{"id":32420,"date":"2025-01-08T19:48:52","date_gmt":"2025-01-08T22:48:52","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32420"},"modified":"2025-01-08T19:48:52","modified_gmt":"2025-01-08T22:48:52","slug":"o-acordo-mercosul-ue-e-a-economia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32420","title":{"rendered":"O acordo Mercosul\/UE e a economia brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32421\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32420\/shutterstock_mybxeaa\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/shutterstock_mybxeaA.jpg?fit=1292%2C644&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1292,644\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"shutterstock_mybxeaA\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/shutterstock_mybxeaA.jpg?fit=747%2C373&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-32421\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/shutterstock_mybxeaA.jpg?resize=747%2C373&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"373\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/shutterstock_mybxeaA.jpg?resize=900%2C449&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/shutterstock_mybxeaA.jpg?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/shutterstock_mybxeaA.jpg?resize=768%2C383&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/shutterstock_mybxeaA.jpg?w=1292&amp;ssl=1 1292w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Edmilson Costa*<\/p>\n<h1>Acordo Mercosul-UE aprofunda a reprimariza\u00e7\u00e3o da economia brasileira<\/h1>\n<p>Os pa\u00edses do Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia anunciaram no dia 6 de dezembro passado a conclus\u00e3o das negocia\u00e7\u00f5es do acordo de parcerias entre os dois blocos, encerrando assim um processo que j\u00e1 durava mais de duas d\u00e9cadas. Agora, os termos do acordo passar\u00e3o por revis\u00e3o jur\u00eddica, ser\u00e3o traduzidos nos respectivos idiomas dos pa\u00edses componentes dos dois blocos e, posteriormente, dever\u00e3o ser aprovados pelos parlamentos dos diversos pa\u00edses. Segundo as autoridades governamentais brasileiras, o acordo, quando estiver em vigor, englobar\u00e1 um mercado de 718 milh\u00f5es de pessoas com um Produto Interno Bruto de U$ 22 trilh\u00f5es, ressaltando-se que a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 o segundo maior parceiro econ\u00f4mico do Brasil com uma corrente de com\u00e9rcio de U$ 92 bilh\u00f5es, o que representa 16% do com\u00e9rcio exterior do pa\u00eds. O governo espera ainda que o acordo dinamize o fluxo de investimentos para o Brasil, uma vez que a Uni\u00e3o Europeia possui quase a metade do estoque de investimentos diretos aqui, e que os pa\u00edses do Mercosul ganhem maior inser\u00e7\u00e3o no mercado global.[1]<\/p>\n<p>Em termos pol\u00edticos, o acordo estabelece mecanismos de coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em praticamente todas as \u00e1reas do com\u00e9rcio internacional, al\u00e9m de representar associa\u00e7\u00e3o entre duas regi\u00f5es que afirmam compartilhar valores como a democracia liberal e a promo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Os dois blocos reconhecem os desafios ambientais do planeta e a necessidade de um desenvolvimento sustent\u00e1vel, com responsabilidades comuns, o que significa conciliar o com\u00e9rcio com as pr\u00e1ticas ambientais efetivas, visando a constru\u00e7\u00e3o de um processo de descarboniza\u00e7\u00e3o, bem como o favorecimento de produtos sustent\u00e1veis para o com\u00e9rcio exterior. Ainda segundo as autoridades brasileiras, o Brasil conseguiu incluir no acordo compromissos que garantem a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil, como sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, representantes de diversos segmentos sociais, al\u00e9m do setor privado nos processos de discuss\u00e3o e monitoramentos do acordo.<\/p>\n<p>Esse tratado abrange centenas de p\u00e1ginas e v\u00e1rios anexos envolvendo praticamente todas as regras para a comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos e servi\u00e7os dos dois blocos, bem como liberaliza\u00e7\u00e3o comercial, seguran\u00e7a jur\u00eddica dos investimentos, movimento de capitais, solu\u00e7\u00f5es de controv\u00e9rsias e arbitragem, defesa da concorr\u00eancia, compras governamentais, regras para subs\u00eddios, propriedade intelectual, pr\u00e1ticas regulat\u00f3rias, mecanismos de consulta, barreiras t\u00e9cnicas, fitossanit\u00e1rias e alfandeg\u00e1rias, entre outros.[2] Neste artigo vamos debater apenas os aspectos centrais e pol\u00edticos em rela\u00e7\u00e3o ao que foi negociado entre os dois blocos, buscando identificar os problemas e os perigos que um acordo desse porte pode representar no longo prazo para a economia brasileira, al\u00e9m dos impactos que dever\u00e1 ter em qualquer plano de desenvolvimento do pa\u00eds. Mesmo que o governo, em sua propaganda cor de rosa, anuncie que o acordo vai proporcionar novas oportunidades econ\u00f4micas para toda a sociedade da regi\u00e3o, a realidade \u00e9 bem diferente da propaganda. Vejamos os principais aspectos do acordo e analisemos seus impactos na economia brasileira.<\/p>\n<p><strong>Tratado aprofunda o decl\u00ednio industrial brasileiro<\/strong><\/p>\n<p>O tratado comercial foi estruturado sob a \u00f3tica da velha pol\u00edtica neocolonial fantasiada de livre com\u00e9rcio e, tal qual os acordos tipicamente imperialistas, reflete a l\u00f3gica das trocas assim\u00e9tricas que beneficiam fundamentalmente as economias centrais e refor\u00e7am o velho dilema das trocas desiguais das economias perif\u00e9ricas, que \u00e9 a inser\u00e7\u00e3o internacional baseada na exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios e na importa\u00e7\u00e3o de produtos industrializados estrangeiros, o que vai ampliar as fragilidades estruturais da economia brasileira e limitar as possibilidades de um desenvolvimento aut\u00f4nomo do pa\u00eds. O acordo refor\u00e7a ainda a vulnerabilidade da ind\u00fastria nacional, j\u00e1 bastante afetada pelos 35 anos de devasta\u00e7\u00e3o neoliberal, em fun\u00e7\u00e3o da abertura da economia, da quebra de v\u00e1rios setores industriais, dos custos elevados da produ\u00e7\u00e3o e dos juros estratosf\u00e9ricos, al\u00e9m do fato de que, a partir de agora, ter\u00e1 que concorrer com os produtos da ind\u00fastria da Uni\u00e3o Europeia, que possuem elevado grau de produtividade, tecnologia avan\u00e7ada, operam com juros baixos e grandes subs\u00eddios governamentais. Conforme podemos ver no gr\u00e1fico 1, elaborado por Morceiro, a desindustrializa\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 estava avan\u00e7ada, vai se ampliar com esse acordo.[3]<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32422\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32420\/image-21\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image.png?fit=1082%2C710&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1082,710\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image.png?fit=747%2C491&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-32422\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image.png?resize=747%2C491&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"491\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image.png?resize=900%2C591&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image.png?resize=300%2C197&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image.png?resize=768%2C504&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image.png?w=1082&amp;ssl=1 1082w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><\/p>\n<p>O processo de decl\u00ednio industrial dever\u00e1 ocorrer porque o acordo, no cap\u00edtulo \u201ccom\u00e9rcio de bens\u201d, segundo o Minist\u00e9rio de Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os, contempla compromissos de liberaliza\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria em setores industriais e agr\u00edcolas. Por exemplo, nesse item o Mercosul se compromete a promover uma ampla liberaliza\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria de produtos da regi\u00e3o submetidos \u00e0 desgrava\u00e7\u00e3o imediata ou ainda linear em prazos que variam de 4, 8, 10 e 15 anos, envolvendo cerca de 91% dos bens e 85% do valor das importa\u00e7\u00f5es brasileiras provenientes da Uni\u00e3o Europeia. Em contrapartida, a oferta da Uni\u00e3o Europeia abrange a liberaliza\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria de uma cesta de produtos submetidos \u00e0 desgrava\u00e7\u00e3o imediata ou linear ao longo de prazos que tamb\u00e9m variam de 4, 8, 10 e 15 anos, envolvendo aproximadamente 95% dos bens e 92% do valor das importa\u00e7\u00f5es europeias de produtos brasileiros.4 Como o Brasil exporta basicamente produtos prim\u00e1rios e importa produtos industrializados, essa liberaliza\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ter um profundo impacto negativo na ind\u00fastria brasileira.<\/p>\n<p>Em outras palavras, para o Brasil, a abertura da economia \u00e0s importa\u00e7\u00f5es de bens industrializados europeus, aliada \u00e0 restri\u00e7\u00e3o \u00e0 transfer\u00eancia de tecnologia e a prote\u00e7\u00e3o aos direitos de propriedade intelectual das empresas europeias, com certeza vai sufocar setores estrat\u00e9gicos da ind\u00fastria nacional e agravar o processo de reprimariza\u00e7\u00e3o da economia, que vem avan\u00e7ando a passos largos com o apoio governamental \u00e0 expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio. Entre os principais setores que ser\u00e3o prejudicados com o acordo pode-se citar a ind\u00fastria automotiva, que mesmo com algumas ressalvas do acordo, n\u00e3o dever\u00e1 suportar a concorr\u00eancia europeia. Outro setor que tamb\u00e9m ser\u00e1 prejudicado ser\u00e1 a ind\u00fastria de produtos qu\u00edmicos e farmac\u00eauticos, setores em que as ind\u00fastrias do velho continente s\u00e3o mais competitivas. Tamb\u00e9m ser\u00e1 afetada a ind\u00fastria de m\u00e1quinas e equipamentos, possivelmente o setor com menor capacidade de concorr\u00eancia com os produtos europeus. Ou seja, os acordos poder\u00e3o acelerar a desindustrializa\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o da soberania, agravamento das desigualdades, elementos que poder\u00e3o superar potenciais ganhos comerciais nos produtos prim\u00e1rios.<\/p>\n<p>Como se sabe, o setor industrial comanda a economia de um pa\u00eds porque funciona como uma locomotiva que espalha sua din\u00e2mica virtuosa para todos os outros setores econ\u00f4micos, tanto em termos de inova\u00e7\u00e3o quanto de produtividade e gera\u00e7\u00e3o de empregos de qualidade. Portanto, n\u00e3o tem nenhum sentido se imaginar que uma economia como a brasileira seja comandada pelo agroneg\u00f3cio, que \u00e9 um setor que n\u00e3o pode incorporar a inova\u00e7\u00e3o no mesmo ritmo que a ind\u00fastria nem proporciona emprego na mesma propor\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem a mesma produtividade e est\u00e1 sujeito permanentemente \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e \u00e0 volatilidade dos pre\u00e7os internacionais de commodities. Toda a propaganda atual dos meios de comunica\u00e7\u00e3o buscando colocar o agroneg\u00f3cio na vanguarda da economia n\u00e3o passa de um grande equ\u00edvoco que poder\u00e1 levar o Brasil a regredir a um passado de grande atraso econ\u00f4mico. Ou como dizem Delgado e Leite: \u201cNo tratamento midi\u00e1tico e ideol\u00f3gico do sistema agr\u00e1rio hegem\u00f4nico todo esse processo \u00e9 vendido como uma esp\u00e9cie de sucesso incontroverso de uma entidade m\u00e1gica \u2013 o agroneg\u00f3cio\u201d.[5]<\/p>\n<p>Vejamos os n\u00fameros divulgados pelo pr\u00f3prio governo, que confirmam que o Pa\u00eds realmente exporta basicamente mat\u00e9rias primas e importa produtos industrializados: o Brasil exportou U$ 46,3 bilh\u00f5es para a Uni\u00e3o Europeia em 2023, quase todos produtos agropecu\u00e1rios, minerais, al\u00e9m de outros com pouco valor agregado, com os seguintes percentuais em rela\u00e7\u00e3o ao total das exporta\u00e7\u00f5es: \u201calimentos para animais, 11,6%; min\u00e9rios met\u00e1licos e sucata, 9,8%; caf\u00e9, ch\u00e1, cacau e especiarias, 7,8%; sementes e frutos oleaginosos, 6,4%; ferro e a\u00e7o, 4,6%; vegetais e frutas, 4,5%; celulose e res\u00edduos de papel, 3,4%; carne e prepara\u00e7\u00f5es de carne, 2,5%; e tabaco e suas manufaturas, 2,2%\u201d.[6] No entanto, o que importamos da Europa s\u00e3o todos produtos industriais, no valor de U$ 45,4 bilh\u00f5es: produtos farmac\u00eauticos e medicina, 14,7%; m\u00e1quinas em geral e equipamentos industriais, 9,9%; ve\u00edculos rodovi\u00e1rios, 8,2%; petr\u00f3leo e produtos petrol\u00edferos, 6,8%; m\u00e1quinas e equipamentos de gera\u00e7\u00e3o de energia, 6,1%; produtos qu\u00edmicos org\u00e2nicos, 6,1%; m\u00e1quinas e aparelhos especializados para determinadas ind\u00fastrias, 5,3%; m\u00e1quinas e aparelhos el\u00e9tricos, 4,7%; materiais e produtos qu\u00edmicos, 3,6%; ferro e a\u00e7o, 3,4%\u201d.[7]<\/p>\n<p>Por esses n\u00fameros se pode ver claramente o velho problema da deteriora\u00e7\u00e3o dos termos de troca de Raul Prebisch ou das trocas desiguais de Samir Amin, entre outros, onde os pa\u00edses exportadores de mat\u00e9rias primas e minerais e importadores de bens industrializados est\u00e3o sempre em desvantagem, em fun\u00e7\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o e da elevada produtividade dos produtos manufaturados versus produtos agropecu\u00e1rios, o que tende a perpetuar a subordina\u00e7\u00e3o das economias em desenvolvimento em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses centrais. O Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia refor\u00e7a esse problema e tende a transformar o Brasil em exportador de commodities, que t\u00eam baixo valor agregado, e importador de bens manufaturados, onde as empresas europeias operam com alta produtividade, intensa inova\u00e7\u00e3o e fortes subs\u00eddios governamentais. Ao expor o setor industrial brasileiro \u00e0 concorr\u00eancia com produtos europeus mais avan\u00e7ados tecnologicamente e bastante protegidos, ir\u00e1 aprofundar a crise da ind\u00fastria brasileira e ampliar a reprimariza\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p><strong>Reprimariza\u00e7\u00e3o em marcha<\/strong><\/p>\n<p>Geralmente, as pessoas imaginam que um pa\u00eds n\u00e3o pode retroceder da condi\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00e3o industrial para agr\u00e1rio-exportadora, mas esse \u00e9 um racioc\u00ednio incorreto. A Argentina, por exemplo, j\u00e1 foi uma na\u00e7\u00e3o com expressivo coeficiente industrial na primeira metade do s\u00e9culo passado. No entanto, retroagiu \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds agr\u00e1rio-exportador com crises permanentes desde a segunda metade da d\u00e9cada de 50 at\u00e9 hoje. Portanto, se n\u00e3o houver uma pol\u00edtica governamental que detenha o decl\u00ednio industrial e coloque o Brasil em patamares avan\u00e7ados dos novos ramos industriais, como tecnologia das informa\u00e7\u00f5es, rob\u00f3tica, semicondutores, intelig\u00eancia artificial, entre outros, poder\u00edamos retroagir \u00e0 condi\u00e7\u00e3o em que est\u00e1vamos antes da revolu\u00e7\u00e3o de 1930, com o agravante de que hoje mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o mora nas cidades, especialmente nas grandes metr\u00f3poles, ao contr\u00e1rio do per\u00edodo anterior \u00e0 d\u00e9cada de 30, quando a maioria vivia no campo. Isso significa dizer que o Brasil viver\u00e1 no pr\u00f3ximo per\u00edodo uma conjuntura em que os problemas sociais se tornar\u00e3o mais intensos e dram\u00e1ticos. Este \u00e9 o desafio que temos de enfrentar se n\u00e3o quisermos regredir ao atraso econ\u00f4mico do passado.<\/p>\n<p>A reprimariza\u00e7\u00e3o da economia de um pa\u00eds ocorre quando o setor industrial entra em decl\u00ednio na composi\u00e7\u00e3o do PIB e os setores agr\u00e1rios-exportadores e minerais passam a liderar din\u00e2mica da economia, processo que se expressa mais intensamente na balan\u00e7a comercial, onde os produtos agropecu\u00e1rios e minerais comandam a pauta de exporta\u00e7\u00e3o. Esse fen\u00f4meno vem sendo observado no Brasil pelo menos desde meados da d\u00e9cada de 90 e se consolidou a partir de 2009, conforme trabalho realizado por Lopes, que estudou a balan\u00e7a comercial brasileira desde 1808. \u201c(A industrializa\u00e7\u00e3o) iniciada em 1930 de maneira incipiente e, com maior intensidade a partir de 1950, levou de 30 a 50 anos para se consolidar como principal provedora de bens exportados pelo Pa\u00eds. Tal situa\u00e7\u00e3o durou exatamente 31 anos, com o setor de commodities prim\u00e1rias retornando \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de destaque\u201d.[8]<\/p>\n<p>A reprimariza\u00e7\u00e3o da economia provoca uma s\u00e9rie de problemas porque reduz a din\u00e2mica do desenvolvimento econ\u00f4mico, o n\u00edvel de emprego, aprofunda as desigualdades sociais e torna o pa\u00eds mais pobre, enquanto apenas uma minoria reacion\u00e1ria do campo se enriquece. Se observarmos os pa\u00edses centrais, todos eles possuem ind\u00fastrias pujantes, elevado n\u00edvel de desenvolvimento tecnol\u00f3gico e participa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m elevada no com\u00e9rcio internacional. No Brasil est\u00e1 acontecendo exatamente o contr\u00e1rio. Conforme podemos ver no gr\u00e1fico 2, entre os anos 2000 e 2022 houve uma queda da participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria no produto nacional, de 15,3% para 12,9%, enquanto o setor agropecu\u00e1rio e de minera\u00e7\u00e3o quase dobrou \u2013 passou de 6,9% no ano 2000 para 12,9% em 2022.[9]<\/p>\n<p>Em outros termos, o fortalecimento do setor prim\u00e1rio ocorreu paralelamente ao decl\u00ednio da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, que perdeu participa\u00e7\u00e3o no PIB e deixou de gerar empregos qualificados. A balan\u00e7a comercial tornou-se cada vez mais dependente dos produtos agropecu\u00e1rios e minerais e, com isso, tornou-se tamb\u00e9m mais dependente da demanda internacional por commodities, refor\u00e7ando assim o papel subordinado do Brasil na divis\u00e3o internacional do trabalho e deixando o pa\u00eds vulner\u00e1vel \u00e0 volatilidade dos ciclos do mercado internacional. Trata-se de uma desindustrializa\u00e7\u00e3o precoce, que est\u00e1 ocorrendo numa conjuntura de renda per capita mais baixa que a dos pa\u00edses desenvolvidos, al\u00e9m de baixo crescimento, o que significa dizer que a industrializa\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o se desenvolveu o suficiente para criar uma din\u00e2mica na qual o setor de servi\u00e7os possa absorver tanto os trabalhadores que ficar\u00e3o desempregados quanto aqueles que ir\u00e3o ingressar no mercado de trabalho.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32423\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32420\/image-1-36\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image-1.png?fit=984%2C952&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"984,952\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (1)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image-1.png?fit=747%2C723&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-32423\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image-1.png?resize=747%2C723&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"723\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image-1.png?resize=900%2C871&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image-1.png?resize=300%2C290&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image-1.png?resize=768%2C743&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/image-1.png?w=984&amp;ssl=1 984w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><\/p>\n<p><strong>Impactos sociais e ambientais<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, toda a sociedade brasileira perde com a reprimariza\u00e7\u00e3o da economia porque ter\u00e1 um menor encadeamento produtivo, uma vez que o setor agropecu\u00e1rio n\u00e3o gera os mesmos efeitos multiplicadores na economia que a ind\u00fastria, e os trabalhadores, o meio ambiente e os pequenos agricultores ser\u00e3o os mais prejudicados. O setor prim\u00e1rio n\u00e3o gera a mesma din\u00e2mica no emprego como o setor industrial, tanto em termos de qualifica\u00e7\u00e3o quanto de sal\u00e1rios, o que dever\u00e1 tornar o mercado de trabalho ainda mais problem\u00e1tico em termos de qualifica\u00e7\u00e3o, sal\u00e1rio e informalidade. Se atualmente temos cerca de 40 milh\u00f5es de trabalhadores na informalidade, sem os direitos legais da CLT, esse n\u00famero dever\u00e1 aumentar substancialmente se a l\u00f3gica da reprimariza\u00e7\u00e3o continuar se desenvolvendo na economia.<\/p>\n<p>A agricultura familiar tamb\u00e9m ser\u00e1 prejudicada, uma vez que os pequenos agricultores possuem recursos limitados e enfrentam custos elevados, enquanto os agricultores europeus recebem vastos subs\u00eddios que reduzem seus custos de produ\u00e7\u00e3o, processo que permite que seus produtos sejam colocados ao mercado nacional com pre\u00e7os mais baixos, especialmente os produtos que concorrem com os pequenos agricultores como queijo, latic\u00ednios e vinhos o que, com certeza, vai reduzir a competitividade da agricultura familiar brasileira e levar muitos pequenos agricultores \u00e0 fal\u00eancia. N\u00e3o se pode esquecer o perigo que isso representa: a fal\u00eancia de importantes segmentos da agricultura familiar vai implicar diretamente na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, pois a agricultura familiar tem um papel importante na oferta dos produtos b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>Outro elemento importante a ser observado \u00e9 o seguinte: a press\u00e3o pela exporta\u00e7\u00e3o de commodities estimula o agroneg\u00f3cio a expandir a fronteira agr\u00edcola, aumentando assim a concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. Al\u00e9m disso, essa conjuntura pode levar \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do desmatamento das florestas, das queimadas, das emiss\u00f5es do efeito estufa e das pr\u00e1ticas nocivas ao meio ambiente, como envenenamento do solo, dos rios e de nascentes de \u00e1gua, afetando ainda mais biomas da Amaz\u00f4nia e o Cerrado, que j\u00e1 v\u00eam sendo atacados pelo latif\u00fandio e o agroneg\u00f3cio. Tamb\u00e9m se pode esperar dessa conjuntura o aumento dos conflitos sociais com as comunidades tradicionais, como ind\u00edgenas e quilombolas, cujas terras s\u00e3o cobi\u00e7adas pelo agroneg\u00f3cio e o setor da minera\u00e7\u00e3o. \u201cOutros impactos negativos sobre o meio ambiente s\u00e3o esperados devido ao modo de produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio \u2013 monocultura e uso intensivo de agrot\u00f3xicos, entre outros\u201d.[10]<\/p>\n<p>Mesmo os grandes produtores agropecu\u00e1rios tamb\u00e9m poder\u00e3o ter problemas. Apesar do acordo prever maior acesso aos mercados europeus, a Uni\u00e3o Europeia tem avan\u00e7ado nas pol\u00edticas de redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia das commodities importadas, tanto em fun\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Agr\u00edcola Comum, bastante generosa em termos de subs\u00eddios, quanto da transi\u00e7\u00e3o para a sustentabilidade e energias renov\u00e1veis, temas bastante complexos que podem ser usados como crit\u00e9rio para dificultar as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. Tamb\u00e9m n\u00e3o se pode esquecer as barreiras n\u00e3o tarif\u00e1rias, que envolvem padr\u00f5es sanit\u00e1rios, fitossanit\u00e1rios e ambientais rigorosos que podem ser utilizados como entraves para a comercializa\u00e7\u00e3o de produtos brasileiros na Europa.<\/p>\n<p>Para finalizar, embora o acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia possa trazer alguma vantagem para o agroneg\u00f3cio, especialmente para os grandes produtores de commodities, posiciona subalternamente o Brasil na divis\u00e3o internacional do trabalho como um grande fazend\u00e3o fornecedor de commodities agr\u00edcolas e minerais, refor\u00e7ando o papel de economia perif\u00e9rica secund\u00e1ria, aprofundando as fragilidades estruturas da economia brasileira e contribuindo ainda mais para a precariza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho. Al\u00e9m do mais, poder\u00e1 ampliar a concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, os ataques ao meio ambiente, a expuls\u00e3o de vastos setores da agricultura familiar do mercado e da terra e ampliar os conflitos com as comunidades ind\u00edgenas e quilombolas. A ironia est\u00e1 no fato de que a reprimariza\u00e7\u00e3o da economia est\u00e1 sendo conduzida por um partido que se diz dos trabalhadores e que nasceu no n\u00facleo mais din\u00e2mico da industrializa\u00e7\u00e3o no Brasil, a regi\u00e3o do ABC paulista, e que agora est\u00e1 sendo o portador dos interesses das velhas elites agr\u00e1rias que, em termos concretos, est\u00e3o buscando regredir o Brasil \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds agr\u00e1rio-exportador, como era antes da d\u00e9cada de 30 do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>*Edmilson Costa \u00e9 doutor em economia pela Unicamp e secret\u00e1rio geral do PCB<\/p>\n<p>[1] Agencia Gov. O hist\u00f3rico acordo das negocia\u00e7\u00f5es e pr\u00f3ximos passos do acordo Mercosul-EU. Acesso em 28\/12\/2024.<br \/>\n[2] Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os. Acordos de parceria Mercosul-Uni\u00e3o europeia. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gov.br\/mdic\/pt-br. Acesso em 29 de dezembro de 2024.<br \/>\n[3] Morceiro, P. Se a ind\u00fastria vai mal, o Brasil n\u00e3o cresce. Dispon\u00edvel em: https:\/\/valoradicionado.wordpress.com\/tag\/participacao-da-industria-de-transformacao-no-pib. Acesso em 2 de janeiro de 2025.<br \/>\n[4] Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os, op. cit.<br \/>\n[5] Delgado, G. C.; Leite, S. P. O agro \u00e9 tudo? Pacto do agroneg\u00f3cio e reprimariza\u00e7\u00e3o da economia. Dispon\u00edvel em Le Monde Diplomatique &#8211; Brasil. Janeiro, 2025.<br \/>\n[6] Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os. Acordo de parceria Mercosul-Uni\u00e3o Europeia, op. cit.<br \/>\n[7] Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os. Acordo de parceria Mercosul-Uni\u00e3o Europeia, op. cit.<br \/>\n[8] Lopes, V. T. A reprimariza\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras em perspectiva hist\u00f3rica de longa dura\u00e7\u00e3o. Revista Carta Internacional, vol. 15, Belo Horizonte, 2020.<br \/>\n[9] BBC: A ind\u00fastria brasileira virou p\u00f3: como o agro e a minera\u00e7\u00e3o j\u00e1 superam a manufatura no Brasil. Os dados do gr\u00e1fico constam da entrevista de Morceiro \u00e0 BBC.<br \/>\n[10] Castilho, M.; Ferreira, K.; e Braga, J. Reflex\u00f5es acerca dos impactos do acordo Mercosul-Uni\u00e3o europeia. Instituto de Economia \u2013 UFRJ, 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32420\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[385,9,65,10,383],"tags":[222],"class_list":["post-32420","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica-da-economia-politica","category-s10-internacional","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","category-pronunciamentos-da-secretaria-geral","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8qU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32420","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32420"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32420\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32424,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32420\/revisions\/32424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}