{"id":32487,"date":"2025-01-28T23:14:07","date_gmt":"2025-01-29T02:14:07","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32487"},"modified":"2025-01-28T23:14:07","modified_gmt":"2025-01-29T02:14:07","slug":"uma-tragica-ilusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32487","title":{"rendered":"UMA TR\u00c1GICA ILUS\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32488\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32487\/fb_img_1738114152845\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/FB_IMG_1738114152845.jpg?fit=960%2C960&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"960,960\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"FB_IMG_1738114152845\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/FB_IMG_1738114152845.jpg?fit=747%2C747&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-32488\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/FB_IMG_1738114152845.jpg?resize=747%2C747&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"747\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/FB_IMG_1738114152845.jpg?resize=900%2C900&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/FB_IMG_1738114152845.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/FB_IMG_1738114152845.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/FB_IMG_1738114152845.jpg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/FB_IMG_1738114152845.jpg?w=960&amp;ssl=1 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Imagem: Partido Comunista do M\u00e9xico<\/p>\n<p>&#8220;Acabarei com a pr\u00e1tica de pegar e soltar, e enviarei tropas para a fronteira sul para repelir a desastrosa invas\u00e3o do nosso pa\u00eds&#8221; (Trump)<\/p>\n<p>A pol\u00edtica adotada pelo governo Trump de deporta\u00e7\u00e3o dos imigrantes considerados ilegais nos Estados Unidos revela a face mais abertamente racista e xen\u00f3foba das classes dominantes daquele pa\u00eds, dando sequ\u00eancia a a\u00e7\u00f5es j\u00e1 postas em pr\u00e1tica pelos governos anteriores, como o muro constru\u00eddo na fronteira com o M\u00e9xico, dentre outras medidas.<\/p>\n<p>As primeiras atitudes de Trump como presidente conduzido para um novo mandato revelam, em meio a bravatas j\u00e1 conhecidas, a ideologia do &#8220;Destino Manifesto&#8221;, que no passado justificou o expansionismo dos EUA na Am\u00e9rica e no mundo e agora segue embasando a l\u00f3gica belicista e imperialista, que sempre trata como inferiores os povos dos pa\u00edses perif\u00e9ricos do capitalismo.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina \u00e9 a regi\u00e3o com a maior desigualdade de renda do mundo, segundo a ONU, e os n\u00fameros trazidos pela Cepal (Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe) confirmam isso. No continente, os 10% mais ricos concentram 66% da riqueza total, enquanto s\u00f3 o 1% mais rico abocanha 33%. Por\u00e9m, mesmo diante desse catastr\u00f3fico quadro socioecon\u00f4mico, o sil\u00eancio conivente da grande m\u00eddia mundial em rela\u00e7\u00e3o a esse cen\u00e1rio \u00e9 ensurdecedor.<\/p>\n<p>Se por um lado algumas popula\u00e7\u00f5es resistem para manter seus direitos, por outro h\u00e1 os que capitulam e se subordinam ao poder dos poderosos. Esse \u00e9 o caso, por exemplo, de parcelas consider\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o latino-americana que, ao inv\u00e9s de lutar, se encontram anestesiadas politicamente e sem perspectiva de mudan\u00e7a radical de sua realidade. Se n\u00e3o bastasse, h\u00e1 ainda os que enaltecem o modo de vida nos Estados Unidos como se fosse o \u201cpara\u00edso na terra\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto, por\u00e9m, parcelas dos latinos-americanos idolatram esse \u201cpara\u00edso\u201d, o preconceito contra todo tipo de imigrante pobre emerge com for\u00e7a nos EUA. Preconceito esse que age com tenaz coes\u00e3o para o discurso da extrema direita. Difunde a ideia de que as correntes migrat\u00f3rias atuam como uma forma de invas\u00e3o territorial e que, por isso, comprometem a soberania nacional e afetam a qualidade de vida norte-americana.<\/p>\n<p>Somente para situar o problema, at\u00e9 setembro de 2024, na fronteira do M\u00e9xico com os EUA, foram registrados 2.135.005 imigrantes. Um volume que n\u00e3o tem paralelo em nenhum outro pa\u00eds do continente. S\u00e3o correntes migrat\u00f3rias que atravessam praticamente todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Central at\u00e9 a fronteira norte do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Mas por que essas milhares de pessoas se arriscam a todo o tipo de adversidade para entrar nos EUA todos os anos?<\/p>\n<p>O combust\u00edvel dessa conjuntura, podemos dizer, \u00e9 a instabilidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica que tem reflexos diretos na esfera social. Suas bases, logicamente, est\u00e3o fincadas na hist\u00f3rica explora\u00e7\u00e3o capitalista que assume formas estruturais na sociedade. \u00c9 uma explora\u00e7\u00e3o que tem la\u00e7os fortes com a corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e alimenta a vida nababesca de uma minoria tradicionalmente encastelada no poder.<\/p>\n<p>Valendo-se, ent\u00e3o, das estruturas corruptas do Estado, cuja naturaliza\u00e7\u00e3o dessas rela\u00e7\u00f5es acaba por favorecer a sua ramifica\u00e7\u00e3o pela sociedade, as classes dominantes v\u00eam se perpetuando no controle pol\u00edtico desses pa\u00edses onde a proximidade delas com o submundo do crime age, por assim dizer, como mais uma estrat\u00e9gia de controle da popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pelo signo do terror permanente.<\/p>\n<p>Com isso, o fortalecimento de organiza\u00e7\u00f5es criminosas se estabelece como o verdadeiro poder cotidiano nas ruas das cidades desses pa\u00edses. Dominam territ\u00f3rios onde o Estado n\u00e3o chega, e assim implantam o terrorismo de suas \u201cleis\u201d. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais um dos componentes que tem levado milhares e milhares de pessoas a fugirem em busca de uma vida melhor.<\/p>\n<p>Sim, o cen\u00e1rio na Am\u00e9rica Latina \u00e9 de trag\u00e9dia humanit\u00e1ria, pois estamos falando da regi\u00e3o mais violenta do mundo, que concentra 37% dos homic\u00eddios de todo o planeta e que, em 2022, por exemplo, teve uma taxa de 21,5 assassinatos por 100.000 habitantes. Mais de tr\u00eas vezes a m\u00e9dia global.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que a barb\u00e1rie promovida pelas pot\u00eancias ocidentais ao longo de s\u00e9culos fincou ra\u00edzes, n\u00e3o se pode negar. Contudo, o perfil da viol\u00eancia se alterou nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas. Se no passado n\u00e3o muito distante os conflitos de car\u00e1ter ideol\u00f3gico se constitu\u00edram no eixo central da contradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, na atualidade as gangues de todo o tipo, o crime organizado internacional e, em alguns territ\u00f3rios, a brutal repress\u00e3o estatal assumiram o protagonismo.<\/p>\n<p>Sem encontrar um caminho capaz de p\u00f4r fim \u00e0 viol\u00eancia, a fuga em dire\u00e7\u00e3o ao norte tem orientado milhares de fam\u00edlias. Elas se arriscam a atravessar a in\u00f3spita regi\u00e3o de Dari\u00e9n, que liga a Col\u00f4mbia ao Panam\u00e1, para dar ent\u00e3o in\u00edcio aos seus calv\u00e1rios rumo \u00e0 fronteira do M\u00e9xico com os EUA. Um caminho que as leva a se incorporarem ao grande contingente de for\u00e7a de trabalho barata da maior economia do planeta.<\/p>\n<p>S\u00e3o imigrantes, portanto, em busca de uma vida melhor que o capitalismo, por\u00e9m, n\u00e3o lhes pode oferecer seja qual for o lugar. Eles v\u00eam da Am\u00e9rica do Sul, do Caribe e dos demais pa\u00edses da Am\u00e9rica Central. \u00c9 um turbilh\u00e3o de desesperados na esperan\u00e7a de chegarem e serem acolhidos solidariamente na maior economia do mundo. Tr\u00e1gica ilus\u00e3o!<\/p>\n<p>Brasil, janeiro de 2025<\/p>\n<p>Secretaria Nacional de Solidariedade Internacionalista do PCB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32487\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[164,165,9,146,26],"tags":[219,246],"class_list":["post-32487","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-do-norte","category-eua","category-s10-internacional","category-internacionalismo","category-c25-notas-politicas-do-pcb","tag-manchete","tag-np"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8rZ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32487","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32487"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32487\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32489,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32487\/revisions\/32489"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32487"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32487"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32487"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}