{"id":32077,"date":"2024-09-16T20:48:34","date_gmt":"2024-09-16T23:48:34","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32077"},"modified":"2024-09-16T20:48:34","modified_gmt":"2024-09-16T23:48:34","slug":"a-america-latina-no-radar-do-imperialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32077","title":{"rendered":"A Am\u00e9rica Latina no radar do imperialismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32078\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32077\/attachment\/290129\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/290129.jpg?fit=300%2C391&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,391\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"290129\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/290129.jpg?fit=300%2C391&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-32078\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/290129.jpg?resize=300%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"391\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/290129.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/290129.jpg?resize=230%2C300&amp;ssl=1 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Muniz Ferreira &#8211; membro do Comit\u00ea Central do PCB<\/p>\n<p>Durante s\u00e9culos, os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina pautaram suas rela\u00e7\u00f5es pela desconfian\u00e7a rec\u00edproca, distanciamentos e rivalidades. Apesar de compartilhar um passado de domina\u00e7\u00e3o colonial e um presente de subordina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica no sistema internacional, quase nenhum passo foi dado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 converg\u00eancia e \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, a condi\u00e7\u00e3o comum de economias perif\u00e9ricas e estados dotados de recursos limitados de poder no sistema internacional concorreu para fazer destes pa\u00edses pouco mais que marionetes nas disputas das pot\u00eancias mundiais pelo controle das riquezas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Num dado momento, as preocupa\u00e7\u00f5es da superpot\u00eancia hegem\u00f4nica com seu programa de reorganiza\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica do globo conduziram a uma hipertrofia de suas aten\u00e7\u00f5es com o Oriente Pr\u00f3ximo, provocando, como corol\u00e1rio, um relativo \u201cesquecimento\u201d da Am\u00e9rica Latina. Tal indiferen\u00e7a foi possibilitada pela reafirma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas de subordina\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses do subcontinente aos EUA e pelo refluxo dos processos revolucion\u00e1rios insurrecionais na Am\u00e9rica Central: a interrup\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o nicaraguense nos anos 90, o aprofundamento do isolamento de Cuba e a ades\u00e3o quase un\u00e2nime dos governos do subcontinente ao chamado \u201cConsenso de Washington\u201d.<\/p>\n<p>Em um momento subsequente, tivemos o aprofundamento da crise econ\u00f4mico-social provocada pelo estabelecimento de reformas neoliberais. Tal fato, associado \u00e0 \u201caus\u00eancia\u201d dos EUA da regi\u00e3o e sua indiferen\u00e7a com as dificuldades experimentadas pelos pa\u00edses da \u00e1rea (crise argentina), conduziu \u00e0 corros\u00e3o das bases do \u201cConsenso de Washington\u201d. Com isto, processou-se tamb\u00e9m o esvaziamento da lideran\u00e7a pol\u00edtica e diplom\u00e1tica estadunidense, sobretudo na Am\u00e9rica do Sul, criando as condi\u00e7\u00f5es para o advento de um ciclo, sob certos aspectos, p\u00f3s-neoliberal.<\/p>\n<p>Este ciclo teve como principais expoentes governos como os de Hugo Ch\u00e1vez (Venezuela), Evo Morales (Bol\u00edvia) e Rafael Correa (Equador), caracterizados por um reformismo forte (tentativa de produzir certas reformas nas estruturas econ\u00f4micas e sociais), como tamb\u00e9m os governos de Michelle Bachelet (Chile), Jos\u00e9 Mujica (Uruguai), Fernando e Cristina Kirchner (Argentina), Lula e Dilma Rousseff (Brasil), estes marcados por dire\u00e7\u00f5es mais contradit\u00f3rias, nas quais se combinam uma orienta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de tipo neoliberal com pol\u00edticas sociais compensat\u00f3rias e paternalistas, configurando um reformismo de tipo fraco.<\/p>\n<p>O golpe hondurenho de 2009, associado \u00e0 reocupa\u00e7\u00e3o militar do Haiti pelos Estados Unidos na sequ\u00eancia do terremoto de janeiro de 2010 e a escalada da presen\u00e7a militar norte-americana na Col\u00f4mbia, sinalizaram o recrudescimento dos esfor\u00e7os estadunidenses para reassumir a condi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia hegem\u00f4nica e incontest\u00e1vel na Am\u00e9rica Latina, em franca alian\u00e7a com as classes dirigentes locais. No decurso da d\u00e9cada iniciada em 2010, testemunhou-se a destitui\u00e7\u00e3o do presidente Lugo do Paraguai em 2012; o impedimento de Dilma Rousseff no Brasil em 2016 e a derrubada do Governo de Evo Morales na Bol\u00edvia em 2020. Al\u00e9m disso, ocorreram intentonas golpistas, a\u00e7\u00f5es de guerra econ\u00f4mica e opera\u00e7\u00f5es permanentes de desestabiliza\u00e7\u00e3o contra o governo de Nicol\u00e1s Maduro na Venezuela.<\/p>\n<p>Contudo, para al\u00e9m do empreendimento at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias das opera\u00e7\u00f5es de regime change via lawfare1 e da vers\u00e3o latino-americana das \u201crevolu\u00e7\u00f5es coloridas\u201d2 \u2500 das quais o caso brasileiro \u00e9 o mais eloquente \u2500 a contraofensiva das for\u00e7as reacion\u00e1rias e neoliberais tamb\u00e9m se concretizou por meio dos processos eleitorais tradicionais. Tivemos, destarte, as vit\u00f3rias de Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era no Chile em 2010 e 2018 e Mauricio Macri na Argentina em 2014 e mais recentemente a do ultrarreacion\u00e1rio Javier Milei (2023). A elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro no Brasil possuiu a particularidade distintiva de legitimar eleitoralmente um golpe midi\u00e1tico e institucional, que \u2212 em 2016, como j\u00e1 foi dito \u2212 combinara os m\u00e9todos da \u201crevolu\u00e7\u00e3o colorida\u201d e da lawfare, tendo esta \u00faltima se estendido at\u00e9 o pleito presidencial de 2018, contribuindo decisivamente para o triunfo do ex-capit\u00e3o do ex\u00e9rcito naquela disputa. Outra peculiaridade do caso brasileiro est\u00e1 no fato de que o candidato vencedor nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es representou n\u00e3o apenas a ascens\u00e3o ao comando do estado de correntes pol\u00edticas comprometidas integralmente com uma agenda econ\u00f4mica e social fortemente regressiva, mas tamb\u00e9m a consagra\u00e7\u00e3o pelo voto de sujeitos pol\u00edticos de extrema direita, abertamente hostis aos mais elementares avan\u00e7os civilizat\u00f3rios e, pela primeira vez desde o encerramento do \u00faltimo ciclo de governos militares na regi\u00e3o, defensores confessos das autocracias castrenses do passado recente.<\/p>\n<p>Um outro caso pitoresco, embora n\u00e3o inteiramente inusitado, \u00e9 o \u201ctransformismo\u201d de Lenin Moreno no Equador. Vice-presidente do reformista p\u00f3s-neoliberal Rafael Correa entre 2007 e 2013 e indicado por este como o seu sucessor, ao chegar \u00e0 presid\u00eancia em 2016, abandonou as pol\u00edticas compensat\u00f3rias de seu antecessor e empreendeu a via das pol\u00edticas de austeridade de extra\u00e7\u00e3o neoliberal. Em franco desalinhamento com a orienta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica social que vinha sendo seguida desde 2007, reintroduziu a pol\u00edtica de corte de gastos p\u00fablicos, abertura comercial, reforma trabalhista \u201cflexibilizadora\u201d (na verdade, destruidora de direitos) e subordina\u00e7\u00e3o ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional, incluindo ainda uma gest\u00e3o catastr\u00f3fica no curso da pandemia do coronav\u00edrus. Como resultado, o pa\u00eds voltou a ser cen\u00e1rio de revoltas e subleva\u00e7\u00f5es sociais protagonizadas, destacadamente, pelas popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias, Confirmando e reafirmando a inflex\u00e3o liberal-conservadora na governan\u00e7a econ\u00f4mica e social do pa\u00eds, verificou-se a vit\u00f3ria do banqueiro neoliberal Guillermo Lasso nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2021, cuja administra\u00e7\u00e3o amplia e aprofunda a orienta\u00e7\u00e3o de Moreno.<\/p>\n<p>No Chile, as mobiliza\u00e7\u00f5es populares verificadas, n\u00e3o somente detiveram as pol\u00edticas econ\u00f4mica e socialmente predat\u00f3rias de Pi\u00f1era, mas deram in\u00edcio a uma revis\u00e3o progressista da devasta\u00e7\u00e3o ultraliberal legada pela ditadura militar pinochetista. Para cristalizar pol\u00edtica e institucionalmente estas realiza\u00e7\u00f5es, foi convocada uma Assembleia Nacional Constituinte livre, soberana, democr\u00e1tica e com consistente representa\u00e7\u00e3o popular. Al\u00e9m disto, no pleito presidencial de mar\u00e7o de 2022, foi eleito Gabriel Boric, jovem lideran\u00e7a pol\u00edtica egressa do movimento estudantil, que, desde 2006, vinha se batendo contra a completa privatiza\u00e7\u00e3o do ensino e consequente elitiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o naquele pa\u00eds, derrotando o direitista Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Kast, neoliberal e nost\u00e1lgico do pinochetismo. Seu gabinete ministerial apresenta uma fisionomia de centro-esquerda com forte presen\u00e7a feminina e tr\u00eas ministros comunistas.<\/p>\n<p>Na Bol\u00edvia, a resist\u00eancia popular contra o golpe que derrubou Evo Morales em 2019 provocou o fracasso do projeto golpista, culminando com a recondu\u00e7\u00e3o do Movimento Al Socialismo (MAS) ao governo pela via eleitoral, em novembro de 2021. Ao assumir o mandato, o novo presidente Luiz Arce, eleito no primeiro turno com 55% dos votos, teve diante de si o desafio imediato de reverter os efeitos da devasta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social gerada pelos dois anos de administra\u00e7\u00e3o golpista. No m\u00e9dio prazo, tratava-se de restaurar os programas de diminui\u00e7\u00e3o da pobreza e retomar o crescimento econ\u00f4mico a partir do chamado \u201cModelo Econ\u00f4mico Social, Comunit\u00e1rio e Produtivo da Economia\u201d. Por\u00e9m, a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, combinada com a crise interna do MAS (resultante dos conflitos entre os grupos liderados respectivamente por Evo Morales e Luis Arce) abriu espa\u00e7o para uma tentativa de golpe militar comandado pelo comandante do ex\u00e9rcito Juan Jos\u00e9 Z\u00fa\u00f1iga. Conquanto fracassada pela mobiliza\u00e7\u00e3o de setores populares e a firme rea\u00e7\u00e3o do chefe de estado, a intentona exp\u00f4s as instabilidades e fragilidades internas do governo boliviano do MAS.<\/p>\n<p>No Peru, o professor e sindicalista Pedro Castillo, \u00e0 frente da agremia\u00e7\u00e3o de centro-esquerda Peru Livre, derrotou, com estreita margem de votos, a direitista Keiko Fujimori nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2021. A contesta\u00e7\u00e3o do resultado pela candidata derrotada contribuiu para a instaura\u00e7\u00e3o, desde o in\u00edcio, de uma atmosfera de desconfian\u00e7a, alentadora de posi\u00e7\u00f5es desestabilizantes e perspectivas golpistas por parte da direita peruana. Como resultado, j\u00e1 nos primeiros oito meses de mandato (jul. 2021-mar. 2022), Castillo precisou derrotar duas tentativas de impeachment. Emparedado pela a\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o, sem contar com uma ampla legitimidade popular e na aus\u00eancia de significativas mobiliza\u00e7\u00f5es prolet\u00e1rias e populares de repercuss\u00e3o nacional, Castillo tenta dissolver o Congresso e aplicar um golpe de Estado em dezembro de 1922. Sem apoio das massas, fracassa miseravelmente, sendo destitu\u00eddo e preso.<\/p>\n<p>Dentro do repert\u00f3rio de novas situa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas vivenciadas na Am\u00e9rica latina, adquire particular destaque o processo colombiano. Basti\u00e3o, durante d\u00e9cadas, do predom\u00ednio olig\u00e1rquico sobre o estado e do paramilitarismo, base privilegiada de opera\u00e7\u00f5es de for\u00e7as militares e servi\u00e7os de intelig\u00eancia estadunidenses e israelenses na Am\u00e9rica Meridional, o pa\u00eds se v\u00ea, pela primeira vez em sua hist\u00f3ria, diante da possibilidade de elei\u00e7\u00e3o de um governo protagonizado por for\u00e7as de esquerda. Grande vencedor das elei\u00e7\u00f5es parlamentares colombianas de mar\u00e7o\/2022, o Pacto Hist\u00f3rico disputou e venceu as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de maio de 2022, com uma chapa composta por um ex-guerrilheiro (Gustavo Pedro) e uma mulher negra formada na luta antirracista (Francia M\u00e1rquez). Se este fato, por si s\u00f3, nos apresenta uma Col\u00f4mbia varrida pelos ventos do desejo de renova\u00e7\u00e3o, a sobreviv\u00eancia pol\u00edtica dos partidos Liberal e Conservador, respons\u00e1veis conjuntos pela maioria esmagadora dos assentos nas duas casas parlamentares colombianas, as fortes conex\u00f5es das for\u00e7as armadas com o dispositivo militar estadunidense na regi\u00e3o e o enraizamento do paramilitarismo nas estruturas profundas do estado constituem contrapontos extremamente importantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>EUA E GUIANA CONTRA VENEZUELA<\/p>\n<p>O conflito que envolve Estados Unidos, Guiana e Venezuela, hoje sob lit\u00edgio internacional, tem como fator determinante a explora\u00e7\u00e3o, por uma companhia estadunidense, de reservas de petr\u00f3leo localizadas na regi\u00e3o de Essequibo, disputada pelos estados nacionais da Guiana e da Venezuela. Guiana e Venezuela reivindicam a soberania sobre o territ\u00f3rio em quest\u00e3o. A decis\u00e3o do governo da Guiana de permitir a explora\u00e7\u00e3o do \u00f3leo na \u00e1rea, a partir de 2015 foi respondida pelo governo venezuelano com um plebiscito que decidiu pela incorpora\u00e7\u00e3o daquela regi\u00e3o ao territ\u00f3rio do pa\u00eds. Os EEUU, por sua vez, reagiram enviando efetivos militares para a regi\u00e3o e refor\u00e7ando suas conex\u00f5es com o governo de Georgetown. Desde ent\u00e3o, vem aumentado a tens\u00e3o na regi\u00e3o, com riscos de confronta\u00e7\u00e3o militar no local.<\/p>\n<p>Para os EUA, o controle e explora\u00e7\u00e3o das reservas de petr\u00f3leo de Esequibo constituem uma alternativa vi\u00e1vel e barata \u00e0s \u201cdificuldades\u201d criadas pelo processo bolivariano na Venezuela. Sua presen\u00e7a militar na fronteira com a Venezuela constitui mais um fator de press\u00e3o contra este pa\u00eds. \u00c9 tamb\u00e9m um contraponto \u00e0 presen\u00e7a chinesa na explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo brasileiro na regi\u00e3o do pr\u00e9-sal e um movimento que tenta restaurar a condi\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina como reserva geopol\u00edtica e geoecon\u00f4mica do poderio global dos EUA.<\/p>\n<p>Em tais condi\u00e7\u00f5es, as press\u00f5es atuais por parte do governo dos Estados Unidos, juntamente com seus aliados tradicionais ou de \u00faltima hora, no sentido de deslegitimar os resultados das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es Venezuelanas e preparar o caminho para uma interven\u00e7\u00e3o militar direta naquele pa\u00eds constituem apenas o mais recente epis\u00f3dio desse drama hist\u00f3rico. As vacila\u00e7\u00f5es da lideran\u00e7a venezuelana, os equ\u00edvocos e desmandos praticados por Maduro e seus consortes, em detrimento do protagonismo das massas trabalhadoras e dos setores revolucion\u00e1rios, fragilizam o processo bolivariano e levam \u00e1gua ao moinho da rea\u00e7\u00e3o local e continental. Neste contexto, a defesa intransigente da soberania nacional do povo venezuelano, a retomada do protagonismo das massas e a corre\u00e7\u00e3o dos desvios na condu\u00e7\u00e3o da chamada \u201crevolu\u00e7\u00e3o bolivariana\u201d convergem com os interesses dos trabalhadores e dos setores populares de toda a nossa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1 Em portugu\u00eas: guerra jur\u00eddica. Emprego de manobras jur\u00eddico-legais visando alcan\u00e7ar objetivos nas disputas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>2 Mobiliza\u00e7\u00e3o de for\u00e7as pol\u00edticas de oposi\u00e7\u00e3o, voltadas para a derrubada de governos considerados antiestadunidenses e sua substitui\u00e7\u00e3o por governos favor\u00e1veis aos EUA e\/ou seus aliados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32077\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10],"tags":[224],"class_list":["post-32077","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8ln","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32077","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32077"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32077\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32079,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32077\/revisions\/32079"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}