{"id":32118,"date":"2024-09-27T08:23:55","date_gmt":"2024-09-27T11:23:55","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32118"},"modified":"2024-09-27T08:23:55","modified_gmt":"2024-09-27T11:23:55","slug":"160-anos-da-associacao-internacional-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32118","title":{"rendered":"160 anos da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32119\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32118\/sem-titulo-12\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Sem-titulo.jpeg?fit=1280%2C1280&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1280,1280\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Sem t\u00edtulo\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Sem-titulo.jpeg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Sem-titulo.jpeg?fit=747%2C747&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-32119\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Sem-titulo.jpeg?resize=747%2C747&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"747\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Sem-titulo.jpeg?resize=900%2C900&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Sem-titulo.jpeg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Sem-titulo.jpeg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Sem-titulo.jpeg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Sem-titulo.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>A 1\u00aa INTERNACIONAL!<\/p>\n<p>Por F\u00e1bio Bezerra (*)<\/p>\n<p>\u201c(&#8230;) a emancipa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores ser\u00e1<\/p>\n<p>obra do pr\u00f3prio trabalhador.\u201d Karl Marx.<\/p>\n<p>(Trecho do manifesto de funda\u00e7\u00e3o da Primeira Internacional de 1864)<\/p>\n<p>Em 28 de setembro de 1864, num sal\u00e3o do St. Martin&#8217;s Hall, em Londres, abarrotado com cerca de 2000 pessoas, representando centenas de entidades sindicais e organiza\u00e7\u00f5es socialistas e libert\u00e1rias de diversos pa\u00edses do velho continente, era fundada uma associa\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter federativa que se propunha a reunir e organizar os diversos sindicatos, federa\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ligadas \u00e0 classe trabalhadora no enfrentamento di\u00e1rio \u00e0s diversas contradi\u00e7\u00f5es do sistema capitalista.<\/p>\n<p>Nascia assim a Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores (AIT) que por sua vez ficou conhecida como a 1\u00aa Internacional.<\/p>\n<p>A AIT abrigou diversas correntes pol\u00edticas que atuavam no movimento sindical e reivindicavam em sua ampla maioria o socialismo como modelo de sociedade.<\/p>\n<p>Marxistas, anarquistas, republicanos, democratas radicais, cooperativistas, lassalianos, blanquistas, dentre outros, foram alguns dos integrantes das diversas correntes de pensamento e de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que estiveram presentes no Congresso de funda\u00e7\u00e3o da AIT e dela fizeram parte em seus 8 anos de exist\u00eancia (1864-1872). Neste per\u00edodo, a AIT se tornou o principal centro de dissemina\u00e7\u00e3o de ideias socialistas e libert\u00e1rias em meio ao conjunto da classe trabalhadora n\u00e3o apenas na Europa, mas tamb\u00e9m nos EUA.<\/p>\n<p>Adotando um modelo federativo, dentro do qual as entidades possu\u00edam certa autonomia de decis\u00e3o local, mas eram orientadas estrategicamente pelo Conselho Geral da entidade, a AIT proporcionou importantes campanhas unit\u00e1rias em toda a Europa e nos EUA em torno de bandeiras como: a) as condi\u00e7\u00f5es de trabalho do proletariado da \u00e9poca; b) as rela\u00e7\u00f5es de trabalho; c) a fun\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia dos sindicatos; d) a luta pela coletiviza\u00e7\u00e3o da terra e dos meios de produ\u00e7\u00e3o; e) a promo\u00e7\u00e3o da solidariedade e a colabora\u00e7\u00e3o entre os oper\u00e1rios em suas lutas; f) a promo\u00e7\u00e3o do trabalho cooperativo; h) a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para oito horas e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, sobretudo para mulheres e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Entre 1864 e 1872, a AIT chegou a superar a marca de mais de 150 mil associados(as), estando presente oficialmente ou clandestinamente em cerca de 16 pa\u00edses, tendo realizado a impressionante marca de seis congressos, ou seja, quase um congresso por ano.<\/p>\n<p>Karl Marx foi um dos fundadores e membros do Conselho Geral da AIT nos anos iniciais. Coube-lhe a reda\u00e7\u00e3o do estatuto geral da organiza\u00e7\u00e3o, e muitas das orienta\u00e7\u00f5es gerais do Conselho Geral passavam por sua influ\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Por ter sido uma experi\u00eancia pioneira na tentativa de organiza\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora nos principais pa\u00edses industrializados no s\u00e9culo XIX, a AIT padeceu de seu pr\u00f3prio processo hist\u00f3rico, pois as disputas pol\u00edticas que representavam as diversas variantes do pensamento oper\u00e1rio e pequeno-burgu\u00eas \u00e0 \u00e9poca, tamb\u00e9m se evidenciaram nas disputas pela condu\u00e7\u00e3o da AIT, em especial entre os adeptos das formula\u00e7\u00f5es de Marx de um lado e os que se opunham a essas formula\u00e7\u00f5es, em especial os anarquistas associados a Mikhail Bakunin e a Pierre-Joseph Proudhon.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia da complexa composi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica da AIT, podemos dividir em 5 grupos que se associavam em alguns aspectos e em outros possu\u00edam profundas diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>O polo central da AIT estava sob a dire\u00e7\u00e3o do movimento sindical ingl\u00eas, de forte tradi\u00e7\u00e3o reformista e que tinha na luta pela melhoria salarial e a redu\u00e7\u00e3o da jornada salarial o limite do horizonte da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da entidade. A quest\u00e3o da tomada do poder e da supera\u00e7\u00e3o da ordem capitalista n\u00e3o era unanimidade, e o mais avan\u00e7ado que se podia encontrar entre os sindicalistas ingleses eram simpatizantes das posi\u00e7\u00f5es do socialista ut\u00f3pico Robert Owen.<\/p>\n<p>Um segundo grupo proeminente na AIT eram os sindicalistas franceses e su\u00ed\u00e7os que em grande parte aderiram \u00e0s posi\u00e7\u00f5es de Pierre-Joseph Proudhon e suas teorias, que propunham uma sociedade baseada em uma produ\u00e7\u00e3o federalista e cooperativista combinada com a manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo de forma que, atrav\u00e9s da democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao cr\u00e9dito, o sistema capitalista e o Estado burgu\u00eas iriam paulatinamente ser substitu\u00eddos, sem o necess\u00e1rio levante da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Completando esse quadro, destacam-se os grupos anarquistas que se associavam \u00e0s ideias do ativista russo Mikhail Bakunin, os quais defendiam a luta revolucion\u00e1ria, com sabotagens da produ\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00f5es diretas para desestabilizar o Estado burgu\u00eas, mas desacreditavam de qualquer possibilidade de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica partid\u00e1ria e questionavam a manuten\u00e7\u00e3o do Estado em um processo de transi\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Por fim, muitos eram os grupos republicanos que tinham, como principal objetivo da a\u00e7\u00e3o t\u00e1tica junto \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, a luta pela supera\u00e7\u00e3o da nobreza local e a unidade nacional em torno da constru\u00e7\u00e3o de uma rep\u00fablica que se pautasse na defesa da p\u00e1tria, na obedi\u00eancia aos dogmas religiosos e na justi\u00e7a social, buscando a \u201charmonia entre propriet\u00e1rios e produtores\u201d. i<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio sobressa\u00edam os marxistas, que \u00e0 \u00e9poca j\u00e1 eram chamados de comunistas pelos demais grupos e que, mesmo em minoria em alguns congressos, conseguiam apresentar as teses mais consistentes sobre a cr\u00edtica ao modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista sem as ilus\u00f5es chauvinistas e\/ou as perspectivas reformistas no plano das rela\u00e7\u00f5es entre capital e trabalho, como Lassale defendia.<\/p>\n<p>Percebam que o resultado das contradi\u00e7\u00f5es nas quais a classe trabalhadora na Europa e de certa forma nos EUA se encontravam favoreceram a unidade imediata em busca de uma organiza\u00e7\u00e3o forte e transnacional que pudesse catalisar as lutas oper\u00e1rias contra as adversidades impostas pelo capitalismo. Por\u00e9m, o am\u00e1lgama ideol\u00f3gico resultante dessa iniciativa hist\u00f3rica importante era extremamente fr\u00e1gil e n\u00e3o conseguiria manter-se para al\u00e9m dos pr\u00f3prios prop\u00f3sitos estrat\u00e9gicos que evidenciaram os limites e o aprofundamento das disputas que n\u00e3o tardaram a evoluir para tens\u00f5es pol\u00edticas cada vez mais severas.<\/p>\n<p>Independentemente de tal contexto, a 1\u00aa Internacional foi uma conquista hist\u00f3rica para o movimento oper\u00e1rio em um cen\u00e1rio de fortes tens\u00f5es sociais que caracterizaram as crises estruturais do capitalismo, em especial ap\u00f3s 1848, e que elevaram a luta de classes a um patamar que definia e moldava a consci\u00eancia pol\u00edtica do proletariado como sujeito hist\u00f3rico, desnudando as facetas da estrutura e da din\u00e2mica de poder da ordem burguesa.<\/p>\n<p>Em seus pouco mais de 8 anos de exist\u00eancia, a AIT ajudou a criar e a fortalecer centenas de entidades sindicais, organizou greves e campanhas que pressionavam pela erradica\u00e7\u00e3o do trabalho infantil, pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, pela constitui\u00e7\u00e3o de caixas de assist\u00eancia e socorro m\u00fatuo \u00e0s fam\u00edlias dos grevistas e a solidariedade internacionalista, princ\u00edpio que inspirou diversas campanhas da classe trabalhadora nas d\u00e9cadas posteriores em diversas ocasi\u00f5es, como a Comuna de Paris em 1871 e a constitui\u00e7\u00e3o do 1\u00ba de Maio, data que se tornou uma refer\u00eancia internacional na luta pela emancipa\u00e7\u00e3o do jugo do capital e do Estado burgu\u00eas.<\/p>\n<p>O legado da Primeira Internacional foi decisivo para o fortalecimento da classe trabalhadora em diversos pa\u00edses do velho continente, possibilitando uma rica experi\u00eancia pol\u00edtica de organiza\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o sobre as potencialidades, limites e desafios da classe trabalhadora e de sua luta contra a ordem do sistema.<\/p>\n<p>A forte repress\u00e3o que se abateu sobre a AIT ap\u00f3s a debacle da Comuna em 1871, a inst\u00e1vel condi\u00e7\u00e3o financeira para manter toda a estrutura de funcionamento da entidade, al\u00e9m do aumento das tens\u00f5es entre os grupos componentes da AIT que n\u00e3o chegavam a um acordo sobre a sua reestrutura\u00e7\u00e3o organizativa e sua finalidade representaram enormes desafios diante do recrudescimento das persegui\u00e7\u00f5es e das lutas pol\u00edticas, impondo \u00e0 Internacional a necessidade de uma defini\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de seus rumos e forma de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar do malogro precoce, a AIT propiciou uma formid\u00e1vel experi\u00eancia pol\u00edtica ao proletariado nesse per\u00edodo de significativas transforma\u00e7\u00f5es na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre a classe trabalhadora e a burguesia, possibilitando o di\u00e1logo entre trabalhadores de diversos pa\u00edses e suas associa\u00e7\u00f5es de classe e o amadurecimento na consci\u00eancia pol\u00edtica sobre a import\u00e2ncia da organiza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de entidades que pudessem defender seus interesses e impor a contraofensiva \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos patr\u00f5es e ao autoritarismo do Estado, n\u00e3o mais isoladamente, mas de forma sincronizada e unit\u00e1ria em agendas e campanhas previamente articuladas em diversas regi\u00f5es da Europa.<\/p>\n<p>Os acirramentos ideol\u00f3gicos no campo da esquerda, resultantes das contradi\u00e7\u00f5es em curso na luta de classes na Europa no final do s\u00e9culo XIX e a forma de lidar com esse processo, curiosamente tamb\u00e9m tiveram no seio da AIT um espa\u00e7o de fomento e matura\u00e7\u00e3o que aceleraram as defini\u00e7\u00f5es das tend\u00eancias pol\u00edticas no movimento oper\u00e1rio, demarcando de forma mais n\u00edtida os limites entre comunistas, anarquistas e os reformistas de todo tipo, que continuaram a travar suas disputas nos anos subsequentes, influenciando na constru\u00e7\u00e3o de partidos socialistas, na identidade program\u00e1tica de diversos sindicatos, na sua forma de organiza\u00e7\u00e3o e na din\u00e2mica da luta.<\/p>\n<p>Um bom exemplo desse processo foi o crescimento do movimento anarco-sindicalista em pa\u00edses como Espanha e It\u00e1lia, a polariza\u00e7\u00e3o entre cooperativistas e blanquistas (adeptos de uma insurrei\u00e7\u00e3o vanguardista) na Fran\u00e7a, o fortalecimento do movimento \u201cTrade-Union\u201d na Inglaterra, o desenvolvimento da socialdemocracia (marxistas) na Alemanha e do sect\u00e1rio e limitado movimento niilista (uma vertente pequeno-burguesa do anarquismo) na R\u00fassia czarista.<\/p>\n<p>Em geral devemos saudar e rememorar sempre a import\u00e2ncia hist\u00f3rica da funda\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores ( AIT), a Primeira Internacional, como um feito hist\u00f3rico dos mais relevantes no percurso da evolu\u00e7\u00e3o da luta de classes, que possibilitou a constru\u00e7\u00e3o de um instrumento internacional que ousou superar as barreiras nacionais, os ditames das autoridades eclesi\u00e1sticas, de governos liberais e mon\u00e1rquicos e de certa forma toda a velha ordem ideol\u00f3gica que encobria a inevit\u00e1vel internacionaliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o capitalista e por conseguinte a cosmopolitiza\u00e7\u00e3o dos abusos, da explora\u00e7\u00e3o, da mis\u00e9ria e da subordina\u00e7\u00e3o sobre a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>A funda\u00e7\u00e3o da Primeira Internacional foi muito mais do que a tentativa de organiza\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o da luta internacional da nascente classe oper\u00e1ria, al\u00e9m de instituir um espa\u00e7o de an\u00e1lise conjunta entre os diversos setores da vanguarda da luta sindical e o di\u00e1logo em busca de a\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas que unificassem as agendas de reivindica\u00e7\u00f5es e as estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o comum. Ela possibilitou o desenvolvimento da tomada de consci\u00eancia e da identidade de classe do proletariado no velho continente em especial, superando as barreiras culturais, geogr\u00e1ficas e institucionais impostas \u00e0 \u00e9poca. Barreiras estas que constantemente s\u00e3o renovadas em seu arcabou\u00e7o ideol\u00f3gico e que tentam encobrir as vicissitudes da mis\u00e9ria humana nas quais a crise do capitalismo nos arrasta mundialmente.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 sempre importante relembrar o pioneirismo e o legado da Primeira Internacional, ainda presente em nossos dias. Passados 160 anos, a internacionaliza\u00e7\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista aprofundou e ampliou as contradi\u00e7\u00f5es da crise estrutural do capitalismo, dinamizou profundas altera\u00e7\u00f5es sociais nos pa\u00edses de capitalismo tardio, que apesar de especificidades regionais, ressaltam o avan\u00e7o da deteriora\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, o aumento da explora\u00e7\u00e3o da mais-valia, a amplia\u00e7\u00e3o das tens\u00f5es sociais e a fal\u00eancia do modelo de estrutura social capitalista sob a \u00e9gide do neoliberalismo.<\/p>\n<p>Os desafios em superar as manifesta\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas dessa crise, tais como a xenofobia, o neocolonialismo, a desregulamenta\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas, a precariza\u00e7\u00e3o crescente do mundo do trabalho, o individualismo como valor moral e as teses p\u00f3s-modernas que negam a identidade de classe para alienar qualquer possibilidade de rebeldia cr\u00edtica contra a ordem do sistema s\u00e3o apenas alguns dos desdobramentos das contradi\u00e7\u00f5es desse tempo presente de refluxos e aumento da barb\u00e1rie social em todo o mundo.<\/p>\n<p>Imp\u00f5em-se aos revolucion\u00e1rios a mesma ousadia e o \u00edmpeto que moveram os nossos camaradas h\u00e1 160 anos, na busca em superar as barreiras e contradi\u00e7\u00f5es impostas pela crise capitalista, na perspectiva de unificar nossa resist\u00eancia, ampliar nossos entendimentos sobre quest\u00f5es que em 1864 n\u00e3o estavam ainda em relev\u00e2ncia (a quest\u00e3o clim\u00e1tica, por exemplo) e fortalecer as iniciativas de di\u00e1logo e solidariedade com todos os povos oprimidos e em luta contra a ordem do capital.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cBem unidos fa\u00e7amos<\/p>\n<p>Dessa luta final,<\/p>\n<p>Uma terra sem amos,<\/p>\n<p>A Internacional!\u201d<\/p>\n<p>(refr\u00e3o do hino dedicado a luta oper\u00e1ria, composto sob as barricadas da Comuna de Paris de 1871 e incorporado como hino oficial da 2\u00aa Internacional em 1889)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(*) F\u00e1bio Bezerra \u00e9 professor de filosofia e membro do Comit\u00ea Central do PCB<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>i Sobre esse contexto hist\u00f3rico e as divis\u00f5es no \u00e2mbito da Primeira Internacional recomendo o filme: Germinal (1993), inspirado no romance de mesmo nome do escritor franc\u00eas \u00c9mile Zola.<\/p>\n<p>Bibliografia indicada:<\/p>\n<p>Beer, Max: Hist\u00f3ria do Socialismo e das Lutas Sociais, Editorial Calvino Ltda. Cap\u00edtulo VIII, Rio, 1944. Pref\u00e1cio de Marcel Ollivier, Tradu\u00e7\u00e3o de Hor\u00e1cio Mello.<\/p>\n<p>Marx, Karl: &#8220;Carta a Friedrich Bolte sobre a Primeira Internacional&#8221;<\/p>\n<p>&#8211; Marx, Karl: Instru\u00e7\u00f5es para os Delegados do Conselho Geral Provis\u00f3rio. As Diferentes Quest\u00f5es. (ARQUIVO MARXISTA NA INTERNET \u2013 MIA)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32118\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,33,10],"tags":[223],"class_list":["post-32118","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-c34-marxismo","category-s19-opiniao","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8m2","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32118"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32118\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32120,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32118\/revisions\/32120"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}