{"id":32765,"date":"2025-04-26T19:24:47","date_gmt":"2025-04-26T22:24:47","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32765"},"modified":"2025-04-26T19:24:47","modified_gmt":"2025-04-26T22:24:47","slug":"francisco-a-paz-e-a-romaria-dos-hipocritas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32765","title":{"rendered":"Francisco, a Paz e a romaria dos hip\u00f3critas"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32766\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32765\/unnamed-3-3\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/unnamed-3.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"705,470\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed (3)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/unnamed-3.jpg?fit=300%2C200&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/unnamed-3.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-32766\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/unnamed-3.jpg?resize=705%2C470&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"705\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/unnamed-3.jpg?w=705&amp;ssl=1 705w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/unnamed-3.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos \/ Vatican News<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Come\u00e7ou a jorrar a pungente enxurrada de palavras laudat\u00f3rias dos governantes deste mundo para expressar sentimentos que n\u00e3o existem, cumprir conveni\u00eancias protocolares, identificar-se com tudo o que desprezam, exibir falsas como\u00e7\u00f5es, tirar proveito de um acontecimento de que amanh\u00e3 j\u00e1 n\u00e3o se lembrar\u00e3o porque \u00e9 fundamental regressar \u00e0 vidinha reles e predadora do costume.<\/p>\n<p>A morte do Papa Francisco \u00e9, inegavelmente, uma perda para o mundo. N\u00e3o como chefe da Igreja Cat\u00f3lica, mas como homem universalista e humanista que soube evitar e contornar as questi\u00fanculas vaticanas, velhas de s\u00e9culos, para se dedicar a pensar e a agir sobre as coisas do mundo e da humanidade; as coisas que nos levam por caminhos transviados, quem sabe se fatais e que o Papa, n\u00e3o como santo mas como ser humano, tentou travar com a sua sensibilidade e esp\u00edrito fraterno.<\/p>\n<p>A comunidade dos hip\u00f3critas que dirige o mundo, conduzindo-nos para precip\u00edcios que Francisco identificou como facilmente evit\u00e1veis se os homens e as mulheres tivessem a boa vontade que extravasa, em muito, as palavras dos textos religiosos, n\u00e3o hesita agora em tirar proveito do seu falecimento com denodo vampiresco.<\/p>\n<p>O Papa que agora nos deixa, chefe de uma institui\u00e7\u00e3o que dificilmente encontrar\u00e1 outro \u00e0 sua altura, porque n\u00e3o saber\u00e1 (nem querer\u00e1) navegar contra a corrente com a coragem e lucidez de Francisco, deixa \u00f3rf\u00e3os os desprotegidos, os marginalizados, os pobres, os refugiados e migrantes, os povos das periferias, os que sofrem na carne os efeitos dos crimes ecol\u00f3gicos praticados pelos que enchem a boca com o combate (falso) \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, enfim os milh\u00f5es de seres humanos que enfrentam os terrores das guerras gananciosas impostas pelos interesses de castas desumanizadas e as minorias do dinheiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A coragem e a lucidez de um pacifista<br \/>\nFrancisco foi um homem corajoso e l\u00facido. Corajoso porque n\u00e3o teve receio de usar a palavra contra os carrascos do ser humano que, tentando embalar-nos com conversas mansas das quais apenas sobra a mentira, n\u00e3o hesitam em criar infernos em vida e amea\u00e7ar as nossas exist\u00eancias. L\u00facido, porque soube ler o mundo como poucos na comunidade internacional, tra\u00e7ando impiedosamente os retratos dos malfeitores e inconformando-se com os horrores das malfeitorias, apesar de os atingidos olharem sempre para o lado, fingindo que nada era com eles enquanto, cinicamente, lhe faziam os salamaleques da praxe.<\/p>\n<p>O Papa que agora nos deixa extravasou em muito o catolicismo e o cristianismo. Mesmo no interior das institui\u00e7\u00f5es da sua f\u00e9 e das comunidades dos crentes muitas vezes n\u00e3o foi bem aceite pelas correntes tradicionalistas, as mesmas que, simultaneamente, se acomodam, e at\u00e9 defendem o que de pior existe \u00e0 face da Terra.<\/p>\n<p>Francisco selou a sua presen\u00e7a na hist\u00f3ria do catolicismo e, principalmente, da humanidade, porque no seu tempo combateu sem hesitar os dois verdadeiros dem\u00f4nios que perseguem e abatem os seres humanos: o neoliberalismo e a guerra.<\/p>\n<p>O sacerdote argentino que tanto sofria com o seu pobre povo cruelmente entregue ao estado mais extremo do neoliberalismo, nunca foi manso para com esta doutrina econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica que despreza o ser humano em nome da liberdade, que o oprime mergulhando-o na pobreza como caminho para a sempre long\u00ednqua e assim inating\u00edvel abastan\u00e7a, que o mata garantindo-lhe independ\u00eancias e soberanias a que s\u00e3o intrinsecamente avessos. O desumano neoliberalismo globalista \u00e9 a sua meta; a justi\u00e7a social, o respeito pelo ser humano, a dignidade da vida, a paz e a conviv\u00eancia fraterna s\u00e3o as luzes pelas quais o falecido Papa se guiava.<\/p>\n<p>Francisco foi, por tudo isto, um homem contra a corrente, na realidade um corpo estranho neste mundo e que n\u00e3o desistiu, at\u00e9 ao fim, de o tentar modificar, de o tornar um lugar adequado para o florescimento da dignidade do ser humano, de todos os seres humanos. Por isso, o Papa n\u00e3o se identificava, e nunca deixou de condenar, esta preciosidade ocidental de se comover, justamente, com o sofrimento e o drama dos ucranianos mas desprezar e ser at\u00e9 c\u00famplice da matan\u00e7a e do genoc\u00eddio do povo palestino. O Papa jamais perdoou e seria capaz de perdoar o segregacionismo e a xenofobia que est\u00e3o no DNA dos hip\u00f3critas. Ele amou especialmente todos os povos v\u00edtimas de guerras, e n\u00e3o apenas as tropas com armas.<\/p>\n<p>No domingo de P\u00e1scoa, nas suas derradeiras e esfor\u00e7adas palavras, Francisco teve a energia sobre-humana necess\u00e1ria para lembrar os pobres, os desprezados, as minorias perseguidas, os exclu\u00eddos das periferias, as v\u00edtimas do racismo e da xenofobia, os refugiados e migrantes, solidarizando-se com estes como v\u00edtimas da gan\u00e2ncia e das guerras impostas aos seus pa\u00edses. E n\u00e3o deixou de responsabilizar, mais uma vez, a doutrina que identificou explicitamente como respons\u00e1vel por essas express\u00f5es de mis\u00e9ria: o capitalismo e a sua vers\u00e3o extrema, o neoliberalismo.<\/p>\n<p>Um combatente pelo desarmamento<br \/>\nE Francisco, horror dos horrores, defendeu a paz.<\/p>\n<p>N\u00e3o uma paz abstrata como apregoam os que a procuram e garantem estar no final das guerras. Mas sim a paz que desprezam e nos pro\u00edbem de invocar e defender sob pena de sermos considerados traidores e servidores dos inimigos que nos espreitam em cada canto. A paz que se encontra falando, compreendendo e negociando e n\u00e3o espalhando a pobreza e a morte porque s\u00e3o necess\u00e1rias armas, mais armas, cada vez mais armas e mais sofisticadas, capazes de tornar sempre maiores as multid\u00f5es de inocentes assassinados e fazer transbordar os cofres dos magnatas da morte.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade, Francisco defendeu o desarmamento sem poupar a ind\u00fastria armamentista e respectivos frequentadores como um dos grandes flagelos deste tempo. Guardou at\u00e9 para apelar ao desarmamento as suas derradeiras palavras proferidas, a custo, num Domingo de P\u00e1scoa. Adivinhem: os que agora dizem lamentar o seu desaparecimento nunca o escutaram, fingiram-se moucos. Para eles, o Papa era algu\u00e9m que tentavam identificar com as suas desprez\u00edveis imagens e semelhan\u00e7as; n\u00e3o o Papa que jamais se esqueceu das verdadeiras v\u00edtimas desses hip\u00f3critas, refinados vendilh\u00f5es do Templo.<\/p>\n<p>Os chefes e as cliques governantes da Uni\u00e3o Europeia, de Marcelo e quejandos aos confins do B\u00e1ltico proferem agora as palavras banais, protocolares e de circunst\u00e2ncia, expressam sentimentos que n\u00e3o t\u00eam a n\u00e3o ser nas carteiras e contas banc\u00e1rias, pronunciam, a contragosto, a palavra paz enquanto montam ex\u00e9rcitos e entopem o continente europeu de armas, vestem as suas mais caras e negras fatiotas para irem em romaria e alinharem-se, qui\u00e7\u00e1 para a foto de fam\u00edlia, nos tapetes do Vaticano. Francisco dispensaria a sua presen\u00e7a, mas eles acham-se sempre indispens\u00e1veis e bem-vindos mesmo quando ningu\u00e9m os convida. Lagarde, a senhora do dinheiro, a par de Von der Leyen, a senhora da guerra e Costa, servidor babado de tudo isto, n\u00e3o faltar\u00e3o. Por a\u00ed se percebe o tipo de gente a quem estamos entregues e que o Papa argentino, perceptivelmente, n\u00e3o tinha em grande conta.<\/p>\n<p>Francisco deixa muitas saudades e um vazio que provavelmente t\u00e3o depressa n\u00e3o ser\u00e1 preenchido. A hierarquia da Igreja Cat\u00f3lica, que n\u00e3o a imensa multid\u00e3o dos fi\u00e9is, tem grande habilidade para emendar os seus \u201cerros\u201d movendo-se e conspirando com uma experi\u00eancia de dois mil\u00e9nios no sil\u00eancio dos corredores vaticanos. Como foi o caso de Jo\u00e3o Paulo I, prometedor homem de bem que n\u00e3o resistiu mais de 33 dias na cadeira de Pedro, o pescador, logo substitu\u00eddo por Wojtyla (ou Jo\u00e3o Paulo II), o Papa do neoliberalismo, da unipolaridade imperial, arauto de um catolicismo com resson\u00e2ncias medievais.<\/p>\n<p>Francisco foi um irm\u00e3o mais velho, s\u00e1bio e presente para cat\u00f3licos, n\u00e3o cat\u00f3licos e n\u00e3o crist\u00e3os, religiosos, agn\u00f3sticos e ateus, muitos dos que, n\u00e3o comungando da sua doutrina e conceitos filos\u00f3ficos, o admiravam como homem e humanista, certos de que nele podiam confiar. Defendia conceitos de vida terrena pelos quais vale a pena lutar para retirar o mundo do p\u00e2ntano onde mulheres e homens degenerados pelo poder e o dinheiro o v\u00e3o mergulhando. Estes s\u00e3o dias tristes e, ao mesmo tempo, dias que a c\u00e1fila dos hip\u00f3critas e fan\u00e1ticos da guerra anseia para poder desfilar e brilhar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32765\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10],"tags":[228],"class_list":["post-32765","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8wt","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32765"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32767,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32765\/revisions\/32767"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}