{"id":32514,"date":"2025-02-06T10:40:12","date_gmt":"2025-02-06T13:40:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32514"},"modified":"2025-02-06T10:46:21","modified_gmt":"2025-02-06T13:46:21","slug":"brasil-um-dos-paises-mais-desiguais-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32514","title":{"rendered":"Brasil, um dos pa\u00edses mais desiguais do mundo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32515\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32514\/463648884_18054907474867964_6613941229232919380_n\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/463648884_18054907474867964_6613941229232919380_n.jpg?fit=1440%2C937&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1440,937\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"463648884_18054907474867964_6613941229232919380_n\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/463648884_18054907474867964_6613941229232919380_n.jpg?fit=747%2C486&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-32515\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/463648884_18054907474867964_6613941229232919380_n.jpg?resize=747%2C486&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"486\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/463648884_18054907474867964_6613941229232919380_n.jpg?resize=900%2C586&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/463648884_18054907474867964_6613941229232919380_n.jpg?resize=300%2C195&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/463648884_18054907474867964_6613941229232919380_n.jpg?resize=768%2C500&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/463648884_18054907474867964_6613941229232919380_n.jpg?w=1440&amp;ssl=1 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Charge: Mauro Iasi<\/p>\n<p>Edmilson Costa*<\/p>\n<p>Recentemente, a Tend\u00eancias Consultoria, uma empresa que trabalha para grandes bancos e grandes empresas, divulgou um relat\u00f3rio no qual afirma ufanisticamente que o Brasil se transformou num pa\u00eds de &#8220;classe m\u00e9dia&#8221;. O levantamento realizado pela consultoria classifica as classes sociais brasileiras em cinco segmentos (A, B, C, D e E) e indica que 50,1% dos domic\u00edlios brasileiros agora comp\u00f5em a classe m\u00e9dia (A, B e C), com uma renda mensal domiciliar acima de R$ 3,4 mil (Tabela1). Eles atribuem essa performance \u00e0 melhoria do emprego no p\u00f3s-pandemia, como principal fator, bem como pela valoriza\u00e7\u00e3o real do sal\u00e1rio m\u00ednimo acima da infla\u00e7\u00e3o ap\u00f3s quatro anos sem reajuste real no governo Bolsonaro. Realmente, ocorreu uma melhora residual na economia comparado ao per\u00edodo Bolsonaro, mas afirmar que o Brasil se transformou num pa\u00eds de classe m\u00e9dia \u00e9 flertar como uma esp\u00e9cie de otimismo superficial ou operar o marketing pol\u00edtico, nunca com a realidade brasileira.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32516\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32514\/capturar\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Capturar.png?fit=548%2C330&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"548,330\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Capturar\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Capturar.png?fit=548%2C330&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-32516\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Capturar.png?resize=548%2C330&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"548\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Capturar.png?w=548&amp;ssl=1 548w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Capturar.png?resize=300%2C181&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 548px) 100vw, 548px\" \/><\/p>\n<p>T\u00e3o logo o estudo foi divulgado, parlamentares e entidades sindicais se juntaram ao coro ufanista falando que essa ascens\u00e3o social do povo brasileiro \u00e9 resultado de pol\u00edticas de gera\u00e7\u00e3o de emprego do governo Lula, do aumento real do sal\u00e1rio m\u00ednimo e dos projetos sociais turbinados do governo. Por exemplo, o l\u00edder do PT na C\u00e2mara saudou a boa nova dizendo que \u201ca vida do povo est\u00e1 melhorando, independentemente do que dizem os pessimistas\u201d, enquanto o l\u00edder do governo, Jos\u00e9 Guimar\u00e3es, acrescentou: \u201cLula voltou e com ele a ascens\u00e3o de classe\u201d. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, reclamou que a imprensa tenta esconder que essa fa\u00e7anha foi obra do governo Lula e o deputado Lindbergh Farias, sentenciou: \u201cA incorpora\u00e7\u00e3o de mais fam\u00edlias na classe m\u00e9dia \u00e9 uma marca que merece ser comemorada\u201d. Mais entusiasmada, a deputada Reginete Bispo acrescentou: \u201c\u00c9 emocionante ver os avan\u00e7os que j\u00e1 estamos alcan\u00e7ando, devolvendo esperan\u00e7a ao nosso povo\u201d. E a CUT completou: \u201cA volta da valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo ajudou a recompor a renda dos brasileiros\u201d.<\/p>\n<p>O que mais chama a aten\u00e7\u00e3o tanto nos destaques dados pela m\u00eddia corporativa quanto no entusiasmo dos parlamentares e entidades sindicais ligados ao PT \u00e9 o fato de que ningu\u00e9m se deu ao trabalho de realizar uma an\u00e1lise mais atenta desses dados, tanto no que se refere aos conceitos de classe social referidos no levantamento da consultoria, quanto nos pr\u00f3prios n\u00fameros revelados pelo estudo, al\u00e9m do fato de que qualquer pessoa que tenha um m\u00ednimo de conhecimento sobre a realidade social brasileira jamais diria que vivemos num pa\u00eds de classe m\u00e9dia. N\u00e3o s\u00f3 porque soaria rid\u00edculo, mas principalmente porque \u00e9 uma agress\u00e3o \u00e0 realidade e uma afronta aos milh\u00f5es de miser\u00e1veis que vivem no Brasil. No entanto, esse estudo nos serve de mote para realizarmos uma an\u00e1lise mais rigorosa da distribui\u00e7\u00e3o da renda e da riqueza no Brasil, baseada em estudos cient\u00edficos, onde se encontram resultados muito diferentes dessa pesquisa, conforme veremos ao longo deste artigo.<\/p>\n<p>A primeira quest\u00e3o que poderemos observar em rela\u00e7\u00e3o a esse levantamento \u00e9 a seguinte: por que uma empresa que trabalha para bancos e grandes empresas divulga essas informa\u00e7\u00f5es? Em nosso entendimento, os resultados dessa pesquisa servem tanto \u00e0s classes dominantes quanto ao governo. Por qu\u00ea? Primeiro, se o Brasil \u00e9 um pa\u00eds de classe m\u00e9dia, isso significa que os trabalhadores e as trabalhadoras est\u00e3o ganhando bons sal\u00e1rios, a popula\u00e7\u00e3o tem boas condi\u00e7\u00f5es de vida e a burguesia n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o exploradora e truculenta como se comenta. Segundo, com essa informa\u00e7\u00e3o, o governo cria uma imagem muito favor\u00e1vel porque tirou as pessoas da mis\u00e9ria e transformou a maioria em classe m\u00e9dia. Ou seja, essas informa\u00e7\u00f5es distorcidas servem \u00e0 pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classe, pois deixa tanto a burguesia quanto o governo numa situa\u00e7\u00e3o bastante confort\u00e1vel, mesmo sabendo-se que o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses mais desiguais do mundo.<\/p>\n<p>O terceiro elemento que podemos questionar acerca desse estudo \u00e9 a pr\u00f3pria metodologia de caracteriza\u00e7\u00e3o das classes sociais no Brasil. A classifica\u00e7\u00e3o em estratos A, B, C, D, E \u00e9 uma metodologia puramente empresarial e n\u00e3o tem nenhuma base cient\u00edfica. Todos sabemos que as duas classes fundamentais de uma sociedade s\u00e3o a burguesia e o proletariado, exploradores e explorados. Nos pa\u00edses de capitalismo desenvolvido, onde o setor de servi\u00e7os tem um peso fundamental no produto, constituiu-se um expressivo setor da sociedade que tem um padr\u00e3o de vida acima do proletariado, que se passou a chamar popularmente de classe m\u00e9dia, muito embora sejam tamb\u00e9m explorados pelo capital. Mas numa na\u00e7\u00e3o da periferia, com as terr\u00edveis desigualdades sociais, \u00e9 quase uma provoca\u00e7\u00e3o dizer que o Brasil se tornou um pa\u00eds de classe m\u00e9dia, principalmente quando isso \u00e9 reproduzido por lideran\u00e7as sindicais e pol\u00edticas de um partido que se diz dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Realmente, afirmar que as pessoas que t\u00eam uma renda domiciliar de R$ 3,4 mil (algo em torno de 560 d\u00f3lares) pertencem \u00e0 classe m\u00e9dia \u00e9 zombar da intelig\u00eancia das pessoas. Fa\u00e7amos um racioc\u00ednio simples para demonstrar a fal\u00e1cia desse argumento: um casal que mora numa favela recebe cada um R$ 1.700,00 de sal\u00e1rio, pouco mais que o sal\u00e1rio m\u00ednimo ou cerca de 280 d\u00f3lares, o que significa que a renda familiar do casal alcan\u00e7a R$ 3,4 mil. Num passe de m\u00e1gica, o casal de nosso exemplo hipot\u00e9tico se transformaria, por esse crit\u00e9rio, numa fam\u00edlia feliz de classe m\u00e9dia, com todas as regalias que esse segmento pode desfrutar, tanto em termos de consumo quanto de lazer. Ou seja, cada um com 280 d\u00f3lares teria de pagar aluguel, comprar alimentos, roupa, cal\u00e7ado, medicamentos e ainda gastar com lazer nos finais de semana. Nem um m\u00e1gico conseguiria realizar essa fa\u00e7anha.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio das mistifica\u00e7\u00f5es divulgadas pela Tend\u00eancias Consultoria, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds das desigualdades. Estudos como esse buscam apenas ocultar a pobreza e a mis\u00e9ria da maioria do povo brasileiro. Ali\u00e1s, como estat\u00edstica permite v\u00e1rias leituras, os pr\u00f3prios n\u00fameros enviesados divulgados pela tabela acima indicam uma realidade muito diferente. Ora, se 49,9% da popula\u00e7\u00e3o brasileira (cerca de 105 milh\u00f5es de pessoas) pertencem \u00e0s chamadas classes D e E e ganham menos que R$ 3,4 mil, isso significa que a metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 pobre ou muito pobre, um dado muito diferente daquilo que se poderia chamar de pa\u00eds de classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o da riqueza no Brasil<\/p>\n<p>Quando se analisa a distribui\u00e7\u00e3o de renda no Brasil, geralmente utilizam-se os dados da PNAD ou da Pesquisa de Or\u00e7amento Familiares, mas esses dados n\u00e3o conseguem captar plenamente a estrutura da riqueza no pa\u00eds porque sua metodologia envolve os rendimentos provenientes do trabalho e benef\u00edcios, o que significa dizer tratar-se de um procedimento que n\u00e3o consegue abranger a renda total dos estratos sociais superiores, porque os rendimentos do trabalho desses segmentos t\u00eam uma import\u00e2ncia marginal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 riqueza total, fato que termina por subestimar a desigualdade de renda.[1] Os pr\u00f3prios t\u00e9cnicos reconhecem que h\u00e1 essa defasagem da PNAD sobre a quest\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o de renda, particularmente no que se refere aos setores mais ricos da sociedade.<\/p>\n<p>Em outros termos, a desigualdade de renda \u00e9 apenas uma parte do problema. O que realmente capta a verdadeira desigualdade de uma na\u00e7\u00e3o \u00e9 a desigualdade da riqueza, cujo indicador \u00e9 muito mais amplo, pois, al\u00e9m de envolver as retiradas oriundas do trabalho dos estratos superiores, envolve a propriedade de bens reais, como im\u00f3veis, terras e propriedades em geral; ativos financeiros, como a\u00e7\u00f5es, t\u00edtulos e poupan\u00e7a e outros, que expressam realmente o ac\u00famulo de riqueza das classes dominantes. Portanto, pode-se dizer que a metodologia da PNAD avalia apenas os agregados correspondentes \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de renda oriunda do trabalho, enquanto outras ag\u00eancias ampliam o universo da pesquisa utilizando m\u00e9todos para medir n\u00e3o somente a renda, mas o conjunto da riqueza da sociedade.<\/p>\n<p>Diante dessas quest\u00f5es, as pesquisas mais recentes no Brasil t\u00eam utilizado os dados do Imposto de Renda (IR), instrumento que capta melhor os fluxos de renda das pessoas no topo da distribui\u00e7\u00e3o, muito embora, pelo n\u00edvel de sonega\u00e7\u00e3o e planejamento tribut\u00e1rio que os milion\u00e1rios utilizam, nem mesmo o IR \u00e9 capaz de alcan\u00e7ar plenamente a riqueza dos estratos sociais superiores. Outras organiza\u00e7\u00f5es ampliam o escopo da pesquisa sobre distribui\u00e7\u00e3o de renda e incluem o conjunto da riqueza patrimonial e financeira dos diversos estratos sociais. Por isso, h\u00e1 diferentes resultados sobre a distribui\u00e7\u00e3o de renda no pa\u00eds. Vamos utilizar v\u00e1rias fontes com o objetivo de tra\u00e7ar um panorama da concentra\u00e7\u00e3o da renda e da riqueza no Brasil, nos contrapondo \u00e0 balela de que o Brasil se tornou uma na\u00e7\u00e3o de classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>A Oxfam, uma ONG inglesa mundialmente conhecida pelos trabalhos sobre distribui\u00e7\u00e3o da riqueza no mundo e tamb\u00e9m no Brasil, em recente estudo divulgado no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial de Davos, na Su\u00ed\u00e7a, avalia que 63% da riqueza do Brasil est\u00e1 concentrada nas m\u00e3os de um pequeno segmento da popula\u00e7\u00e3o composto pelo 1% mais rico, enquanto os 50% mais pobres det\u00eam apenas 2% do patrim\u00f4nio nacional. Mais escandaloso ainda \u00e9 o fato de que a parcela constitu\u00edda por 0,01% dos mais ricos na popula\u00e7\u00e3o brasileira possui 27% dos ativos financeiros. No estudo, h\u00e1 ainda um recorte racial no qual afirma que, em m\u00e9dia, a renda dos brancos est\u00e1 mais de 70% acima da renda da popula\u00e7\u00e3o negra.[2] A mesma entidade, citando dados do Banco Mundial, afirma que o Brasil foi classificado como o oitavo pa\u00eds com maior desigualdade de renda do mundo.[3]<\/p>\n<p>Outro dado importante que mostra o panorama social do Brasil, envolvendo outras vari\u00e1veis al\u00e9m da renda, \u00e9 o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano, divulgado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento, PNUD. Este \u00edndice avalia os indicadores como alfabetiza\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, esperan\u00e7a de vida, natalidade, riqueza, dentre outros, visando apreender o bem estar de uma sociedade. Sua metodologia varia de 0 a 1, sendo que, quanto mais pr\u00f3ximo de 1, maior \u00e9 o desenvolvimento humano de um pa\u00eds. Nesse ranking o Brasil est\u00e1 na 89\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre 193 na\u00e7\u00f5es, atr\u00e1s de pa\u00edses como o Equador, Peru e M\u00e9xico, ressaltando-se ainda que em 2020 o Brasil estava na 84\u00aa posi\u00e7\u00e3o.[4]<\/p>\n<p>Outro estudo, baseado nas declara\u00e7\u00f5es do Imposto de Renda, entre os anos de 2017 e 2022, realizado pelo economista S\u00e9rgio Gobetti, revela de maneira cristalina n\u00e3o apenas o processo de concentra\u00e7\u00e3o de renda no Brasil, como tamb\u00e9m o abismo impressionante entre os mais ricos e os mais pobres. O estudo mostra que os 5% mais ricos, em 2022, detinham 39,9% da renda nacional; a parcela correspondente a 1% possu\u00eda 23,7%, enquanto aquele segmento constitu\u00eddo por 0,1% (15 mil pessoas) tinha em 2022 11,9% da renda gerada no pa\u00eds (Tabela 2). Al\u00e9m disso, foram exatamente os mais ricos que tiveram um crescimento da renda duas a tr\u00eas vezes maior que a m\u00e9dia dos 95% mais pobres, o que significa que, mesmo na pandemia, a concentra\u00e7\u00e3o de renda aumentou.[5]<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia da brutalidade da concentra\u00e7\u00e3o de renda no Brasil, \u00e9 s\u00f3 olharmos mais detidamente a tabela 2. Pelos dados revelados pelo estudo, os 0,1% mais ricos obtiveram uma renda m\u00e9dia mensal de R$ 441.290 mil em 2022, enquanto os 95% mais pobres ganharam apenas m\u00edseros R$ 2.232 mil mensais no mesmo per\u00edodo. Outro dado importante do estudo \u00e9 o fato de que, nos cinco anos aferidos pela pesquisa, 0,1% dos brasileiros aumentaram sua renda em 87%; 1% cresceram 67%; os 5%, 51%, enquanto os 95% tiveram crescimento da renda m\u00e9dia de 33%.<\/p>\n<p>Um dos fen\u00f4menos que explica esse aumento da concentra\u00e7\u00e3o de renda \u00e9 o fato de que os mais ricos pagam pouco imposto, bastando dizer que o 1% mais rico pagou em 2022 o mesmo que os 40% dos declarantes do imposto de renda. \u201cA melhor performance da renda dos mais ricos se explica sobretudo pelo aumento dos lucros e dividendos, hoje isentos de tributa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de um segundo componente que pouca aten\u00e7\u00e3o tem despertado na an\u00e1lise: a renda da atividade rural, cuja maior parcela est\u00e1 isenta de tributa\u00e7\u00e3o &#8230; Em 2022, por exemplo, a renda proveniente da atividade rural, mais de dois ter\u00e7os foi isenta de tributa\u00e7\u00e3o (R$ 101 bilh\u00f5es) e nada menos do que 42% desse montante foi parar no bolso do mil\u00e9simo mais rico da popula\u00e7\u00e3o, \u00edndice de concentra\u00e7\u00e3o muito parecido ao registrado por lucros e dividendos\u201d, diz Gobetti.[6]<\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Tabela 2<\/b><\/span><\/p>\n<table width=\"488\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"5\">\n<colgroup>\n<col width=\"161\" \/>\n<col width=\"1\" \/>\n<col width=\"120\" \/>\n<col width=\"119\" \/>\n<col width=\"37\" \/><\/colgroup>\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"5\" valign=\"bottom\" width=\"478\" height=\"11\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Evolu\u00e7\u00e3o da renda dos estratos sociais mais ricos no Brasil, 2017-2022<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><b>Top 0,1%<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\"><b>2017<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\"><b>2022<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\"><b>(%)<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Renda (R$ milh\u00f5es<\/span><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">431.070<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">813.735<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00famero de pessoas<\/span><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">152.288<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">153.666<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Renda m\u00e9dia (mensal)<\/span><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">235.885<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">441.290<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\"><b>87%<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><b>Top 1%<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"120\"><\/td>\n<td width=\"119\"><\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Renda (R$ milh\u00f5es)<\/span><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">961.224<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">1.618.599<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00famero de pessoas<\/span><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">1.522.882<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">1.536.670<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Renda m\u00e9dia (mensal)<\/span><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">52.999<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">87.776<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\"><b>67%<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><b>Top 5%<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"120\"><\/td>\n<td width=\"119\"><\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Renda (R$ milh\u00f5es<\/span><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">1.715.713<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">2.719.899<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00famero de pessoas<\/span><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">7.309.833<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">7.683.352<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Renda m\u00e9dia (mensal)<\/span><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">19.559<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">29.500<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\"><b>51%<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><b>Demais 95%<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"120\"><\/td>\n<td width=\"119\"><\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Renda (R$ milh\u00f5es<\/span><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">2.988.518<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">4.103.959<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00famero de pessoas<\/span><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">142.493.137<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">146.662.846<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Renda m\u00e9dia (mensal)<\/span><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">1.748<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">2.332<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\"><b>33%<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\"><i><b>Renda dos mais ricos em<\/b><\/i><\/span><\/td>\n<td width=\"120\"><\/td>\n<td width=\"119\"><\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"172\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\"><i><b>propor\u00e7\u00e3o da renda total<\/b><\/i><\/span><\/td>\n<td width=\"120\"><\/td>\n<td width=\"119\"><\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"161\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\"><b>Top 0,1%<\/b><\/span><\/td>\n<td width=\"1\"><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">9,2%<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">11,9%<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"161\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\"><b>Top 1%<\/b><\/span><\/td>\n<td width=\"1\"><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">20,4%<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">23,7%<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"161\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\"><b>Top 5%<\/b><\/span><\/td>\n<td width=\"1\"><\/td>\n<td width=\"120\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">36,5%<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"119\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">39,9%<\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"37\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"3\" width=\"301\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>Fonte: Gobetti, S., a partir de dados do IRPF<\/b><\/span><\/span><\/td>\n<td width=\"119\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pobreza generalizada<\/p>\n<p>Enquanto uma pequena parcela da popula\u00e7\u00e3o acumula rios de dinheiro, a maioria do povo vive em condi\u00e7\u00f5es de pobreza e mis\u00e9ria. Estudo realizado por Marcelo Neri sobre o Mapa da Pobreza no Brasil a partir de par\u00e2metros internacionais, encontrou os seguintes resultados: o contingente de pessoas na linha de pobreza com renda domiciliar per capita mensal de at\u00e9 R$ 497,000 atingia 62,9 milh\u00f5es de pessoas, correspondente a 29,62% da popula\u00e7\u00e3o; aqueles com renda de R$ 289,00 correspondiam a 33.553.921; os com renda de R$ 281,00 somavam 32.166.780; o segmento com renda de R$ 210,00 era constitu\u00eddo por 23.051.687; aqueles com renda de R$ 172,00 perfaziam 19.513.618 e, finalmente, aqueles com renda per capital mensal de 105,00 somavam 12.623.738 pessoas (Tabela 3).[7]<\/p>\n<p>Esse quantitativo do contingente populacional n\u00e3o \u00e9 cumulativo, mas d\u00e1 uma ideia clara da mis\u00e9ria do povo brasileiro. Deve-se levar em conta ainda que R$ 497,00 de renda per capita familiar como par\u00e2metro de pobreza seja muito question\u00e1vel, afinal como pode uma fam\u00edlia com renda domiciliar per capita nessas linhas de pobreza sobreviver? Se elev\u00e1ssemos esse par\u00e2metro de renda domiciliar per capita para um sal\u00e1rio m\u00ednimo, encontrar\u00edamos um n\u00famero muito maior de pobres no Brasil e ter\u00edamos um diagn\u00f3stico bem mais preciso da mis\u00e9ria do povo brasileiro. Diante de uma realidade dessa ordem, como pode algu\u00e9m divulgar que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds de classe m\u00e9dia?<\/p>\n<table width=\"478\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"5\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"5\" valign=\"bottom\" width=\"468\" height=\"11\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Tabela 3 -Popula\u00e7\u00e3o pobre segundo a linha de pobreza, 2021<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"210\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\"><b>R$ 497,00<\/b><\/span><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"214\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\"><b>62.930.194<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"210\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\"><b>R$ 289,00<\/b><\/span><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"214\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\"><b>33.553.921<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"210\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\"><b>R$ 281,00<\/b><\/span><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"214\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\"><b>32.166.780<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"210\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\"><b>R$ 210,00<\/b><\/span><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"214\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\"><b>23.051.687<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"210\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\"><b>R$ 172,00<\/b><\/span><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"214\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\"><b>19.513.618<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"210\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\"><b>R$ 105,00<\/b><\/span><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"2\"><\/td>\n<td width=\"214\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\"><b>12.623.738<\/b><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"4\" width=\"245\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: small;\">Fonte: Neri, M. FGV Social, junho de 2022<\/span><\/span><\/td>\n<td width=\"214\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Outra vari\u00e1vel importante para avaliarmos a pobreza no Brasil \u00e9 nos determos sobre a quantifica\u00e7\u00e3o dos domic\u00edlios que recebem o programa Bolsa Fam\u00edlia, que envolve as pessoas mais pobres do pa\u00eds. Em dezembro de 2024, o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 Fome calculou que 20,81 milh\u00f5es de lares estavam contemplados com o Bolsa Fam\u00edlia, envolvendo 54,37 milh\u00f5es de pessoas beneficiadas por essa modalidade de transfer\u00eancia de renda, dentre as quais 16,75 milh\u00f5es s\u00e3o crian\u00e7as com at\u00e9 11 anos e 7,67 milh\u00f5es s\u00e3o adolescentes de 12 a 17 anos. Um dado relevante do Bolsa Fam\u00edlia refere-se ao fato de que o programa d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o especial aos lares chefiados por mulheres com filhos e sem c\u00f4njuge, o que corresponde a 51,35% das fam\u00edlias atendidas. Pelos dados do Bolsa Fam\u00edlia podemos verificar que a pobreza est\u00e1 em todas as regi\u00f5es: Norte, 2,65 milh\u00f5es de fam\u00edlias; Nordeste, 9,46 milh\u00f5es; Sudeste, 6,2 milh\u00f5es; e Sul com 1,53 milh\u00e3o de fam\u00edlias atendidas.[8]<\/p>\n<p>Outro projeto de governo que tamb\u00e9m serve de refer\u00eancia para medirmos a pobreza no Brasil \u00e9 o Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC), que no \u00faltimo pacote governamental sofreu uma s\u00e9rie de restri\u00e7\u00f5es. Esse programa beneficia idosos e pessoas com defici\u00eancia e determina que cada benefici\u00e1rio receba um sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal do INSS. Pelos dados que dispomos, em 2023 cerca de 5,3 milh\u00f5es de idosos e pessoas com defici\u00eancia recebiam esse benef\u00edcio, muito embora, com o \u00faltimo pacote governamental, esse n\u00famero deva diminuir. Enquanto os milion\u00e1rios est\u00e3o recebendo bilh\u00f5es de reais pelos juros da d\u00edvida interna, o chamado ajuste fiscal mira exatamente aquelas pessoas mais pobres e os deficientes f\u00edsicos. De qualquer forma, \u00e9 mais um contingente que se incorpora ao estoque de pobreza do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Outro indicador das condi\u00e7\u00f5es de pobreza da popula\u00e7\u00e3o brasileira pode ser medido se observarmos a quest\u00e3o da moradia. De acordo com o \u00faltimo Censo de 2022, o Brasil possui 12.348 favelas e comunidades urbanas, nas quais habitam 16,39 milh\u00f5es de pessoas, com um percentual equivalente a 8,1% da popula\u00e7\u00e3o, n\u00famero que aumentou 6% em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo censo. Desse conjunto populacional que vive nas favelas e nas comunidades urbanas, a idade mediana \u00e9 de 30 anos. Por Unidade da Federa\u00e7\u00e3o, a maior propor\u00e7\u00e3o de pessoas residindo em favelas e comunidades urbanas se encontrava no Amazonas (34%), Amap\u00e1 (24,4%) e Par\u00e1 (18,8%). As cinco maiores favelas do Brasil s\u00e3o, pela ordem, Rocinha, no Rio de Janeiro, com 72.021 pessoas; Sol Nascente, em Bras\u00edlia, com 70.908 habitantes; Parais\u00f3polis, em S\u00e3o Paulo, com 58.527 pessoas; Cidade de Deus, em Manaus, com 55.821; e Rio das Pedras, Rio de Janeiro, com 55.653 habitantes (Tabela 4).[9]<\/p>\n<table width=\"413\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"5\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" valign=\"bottom\" width=\"403\" height=\"11\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Tabela &#8211; As 20 maiores favelas do Brasil<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"284\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Rocinha (RJ)<\/span><\/td>\n<td width=\"4\"><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">72.021<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Sol Nascente (Bras\u00edlia)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">70.908<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"284\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Parais\u00f3polis (SP)<\/span><\/td>\n<td width=\"4\"><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">58.527<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Cidade de Deus (Manaus)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">55.821<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"284\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Rio das Pedras (RJ)<\/span><\/td>\n<td width=\"4\"><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">55.653<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"284\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Heli\u00f3polis (SP)<\/span><\/td>\n<td width=\"4\"><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">55.583<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"284\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">S\u00e3o Lucas (Manaus)<\/span><\/td>\n<td width=\"4\"><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">53.674<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Coroadinho (S\u00e3o Lu\u00eds)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">51.050<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Estrada Novas Jurunas (PA)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">43.105<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Tancredo Neves (Salvador)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">38.871<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Pernambu\u00e9s (Salvador)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">35.510<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Zumbi dos Palmares (AM)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">34.706<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Santa Etelvina (Manaus)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">33.031<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Baixadas do Condor (PA)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">31.321<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Col\u00f4nia Terra Nova (PA)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">30.142<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"284\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Jacarezinho (RJ)<\/span><\/td>\n<td width=\"4\"><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">29.766<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Vila S\u00e3o Pedro (S\u00e3o Bernardo-SP)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">28.466<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Cidade Ol\u00edmpica (S\u00e3o Lu\u00eds)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">27.326<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Chafic\/Macuco (Mau\u00e1-SP)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">26.835<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td colspan=\"2\" width=\"298\" height=\"10\"><span style=\"color: #000000;\">Grande Vit\u00f3ria (Manaus)<\/span><\/td>\n<td width=\"95\">\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000;\">26.733<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"284\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: small;\">Fonte: Ag\u00eancia IBGE.<\/span><\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Diante de um quadro social dessa ordem, fica evidente que a ideia de que o Brasil se transformou num pa\u00eds de classe m\u00e9dia n\u00e3o passa de uma miragem muito conveniente para quem quer ocultar a verdadeira crise social brasileira e revela abertamente uma disputa simb\u00f3lica, atrav\u00e9s de uma bem estruturada opera\u00e7\u00e3o de marketing pol\u00edtico, para apresentar uma realidade social puramente artificial diante da pobreza e da mis\u00e9ria reais vividas pelo povo brasileiro.<\/p>\n<p>*<strong>Edmilson Costa<\/strong> \u00e9 doutor em economia pela Unicamp e Secret\u00e1rio Geral do PCB<\/p>\n<div id=\"m_-1073329074060948211gmail-sdfootnote1\">\n<p>[1] Secretaria de pol\u00edtica econ\u00f4mica. Relat\u00f3rio da distribui\u00e7\u00e3o pessoal da renda e da riqueza da popula\u00e7\u00e3o brasileira, com dados do IR de 2021 e 2022.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"m_-1073329074060948211gmail-sdfootnote2\">\n<p>[2] <b>Oxfam.\u00a0<\/b><strong><span style=\"color: #000000;\">As custas de quem? \u2013 A origem da riqueza e a constru\u00e7\u00e3o da injusti\u00e7a no colonialismo<\/span><\/strong><span style=\"color: #000000;\">, lan\u00e7ado no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, janeiro, 2025.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"m_-1073329074060948211gmail-sdfootnote3\">\n<p>[3] Oxfam. Um retrato das desigualdades brasileiras \u2013 10 anos de desafios e perspectivas. Dezembro de 2024.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"m_-1073329074060948211gmail-sdfootnote4\">\n<p>[4] Ag\u00eancia Brasil. IDH do Brasil sobe em 2022, mas o Pa\u00eds cai duas posi\u00e7\u00f5es no ranking da ONU. Dispon\u00edvel em: <span style=\"color: #0563c1;\"><u><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1738932706095000&amp;usg=AOvVaw00Ucq5hxszpF90q7us4w5q\">https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.<wbr \/>br<\/a><\/u><\/span>. Acesso em 30 de janeiro de 2025.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"m_-1073329074060948211gmail-sdfootnote5\">\n<p>[5] Gobetti, S. Concentra\u00e7\u00e3o de renda no topo: novas revela\u00e7\u00f5es pelos dados do IRPF. Observat\u00f3rio de Pol\u00edtica Fiscal, janeiro de 2024.\u00e7<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"m_-1073329074060948211gmail-sdfootnote6\">\n<p>[6] Gobetti, op. cit.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"m_-1073329074060948211gmail-sdfootnote7\">\n<p>[7] Neri. M. Mapa da Nova Pobreza. FGV Social, junho de 2022.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"m_-1073329074060948211gmail-sdfootnote8\">\n<p>[8] Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 Fome. Bolsa Fam\u00edlia chega a 20,81 milh\u00f5es de lares. Dispon\u00edvel em <span style=\"color: #0563c1;\"><u><a href=\"http:\/\/www.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/www.gov.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1738932706095000&amp;usg=AOvVaw2X1kddYfaY4Bw5ciTzfgoM\">www.gov.br<\/a><\/u><\/span>. Acesso em 28 de janeiro de 2025.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"m_-1073329074060948211gmail-sdfootnote9\">\n<p>[9] Ag\u00eancia IBGE, novembro de 2024.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32514\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[66,10,383],"tags":[221],"class_list":["post-32514","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c79-nacional","category-s19-opiniao","category-pronunciamentos-da-secretaria-geral","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8sq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32514","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32514"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32514\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32519,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32514\/revisions\/32519"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}