{"id":32808,"date":"2025-05-08T09:54:12","date_gmt":"2025-05-08T12:54:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32808"},"modified":"2025-05-08T09:54:12","modified_gmt":"2025-05-08T12:54:12","slug":"por-que-se-organizar-no-partido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32808","title":{"rendered":"Por que se organizar no Partido?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32809\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32808\/attachment\/1000236361\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/1000236361.jpg?fit=1080%2C718&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1080,718\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"1000236361\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/1000236361.jpg?fit=300%2C199&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/1000236361.jpg?fit=747%2C496&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-32809\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/1000236361.jpg?resize=747%2C496&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"496\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/1000236361.jpg?resize=900%2C598&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/1000236361.jpg?resize=300%2C199&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/1000236361.jpg?resize=768%2C511&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/1000236361.jpg?w=1080&amp;ssl=1 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Foto: UJC RJ<\/p>\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da Uni\u00e3o da Juventude Comunista (UJC)<\/p>\n<p>De forma justificada, os elementos fundamentais da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho militante do Partido s\u00e3o atribu\u00eddos a L\u00eanin, numa supera\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica de Marx. Contudo, em Marx tamb\u00e9m encontramos contribui\u00e7\u00f5es fundamentais para entender a import\u00e2ncia do Partido, do trabalho coletivo e justificar, contr\u00e1rio \u00e0s sa\u00eddas individuais, o porqu\u00ea de se organizar.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo 11 d\u2019O Capital, intitulado de Coopera\u00e7\u00e3o, Marx introduz a discuss\u00e3o sobre as caracter\u00edsticas do trabalho cooperativo, ou da coopera\u00e7\u00e3o no trabalho. Esse cap\u00edtulo est\u00e1 na Parte Quarta, dedicada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da mais-valia relativa, e precede as discuss\u00f5es sobre divis\u00e3o do trabalho, manufatura, maquin\u00e1rio e ind\u00fastria moderna. A pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o da obra nos d\u00e1 os ind\u00edcios para desvelar o fundamento da coopera\u00e7\u00e3o: o aumento da produtividade do trabalho.<\/p>\n<p>Mas, sem pressa, estabele\u00e7amos alguns princ\u00edpios. Primeiro: o que \u00e9 o trabalho cooperativo para Marx? Encontramos rapidamente essa defini\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Chama-se coopera\u00e7\u00e3o a forma de trabalho em que muitos trabalham juntos, de acordo com um plano, no mesmo processo de produ\u00e7\u00e3o ou em processos de produ\u00e7\u00e3o diferentes, mas conexos. (MARX, p. 374)1<\/p>\n<p>E, logo ap\u00f3s, ao perguntar: \u201cPara que serve a coopera\u00e7\u00e3o?\u201d \u2013 No que nos interessa o trabalho pol\u00edtico:<\/p>\n<p>O poder de ataque de um esquadr\u00e3o de cavalaria ou o poder de resist\u00eancia de um regime de infantaria difere essencialmente da soma das for\u00e7as individuais de cada cavalariano, ou de cada infante. (MARX, p. 374)<\/p>\n<p>Podemos ainda colocar que isso decorre de uma das leis do materialismo hist\u00f3rico-dial\u00e9tico, pela qual mudan\u00e7as quantitativas se acumulam para formar mudan\u00e7as qualitativas. Especificamente, que a soma do trabalho individual de v\u00e1rios vai se acumulando at\u00e9 formar algo novo, qualitativamente diferente do trabalho individual, o que chamamos de trabalho coletivo.<\/p>\n<p>Para superar o capital: organizar a classe<br \/>\nExplicamos ent\u00e3o por que se organizar, o porqu\u00ea de a constru\u00e7\u00e3o de nosso futuro socialista ter uma base coletiva inegoci\u00e1vel. O capital foi revolucion\u00e1rio porque coletivizou a produ\u00e7\u00e3o, superando a escassez pr\u00e9-moderna. Mas encontra sua limita\u00e7\u00e3o ao perpetuar essa escassez pela concentra\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, da riqueza produzida. Ele socializa a produ\u00e7\u00e3o, mas se apropria dos seus frutos de forma privada. Tudo isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel pela organiza\u00e7\u00e3o coletiva, mas subordinada. Nossa tarefa, ent\u00e3o, \u00e9 romper a subordina\u00e7\u00e3o, tornar coletivo o controle do que j\u00e1 \u00e9 produzido coletivamente.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 fantasia pensar que os esfor\u00e7os difusos de milh\u00f5es, sem uma a\u00e7\u00e3o coordenada, podem fazer frente a um aparato pol\u00edtico centralizado e organizado, o Estado burgu\u00eas. Por mais que se tente mascarar, \u00e9 patente a exist\u00eancia de uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que une os interesses e esfor\u00e7os da classe burguesa. E no jogo pol\u00edtico, a organiza\u00e7\u00e3o mais eficiente toma a frente. Logo, para se suplantar o Estado burgu\u00eas, a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que d\u00e1 base ao sistema capitalista, \u00e9 preciso uma organiza\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria, forte e eficiente que incorpore e execute os interesses do proletariado.<\/p>\n<p>Ou seja, voltamos aqui para as contribui\u00e7\u00f5es de L\u00eanin ao analisar a experi\u00eancia da Comuna de Paris. Como argumenta em O Estado e a Revolu\u00e7\u00e3o, para se contrapor ao Estado burgu\u00eas, \u00e9 necess\u00e1rio erguer um Estado prolet\u00e1rio2. Ou seja, para destruir a ordem capitalista, \u00e9 necess\u00e1rio construir um aparato pol\u00edtico centralizado que seja capaz de romper a resist\u00eancia da burguesia e conduzir as transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias rumo \u00e0 ordem comunista.<\/p>\n<p>E qual \u00e9 essa forma de se organizar?<br \/>\nO que pode levar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um Estado de novo tipo? Podem difusas redes de coletivos, organiza\u00e7\u00f5es e pequenos partidos, a partir de um novo princ\u00edpio de funcionamento, fornecer essa alternativa? Para isso, os ind\u00edcios podem ser buscados na experi\u00eancia hist\u00f3rica. Nenhuma revolu\u00e7\u00e3o vitoriosa foi operada por \u201credes\u201d; as revolu\u00e7\u00f5es se constru\u00edram com Partidos, Comandos e Frentes Revolucion\u00e1rias, com organiza\u00e7\u00f5es centralizadas e capazes de enfrentar a repress\u00e3o do Estado burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Mas, da mesma forma que a t\u00e1tica revolucion\u00e1ria das barricadas se torna obsoleta com a forma\u00e7\u00e3o dos ex\u00e9rcitos modernos, ser\u00e1 que os Partidos est\u00e3o obsoletos frente a uma \u201cnova\u201d domina\u00e7\u00e3o (burguesa) em \u201crede\u201d? Para isso, basta observar os per\u00edodos de crise recente. Rememorar que, durante as grandes manifesta\u00e7\u00f5es por direitos unificadas no \u201cN\u00e3o vai ter copa\u201d, s\u00e3o as for\u00e7as armadas, o Estado centralizador que entram em cena. N\u00e3o h\u00e1 supera\u00e7\u00e3o da forma Partido, porque ela \u00e9 a \u00fanica a conseguir, historicamente, resistir \u00e0 viol\u00eancia capitalista e impor a ordem socialista.<\/p>\n<p>E que Partido \u00e9 esse?<br \/>\nHistoricamente, a organiza\u00e7\u00e3o do proletariado em classe assume a forma dos Partidos Comunistas (PCs), em um n\u00edvel que levou Hobsbawm a afirmar que, no s\u00e9culo XX, era imposs\u00edvel ser revolucion\u00e1rio e n\u00e3o estar em um PC3. Contudo, desde a d\u00e9cada de 70, com a ofensiva neoliberal e a queda da URSS, temos um cen\u00e1rio diverso: n\u00e3o se consolidaram, em pa\u00edses capitalistas, Partidos capazes de unificar a classe trabalhadora sob sua bandeira.<\/p>\n<p>Isso significa que a forma dos PCs est\u00e1 superada? N\u00e3o, pelo contr\u00e1rio: n\u00e3o h\u00e1 supera\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios que regem a organiza\u00e7\u00e3o comunista, que tornem os PCs irrelevantes. O fortalecimento dos monop\u00f3lios e dos partidos burgueses torna cada vez mais necess\u00e1rios os elementos fundamentais da Internacional Comunista. Tornam-se necess\u00e1rios a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica decidida e unificada, o horizonte pol\u00edtico revolucion\u00e1rio comum e a unidade inquebr\u00e1vel da classe trabalhadora internacional.<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o se trabalha com ideais: a situa\u00e7\u00e3o concreta aponta que n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es, atualmente, para reconstruir a Internacional Comunista, o partido \u00fanico do proletariado. Mas nem por isso devem os comunistas ignorar a atua\u00e7\u00e3o consequente. Conhecendo as tend\u00eancias do movimento, apontamos para o horizonte pol\u00edtico imediato, palp\u00e1vel e concreto de unifica\u00e7\u00e3o das lutas: organizar uma Frente Pol\u00edtica e Social. Uma Frente que seja capaz de unir todos os elementos anticapitalistas e anti-imperialistas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es de Juventude<br \/>\nE, dentro dessa Frente Pol\u00edtica, n\u00e3o podem faltar as organiza\u00e7\u00f5es de Juventude, sejam do Movimento Estudantil (ME), Popular ou Cultural. S\u00e3o as organiza\u00e7\u00f5es da juventude trabalhadora que carregam os futuros quadros do movimento comunista. E, sendo o comunismo a juventude do mundo, \u00e9 a Juventude Comunista que melhor pode nos moldar para esse futuro.<\/p>\n<p>Se apontamos para a unifica\u00e7\u00e3o dos elementos anticapitalistas e anti-imperialistas, n\u00e3o podemos deixar de construir essa unidade em nossas bases. Excluindo qualquer v\u00ednculo estrat\u00e9gico com os setores burgueses, apostamos na organiza\u00e7\u00e3o decidida da classe, no Poder Popular que emana das organiza\u00e7\u00f5es de massa em movimento. Desenha-se, ent\u00e3o, uma linha clara: organizar a unidade com todos aqueles que se coloquem objetivamente contra os interesses da burguesia, sem concilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse sentido, conclu\u00edmos: para superar o capital, \u00e9 necess\u00e1rio ser revolucion\u00e1rio; para ser revolucion\u00e1rio, \u00e9 preciso se organizar em Partido. E, seguindo a linha constru\u00edda pelo nosso Partido, continuamos na defesa da Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, da unidade dos elementos objetivamente revolucion\u00e1rios contra a burguesia, levamos \u00e0 frente a organiza\u00e7\u00e3o da juventude sob a bandeira da UJC.<\/p>\n<p>Por Guilherme Corona, militante da UJC na Bahia<\/p>\n<p>MARX, Karl. O Capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. Livro Primeiro, O Processo de Produ\u00e7\u00e3o do Capital, Vol. 1. Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, Rio de Janeiro<br \/>\nL\u00caNIN<br \/>\nHOBSBAWM, Eric J.. Revolucion\u00e1rios, Ensaios Contempor\u00e2neos. Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1985, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32808\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,33,82,27],"tags":[221,247],"class_list":["post-32808","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s5-juventude","category-c34-marxismo","category-c95-para-conhecer-o-pcb","category-c27-ujc","tag-2a","tag-jd"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8xa","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32808","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32808"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32808\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32810,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32808\/revisions\/32810"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}