{"id":32741,"date":"2025-04-16T00:53:17","date_gmt":"2025-04-16T03:53:17","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32741"},"modified":"2025-04-16T11:27:40","modified_gmt":"2025-04-16T14:27:40","slug":"32741","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32741","title":{"rendered":"Notas sobre ideologia no capitalismo decadente"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32742\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32741\/unnamed-51\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/unnamed.png?fit=1024%2C828&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1024,828\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/unnamed.png?fit=747%2C604&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-32742\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/unnamed.png?resize=747%2C604&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"604\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/unnamed.png?resize=900%2C728&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/unnamed.png?resize=300%2C243&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/unnamed.png?resize=768%2C621&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/unnamed.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>O ovo do pato: notas sobre ideologia no capitalismo decadente<br \/>\nBLOG DA BOITEMPO<\/p>\n<p>Por Mauro Luis Iasi<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais a forma normal de interc\u00e2mbio da sociedade e com isso, as condi\u00e7\u00f5es da classe dominante desenvolvem sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as produtivas progressistas, quanto mais cresce, em decorr\u00eancia, a disc\u00f3rdia na pr\u00f3pria classe dominante e entre ela e a classe dominada, \u00e9 claro que tanto mais inaut\u00eantica se torna a consci\u00eancia (\u2026) e descamba para meras frases de efeito idealizadoras, para ilus\u00e3o consciente, para hipocrisia proposital\u201d<br \/>\n\u2014 Marx e Engels, A ideologia alem\u00e3<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presidente dos EUA, Donald Tramp, que na tradu\u00e7\u00e3o literal seria uma esp\u00e9cie de pato vagabundo, anunciou aos quatro ventos que estava assinando \u201cuma ordem executiva hist\u00f3rica instituindo tarifas rec\u00edprocas a pa\u00edses de todo o mundo\u201d, e explica: \u201cse eles fazem conosco, vamos fazer com eles\u201d. Modestamente, como \u00e9 pr\u00f3prio do personagem, completa: \u201cEste \u00e9 um dos dias mais importantes, na minha opini\u00e3o, na hist\u00f3ria dos Estados Unidos\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto a cabeleira amarelo-milho esvoa\u00e7a ao vento do Norte, as bolsas despencam em todo o mundo, os investidores entram em p\u00e2nico, o d\u00f3lar cai, o presidente segura uma tabela com dados falsos e um oper\u00e1rio empresta seu apoio usando um bon\u00e9 que espera que a Am\u00e9rica seja grande novamente, fabricado na China.<\/p>\n<p>Sardenberg diz que todos os grandes economistas \u2014 o que certamente n\u00e3o inclui o jornalista \u2014 est\u00e3o perplexos. Na r\u00e1dio que s\u00f3 toca not\u00edcias, faz um desabafo lacrimejante, dizendo que o tarifa\u00e7o de Trump encerra um longo per\u00edodo de crescimento econ\u00f4mico, diminui\u00e7\u00e3o da pobreza e no qual os investimentos dos EUA ajudaram os pa\u00edses pobres no seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>Podia ser um epis\u00f3dio dos Simpsons, podia ser uma briga no parquinho onde um garoto mimado empurra outro e fala para m\u00e3e: foi ele que come\u00e7ou. Mas \u00e9 o presidente da maior economia capitalista do mundo, sentado em um arsenal nuclear com 5111 ogivas operacionais e ativas e quase oitocentas bases militares pelo mundo afora que quer roubar a Groenl\u00e2ndia do amiguinho dinamarqu\u00eas.<\/p>\n<p>Jeffrey Sachs, o professor de economia de Harvard e Columbia, que assessorou o FMI, o Banco Mundial e a OCDE e ajudou a Pol\u00f4nia, Eslov\u00eania e R\u00fassia a abandonarem o socialismo e a constru\u00edrem a economia de mercado, desconcertado declara que n\u00e3o sabe se \u00e9 \u201capenas ret\u00f3rica, ignor\u00e2ncia ou confus\u00e3o\u201d, mas que sabe que \u00e9 \u201cuma pol\u00edtica econ\u00f4mica incrivelmente ruim\u201d.<\/p>\n<p>Vamos tentar ajudar Sachs, como ele ajudou a Bol\u00edvia de Paz Estenssoro a conhecer as maravilhas do neoliberalismo e das privatiza\u00e7\u00f5es. O modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, que esse senhor se empenhou tanto em propagar pelo mundo como alternativa ao perigoso comunismo, s\u00f3 sobrevive atrav\u00e9s de ciclos de crescimento e crise, nos quais o processo de valoriza\u00e7\u00e3o levanta barreiras contra si mesmo. Na raiz da crise do capital est\u00e1 o processo cont\u00ednuo de valoriza\u00e7\u00e3o que leva \u00e0 superacumula\u00e7\u00e3o e \u00e0 altera\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital, cada vez mais proporcionalmente concentrada no capital constante do que no capital vari\u00e1vel, o que resulta a longo prazo na queda das taxas de lucro.<\/p>\n<p>Para quem tem dificuldade de entender esses termos, eu s\u00f3 posso aconselhar que larguem seus gurus das redes sociais e comecem a ler O capital (na Boitempo tem). Bom, o capital tenta compensar a queda nas taxas de lucro atrav\u00e9s de contratend\u00eancias, tais como o aumento da explora\u00e7\u00e3o do trabalho, a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, o aumento da superpopula\u00e7\u00e3o relativa, o barateamento das mat\u00e9rias primas e insumos, o aumento de mercados e a especula\u00e7\u00e3o financeira (t\u00e1 l\u00e1 no Marx, no livro III). Al\u00e9m disso, o imperialismo (L\u00eanin, 2021) e a guerra tornaram-se no capitalismo desenvolvido um meio eficaz de queimar capitais, assim como o complexo industrial-militar (M\u00e9sz\u00e1ros, 2002).<\/p>\n<p>Acontece que, como nos ensinou Mandel (1990), o desfecho da crise de superacumula\u00e7\u00e3o e superprodu\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem como ser racional. Mesmo diante da crise, que exige a queima de capitais, os empres\u00e1rios tendem a investir jogando gasolina no inc\u00eandio. Neste momento, a crise estoura na forma de quebra de empresas, desemprego, ociosidade da capacidade instalada e queima descontrolada at\u00e9 criar as condi\u00e7\u00f5es de novos investimentos com taxas de lucro aceit\u00e1veis.<\/p>\n<p>O imperialismo (novamente, segundo L\u00eanin) funciona como uma grande contratend\u00eancia porque exporta capitais e os reproduz de forma ampliada em suas \u00e1reas de influ\u00eancia, partilhando e repartilhando o mundo atrav\u00e9s da guerra. Ocorre, no entanto, que as na\u00e7\u00f5es sedes do imperialismo assumem, cada vez mais, um car\u00e1ter parasit\u00e1rio, isto \u00e9, vivem do valor produzido pelo capital mundializado e do capital financeiro. O capital n\u00e3o tem p\u00e1tria, mas as na\u00e7\u00f5es imperialistas continuam sendo na\u00e7\u00f5es, com seu povo e seu governo, levando ao fato de que o capital pode entrar em contradi\u00e7\u00e3o com o interesse nacional.<\/p>\n<p>Para o capital alem\u00e3o, \u00e9 muito melhor explorar um oper\u00e1rio brasileiro na Volkswagen do que um oper\u00e1rio alem\u00e3o. O oper\u00e1rio na Alemanha ganha aproximadamente 2.150 euros (R$ 13.388,00 mais ou menos, ou 62 euros por hora), enquanto o brasileiro ganha na mesma empresa cerca de R$ 4.000,00 (cerca de 645 euros ou 1,74 euros por hora).<\/p>\n<p>Quando falamos em balan\u00e7a comercial, as coisas s\u00e3o diferentes, dado que cada vez mais os pa\u00edses imperialistas produzem mercadorias fora de seus territ\u00f3rios nacionais, concorrendo com suas ind\u00fastrias nacionais. Mais de 90% dos Iphones da Apple s\u00e3o montados na China. Nesse ponto, Jeffrey Sachs tem raz\u00e3o: o problema n\u00e3o \u00e9 a balan\u00e7a comercial deficit\u00e1ria. O que ele n\u00e3o compreende, e por isso oferece uma sa\u00edda cl\u00e1ssica (cortar gastos do Estado), \u00e9 que o d\u00e9ficit comercial \u00e9 compensado em muito pela remessa de mais-valor advindo da superexplora\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de influ\u00eancia do imperialismo e pelo fluxo do capital financeiro.<\/p>\n<p>Mas isso resolve o problema do capital, n\u00e3o dos trabalhadores americanos que perdem seus empregos gra\u00e7as \u00e0 concorr\u00eancia de suas pr\u00f3prias empresas transnacionais. O pato vagabundo venceu os democratas no Cintur\u00e3o da Ferrugem no Meio-Oeste, antes conhecido como cintur\u00e3o industrial, com a maioria dos votos oper\u00e1rios que alimentam o sonho da volta da ind\u00fastria americana nos moldes do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer, de forma alguma, que Trump virou um nacionalista em defesa dos trabalhadores. Sua pol\u00edtica de corte de empregos, de n\u00e3o taxar os ricos financiadores de sua campanha, o endurecimento contra os imigrantes, o desmonte dos servi\u00e7os p\u00fablicos, sua pauta moral (ou imoral) mostra bem seu interesse de classe e seu car\u00e1ter direitista, mas ele precisa de uma base popular e apoio eleitoral, e capturou o descontentamento da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O embate entre o esclarecido professor de Harvard e o pato laranja com cabelo de milho revela outra coisa. O professor racional tem raz\u00e3o: as medidas n\u00e3o v\u00e3o resolver o problema da ind\u00fastria americana, provavelmente v\u00e3o piorar muito a situa\u00e7\u00e3o, assim como \u00e9 evidente que Trump mente e manipula, mas essa n\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira pista para respond\u00ea-la est\u00e1 na ep\u00edgrafe deste texto. A crise tem por efeito aumentar as tens\u00f5es no interior da pr\u00f3pria classe dominante. A disc\u00f3rdia \u00e9 entre eles. Ocorre que Trump percebeu \u2014 melhor do que alguns segmentos da esquerda brasileira \u2014 que o apoio popular \u00e9 um importante fator na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as.<\/p>\n<p>O segundo fator (para n\u00f3s, fundamental) diz respeito \u00e0 ideologia. Marx e Engels nos apontam na mesma ep\u00edgrafe que a crise que causa disc\u00f3rdia no seio mesmo das classes dominantes revela, tamb\u00e9m, a perda de correspond\u00eancia das ideias da classe dominante, sua transforma\u00e7\u00e3o em meras f\u00f3rmulas idealizantes, em hipocrisia deliberada. A ideologia que antes apresentava os interesses particulares como se fossem universais perde sua correspond\u00eancia com o real, e \u201cquanto mais elas s\u00e3o desmentidas pela vida e quanto menos valem para a pr\u00f3pria consci\u00eancia, tanto mais resolutamente s\u00e3o afirmadas, tanto mais hip\u00f3crita, moralista e santa se torna a linguagem da sociedade\u201d (Marx e Engels, 2007, p. 285).<\/p>\n<p>Vejamos a quest\u00e3o mais de perto. O esclarecido professor de Harvard n\u00e3o encontra racionalidade na proposta de Trump porque est\u00e1 procurando no lugar errado. Ele est\u00e1 preso \u00e0 no\u00e7\u00e3o weberiana da racionalidade instrumental, segundo a qual um meio \u00e9 racional quando adequado ao fim proposto. Esquece-se de que h\u00e1 outros tipos ideais de racionalidade, como a tradicional, a afetiva, a a\u00e7\u00e3o orientada por valores etc. O pai da sociologia compreensiva alerta que estes tipos ideais, num contexto hist\u00f3rico concreto, se misturam, de forma que uma a\u00e7\u00e3o racional quanto aos meios e fins pode se combinar com valores ou com o afeto.<\/p>\n<p>Analisando exatamente os EUA, Weber (2001) ir\u00e1 dizer que para ele a pol\u00edtica americana era a combina\u00e7\u00e3o da manipula\u00e7\u00e3o de meios irracionais para fins racionalmente calculados, antecipando assim, sem o saber, o processo de ascens\u00e3o do nazismo em sua pr\u00f3pria terra.<\/p>\n<p>Trump n\u00e3o tem um plano para salvar a economia dos EUA, nem para melhorar a vida dos trabalhadores. Ele quer salvar o capital (dos s\u00e9culos XIX e do in\u00edcio do s\u00e9culo XX) contra o capital (do s\u00e9culo XXI). Ele quer, \u201cna minha opini\u00e3o\u201d, como disse no discurso do dia da liberta\u00e7\u00e3o, ele \u2014 o indiv\u00edduo extraordin\u00e1rio, o l\u00edder supremo. E, portanto, precisa de recursos de poder que n\u00e3o encontra na outra face do capital que j\u00e1 se tornou uma imensa e internacional m\u00e1quina de acumula\u00e7\u00e3o e parasitismo. Ent\u00e3o ele busca o povo. Como o antigo Rei Sol, ele proclama: o Capital sou eu.<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 frase de Marx e Engels para entender o porqu\u00ea do pato vagabundo n\u00e3o poder se comunicar por meio de ideias, valores e representa\u00e7\u00f5es que sejam claramente significantes de significados precisamente determinados, isto \u00e9, ideias correspondentes. Ora, pelo simples fato de que isso revelaria a crueza brutal de seus interesses. Para isso, existe a ideologia, que oculta as determina\u00e7\u00f5es, inverte, naturaliza, justifica o existente escondendo os interesses particulares como se fossem universais. Ocorre que a for\u00e7a da ideologia reside na sua correspond\u00eancia com o real. Quando a burguesia afirmou-se como classe universal e proclamou as palavras que constituem sua ideologia \u2014 igualdade, liberdade, indiv\u00edduo, mercado, propriedade, livre concorr\u00eancia \u2014 esses valores correspondiam \u00e0 materialidade de uma primeira fase do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista e da ascens\u00e3o da burguesia. Com o desenvolvimento do capitalismo, principalmente nos momentos de sua crise, esses valores se desidratam de sua subst\u00e2ncia, v\u00e3o se tornando meras frases idealizantes e, pouco a pouco, pura hipocrisia e cinismo.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar a fala e a a\u00e7\u00e3o do pato vagabundo nos termos de uma racionalidade de meios e fins. Os valores da ideologia burguesa decadente s\u00e3o explicitamente falsos e devem, portanto, ser reafirmados como sagrados (mobilizados pela f\u00e9), manipulando afetos instintivos (irracionais), sem a preocupa\u00e7\u00e3o de esconder sua falsidade. S\u00e3o, por isso, hip\u00f3critas e c\u00ednicos (\u017di\u017eek, 2018).<\/p>\n<p>Algu\u00e9m ainda acredita que a sociedade capitalista \u00e9 a sociedade da igualdade? Algu\u00e9m ainda acredita na ideia positivista de progresso? Em que escaninho empoeirado foi parar a ideia de fraternidade? As bombas que caem em Gaza s\u00e3o para defender a liberdade e a democracia? No dia da liberta\u00e7\u00e3o, quem foi liberto?<\/p>\n<p>Enquanto isso, o assecla nazifascista, Elon Musk, nos explica que a empatia n\u00e3o \u00e9 um sentimento humano eticamente aceit\u00e1vel, mas a fraqueza da sociedade ocidental, uma vez que \u00e9 manipulada pela esquerda para for\u00e7ar o Estado a cercear a livre iniciativa dos ricos e poderosos contra a natureza do mercado. Para ele, portanto, a empatia \u00e9 inimiga da liberdade.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos considerar as falas desses senhores como piada, bobagens folcl\u00f3ricas ou pura ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o. Elas s\u00e3o a ideologia do capitalismo no seu m\u00e1ximo desenvolvimento e, portanto, a ideologia de sua crise. \u00c9 a forma adequada ao conte\u00fado, que no caso do capitalismo plenamente desenvolvido n\u00e3o \u00e9 a civiliza\u00e7\u00e3o, mas a barb\u00e1rie, ou, como dizia Benjamin, a civiliza\u00e7\u00e3o na forma de barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Quando a ideologia na sua forma de hipocrisia, que expressa a subst\u00e2ncia do capitalismo em crise, encontra resson\u00e2ncia na classe trabalhadora e captura o ressentimento da classe com o sistema capitalista, geram-se as condi\u00e7\u00f5es para que brote o fascismo. O ovo do pato chocou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>L\u00caNIN, V. Imperialismo, est\u00e1gio superior do capitalismo. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2021.<\/p>\n<p>M\u00c9SZ\u00c1ROS. I. Para al\u00e9m do Capital. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2002.<\/p>\n<p>MANDEL, A crise do capital. Campinas, SP. Unicamp\/Ensaio, 1990.<\/p>\n<p>MARX, K. O capital. Volumes I, II e III. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2013.<\/p>\n<p>MARX, K.; ENGELS, F. A ideologia alem\u00e3. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2007.<\/p>\n<p>WEBER, M. Ci\u00eancia e Pol\u00edtica: duas voca\u00e7\u00f5es. S\u00e3o Paulo: Martin Claret, 2001.<\/p>\n<p>ZIZEK, S. Lacrimae Rerum: ensaios sobre o cinema moderno. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32741\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10],"tags":[224],"class_list":["post-32741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/s659gw-32741","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32741"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32741\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32744,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32741\/revisions\/32744"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}