{"id":3226,"date":"2012-07-25T16:56:41","date_gmt":"2012-07-25T16:56:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3226"},"modified":"2012-07-25T16:56:41","modified_gmt":"2012-07-25T16:56:41","slug":"familias-mais-endividadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3226","title":{"rendered":"Fam\u00edlias mais endividadas"},"content":{"rendered":"\n<p>Pelo segundo m\u00eas consecutivo e depois de apresentar queda durante todo o segundo semestre do ano passado, o n\u00famero de fam\u00edlias endividadas aumentou em julho. Dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimpl\u00eancia do Consumidor (Peic) mostram que o \u00edndice de lares com d\u00e9bitos subiu de 57,3% 57,6%, devido, principalmente, aos elevados juros que ainda sufocam quem compra a prazo ou precisa de um empr\u00e9stimo.<\/p>\n<p>Segundo a economista Marianne Hanson, da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), al\u00e9m de as fam\u00edlias que j\u00e1 tinham d\u00edvidas n\u00e3o terem tido condi\u00e7\u00f5es de reduzi-las, v\u00e1rias pessoas que entraram no mercado de trabalho nos \u00faltimos meses acabaram recorrendo a algum tipo de d\u00e9bito. &#8220;Apesar da desacelera\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho, o mercado continua aquecido. E quem consegue assinar a carteira fica em situa\u00e7\u00e3o mais confort\u00e1vel para comprar a prazo, por exemplo&#8221;, observou.<\/p>\n<p>Aqueles, por\u00e9m, que dependem do pr\u00f3prio neg\u00f3cio para sobreviver est\u00e3o mais sujeitos \u00e0s turbul\u00eancias da economia. \u00c9 o caso do comerciante Paulo S\u00e9rgio Valc\u00e1cio, 43 anos. Dono de uma loja de produtos agropecu\u00e1rios, ele viu as vendas ca\u00edrem drasticamente. Para complementar o or\u00e7amento, acumulou d\u00edvidas de quase R$ 22 mil, dos quais R$ 17 mil por meio de um empr\u00e9stimo pessoal. Para tentar sanar o quadro de dificuldade, ele, a mulher Telma, 42, e os dois filhos, Felipe, 15, e Thaline, 21, decidiram cortar uma s\u00e9rie de despesas, sobretudo com o lazer. &#8220;Estamos fazendo um esfor\u00e7o danado para n\u00e3o cair de novo no cheque especial&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a fam\u00edlia do t\u00e9cnico de inform\u00e1tica Jorge Silva J\u00fanior, 37 anos, est\u00e1 no sufoco. Quando ele decidiu inaugurar, com dois amigos, uma loja de manuten\u00e7\u00e3o de computadores, o objetivo era agregar qualidade de vida aos pais. Mas o que parecia ser uma boa ideia se transformou em s\u00e9rios problemas. Melhor: em d\u00edvidas de R$ 15 mil com o cart\u00e3o de cr\u00e9dito. &#8220;Com a perda da minha fonte de renda, n\u00e3o consegui mais honrar meus compromissos em dia&#8221;, disse. Apesar dos percal\u00e7os, Jorge afirmou que vai procurar seu banco em uma busca de uma negocia\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel. &#8220;N\u00e3o tenho dinheiro para pagar tudo \u00e0 vista&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Compromissos<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia captada pela CNC foi a de que houve um recuo na inadimpl\u00eancia. A parcela de fam\u00edlias com d\u00edvidas em atraso caiu para 21% neste m\u00eas, ap\u00f3s atingir 23,2% em junho. Essa redu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em linha com as expectativas do Banco Central. O presidente da institui\u00e7\u00e3o, Alexandre Tombini, vem dizendo que o calote d\u00e1 mostras de que chegou ao limite. O BC conta com a estabilidade da inadimpl\u00eancia para a retomada do consumo.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Marianne Hanson \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o da renda que vem ajudando as fam\u00edlias a pagarem as contas em dia. &#8220;Tamb\u00e9m contribui muito a renegocia\u00e7\u00e3o com os bancos, uma vez que os consumidores est\u00e3o conseguindo se livrar as d\u00edvidas antigas e obter cr\u00e9ditos em condi\u00e7\u00f5es mais vantajosas&#8221;, disse. A pesquisa da CNC ainda abrange as fam\u00edlias que declaram n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de honrar os compromissos: \u00edndice que caiu de 7,5% em junho para 7,3% em julho.<\/p>\n<p>Os dados da Confedera\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limitam a financiamentos banc\u00e1rios. Consideram cheque pr\u00e9-datado, cart\u00e3o de cr\u00e9dito, carn\u00eas de lojas, empr\u00e9stimo pessoal, presta\u00e7\u00e3o de carro e seguros.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Fim do euro cada vez mais prov\u00e1vel<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>O fim do euro como moeda comum da Uni\u00e3o Europeia (UE) \u00e9 cada vez mais prov\u00e1vel, na opini\u00e3o de renomados economistas reunidos ontem no Rio no semin\u00e1rio &#8220;O Brasil e o mundo em 2022&#8221;. Dani Rodrik, professor de economia pol\u00edtica da Universidade de Harvard, afirmou que o fim da divisa \u00e9 &#8220;cada vez mais prov\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; Espero que o euro n\u00e3o termine, mas parece cada vez mais prov\u00e1vel. Se e quando a Gr\u00e9cia sair do euro, as autoridades v\u00e3o agir r\u00e1pido para apoiar Espanha e It\u00e1lia, mas duvido que consigam prevenir futuras sa\u00eddas &#8211; disse Rodrik no evento de comemora\u00e7\u00e3o de 60 anos do BNDES, no Espa\u00e7o Tom Jobim, no Jardim Bot\u00e2nico.<\/p>\n<p>Barry Eichengreen, professor de economia e ci\u00eancia pol\u00edtica da Universidade da Calif\u00f3rnia, tamb\u00e9m avalia que a dissolu\u00e7\u00e3o do euro \u00e9 um risco bem prov\u00e1vel. Ele diz que a principal solu\u00e7\u00e3o para evitar isso, sempre adiada pelas autoridades europeias, seria um est\u00edmulo monet\u00e1rio conhecido em ingl\u00eas como quantitative easing (afrouxamento monet\u00e1rio). Isso significaria o Banco Central Europeu (BCE) imprimir euros para comprar t\u00edtulos p\u00fablicos de pa\u00edses endividados. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) j\u00e1 adotou essa pol\u00edtica duas vezes e conseguiu estimular a economia. Para Eichengreen, esse est\u00edmulo pode reduzir os insustent\u00e1veis juros que Espanha e It\u00e1lia v\u00eam sendo obrigadas a pagar para se financiar no mercado de t\u00edtulos p\u00fablicos, al\u00e9m de melhorar a situa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses j\u00e1 resgatados diretamente por empr\u00e9stimos (Gr\u00e9cia, Portugal e Irlanda).<\/p>\n<p>&#8211; Existem pelo menos quatro crises diferentes na Europa. A principal solu\u00e7\u00e3o para juros insustent\u00e1veis seria o afrouxamento monet\u00e1rio pelo Banco Central Europeu. Mas algu\u00e9m teria tamb\u00e9m de injetar capital nos bancos. Algu\u00e9m tem de lidar com os problemas de competitividade nas exporta\u00e7\u00f5es. E algu\u00e9m tem de restaurar a confian\u00e7a entre governantes e eleitores &#8211; diz Eichengreen.<\/p>\n<p>Rodrik diz considerar prov\u00e1vel um fraco crescimento econ\u00f4mico mundial nos pr\u00f3ximos anos, mas acredita que pa\u00edses com a economia mais dependente do mercado interno tenham maior chance de prosperar e obter desempenho acima da m\u00e9dia. Segundo o professor de Harvard, estariam em melhor situa\u00e7\u00e3o Brasil, \u00cdndia e Coreia do Sul.<\/p>\n<p>Luciano Coutinho, presidente do BNDES, adiantou que a linha de financiamento de m\u00e1quinas e equipamentos (Finame) do banco pode mostrar uma &#8220;recupera\u00e7\u00e3o t\u00eanue&#8221; dos investimentos em julho. Isso porque, segundo ele, o volume desembolsado para aquisi\u00e7\u00e3o de bens de capital deve chegar a pelo menos R$ 3,7 bilh\u00f5es em julho, contra R$ 3,2 bilh\u00f5es em junho:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 uma recupera\u00e7\u00e3o t\u00eanue ainda, na margem, de vendas de m\u00e1quinas e equipamentos, incluindo caminh\u00f5es. Pode ser ind\u00edcio da retomada do crescimento no segundo semestre.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o industrial volta a cair em junho<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A ind\u00fastria terminou o primeiro semestre em crise e o per\u00edodo j\u00e1 foi considerado perdido para o setor. Ap\u00f3s um suspiro de alta em maio, a produ\u00e7\u00e3o industrial voltou a cair em junho, liderada pelo setor automotivo. Mesmo assim, os estoques permanecem elevados, revelando que a estrat\u00e9gia de crescimento da atividade por meio de est\u00edmulos ao consumo d\u00e1 sinais de esgotamento.<\/p>\n<p>Todos os indicadores de atividade divulgados ontem pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) mostraram piora. O \u00edndice geral de produ\u00e7\u00e3o passou de 51,6 pontos em maio para 45,5 pontos no m\u00eas passado, em uma escala de 0 a 100 pontos em que n\u00fameros abaixo de 50 indicam contra\u00e7\u00e3o da atividade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso e do n\u00edvel dos estoques em 51,5 pontos, tamb\u00e9m apresentaram piora em junho o uso da capacidade instalada, que atualmente est\u00e1 em 72%, e o \u00edndice de emprego, que voltou a cair e agora est\u00e1 em 47,2 pontos.<\/p>\n<p>&#8220;A tend\u00eancia de deteriora\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m e os dados s\u00e3o coerentes: n\u00e3o h\u00e1 nenhum indicador mostrando melhora&#8221;, pontuou o gerente executivo de pesquisa da entidade, Renato Fonseca. &#8220;Claramente, a ind\u00fastria j\u00e1 est\u00e1 em crise&#8221;, refor\u00e7ou o executivo da entidade.<\/p>\n<p>Autos<\/p>\n<p>O setor de ve\u00edculos foi o que tomou o maior tombo de produ\u00e7\u00e3o no per\u00edodo, passando de 44,7 pontos para 36,8 pontos, segundo os indicadores divulgados pela CNI. &#8220;Apesar do boom de vendas visto com a redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), os estoques n\u00e3o est\u00e3o diminuindo&#8221;, considerou Fonseca.<\/p>\n<p>O movimento n\u00e3o \u00e9 espec\u00edfico desse ramo de atividade. Mesmo com a redu\u00e7\u00e3o generalizada da produ\u00e7\u00e3o, apenas um ter\u00e7o dos 30 setores avaliados pela CNI conseguiu reduzir o excesso de estoques no \u00faltimo trimestre. No geral, n\u00e3o s\u00f3 a evolu\u00e7\u00e3o do \u00edndice que mede a quantidade de p\u00e1tios e prateleiras lotadas como tamb\u00e9m o que calcula o estoque efetivo em rela\u00e7\u00e3o ao planejado pelos industriais est\u00e3o acima do desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>Decep\u00e7\u00e3o. Na avalia\u00e7\u00e3o da CNI, apesar do aumento dos gastos p\u00fablicos, da queda dos juros e da entrada em vigor de medidas do Plano Brasil Maior &#8211; a pol\u00edtica industrial e de com\u00e9rcio exterior do governo Dilma Rousseff -, n\u00e3o foi constatada a &#8220;esperada rea\u00e7\u00e3o&#8221; da atividade nos seis primeiros meses do ano.<\/p>\n<p>Com este quadro, o temor dos empres\u00e1rios com a queda da demanda e o avan\u00e7o da inadimpl\u00eancia do setor aumentou substancialmente, principalmente para os executivos de companhias de menor porte, que t\u00eam menos acesso ao cr\u00e9dito e n\u00e3o podem &#8220;se dar ao luxo&#8221; de manter cheios seus armaz\u00e9ns.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo com a ado\u00e7\u00e3o das recentes medidas de est\u00edmulo, a demanda ganhou import\u00e2ncia no \u00faltimo trimestre&#8221;, disse Fonseca, citando a sondagem industrial feita com 1.957 empresas de todo o Pa\u00eds entre os dias 2 e 13 de julho.<\/p>\n<p>J\u00e1 o c\u00e2mbio, que sempre foi sin\u00f4nimo de dor de cabe\u00e7a para os executivos nos \u00faltimos anos, saiu do radar das preocupa\u00e7\u00f5es dos empres\u00e1rios, por causa da alta da cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Arrecada\u00e7\u00e3o cai em junho e Receita j\u00e1 rev\u00ea proje\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Ap\u00f3s meses sucessivos de recordes, a arrecada\u00e7\u00e3o federal perdeu f\u00f4lego em junho e teve a primeira queda mensal desde dezembro. O pagamento de impostos e contribui\u00e7\u00f5es federais somou R$ 81,1 bilh\u00f5es, 6,55% a menos que em junho de 2011. O principal fator para esse fraco desempenho, apesar dos pacotes de est\u00edmulo lan\u00e7ados pelo governo, \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o no lucro das empresas, que j\u00e1 est\u00e3o deixando de pagar Imposto de Renda (IRPJ) e Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL).<\/p>\n<p>Diante desse novo cen\u00e1rio, a Receita reduziu a previs\u00e3o de crescimento da arrecada\u00e7\u00e3o em 2012 para algo entre 3,5% e 4%. A estimativa anterior era entre 4% e 4,5%. &#8220;O vi\u00e9s \u00e9 de baixa. Mas o crescimento deve ser mais pr\u00f3ximo de 4%&#8221;, disse a secret\u00e1ria adjunta da Receita, Zayda Manatta.<\/p>\n<p>Desde abril, quando as empresas deixaram de recolher tributos ainda com base nos ganhos de 2011, a arrecada\u00e7\u00e3o vem desacelerando como reflexo do baixo desempenho econ\u00f4mico. No primeiro semestre, os contribuintes pagaram R$ 508,5 bilh\u00f5es em impostos e contribui\u00e7\u00f5es federais, apenas 3,66% mais que no mesmo per\u00edodo de 2011.<\/p>\n<p>No entanto, Zayda disse que a expectativa \u00e9 de recupera\u00e7\u00e3o da economia e da arrecada\u00e7\u00e3o no segundo semestre, como resultado das medidas de est\u00edmulo.<\/p>\n<p>Desconforto. A revela\u00e7\u00e3o da secret\u00e1ria de que empresas est\u00e3o deixando de recolher IRPJ e CSLL indica que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nada confort\u00e1vel para o governo. E pode piorar se a retomada do crescimento n\u00e3o ocorrer na velocidade esperada. O problema agora \u00e9 evitar que esse quadro se espalhe, deteriorando a situa\u00e7\u00e3o fiscal. Em momentos de crise, muitas empresas preferem deixar de pagar os tributos para ganhar folga no caixa.<\/p>\n<p>Segundo Zayda, as empresas est\u00e3o apresentando o chamado balan\u00e7o de suspens\u00e3o ou reduzindo o pagamento mensal dos dois tributos. A legisla\u00e7\u00e3o permite que o pagamento de IRPJ e CSLL seja calculado com base na estimativa de lucro para o ano. Por\u00e9m, se elas perceberem que o lucro ser\u00e1 menor, podem suspender o pagamento mensal ou reduzir o valor para compensar o que j\u00e1 pagaram a mais. A Receita vai monitorar esse movimento com base nas informa\u00e7\u00f5es da Declara\u00e7\u00e3o de D\u00e9bitos e Cr\u00e9ditos Federais (DCTF) das empresas.<\/p>\n<p>Outro fator que influenciou a desacelera\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o no primeiro semestre e a redu\u00e7\u00e3o em junho foi o pagamento das parcelas do Refis da Crise.<\/p>\n<p>Em junho de 2011, quando houve a consolida\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos, a Receita recolheu R$ 6,7 bilh\u00f5es como antecipa\u00e7\u00e3o de parcelas ou quita\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas. No m\u00eas passado, os d\u00e9bitos do Refis da Crise somaram apenas R$ 1,2 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>A nova previs\u00e3o da Receita para 2012 considera tamb\u00e9m o rebaixamento da estimativa para expans\u00e3o do PIB este ano de 4,5% para 3% e uma frustra\u00e7\u00e3o de receitas nos primeiros meses de R$ 22 bilh\u00f5es. O Fisco projeta recolher R$ 676 bilh\u00f5es este ano.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Com Espanha na encruzilhada, nem China alivia tens\u00e3o dos mercados<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 tr\u00e9gua na crise europeia, que toma contornos cada vez mais dram\u00e1ticos. A Espanha, em foco, encontra-se em uma encruzilhada. O financiamento via mercado est\u00e1 em xeque, j\u00e1 que as taxas de retorno exigidas sobem em todos os pontos da curva, situa\u00e7\u00e3o que h\u00e1 pouco tempo estava concentrada em vencimentos mais longos, como cinco e dez anos. Esses dois t\u00edtulos encontram-se agora quase no mesmo n\u00edvel (7,62% e 7,52%, respectivamente), enquanto a alta nos vencimentos mais curtos (tr\u00eas e seis meses) \u00e9 at\u00e9 maior proporcionalmente (2,43% e 3,69% no leil\u00e3o de ontem), o que tira do pa\u00eds a op\u00e7\u00e3o de financiar-se no curto prazo a custos mais baixos, uma sa\u00edda que era aventada por muitos analistas.<\/p>\n<p>A desconfian\u00e7a, portanto, toma formas mais definidas. Algo precisa ser feito, mas n\u00e3o h\u00e1 resposta f\u00e1cil, tampouco objetiva para essa quest\u00e3o. O socorro aos bancos de at\u00e9 \u20ac 100 bilh\u00f5es s\u00f3 ser\u00e1 efetivo a partir de setembro, quando come\u00e7am a ser liberadas as tranches ao sistema financeiro.<\/p>\n<p>As medidas de fundo definidas no \u00faltimo Euro Summit, por sua vez, s\u00e3o esperadas apenas para o fim do ano, como o in\u00edcio de uma uni\u00e3o banc\u00e1ria. Sem esquecer, claro, que muita \u00e1gua ainda vai passar por baixo da ponte da pol\u00edtica, que \u00e9 onde as decis\u00f5es tomam forma.<\/p>\n<p>As regi\u00f5es aut\u00f4nomas da Espanha, 17 no total, d\u00e3o sinais claros de incapacidade financeira. Depois de Val\u00eancia e Murcia, especula-se que a Catalunha seja a pr\u00f3xima da fila, uma regi\u00e3o do tamanho de Portugal e que tem necessidade de financiamento de \u20ac 10 bilh\u00f5es at\u00e9 o fim de 2013, segundo c\u00e1lculo do BNP Paribas, e estoque de d\u00edvida de \u20ac 42 bilh\u00f5es, em dados do or\u00e7amento do Banco da Espanha.<\/p>\n<p>Importante lembrar que o governo espanhol anunciou em 13 de julho o &#8220;mecanismo regional de liquidez&#8221; de \u20ac 18 bilh\u00f5es \u00e0s prov\u00edncias, em parte bancado por recursos da loteria federal (\u20ac 6 bilh\u00f5es). Apesar das condicionalidades impostas e da participa\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria das regi\u00f5es, o tamanho do rombo pode tornar muito dif\u00edcil a tarefa de restringir o apoio financeiro do governo central espanhol a este montante. A necessidade de financiamento total das prov\u00edncias \u00e9 de \u20ac 50,48 bilh\u00f5es, o que pesa sobre o enorme d\u00e9ficit fiscal do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nessa roda viva, os cortes dolorosos no or\u00e7amento espanhol n\u00e3o incutem confian\u00e7a nos agentes e aumentam sobremaneira a tens\u00e3o social.<\/p>\n<p>O encontro do ministro das Finan\u00e7as, Luis de Guindos, com o alem\u00e3o Wolfgang Sha\u00fcble em Berlim n\u00e3o deve trazer not\u00edcia nova ao mercado, que dever\u00e1 ficar em modo de espera nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>A volta da Gr\u00e9cia ao radar \u00e9 um ingrediente a mais nesse mix de preocupa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o \u00e9 cen\u00e1rio b\u00e1sico dos analistas (ao menos por ora) que o Banco Central Europeu (BCE) deixe o pa\u00eds \u00e0 pr\u00f3pria sorte depois de todo o imbr\u00f3glio eleitoral. \u00c0 parte, claro, os &#8220;euroc\u00e9ticos&#8221;. Mas a avalia\u00e7\u00e3o da troica \u00e9 que dar\u00e1 o tom do destino da Gr\u00e9cia na zona do euro e em que medida o pa\u00eds poder\u00e1 ou n\u00e3o atender as metas impostas.<\/p>\n<p>Em meio a esse ambiente, as evid\u00eancias de piora na atividade econ\u00f4mica na regi\u00e3o do euro aparecem com ainda mais contund\u00eancia nos pa\u00edses centrais. A atividade industrial na Fran\u00e7a e Alemanha caiu novamente em julho, para n\u00edveis n\u00e3o vistos desde maio e junho de 2009. Salvo pelo setor de servi\u00e7os (principalmente o da Fran\u00e7a, sempre mais pujante), o PMI composto da zona do euro manteve-se est\u00e1vel neste m\u00eas no n\u00edvel de 46,4, completando 11 meses abaixo da linha de 50,0.<\/p>\n<p>A economista Stella Wang, do Nomura na Europa, declarou, em relat\u00f3rio, que a queda no PMI industrial na zona do euro derruba quaisquer esperan\u00e7as de uma recupera\u00e7\u00e3o da economia no curto prazo e contribui para expectativas mais pessimistas do crescimento do PIB na regi\u00e3o no terceiro trimestre. A casa espera retra\u00e7\u00e3o do PIB alem\u00e3o de 0,5% na margem no terceiro trimestre e queda de 0,3% do PIB franc\u00eas no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>A \u00fanica boa not\u00edcia do dia, o PMI preliminar de julho medido pelo HSBC\/Markit da China, ficou no p\u00e9 da p\u00e1gina em meio ao tumulto europeu. O \u00edndice da atividade manufatureira subiu de 48,2 para 49,5, permeando a marca de 50,0 e se aproximando do PMI oficial, cujo n\u00edvel era de 50,2 em junho.<\/p>\n<p>Vale frisar que as medidas de apoio \u00e0 atividade econ\u00f4mica no pa\u00eds come\u00e7am a aparecer nos n\u00fameros, como enfatizou em nota o economista-chefe do HSBC na China, Hongbin Qu, embora espere medidas adicionais de est\u00edmulo \u00e0 demanda e ao emprego. De fato, considerando que a taxa de juros continua positiva por conta da queda importante da infla\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas leituras, ao menos cortes nos compuls\u00f3rios s\u00e3o bastante prov\u00e1veis nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Cresce desembolso de linha do BNDES para bens de capital<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) prev\u00ea que os desembolsos do BNDES Finame, linha voltada para bens de capital, atinjam R$ 3,7 bilh\u00f5es em julho, acima dos R$ 3,2 bilh\u00f5es de junho.<\/p>\n<p>Embora o desempenho possa ter sido impulsionado pela sazonalidade, j\u00e1 que esta \u00e9 a \u00e9poca em que o setor agr\u00edcola contrata maquin\u00e1rio para a pr\u00f3xima safra, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, salientou que o crescimento pode ser uma sinaliza\u00e7\u00e3o de poss\u00edvel melhora na atividade industrial e assim impulsionar, indiretamente, uma recupera\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&#8220;As libera\u00e7\u00f5es das linhas Finame come\u00e7aram a se recuperar nas \u00faltimas duas, tr\u00eas semanas, e est\u00e3o se mantendo. Ainda \u00e9 cedo para dizer se isso \u00e9 uma coisa que vai durar meses, mas s\u00e3o os primeiros ind\u00edcios de que a atividade econ\u00f4mica vai se recuperar&#8221;, disse Coutinho, acrescentando ser esta &#8220;uma recupera\u00e7\u00e3o t\u00eanue, na margem&#8221;, mas ainda assim uma recupera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Entre os fatores enumerados por Coutinho que levaram a este resultado est\u00e3o as redu\u00e7\u00f5es nas taxas de juros, promovidas por governo e bancos, al\u00e9m de melhora relativa na taxa de c\u00e2mbio e desonera\u00e7\u00f5es na folha de pagamento. Esses pontos, na an\u00e1lise de Coutinho, conferiram maior f\u00f4lego \u00e0 ind\u00fastria, que agora deve voltar a investir. Ainda que os efeitos sejam parciais, j\u00e1 come\u00e7ariam a influenciar positivamente as vendas de bens de capital.<\/p>\n<p>Ainda segundo o executivo, outra sinaliza\u00e7\u00e3o de retomada na atividade vem dos dados preliminares de opera\u00e7\u00f5es indiretas do banco. Essas opera\u00e7\u00f5es, que al\u00e9m das linhas Finame incluem outras duas modalidades como BNDES autom\u00e1tico e cart\u00e3o BNDES, tiveram desembolsos de R$ 5,2 bilh\u00f5es nas primeiras semanas de julho, acima do apurado em junho, quando registraram montante em torno de R$ 4,8 bilh\u00f5es. &#8220;Pode ser o ind\u00edcio de uma retomada no segundo semestre&#8221;, reiterou Coutinho.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Governo dar\u00e1 reajuste linear para servidor<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>A presidente Dilma Rousseff decidiu conceder um reajuste salarial linear para servidores de carreiras b\u00e1sicas do Executivo que est\u00e3o com os vencimentos mais achatados, al\u00e9m de aumentos diferenciados para militares e carreiras espec\u00edficas, com base no conceito da meritocracia. O an\u00fancio ser\u00e1 feito na primeira quinzena de agosto, ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o de novas medidas de est\u00edmulo \u00e0 economia, mas os \u00edndices ainda n\u00e3o foram definidos e os aumentos s\u00f3 v\u00e3o valer a partir de 2013. Ontem, o governo melhorou a proposta de reajuste para os professores das universidades federais em greve h\u00e1 mais de dois meses, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 uma defini\u00e7\u00e3o sobre o fim da paralisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pela nova proposta, apresentada em reuni\u00e3o no Minist\u00e9rio do Planejamento, os reajustes v\u00e3o variar de 25% a 40%, em vez de come\u00e7ar com 12%, como na proposta anterior. Os negociadores do governo j\u00e1 avisaram que chegaram no limite. Com a nova proposta, o impacto financeiro, que seria de R$ 3,9 bilh\u00f5es, passou para R$ 4,2 bilh\u00f5es. E a concess\u00e3o do reajuste ser\u00e1 antecipada para mar\u00e7o, em vez de agosto de 2013.<\/p>\n<p>&#8211; O governo chegou ao limite, tanto nos aspectos t\u00e9cnicos, a parte acad\u00eamica, quanto aos valores e os poss\u00edveis ajustes na tabela. Se n\u00e3o caminharmos para o acordo vamos ficar numa situa\u00e7\u00e3o bastante delicada. O governo precisa do acordo, quer o acordo. Hoje, nenhuma categoria do Brasil est\u00e1 conseguindo arrancar acordo &#8211; disse o secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o Profissional e Tecnol\u00f3gica do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Marco Ant\u00f4nio Oliveira.<\/p>\n<p>Na proposta reformulada, um professor universit\u00e1rio com carga de 40 horas semanais, mestrado e estando no \u00faltimo n\u00edvel da carreira receber\u00e1 R$ 5.832,66 (at\u00e9 2015). Na proposta anterior, chegaria at\u00e9 R$ 5.502,51. Hoje esse professor ganha R$ 4.572,16. Os dois sindicatos que representam os professores est\u00e3o divididos.<\/p>\n<p>&#8211; Nossa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que o governo n\u00e3o avan\u00e7ou. Defendemos o mesmo percentual de reajuste de um n\u00edvel para outro e n\u00e3o um percentual maior entre os n\u00edveis &#8211; afirmou a presidente do Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior), Marinalva Oliveira.<\/p>\n<p>&#8211; A proposta \u00e9 boa, e o governo analisou os 15 itens que priorizamos &#8211; observou o presidente da Federa\u00e7\u00e3o de Sindicatos dos Professores de Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior (Proifes), Eduardo Rolim de Oliveira.<\/p>\n<p>Ontem, antes de embarcar para Londres, a presidente teve reuni\u00f5es com ministros que enfrentam greves de categorias especializadas, como Anvisa, Receita Federal e Pol\u00edcia Federal. O Planejamento avalia quanto cresceram os rendimentos de cada categoria desde 2003 para definir os \u00edndices de reajuste e focar a reposi\u00e7\u00e3o nos servidores menos favorecidos no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Considerando que o aumento linear para as carreiras b\u00e1sicas do Executivo em 2013 seria a reposi\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o de 2012, ou um pouco mais, esse impacto seria de R$ 7,5 bilh\u00f5es a R$ 8 bilh\u00f5es sobre a folha de pagamento do governo deste ano, que \u00e9 R$ 152,5 bilh\u00f5es. Isso sem contar os reajustes diferenciados. Muito distante, portanto, do impacto projetado pelo Planejamento caso o governo atendesse todas as reivindica\u00e7\u00f5es dos servidores em greve: R$ 92 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para os militares, o reajuste deve ser mais amplo, porque j\u00e1 h\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o no governo de que \u00e9 a carreira mais defasada salarialmente. Dados do Minist\u00e9rio do Planejamento indicam que a despesa m\u00e9dia da Uni\u00e3o com os militares da ativa aumentou bem menos do que com os civis ativos: cresceu 123% entre 2003 e 2012 para os civis e 78% para os militares, contra uma infla\u00e7\u00e3o de 52,7% no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as tens\u00f5es na caserna, que se acirraram com a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade, precipitaram a decis\u00e3o do governo. Foi bem recebida pela presidente Dilma a atua\u00e7\u00e3o dos oficiais, que refrearam o movimento rebelde da reserva quando a comiss\u00e3o foi instalada. Ontem, Dilma teve nova reuni\u00e3o com o ministro da Defesa, Celso Amorim, e com os chefes das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>Para outras categorias, o Planalto insiste no conceito da meritocracia. Uma fonte do governo resume a determina\u00e7\u00e3o da presidente:<\/p>\n<p>&#8211; Quem tem patente, t\u00edtulo e &#8220;paper&#8221; vai ganhar mais. \u00c9 uma quest\u00e3o de princ\u00edpios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nCorreio Braziliense\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3226\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3226","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Q2","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3226","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3226"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3226\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3226"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3226"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3226"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}