{"id":3270,"date":"2012-08-02T20:18:30","date_gmt":"2012-08-02T20:18:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3270"},"modified":"2012-08-02T20:18:30","modified_gmt":"2012-08-02T20:18:30","slug":"a-ascensao-do-estado-policial-e-a-ausencia-de-oposicao-em-massa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3270","title":{"rendered":"A ascens\u00e3o do estado policial e a aus\u00eancia de oposi\u00e7\u00e3o em massa"},"content":{"rendered":"\n<p>Um dos mais significativos desenvolvimentos na hist\u00f3ria recente dos EUA tem sido a ascens\u00e3o do estado policial, virtualmente indiscut\u00edvel. Apesar da vasta expans\u00e3o dos poderes policiais do Ramo Executivo do governo, o extraordin\u00e1rio crescimento de toda uma pan\u00f3plia de ag\u00eancias repressivas, com centenas de milhares de pessoas e enormes or\u00e7amentos p\u00fablicos e secretos bem como o vasto \u00e2mbito de vigil\u00e2ncia do estado policial, incluindo a reconhecida monitora\u00e7\u00e3o de mais de 40 milh\u00f5es de cidad\u00e3os dos EUA e residentes seus, n\u00e3o emergiu nenhum movimento de massa pr\u00f3 democracia para confrontar os seus poderes e prerrogativas ou mesmo protestar contra as investiga\u00e7\u00f5es do estado policial.<\/p>\n<p>No antigos anos cinquenta, quando os expurgos McCarthystas foram acompanhados por restri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade de palavra, juramentos obrigat\u00f3rios de lealdade e investiga\u00e7\u00f5es do Congresso para a &#8220;ca\u00e7a a feiticeiras&#8221; entre respons\u00e1veis p\u00fablicos, figuras culturais, intelectuais, acad\u00e9micos e sindicalistas, tais medidas de pol\u00edcia de estado provocaram debate e protestos p\u00fablicos generalizados e mesmo resist\u00eancia institucional. No fim da d\u00e9cada de 1950 foram feitas manifesta\u00e7\u00f5es de massa nos locais das audi\u00eancias p\u00fablica do Comit\u00e9 de Actividade Anti-Americanas\u00a0<em>(Un-American Activities Committee, HUAC) <\/em>em S\u00e3o Francisco (1960) e outros lugares e levantaram-se grandes movimentos por direitos civis para contestar o Sul segregado, o governo federal acomodat\u00edcio e os esquadr\u00f5es da morte dos terroristas racistas da Ku Klux Klan (KKK). O Movimento pr\u00f3 Liberdade de Express\u00e3o em Berkeley (1964) ateou manifesta\u00e7\u00f5es de massa em escala nacional contra a governa\u00e7\u00e3o em estilo autorit\u00e1rio das universidades.<\/p>\n<p>O estado policial incubado durante os primeiros anos da Guerra-fria foi contestado por movimentos de massa comprometidos com a manuten\u00e7\u00e3o ou recupera\u00e7\u00e3o de liberdades democr\u00e1ticas e direitos civis.<\/p>\n<p>A chave para entender a ascens\u00e3o de movimento de massa por liberdades democr\u00e1ticas foi a sua fus\u00e3o com movimentos sociais e culturais mais vastos: liberdades democr\u00e1ticas foram ligadas \u00e0 luta pela igualdade racial; a liberdade de express\u00e3o foi necess\u00e1ria a fim de organizar um movimento de massa contra as guerras imperiais indo-chinesas e a segrega\u00e7\u00e3o racial generalizada; o encerramento da &#8220;ca\u00e7a \u00e0s feiticeiras&#8221; e dos expurgos promovidos pelo Congresso abriram a esfera cultural a vozes novas e cr\u00edticas e revitalizaram os sindicatos e associa\u00e7\u00f5es profissionais. Tudo era visto como cr\u00edtico para proteger direitos dos trabalhadores e avan\u00e7os sociais arduamente conquistados.<\/p>\n<p>Face \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o em massa, muitas das t\u00e1cticas vis\u00edveis de pol\u00edcia de estado da d\u00e9cada de 1950 passaram a &#8220;subterr\u00e2neas&#8221; e foram substitu\u00eddas por opera\u00e7\u00f5es encobertas; viol\u00eancia de estado selectiva contra indiv\u00edduos substituiu os expurgos em massa. Os movimentos populares pr\u00f3 democracia fortaleceram a sociedade civil e as audi\u00eancias p\u00fablicas revelaram e enfraqueceram o aparelho de pol\u00edcia de estado, mas n\u00e3o o eliminaram. Contudo, a partir do princ\u00edpio da d\u00e9cada de 1980 e at\u00e9 o presente, especialmente ao longo dos \u00faltimos 20 anos, a pol\u00edcia de estado expandiu-se dramaticamente, penetrando todos os aspectos da sociedade civil se bem que n\u00e3o inspirando qualquer oposi\u00e7\u00e3o em massa cont\u00ednua ou mesmo espor\u00e1dica.<\/p>\n<p>A pergunta \u00e9: por que a pol\u00edcia de estado cresceu e at\u00e9 ultrapassou as fronteiras de per\u00edodos anteriores de repress\u00e3o e ainda n\u00e3o provocou qualquer oposi\u00e7\u00e3o em massa firme? Isto est\u00e1 em contraste com os movimentos de base ampla em favor da democracia dos meados do s\u00e9culo XX. Que existe um maci\u00e7o e crescente aparelho de pol\u00edcia de estado n\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida: basta simplesmente dar uma olhadela nos registos publicados de pessoal (tanto de agentes p\u00fablicos como de empreiteiros privados), nos enormes or\u00e7amentos e grande n\u00famero de ag\u00eancias envolvidas na espionagem internas de dezenas de milh\u00f5es de cidad\u00e3os americanos e residentes. O \u00e2mbito e profundidade das medidas de estado policial adoptadas incluem deten\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria e interrogat\u00f3rios, montagem de armadilhas e de listas negras de centenas de milhares de cidad\u00e3os dos EUA e residentes, tribunais militares, campos de deten\u00e7\u00e3o e a penhora de propriedades privadas.<\/p>\n<p>Mas estas brutais viola\u00e7\u00f5es da ordem constitucional tiveram lugar e quando cada ag\u00eancia de pol\u00edcia de estado desgasta ainda mais nossas liberdades democr\u00e1ticas, n\u00e3o tem havido movimentos maci\u00e7os &#8220;anti-Homeland Security&#8221;, nem &#8220;movimentos em favor da liberdade de express\u00e3o&#8221; nos campus universit\u00e1rios. H\u00e1 apenas vozes isoladas e corajosas de activistas e organiza\u00e7\u00f5es especializados em &#8220;liberdades civis&#8221; e liberdades constitucionais, os quais falam abertamente e levantam desafios legais ao abuso, mas n\u00e3o t\u00eam virtualmente nenhuma base de base e nenhuma cobertura objectiva nos mass media.<\/p>\n<p>Para tratar desta quest\u00e3o da inactividade em massa diante da ascens\u00e3o do estado policial, abordarmos o assunto a partir de dois \u00e2ngulos.<\/p>\n<p>Descreveremos como os organizadores e operacionais estruturam o estado policial e como t\u00eam neutralizado respostas em massa.<\/p>\n<p>A seguir discutiremos o &#8220;significado&#8221; da n\u00e3o actividade, lan\u00e7ando v\u00e1rias hip\u00f3teses acerca dos motivos subjacentes e do comportamento da &#8220;massa passiva&#8221; de cidad\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>Os c\u00edrculos conc\u00eantricos do estado policial <\/strong><\/p>\n<p>Se bem que o alcance potencial das ag\u00eancias de pol\u00edcia de estado cubra toda a popula\u00e7\u00e3o dos EUA, ela de facto opera na base de &#8220;c\u00edrculos conc\u00eantricos&#8221;. O estado policial \u00e9 percebido e experimentado pela popula\u00e7\u00e3o dos EUA conforme o grau do seu envolvimento na oposi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica a pol\u00edcias de estado. Se bem que o estado policial teoricamente afecte &#8220;todos&#8221;, na pr\u00e1tica ele opera atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de c\u00edrculos conc\u00eantricos. O &#8220;n\u00facleo interno&#8221;, de aproximadamente v\u00e1rios milh\u00f5es de cidad\u00e3os, \u00e9 o sector da popula\u00e7\u00e3o que experimenta o peso da persegui\u00e7\u00e3o do estado policial. Ele inclui os cidad\u00e3os mais cr\u00edticos e activos, especialmente aqueles identificados pelo estado policial como partilhando identidades \u00e9tnicas e religiosas com inimigos estrangeiros declarados, cr\u00edticos ou alegados &#8220;terroristas&#8221;. Estes incluem imigrantes e cidad\u00e3os de descend\u00eancia \u00e1rabe, persa, paquistanesa, afeg\u00e3 e somali, bem como americanos convertidos ao Isl\u00e3o.<\/p>\n<p>O &#8220;perfilamento&#8221; \u00e9tnico e religioso \u00e9 comum em todos os centros de transportes (aeroportos, esta\u00e7\u00f5es de autocarros e comboios e nas auto-estradas). Mesquitas, obras de caridade e funda\u00e7\u00f5es isl\u00e2micas est\u00e3o sob vigil\u00e2ncia constante e sujeitas a rusgas, armadilhas, pris\u00f5es e mesmo assassinatos &#8220;selectivos&#8221; estilo israelense.<\/p>\n<p>O segundo grupo do n\u00facleo, visado pela pol\u00edcia de estado, inclui activistas afro-americanos, hisp\u00e2nicos e de direitos de imigrantes (que se contam aos milh\u00f5es). Eles s\u00e3o sujeitos a vasculhamentos arbitr\u00e1rios maci\u00e7os, buscas e deten\u00e7\u00e3o ilimitada sem julgamento bem como deporta\u00e7\u00f5es indiscriminadas em massa.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s os &#8220;grupos do n\u00facleo&#8221; est\u00e1 o &#8220;c\u00edrculo interno&#8221; que inclui milh\u00f5es de cidad\u00e3os e residentes nos EUA que escreveram ou falaram criticamente dos EUA e da pol\u00edtica israelense no M\u00e9dio Oriente, exprimiram solidariedade com o sofrimento do povo palestino, opuseram-se \u00e0s invas\u00f5es estado-unidenses do Iraque e do Afeganist\u00e3o ou visitaram pa\u00edses ou regi\u00f5es opostas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio dos EUA (Venezuela, Ir\u00e3o, Sul do L\u00edbano, S\u00edria, a Cisjord\u00e2nia e Gaza, etc). Centenas de milhares destes cidad\u00e3os t\u00eam as suas comunica\u00e7\u00f5es telef\u00f3nicas, por email e internet sob vigil\u00e2ncia; t\u00eam sido visados em aeroportos, tiveram passaportes recusado, foram sujeitos a &#8220;visitas&#8221; e a listas negras encobertas ou abertas nas suas escolas e lugares de trabalho.<\/p>\n<p>Activistas militando em grupos de liberdades civis, advogados e profissionais, gente de esquerda e suas publica\u00e7\u00f5es empenhadas em actividades anti-imperialistas, pr\u00f3 democracia e anti-estado policial est\u00e3o no &#8220;ficheiro&#8221; no maci\u00e7o labirinto da colecta de dados da pol\u00edcia de estado sobre &#8220;terroristas pol\u00edticos&#8221;. Movimentos ambientalistas e seus activistas t\u00eam sido tratados como terroristas potenciais \u2013 com membros das suas pr\u00f3prias fam\u00edlias sujeitos a perturba\u00e7\u00e3o policial e &#8220;visitas&#8221; agourentas.<\/p>\n<p>O &#8220;c\u00edrculo externo&#8221; inclui l\u00edderes e activistas da comunidade, c\u00edvicos, religiosos e sindicalistas que, no decorrer da sua actividade, entram em contacto ou mesmo exprimem apoio aos cr\u00edticos e v\u00edtimas das viola\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia de estado. O &#8220;c\u00edrculo externo&#8221; representando uns poucos milh\u00f5es de cidad\u00e3os est\u00e3o &#8220;no ficheiro&#8221; como &#8220;pessoas de interesse&#8221;, o que pode envolver monitorar seu email e &#8220;verifica\u00e7\u00f5es&#8221; peri\u00f3dicas da sua assinatura de peti\u00e7\u00f5es e recursos de defesa.<\/p>\n<p>Estes &#8220;tr\u00eas c\u00edrculos&#8221; s\u00e3o os alvos centrais da pol\u00edcia de estado, quantificando-se em mais de 40 milh\u00f5es de cidad\u00e3os estado-unidenses e imigrantes \u2013 que n\u00e3o cometeram qualquer crime. Por terem exercido seus direitos constitucionais, eles foram sujeitos a v\u00e1rios graus de repress\u00e3o e perturba\u00e7\u00e3o por parte da pol\u00edcia de estado.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia de estado, contudo, tem &#8220;fronteiras fluidas&#8221; acerca de quem espiar, quem prender e quando \u2013 dependendo do que estimule a &#8220;suspeita&#8221; de apparatchiks ou o desejo de exercer poder ou agradar seus superiores em qualquer dado momento.<\/p>\n<p>O essencial das opera\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia de estado dos EUA no s\u00e9culo XXI \u00e9 reprimir cidad\u00e3os a favor da democracia e impedir qualquer movimento de massa sem minar o sistema eleitoral, o qual proporciona teatro pol\u00edtico e legitimidade. \u00c9 constru\u00edda uma &#8220;fronteira&#8221; da pol\u00edcia de estado para assegurar que os cidad\u00e3os tenham pouca op\u00e7\u00e3o excepto votar pelos dois partidos a favor da pol\u00edcia de estado, por poderes legislativos e executivos sem qualquer refer\u00eancia com as condutas, condi\u00e7\u00f5es e exig\u00eancia do c\u00edrculo de v\u00edtimas do n\u00facleo, interno e externo, dos seus cr\u00edticos e activistas. Rusgas frequentes, duras puni\u00e7\u00f5es &#8220;exemplares&#8221; p\u00fablicas e estigmatiza\u00e7\u00e3o pelos mass media transmitem a mensagem \u00e0 massa passiva de eleitores e n\u00e3o eleitores de que as v\u00edtimas da repress\u00e3o &#8220;devem ter feito alguma coisa errada&#8221; ou do contr\u00e1rio n\u00e3o estariam sob a repress\u00e3o da pol\u00edcia de estado.<\/p>\n<p>O essencial para a estrat\u00e9gia da pol\u00edcia de estado \u00e9 n\u00e3o permitir aos seus cr\u00edticos ganharem uma base de massa, legitimidade popular ou aceita\u00e7\u00e3o p\u00fablica. O estado e os media tocam constantemente a mensagem de que as &#8220;causas&#8221; dos activistas n\u00e3o s\u00e3o &#8220;causas&#8221; americanas, patri\u00f3ticas; que as &#8220;suas&#8221; actividades pr\u00f3 democracia impedem as &#8220;nossas&#8221; actividades eleitorais; que as suas vidas, vis\u00e3o e experi\u00eancias nada t\u00eam a ver com os nossos lugares de trabalho, bairros, associa\u00e7\u00f5es desportivas, religiosas e c\u00edvicas. No grau em que o estado policial &#8220;cercou&#8221; os c\u00edrculos interno dos activistas pr\u00f3 democracia, eles chegaram a uma liberdade de ac\u00e7\u00e3o e alcance incontestado no aprofundamento e expans\u00e3o das fronteiras do estado autorit\u00e1rio. Na medida em que a l\u00f3gica ou a presen\u00e7a do estado policial tenha penetrado na consci\u00eancia da massa da popula\u00e7\u00e3o estado-unidense \u00e9 criada uma barreira poderosa \u00e0 liga\u00e7\u00e3o do descontentamento privado com a ac\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Hip\u00f3tese sobre cumplicidade em massa aquiesc\u00eancia \u00e0 pol\u00edcia de estado <\/strong><\/p>\n<p>Se o estado policial \u00e9 agora a realidade dominante da vida politica dos EUA, por que n\u00e3o est\u00e1 no centro de preocupa\u00e7\u00f5es da cidadania? Por que n\u00e3o movimentos populares em favor da democracia? Como o estado policial pode ter tanto \u00eaxito em &#8220;separar&#8221; os activistas da vasta maioria de cidad\u00e3os dos EUA? Afinal de contas, outros pa\u00edses em outros tempos enfrentaram regimes ainda mais repressivos e ainda assim os cidad\u00e3os rebelaram-se. No passado, apesar da chamada &#8220;amea\u00e7a sovi\u00e9tica&#8221;, emergiram movimentos pr\u00f3 democracia nos EUA e fizeram mesmo retroceder uma florescente pol\u00edcia de estado. Por que esta evoca\u00e7\u00e3o de &#8220;amea\u00e7a terrorista isl\u00e2mica&#8221; vinda de fora hoje parece incapacitar nossos cidad\u00e3os? Ser\u00e1 que teve \u00eaxito?<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 qualquer explica\u00e7\u00e3o simples e \u00fanica para a passividade dos cidad\u00e3os estado-unidenses confrontados com uma ascens\u00e3o omnipotente da pol\u00edcia de estado. Seus motivos s\u00e3o complexos e cambiantes e \u00e9 melhor examin\u00e1-los com algum pormenor.<\/p>\n<p>Uma explica\u00e7\u00e3o para a passividade \u00e9 que precisamente a for\u00e7a e a difus\u00e3o da pol\u00edcia de estado criaram medo profundo, especialmente entre pessoas com obriga\u00e7\u00f5es familiares, empregos vulner\u00e1veis e com comprometimentos moderados para com liberdades democr\u00e1ticas. Este grupo de cidad\u00e3os est\u00e1 consciente de casos em que poderes policiais afectaram outros cidad\u00e3os que estavam envolvidos em actividades cr\u00edticas, provocando perdas de emprego e amplo sofrimento e n\u00e3o est\u00e1 desejoso de sacrificar a sua seguran\u00e7a e o bem-estar das suas fam\u00edlias para o que acreditam ser uma &#8220;causa perdida&#8221; \u2013 um movimento carente de forte base popular e com pouco apoio institucional. S\u00f3 quando o protesto contra o salvamento da Wall Street e os movimentos &#8220;Occupy Wall Street&#8221; contra os &#8220;1%&#8221; ganharam momento, este sector manifestou apoio transit\u00f3rio. Mas como o gabinete do presidente consumou o salvamento e o estado policial esmagou os acampamentos &#8220;Occupy&#8221;, o medo e a cautela levaram muitos simpatizantes a retirarem-se timidamente para a passividade.<\/p>\n<p>O segundo motivo para a &#8220;aquiesc\u00eancia&#8221; entre um p\u00fablico substancial \u00e9 porque o mesmo tende a apoiar o estado policial, com base na sua aceita\u00e7\u00e3o da ideologia anti-terror e do seu virulento racismo anti-mu\u00e7ulmano-anti-\u00e1rabe, conduzido em grande parte por sectores influentes dos formadores de opini\u00e3o favor\u00e1veis a Israel. O medo e o \u00f3dio de mu\u00e7ulmanos, cultivado pelo estado policial e os mass media, foi central na instala\u00e7\u00e3o da Homeland Security ap\u00f3s o 11\/Set assim como as guerras em s\u00e9ries contra advers\u00e1rios de Israel, incluindo Iraque, L\u00edbano, L\u00edbia e agora a S\u00edria com planos para o Ir\u00e3o. O apoio activo ao estado policial atingiu o m\u00e1ximo durante os primeiros cinco anos ap\u00f3s o 11\/Set e a seguir declinou quando a crise econ\u00f3mica induzida pela Wall Street, a perda de empregos e os fracassos da pol\u00edtica do governo empurraram preocupa\u00e7\u00f5es acerca da economia muito \u00e0 frente do apoio ao estado policial. No entanto, pelo menos um ter\u00e7o do eleitorado ainda apoia o estado policial, &#8220;certo ou errado&#8221;. Eles acreditam firmemente que o estado policial protege a sua &#8220;seguran\u00e7a&#8221;, que suspeitos, presos e outros sob observa\u00e7\u00e3o &#8220;devem estar a fazer alguma coisa ilegal&#8221;. Os mais ardentes apoiantes do estado policial s\u00e3o encontrados entre os raivosos grupos anti-imigrantes que apoiam buscas arbitr\u00e1rios, deporta\u00e7\u00f5es em massa e a expans\u00e3o de poderes policiais a expensas de garantias constitucionais.<\/p>\n<p>O terceiro motivo poss\u00edvel para aquiesc\u00eancia no estado policial \u00e9 ignor\u00e2ncia: aqueles milh\u00f5es de cidad\u00e3os americanos que n\u00e3o est\u00e3o conscientes da dimens\u00e3o, \u00e2mbito e actividades do estado policial. O seu comportamento pr\u00e1tico recorre \u00e0 no\u00e7\u00e3o de que &#8220;desde que eu n\u00e3o seja directamente afectado isso n\u00e3o deve existir&#8221;. Integrados na vida di\u00e1ria, ganhando o seu sustento e preocupados apenas com or\u00e7amentos dom\u00e9sticos&#8230; Esta massa est\u00e1 t\u00e3o integrada no seu &#8220;micro-mundo&#8221; pessoal que as quest\u00f5es macroecon\u00f3micas e pol\u00edticas criadas pelo estado policial como &#8220;distantes&#8221;, fora da sua experi\u00eancia ou interesse. &#8220;N\u00e3o tenho tempo&#8221;, &#8220;n\u00e3o sei bastante&#8221;, &#8220;isso \u00e9 tudo pol\u00edtica&#8221; &#8230; O apoliticismo generalizado do p\u00fablico estado-unidense leva-o a ignorar o monstro que cresceu no seu meio.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, na medida em que as preocupa\u00e7\u00f5es e o descontentamento passivo popular sobre a economia t\u00eam crescido, tem diminu\u00eddo o apoio ao estado policial assim como tem diminu\u00eddo a oposi\u00e7\u00e3o a ele. Por outras palavras, o estado policial floresce enquanto o descontentamento p\u00fablico est\u00e1 centrado mais nas institui\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas do estado e da sociedade. Poucos, (se \u00e9 que algum) l\u00edderes pol\u00edticos contempor\u00e2neos educam as suas audi\u00eancias conectando a ascens\u00e3o do estado policial, as guerras imperiais e a Wall Street \u00e0s quest\u00f5es econ\u00f3micas de todo dia que afectam a maior parte dos cidad\u00e3os dos EUA. A fragmenta\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es, a separa\u00e7\u00e3o entre o econ\u00f3mico e o pol\u00edtico e o div\u00f3rcio das preocupa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos cidad\u00e3os individuais permite ao estado policial pairar &#8220;acima e fora&#8221; da consci\u00eancia, preocupa\u00e7\u00f5es e actividades populares.<\/p>\n<p>A promo\u00e7\u00e3o do medo patrocinado pelo estado em benef\u00edcio do estado policial \u00e9 ampliada e popularizada diariamente pelos mass media atrav\u00e9s de &#8220;not\u00edcias&#8221; propagand\u00edsticas, programas de detective &#8220;anti-terroristas&#8221;, d\u00e9cadas de grosseiros filmes anti-\u00e1rabe e islamof\u00f3bicos de Hollywood. O retrato que os mass media fazem das viola\u00e7\u00f5es de direitos democr\u00e1ticos por parte do estado policial apresentando-as como normais e necess\u00e1rias num meio infiltrado por &#8220;terroristas mu\u00e7ulmanos&#8221;, onde irrespons\u00e1veis &#8220;liberais&#8221; (defensores do devido processo e da Carta de Direitos) amea\u00e7am a seguran\u00e7a nacional, tem sido eficaz.<\/p>\n<p>Ideologicamente, o estado policial depende da identifica\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o dos poderes da pol\u00edcia com a &#8220;seguran\u00e7a nacional&#8221; da passiva maioria &#8220;silenciosa&#8221;, mesmo quando isto cria profunda inseguran\u00e7a para uma minoria activa e cr\u00edtica. A identifica\u00e7\u00e3o em causa pr\u00f3pria da &#8220;na\u00e7\u00e3o&#8221; e da &#8220;bandeira&#8221; com o aparelho do estado policial \u00e9 especialmente not\u00e1vel durante &#8220;espect\u00e1culos de massa&#8221; onde &#8220;rock&#8221;, vulgaridades e &#8220;desporto&#8221; injectam entretenimento de massa com solenes Juramentos de Lealdade no sentido de defender e respeitar o estado policial e jovens de mamas avantajadas e com perucas balbuciam com voz nasal vers\u00f5es do hino nacional sob aplausos tonitruantes. &#8220;Guerreiros&#8221; feridos s\u00e3o exibidos e soldados r\u00edgidos nos seus uniformes de gala sa\u00fadam enormes bandeiras, e assim a mensagem transmitida \u00e9 de que o estado policial interno trabalha de m\u00e3os dadas com os nossos &#8220;homens e mulheres em uniforme&#8221; l\u00e1 fora. O estado policial \u00e9 apresentado como uma extens\u00e3o patri\u00f3tica das guerras no exterior e como tal ambos imp\u00f5em constrangimentos &#8220;necess\u00e1rios&#8221; \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, \u00e0 cr\u00edtica p\u00fablica e a qualquer defesa sem rodeios da liberdade.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o: O que fazer? <\/strong><\/p>\n<p>A ascend\u00eancia do estado policial foi beneficiada enormemente com a falsa despolitiza\u00e7\u00e3o bipartid\u00e1ria da legisla\u00e7\u00e3o repressiva e com a fragmenta\u00e7\u00e3o das lutas s\u00f3cio-econ\u00f3micas dos democratas que divergem. Os movimentos de massa anti-guerra do princ\u00edpio da d\u00e9cada de 1990 e de 2001-2003 foram minados (liquidados) pela deser\u00e7\u00e3o dos seus l\u00edderes para a m\u00e1quina do Partido Democrata e a sua agenda eleitoral. O maci\u00e7o movimento popular de imigra\u00e7\u00e3o foi controlado e dizimado por oportunistas pol\u00edticos mexicano-americanos do Partido Democrata enquanto o mesmo Partido Democrata, sob o presidente Barack Obama, escalava a repress\u00e3o do estado policial contra imigrantes, expulsando milh\u00f5es de trabalhadores imigrantes latinos e as suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia hist\u00f3rica ensina-nos que uma luta com \u00eaxito contra um estado policial emergente depende da liga\u00e7\u00e3o das lutas s\u00f3cio-econ\u00f3micas que mobiliza a aten\u00e7\u00e3o das massas de cidad\u00e3os com os movimentos pr\u00f3 democracia, pr\u00f3 liberdades civis e &#8220;livre express\u00e3o&#8221; das classes m\u00e9dias. O aprofundamento da crise econ\u00f3mica, os cortes selvagens em padr\u00f5es de vida e condi\u00e7\u00f5es de trabalho e o combate para salvar programas sociais &#8220;sagrados&#8221; (como a Social Security e o Medicare) t\u00eam de ser amarrados \u00e0 expans\u00e3o do estado policial. Um movimento de massa por justi\u00e7a social, que congregue milhares de anti-Wall Streeters, milh\u00f5es de pr\u00f3 Medicare, Social Security e benefici\u00e1rios do Medicaid com centenas de milhares de trabalhadores imigrantes inevitavelmente chocar-se-\u00e1 com o inchado aparelho do estado policial. A liberdade \u00e9 essencial para a luta pela justi\u00e7a social e a luta de massa pela justi\u00e7a social \u00e9 a \u00fanica base para fazer retroceder o estado policial. A esperan\u00e7a \u00e9 de que o sofrimento econ\u00f3mico provoque a actividade de massa, a qual, por sua vez, tornar\u00e1 o povo consciente do perigoso crescimento do estado policial. Um entendimento em massa desta liga\u00e7\u00e3o ser\u00e1 essencial para qualquer avan\u00e7o no movimento pela democracia e bem-estar do povo internamente e pela paz fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p>25\/Julho\/2012<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/index.php?context=va&amp;aid=32063\" target=\"_blank\">http:\/\/www.globalresearch.ca\/index.php?context=va&amp;aid=32063<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\npor James Petras e Robin Eastman Abaya\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3270\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-3270","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-QK","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3270","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3270"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3270\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3270"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3270"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3270"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}