{"id":3253,"date":"2012-07-30T14:07:20","date_gmt":"2012-07-30T14:07:20","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3253"},"modified":"2012-07-30T14:07:20","modified_gmt":"2012-07-30T14:07:20","slug":"entrevista-edmilson-costa-do-partido-comunista-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3253","title":{"rendered":"Entrevista: Edmilson Costa, do Partido Comunista Brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<p>Escrito por Luis Alfonso Mena S.<\/p>\n<p><strong>\u201cCh\u00e1vez representa a vit\u00f3ria de todos os povos da Am\u00e9rica Latina\u201d<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s caracterizamos a situa\u00e7\u00e3o brasileira como um capitalismo monopolista&#8221;, diz Costa. &#8220;A crise econ\u00f4mica dos pa\u00edses centrais est\u00e1 reduzindo a hegemonia dos Estados Unidos&#8221;, acrescenta. &#8220;A Am\u00e9rica Latina est\u00e1 construindo um processo de luta popular, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 uma for\u00e7a pol\u00edtica capaz de conduzir o povo para as transforma\u00e7\u00f5es de classe.&#8221;<\/p>\n<p>\u201cA luta de classes a n\u00edvel mundial est\u00e1 mudando de car\u00e1ter e isto abre espa\u00e7o para novas correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7as internacionais\u201d, sustentou o dirigente do Partido Comunista Brasileiro, PCB, Edmilson Costa, que afirmou que \u201caqui na Am\u00e9rica Latina h\u00e1 um renascimento da luta popular\u201d.<\/p>\n<p>Costa, professor universit\u00e1rio de economia, 62 anos, \u00e9 o secret\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do PCB, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que ele identifica como aut\u00eantica, fundada em 1922 e da qual se desprendeu o PCdoB, em 1962.<\/p>\n<p>Diferentemente do Partido Comunista do Brasil, seu hom\u00f3logo, o PCB n\u00e3o participa do governo de Dilma Rousseff e esteve apenas em uma parte do primeiro quadri\u00eanio do mandato de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, pois considera que o anterior e o atual governos s\u00f3 desenvolveram \u201cpol\u00edticas compensat\u00f3rias de migalhas\u201d para os trabalhadores.<\/p>\n<p>Costa foi abordado por PAR\u00c9NTESIS por ocasi\u00e3o do XXI Congresso do Partido Comunista Colombiano, no qual interveio para registrar sua posi\u00e7\u00e3o no semin\u00e1rio realizado com os delegados internacionais presentes, finalizado no domingo, 22 de julho, em Bogot\u00e1.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre o Partido Comunista do Brasil e o Partido Comunista Brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; O Partido Comunista Brasileiro \u00e9 o partido hist\u00f3rico dos comunistas brasileiros, fundado em 1922, o partido que sempre esteve ligado \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, era parte do movimento comunista internacional desde toda a exist\u00eancia da URSS, e o PCdoB \u00e9 uma dissid\u00eancia nossa de 1962, que em seu primeiro momento foi mao\u00edsta e depois ligou-se ao Partido do Trabalho da Alb\u00e2nia. Esta \u00e9 a diferen\u00e7a de origem. A diferen\u00e7a pol\u00edtica \u00e9 que n\u00f3s temos uma linha pol\u00edtica no Brasil que \u00e9 muito diferente da linha do PCdoB, porque n\u00f3s caracterizamos a situa\u00e7\u00e3o brasileira como um capitalismo maduro, monopolista. Portanto, o car\u00e1ter central da revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 socialista e, se deve ser a revolu\u00e7\u00e3o socialista, nosso trabalho \u00e9 no campo prolet\u00e1rio, o campo de todos os que s\u00e3o anticapitalistas. Os companheiros (do PCdoB) fazem uma alian\u00e7a policlassista com o Governo Lula e com outros governos de centro-direita em v\u00e1rias regi\u00f5es, enquanto que n\u00f3s decidimos que nosso caminho \u00e9 \u00e0 esquerda. Em princ\u00edpio estas s\u00e3o as diferen\u00e7as b\u00e1sicas.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Voc\u00eas consideram que os governos de Lula e de Dilma Rousseff propiciaram mudan\u00e7as progressistas no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s participamos do Governo Lula em seu primeiro mandato durante tr\u00eas anos e depois abandonamos, pois vimos que Lula n\u00e3o cumpria mais o programa pelo qual foi eleito. A partir de ent\u00e3o n\u00f3s passamos a fazer uma oposi\u00e7\u00e3o independente: quando o Governo faz uma coisa que consideramos um acerto, ent\u00e3o apoiamos; quando consideramos que \u00e9 ruim, criticamos. Por exemplo, apoiamos o Governo quando permitiu que a Venezuela ingressasse no Mercosul, mas o criticamos duramente quando mandou tropas brasileiras para o Haiti. Desde o ponto de vista econ\u00f4mico, consideramos que Lula e Dilma governaram para o capital. Para os trabalhadores, pol\u00edticas compensat\u00f3rias de migalhas. H\u00e1 um descontentamento muito forte dos trabalhadores. Agora h\u00e1 milhares de trabalhadores em greve, os oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil, os professores universit\u00e1rios todos est\u00e3o em greve contra a pol\u00edtica do Governo. Este tamb\u00e9m implementou v\u00e1rias pol\u00edticas neoliberais, como a reforma da previd\u00eancia que prejudicou muito os trabalhadores. \u00c9 um Governo que financia muito fortemente grupos empresariais brasileiros e muitos desses grupos, hoje, estendem-se pela Am\u00e9rica Latina e t\u00eam uma hegemonia econ\u00f4mica tamb\u00e9m muito forte na \u00c1frica e em alguns pa\u00edses da \u00c1sia. Tudo isso \u00e9 muito articulado e financiado pelo Governo. Portanto, para n\u00f3s, o par\u00e2metro para avaliar um governo \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o com os trabalhadores, e neste sentido n\u00e3o \u00e9 um governo dos trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Qual \u00e9 a an\u00e1lise que voc\u00eas fazem dos processos progressistas na Am\u00e9rica Latina: na Venezuela, na Bol\u00edvia, no Equador, inclusive no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s pensamos que na Venezuela, na Bol\u00edvia e no Equador h\u00e1 um processo de luta social mais avan\u00e7ado que em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. No entanto, na Venezuela existe uma debilidade que \u00e9 a pouca organiza\u00e7\u00e3o popular, \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o que depende muito de uma pessoa. Entretanto n\u00f3s apoiamos agora a elei\u00e7\u00e3o de Ch\u00e1vez e \u00e9 importante a vit\u00f3ria de Ch\u00e1vez porque n\u00e3o s\u00f3 representa uma vit\u00f3ria do povo venezuelano, mas representa tamb\u00e9m uma vit\u00f3ria para todos os povos da Am\u00e9rica Latina. Esta vit\u00f3ria tamb\u00e9m vai fortalecer as lutas sociais da Am\u00e9rica Latina, esta vit\u00f3ria golpeia uma vez mais o imperialismo. Na Bol\u00edvia h\u00e1 tamb\u00e9m um processo muito complexo, pois h\u00e1 uma interfer\u00eancia muito forte do governo brasileiro em apoio aos grandes propriet\u00e1rios que s\u00e3o brasileiros e vivem no Uruguai. O governo brasileiro ap\u00f3ia estas pessoas, que s\u00e3o uma fonte permanente de tens\u00e3o contra o Governo da Bol\u00edvia, j\u00e1 que tentaram separar parte do pa\u00eds do governo central da Bol\u00edvia. No Equador a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil, porque n\u00e3o h\u00e1 um movimento de massas organizado e uma vanguarda que lidere este movimento. Portanto, dizemos que na Am\u00e9rica Latina est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o um processo de luta popular, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 uma for\u00e7a pol\u00edtica capaz de conduzir o povo \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es de classe.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Col\u00f4mbia, que an\u00e1lise voc\u00eas fazem de nossa situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s temos boas rela\u00e7\u00f5es tanto com o Partido Comunista Colombiano como com a insurg\u00eancia. No Brasil n\u00f3s somos o \u00fanico partido que faz a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de solidariedade com a guerrilha e que impulsiona um movimento de solidariedade, porque entendemos que o problema da guerrilha n\u00e3o \u00e9 militar. A guerrilha tem uma origem nos problemas sociais, \u00e9 uma base social muito forte e n\u00e3o se pode resolver o problema pela via militar. N\u00f3s defendemos a solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e justa para o conflito colombiano e esperamos que os novos movimentos, tipo Marcha Patri\u00f3tica, contribuam para for\u00e7ar o Governo a fazer uma negocia\u00e7\u00e3o que abra espa\u00e7o a uma Col\u00f4mbia democr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong> &#8211; Voc\u00eas acreditam que abriu-se no mundo uma nova situa\u00e7\u00e3o que rompe com o unilateralismo, ou que tenham surgido novas hegemonias com China, R\u00fassia e outros pa\u00edses como o Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o. N\u00f3s entendemos que est\u00e1 mudando a situa\u00e7\u00e3o mundial, porque a crise econ\u00f4mica dos pa\u00edses centrais est\u00e1 elevando a redu\u00e7\u00e3o da hegemonia dos Estados Unidos, e esta redu\u00e7\u00e3o abre espa\u00e7o para novas na\u00e7\u00f5es, novos p\u00f3los de poder. Neste sentido, os BRICS, Brasil, China, R\u00fassia, \u00cdndia, possuem um papel cada vez mais importante no processo de correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as pol\u00edticas mundiais, mas tamb\u00e9m h\u00e1 uma nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as: agora a luta popular est\u00e1 presente em v\u00e1rias partes do mundo. Em toda a Europa os trabalhadores fazem greves, mobiliza\u00e7\u00f5es. No norte da \u00c1frica ca\u00edram as ditaduras de Mubarak e T\u00fanis. Mesmo nos Estados Unidos h\u00e1 uma luta embrion\u00e1ria dos jovens no Ocuppy Wall Street e dos trabalhadores de Wisconsin. E aqui na Am\u00e9rica Latina h\u00e1 um renascimento da luta popular. Portanto, na nossa avalia\u00e7\u00e3o a luta de classes a n\u00edvel mundial est\u00e1 mudando de car\u00e1ter e isso abre espa\u00e7o para novas correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7as internacionais.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Voc\u00eas no Brasil participam em algum n\u00edvel do governo ou est\u00e3o totalmente fora? S\u00e3o a oposi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s n\u00e3o participamos de nenhum governo; n\u00f3s trabalhamos de maneira independente e participamos normalmente das elei\u00e7\u00f5es. Eu sou candidato a vice-prefeito de S\u00e3o Paulo em uma coaliz\u00e3o de esquerda com outro partido que se chama Partido Socialismo e Liberdade e temos candidatos nestas elei\u00e7\u00f5es de agora em todos os estados.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Sobre o Partido dos Trabalhadores, de Lula e Rousseff, voc\u00eas o identificam como um partido de centro, como um partido social-democrata?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 um partido de centro. Existem algumas tend\u00eancias internas com as quais dialogamos, que s\u00e3o de centro-esquerda, por\u00e9m a maioria \u00e9\u00a0 um partido de centro, n\u00e3o \u00e9 sequer social-democrata.<\/p>\n<p>(*) Diretor do jornal PAR\u00c9NTESIS, de Cali, Col\u00f4mbia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 2.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nPublicado na quinta-feira, 26 de julho de 2012\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3253\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-3253","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Qt","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3253"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3253\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}