se dessa conquista durante o governo Juscelino Kubistchek, o PCB se preparou para solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o registro para atuar legalmente e inclusive participar do processo eleitoral.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o nacional que emergiu do V Congresso rompia com a antiga pol\u00edtica do culto \u00e0 personalidade e principalmente apontava para a<\/p>\n<p>\u201cexist\u00eancia de duas contradi\u00e7\u00f5es fundamentais que exigem solu\u00e7\u00e3o radical na atual etapa hist\u00f3rica do desenvolvimento da sociedade brasileira, quais sejam: a contradi\u00e7\u00e3o entre a Na\u00e7\u00e3o e o imperialismo e seus agentes internos, e aquela entre as for\u00e7as produtivas em crescimento e o monop\u00f3lio da terra, que se expressa, essencialmente, como contradi\u00e7\u00e3o entre latifundi\u00e1rios e massa camponesa.\u201d12<\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica aprovada pelo V Congresso dizia que as transforma\u00e7\u00f5es em dire\u00e7\u00e3o a uma sociedade socialista n\u00e3o ocorreriam de imediato, mas mediante etapas hist\u00f3ricas, fruto essencialmente das lutas das for\u00e7as sociais.<\/p>\n<p>O comit\u00ea central eleito pelos delegados inclu\u00eda pela primeira vez o dirigente alagoano Jayme Amorim de Miranda como membro efetivo. Outros tr\u00eas nomes identificados com o estado de Alagoas tamb\u00e9m foram eleitos: Jos\u00e9 Maria Cavalcante, mar\u00edtimo que em 1947 havia sido deputado estadual pelo PCB e que em 1960 militava em Niter\u00f3i (RJ); Jos\u00e9 Francisco, ex-oper\u00e1rio com longa trajet\u00f3ria de atividades partid\u00e1rias, que deixou o estado de Alagoas na d\u00e9cada de trinta e havia sido candidato a suplente de senador na chapa com Lu\u00eds Carlos Prestes em 1946; e o coronel do ex\u00e9rcito Henrique Cordeiro Oest, comandante da guarni\u00e7\u00e3o federal em Alagoas, secret\u00e1rio de seguran\u00e7a p\u00fablica do governo Muniz Falc\u00e3o, eleito para o comit\u00ea central. Oest era carioca e tinha tamb\u00e9m uma longa milit\u00e2ncia no PCB, tendo sido at\u00e9 mesmo candidato a deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro em 1946.<\/p>\n<p>O VI Congresso foi realizado em dezembro de 1967 em S\u00e3o Paulo, e em condi\u00e7\u00f5es adversas, clandestinamente, com um n\u00famero menor de delegados. Jayme Miranda j\u00e1 n\u00e3o morava nem atuava em Alagoas, e havia ficado meses na pris\u00e3o durante o golpe militar de 1964. Ao ser solto, passou a viver na clandestinidade no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Foi reeleito para o comit\u00ea central e em seguida foi escolhido para a comiss\u00e3o executiva do CC. A comiss\u00e3o executiva escolhida era composta por Lu\u00eds Carlos Prestes, Giocondo Dias, Orlando Bonfim J\u00fanior, Zuleika Alambert, Dinarco Reis, Geraldo Rodrigues dos Santos e Jayme Miranda, membros efetivos; Ramiro Luchesi, Walter Ribeiro e Marco Antonio Tavares Coelho como suplentes13.<\/p>\n<p>Jayme trabalhou na organiza\u00e7\u00e3o do PCB em v\u00e1rios estados das regi\u00f5es Sudeste e Sul, mas fixou-se no Rio de Janeiro; como membro da comiss\u00e3o executiva fez parte do grupo dirigente que cuidava da organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria na clandestinidade. Esse tipo de atividade o obrigava a se deslocar por v\u00e1rios estados e cidades, mantendo contatos com dirigentes locais do partido.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o do tipo de trabalho que desenvolvia era obrigado a mudar constantemente de endere\u00e7o, por quest\u00e3o de seguran\u00e7a pessoal e partid\u00e1ria. Morou em diversos bairros do sub\u00farbio da cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Viagens ao Exterior<\/p>\n<p>Em 1949, aos 23 anos de idade, foi eleito delegado pelo estado de Alagoas, para representar os estudantes no Congresso pela Paz, na cidade do M\u00e9xico. Esta \u00e9 a primeira viagem internacional.<\/p>\n<p>Em companhia de Napole\u00e3o Moreira, Edler Lins e Mozart Ver\u00e7osa Damasceno, Jayme Miranda participou do Festival Mundial da Juventude Democr\u00e1tica, realizado em Viena em 1959. O grupo esteve no festival e tamb\u00e9m foi a Moscou, capital da ent\u00e3o Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a Paris, Lisboa e outras cidades europeias. Foi a primeira vez que Jayme esteve na antiga URSS.<\/p>\n<p>A primeira viagem como membro do comit\u00ea central ao exterior aconteceu em 1961, como membro de uma delega\u00e7\u00e3o composta de jornalistas, advogados, pol\u00edticos, sindicalistas de Alagoas e de outros estados do Brasil, organizada pelo ent\u00e3o deputado federal Francisco Juli\u00e3o (PTB-PE), fundador e coordenador nacional das Ligas Camponesas. Fizeram parte da delega\u00e7\u00e3o os jornalistas alagoanos Alberto Jambo e Nilson Miranda, o advogado Ciro Casado Rocha e o deputado estadual Mendes de Barros (PSP) \u2212 este n\u00e3o concluiu a viagem, pois quando estava pronto para embarcar pelo aeroporto do Recife, recebeu a not\u00edcia de que Robson Mendes, seu primo e prefeito de Palmeira dos \u00cdndios, havia sofrido um atentado a bala, o que o fez retornar a Alagoas.<\/p>\n<p>O jornalista, e deputado estadual do Rio Grande do Norte, Luiz In\u00e1cio Maranh\u00e3o Filho tamb\u00e9m fez parte da delega\u00e7\u00e3o. Os membros da delega\u00e7\u00e3o participaram de v\u00e1rias sess\u00f5es p\u00fablicas com os principais dirigentes da revolu\u00e7\u00e3o cubana, entre eles Fidel Castro e Ernesto Che Guevara, e tamb\u00e9m v\u00e1rios dirigentes do Partido Comunista Cubano, sob a dire\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio-geral Francisco Calder\u00edo Blas Roca.<\/p>\n<p>Jayme Miranda, secret\u00e1rio pol\u00edtico do PCB em Alagoas e outros dirigentes nacionais do PCB se encontraram reservadamente com Fidel Castro e Che Guevara e se reuniram num outro momento com o secret\u00e1rio-geral do Partido Comunista Cubano, Blas Roca.<\/p>\n<p>A segunda viagem internacional na condi\u00e7\u00e3o de membro da dire\u00e7\u00e3o nacional foi para a China, em companhia do tamb\u00e9m dirigente comunista ga\u00facho Jover Teles. Ambos participaram da primeira delega\u00e7\u00e3o oficial do PCB \u00e0quele pa\u00eds e se reuniram com v\u00e1rios dirigentes do Partido Comunista Chin\u00eas (PCCh). Os dirigentes brasileiros tiveram um encontro reservado com o l\u00edder da Revolu\u00e7\u00e3o chinesa, Mao Ts\u00e9 Tung. Para chegar a Pequim, passaram alguns dias em Moscou, cidade a que Jayme, durante os pr\u00f3ximos anos, voltaria algumas vezes.<\/p>\n<p>Em 1974 e 1975 Jayme Miranda foi novamente a Moscou. A rota \u00e9 pela Europa, passando pelo aeroporto de Orly em Paris, onde \u00e9 vigiado pelo servi\u00e7o secreto franc\u00eas, como consta do seu prontu\u00e1rio. Essa foi, sem que ele pudesse supor, a sua \u00faltima viagem internacional. No dia 4 de fevereiro de 1975, no Rio de Janeiro, \u00e9 sequestrado pelo Doi-Codi. At\u00e9 hoje n\u00e3o apareceu, nem as for\u00e7as armadas entregaram seus restos mortais. Jayme Amorim de Miranda \u00e9 um dos \u201cdesaparecidos pol\u00edticos\u201d brasileiros.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1. Geraldo de Majella, historiador, escreveu Caderno da Milit\u00e2ncia \u2013 hist\u00f3ria vivida nos bastidores da pol\u00edtica (Edufal, 2006), Execu\u00e7\u00f5es Sum\u00e1rias e Grupos de Exterm\u00ednios em Alagoas (1975-1998, Edufal, 2006), Rubens Cola\u00e7o: Paix\u00e3o e vida \u2013 A trajet\u00f3ria de um l\u00edder sindical (Edi\u00e7\u00f5es Baga\u00e7o, 2010), O PCB em Alagoas: Documentos 1982-1990 (Cepal, 2011) e Mozart Damasceno, o bom burgu\u00eas (Edi\u00e7\u00f5es Baga\u00e7o, 2011).<\/p>\n<p>2. Ezequiel Simpl\u00edcio de Miranda, pol\u00edtico, tornou-se militante do PCB na primeira metade da d\u00e9cada de 1930. Pertenceu \u00e0 Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL). Em 1947 candidata-se a deputado estadual pelo PCB, para contribuir com a chapa de candidatos. Obt\u00e9m 42 votos.<\/p>\n<p>3. Lima, M\u00e1rio de Carvalho. Sururu Apimentado, Macei\u00f3, Edufal, 2008, p. 275.<\/p>\n<p>4. A Voz do Povo, 1951, p. 3. A cole\u00e7\u00e3o do jornal foi salva pelo historiador Moacir Medeiros de Sant\u2019Ana, ap\u00f3s o golpe militar de 1964, quando trabalhava na assessoria do general Bittencourt, na secretaria de seguran\u00e7a p\u00fablica de Alagoas. Em depoimento ao autor no dia 19\/8\/2005, o historiador disse que: \u201cTrabalhamos muito tempo depois de 64. Ent\u00e3o, resolvi carregar. N\u00e3o pedi, n\u00e3o. E se eu pedisse, n\u00e3o daria e terminaria dando fim \u00e0quilo ali. A\u00ed, tranquilamente, amaciei o Rivoredo e, realmente, tirei de l\u00e1 e fui para casa. Morava bem pertinho. Ali\u00e1s, mandavam me levar para casa de carro.\u201d<\/p>\n<p>5. Idem.<\/p>\n<p>6. Majella, Geraldo de. Rubens Cola\u00e7o: Paix\u00e3o e Vida \u2013 A trajet\u00f3ria de um l\u00edder sindical, Recife, Edi\u00e7\u00f5es Baga\u00e7o, 2010, p. 36,37.<\/p>\n<p>7. Coelho, Marco Antonio Tavares. Heran\u00e7a de um sonho, as mem\u00f3rias de um comunista. Rio de Janeiro, Record, 2000, p. 150, 151, 154.<\/p>\n<p>8. Gazeta de Alagoas, 3\/5\/1952. p.1.<\/p>\n<p>9. A Voz do Povo, Ano VIII, n\u00ba 3, 7\/11\/ 1954, p. 2 \u2212 Suplemento.<\/p>\n<p>10. Nas elei\u00e7\u00f5es de 1955 votaram 106.984 eleitores. Muniz Falc\u00e3o (PSP) obteve 53.085 votos; Afr\u00e2nio Salgado Lages, 49.669 votos; 1.927 votos brancos e 2.303 votos nulos. J\u00fanior, Heider Lisboa de S\u00e1, A Justi\u00e7a Eleitoral em Alagoas, Macei\u00f3, 2008, p. 195.<\/p>\n<p>11. Ten\u00f3rio, Douglas Apratto. A Trag\u00e9dia do Populismo \u2013 O impeachment de Muniz Fac\u00e3o, Macei\u00f3, Edufal, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 2007, p.167.<\/p>\n<p>12. Vinhas, Mois\u00e9s. O Partid\u00e3o \u2013 a Luta por um partido de massas \u2013 1922-1974, S\u00e3o Paulo, Editora Hucitec, 1982, p. 183.<\/p>\n<p>13. Idem, p. 243.<\/p>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<p>Lima, M\u00e1rio de Carvalho. Sururu Apimentado \u2013 Apontamentos para a hist\u00f3ria pol\u00edtica de Alagoas, Macei\u00f3, Editora Imprensa Oficial Graciliano Ramos, 2008, p. 275, 276.<\/p>\n<p>Miranda, Nilson. http:\/\/www.jaymemiranda.org\/<\/p>\n<p>A Voz do Povo, edi\u00e7\u00e3o de 1951. H\u00e1 poucos exemplares do jornal no Arquivo P\u00fablico de Alagoas; este n\u00e3o tem outras informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o sejam apenas as do ano da edi\u00e7\u00e3o. Direito \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Verdade: Comiss\u00e3o Especial sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos\/Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Bras\u00edlia, 2007, p. 397.<\/p>\n<p>J\u00fanior, Heider Lisboa de S\u00e1. A Justi\u00e7a Eleitoral em Alagoas, Macei\u00f3, 2008, p. 195. Majella, Geraldo de. Rubens Cola\u00e7o: Paix\u00e3o e Vida \u2013 A trajet\u00f3ria de um l\u00edder sindical, Recife, Edi\u00e7\u00f5es Baga\u00e7o, 2010, p. 36, 37.<\/p>\n<p>Coelho, Marco Antonio Tavares. Heran\u00e7a de um sonho, as mem\u00f3rias de um comunista. Rio de Janeiro, Record, 2000, p. 150, 151, 154.<\/p>\n<p>Vinhas, Mois\u00e9s. O Partid\u00e3o \u2013 a Luta por um partido de massas \u2013 1922-1974, S\u00e3o Paulo, Editora Hucitec, 1982, p. 183, 243.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/31975\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[234],"class_list":["post-31975","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8jJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31975","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31975"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31975\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31977,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31975\/revisions\/31977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31975"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31975"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31975"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}