{"id":32535,"date":"2025-02-11T10:50:11","date_gmt":"2025-02-11T13:50:11","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32535"},"modified":"2025-02-11T12:16:57","modified_gmt":"2025-02-11T15:16:57","slug":"32535","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32535","title":{"rendered":"D\u00eanis de Moraes, meu amigo, viajou"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32536\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32535\/image-16-2\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image-16.png?fit=1179%2C893&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1179,893\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-16\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image-16.png?fit=300%2C227&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image-16.png?fit=747%2C566&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-32536\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image-16.png?resize=747%2C566&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"566\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image-16.png?resize=900%2C682&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image-16.png?resize=300%2C227&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image-16.png?resize=768%2C582&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/image-16.png?w=1179&amp;ssl=1 1179w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Por Jos\u00e9 Paulo Netto para o Blog da Boitempo<\/p>\n<p>Milton Temer, Jos\u00e9 Paulo Netto e D\u00eanis de Moraes no final de 2024, \u00faltimo encontro dos tr\u00eas<\/p>\n<p>Foto: Leila Escorsim.<\/p>\n<p>Decerto que lerei v\u00e1rios necrol\u00f3gios de D\u00eanis de Moraes, dando not\u00edcia de seu falecimento no passado dia 6 e de sua crema\u00e7\u00e3o na tarde seguinte, no Cemit\u00e9rio do Caju. Provavelmente ser\u00e3o todos elogiosos e verazes: resgatar\u00e3o a sua carreira de jornalista de texto l\u00edmpido, a sua impec\u00e1vel forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, o seu prof\u00edcuo magist\u00e9rio na Universidade Federal Fluminense e mencionar\u00e3o suas principais obras (com destaque para o seu protagonismo no campo da teoria da comunica\u00e7\u00e3o e do biografismo). Em suma: com certeza quase absoluta, todos lamentar\u00e3o a sua morte, com ele mal entrado nos 70 anos, e dir\u00e3o da imensa perda sofrida pela intelig\u00eancia brasileira.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a mim, com a serenidade que me trouxe a idade mais avan\u00e7ada, surpreendeu-me a inesperada interrup\u00e7\u00e3o da sua jornada entre n\u00f3s. E, ao despedir-me dele no cremat\u00f3rio do Caju, forte emo\u00e7\u00e3o levou-me \u00e0s l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>N\u00f3s nos l\u00edamos desde os anos 1980. Troc\u00e1vamos sauda\u00e7\u00f5es e cr\u00edticas, ali\u00e1s, poucas e raramente substantivas. Mas s\u00f3 nos tornamos amigos no final dos anos 1990, num divertido almo\u00e7o no campus da UFRJ, em Botafogo \u2013 com a animada participa\u00e7\u00e3o de Carlos Nelson Coutinho. Desde ent\u00e3o, a minha rela\u00e7\u00e3o pessoal com D\u00eanis ganhou profundidade e se tornou algo de essencial em nossas vidas. Nosso v\u00ednculo pessoal teve, desde o in\u00edcio, a marca caracter\u00edstica da amizade entre os comunistas de antigamente: um cont\u00ednuo e permanente di\u00e1logo entre pares, ajuda m\u00fatua, autocr\u00edticas e projetos. Da minha rela\u00e7\u00e3o com D\u00eanis, devo assinalar que aprendi muito.<\/p>\n<p>Neste s\u00e9culo XXI, dois grandes amigos me deixaram s\u00f3: no mesmo 2012, Alo\u00edsio Teixeira e Carlos Nelson, meus camaradas desde a segunda metade dos anos 1960. O primeiro se foi de repente; o segundo teve uma partida mais demorada e dolorosa. Como driblar golpes como esses, sem o aux\u00edlio c\u00f4modo de uma cren\u00e7a religiosa noutro mundo?<\/p>\n<p>H\u00e1 bem mais de cinquenta anos, percorrendo a poesia de C\u00e9sar Vallejo, o not\u00e1vel e esquecido peruano, guardei a li\u00e7\u00e3o: Hay golpes en la vida, yo lo s\u00e9! Mas esta sabedoria nunca me consolou. J\u00e1 velho, por\u00e9m, encontrei uma solu\u00e7\u00e3o pessoal, que reconhe\u00e7o artificiosa: imagino que os amigos que partem e me deixam aqui, quase solit\u00e1rio numa esquina da vida, apenas empreendem uma longa viagem, uma viagem sem volta. E mesmo privado das suas presen\u00e7as f\u00edsicas, nossa interlocu\u00e7\u00e3o prossegue. Assim, continuo discutindo com Alo\u00edsio as suas p\u00e1ginas sobre os ut\u00f3picos, her\u00e9ticos e malditos e debatendo com Carlos Nelson a sua tese da compatibilidade entre Gramsci e Luk\u00e1cs. S\u00e3o conversas produtivas e sempre renovadas \u2013 avaliamos nossas ilus\u00f5es e equ\u00edvocos pret\u00e9ritos, nossas m\u00ednimas vit\u00f3rias e v\u00e1rios dos nossos fracassos, e nos prometemos continuar estudando para dar \u00e0 frente passos mais firmes. E s\u00e3o sobretudo tert\u00falias recheadas de sorrisos: preservamos e afinamos nossa ironia para com o mundo e para conosco mesmos.<\/p>\n<p>Assim ser\u00e1, para mim, a viagem iniciada por D\u00eanis neste 6 de fevereiro. Continuarei a dizer a ele da minha parca compreens\u00e3o da sua teoria da comunica\u00e7\u00e3o; prosseguiremos discutindo as alternativas para a tradi\u00e7\u00e3o marxista nos pr\u00f3ximos tempos, os dramas e os ganhos do socialismo a que entregamos as nossas juventude e madurez e a nossa esperan\u00e7a pelo futuro; continuaremos, intransigentes, fieis \u00e0 nossa ades\u00e3o \u00e0s ideias comunistas. Falamos de tudo isso, e mais alguma coisa, no \u00faltimo encontro pessoal que tivemos, em minha casa, em novembro passado \u2013 n\u00f3s dois, mais Leila e Milton Temer.<\/p>\n<p>D\u00eanis e eu, apesar da dist\u00e2ncia f\u00edsica que agora nos separa, daremos seguimento ao nosso essencial di\u00e1logo. Tentaremos enfrentar juntos os problemas que a realidade nos apresenta, falaremos dos projetos a concretizar e, como sempre, haveremos de rir muito. Terei outras ocasi\u00f5es de assistir ao respeitado acad\u00eamico alongar-se, uma ta\u00e7a de bom espumante entre os dedos, em digress\u00f5es \u2013 acreditem! \u2013 sobre astrologia e hor\u00f3scopos (o que fazia as del\u00edcias de Leila). Era de ver aquele culto e sofisticado lorde ingl\u00eas dissecando os enigmas da especula\u00e7\u00e3o m\u00e1gico-popular\u2026<\/p>\n<p>Prosseguiremos, D\u00eanis. Vamos retomar nossas ideias sobre os brasileiros de quem voc\u00ea elaborou biografias exemplares (em especial a de Graciliano, aquela de que mais gosto). Voltaremos a debater a sua contribui\u00e7\u00e3o ao \u201cimagin\u00e1rio vigiado\u201d e a relev\u00e2ncia deste \u00faltimo Sartre e a imprensa, que me encantou. E nunca diremos a palavra final sobre A esquerda e o golpe de 1964. De minha parte, ouvirei com mais aten\u00e7\u00e3o sobretudo os seus reparos \u00e0s minhas exposi\u00e7\u00f5es escritas \u2013 que voc\u00ea recomendava fossem mais fluentes e mais leves. A verdade, saibam todos, \u00e9 que o meu amigo D\u00eanis de Moraes n\u00e3o morreu \u2013 como Alo\u00edsio Teixeira e Carlos Nelson Coutinho, ele apenas viajou.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"0rTu6KVNkN\"><p><a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2025\/02\/10\/denis-de-moraes-meu-amigo-viajou\/\">D\u00eanis de Moraes, meu amigo,&nbsp;viajou<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;D\u00eanis de Moraes, meu amigo,&nbsp;viajou&#8221; &#8212; Blog da Boitempo\" src=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2025\/02\/10\/denis-de-moraes-meu-amigo-viajou\/embed\/#?secret=Q3TDrF8cWc#?secret=0rTu6KVNkN\" data-secret=\"0rTu6KVNkN\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32535\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[66,10],"tags":[233],"class_list":["post-32535","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c79-nacional","category-s19-opiniao","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/s659gw-32535","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32535"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32535\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32539,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32535\/revisions\/32539"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}