{"id":32157,"date":"2024-10-18T23:32:23","date_gmt":"2024-10-19T02:32:23","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32157"},"modified":"2024-10-18T23:32:23","modified_gmt":"2024-10-19T02:32:23","slug":"nao-a-privatizacao-dos-parques-estaduais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32157","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o dos parques estaduais!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32158\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32157\/image-15\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image.png?fit=960%2C539&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"960,539\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image.png?fit=747%2C419&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-32158\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image.png?resize=747%2C419&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image.png?resize=900%2C505&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image.png?resize=300%2C168&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image.png?resize=768%2C431&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image.png?w=960&amp;ssl=1 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>A Privatiza\u00e7\u00e3o dos Parques Estaduais no Esp\u00edrito Santo: Impactos Socioambientais e a Resist\u00eancia Popular<\/p>\n<p>Comunidades, pesquisadores e servidores p\u00fablicos se organizam para combater o projeto de privatiza\u00e7\u00e3o dos parques estaduais promovido pelo governo capixaba, alertando para os riscos ao meio ambiente, \u00e0 cultura e \u00e0 sustentabilidade econ\u00f4mica das regi\u00f5es afetadas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por Reda\u00e7\u00e3o de O Poder Popular no Esp\u00edrito Santo<\/p>\n<p>Foto: Leonardo Mer\u00e7on \/ \u00daltimos Ref\u00fagios<\/p>\n<p>Privatiza\u00e7\u00e3o dos parques: o desmonte ambiental e social no horizonte<\/p>\n<p>O governo do Esp\u00edrito Santo, de Renato Casagrande (PSB), sob a lideran\u00e7a do secret\u00e1rio estadual de Meio Ambiente, Felipe Rigoni (Uni\u00e3o Brasil), est\u00e1 no centro de uma pol\u00eamica sobre a privatiza\u00e7\u00e3o de parques estaduais, que vem gerando forte oposi\u00e7\u00e3o de ambientalistas, trabalhadores, moradores de comunidades locais e servidores do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos (Iema). O Programa Estadual de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (PEDUC) tem como objetivo conceder \u00e0 iniciativa privada a explora\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas, prometendo impulsionar o turismo e gerar receitas. No entanto, o projeto \u00e9 amplamente criticado pela falta de transpar\u00eancia, consultas p\u00fablicas e, principalmente, pelos impactos socioambientais que podem amea\u00e7ar a biodiversidade e descaracterizar as regi\u00f5es afetadas.<\/p>\n<p>Entre os parques inclu\u00eddos na concess\u00e3o est\u00e3o alguns dos mais emblem\u00e1ticos do estado: o Parque Estadual de Ita\u00fanas, o Parque Estadual Paulo C\u00e9sar Vinha, o Parque Estadual da Pedra Azul, entre outros. O processo, conduzido sem licita\u00e7\u00e3o e com estudos de viabilidade contratados pela multinacional Ernst &amp; Young, enfrenta a crescente resist\u00eancia de servidores p\u00fablicos e comunidades que temem pela integridade desses espa\u00e7os.<\/p>\n<p>Impactos ambientais: degrada\u00e7\u00e3o e extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o comercial proposta pelo governo prev\u00ea a instala\u00e7\u00e3o de infraestrutura tur\u00edstica, como pousadas, restaurantes e \u00e1reas de lazer. No Parque Paulo C\u00e9sar Vinha, em Guarapari, por exemplo, h\u00e1 planos para a constru\u00e7\u00e3o de um restaurante sobre um monumento natural e de um estacionamento em \u00e1rea de restinga \u2013 ecossistema delicado e fundamental para a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade costeira. &#8220;Estamos comprometendo ecossistemas protegidos por lei&#8221;, alerta Clovis Mendes, bi\u00f3logo e membro do Conselho Estadual de Cultura. A proposta \u00e9 vista como uma amea\u00e7a ao \u201cSapinho Setiba\u201d, esp\u00e9cie end\u00eamica do parque, que corre o risco de extin\u00e7\u00e3o com o aumento da interven\u00e7\u00e3o humana na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No Parque Estadual de Ita\u00fanas, que abriga importantes \u00e1reas de restinga e manguezais, al\u00e9m de um patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico tombado, os moradores locais se preocupam com os impactos negativos das novas estruturas no delicado equil\u00edbrio ambiental da regi\u00e3o. &#8220;N\u00f3s cuidamos do parque h\u00e1 anos, promovendo o turismo sustent\u00e1vel. O que est\u00e1 sendo proposto agora vai destruir o que j\u00e1 temos&#8221;, comenta Miguel Vasconcellos, pequeno empres\u00e1rio local e morador nativo.<\/p>\n<p>Oposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do Iema e do sindicato<\/p>\n<p>Os servidores do Iema, respons\u00e1veis pela gest\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m se posicionaram firmemente contra o modelo de concess\u00e3o apresentado. Em assembleia organizada pelo Sindicato dos Servidores P\u00fablicos do Esp\u00edrito Santo (Sindip\u00fablicos), no dia 10 de setembro, os trabalhadores expressaram suas preocupa\u00e7\u00f5es com a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e com o enfraquecimento da fiscaliza\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas protegidas. &#8220;A chamada \u2018lei da destrui\u00e7\u00e3o\u2019 j\u00e1 enfraquece a atua\u00e7\u00e3o do Iema, e essas concess\u00f5es representam um risco ainda maior&#8221;, declarou um servidor, referindo-se \u00e0 flexibiliza\u00e7\u00e3o do licenciamento ambiental promovida pela Lei 1073\/2023, sancionada recentemente pelo governo estadual.<\/p>\n<p>Silvia Sardenberg, servidora do Iema e secret\u00e1ria-geral do Sindip\u00fablicos, aponta que, apesar da falta de investimentos por parte do governo, os trabalhadores sempre estiveram comprometidos com a preserva\u00e7\u00e3o dos parques. &#8220;Precisamos de melhorias, sim, como refor\u00e7ar a fiscaliza\u00e7\u00e3o e combater inc\u00eandios, mas antes de contratar empresas privadas, o governo deveria nos ouvir. Somos n\u00f3s que estamos aqui, no dia a dia, protegendo essas \u00e1reas&#8221;, afirma Silvia.<\/p>\n<p>Mauro Ribeiro, servidor da base do Sindip\u00fablicos e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), sublinhou a import\u00e2ncia dessas \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o tanto para a ci\u00eancia quanto para a sociedade. Ele enfatizou que &#8220;as unidades de conserva\u00e7\u00e3o e os parques estaduais preservam uma biodiversidade fundamental para futuras pesquisas&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo Mauro, al\u00e9m de serem essenciais para a pesquisa cient\u00edfica, essas \u00e1reas s\u00e3o um \u201cpatrim\u00f4nio do povo capixaba, e sua gest\u00e3o deve permanecer p\u00fablica para assegurar sua preserva\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o\u201d. Ele argumenta que a privatiza\u00e7\u00e3o poderia comprometer a integridade dessas regi\u00f5es, prejudicando tanto o meio ambiente quanto o acesso p\u00fablico, e conclui afirmando que o legado de quem lutou pela prote\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas n\u00e3o pode ser desconsiderado. \u201cEm respeito \u00e0 mem\u00f3ria de Paulo Cesar Vinha, que morreu lutando pela preserva\u00e7\u00e3o daquela reserva em Guarapari\u201d, declarou.<\/p>\n<p>O vice-presidente do Sindip\u00fablicos, Rodolfo Melo, tamb\u00e9m se pronunciou, criticando duramente o processo de privatiza\u00e7\u00e3o dos parques e a pol\u00edtica ambiental do governo. Em entrevista ao jornal O Poder Popular, ele destacou que &#8220;h\u00e1 um ano, o governo flexibilizou as leis ambientais no estado com o objetivo de mercantilizar os \u00faltimos ref\u00fagios da vida silvestre&#8221;.<\/p>\n<p>Para Rodolfo, a privatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma medida prejudicial e antipopular. &#8220;Os parques, ao inv\u00e9s de serem privatizados, deveriam ser preservados por meio de pol\u00edticas de expans\u00e3o permanente das florestas&#8221;, afirma. Ele aponta que, ao entregar essas \u00e1reas a um pequeno grupo de empres\u00e1rios, o governo n\u00e3o s\u00f3 facilita a explora\u00e7\u00e3o comercial de um bem p\u00fablico, como tamb\u00e9m oferece a esses mesmos empres\u00e1rios &#8220;apoio financeiro do estado, por meio de fundos destinados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221;.<\/p>\n<p>Em sua avalia\u00e7\u00e3o, a raiz do problema \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o capitalista por tr\u00e1s dessas a\u00e7\u00f5es. &#8220;O estado e a burguesia t\u00eam como \u00fanico horizonte a acumula\u00e7\u00e3o de capital, mesmo que isso custe a vida no planeta&#8221;, destaca o dirigente sindical. Rodolfo refor\u00e7a ainda a necessidade de mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora para impedir esse projeto. &#8220;\u00c9 preciso se organizar contra essa pol\u00edtica de destrui\u00e7\u00e3o, disfar\u00e7ada sob o r\u00f3tulo de &#8216;economia verde'&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>Felipe Rigoni e o hist\u00f3rico de ataques ao meio ambiente<\/p>\n<p>Felipe Rigoni, \u00e0 frente da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, tem sido alvo de cr\u00edticas n\u00e3o apenas por este projeto de privatiza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m por outras a\u00e7\u00f5es que impactam diretamente a gest\u00e3o ambiental no Esp\u00edrito Santo. Ex-deputado federal, Rigoni tem um hist\u00f3rico de apoio \u00e0 flexibiliza\u00e7\u00e3o de regula\u00e7\u00f5es ambientais em prol do \u201cdesenvolvimento econ\u00f4mico\u201d, algo que j\u00e1 gerou controv\u00e9rsias em seu mandato anterior. Sua atua\u00e7\u00e3o no PEDUC, sem di\u00e1logo pr\u00e9vio com as comunidades e os servidores envolvidos na prote\u00e7\u00e3o ambiental, refor\u00e7a a insatisfa\u00e7\u00e3o crescente com sua gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Principal articulador da Lei n\u00ba 1073\/2023, apelidada por servidores e ambientalistas de &#8220;PL da destrui\u00e7\u00e3o&#8221;, Rigoni tem sido amplamente criticado por flexibilizar o licenciamento ambiental no Esp\u00edrito Santo, facilitando atividades de alto impacto, como a minera\u00e7\u00e3o de sal-gema, da qual \u00e9 um defensor convicto. Esse tipo de explora\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 provocou um desastre em Macei\u00f3 com o afundamento de bairros inteiros causado pela Braskem, levanta s\u00e9rias preocupa\u00e7\u00f5es sobre os riscos que essa flexibiliza\u00e7\u00e3o imp\u00f5e \u00e0s comunidades locais e \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental no estado.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se trata apenas da privatiza\u00e7\u00e3o dos parques, mas de uma s\u00e9rie de medidas que enfraquecem a prote\u00e7\u00e3o ambiental no estado. Estamos falando de um governo que aprova leis de flexibiliza\u00e7\u00e3o do licenciamento e ignora os alertas de quem realmente entende da \u00e1rea&#8221;, critica Renata Set\u00fabal, diretora jur\u00eddica do Sindip\u00fablicos.<\/p>\n<p>O impacto social: elitiza\u00e7\u00e3o do acesso e exclus\u00e3o das comunidades<\/p>\n<p>Outro ponto central na cr\u00edtica ao projeto de concess\u00e3o \u00e9 o impacto social sobre as comunidades que vivem no entorno dos parques. A instala\u00e7\u00e3o de infraestruturas voltadas ao turismo de luxo, como pousadas e restaurantes, pode resultar na elitiza\u00e7\u00e3o do acesso aos parques, restringindo a entrada apenas \u00e0queles que puderem pagar pelas novas estruturas. \u201cO turismo em Ita\u00fanas sempre foi sustent\u00e1vel e inclusivo. Agora, corremos o risco de ver nossa cultura sendo sufocada por um modelo de explora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o reflete a realidade local\u201d, lamenta Naiara Baptista C\u00e9sar, cineasta e moradora de Ita\u00fanas.<\/p>\n<p>A comunidade de Ita\u00fanas, conhecida por seu engajamento na prote\u00e7\u00e3o do Parque Estadual, tem sido uma das mais vocalmente contr\u00e1rias ao projeto. Os moradores organizaram reuni\u00f5es p\u00fablicas, Grupos de Trabalho (GTs) e campanhas de mobiliza\u00e7\u00e3o, usando a hashtag #itaunasquerfalar e o perfil no Instagram @noticiasdeitaunas para garantir que sua voz seja ouvida. &#8220;N\u00f3s sempre cuidamos do parque, e ele \u00e9 parte do nosso modo de vida. A privatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 nossa identidade e \u00e0 nossa economia local&#8221;, diz Miguel Vasconcellos.<\/p>\n<p>Paulo Cesar Vinha: um legado de lutas em defesa do meio ambiente<\/p>\n<p>O Parque Estadual Paulo Cesar Vinha, localizado em Guarapari, tamb\u00e9m tem uma hist\u00f3ria de luta e resist\u00eancia. Criado inicialmente em 1990 como Parque de Setiba, ele foi rebatizado em 1994 em homenagem ao bi\u00f3logo que dedicou sua vida \u00e0 defesa da preserva\u00e7\u00e3o ambiental no Esp\u00edrito Santo. Paulo Vinha foi assassinado em 1993 enquanto investigava a extra\u00e7\u00e3o ilegal de areia na regi\u00e3o, um crime brutal que marcou o movimento ambientalista capixaba.<\/p>\n<p>Entre 1970 e 1980, a \u00e1rea onde hoje se encontra o parque foi alvo de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e intensa degrada\u00e7\u00e3o, incluindo a retirada de areia e queimadas criminosas. Foi gra\u00e7as \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o de ambientalistas, liderados por figuras como Paulo Vinha, que o parque foi criado e as atividades predat\u00f3rias cessaram. Hoje, essa mesma \u00e1rea est\u00e1 amea\u00e7ada pela concess\u00e3o proposta pelo governo estadual. \u201cSe as concess\u00f5es forem aprovadas, o legado de Paulo Vinha ser\u00e1 jogado no lixo. O parque foi criado para proteger a biodiversidade e agora pode ser explorado comercialmente\u201d, lamenta Mois\u00e9s Batista Leal, militante do Comit\u00ea Popular de Luta de Vila Velha.<\/p>\n<p>Impactos da privatiza\u00e7\u00e3o do Parque Nacional de Aparados da Serra: um alerta para o Brasil<\/p>\n<p>Um exemplo recente de fracasso na privatiza\u00e7\u00e3o de parques pode ser visto no Parque Nacional Aparados da Serra, no Rio Grande do Sul. A concess\u00e3o \u00e0 iniciativa privada, leiloada em 11 de janeiro de 2021, visava atrair turistas de maior poder aquisitivo e impulsionar a economia local. No entanto, o efeito foi contr\u00e1rio. Com a taxa de entrada individual aumentada para R$ 102, o n\u00famero de visitantes caiu drasticamente. Anteriormente de acesso gratuito, o parque perdeu uma parte significativa dos turistas que sustentavam o com\u00e9rcio e a hospedagem na regi\u00e3o, afetando diretamente a economia local.<\/p>\n<p>Adicionalmente, a empresa concession\u00e1ria cogitou suspender temporariamente a visita\u00e7\u00e3o e os investimentos devido aos preju\u00edzos financeiros decorrentes da baixa procura. Esse cen\u00e1rio destaca que a privatiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 amea\u00e7a o meio ambiente, mas tamb\u00e9m cria barreiras econ\u00f4micas que prejudicam tanto a popula\u00e7\u00e3o quanto o turismo local, aumentando desigualdades e restringindo o acesso a \u00e1reas naturais.<\/p>\n<p>Este caso ilustra que a privatiza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas causa impactos ambientais, mas tamb\u00e9m falha no aspecto econ\u00f4mico. A tentativa de elitizar o turismo atrav\u00e9s de tarifas elevadas exclui uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o e reduz o fluxo tur\u00edstico, como observado em Aparados da Serra. Este contexto questiona o argumento do secret\u00e1rio Felipe Rigoni de que a privatiza\u00e7\u00e3o dos parques estaduais no Esp\u00edrito Santo traria mais empregos e renda. Na pr\u00e1tica, a exclus\u00e3o de visitantes, a elitiza\u00e7\u00e3o do acesso e o enfraquecimento do turismo regional contradizem as promessas de benef\u00edcios econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Manifesto em defesa dos parques p\u00fablicos do Esp\u00edrito Santo<\/p>\n<p>Em resposta ao avan\u00e7o do projeto de concess\u00e3o, pesquisadores, lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, quilombolas, ind\u00edgenas e moradores locais uniram for\u00e7as para lan\u00e7ar um manifesto em defesa das unidades de conserva\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, enfatizando a import\u00e2ncia de manter essas \u00e1reas sob gest\u00e3o p\u00fablica e alertando para os riscos de um turismo predat\u00f3rio. O documento, divulgado em plataformas online e por meio de campanhas nas redes sociais, denuncia a aus\u00eancia de consultas p\u00fablicas e de estudos de impacto ambiental, violando a Constitui\u00e7\u00e3o e a Conven\u00e7\u00e3o n\u00ba 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT).<\/p>\n<p>O manifesto ressalta que essas unidades de conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o ref\u00fagios para esp\u00e9cies amea\u00e7adas e devem ser protegidas para assegurar a sustentabilidade das comunidades tradicionais. A proposta de concess\u00e3o \u00e9 vista, portanto, como uma amea\u00e7a \u00e0 integridade ambiental e aos direitos das popula\u00e7\u00f5es locais. &#8220;A resist\u00eancia ao PEDUC n\u00e3o \u00e9 apenas local, \u00e9 parte de um movimento nacional contra a privatiza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Silvia Sardenberg. &#8220;Estamos mobilizados para garantir que esses espa\u00e7os continuem sendo um patrim\u00f4nio de todos, e n\u00e3o de poucos&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o alerta: os parques estaduais n\u00e3o devem ser tratados como mercadoria<\/p>\n<p>O embate entre capitalismo e preserva\u00e7\u00e3o ambiental est\u00e1 no centro do debate sobre a concess\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito Santo. A promessa de um turismo mais lucrativo contrasta com os impactos irrevers\u00edveis \u00e0 biodiversidade e \u00e0 cultura das regi\u00f5es afetadas.<\/p>\n<p>A luta pela preserva\u00e7\u00e3o dos parques estaduais do Esp\u00edrito Santo \u00e9 uma quest\u00e3o urgente, e a resist\u00eancia das comunidades locais, servidores e ambientalistas destaca o valor inegoci\u00e1vel desses patrim\u00f4nios naturais e culturais. A privatiza\u00e7\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o amea\u00e7a n\u00e3o apenas a biodiversidade e a integridade dos ecossistemas, mas tamb\u00e9m o modo de vida das popula\u00e7\u00f5es que h\u00e1 d\u00e9cadas convivem e cuidam dessas \u00e1reas. A defesa desses parques n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria ao desenvolvimento, mas a favor de um modelo que priorize a sustentabilidade e o bem comum, em vez de interesses privados e imediatistas.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o crescente demonstra que a sociedade n\u00e3o aceita ver suas riquezas naturais tratadas como mercadorias. \u00c9 fundamental que o governo abra um di\u00e1logo franco e transparente com os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o envolvida para encontrar solu\u00e7\u00f5es que garantam a preserva\u00e7\u00e3o ambiental e o desenvolvimento econ\u00f4mico das regi\u00f5es de forma inclusiva e sustent\u00e1vel. Assine o manifesto, engaje-se na campanha e ajude a proteger os parques estaduais do Esp\u00edrito Santo. O futuro dessas \u00e1reas deve ser decidido coletivamente, com base no interesse p\u00fablico, e n\u00e3o no lucro de poucos.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>Este conte\u00fado foi elaborado com base em entrevistas, reportagens e documentos p\u00fablicos. Para mais informa\u00e7\u00f5es, acesse as fontes a seguir:<\/p>\n<p>Movimentos em Defesa das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Manifesto pela prote\u00e7\u00e3o dos parques estaduais do ES. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.change.org\/p\/pela-prote%C3%A7%C3%A3o-dos-parques-estaduais-do-es?recruited_by_id=3a19a850-f1c7-11ee-bd7a-cfe6cd97259c. Acesso em: 11 de outubro de 2024.<\/p>\n<p>Sindip\u00fablicos. Servidores do Iema discutem impactos da concess\u00e3o de parques estaduais em assembleia. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.sindipublicos.com.br\/servidores-do-iema-discutem-impactos-da-concessao-de-parques-estaduais-em-assembleia\/. Acesso em: 11 de outubro de 2024.<\/p>\n<p>Prefeitura de Guarapari. Parque Estadual Paulo Cesar Vinha. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.guarapari.es.gov.br\/pagina\/ler\/2190\/parque-estadual-paulo-cesar-vinha. Acesso em: 11 de outubro de 2024.<\/p>\n<p>S\u00e9culo Di\u00e1rio. Comunidade reage \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o e se mobiliza para proteger o Parque de Ita\u00fanas. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.seculodiario.com.br\/meio-ambiente\/comunidade-reage-a-privatizacao-e-se-mobiliza-para-proteger-parque-de-itaunas\/. Acesso em: 11 de outubro de 2024.<\/p>\n<p>Grafitti News. Governo do ES anuncia o in\u00edcio da privatiza\u00e7\u00e3o de 6 parques p\u00fablicos para o ano que vem. Dispon\u00edvel em: https:\/\/grafittinews.com.br\/governo-do-es-anuncia-o-inicio-da-privatizacao-de-6-parques-publicos-para-o-ano-que-vem\/. Acesso em: 11 de outubro de 2024.<\/p>\n<p>Rede Esta\u00e7\u00e3o Democracia. A privatiza\u00e7\u00e3o do Parque Estadual de Ita\u00fanas: uma amea\u00e7a \u00e0 comunidade, \u00e0 sua identidade cultural e ao patrim\u00f4nio natural. Dispon\u00edvel em: https:\/\/red.org.br\/noticia\/a-privatizacao-do-parque-estadual-de-itaunas-uma-ameaca-a-comunidade-a-sua-identidade-cultural-e-ao-patrimonio-natural\/. Acesso em: 11 de outubro de 2024.<\/p>\n<p>O Eco. Concession\u00e1ria quer fechar parques da Serra Geral e Aparados da Serra. Dispon\u00edvel em: https:\/\/oeco.org.br\/salada-verde\/concessionaria-quer-fechar-parques-da-serra-geral-e-aparados-da-serra\/. Acesso em: 11 de outubro de 2024.<\/p>\n<p>S\u00e9culo Di\u00e1rio. Defensor do sal-gema, Felipe Rigoni na Seama \u00e9 desastre ambiental anunciado. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.seculodiario.com.br\/meio-ambiente\/defensor-do-sal-gema-felipe-rigoni-na-seama-e-desastre-ambiental-anunciado\/. Acesso em: 11 outubro de 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32157\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[239],"tags":[222],"class_list":["post-32157","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiental","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8mF","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32157"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32157\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32159,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32157\/revisions\/32159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}