{"id":32837,"date":"2025-05-18T11:50:27","date_gmt":"2025-05-18T14:50:27","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32837"},"modified":"2025-05-18T11:50:27","modified_gmt":"2025-05-18T14:50:27","slug":"o-dia-da-europa-esconde-a-ameaca-nazifascista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32837","title":{"rendered":"O &#8220;Dia da Europa&#8221; esconde a amea\u00e7a nazifascista"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32838\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32837\/unnamed-2-9\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/unnamed-2.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"705,470\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed (2)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/unnamed-2.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-32838\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/unnamed-2.jpg?resize=705%2C470&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"705\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/unnamed-2.jpg?w=705&amp;ssl=1 705w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/unnamed-2.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>\u00abN\u00e3o os 80 anos da derrota do nazifascismo, mas os 75 anos de uma chamada Declara\u00e7\u00e3o Schuman, por eles considerada o primeiro passo no processo de integra\u00e7\u00e3o europeia\u00bb<br \/>\nCr\u00e9ditos \/ DR<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p>\n<p>ABRILABRIL<\/p>\n<p>O dia 9 de Maio n\u00e3o significa o mesmo para todas as na\u00e7\u00f5es da Europa. O que poderia ser surpreendente, at\u00e9 mesmo absurdo, uma vez que a data representa a derrota do nazifascismo, o maior flagelo continental dos \u00faltimos s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Dia 9 de Maio \u00e9 o Dia da Vit\u00f3ria, a evoca\u00e7\u00e3o de uma jornada de alegria incontida de todos os povos do continente europeu. Celebra\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de um acordar leve e aliviado depois de uma intermin\u00e1vel noite de pesadelo.<\/p>\n<p>Essa alegria extravasou sem restri\u00e7\u00f5es, por momentos sem quaisquer manchas ou sombras nos rostos, apesar de quase todos os que celebraram a liberdade terem pelo menos um familiar morto ou ferido durante os seis anos de conflito; aos quais devemos acrescentar os tr\u00eas catastr\u00f3ficos anos da Guerra Civil de Espanha, primeira e sangrenta imagem carimbada pelo terrorismo nazifascista.<\/p>\n<p>Apesar do ato de liberdade, humanismo, esperan\u00e7a e democracia que foi a assinatura da paz sobre os escombros do regime hitleriano, celebram-se agora duas efem\u00e9rides evocando o dia 9 de Maio: os povos da Europa e os governos de na\u00e7\u00f5es que mais contribu\u00edram e mais sofreram para que a paz fosse poss\u00edvel, assinalam os 80 anos do Dia da Vit\u00f3ria; os governos dos \u00abaliados ocidentais\u00bb, que esperneiam tentando salvar-se do naufr\u00e1gio dessa entidade artificial que denominaram Uni\u00e3o Europeia, celebram o Dia da Europa. N\u00e3o os 80 anos da derrota do nazifascismo, mas os 75 anos de uma chamada Declara\u00e7\u00e3o Schuman, por eles considerada o primeiro passo no processo de integra\u00e7\u00e3o europeia. \u00c9 caso para perguntar o que h\u00e1 para celebrar. E os povos dos 27 o fariam se lhes fosse dada a possibilidade de alguma vez se pronunciar sobre o assunto.<\/p>\n<p><strong>Fugir \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da derrota do nazismo<\/strong><\/p>\n<p>Os governos da Uni\u00e3o Europeia limitam-se a assinalar a derrota hitleriana em cerim\u00f4nias burocr\u00e1ticas e restritas das suas desclassificadas classes pol\u00edticas e nas quais o povo n\u00e3o cabe nem poderia caber. E fazem-no com zero de convic\u00e7\u00e3o, zero de emo\u00e7\u00e3o, zero de mem\u00f3ria e 100% de Hist\u00f3ria falsificada, simultaneamente, com um esp\u00edrito provocat\u00f3rio, confirmando na atualidade as inten\u00e7\u00f5es trai\u00e7oeiras e mistificadoras com que as pot\u00eancias ocidentais se viram obrigadas, por uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia e de terror perante o aparelho triturador de Hitler, a fazer uma alian\u00e7a com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>N\u00e3o valer\u00e1 a pena, aqui chegados, falar de ingratid\u00e3o dos governos que excluem a R\u00fassia das suas celebra\u00e7\u00f5es de pl\u00e1stico. Organizam-nas para fazer de conta, talvez receosos da imagem de insensibilidade que a omiss\u00e3o ainda poderia acarretar; e tamb\u00e9m com intuitos propagand\u00edsticos \u00f3bvios, para dar vaz\u00e3o \u00e0 sua patologia esquizofr\u00eanica, e j\u00e1 muito enraizada, induzida pelo culto da descabelada \u00abamea\u00e7a russa\u00bb. A campanha de publicidade paga das televis\u00f5es portuguesas sobre as extremosas virtudes do \u00abDia da Europa\u00bb \u2013 com a participa\u00e7\u00e3o desadequada da UNICEF, totalmente \u00e0 revelia do estatuto da ONU \u2013 n\u00e3o escondeu as inten\u00e7\u00f5es de proceder a uma lavagem cerebral sobre uma evoca\u00e7\u00e3o desconhecida por toda a gente. O que traduz a irremedi\u00e1vel certeza dos autocratas da Uni\u00e3o Europeia de que existe uma desconex\u00e3o total entre eles e os povos do continente.<\/p>\n<p>Estes procedimentos das castas pol\u00edticas da Uni\u00e3o Europeia revelam, simultaneamente, a ambival\u00eancia dos seus governos e antecessores perante o nazifascismo. Usando-o nos anos 30 e 40 do s\u00e9culo passado como instrumento para tentar concretizar a ideia fixa de destruir a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica; uma estrat\u00e9gia que acabou por fracassar em termos militares e que, apesar disso, foi retomada agora contra a Federa\u00e7\u00e3o Russa, de bra\u00e7o dado com o nazibanderismo ucraniano, por sinal herdado e inspirado no nazismo assassino do Terceiro Reich. Negar esta evid\u00eancia \u00e9 uma pr\u00e1tica governamental e midi\u00e1tica tornada obrigat\u00f3ria para construir a opini\u00e3o \u00fanica militarista e militarizada que nos querem impingir e tamb\u00e9m uma raz\u00e3o para vulgarizar a persegui\u00e7\u00e3o contra os cidad\u00e3os que demonstram, sem apelo, o car\u00e1ter nazista do regime de Kiev e defendem uma solu\u00e7\u00e3o negociada do conflito.<\/p>\n<p>Por todas estas raz\u00f5es, os governos da Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o se sentem confort\u00e1veis para assinalar a queda do nazifascismo ao lado dos atuais representantes de um povo sem o qual n\u00e3o seriam quem s\u00e3o. Ou talvez fossem, quem sabe, porque um nazismo vitorioso poderia se reciclar, com o andar dos tempos, na forma de uma democracia liberal como a de hoje, aplicando o neoliberalismo como receita de explora\u00e7\u00e3o m\u00e1xima dos povos. Sentimos bem isso \u00e0 nossa volta.<\/p>\n<p><strong>Os alvores da liberdade custaram 26,6 milh\u00f5es de mortos<\/strong><\/p>\n<p>Quando consideram necess\u00e1rio, ainda que a contragosto, falar do desfecho da Segunda Guerra Mundial, os governos da Uni\u00e3o Europeia e o seu aparelho midi\u00e1tico totalit\u00e1rio enchem-nos os olhos e ouvidos com o estrategicamente sobrevalorizado desembarque da Normandia.<\/p>\n<p>Um assinal\u00e1vel feito militar, sem d\u00favida, no qual as tropas estadunidenses, depois de anos a ficar de bra\u00e7os cruzados, acabaram por desempenhar um importante papel contra uma m\u00e1quina nazi sta muito enfraquecida e desmoralizada pelos fracassos no Leste.<\/p>\n<p>N\u00e3o haveria, por\u00e9m, desembarque na Normandia sem que mais de 26,6 milh\u00f5es de sovi\u00e9ticos tivessem se sacrificado para conter a esmagadora progress\u00e3o de Hitler para Leste, com o objetivo primordial de conquistar a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Mais de 26 milh\u00f5es de pessoas\u2026 duas vezes e meia a popula\u00e7\u00e3o atual de Portugal. E, embora pare\u00e7a cruel evoc\u00e1-lo, porque se trata de recorrer a uma aritm\u00e9tica sangrenta, quatro vezes mais do que as v\u00edtimas do Holocausto. O despudorado sequestro sionista desta trag\u00e9dia obriga a que seja absolutamente necess\u00e1ria uma reflex\u00e3o deste tipo sobre n\u00fameros usados para justificar uma sinistra propaganda expansionista. S\u00e3o n\u00fameros que os nossos governos n\u00e3o deveriam esquecer, se tivessem consci\u00eancia, um bem raro nestas terras.<\/p>\n<p>Quando as tropas hitlerianas enfrentaram o desembarque na Normandia, a amputa\u00e7\u00e3o das suas tropas decorrente da campanha a Leste atingira 8,6 milh\u00f5es de efetivos; tinham perdido na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica cerca de 75% dos seus tanques e dos seus avi\u00f5es, mais 74% dos canh\u00f5es de artilharia e morteiros. Durante os seis anos de guerra o povo sovi\u00e9tico arrasou 607 divis\u00f5es alem\u00e3s; os aliados ocidentais viriam a esmagar 176 divis\u00f5es.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es para o desembarque na Normandia tornaram-se poss\u00edveis a partir da conten\u00e7\u00e3o das tropas nazistas \u00e0s portas de Moscou, no Outono de 1941, a primeira derrota militar do Reich e que p\u00f4s fim ao mito da \u00abguerra rel\u00e2mpago\u00bb.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de Leningrado, por seu lado, resistiu vitoriosa a 872 dias de cerco selvagem, no qual um milh\u00e3o de pessoas morreram de fome, doen\u00e7as e na sequ\u00eancia de bombardeios alem\u00e3es. Os hip\u00f3critas governos ocidentais da atualidade recusam-se a reconhecer o genoc\u00eddio contra o povo sovi\u00e9tico, mas a Alemanha ufana-se de fazer repara\u00e7\u00f5es materiais aos herdeiros de fam\u00edlias que foram v\u00edtimas do cerco: desde que se declarem judeus. A cumplicidade germ\u00e2nica com o fascismo e o segregacionismo sionistas n\u00e3o poderia ser mais repugnante.<\/p>\n<p>A partir da derrota nazista na longa e mort\u00edfera batalha de Stalingrado, na qual as tropas de Hitler perderam um milh\u00e3o e meio de efetivos entre 1942 e 1943, inverteu-se o rumo da Segunda Guerra Mundial; na sequ\u00eancia do mart\u00edrio e da prolongada resist\u00eancia sovi\u00e9tica, a derrota total do Reich tornou-se poss\u00edvel a partir de ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Seguiu-se a terr\u00edvel e decisiva batalha de Kursk em 1943, que envolveu o maior n\u00famero de carros de combate de sempre e cuja consequ\u00eancia pr\u00f3xima foi o desembarque de tropas estadunidenses e brit\u00e2nicas para acelerar a liberta\u00e7\u00e3o da It\u00e1lia e tirar de campo o fascismo mussoliniano. A Opera\u00e7\u00e3o Bagration, que permitiu depois \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica libertar a Bielorr\u00fassia, a Pol\u00f4nia e a Litu\u00e2nia, em 1944, teve um peso estrat\u00e9gico incalcul\u00e1vel nos \u00eaxitos da ofensiva na frente ocidental, iniciada em junho daquele ano.<\/p>\n<p>Na cavalgada vitoriosa para Berlim, libertando a Pol\u00f4nia, a Hungria, a Iugosl\u00e1via, a Tchecoslov\u00e1quia, a Noruega, a Bulg\u00e1ria, a Rom\u00eania, a \u00c1ustria, grande parte da Alemanha, salvando os sobreviventes de muitos dos infernos dos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica perdeu mais um milh\u00e3o de soldados.<\/p>\n<p><strong>A Hist\u00f3ria revista por mercen\u00e1rios e fals\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria revista por alguns mercen\u00e1rios e fals\u00e1rios historiadores ocidentais afirmando que s\u00f3 os aliados ocidentais libertaram campos de concentra\u00e7\u00e3o nasceu nas catacumbas onde conspiram mentes transtornadas que tudo fazem para tentar substituir a realidade factual pelas suas mentiras.<\/p>\n<p>Quando excluem a R\u00fassia das comemora\u00e7\u00f5es da derrota nazista, os governos das pot\u00eancias ocidentais explicam quem s\u00e3o e o que realmente os move: assinalam apenas as pr\u00f3prias vit\u00f3rias, que seriam imposs\u00edveis sem o sacrif\u00edcio do povo sovi\u00e9tico, mas n\u00e3o deixam de demonstrar que n\u00e3o foram capazes, at\u00e9 hoje, de disfar\u00e7ar o desencanto com o fato de a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ter sobrevivido \u00e0 invas\u00e3o nazista. Pelo que n\u00e3o nos custa perceber a sanha atual do imp\u00e9rio dos EUA e do colonialismo da Uni\u00e3o Europeia contra a Federa\u00e7\u00e3o Russa e a disponibilidade para fazerem os poss\u00edveis e os imposs\u00edveis com o objetivo de a desmantelar. Em termos pr\u00e1ticos, arriscam-se a originar a devasta\u00e7\u00e3o do continente, no limite a extinguir a vida no planeta para tentar alcan\u00e7ar o que nem as hordas de Hitler, Napole\u00e3o e outros antes deles, os suecos, por exemplo, conseguiram.<\/p>\n<p>\u00c9 um comportamento natural e que nada tem de surpreendente a circunst\u00e2ncia de a Uni\u00e3o Europeia preferir celebrar 9 de Maio n\u00e3o como Dia da Vit\u00f3ria mas como o \u00abDia da Europa\u00bb, neste caso o 75.\u00ba anivers\u00e1rio da \u00abDeclara\u00e7\u00e3o Schuman\u00bb, considerada o pontap\u00e9 de sa\u00edda da integra\u00e7\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Percebeu-se ent\u00e3o, como continua a se verificar, que esse processo n\u00e3o era mais do que uma via para eternizar o controle militar, econ\u00f4mico e pol\u00edtico dos Estados Unidos sobre a Europa. De tal maneira assim \u00e9 que bastou o lun\u00e1tico Trump amea\u00e7ar que essa tutela pode acabar e logo a Uni\u00e3o Europeia se enterrou numa crise de orfandade com voca\u00e7\u00e3o suicida.<\/p>\n<p><strong>A fal\u00e1cia dos Estados Unidos da Europa<\/strong><\/p>\n<p>Os chamados \u00abpais da Europa\u00bb ou av\u00f3s da Europa, melhor dizendo, dois dos quais \u2013 o pr\u00f3prio Schumann e o italiano Alcide de Gasperi, est\u00e3o em vias de ser canonizados pela Santa S\u00e9, santificando assim o nascimento da desumana da Uni\u00e3o Europeia \u2013 associaram o processo de integra\u00e7\u00e3o continental \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uns Estados Unidos da Europa. Ideia retorcida, oportunista, nada democr\u00e1tica e, sobretudo, artificial\u00edssima.<\/p>\n<p>Como se fosse poss\u00edvel fundir num magma federativo pa\u00edses, na\u00e7\u00f5es e povos da Europa com as suas identidades, culturas, tradi\u00e7\u00f5es, l\u00ednguas e ainda rivalidades nacionais, cada qual com uma personalidade arraigada e, al\u00e9m disso, muitos deles com s\u00e9culos e s\u00e9culos de independ\u00eancia. Fazer esse paralelismo e pretender dar-lhe forma gerou uma situa\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel de materializar e que continua a sair muito cara em dignidade humana e social. Um processo desse tipo s\u00f3 pode ser imposto de cima para baixo, atrav\u00e9s da mentira e do autoritarismo, no sentido contr\u00e1rio ao da democracia.<\/p>\n<p>O regime e o Estado federativo norte-americanos nada t\u00eam a ver com a Europa profunda e real. Nasceram sobre o exterm\u00ednio dos povos nativos e foram-se consolidando, em apenas 250 anos, atrav\u00e9s da uni\u00e3o de Estados n\u00e3o soberanos, quase todos eles \u2013 exceto os roubados aos vizinhos \u2013 demogr\u00e1fica e culturalmente homog\u00eaneos, sem hist\u00f3ria e com a mesma l\u00edngua. E, ainda assim, este processo apenas atingiu a unifica\u00e7\u00e3o depois de uma sangrenta guerra civil entre as op\u00e7\u00f5es confederal e federal.<\/p>\n<p>S\u00f3 idealistas ou, muito mais provavelmente, conspiradores mentirosos e oportunistas do p\u00f3s-guerra a servi\u00e7o de interesses opostos aos dos povos europeus poderiam impor este caminho para uma integra\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel. Da\u00ed que, afinal com a consci\u00eancia absoluta das suas inten\u00e7\u00f5es fraudulentas, tenham erradicado as consultas populares e os referendos de qualquer etapa que conduziu \u00e0 Uni\u00e3o Europeia e at\u00e9 a uma moeda \u00fanica. Konrad Adenauer, o primeiro chanceler da Alemanha Federal p\u00f3s-nazismo, ele pr\u00f3prio rodeado de nazistas reciclados, inclusive na forma\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia secreta, apressou-se a declarar que os referendos eram inconstitucionais.<\/p>\n<p>At\u00e9 a ideia de criar, em alternativa, uma confedera\u00e7\u00e3o de Estados soberanos, como chegou a prop\u00f4r o general De Gaulle, foi liminarmente posta de lado pelo n\u00facleo fundador da integra\u00e7\u00e3o, porque \u00absubvertia a OTAN\u00bb ao criar um ex\u00e9rcito europeu \u2013 sem tutela dos EUA \u2013 e estruturar uma pol\u00edtica externa comum.<\/p>\n<p>Vale a pena recordar as inten\u00e7\u00f5es manifestadas pelos av\u00f3s fundadores e ac\u00f3litos, como Winston Churchill, e compar\u00e1-las com a realidade de hoje. N\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil concluir que vivemos h\u00e1 75 anos uma fic\u00e7\u00e3o, transformada hoje numa realidade paralela cultivada pelo orwelliano aparelho de propaganda, que opera a anos luz da vontade e dos interesses dos povos.<\/p>\n<p>Dizia Robert Schuman, ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros de Fran\u00e7a: \u00aba cria\u00e7\u00e3o de uma federa\u00e7\u00e3o europeia \u00e9 indispens\u00e1vel \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da paz.\u00bb<\/p>\n<p>Jean Monnet, historicamente considerado o principal progenitor da Uni\u00e3o Europeia e tamb\u00e9m o inspirador da Declara\u00e7\u00e3o Schuman, n\u00e3o emergiu, por\u00e9m, dos ambientes pol\u00edticos. Era um comerciante de conhaque e banqueiro com interesses dos Estados Unidos, personalidade sombria de bastidores que nunca se candidatou a qualquer cargo pol\u00edtico. Dizia ele: \u00abs\u00f3 uma federa\u00e7\u00e3o europeia poder\u00e1 tornar a guerra impens\u00e1vel e materialmente imposs\u00edvel.\u00bb Al\u00e9m disso, \u00abn\u00e3o haver\u00e1 paz na Europa se os Estados forem reconstitu\u00eddos com base na soberania nacional e tudo o que ela implica.\u00bb<\/p>\n<p>As ideias de Churchill eram coincidentes, mas sempre embrulhadas num fraseado imaginativo. Segundo o ex-primeiro-ministro brit\u00e2nico, \u00abs\u00f3 a supranacionalidade poder\u00e1 eliminar os males europeus dos nacionalismos e do belicismo.\u00bb Acresce que os Estados \u00abs\u00e3o demasiado pequenos para prosperarem isoladamente\u00bb e dentro de uns Estados Unidos da Europa os \u00abtrabalhadores poder\u00e3o recuperar a alegria e a esperan\u00e7a.\u00bb Enquanto o chanceler alem\u00e3o Adenauer proclamava que a reconcilia\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es \u00abs\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com a sua integra\u00e7\u00e3o numa associa\u00e7\u00e3o supranacional.\u00bb<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que os nossos pais ou av\u00f3s fundadores se enganaram nas previs\u00f5es ou estavam j\u00e1 a nos meter numa camisa de onze varas usando falinhas mansas e venenosas, no que s\u00e3o seguidos pelas classes pol\u00edticas de hoje, tornadas autossuficientes na sua mediocridade, analfabetismo e autoritarismo mel\u00edfluos e suicidas?<\/p>\n<p><strong>O dia em que \u00abn\u00e3o vai haver Portugal\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>Um exemplar bastante merit\u00f3rio do atual estado de coisas e militante dos del\u00edrios imperiais \u2013 hoje \u00abglobalistas\u00bb \u2013 dos av\u00f3s fundadores \u00e9 o ap\u00e1trida que desempenha paradoxalmente o lugar de ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da Rep\u00fablica Portuguesa, de seu nome Paulo Rangel. H\u00e1 uns tempos, numa confer\u00eancia realizada no Porto a prop\u00f3sito dos 127 anos do \u00abJornal de Not\u00edcias\u00bb, o indiv\u00edduo profetizou que \u00abh\u00e1 de chegar o dia em que n\u00e3o vai haver portugueses e n\u00e3o vai haver Portugal\u00bb. Nessa ocasi\u00e3o, Rangel era eurodeputado do PSD, o partido que pretende continuar a governar Portugal e, pelos vistos, conduzir o pa\u00eds at\u00e9 \u00e0 extin\u00e7\u00e3o. Passando por cima do zelo do ministro candidato a ministro para acabar com a l\u00edngua portuguesa antes de acabar com a p\u00e1tria, assinale-se a franqueza do dito Rangel ao confessar que \u00abos governos e os parlamentos j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam capacidade para resolver os problemas\u00bb; ficando assim por explicar porque insiste ele em governar e deputar quando tudo em redor \u00abtem uma dimens\u00e3o extraterritorial\u00bb.<\/p>\n<p>Mais inusitada \u00e9 a reflex\u00e3o que o conduziu \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00abos votos valem menos hoje do que valiam no passado\u00bb. Por que andar\u00e1 Rangel t\u00e3o empenhado na ca\u00e7a ao voto?<\/p>\n<p>Os fundadores, pelo contr\u00e1rio, tiveram o decoro de n\u00e3o abusar da palavra democracia \u2013 foram at\u00e9 bastante comedidos. Os herdeiros, por\u00e9m, proclamam em seu lugar uma corruptela, a democracia dita liberal, adjetivo que serve para tudo, at\u00e9 para tentar matar qualquer resqu\u00edcio democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Os iniciadores do processo de integra\u00e7\u00e3o europeia assumiam abertamente o federalismo; os seus sucessores de hoje o praticam mas o escondem, nos roubam as soberanias invocando a defesa dos interesses nacionais, em suma, na sua inaptid\u00e3o e com a ajuda da manipula\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria s\u00e3o ainda mais hip\u00f3critas e mentirosos.<\/p>\n<p><strong>Promessas falsas de nascen\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Os antepassados da Uni\u00e3o Europeia garantiam que a integra\u00e7\u00e3o era um rem\u00e9dio contra os nacionalismos e o belicismo. O que temos hoje? Mais nacionalismos, belicismo e o nazifascismo de regresso, em formas antigas ou atualizadas, olhados com benevol\u00eancia pelas classes dominantes, prontas a us\u00e1-los como instrumentos dos seus interesses. S\u00e3o sete d\u00e9cadas e meia de mistifica\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o e mentira que os governos da Uni\u00e3o Europeia festejam, em vez da derrota do nazifascismo.<\/p>\n<p>A alian\u00e7a entre as c\u00fapulas europe\u00edstas e as v\u00e1rias formas de nazifascismo em afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 coisa embrion\u00e1ria nem contra natura. Em causa n\u00e3o est\u00e1 apenas o envolvimento na defesa do banderismo de Kiev; o apoio impl\u00edcito, frequentemente expl\u00edcito, ao genoc\u00eddio praticado pelo sionismo contra o povo palestino, aceitando Israel como \u00ab\u00fanica democracia do Oriente M\u00e9dio\u00bb e representante da \u00abciviliza\u00e7\u00e3o e da superioridade cultural do Ocidente\u00bb, torna os governos da Uni\u00e3o Europeia coautores de uma matan\u00e7a que nos devolve aos tempos dos horrores do holocausto. Israel \u00e9 o sionismo e o sionismo \u00e9 uma doutrina supremacista, racista, de apartheid e fascista \u2013 as palavras existem para ser usadas. E n\u00e3o s\u00e3o antissemitas, s\u00e3o antissionistas, conceitos n\u00e3o apenas diferentes mas opostos.<\/p>\n<p>Os av\u00f3s fundadores desta agora moribunda Uni\u00e3o Europeia insistiram no papel fundamental da integra\u00e7\u00e3o europeia e do federalismo na defesa da paz e na cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para tornar a guerra imposs\u00edvel. Setenta e cinco anos depois, os governos da Uni\u00e3o Europeia investem o que t\u00eam e, sobretudo, o que n\u00e3o t\u00eam num vergonhoso esfor\u00e7o de guerra em defesa de um regime fascista, n\u00e3o hesitando em desmantelar as j\u00e1 prec\u00e1rias estruturas sociais da maioria dos 27 pa\u00edses membros; e mergulhando as popula\u00e7\u00f5es europeias em n\u00edveis de pobreza aviltantes, na supress\u00e3o de muitos dos seus direitos c\u00edvicos e humanos e em situa\u00e7\u00f5es gritantes de desigualdade.<\/p>\n<p>Pretendem assim preparar-se, sem resqu\u00edcio de humanismo, para lan\u00e7ar uma gera\u00e7\u00e3o de jovens europeus na fogueira de uma guerra, trag\u00e9dia que dizem prezar como um virtuoso caminho para a paz. Bruxelas e quase todos os governos dos 27, essa pl\u00eaiade \u00abcrist\u00e3 e ocidental\u00bb, fingem-se de surdos at\u00e9 perante os Papas, tanto Francisco como o atual Le\u00e3o XIV que, nas primeiras interven\u00e7\u00f5es, fez um apelo lancinante \u00e0 paz e ao \u00abfim da terceira guerra mundial aos peda\u00e7os\u00bb, que refor\u00e7ou com o grito de \u00abguerra nunca mais\u00bb. Paz, como se sabe, tornou-se uma palavra maldita na Uni\u00e3o Europeia. N\u00e3o faltar\u00e1 quem, em Bruxelas e por essas capitais fora, sem esquecer o tal Rangel, profira a senten\u00e7a de que o novo Papa vai por mau caminho<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o pode, e n\u00e3o poder\u00e1, enquanto existir, celebrar o 9 de Maio como Dia da Vit\u00f3ria. \u00c9 a ordem natural das coisas.<\/p>\n<p>Neste quadro temos todos um grande desafio nas m\u00e3os: fazer o que estiver ao nosso alcance para tornar desnecess\u00e1ria a celebra\u00e7\u00e3o daquilo a que chamam o dia da Europa, o que significa livrar os povos europeus dos grilh\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Interven\u00e7\u00e3o proferida na Confer\u00eancia 80 Anos sobre a Queda do Nazifascismo, promovida pelo Canal Multipolar TV em 9 de Maio, na Casa do Alentejo, em Lisboa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32837\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10],"tags":[234],"class_list":["post-32837","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8xD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32837"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32837\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32839,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32837\/revisions\/32839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}