{"id":32203,"date":"2024-11-01T20:14:33","date_gmt":"2024-11-01T23:14:33","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32203"},"modified":"2024-11-09T21:51:40","modified_gmt":"2024-11-10T00:51:40","slug":"as-eleicoes-e-a-miseria-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32203","title":{"rendered":"As elei\u00e7\u00f5es e a mis\u00e9ria brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/aterraeredonda.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/cena-urbana.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por MILTON PINHEIRO, membro do Comit\u00ea Central do PCB<\/p>\n<p>A Terra \u00e9 Redonda<\/p>\n<p>Em uma leitura mais precisa dos n\u00fameros que conformaram perdedores e ganhadores, podemos comprovar que os partidos de direita sa\u00edram vitoriosos, com forte avan\u00e7o da extrema-direita de car\u00e1ter neofascista<\/p>\n<p>\u201cAquele que se ajoelha diante do fato consumado n\u00e3o \u00e9 capaz de enfrentar o futuro\u201d (Leon Trotski).<\/p>\n<p>1.<\/p>\n<p>O Brasil no p\u00f3s segundo turno das elei\u00e7\u00f5es municipais de 2024 inspira uma profunda an\u00e1lise do cen\u00e1rio pol\u00edtico realmente existente. Algo que seja empiricamente consistente, mas que encontre, no desvelamento da interpreta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, um sentido para compreender o impacto eleitoral que ocorreu nos dois turnos destas elei\u00e7\u00f5es. No entanto, ainda s\u00e3o jogadas ao vento da tempestade que deve ser medida como term\u00f4metro pol\u00edtico, aspectos que se apresentam combinados ou separados, mas que apontam para algumas reflex\u00f5es pobres, outras duvidosas em virtude do ep\u00edlogo que se manifesta como defesa antecipada dos erros da \u201cesquerda\u201d que est\u00e1 confort\u00e1vel no gabinete da ordem.<\/p>\n<p>Leituras repetitivas de alguns analistas do ju\u00edzo final, que tem como l\u00f3gica explicativa uma eterna crise de dire\u00e7\u00e3o na esquerda, simp\u00e1ticos profetas que conseguem encontrar malabarismos esquem\u00e1ticos para explicar que temos uma esquerda frentista, outra radical\/esquerdista e no entre luz, o Psol, mesmo sem aprofundar que dentro desse partido tamb\u00e9m existem essas duas vers\u00f5es.<\/p>\n<p>Ainda temos aqueles que creditam a derrota ao papel impactante e moralmente abjeto do bolsonarismo e suas a\u00e7\u00f5es \u00e0 margem da lei. Surgem outros, em geral arquitetos das redes virtuais que, com odor populista, aventuram-se em afirmar um discurso da janela indiscreta da l\u00f3gica pequena burguesa de que a esquerda n\u00e3o consegue dialogar com as diversas periferias e favelas, vulgarmente entendidas, por essas entidades da noite reluzente (onde refletem seus notebooks), como algo compacto e universal, sem conseguir entender a enorme diversidade e pluralidade dessa geografia humana do ponto de vista de g\u00eanero, pol\u00edtico, ideol\u00f3gico, racial, et\u00e1rio e dos desejos de pertencimento desses sujeitos sociais expostos ao massacre da ordem das opress\u00f5es e da explora\u00e7\u00e3o capitalistas.<\/p>\n<p>Ocorrem, tamb\u00e9m, explica\u00e7\u00f5es que j\u00e1 antecipadamente afirmam alguns fatores da derrota. Desde a falta de iniciativas empreendedoras para a juventude pobre; falta de interlocu\u00e7\u00e3o que possa chegar \u00e0 periferia \u2013 nem que ela seja plat\u00f4nica \u2013 e, a cereja do bolo, inexist\u00eancia de qualquer a\u00e7\u00e3o para abrir um di\u00e1logo entre a esquerda e o neopetencostalismo. Sem falar, por outro lado, que existem cr\u00edticas est\u00e9reis e inconsequentes \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o, em campo aberto da pol\u00edtica, dos discursos que afirmam as identidades conflitivas.<\/p>\n<p>Contudo, no varejo das avalia\u00e7\u00f5es, existem ainda afirma\u00e7\u00f5es oficiais que tentam comprovar a vit\u00f3ria do PT a partir dos n\u00fameros de 2020, recorrendo ao pequeno aumento de prefeitos e vereadores, mas fingindo desconhecer que esse mesmo partido governa a Rep\u00fablica. Os \u00e1ulicos que desposam esses argumentos se aproveitam da cansada informa\u00e7\u00e3o de que, desde 2016 o petismo \u00e9 atacado pelo lavajatismo, pela m\u00eddia corporativa e pela institucionalidade do Estado burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Portanto, nada de novo no front como justificativa para explicar a pequena \u201cvit\u00f3ria\u201d. Nesse mesmo campo, alguns mais embevecidos pela defesa do petismo, qualificam que o bolsonarismo foi derrotado, inclusive porque os partidos de direita, que foram amplamente vitoriosos, fazem parte da coalizam de Uni\u00e3o Nacional do governo burgo-petista. Mesmo com esse abuso que desqualifica a an\u00e1lise, ainda tem aqueles que, no ambiente do fato consumado, consideram que n\u00e3o se pode fazer nada diante da composi\u00e7\u00e3o do Congresso que temos e diante disso o PT e Lula foram vitoriosos.<\/p>\n<p>No canto da margem de erro, sem maior capacidade explicativa neste vasto cen\u00e1rio, um conjunto pequeno tenta explicar o processo eleitoral pela l\u00f3gica da absten\u00e7\u00e3o e do voto nulo. Especulando que essa forma\/manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica denotaria uma imensa insatisfa\u00e7\u00e3o das massas populares e que esse \u201csentimento\u201d pode ser capturado pela esquerda. Essa interpreta\u00e7\u00e3o do processo eleitoral n\u00e3o apresenta o diverso e ampl\u00edssimo campo de motiva\u00e7\u00f5es para o n\u00e3o comparecimento, que pode inclusive ser marcado desde o feriado prolongado, a outros fatores que justificaria indisposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou cr\u00edtica ao processo, que pode ter conota\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de diversas matizes, inclusive de direita, mas que, por enquanto, n\u00e3o temos como comprovar sem uma profunda investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pode-se examinar assim que existe um conjunto diverso, confuso, plural e rico de an\u00e1lises. O que por si s\u00f3 j\u00e1 denota a import\u00e2ncia do \u00faltimo processo eleitoral e sinaliza, com essas preocupa\u00e7\u00f5es, a possibilidade de entender novos caminhos que possam melhorar o posicionamento dos competidores da pol\u00edtica no espa\u00e7o da democracia formal, gerando exames antecipados de trilhas para a interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>2.<\/p>\n<p>Em uma leitura mais precisa dos n\u00fameros que conformaram perdedores e ganhadores, podemos comprovar que os partidos de direita, vulgarmente chamados de \u201cCentr\u00e3o\u201d, sa\u00edram vitoriosos do processo eleitoral, com forte avan\u00e7o da extrema-direita de car\u00e1ter neofascista. Nesse mapa pol\u00edtico os partidos que mais elegeram prefeitos no ranking dos maiores competidores, foram: PSD (885), MDB (853), PP (746), Uni\u00e3o Brasil (583), PL (509), Republicanos (433), PSB (309), PSDB (273), PT (252), PDT (151), Avante (135) e Podemos (122), entre outros. \u00c9 importante salientar que a esquerda representada pelo PCB, PSOL, PSTU, PCO e UP n\u00e3o elegeu nenhum prefeito e o PC do B elegeu 19.<\/p>\n<p>No vasto territ\u00f3rio da disputa pol\u00edtica no espa\u00e7o municipal \u00e9 inadequado dizer que a disputa n\u00e3o \u00e9 ideol\u00f3gica. Sabemos que esse espa\u00e7o de confronta\u00e7\u00e3o \u00e9 marcado pelo fisiologismo, pela influ\u00eancia do poder local, pelos imediatos interesses da popula\u00e7\u00e3o, pela subordina\u00e7\u00e3o religiosa, mas tudo isso se reveste do componente ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Foi nesse territ\u00f3rio de disputa, tamb\u00e9m ideol\u00f3gica, que foram eleitos os vereadores\/as que conformam uma imensa maioria da direita: MDB (8.113), PP (6.953), PSD (6.624), Uni\u00e3o Brasil (5.490), PL (4.961), Republicanos (4.649), PSB (3.593), PT (3.130), PSDB (3.002), PDT (2.503), Podemos (2.329) e Avante (1.525), entre outros. No campo da esquerda o PCB, PSTU, PCO e UP n\u00e3o elegeram nenhum vereador, j\u00e1 o PC do B elegeu 354 e o PSOL elegeu 80.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es nas capitais apontam uma forte presen\u00e7a da direita e da extrema direita com a vit\u00f3ria do PSD (5), MDB (5), Uni\u00e3o Brasil (4), PL (4), Podemos (2), PP (2), Avante (1), PSB (1), PT (1) e Republicanos (1). Esse quadro praticamente se repete nas grandes cidades do pa\u00eds. A avalia\u00e7\u00e3o consequente desse processo \u00e9 que Gilberto Kassab, Tarc\u00edsio de Freitas, a Igreja Universal do Reino de Deus, Bolsonaro, fam\u00edlia Barbalho, c\u00fapula do Uni\u00e3o Brasil e for\u00e7as de direita e extrema direita sa\u00edram vitoriosas. Assim como podemos identificar que o PT, Lula, PSOL e a esquerda perderam nessa disputa eleitoral.<\/p>\n<p>3.<\/p>\n<p>O mapa eleitoral deve acender a luz da interroga\u00e7\u00e3o no governo Lula, no PT e no PSOL, e chamar \u00e0 reflex\u00e3o o conjunto da esquerda revolucion\u00e1ria. O cons\u00f3rcio do gabinete da ordem governista composto pelo PT, PC do B, setores majorit\u00e1rios do PSOL, segmentos sociais, organiza\u00e7\u00f5es populares e centrais sindicais precisam examinar a forma pol\u00edtica pela qual o governo que apoiam est\u00e1 se consolidando enquanto um governo de centro, configurado numa coaliz\u00e3o de Uni\u00e3o Nacional e operado pela l\u00f3gica indissoci\u00e1vel da rela\u00e7\u00e3o burgo-petista.<\/p>\n<p>O governo Lula tem se submetido com resigna\u00e7\u00e3o ao controle burgu\u00eas, sem nenhuma capacidade ou interesse de reagir. A direita representada pelo Centr\u00e3o tem obtido benesses, a exemplo das emendas parlamentares quase secretas, que em grande medida tamb\u00e9m impactaram fortemente na vit\u00f3ria da direita e na derrota da esquerda.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dessa inf\u00e2mia institucional, o governo age para retirar direitos (corte no BPC, no seguro-desemprego), age contra o servi\u00e7o p\u00fablico e os agentes p\u00fablicos a partir da reforma administrativa que est\u00e1 em debate, faz cortes or\u00e7ament\u00e1rios em \u00e1reas essenciais para a vida do povo como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e superior, desastres ambientais, etc. Sem falar na obstina\u00e7\u00e3o do ministro da fazenda em destruir a vida social para operar o d\u00e9ficit zero como forma de subservi\u00eancia ao \u201cmercado\u201d.<\/p>\n<p>Existe uma crescente frustra\u00e7\u00e3o com o governo Lula e a condu\u00e7\u00e3o do PT, fato que s\u00f3 faz fortalecer a direita e a extrema direita, podendo fortalecer ressentimentos pol\u00edticos que podem operar um deslocamento de segmentos populares para a direita. Lula e o governo e o PT n\u00e3o dialogam com as massas trabalhadoras, Lula e o PT n\u00e3o dialogam com a esquerda, Lula repete a f\u00f3rmula ultrapassada e derrotada que ele resolver\u00e1 os problemas localizados do povo sem politiza\u00e7\u00e3o dessas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a direita e a extrema direita exercem uma densa e vulgar politiza\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es que eles consideram importantes para movimentar as massas populares e deixar ativo seu n\u00facleo de confronta\u00e7\u00e3o militante.<\/p>\n<p>O governo Lula, o PT, e sua forma de governar, est\u00e3o confortavelmente estabelecidos na l\u00f3gica do controle estabelecido pelo PP, Uni\u00e3o Brasil, Republicanos, MDB e PSD. N\u00e3o se percebe nenhum sinal t\u00e1tico que sinalize para mudan\u00e7a de rumo nessa rela\u00e7\u00e3o. O povo continua sem ser chamado ao centro da luta que poderia mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e que terminasse por impactar no Congresso Nacional. O governo burgo-petista age na l\u00f3gica do Estado como estimulador do mercado e o mercado como gerente do governo.<\/p>\n<p>A frente ampla articulada por Lula e pelo PT tornou o atual governo ref\u00e9m do Centr\u00e3o e derrotou o campo da social democracia tardia no processo eleitoral deste ano, assim como permitiu a vit\u00f3ria das for\u00e7as de direita e o avan\u00e7o da extrema direita. Para al\u00e9m dessa n\u00edtida quest\u00e3o, a incapacidade pol\u00edtica desse campo (Lula-PT) se somou a uma total aus\u00eancia de projeto de car\u00e1ter popular para dialogar com a juventude, massas populares, mulheres e segmentos de \u201cclasse m\u00e9dia\u201d, abrindo um imenso corredor para o surgimento de lideran\u00e7as populistas, a exemplo do coach Pablo Mar\u00e7al, um quadro da extrema direita que teve for\u00e7a para polarizar as elei\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Paulo e gerar engajamento em outras partes do Brasil.<\/p>\n<p>4.<\/p>\n<p>A esquerda da ordem se apresentou para uma grande disputa nas elei\u00e7\u00f5es da capital paulista. Foi articulado um amplo espectro de for\u00e7as de esquerda para enfrentar o candidato de Jair Bolsonaro e principalmente do Tarc\u00edsio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes. Todavia, a campanha de Guilherme Boulos se mostrou incapaz de mostrar um perfil de oposi\u00e7\u00e3o, foi mais uma campanha ao estilo Lula da Carta aos Brasileiros do que algu\u00e9m que queria mostrar o contraponto ao sistema de poder na capital paulista. O candidato mostrou-se rendido (o Guilherme Boulos atual derrotou o Guilherme Boulos das lutas hist\u00f3ricas), exorbitou da indefini\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, n\u00e3o entrou nas principais pautas que colocavam na berlinda o controle da prefeitura pelos empres\u00e1rios e fugiu em quest\u00f5es gerais, a exemplo da venda da SABESP, aborto, drogas, etc.<\/p>\n<p>Foi uma campanha rica (80 milh\u00f5es) que apenas conseguiu ser um instrumento dos marqueteiros, com um tom burocr\u00e1tico que n\u00e3o empolgou a milit\u00e2ncia de esquerda, muito menos a juventude, como em 2020. Optou pela despolitiza\u00e7\u00e3o do discurso, perdeu combatividade e, ao final, apelou para a l\u00f3gica do empreendedorismo individualista e para o fortalecimento do armamento da Guarda Municipal. Isso explica o quanto a campanha estava sem rumo pol\u00edtico e ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Para coroar o sentido da trag\u00e9dia, no segundo turno Guilherme Boulos aceitou ser convidado do Pablo Mar\u00e7al para uma conversa pol\u00edtica. O que vimos foi o exerc\u00edcio do bom mocismo do representante da esquerda que n\u00e3o conseguiu confrontar o populista de extrema direita.<\/p>\n<p>\u00c9 uma l\u00e1stima o sentido dos \u201ccoment\u00e1rios\u201d que surgiram no PSOL sobre a derrota. O pr\u00f3prio candidato disse que a campanha dele representou \u201ca dignidade da esquerda brasileira\u201d, uma corrente interna do partido soltou um card, dizendo: \u201cParab\u00e9ns pela for\u00e7a e pela coragem, Boulos!\u201d Apesar do sentido de solidariedade, essa explica\u00e7\u00e3o moral n\u00e3o d\u00e1 conta da derrota e nem deve.<\/p>\n<p>5.<\/p>\n<p>A direita e a extrema direita neofascista conseguiram uma vit\u00f3ria e um avan\u00e7o expressivo na atual conjuntura pol\u00edtica. Essa vit\u00f3ria eleitoral impacta na vida social, alimenta for\u00e7as conservadoras e reacion\u00e1rias, ganha espa\u00e7o popular e fomenta pautas racistas, machistas, LGBTf\u00f3bicas, irracionalistas e xen\u00f3fobas. E o ovo da serpente entrou em fermenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil atual n\u00e3o existem projetos em disputa. A mis\u00e9ria brasileira \u00e9 manifestada por um lado pela social-democracia tardia liderando um governo de centro, essa l\u00f3gica foi explicada pelo ministro Paulo Pimenta ao afirmar que Lula e o governo s\u00e3o de centro e por isso sa\u00edram vitoriosos do processo eleitoral.<\/p>\n<p>Um governo composto por uma coaliz\u00e3o burgo-petista, com car\u00e1ter de Uni\u00e3o Nacional, quase sem nenhuma concilia\u00e7\u00e3o de classes, haja vista que os interesses da classe trabalhadora n\u00e3o encontram representa\u00e7\u00e3o nas a\u00e7\u00f5es do governo e, por outro lado, o movimento em bloco da extrema direita que consegue se apresentar para as massas populares como uma for\u00e7a oposicionista, de car\u00e1ter antissist\u00eamico (o que \u00e9 rid\u00edculo) e com uma pauta n\u00edtida para o exerc\u00edcio da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Essa mis\u00e9ria brasileira fica mais evidente no processo eleitoral, porque o sistema de partidos no Brasil, com raras exce\u00e7\u00f5es \u00e0 esquerda, \u00e9 uma estrutura de neg\u00f3cios (cf. Sofia Manzano). Portanto, essa nova polariza\u00e7\u00e3o entre direita e extrema direita representa uma particularidade manifestada pela necessidade de liderar a estrutura de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Cabe, em \u00faltima an\u00e1lise, a autocr\u00edtica e a redefini\u00e7\u00e3o da esquerda. Sem ilus\u00f5es com o campo da ordem que j\u00e1 capitulou diante do projeto burgu\u00eas, mas com for\u00e7a para retomar o trabalho de base, capacidade para entender a nova configura\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e, portanto agir para desvelar, sem lacra\u00e7\u00f5es, o sentido da luta contra as opress\u00f5es da sociabilidade capitalista, avan\u00e7ar na divulga\u00e7\u00e3o do seu projeto estrat\u00e9gico, operar esse projeto no balizamento das media\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas, construir um denso programa com for\u00e7a para articular a unidade de a\u00e7\u00e3o do campo da esquerda socialista, agir com convic\u00e7\u00e3o e criatividade no di\u00e1logo com as massas prolet\u00e1rias e populares. Afinal, a esquerda tem o que dizer (cf. Mauro Iasi).<\/p>\n<p>Milton Pinheiro \u00e9 professor titular de hist\u00f3ria pol\u00edtica da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e militante do PCB.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"1mkLtVg1Yo\"><p><a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/as-eleicoes-e-a-miseria-brasileira\/\">As elei\u00e7\u00f5es e a mis\u00e9ria brasileira<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;As elei\u00e7\u00f5es e a mis\u00e9ria brasileira&#8221; &#8212; A Terra \u00e9 Redonda\" src=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/as-eleicoes-e-a-miseria-brasileira\/embed\/#?secret=3LCIhdbwtv#?secret=1mkLtVg1Yo\" data-secret=\"1mkLtVg1Yo\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32203\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[17],"tags":[223],"class_list":["post-32203","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s21-eleicoes","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8np","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32203","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32203"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32203\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32204,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32203\/revisions\/32204"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32203"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32203"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32203"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}